Tipos de Mentes: Rumo a uma Compreensão da Consciência
4 - Como a intencionalidade entrou em cena
A torre de gerar e testar
Para ver à frente no tempo, é útil ver à frente no espaço. O que começou como sistemas de monitoração internos e periféricos lentamente evoluiu para sistemas capazes não apenas de discriminação próxima mas também de discriminação distante. Desta forma surgiu a percepção. O sentido do cheiro, ou olfato, depende da deriva de chaves precursoras distantes até as fechaduras locais. As trajetórias desses precursores são relativamente lentas, variáveis e incertas, em razão da dispersão aleatória e evaporação; assim, a informação sobre a fonte da qual emanam é limitada. A audição depende de ondas sonoras que incidem sobre os transdutores do sistema, e porque as trajetórias das ondas sonoras são mais rápidas e mais regulares, a percepção torna-se mais parecida como uma "ação à distância". Mas as ondas sonoras podem defletir e refletir de maneiras que obscurecem suas fontes. A visão depende da chegada muito mais rápida de fótons refletidos pelas coisas existentes no mundo, com trajetórias definitivamente retilíneas, de modo que, com um orifício apropriadamente modelado (e uma lente opcional), um organismo pode obter informação instantânea de alta-fidelidade sobre eventos e superfícies muito distantes. Como esta transição da intencionalidade próxima para a intencionalidade distante aconteceu? A evolução criou exércitos de agentes internos especializados para receber a informação disponível nas periferias do corpo. Há tanta informação codificada na luz que incide sobre um pinheiro quanto na luz que incide sobre um esquilo, mas o esquilo está equipado com milhões de microagentes em busca de informação, especificamente projetados para coletá-la, e mesmo procurar e interpretar esta informação.
Os animais não são apenas herbívoros ou carnívoros. São, na bela palavra criada pelo psicólogo George Miller, informívoros. E sua fome epistêmica vem da combinação, em uma organização sofisticada, da fome epistêmica específica de milhões de microagentes, organizados em dúzias, centenas ou milhares de subsistemas. Cada um desses diminutos agentes pode ser concebido como um sistema intencional absolutamente mínimo, cujo projeto de vida é formular uma única questão, repetidamente - "Estará minha mensagem chegando AGORA?" "Estará minha mensagem chegando AGORA?" - e passando para a ação apropriada mas limitada sempre que a resposta for SIM. Sem a fome epistêmica, não há percepção, não há apreensão. Os filósofos tentaram muitas vezes analisar a percepção nos dados e no que é então feito com os dados pela mente. Os dados são, é claro, coletados, mas a coleta de dados não é algo feito por um único Mestre Coletor localizado em algum quartel-general central do cérebro do animal. A tarefa de coletar está distribuída entre todos os individualmente organizados como coletores. Os coletores não são apenas Os transdutores periféricos - os bastões e cones na retina do olho, as células especializadas no epitélio do nariz - mas são também todos os funcionários internos alimentados por eles, células e grupos de células conectados em redes por todo o cérebro. Estas células e grupos de células não são alimentados com padrões de luz ou pressão (a pressão das ondas sonoras e do toque) mas sim com padrões de impulsos neurais; mas, à parte a mudança de dieta, elas desempenham papéis similares. Como todos esses agentes se organizam em sistemas maiores capazes de sustentar tipos cada vez mais sofisticados de intencionalidade? Por um processo de seleção natural, é claro, mas não apenas um processo.
Quero propor uma estrutura na qual possamos colocar as várias opções de projeto para os cérebros, para ver de onde seu poder se origina. É uma estrutura abusivamente super simplificada, mas a idealização é o preço que muitas vezes deveríamos estar desejosos de pagar em troca de uma visão sinóptica. Chamo a esta estrutura a Torre de Gerar e Testar. À medida que cada novo andar da Torre é concluído, ela habilita os organismos naquele nível a encontrar movimentos cada vez melhores e descobri-los com mais eficiência.
O poder crescente dos organismos em produzir o futuro pode ser representado, então, por uma série de passos. Estes passos quase certamente não representam períodos transicionais definidos de modo claro na história evolutiva - sem dúvida esses