Vida Além da Vida - Vol. 2
Mediunidade e comunicações mediúnicas
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.
Após a terapia, m uitos se sentiam m ais seguros e plenos ao saberem que tinham participado do m ovim ento nazista, escravidão am ericana (na condição de senhores escravocratas), oficiais nipônicos ou dos aliados na grande guerra, nobres ou religiosos nas guerras religiosas na Europa ou nas cruzadas m edievais. Com o orgulho infam e inflado pelas im agens, passaram a ler e a sintonizar com os tem pos idos, atraindo para j unto de si um a extensa gam a de com panheiros que lhes m ostravam o seu grande papel na sinfonia da história. Agora quem vai tratá-los? O pior é que, em 40% dos casos, as im agens reais que brotaram do passado reencarnatório de m eus irm ãos em crise foram adicionadas a im agens forj adas, plantadas pelos seus próprios obsessores, exacerbando a sensação de grandeza e superioridade.
Lastim ável. Muitos sentiam orgulho em saber que poderiam ter sido isso ou aquilo no passado. Não olharam para as atitudes abom ináveis que com eteram e estavam satisfeitos pelo papel de destaque que aparentem ente possuíram . Em alguns casos, as im agens de grandeza eram um a reação inconsciente ao com plexo de inferioridade que m uitos sentiam e que deveria ser tratado em associação centro espírita- psicólogos. Nessa ilusão, alguns passaram a sentir profundo rem orso e não puderam ver que foram iludidos e que, além daqueles erros, tam bém tiveram acertos e auxiliaram a terceiros, o que certam ente foi im portante para que um a nova encarnação lhes fosse concedida.
Algo que m eus irm ãos encarnados deveriam ter em m ente: todo aquele que vem ao plano físico tem condições de vencer a sua prova e reescrever o seu destino. Toda encarnação é precedida de estudos e avaliações profundas e ninguém está desam parado ou é esquecido.
Em casos de dúvidas sobre a utilização dessas m odalidades terapêuticas, devem os tom ar dois cuidados im portantíssim os: realizar o procedim ento apenas quando as dem ais possibilidades de tratam ento tiverem fracassado e realizá-las apenas quando profissionais qualificados estiverem disponíveis. No centro espírita, o paciente em crise deve tratar das doenças da alm a, elim inando o desam or e a falta de esperança. Não devem os interferir com o tratam ento m édico ou psicológico daqueles que nos procuram , m as sim colocar as pessoas a par de sua condição, indicando um cam inho adequado para ser trilhado. O centro deverá criar condições favoráveis para o crescim ento espiritual e prover condições para o tratam ento de quadros obsessivos, além da própria função de escola espiritual, m as não deve sair desses aspectos espirituais, sob pena de problem as legais e desvirtuam entos da Doutrina dos Espíritos.
A regressão a vidas passadas não se restringe aos encarnados. Esses cuidados devem ser tom ados durante sessões de desobsessão e de terapia espiritual, onde o m édium doutrinador deve evitar, sem pre que possível, trazer o passado da entidade obsessora à tona. A espiritualidade que trabalha na casa irá orientar quando m ostrar ou induzir o retorno ao passado para o m édium que se encarregará da doutrinação. Mesm o quando o passado é apresentado de form a breve, explicando casos de m edo ou ódio excruciantes, o espírito sofredor ou revoltado deve ser inform ado de que não é o conhecim ento do passado que traz harm onia, m as sim o perdão para todos os envolvidos. Sem o perdão, ainda estarem os ligados vibratoriam ente com aqueles que prej udicam os e fom os prej udicados e isso abre as portas am plas e escuras da alm a.
Em reuniões de desobsessão, esses irm ãos sofredores devem ser orientados a deixar o passado para trás através do perdão, palavra m ágica. Apenas nos casos em que a revolta parece cegar os indivíduos, encarnados e/ou desencarnados, devem os m ostrar as causas do m al que os atinge e do ódio que sentem . Devem os lem brar a am bos, m as principalm ente ao encarnado, que passa a se sentir com o vítim a, que a obsessão é sim biose de pensam entos e exacerba as dores de erros passados, de form a que não existem vítim as reais, m as parceiros, com o j á foi aqui transm itido.
Para tanto, orar, vigiar o coração e a m ente e trabalhar pelo bem do próxim o são grandes rem édios que m ostrarão para os desencarnados e encarnados que m udam os a nossa m aneira de ver a vida e que precisam os de oportunidades para aj udá-los nesse extenso processo de resgate que se inicia.
17. Por vezes os doutrinadores acabam induzindo o retorno ao passado para entidades obsessoras, de forma de fazer com que elas vejam a origem dos desequilíbrios que hoje as atingem.Isso pode ter consequências indesejadas para a entidade comunicante e para com o médium?
Joseph. A grande m aioria dos obsessores estabelece vínculos profundos com seus parceiros encarnados em função das atitudes que esses tom aram ao longo de suas vidas. De um a form a geral, não desconhecem o m otivo que os levou à postura parasitária e de vam pirism o espiritual. Devo dizer-lhes que tam pouco parecem se im portar m uito com o que possa vir acontecer com o encarnado que lhes provê guarida.
Enquanto encarnados, em bora tenham os as tendências que induzem essa ou aquela postura, em função do passado reencarnatório, tem os tam bém a aproxim ação de extensa gam a de entidades que refletem as nossas atitudes do presente. Um exem plo clássico: um alcoólatra acaba consum indo bebidas para ele m esm o e para um a extensa gam a de dependentes invisíveis que se acoplaram a ele em profunda condição de enxertia fluídica. Isso ocorreu não porque o encarnado os havia prej udicado no passado, m as sim pelas atitudes do presente, com o um convite (16). Na m aioria dos casos de obsessão, vem os um m isto de espíritos atraídos pelo vício, pela destem perança, m au uso de dinheiro, sexo, agressividade e abusos na vida privada do am igo HOJE, associado com alguns com panheiros que estabeleceram vínculos parasitários e obsessivos desde tem pos pretéritos. Para a m aioria deles, o que im porta é o presente, onde escrevem os o am anhã. Saber do passado não vai m udar a postura da grande m aioria.
Apenas quando a obsessão é profundam ente exacerbada por situações pretéritas é que o espírito deve ser defrontado com a origem da relação sim biôntica negativa que se estabeleceu. Mesm o assim , tal posição norm alm ente não é desconhecida do espírito e apenas constitui novidade para o obsediado, que norm alm ente não entende o que está se passando. A entidade obsessora, m uitas vezes, não necessita ter conhecim ento de detalhes da vida anterior, um a vez que é capaz de descrevê-la quase que “dia a dia”, sob um ponto de vista viciado ou tendencioso, claro. O que é necessário, em tais situações, é auxiliá-la a reinterpretar fatos e, acim a de tudo, colaborar para que a m esm a vej a as consequências de seus atos e o custo que ela tam bém terá de arcar, em função das influências que exerce sobre o seu alvo encarnado. Quase sem pre as obsessões com vínculos no passado reencarnatório têm relação com aspectos passionais, abuso de poder, violência extrem ada, religião e dinheiro.
Quando o irm ão parece desconhecer os m otivos que nutrem o seu ódio pelo am igo encarnado, o que é raríssim o, o m édium "doutrinador" poderá fazer com que seus sentim entos m ais profundos venham a tona, quase sem pre representando casos de confiança traída e am or não correspondido, em um a espiral de dor e de influências recíprocas nefastas e lastim áveis. O irm ão desencarnado será conduzido diversas vezes a tratam ento, nos dois lados da vida, e os m otivos que o levaram a m anter a relação parasitária serão elim inados.
Os m alefícios de um a regressão generalizada ao passado, para os desencarnados, são m enores do que os observados em casos não indicados da terapia de vidas passadas entre encarnados, um a vez que o tratam ento dessa condição, para os espíritos livres do corpo físico, sofre a influência da própria equipe espiritual do centro, que colabora no tratam ento e pode lim itar o acesso do espírito em conflito às suas lem branças. No caso de encarnados, a equipe espiritual quase sem pre trabalha para m inim izar os possíveis danos ou restringir o acesso ao passado, direcionando a regressão apenas para os m om entos m ais necessários ao tratam ento.
18. Em muitos centros espíritas, o diálogo com personalidades de vidas passadas dos pacientes em crises obsessivas ou padecendo de desequilíbrio psicológico vem sendo realizado. Como se dá o fenômeno? Como pode o médium “dar passividade” à personalidade de uma pessoa que conserva sua consciência durante o atendimento?
Joseph. Esse questionam ento é bastante pertinente, um a vez que esse fenôm eno vem ocorrendo continuam ente em centros espíritas que se utilizam de técnicas apom étricas no tratam ento de distúrbios de com portam ento e fobias nitidam ente ligadas ao carm a dos encarnados.
O desdobram ento do psicossom a de um indivíduo pode ser realizado em diferentes níveis e não existe necessidade de induzir o desdobram ento com pleto do m esm o para que o m édium tenha um acesso parcial às suas rem iniscências. Nessas circunstâncias, o encarnado se m ostra com diferentes de consciência ou lucidez, que podem variar da consciência plena até a inconsciência profunda, ao m esm o tem po em que o m édium passa a ter acesso, m esm o que restrito, a sentim entos e fatos de suas vidas pregressas. Percebam que não é o psicossom a do indivíduo que se desloca necessariam ente, m as um contato m ental entre o psicossom a do m édium e o do encarnado em tratam ento e, nesse caso, a palavra passividade deve ser entendida apenas com o “estabelecim ento de vínculos de sintonia”, posto que o psicossom a do “paciente” não está agindo diretam ente sobre o aparelho vocal do m édium .
Esse contato com os arquivos dos psicossom a e do m entalsom a do encarnado e o m édium se m ostra possível porque os arquivos reencarnatórios estão dispostos tal qual um a densa gam a de volum es que conserva o seu conteúdo e individualidade. Precisam os nos convencer que a nossa m aneira de agir, no presente, m esm o quando estam os nas esferas extrafísicas, é fruto da interação de todas essas “personalidades passadas”, que nada m ais são do que m odelos de processam ento e interpretação das inform ações que coletam os no nosso dia a dia. Elas representam parte do nosso “Eu” m oderno, m as podem ser facilm ente decom postas e separadas para análise, particularm ente quando se apresentam desarm ônicas.
Muitos espíritas não percebem que o diálogo que se dá entre o doutrinador e a "personalidade" passada do encarnado, através do m édium , é um verdadeiro retorno ao passado, onde a "personalidade" ignora o fato de que ela é a causa da desarm onia que vem atingindo aquele irm ão. Com o o obj etivo do processo é elim inar culpas ou o rem orso descontrolado, que im possibilitam a continuidade da j ornada, além de apaziguar conflitos, am enizar dores e a sensação de fracasso, o doutrinador não deve ter a m esm a postura dos casos obsessivos tradicionais. Em tais circunstâncias, deve fazer com que a personalidade vej a a realidade atual, que ela vai ter paz e obterá tranquilidade no trabalho que ora está sendo executado. Im agens tranquilizadoras devem ser proj etadas pelo m édium doutrinador para o m édium psicofônico, sem pre procurando incutir paz, esperança e tranquilidade.
Obviam ente o acesso a esses arquivos é liberado na m edida em que o fato puder colaborar no tratam ento. O paciente em conflito norm alm ente não tom a conhecim ento do que se passou na sessão m ediúnica. Contudo, com a harm onização da personalidade dissonante, o encarnado vai se sentir m enos aflito ou angustiado e passará a se sentir m ais com pelido a seguir sua j ornada para a reform a de padrões de com portam ento e de educação.
O encarnado não saberá relatar o que se passou, m as com os dias m ostrará um aum ento da confiança pessoal e o retorno da capacidade de ponderar e crescer, desde que faça a sua parte do tratam ento, baseada na necessidade prem ente de reform a pessoal (17).
19. Você poderia nos dar mais algumas orientações sobre como o doutrinador deveria se portar nessas conversas?
Joseph. Do ponto de vista prático, não existe doutrinação em reuniões m ediúnicas de desobsessão.
Aquele que acredita que, após alguns m inutos de diálogo ou m onólogo, o espírito obsessor ou sofredor m udou a sua m aneira de pensar e agir, precisa se inform ar m elhor e estudar em pregando o senso crítico. De um a form a geral, a "doutrinação" é um choque de realidade naqueles irm ãos que não querem aceitar o fato de que as coisas estão m udando e o encarnado não é m ais a pessoa que fora no passado. Ele, encarnado, não é m ais a pessoa que m otivou o início do relacionam ento nefasto e tem procurado corrigir seus erros. Por isso a doutrinação sem um a m udança de postura do encarnado não resolve o quadro obsessivo.
Muitos obsessores não reconhecem que estão “m ortos” para o m undo físico. Para tais irm ãos sofredores, o desej o sincero da equipe m ediúnica em aj udar pode ser suficiente para que ele encare a necessidade de m udança. Obviam ente que o processo teve início há m uito tem po, antes do derradeiro contato com a casa espírita. Esse fenôm eno não constitui doutrinação, em bora vocês assim o denom inem e, por força do uso, acabam os em pregando tam bém .
A conversa do m édium doutrinador com as personalidades passadas dos encarnados deve ser realizada tom ando-se alguns cuidados básicos. Inicialm ente, não devem tocar no fato de que a referida personalidade pode estar envolvida com os problem as que o irm ão carrega na sua existência atual, até porque a "personalidade" nada m ais é que um conj unto de form as de agir e pensar que estão posicionados no passado reencarnatório daquele indivíduo que procurou auxílio, fazendo-o sofrer no presente. Quase sem pre, os sentim entos de culpa, desam or, rem orso, ódio e viciações têm origem no passado distante a agravam as tendências presentes no encarnado.
Muitas vezes, as personalidades de indivíduos, que j á tiveram poder tem poral em suas m ãos e hoj e cum prem atividades hum ildes, acabam se m anifestando e exteriorizam toda sua em páfia ou arrogância, em anadas do pretérito. Essas personalidades que tiveram posições de destaque não aceitam a vida hum ilde que hoj e o encarnado leva e isso, na prática, explode com o revolta inconsciente. Mostrar a ela que o futuro será m uito m ais agradável se baseado na hum ildade é algo im prescindível.
Devem os fazer com que a personalidade sej a tranquilizada e convencida de que os rum os que a vida vem sendo trilhada são benéficos e que não existem quaisquer m otivos para a revolta e para outro sentim ento m enos nobre. O tem po passa e ela vai ter felicidade e com preensão de tudo que está ocorrendo, basta sorrir e se esforçar na tolerância, deixando as aflições e angústias de lado. É bastante útil lem brá-la que a espiritualidade não irá desam pará-la j am ais e que a vida segue de form a a auxiliar a todos na retom ada do equilíbrio e da tranquilidade de consciência.
Outro ponto que o diálogo com essas personalidades pregressas deve apresentar é o cuidado ao se referir ao indivíduo no presente, posto que, de form a geral, a noção do tem po se perde nesses casos e a "personalidade" se sente com o se estivesse gerenciando a sua vida do século VI, quando esteve na crosta terrena. Mostrar que tudo m uda e que devem os procurar o m elhor cam inho para a paz espiritual é o m elhor roteiro para trazer a consciência para o equilíbrio. Poderíam os dizer que isso seria com parável a colocar de volta as páginas arrancadas de um livro.
Por fim e m ais im portante, não utilizem posturas m oralistas e destituídas de relação com a realidade. Quase sem pre o problem a de personalidades dissonantes reside na condição de rem orso profundo que m uitos encarnados e desencarnados sentem , obrigando elem entos de seu passado a um a vida m arginal nesse contexto. Em alguns casos, o indivíduo encarnado procura realm ente seguir um a postura m ais coerente e fraterna durante o dia, quando as atividades profissionais o obrigam a m anter distância do passado. Contudo, durante o desdobram ento do sono, seu psicossom a em erge com as m esm as características dissonantes da personalidade que não quer calar.
Para esses indivíduos, devem os deixar a personalidade se exteriorizar, m ostrando, no diálogo que se seguirá, o quanto ela vai ser beneficiada com as m udanças em curso, apagando a sensação de culpa e de abandono, colaborando para que o irm ão encarnado não tenha m ais necessidade desse tipo de fuga inconsciente. Não tentem colocar contenções ou encam inhar a personalidade para am bientes exóticos e agressivos porque isso pode agravar ainda m ais o estado de revolta do irm ão e a suposta personalidade não irá para onde foi encam inhada, posto que ela é parte integrante daquele m eu irm ão encarnado ou desencarnado.
A postura deve ser oposta a essa, conduzindo-a para am bientes que transm itam paz e am or, onde a presença sublim e de Deus possa ser facilm ente sentida até pelos m ais recalcitrantes. Mesm o não estando nesses am bientes, m as em outro m om ento do contínuo espaço-tem poral, as personalidades dissonantes irão sentir as em anações do am biente m ental do m édium e sofrerão as m esm as m odificações que os quadros proj etados induziriam se fossem reais.
20. O que dizer do contato com os níveis de consciência de pacientes em tratamento? Como deve ser o diálogo com essesestados ou níveis?
Joseph. Os níveis a que vocês se referem nada m ais são do que estados de ânim o ou m om ento do espírito, encarnado ou desencarnado, refletindo suas angústias, m edos e aflições. A conversa com esses níveis de consciência deve seguir os m esm os cuidados que norteiam o diálogo com as personalidades passadas da pessoa envolvida, um a vez que se dão em função da sintonia do m édium com o universo m ental do indivíduo que está sendo subm etido à terapia. A m aior diferença entre os níveis conscienciais e as personalidades pretéritas se deve ao fato de que os níveis de consciência não constituem algo que ficou no passado, m as algo que está sendo concluído ou realizado naquele m om ento.
Essas m anifestações se convertem em um a verdadeira válvula de escape para m uitos irm ãos, im pedindo que a tensão diante de problem as da vida atinj a patam ares capazes de levar o indivíduo a atitudes desm edidas e im pensadas.
O contato do m édium com os níveis de consciência de m eus irm ãos é bastante sutil e poucos são os m edianeiros que conseguem esse tipo de sintonia fina com o encarnado, principalm ente quando esse últim o não está presente na reunião m ediúnica e o contato se faz à distância. Durante os anos m ais negros da Guerra Fria, m édiuns foram utilizados pelos dois lados em disputa para determ inar o que os líderes das principais nações pensavam ou esperavam , constituindo assim um a tentativa de invadir o universo m ental do encarnado alvo, o que não aceitam os.
A proj eção do m édium em direção ao am igo estabelecerá a sintonia e o processo transcorrerá naturalm ente, com o m édium psicofônico captando, tem porariam ente, traços do com portam ento e do universo em ocional do encarnado e m anifestando-os com o se fosse a própria pessoa envolvida. Mais um a vez gostaria de frisar que os benefícios do procedim ento têm relação íntim a com a afinidade m édium -paciente, além de m erecim ento pessoal, sinceridade de propósitos e apoio da equipe espiritual.
Devem os m anifestar com preensão e fé na resolução dos problem as que o paciente está ali evidenciando. Transm itir tranquilidade. De um a form a geral, isso terá com o resultado a sensação de desabafo e harm onização interior, m esm o quando o interessado não estiver presente (18). Entretanto, em função dos cuidados que devem ser tom ados, a equipe espiritual que coordena os atendim entos é bastante cuidadosa para a realização do procedim ento, evitando introm issões e cerceam ento do livre-arbítrio de m eus irm ãos.
Em crianças e adolescentes, um benefício secundário que pode advir desses diálogos, m uitas vezes realizados por intercessão de entes queridos, fam iliares e responsáveis legais, consiste no reconhecim ento da condição psicológica e espiritual do irm ão, por parte dos dem ais envolvidos naqueles dram as. Cientes de que os problem as existem , m esm o que apenas na m ente do interessado, os seus fam iliares poderão procurar tratam ento de form a coerente com a filosofia espírita: tratam ento m édico para doenças som áticas, tratam ento espiritual quando o passado reencarnatório e o m undo extrafísico estiverem interferindo com as condições do encarnado, e acom panham ento psicológico, quando os quadros necessitarem de elem entos de suporte e psicanálise. Um a abordagem verdadeiram ente holística.
21. Embora a organização da casa espírita não tenha relação direta com mediunidade, por vezes os trabalhos mediúnicos sofrem interferências da estrutura administrativa do centro. Alguns dirigentes são tomados de egocentrismo e outros parecem que mudam com o tempo, adquirindo caráter despótico, estimulados por médiuns personalistas. O que ocorre de fato nesses casos?Como proceder?
Ishmael. Esse é um problem a grave e sua preocupação com o tem a é m uito pertinente. O ególatra só olha para si m esm o, um a vez que está iludido pela im agem que faz de si. A auto-obsessão segue o cam inho de suas irm ãs, a obsessão convencional e a obsessão com plexa.
Muitas casas espíritas são lideradas por verdadeiros déspotas e “m uitos guias espirituais” saem do um bral para receber a cota de im portância que lhes é atribuída nessas casas. Diversos textos espíritas tratam do assunto (19). Não é citando o nom e de Jesus ou as forças do bem que vocês se aproxim arão dos espíritos bons. É o exem plo, a vontade de aj udar e o desej o de vencer as im perfeições que os farão sintonizar com forças e princípios m ais elevados. Os verdadeiros vam piros não fogem da im agem da cruz, m as não se aproxim am daqueles que carregam os princípios elevados do cristianism o no coração.
Alguns centros espíritas e igrej as não espíritas constituem os am bientes m ais insalubres e densos que j á adentram os em atividades de auxílio. Fam ílias inteiras sendo ludibriadas por entidades que procuram extrair delas os recursos fluídicos para todo tipo de atividade exclusa, enquanto religiosos de todos os m atizes tratavam de alij á-las de seus parcos recursos financeiros, prom etendo todo tipo de retorno futuro, em am biente aberto de barganha. Isso não ocorre esporadicam ente não. É evento com um . Usa-se falar do bem para a prática do m al, ou vocês acham que a ética profissional constitui característica valorizada pelas trevas exteriores? Não vivam de rótulos vazios.
Diversos são os sinais de obsessão (nos dirigentes e líderes) que devem ser analisados nesses casos, com o o personalism o, o despotism o, a utilização de reuniões m ediúnicas para dar recados aos m édiuns, sensação de opressão, ausência de estudo, falta de harm onia nas reuniões m ediúnicas, tendência de supervalorizar as atividades m ediúnicas em detrim ento da evangelização e a existência dos “donos do centro”. Em casos assim , deve-se procurar a direção da casa e m ostrar os elem entos que configuram desvio de conduta ou postura. Não podem os ter discussões vãs, m as não podem os incorrer em um erro ainda m aior, a conivência. Se não houver espaço para discussões construtivas e harm oniosas, devem os preservar a nossa saúde espiritual e procurar um local onde possam os trabalhar e crescer com equilíbrio.
Muitos dirigentes são dirigidos por entidades que francam ente não estão interessadas na luz que vem do Alto. Vocês podem sentir isso e devem procurar se preservar dessas influências.
22. Citamos acima alguns tópicos que não são muito discutidos na seara espírita, como desdobramentos apométricos e níveis de consciências. Q ual deve ser a postura da casa espírita diante de modalidades de tratamento que pregam inovações metodológicas e de abordagem?
Ishmael. Aproveitarei as respostas que foram dadas até aqui para estruturar a que se segue.
Vocês fazem atendim entos públicos? Reuniões de terapia espiritual e cura? Fluidoterapia? Se a resposta for SIM, devem ter um controle do que está sendo realizado na casa e isso é responsabilidade de cada um dos seus trabalhadores e, ainda m ais, de seus dirigentes. Não se pode tratar de um a condição, m esm o que espiritual, sem um a triagem inicial, sem acom panham ento e avaliação de resultados. A postura de deixar tudo para a espiritualidade é com odista e parasitária e não pode ser alim entada por casas espíritas que dizem atuar com o escolas da Doutrina dos Espíritos.
Apom etria e m uitas outras técnicas têm que ser avaliadas. Não com etam o erro de rotulá-las de absurdos ou assim ilá-las gratuitam ente sem que a experiência se faça presente. Para tanto, estudem , com parem ... O m elhor tratam ento espiritual cham a-se reform a íntim a. O pior é todo aquele que transfere para o centro espírita a responsabilidade da elim inação dos quadros obsessivos, um a vez que o obsediado sem pre atrai os am igos com os quais estabeleceu vínculos, m esm o que da boca para fora estej a procurando afastar-se deles. Isso é algo bastante certo e prático.
Não utilizam os as técnicas apom étricas tradicionais aqui, porque o que elas ensinam com suas leis j á eram alvos de nossos estudos m uito tem po antes de terem esse nom e entre vocês. Estudam os as personalidades pretéritas e suas influências no presente, m as dentro de m oldes m ais tradicionais, posto que sabem os que não é apenas o com ando verbal ou do pensam ento os elem entos ali atuantes. Você não é conduzido a um charco um bralino sim plesm ente porque um com ando de voz assim solicita. Muitos m édiuns têm vergonha de dizer que não foram desdobrados, tam pouco viram ou sentiram o que os dem ais m édiuns alegam ter passado, m as preferem se calar. Contudo, acho bastante adequado a adaptação de textos e a leitura a respeito, afinal conhecim ento se adquire através do estudo e se m anifesta através de um a equipe de trabalho m ais harm ônica e m enos individualista.
Estudar os estados ou níveis de consciência é um a rotina entre nós e sem pre fazem os isso quando avaliam os os quadros espirituais de encarnados e desencarnados. A utilização das im agens pretéritas gravadas pelo espírito, aí ou aqui, sem pre fizeram parte de nossas atividades e m esm o a literatura espírita está repleta de textos m aravilhosos escritos por am igos espirituais de grande idoneidade, pela lavra de m édiuns que, em função de sua vida pessoal, estavam libertos da m aioria dos problem as da fascinação e do personalism o.
Outra atividade que alguns centros consideram com o “heréticas ou antidoutrinárias” é o em prego de ervas e dem ais elem entos da m edicina natural. Grande parte dos m edicam entos alopáticos, com o a penicilina, é derivada de m edicam entos naturais, m as necessitam de indicação segura e seu uso deve ser orientado pela razão, por m eio de pessoas qualificadas, posto que podem ter efeitos colaterais. Com o são drogas com princípios ativos e a m aioria de vocês e dos espíritos tam bém , não tem condições de j ulgar com propriedade os seus efeitos, principalm ente nas casas que não têm controle adequado de suas atividades, recom endam os que os centros se afastem da indicação desses com postos.
Quando vem os receituários naturais, sem pre orientam os que isso sej a realizado apenas em casas que possam contar com apoio da m edicina terrena, que praticada por m édicos espíritas ou pelo m enos não m aterialistas, pode dar resultados m aravilhosos. Alguns produtos naturais podem ser utilizados rotineiram ente um a vez que fazem parte da dieta da população e não possuem efeitos colaterais, m as essa avaliação e a oportunidade de indicação dos m esm os vão depender de um a interação m ais profunda entre as equipes do centro e os m édicos espirituais que com elas trabalham .
O preconceito é fruto da ignorância e m uitas casas espíritas abom inam o uso de m edicam entos naturais por considerarem -nos elem entos de cultos afro-brasileiros ou orientais. Ledo engano, m ais de 60% dos m edicam entos alopáticos têm vínculos com ervas e outros produtos naturais, que foram estudados e seus princípios ativos identificados, purificados e produzidos com ercialm ente. Apenas questionam os a capacidade e a possibilidade dessas casas de oração em realizar esse tipo de atendim ento e, acim a de tudo, a possibilidade de terem problem as j unto à j ustiça dos hom ens em função disso, além de erros que podem vir a ser com etidos na m anipulação inadequada desses produtos naturais. São questionam entos técnicos que poderão ser m inim izados em função da existência de um a equipe terrena plenam ente estruturada e habilitada legalm ente e espiritualm ente para isso.
O estudo estim ula o discernim ento.
Médium que não estuda, com o diz um am igo, é m édium que j á m ostra os prim eiros sinais de personalism o, um a vez que não aceita opinião de outros além de seus guias. É m édium que apresenta grandes riscos de fascinação, um a vez que tende a endeusar suas capacidades e passa a trabalhar sozinho, se sentindo um m issionário, um verdadeiro cavaleiro solitário em um a cruzada contra as trevas. Ninguém faz cruzada contra as trevas sem cuidar das trevas interiores, que são as m ais tenebrosas de todas, um a vez que fazem parte de nós m esm os. Para ser franco, o que m ais m e incom oda no Espiritism o dos espíritas m odernos é essa eterna sensação de cruzada frente algum a coisa. Não fazem os cruzadas contra o m al, fazem os cam panhas de esclarecim ento e de orientação voltadas para eles. Quem conhece o Espiritism o sabe disso e não tem essa postura pretenciosa. Tratando, som os tratados; auxiliando, som os auxiliados, libertando adquirim os liberdade. Só isso. É sim ples.
Por fim , gostaria de frisar que a casa espírita além de hospital da alm a é escola. Estudem o novo sem elim inar o antigo. Para ensinarm os, precisam os aprender e aprender bem . Criem grupos desapaixonados de estudo, racionais. Avaliem e ponderem tendo em m ãos a literatura m ais confiável sobre os tem as tratados. No caso da Doutrina dos Espíritos, trata-se da codificação de Kardec e a obra m ediúnica que ganhou as prateleiras das livrarias através das m ãos de m édiuns com o Francisco Cândido Xavier, espírito nobre que realizou a m aior em preitada contra os nossos preconceitos inúteis. Acim a de tudo, vej am o que falou Jesus durante a sua estada terrena.
Quanto a “Chico Xavier”, m esm o distantes da psicosfera de seu país, pudem os sentir a profundidade e nobreza de caráter desse m issionário da renúncia, que abdicou de glórias hum anas e hoj e trabalha ainda m ais na seara do Cristo, por todos nós. Hom em sem fronteiras, que se erguem para recebê-lo em todos os planos vibratórios. Foi e é exem plo vivo do Espiritism o e do uso fraterno da m ediunidade. Cultivem a paz e sigam exem plos com o esse, cada um segundo as suas condições. Bendito é o país que teve a honra de receber um hom em assim .
Modism os e inovações constituem coisas diferentes. Os m odism os passam e nada acrescentam ; as inovações aprim oram e desenvolvem novos elem entos dentro de um sistem a, ou sej a, ficam e se estabelecem . A única form a de m odism os inúteis se m anterem em um sistem a operante é através da falta de avaliação, estudo e discernim ento, sendo que esses elem entos são conquista do grupo e constituem o cerne da codificação da Doutrina dos Espíritos.
Kardec é estudo e caridade. Não se pode ter um a coisa, sem a outra. Desculpem a sinceridade.
Notas dos autores:
1. Nota do autor encarnado: a evolução das ideias dos campos eletromagnéticos
descobertos pelo Dr. Harald Saxton Burr, da Faculdade de Medicina da Universidade de Yale, EUA, mostram que juntamente com o corpo físico, a existência de campo eletromagnético “L” (L de life, que significa vida em inglês) mostra que todas as
formas de vida podem ser influenciadas, em maior ou menor grau, pelo pensamento, o que nós, espíritas, sabemos ser a base dos fenômenos mediúnicos.
2. Nota do autor encarnado: o mentor deixa claro que trabalho é trabalho e
qualquer auxílio é bem vindo e colabora na educação dos dons mediúnicos dos amigos. Esclarece que a única coisa que devemos evitar é a exclusão daqueles que querem colaborar e o sentimento de que sempre estamos com a razão. Aquele que se sente dono da verdade é o primeiro a se decepcionar quando a morte física sobrevém. Não é a presença em um centro espírita que nos imuniza contra as influências do mal, mas sim a prática do bem.
3. Nota do autor encarnado: Joseph sempre sugere que os membros dos grupos
mediúnicos façam reuniões periódicas de trabalho, fora do horário de atendimento. Nessas reuniões todos devem manifestar sua impressão pessoal, o que ajuda a nivelar as posições individuais e evita as conversas de bastidores, sempre deletérias.
4. Nota do autor desencarnado: m uitos religiosos e m édiuns se afastam da
convivência hum ana e passam a adotar práticas radicais de abstinência alim entar, sexual e outras, acreditando que isso poderá leva-los à Deus. A Doutrina Espírita advoga que o equilíbrio é o cerne da j ornada terrena e aquele que fere o seu veículo físico de trabalho, o corpo, com ete erro grave perante a lei divina. Jesus não era um asceta e foi considerado, erroneam ente, um glutão por m uitos j udeus radicais.
5. Nota do autor encarnado: por exem plo, as pinturas m ediúnicas. 6. Nota do autor encarnado: a ciência vive de modismos e momentos. Muitos
pesquisadores já encontraram elementos compatíveis com o perispírito, que acabaram sendo incorporados a testes para avaliar a eficiência de tratamentos e métodos de reprodução assistida, mas que não foram aprofundados porque a comunidade acadêmica não se interessou por algo que pudesse contemplar o mundo invisível.
7. Nota do autor encarnado: discussão sobre a estrutura do tempo e do universo
no mundo espiritual pode ser encontrada no livro intitulado “A longa marcha do homem”, de autoria do amigo Joseph Gleber e editado pela Digital Books Editora.
8. Nota do autor desencarnado: cada colônia ou instituição espiritual possui uma
relação de espíritos que atuam na avaliação dos pedidos de cura, sempre considerando o passado do solicitante, seus méritos e deméritos, programação reencarnatória, bem como uma junta médica que irá deliberar sobre a melhor maneira de agir nos casos selecionados. Cabe ressaltar que toda programação reencarnatória aceita modificações e pode ser adaptada às novas circunstâncias.
9. Nota do autor desencarnado: esse fenômeno de entrelaçamento é a base da
própria sintonia mediúnica, que permite a comunicação. Esse mecanismo é absolutamente natural em todos os tipos de mediunidade, desde aqueles em que o médium mantém maior consciência, até os denominados de inconscientes ou mecânicos.
10. Nota do autor encarnado: motivo pelo qual as primeiras comunicações
mediúnicas acabam sendo de natureza pessoal e são descartadas como fruto de um treinamento indispensável para as atividades psicográficas futuras. O treinamento e a dedicação são indispensáveis para tudo na vida e a mediunidade não constitui exceção.
11. Nota do autor encarnado : muitos dos mais proeminentes teóricos do espiritismo
sugeriram ou declararam que André Luiz estava equivocado em suas afirmações quanto à existência de tecnologia no astral ou sobre o processo de ovoidização. Se não fossem os milhões de exemplares vendidos no Brasil e no exterior, a obra desse importante colaborador seria considerada como antidoutrinária ou coisa pior.
12. Nota do autor encarnado: não sabemos ao certo qual a identidade desse
eminente pesquisador citado por Joseph, mas Thomas Alva Edison teria dito que a genialidade e o talento seriam constituídos de 99% de transpiração e 1% de inspiração, mas acreditamos que nosso amigo estivesse se referindo a Albert Einstein, seu conterrâneo e contemporâneo, que teria atribuído 99% do sucesso à transpiração e 1% à inspiração. Escolham...
13. Nota do autor encarnado: uma das histórias mais interessantes que conheço
sobre manifestações mediúnicas de crianças está ligada à minha filha Annie. Desde criança, quando eu tinha uns 3-4 anos, minha mãe, Elza, me falava que uma menina pequena vinha me visitar em espírito e podia ser vista várias vezes ao redor da minha cama. Determinado dia, minha progenitora, após a leitura do evangelho, em minha casa (o que hoje reconheço que não era muito adequado), deu passividade à criança, que brincava, fazia piadas de menina, comia bolo (que minha mama nunca gostou) e isso continuou por anos, até quando completei 29 anos. Pelo menos umas 3 a 4 vezes por ano ela aparecia.
Em 1999, um mês antes do desencarne de minha progenitora, ela me contou que a criança estava ali e queria se despedir. Dito e feito, a entidade me perguntou se eu a reconhecia, no que assenti, mas logo ela deixou de falar como uma criança de 5 anos e passou a se portar como uma pessoa adulta.
Logo depois, me perguntou:
-Vocês sabe quem eu sou?
-Sim-respondi. Você é a menina que sempre me acompanhou desde o nascimento.
-Mas você não gostaria de saber quem eu sou realmente? Perguntou a entidade, falando como uma mulher adulta.
Respondi afirmativamente e ela me pediu para que fechasse os olhos, que sua imagem surgiria na minha mente, exatamente como ela fora no passado. Fiz o que ela solicitou e, de fato, a imagem de uma família reunida, com duas crianças, um menino de 8 anos e uma menina loira-ruiva de 5 anos aproximadamente, surgiu. A imagem nítida, como uma foto, lembrava as regiões frias do norte da Europa e as pessoas eram muito brancas e altas ali. Perguntei ao espírito que se manifestava como eu poderia ter a certeza de que ela era a pessoa que eu supunha, a criança pequena de cabelos claros e encaracolados. Sua resposta se deu através de um gesto bastante simples...
Como falei, a menina tinha cabelos encaracolados, quase como a imagem dos anjinhos de igrejas católicas, enquanto minha mãe era dona de cabelo extremamente liso e preto-brilhante (lindo, diga-se de passagem) e bem curto. Naquele momento, utilizando-se das mãos de minha progenitora, o espírito comunicante fez sinais com os dedos que mostravam a presença de cachinhos no cabelo. O que eu poderia dizer?
Ela continuou:
-Pai, disse pra eles que eu só irei voltar se você for meu pai de novo. Sinto muito a sua falta, por isso venho te ver.
-Você deverá retornar logo? Perguntei, com lágrimas nos olhos.
-Não agora, mas essa será a nossa última conversa. Vim me despedir.
De fato, minha mãe, a médium, faleceu depois de 30 dias em função de um infarto fulminante do miocárdio, aos 50 anos. Dez anos depois, a pequena menina que sempre se comunicara através dela nascia e recebia o nome de Annie. Antes que você, caro leitor, pense que a associação de identidade entre aquele espírito comunicante e a minha filha Annie tenha se dado automaticamente, devo esclarecer que somente aos dois anos de avaliações reuni as informações suficientes sobre o que se passava, com a ajuda de um espírito de grande luz pessoal chamado de Vó Catarina, que mesmo como preta-velha trabalhava estritamente dentro dos postulados da Doutrina dos Espíritos.
Depois da última comunicação psicofônica, as visões da criança em sonho continuaram ocorrendo e eram sempre claras, nítidas, de forma que fui conhecendo seu universo mental e seus gostos, que são absolutamente os mesmos da Annie. Naquela reunião em 1999, o espírito disse que ia sair de nossa casa em Araçatuba, interior de São Paulo, e iria ver a mãe, que morava muito distante de casa. De fato, a mãe era universitária e residia em Florianópolis. Com os anos, a Annie passou a repetir as mesmas atividades que aquela doce criança tinha nas visões e quando se aproximava de minha mãe...
Por fim, aquela entidade não se manifestou por 10 anos, antes do reencarne, embora médiuns videntes tenham visto a criança ruiva. Somente a vó, hoje do outro lado, era utilizada como canal de comunicação. Afinidades e sintonias...
Esse fenômeno todo se encaixa perfeitamente a explicação de Joseph sobre o fenômeno. Se fosse depender de muitos dirigentes espíritas, tudo isso poderia ser considerado como manifestação anímica, do próprio médium, o que não é real. As manifestações da mediunidade de minha mãe sempre foram muito claras. Sei o que vi e senti.
14. Nota do autor encarnado: grande parte daqueles que procuram a casa espírita em busca de auxílio ou desenvolvimento de pretensos dons mediúnicos espera que seus problemas pessoais, de profissionais a afetivos, desapareçam como eliminados em um passe me mágica. Na realidade, querem uma varinha de condão e não possuem comprometimento nenhum com seu crescimento e educação. Quando verificam que desenvolver a mediunidade requer estudo, que assistir palestra implica em pensar sobre o que está sendo dito e que o passe não é sinônimo de cura automática, saem da casa espírita e procuram outro caminho... O maior problema da doutrina espírita é, também, a fonte de toda a sua beleza: responsabilidade. Aqui se faz, aqui se paga; quem planta vento colhe tempestade; a semeadura é facultativa, mas a colheita é obrigatória... E assim vai.
Nem todas as pessoas estão preparadas para isso, infelizm ente; preferem o m undo m ágico de Harry Potter ou o inferno ou céu eternos de outras religiões.
15. Nota do autor encarnado: muitas citações sobre visualização do histórico cármico podem ser encontradas nas obras de André Luiz, sendo que esse retorno mental ao passado é natural até certo ponto, após o desencarne, mas poderá ser feito com a consulta aos arquivos que as colônias espirituais têm sobre seus integrantes. Obviamente essa consulta é parcial, limitada apenas aos pontos em que o amigo já estabeleceu noções básicas de consciência e controle.
16. Nota do autor encarnado: muitas vezes os espíritos que acompanham os dependentes químicos, como os alcoólatras, dizem que são chamados veementemente pelo encarnado e passam a pedir auxílio, mesmo quando o encarnado ainda não despertou para sua real condição. Diversos amigos invisíveis são encaminhados para tratamento antes que o seu parceiro na Terra seja tratado, um exemplo claro de como esses relacionamentos tornam-se complexos.
17. Nota do autor encarnado: não se pode, em hipótese alguma, tratar a manifestação da personalidade do amigo encarnado como se estivéssemos diante de um obsessor. Presenciamos casos em que o guia espiritual da casa impediu que determinado médium doutrinador viesse a ter contato com o médium psicofônico que exteriorizava a personalidade do paciente encarnado para evitar problemas maiores. Infelizmente pudemos ver ocasiões em que um doutrinador pediu à espiritualidade que viesse para algemar a personalidade do amigo e levá-la até algum lugar em que pudesse ser confinada... Creio que não há necessidade de comentários!
O médium psicofônico deve avisar, através de sinais, quando a manifestação diz respeito a uma personalidade do paciente ou se estamos diante de um espírito obsessor, embora a diferenciação se torne fácil com o tempo para todos os trabalhadores. Uma das características que diferenciam os quadros é a grande semelhança, como não poderia deixar de ser, entre a personalidade que se manifesta e o comportamento e angústias do encarnado. Também podemos ver que a personalidade desconhece aspectos atuais da vida da pessoa, mostrando-se como um filme do passado.
18. Nota do autor encarnado: esse tipo de contato mediúnico somente deve ser feito com a anuência das pessoas envolvidas, em função dos aspectos éticos.
19. Nota do autor encarnado: um livro muito bom sobre esse e outros assuntos ligados à mediunidade chama-se “Conversando com os médiuns”, de autoria do espírito Odilon Fernandes, pela lavra de Carlos Baccelli, disponível pela editora LEEPP.