Vida Além da Vida - Vol. 2

Elerson Gaetti Jardim Junior · Capítulo 4 de 8 · parte 2/3

Páginas do PDF

Vida Além da Vida - Vol. 2

Mediunidade e comunicações mediúnicas

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.

Com o as condições vibratórias m udam em função das interações do encarnado com o m undo que o envolve e com elas flutua a im unidade vibratória das pessoas expostas, as m esm as energias que nada produziram contra os residentes da referida casa hoj e, poderão ter efeitos am anhã, quando as defesas pessoais estiverem posicionadas em um patam ar insatisfatório. Algo m uito sem elhante pode ser observado na defesa orgânica frente a infecções e, da m esm a form a, valem as m esm as recom endações: não expor desnecessariam ente o am biente fam iliar, onde residem pessoas com diferentes resistências às influenciações externas, além de cultivar o evangelho e a vivência cristã no am biente fam iliar e na vida com o um todo, m antendo os m ecanism os e barreiras de defesa.

Devem os sem pre lem brar que o trabalho é im portante e deve ser feito sem pre que se apresentar, m as a espiritualidade nos faculta as condições em que o m esm o deverá se dar. Podem os m inistrar fluídos a nossos irm ãos encarnados, através da renovação e harm onização representadas pelo passe m agnético, m uitas vezes fora do am biente ideal, m as devem os nos deslocar para local m ais adequado, assim que for possível, para o tratam ento espiritual dos com panheiros desencarnados que os acom panham . Nem sem pre atenderem os apenas irm ãos sofredores, posto que sob o véu da dor, pode residir a revolta e agressividade, que podem ser m ais bem controladas em casas espíritas e outras casas de oração.

A grande m aioria dos espíritos obsessores necessita, prim eiram ente, de orientação e atenção e com essa postura eles sentirão que poderão receber o am paro espiritual solicitado, m esm o que inconscientem ente, e encam inhados para o tratam ento em am bientes m ais adequados e preparados para tanto, na casa espírita.

8. Muitos procuram o Espiritismo porque padecem de sofrimento e males do corpo físico e esperam receber alívio ou cura imediata para seus problemas. Como se processa o atendimento dessas solicitações no plano espiritual?

Joseph. O que são doenças? A ciência m aterialista coloca que elas representam a perda do equilíbrio, da hom eostasia, do funcionam ento de órgãos físicos, da psique, levando a prej uízos que vão desde o padecim ento pessoal, desaj uste social e até m esm o o óbito. Essa perda de equilíbrio, exacerbando um a condição de desaj uste que se instalou por m otivos diversos, pode ter origem física ou espiritual, m as possivelm ente um a associação de am bas.

Para a ciência terrena, a origem desses m ales é som ática ou psíquica, nunca espiritual. Essa m esm a academ ia atribui aos inúm eros m ecanism os celulares e m oleculares conhecidos a origem do fenôm eno, por desconsiderar o m undo do espírito, que representa grande parte do universo, ignorando a real origem dos desequilíbrios que assolam o corpo físico (6). Não quero com isso dizer que não existem doenças em inentem ente som áticas ou psíquicas, m as as de cunho espiritual são m uito m ais num erosas e desarm onias e perturbações m ais duradouras e severas, capazes de afetar o psicossom a e, por extensão, o corpo físico. Obviam ente que os problem as da alm a se exteriorizam no corpo através de m ecanism os celulares e m oleculares citados acim a, m as isso não quer dizer que os m esm os foram , de fato, os agentes que desencadearam o processo.

O ser hum ano é a interação de num erosos corpos ou planos dim ensionais diferentes, que se sobrepõem com o cam adas. Essa term inologia não é exata, m as pode dar a idéia de que tem os diferentes níveis corporais, desde o m ais denso, o corpo físico, até as m anifestações puram ente conscienciais, não m ateriais, que residem nos corpos superiores, com o os corpos m entais, búdico e átm ico. As doenças surgem das interações desarm ônicas desses corpos. O que hoj e fazem os através dos nossos atos e pensam entos certam ente irá se m anifestar no futuro, m esm o que distante. O tem po não é elem ento im utável no universo (7).

Por exem plo, as lesões celulares provocadas pelo tabaco e álcool não ficam restritas ao corpo físico, com o, aliás, nada fica, atingindo a estrutura do psicossom a, ou perispírito, gerando desarm onias que se m anifestam , ainda nessa m esm a existência, na form a de doenças degenerativas ou neoplásicas. As prim eiras lesões se m anifestam inclusive no próprio perispírito para se dissem inar ao corpo físico. Às vezes, tais condições, por m isericórdia divina, se apresentam em encarnações futuras daquela pessoa, que renasce em um a fam ília que possui severa predisposição hereditária para o câncer de pulm ão, ou acaba tendo problem as vasculares ou hepáticos que farão com que o psicossom a daquele irm ão se recupere dos danos a ele infringidos. Isso não é determ inism o biológico, m as a sim ples consequência da lei de ação e reação, causa e efeito, carm a. Nosso corpo nos trata da m esm a form a com que o tratam os.

Em um a fam ília com reconhecida tendência ao câncer de pulm ão, ou hepatopatias, o irm ão reencarnante vai pensar duas vezes antes de se expor ao álcool e o fum o, de form a que essa lim itação ganha um caráter educativo que, quando estam os encarnados, negligenciam os.

Devo ressaltar ainda que a form a com que essas enferm idades se m anifestam apresenta relação direta com o etilo de vida e o currículo cárm ico do espírito. Muitas doenças são evitáveis, m esm o quando os danos j á atingiram o psicossom a, através do trabalho bendito e da reeducação interior, que auxiliam na natural depuração das energias densas e efeitos de viciações pretéritas. O obj etivo da doença física é criar condições m ais favoráveis para a reavaliação de nossos valores e prioridades, fazendo-nos esquecer, pelo m enos um pouco, do lado m aterialista da vida e passarm os a valorizar m ais o lado espiritual.

Quanto ao questionam ento acim a, quando o am igo procura o tratam ento espiritual, todo o seu histórico de vidas anteriores acaba sendo avaliado, porque o que m uitas vezes parece ser a m oléstia a ser extirpada, a doença, constitui o m elhor tratam ento para a verdadeira enferm idade, na alm a. As doenças físicas podem ser a m elhor terapia para as im perfeições que trazem os no espírito, m as, m esm o nesses casos, a atenuação dos problem as pode ser providenciada em função da m isericórdia divina e do uso que o encarnado faz do tem po que lhe foi concedido na Terra.

Não raro, o m aior obj etivo dos desconfortos orgânicos era levar o irm ão para o cam inho do bem , de form a que a cura é providenciada ou facilitada. Não se pode esquecer que som os os grandes responsáveis pelos cam inhos que a nossa vida tom a, nos m ínim os detalhes (8).

9. De uma forma geral, embora com muitas exceções, os médiuns do gênero feminino tendem a se dedicar mais à psicofonia, enquanto os médiuns de cura e ectoplastas são, predominantemente, do gênero masculino. Isso é real? Por que esse fenômeno ocorre?

Joseph. Espíritos não tem gênero, m as, em função do seu passado reencarnatório, desenvolvem aptidões ou com portam entos que podem ser m ais ativos e outros m ais passivos, que correspondem ao equilíbrio do Yin e Yang ou m asculino e fem inino, das filosofias orientais. A harm onização desses princípios está no cam inho da angelitude e é um fenôm eno natural.

Quando dizem os que determ inados características são "passivas", não querem os colocar que aqueles que as possuem são seres incapazes de ter atitudes ativas e de controlar os diferentes aspectos de suas existências, m as que são pessoas que se doam com grande frequência e que valorizam os aspectos m ais em ocionais da vida; são espíritos m ais passionais e m aternais. Pelas suas condições psicológicas e cárm icas, esses espíritos norm alm ente reencarnam no gênero fem inino, m as nem sem pre isso acontece. De fato, eles são bastante receptivos às influencias espirituais e a m aioria possui dons psicofônicos. Os espíritos m ais "positivos" ou "ativos", equivalentes á postura m asculina, geralm ente se m ostram m ais aptos aos trabalhos de doutrinação ou de educação, organização das reuniões, vigilância e preparo das m esm as. São irm ãos m ais racionais e potentes doadores de energias vitais, m uito úteis em reuniões de cura e dem ais efeitos físicos, com o as sessões de m aterialização.

Para um grupo m ediúnico trabalhar coeso, seria bastante desej ável a obtenção de equilíbrio entre essas duas correntes de sensibilidade e de postura diante do m undo espiritual e das energias que o constituem . A filosofia oriental m ostra que é do equilíbrio entre esses princípios que a vida se m anifesta em toda a sua plenitude.

A espiritualidade apenas utiliza os dons e tendências individuais que se desenvolvem com o fruto da aquisição de harm onia interior e equilíbrio de caráter. No processo, crescem os e reduzim os as nossas lim itações, m odificando nossas possibilidades de trabalho. O que é m ais natural se m anifesta com naturalidade. Eis a questão. Contudo, diante do esforço pessoal e necessidade, os am igos espirituais podem auxiliar os m édiuns, que m uitas vezes acabam desenvolvendo faculdades que, inicialm ente, nem se j ulgavam portadores.

10. Q uais as consequências do mau uso da mediunidade?

Joseph. Creio que m uitos dos efeitos deletérios associados ao m au uso da m ediunidade foram descritos acim a, quando discutim os o efeito do intercâm bio m ediúnico sobre a saúde física e m ental, m as devem os tecer algum as considerações adicionais.

A m ediunidade é um instrum ento de trabalho ligado a um a m anifestação diferenciada dos sentidos naturais do hom em , por isso cham ada popularm ente (e erroneam ente) de sexto sentido. O uso inadequado de qualquer um dos sentidos de m eus irm ãos pode exacerbar os débitos que eles carregam para as vidas futuras, bem com o para sua estadia espiritual após a m orte do corpo físico.

Os espíritos que reencarnam e são portadores de m ediunidade natural, fruto do esforço pessoal de espiritualização e hum anização, não são tão susceptíveis a quedas no em prego de suas faculdades porque j á atingiram um lim iar de conscientização capaz de fazê-los discernir, com m aior lucidez, o que é certo ou errado e podem escolher os seus cam inhos e os seus destinos.

As m ediunidades de prova e a de expiação geralm ente vêm acom panhadas de sinais que evidenciam os problem as espirituais de seus portadores, que devem ser acom panhados e orientados ao uso adequado de suas faculdades. Num erosos são os casos de m édiuns que têm um a agudização de quadros obsessivos em função da relação espúria que os m esm os estabelecem com o poder e o dinheiro, atraindo para si entidades que possuem esses m esm os ideais escusos.

Os dons m ediúnicos am pliam o leque de oportunidades de redenção do irm ão, m as podem propiciar inúm eras oportunidades de queda tam bém , m otivo pelo qual o m edianeiro deve sem pre procurar subm eter à avaliação da sensatez e dos seus pares o produto de seu trabalho. Deve aprender a aceitar críticas e a refletir a respeito de suas próprias lim itações. O orgulho é a m aior arm a que o m al possui para atingi-lo, enquanto o trabalho e a hum ildade sem pre irão atrair para j unto dele a colaboração dos am igos espirituais sintonizados com a hum anização do hom em .

Muitas vezes, para evitar quedas m aiores, a espiritualidade prom ove a suspensão tem porária ou definitiva das faculdades m ediúnicas, obrigando o com panheiro encarnado a repensar o uso que delas fazia. Nas encarnações seguintes, o erro acom panhado com o rem orso poderão se m anifestar de diferentes m aneiras, destacando-se os quadros obsessivos, a baixa autoestim a e problem as de saúde de todos os tipos, notadam ente associados aos órgãos dos sentidos que correspondem aos órgãos do psicossom a que m ais foram afetados pelo em prego inadequado dos dons m ediúnicos. Não raro, m édiuns fracassados se tornam seguidores de filosofias dogm áticas, que não perm item a discussão filosófica, lim itam as atividades das pessoas, m as, durante certo tem po, podem se preparar novam ente para o exercício do intercâm bio. Nesses casos, opta-se por reduzir as possibilidades de novas falhas e prepara-se o espírito para reeducar seus hábitos. Nessas religiões e seitas, serão proibidas determ inadas atividades, com o o consum o de bebidas alcoólicas e dem ais vícios cultivados em existências anteriores fracassadas. Dessa form a, prom ovem -se existências em que aprenderão o valor da disciplina para depois oferecer-lhes a liberdade da escolha e o discernim ento.

As j ustificativas científicas e espirituais poderão vir com o tem po, sendo im portante, naquele m om ento, im pedir que o com panheiro se aprofunde no erro. Não podem os nos esquecer de que o cerne da Doutrina dos Espíritos é a de conduzir as pessoas para um a vida responsável e feliz, sendo a m ediunidade apenas um instrum ento para tanto.

11. Muitos aspectos têm nos intrigado a respeito de comunicações mediúnicas sobre a vida espiritual e sobre a espiritualidade de maneira geral. Temos lido muitas mensagens sobre tecnologias disponíveis em planos espirituais superiorese inferiores. Q uando questionamos as entidades comunicantes sobre pontos mais específicos dessas tecnologias, quase sempre recebemos a resposta de que nos falta palavras para explicações mais pormenorizadas ou que a verdade ainda não poderá ser mostrada. Por que esses discursos?

Joseph. Para entenderm os a questão colocada precisaríam os ter noções m elhores sobre com o se dá o intercâm bio m ediúnico e a com unicação entre diferentes dim ensões espaço-tem porais.

Prim eiram ente, tem os que a com unicação m ediúnica é fruto da interação entre duas consciências diferentes, separadas por um verdadeiro "universo". Para que um a com unicação se estabeleça entre elas, a sintonia tem que ser fina e a capacidade de interação, verdadeira. O espírito com unicante em ite um conj unto de dados e im agens que adquirem vida própria na m ente do m édium , de form a que o que esse com panheiro encarnado transfere para sua esfera de atuação não é a m ensagem inicial, m as sua interpretação dela (9). Mesm o em m édiuns m ecânicos esse intercâm bio possui elem entos oriundos dos dois lados da vida e isso acontece naturalm ente, m as com o desenvolvim ento de afinidade entre o espírito com unicante e o m édium , o conteúdo aním ico vai sendo paulatinam ente reduzido (10).

Por isso colocam os que o espírito com unicante se utiliza do universo cultural e intelectual do m édium para o estabelecim ento do processo. Isso se dá de duas form as, a prim eira, citada acim a, é a interpretação do fenôm eno e da m ensagem pelo receptor. A segunda form a de interação deriva do fato de que o espírito com unicante se utiliza de im agens e alegorias com uns na m ente do m edianeiro durante o estabelecim ento do processo, para garantir um m ínim o de confiabilidade e reprodutibilidade da m ensagem . Isso tudo restringe significativam ente o núm ero de m édiuns capazes de receber com unicações de conteúdo científico. Muito poucos encarnados e desencarnados não têm opinião distorcida sobre os tem as científicos m ais im portantes e de interesse para o estudo da vida além da m atéria. Com o utilizar, quer pela intuição, quer através do com ando m ental, um m édium que, m inutos antes, questionou erroneam ente alguns aspectos científicos básicos? Muitos ainda se negam a crer em verdades científicas que foram estabelecidas nos séculos XVIII e XIX, com o esperam receber inform ações científicas de m aior im pacto? Essa realidade não se restringe ao m undo físico.

O universo m ental do m édium tam bém é agente ativo no processo e não raro representa parte significativa da com unicação, que passa a ser aním ico-m ediúnica. Isso, por si só, não caracteriza um a falha ou defeito, um a vez que o interm ediário acaba colaborando para criar um contexto cultural, linguístico e hum ano m ais adequado para a m ensagem . Entretanto, não podem os nos esquecer de que o orgulho, vaidade e fam a podem fazer com o m edianeiro passe a interferir cada vez m ais no conteúdo dos textos, criando em baraços ao espírito com unicante, que pode se afastar caso perceba que suas palavras estão sendo distorcidas por interesses que nem sem pre podem ser declarados. Geralm ente o m édium não percebe a substituição silenciosa de seu guia por um obsessor que se identifica ou sintoniza com suas atividades e vaidade.

Sem pre tem os um trabalho a quatro m ãos, de parceria. Isso ocorre até nas com unicações psicofônicas e com os m édiuns que trabalham em estado de aparente inconsciência. Aliás, a participação aním ica no processo é m aior entre os encarnados que trabalham em estados alterados de consciência, posto que, em estado consciente, eles exercem um a pressão crítica sobre a com unicação, elim inando elem entos que j ulgam advir do seu “eu”, o que não acontece em outros estados.

Com o as m ensagens de cunho científico são recheadas de peculiaridades técnicas, elas necessitam de precisão para serem transm itidas e essa precisão se perde no universo m ultidim ensional no qual o espírito com unicante e o m édium receptor se encontram . Nesse estado de entrelaçam ento em que o par em issor-receptor está envolvido, detalhes escapam e apenas o sentido geral das idéias de m antém intocado. Por isso vem os m ensagens com estilos diferentes atribuídas ao m esm o espírito, m as utilizando m edianeiros diferentes.

A despeito desses aspectos, as principais causas de com unicações prolixas e sem conteúdo aproveitável derivam de falta de conhecim ento de espíritos com unicantes e falta de discernim ento de m édiuns e grupos m ediúnicos espalhados pelo m undo. Quantas vezes presenciam os m édiuns dando opiniões pessoais em nom es de seus pretensos m entores... Irm ãos m eus, qualquer entidade pode estabelecer contato com m édiuns despreparados e trabalhando em condições adversas, m uito diferentes do que é recom endado.

Com o se isso não bastasse, ainda tem os m édiuns desej osos de fam a, quase sem pre atendidos em seus desej os por entidades capazes de produzir com unicações com boa estrutura gram atical e conteúdo aparentem ente elegante. Esses irm ãos evocam grandes nom es da ciência de outrora, nas áreas da física, biologia, política, entre outras e, geralm ente, são atendidos por entidades que se dedicam a iludi-los com ideias incoerentes e elogios rasgados aos seus dons m ediúnicos. O fruto dessas com unicações constitui farsa e obj etivam depreciar o Espiritism o e filosofias espiritualistas com o um todo. Sem pre usem o bom senso para desm ascarar essas situações. Evitem as com unicações sem obj etivo certo e coerente. Deixem a curiosidade gratuita de lado.

Muitos espíritos se utilizam de m edianeiros que se j ulgam especiais ou predestinados, acim a da m édia, e assinam m ensagens com conteúdos m edíocres e que falam e falam , m as nada dizem . Repetem chavões, com o os citados por vocês nos questionam entos anteriores, e não se envergonham de inventar coisas sem nexo ou espúrias. Muitas vezes, essas entidades se dizem conhecedoras de verdades eternas e essa falta de m odéstia e de senso crítico é um a das características de suas com unicações. Nenhum de nós, no orbe terreno, à exceção dos Im ortais, com o o Mestre Jesus, teria condições de com preender a natureza m ais íntim a e profunda do universo. Estam os evoluindo com o vocês m esm os o fazem , em degraus diferentes e em m om entos de vida diferentes, cada um seguindo em ritm o próprio.

Tanto entre encarnados quanto entre os desencarnados, a adm iração alheia é fonte de prazer e regozij o por parte de espíritos ainda apegados à m atéria. Esses pseudossábios se divertem ao criar ilusões que seduzem os m ais sim ples e aqueles que preferem discursos pom posos, m as carentes de conteúdo ou significado. Quem tem respostas para tudo, ou m ente ou não conhece o que fala.

Para evitar que problem as desse tipo venham a ocorrer entre vocês, devem estudar e estudar, além de transform ar sua vida em exem plo de retidão e hum anização. Precisam os ser hom ens bons para atrair espíritos sérios e interessados no progresso hum ano. Bom m édium não é aquele que possui a m aior sensibilidade m ediúnica, m as sim um bom hom em , com o foi dito anteriorm ente. Bom m édium é aquele que usas as sandálias da hum ildade e que provavelm ente nunca haverá de se converter em arauto da m entira, desinform ação e desesperança. Por que são im unes a essa condição? Sim plesm ente porque não trabalham sós e o evangelho em ana de seus corações e m entes sem pre sedentas de conhecim ento e ansiosas por trabalhar. Eles preferem o anonim ato e se sentem com pelidos da reduzir a im portância que possuem na com unicação, o que contrasta com aqueles que se sentem "donos" do espírito com unicante e senhores da m ediunidade. Cada qual escolhe um cam inho e precisa ter a responsabilidade de aceitar o destino que o m esm o conduz.

O grupam ento m ediúnico deve ter cuidado com esses fenôm enos e não deve dar vazão a com unicações desse tipo, com o form a de im pedir a perda de tem po precioso da equipe e evitar a fascinação que m uitas vezes acom panha o m édium incauto nessas atividades. O preparo do am biente e a ação dos dirigentes da casa deverão ser enfatizados, m as sem o autoritarism o que tantas vezes acaba criando m ais problem as do que soluções. Na presença de m édiuns m ais sérios e de espíritos que, de fato, conhecem os aspectos estudados no intercâm bio m ediúnico, tais entidades interessadas em criar celeum as se afastam e deixam de se com unicar.

Além de todos esses aspectos, com o agravante, m uitas vezes vocês não estão preparados para abordar assuntos de im portância técnica, principalm ente quando esses adquirem caráter de tabus ou dogm as no m eio religioso. Discutir assuntos científicos em um am biente religioso, m esm o que respirando ares de liberdade, com o nas casas espíritas, não constitui um a situação fácil de ser superada pelos que tom am parte do processo. Pensem o que seria dos m édiuns da década de 1900, 1910, 1920, 1930 ou 1950 se falássem os de aparelhos capazes de facilitar a identificação de espíritos? Aparelhos capazes de m odificar a faixa de sensibilidade m ediúnica de encarnados? E conceitos com o a vida em dim ensões paralelas e espíritos que, ao m esm o tem po, são m édiuns de outros espíritos que estão situados em planos vibratórios diferentes? Mas tudo isso consta de obras clássicas do Espiritism o, com o a extensa e rica obra de m eu irm ão André Luiz, um com panheiro de j ornada que dotou a fé espírita e cristã de elem entos novos para reflexão (11). Infelizm ente, nem sem pre estam os preparados para discutir assuntos que fogem ao nosso cotidiano ou, m ais precisam ente, à ideia que fazem os do m undo que nos envolve. Não é raro que as pessoas, ao não aceitarem ou entenderem algum aspecto da Doutrina Espírita acabem rotulando aquilo de “im possível”. Muito m ais com plicado do que discutir a existência de corpos espirituais em dim ensões diferentes, sem abordar conceitos m odernos de física quântica e teorias das cordas, é convencer m eus irm ãos de que o universo é m uito m aior e com plexo do que tudo que todos nós j á im aginam os ou presenciam os.

Por fim , devo salientar que grande parte do conhecim ento disponível para os hum anos nasceu da com unhão entre pesquisadores, que são m édiuns intuitivos, e os nossos estudiosos, que sem pre estão ansiosos de poder levar até vocês o que tem os estudado aqui. Tam bém aprendem os m uito nesse intercâm bio. Em am bientes com rigor científico, basta a proj eção de um a sim ples im agem , com o um crom ossom o sendo duplicado, um cam po m entom agnético ou eletrom agnético ao redor de um a célula viva, um vírus penetrando um hospedeiro ou um a distorção no espaço-tem po, na m ente de um espírito encarnado preparado, para que o progresso tenha rum o. A genialidade é adquirida através de m últiplas vivências nas áreas que m ais am am os.

Com o um em inente pesquisador (12) colocou, o pesquisador e o produto de sua dedicação são feitos de 99% de transpiração e 1% de intuição. Esse é o verdadeiro e derradeiro m otivo para que estim ulem os o estudo e o progresso a partir de suas atividades terrenas. Todos nós devem os deixar a postura com odista e passar a estudar o universo em parceria. A cada um é dado segundo o seu esforço pessoal.

12. Existem médiuns que somente dão comunicação a determinados tipos de espíritos, como entidades sofredoras, crianças, padres etc. Por que isso acontece? Como deve agir o dirigente dos trabalhos?

Joseph. É bastante com um que certos m édiuns tenham m ais facilidade para estabelecer sintonias com espíritos que se encontram em determ inadas condições vibratórias, com o crianças ou j ovens que faleceram , ou m ães que sentem falta de seus rebentos. Isso se dá pelas características da m ediunidade e do próprio m édium (13).

O estabelecim ento do par em issor-receptor, ou com unicante-m édium , depende dessa sintonia e ela é, geralm ente, precária. Para que vocês tenham um a ideia m ais clara, m esm o os m édiuns m ais sensíveis percebem apenas de 1 a 5% do que existe no m undo espiritual na sua faixa vibratória e isso ocorre para evitar que percam o interesse pela vida no plano físico, que deve ser sua prioridade. Outro fator que interfere bastante na percepção dos fenôm enos é o universo m ental do m édium , que se sente nublado pela enorm e quantidade de inform ações que passa a receber vindas dos dois planos em que se encontra naquele m om ento. Muitas vezes essas com unicações em série, de um m esm o tipo de espírito, podem parecer fruto de influências aním icas no processo, m as isso raram ente ocorre.

O tipo de entidade desencarnada atendida pelo grupam ento m ediúnico está diretam ente ligado à com posição do grupo disponível para o trabalho, cada m édium apresentando um a determ inada gam a de afinidades e potencialidades, de form a que, na presença de certos m édiuns, alguns espíritos são trazidos e passam a dar seus testem unhos de vida e a buscar solução para suas angústias e problem as. Muitos outros, que não se m anifestaram , acabaram sofrendo as influências benfazej as do am biente da casa de oração e são encam inhados para tratam ento e reeducação espiritual, preparando-os para um a nova etapa de preparação. A presença desses irm ãos sofredores e o auxílio prestado tem relação direta com a com posição do grupo de m édiuns. Ponderem e concluam com o tem po.

Os dirigentes devem explicar esses fatos aos m em bros do grupo de trabalho, m ostrando que se trata de ocorrência natural e que ninguém deve se m artirizar por dar passividade a determ inadas categorias de irm ãos, m esm o que isso se repita com frequência. Com o estudo e a prática da caridade espiritual, esses m édiuns passarão a se habilitar para outras atividades, podendo am pliar a sua sensibilidade m ediúnica e as faixas de sintonia vibratória que poderão estabelecer.

Quando os dirigentes perceberem por si m esm os ou forem orientados pela espiritualidade sobre a existência de viciação aním ica no processo, devem discutir o fenôm eno com os envolvidos, em am biente reservado, evitando personalism os ou tom de crítica, após a conclusão dos trabalhos. Os m édiuns deverão ser orientados para estudo e continuar trabalhando, um a vez que a m elhor form a de se preparar para o bom desem penho do intercam bio m ediúnico se dá trabalhando. Muitas vezes, esses m édiuns com fortes tendências aním icas estão passando pelo processo de harm onização vibratória e terapia espiritual, onde suas antigas vivências, quase sem pre associadas com com plexos de culpa e rem orso latente, são confrontadas com a realidade presente. Esse processo pode durar algum as sem anas, após o que o m edianeiro m ostra-se significativam ente m ais preparado e envolvido com o trabalho, m otivo pelo qual a direção da casa deve ter tolerância e com preensão redobrada com todos os fenôm enos desse tipo.

13. O que fazer com os demais casos de animismo nas reuniões mediúnicas?

Joseph. O anim ism o é visto com um dos principais m ales das casas espíritas, m as isso está longe de ser real. A atuação aním ica de m uitos m édiuns apresenta conteúdo igual ou superior ao produto de m uitas com unicações verdadeiram ente m ediúnicas. Tem os sem pre que avaliar o fenôm eno, suas causas e im plicações.

Não raro, o anim ism o é fruto da ansiedade e vontade de trabalhar de m édiuns que ainda estão em processos de harm onização vibratória ou terapia espiritual em curso, com o descrito acim a. Em m uitos casos, a própria espiritualidade que auxilia nos trabalhos do centro prom ove a atenuação dos vínculos que ligam esses irm ãos aos seus corpos físicos e perm item que seus espíritos se m anifestem com o se fossem entidades verdadeiram ente livres e desencarnadas. Esse fenôm eno nada tem a ver com em buste e faz parte do preparo do m edianeiro.

Com o estudo e pela avaliação dessas ocorrências, o m édium com repetidas m anifestações aním icas poderá reduzir o fenôm eno e, com isso, dar m aiores oportunidades de m anifestação para irm ãos desencarnados. O auxílio fraterno dos dem ais integrantes da equipe e a inibição do personalism o tam bém irão reduzir a ansiedade do m edianeiro, colaborando para m inim izar a ocorrência de anim ism o.

Apenas a crítica aberta deve ser evitada, cabendo ressaltar que as críticas silenciosas são tão ou m ais ferinas à sensibilidade do irm ão do que as que se convertem em palavras. Tem os que entender as bases do fenôm eno em curso e procurar dar-lhe m ais confiança, reduzindo a aflição e a ansiedade no exercício da m ediunidade, que constituem grandes causas de com unicações aním icas. Futuram ente, com um a parceria cada vez m ais estreita e consciente entre desencarnados e encarnados, os guias espirituais irão apenas orientar as com unicações m ediúnicas, deixando o m édium m ais livre para a instrum entalização do processo. Isso redundará na significativa dim inuição no núm ero de m édiuns inconscientes e sem iconscientes, em prol de irm ãos m ais ativos, que converterão todas as com unicações em fenôm enos aním ico-m ediúnicos, ou sej a, trabalho de parceria.

A era da passividade estrita está nos seus últim os dias, daí a necessidade de se preparar m ais, pois as responsabilidades serão m ais com partilhadas.

14. Q ual a melhor postura a ser adotada com os médiuns que não se adaptam ao trabalho disciplinado?

Joseph. O exercício da m ediunidade deve ser sinônim o de autoconhecim ento, responsabilidade e dedicação. É im possível trabalhar com a espiritualidade e não ter com prom etim ento. Alguns am igos se com prom etem apenas verbalm ente e acabam prej udicando a si m esm os e, infelizm ente, term inam por atrapalhar os próprios grupam entos m ediúnicos onde deveriam exercer suas atividades.

Um grupo m ediúnico é sem elhante a um a equipe ou corrente na qual a força do conj unto é construída pela inter-relação entre as potencialidades e a dedicação de cada um dos seus integrantes, dos seus elos. Quando um de seus m em bros foge às suas responsabilidades, acaba prej udicando todos os dem ais. Um elo fraco rom pe a corrente.

Um a conversa desapaixonada e coerente, cham ando o m édium às consequências de suas próprias atitudes é o prim eiro passo para um bom entendim ento. Caso o irm ão não consiga se adaptar ao trabalho m ediúnico, que ele sej a orientado a executar outras atividades que poderão ser im plem entadas, sem pre evitando discussões estéreis. O grupo não pode ser prej udicado (14).

15. Por que as lembranças obtidas em viagens astrais e desdobramento ligado ao sono fisiológico ou induzido são tão vagas?

Joseph. A separação entre os planos extrafísicos e o m undo físico é, ao m esm o tem po, tênue e profunda. Tênue porque não representa distância física a ser vencida, m as profunda em função das enorm es diferenças vibratórias entre os planos dim ensionais. Mesm o os pesquisadores m ais ilum inados de vosso m undo ainda não foram capazes de detectar um a sim ples fagulha de evidência do universo em que vivem os (com exceção dos cam pos eletrom agnéticos que em anam do corpo espiritual de todas as form as de vida, m as cuj a interpretação provocou acaloradas discussões e hoj e repousa no esquecim ento da corrente científica m aj oritária), que nada m ais é do que outra realidade do m esm o universo em que vocês exercem os seus papéis. Apenas conj ecturas m atem áticas foram elaboradas e isso não é pouco. Im aginem então viagens astrais para universos diferentes do nosso? Onde a m atéria e a energia adquirem conform ações diversas e apenas a consciência liberta das am arras físicas consegue se deslocar e entender o que, aparentem ente, parece destituído de ordem . Essas diferenças vibratórias acabam por interferir com todas as atividades m ediúnicas e desdobram entos, independentem ente das condições que estej am im perando no m undo físico.

Quando vocês de deslocam através do desdobram ento do psicossom a, conseguem perceber, de form a m uito clara, as situações e lugares que se apresentam ao seu redor, em bora essa liberdade ainda não sej a com parável à observada pelos desencarnados, que não se encontram ligados a um corpo físico pelo cordão de prata, principalm ente daqueles que j á passaram pela perda progressiva da m aterialidade de seus corpos espirituais. Entretanto, o que fica disponível ao encarnado, após a transm issão das inform ações dos corpos espirituais em direção ao sistem a nervoso central, no corpo físico, é um a ínfim a parte do que foi observado, representando os pontos principais e, não raro, acabam sendo subm etidos a códigos e m isticism os.

Isso se dá pelo fato de que tudo que é capturado pelo espírito é arm azenado através dos corpos espirituais superiores, quando diz respeito aos aspectos intelectivos, ou no corpo psicossom ático, quando associado às em oções m ais próxim as da sua realidade. Essas percepções são vultosas e bastante claras, m as à m edida que o irm ão se dirige para sua vida norm al, entre os encarnados, o sistem a nervoso não consegue reter aquilo que o psicossom a e o m entalssom a proj etam em sua direção, fazendo com que detalhes se percam . Além desse aspecto bastante relevante, a vida entre vocês passa em ritm o bastante diferente e a distância vibratória que separa o m édium do plano visitado tam bém facilitam as perdas de inform ação no processo.

Essas perdas são m enos significativas quanto m enor for a distância vibratória entre o plano físico e o m undo visitado, m otivo pelos quais as recordações dos am bientes um bralinos são sem pre m ais nítidas e claras do que as que se referem às cidades de luzes situadas nos planos superiores. Infelizm ente ainda não nos acostum am os com a luz que vem do Alto e ainda recordam os as nossas estadas nas esferas purgatoriais. Esses fenôm enos dim inuem progressivam ente na m edida em que evoluím os e aum entam os o nosso discernim ento e conhecim ento sobre os diferentes planos de vida.

O sistem a nervoso central de m eus irm ãos, não podendo arm azenar tudo que chega até ele, converte os pontos considerados m ais relevantes em sím bolos, alegorias e clichês, adaptando-os à sua realidade de m om ento. Além disso, os próprios m estres e m entores trabalham para que apenas o m ínim o necessário sej a obj eto de recordações m ais detalhadas, do contrário, o encarnado poderia perder o interesse pela própria vida terrena, desperdiçando grandes oportunidades de crescim ento e am adurecim ento espiritual, além de perturbações profundas para aqueles que foram conduzidos para esferas pouco nobres da vida espiritual.

Esses resíduos de inform ação que ficam retidos produzem resultados m uito interessantes. A grande m aioria dos grandes surtos de criatividade ocorre após um a noite de sono, onde as inform ações que foram com partilhadas com o artista, m édico ou pesquisador espiritual são relem bradas na form a de “insights”, guardados após o desdobram ento do sono. Mas não são apenas inform ações que podem ser trocadas durante esses desdobram entos, m uitos recebem tratam entos para suas m oléstias físicas e espirituais. Não existe um ditado entre vocês que diz que “o m elhor tratam ento é um a noite de sono”? Então, isso é verdadeiro em inúm eras ocasiões. Muitas coisas boas e não tão boas ocorrem quando vossas pálpebras se fecham , tudo depende do tipo de am izades espirituais que são cultivadas com os nossos atos e pensam entos.

Nos planos extrafísicos tam bém sofrem os o desdobram ento em corpo m ental, em situações propícias ou durante os breves m om entos de sono, e som os conduzidos em caravanas e grupos de estudo para outros planos vibratórios m ais elevados, com a diferença que aqui as lem branças são claras e as percepções são m uito m ais significativas, m as m esm o assim , o aprendizado é proporcional à elevação m oral e intelectual que o espírito j á traz consigo. A vida é um contínuo e isso é um fato que vocês logo descobrirão. Esse tipo de desdobram ento perm ite um a nitidez de idéias e percepções im pressionantes, m as são raros os encarnados que conseguem faze-lo sem auxílio de seus instrutores espirituais.

Na prática, o universo m aterial e os planos extrafísicos se com portam com o cam adas sobrepostas, cada qual com suas peculiaridades. Apenas isso.

16. Em anos recentes, temos observado uma grande procura por cursos e palestras sobre terapias de vidas passadas. Alguns terapeutas ostentam especialidade nesse tipo de enfoque terapêutico. Essa modalidade de tratamento de problemas espirituais e psicológicos pode ter consequências desagradáveis ou pode ser utilizada de forma mais ou menos ampla na população?

Joseph. As doenças da alm a requerem m uito m ais do que a sim ples terapia de vidas passadas para seu tratam ento. Esses am igos tam bém associam outras estratégias terapêuticas. Com o toda m odalidade de terapia, ela apresenta indicações e contraindicações e pode trazer m alefícios se utilizada sem critérios. Em alguns casos, os efeitos deletérios são m uito m aiores do que os possíveis benefícios pretendidos.

Tem os visto o uso indiscrim inado desse tipo de tratam ento se converter em um m odism o terrível, inclusive em casas espíritas e consultórios de terapeutas ao redor do m undo, m uitas vezes em basado em literatura de gosto ou credibilidade questionável. Pouquíssim os profissionais discutem os casos em que a enferm idade psicológica ou som ática sofreu agravam ento com a terapia. As páginas em branco dos livros populares vão sendo preenchidas com relatos incríveis de pacientes que deixaram de ter m edo de água quando descobriram que m orreram afogados em um lago, de m ães que passaram a entender os filhos m ais rebeldes quando perceberam as ligações que os uniam e m uitos outros.

Esses benefícios podem de fato ocorrer, m as isso dependerá da form a com que as inform ações são interpretadas pelo irm ão ou irm ã que as estiver contem plando, além de sofrer m uitas influências de outras enferm idades que o paciente possa apresentar. Presenciam os casos em que o irm ão era portador de profunda condição esquizofrênica que foi agravada após um a pretensa regressão. Nada disso vai para congressos especializados ou livros de estudo.

De um a form a geral, o esquecim ento de detalhes de vidas passadas é consequência do próprio processo de reencarne e do restringim ento do psicossom a, contribuindo para que o reencarnante deixe o passado no passado, onde deverá perm anecer enquanto estiverm os aprendendo a lidar com ele. Através desse m ecanism o, o espírito passa a ter um a nova oportunidade de refazer escolhas e reeducar a alm a, que constituem os grandes obj etivos do processo reencarnatório. Ele passa a ter o direito a um a nova identidade, novas oportunidades se abrem . Quando adquirir m aior equilíbrio e lucidez, irá divisar o passado com naturalidade (15). As fobias que, por ventura, se m anifestarem devem ser tratadas, pelo m enos inicialm ente, no cam po da psicologia terrena, evitando-se a utilização de técnicas de regressão.

A exposição, m esm o que parcial, do passado reencarnatório de um irm ão som ente deverá ser buscada quando as dem ais possibilidades de harm onização do e controle de fobias, aflições e angústias não puderem ser atingidas através de outras abordagens. E o condutor do processo deve ter a serenidade para evitar a indução de m em órias enxertadas, que são aquelas em que o terapeuta praticam ente acaba "introduzindo", no paciente, im agens e quadros de um passado irreal, im aginado pelo terapeuta, com o form a do paciente "entender" o que se passa durante a sessão de regressão.

Em tais procedim entos, os níveis alterados de consciência acabam por criar im agens e enredos que parecem reportar a fatos de um passado distante, m as que têm m ais relação com a vida atual, onde a influência de m ídia e de nossos vínculos de am izade ou inim izade falam alto nas nossas reações diante dos problem as e de situações inusitadas. Acho inacreditável que pessoas saudáveis, trabalhadores da seara cristã tenham o desej o de serem subm etidos a procedim entos de regressão de m em ória por pura curiosidade. Mais do que ninguém , o trabalhador de nossas casas de oração sabem dos riscos de tais procedim entos e das inconveniências da exposição desnecessária do passado. Quando vej o quadros com o esse, percebo que o hom em parece ter entrado no centro espírita, m as a Doutrina dos Espíritos tem um a enorm e dificuldade em entrar no coração e na m ente dos seres hum anos.

Muitos pacientes e terapeutas encaram a terapia de vidas passadas com o algo que não apresenta consequências deletérias, m as isso é um erro. Quando um irm ão possui lem branças de um passado traum ático, isso se dá para que ele tom e aqueles "lem bretes" com o exem plo e procure m odificar o seu padrão de pensam entos e atitudes e isso nunca deve ser m otivado por curiosidade adolescente, com o tantas vezes tem os visto. De qualquer form a, se não tom arm os cuidado com o afloram ento de im agens distantes de um passado conflituoso, correm os o risco de trazer o conflito até o presente, ao invés de resolvê-lo. Isso acontece em um a m inoria de casos, m as acontece, e o tratam ento tem de m udar fragorosam ente. Antes da realização de regressão, o terapeuta deve considerar a capacidade do paciente de entender e reagir a esses desafios.

Com o com plicador, não podem os esquecer que as culturas espiritualistas ao redor do m undo, m esm o quando aceitam a reencarnação, têm dificuldade de com preender os m ecanism os sinistros da obsessão e, quase sem pre, nesses casos m ais com plicados, o tratam ento deveria envolver os com panheiros invisíveis do irm ão em crise e tudo isso é ignorado na terapia de vidas passadas que se popularizou em terras anglo-saxônicas e se dissem inou através de ótim as leituras. Não são apenas os Mestres da Luz que falam ao coração dos hom ens. Tive oportunidade de presenciar em preendim entos que buscavam popularizar a terapia de vidas passadas entre os encarnados, patrocinados pelos senhores da escuridão. Não quero dizer que as trevas estão sem pre ou quase sem pre envolvidas com esse tipo de procedim ento, pelo contrário, m as, naquele caso em particular, a prem issa era bastante coerente e as trevas queriam que o m aior núm ero de encarnados fosse exposto ao seu passado cárm ico, perm itindo um a aproxim ação m aior de seus antigos desafetos e, acim a de tudo, fazendo com que esses irm ãos deixassem a vida terrena, onde deveriam expiar seus erros, para segundo plano, criando um fascínio pelas existências anteriores, onde pareciam ter envergado títulos de poder e nobreza. Lem brem -se que os irm ãos que se sentem distantes da luz acreditam em obsessão e vam pirism o espiritual e vocês m uitas vezes não.

Continuar: parte 3 de 3