Vidas ao léu: trajetórias de exclusão social

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Notas

1. Ambos variam de zero, quando todas as pessoas têm a mesma

renda, até 1-1/n, quando uma única pessoa se apropria de toda a renda. O índice de Gini é mais utilizado e compara a proporção do rendimento total auferido por uma parcela da população em relação ao peso relativo dessa parcela no conjunto da população. O índice de Theil é mais sensível ao que ocorre com as rendas relativamente mais elevadas (Duchiade, 1995; Hoffmann, 1990).

↩

2. O Indicador de Desenvolvimento Humano (IDH) Visa mensurar

as condições de se desfrutar uma vida longa e saudável, de se adquirir conhecimentos, e de se ter acesso aos recursos necessários para um padrão de vida decente (rendimentos, poder aquisitivo real). As faixas de classificação são: IDH alto até 0,800, IDH médio entre 0,500 e 0,800 e IDH baixo quando inferior a 0,500 (Pnud, 1996).

↩

3. O relatório sobre desenvolvimento humano no Brasil de 1996

refere para 1991 um IDH de 0,797 (Pnud, 1996).

↩

4. A taxa média de crescimento anual do PIB entre 1965 e 1980

foi de 8,8% e, entre 1980 e 1988 foi de 2,9 a.a. (Banco Mundial, 1990).

↩

5. Dado de 1989 (Duchiade, 1995).

↩

6. Em 1997, o instituto de pesquisa Datafolha apresentou os

resultados de seus levantamentos sobre condições de vida utilizando a seguinte classificação: elite, batalhadores, remediados, decadentes e excluídos. O grupo dos excluídos, pessoas que estão à margem de qualquer meio de ascensão social, corresponde a 59% da população brasileira. No

segmento dos excluídos a idade média é de 38,2 anos e 56% são brancos, 86% não passaram do primeiro grau, 97% ganham menos de 10 salários mínimos, 19% fazem ‘bicos’, 16% são assalariados com carteira assinada, 15% são donas de casa, 10% são aposentados, e, segundo a posse de bens de consumo, 43% estão na classe D e 38% estão na classe E. (Falha de S. Paulo, 13 de julho de 1997).

↩

7. “Definidas nas ciências sociais como categorias de pensamento

que expressam a realidade, explicam-na, justificando-a ou questionando-a, as representações sociais se manifestam em palavras, sentimentos, condutas e se institucionalizam (…). Não conformam a realidade e seria ilusão torná-las como unidades científicas, mas constituem matéria-prima para a análise do social, (…) pois retratam e refratam a realidade segundo determinado segmento da sociedade” (Minayo, 1994).

↩

8. Os chefes negros ou pardos, que constituem 40% do total de

domicílios urbanos, somam 68% dos domicílios indigentes e 57% dos domicílios pobres não-indigentes (Lopes, 1992).

↩

9. Luiz Antônio Machado da Silva ressalta que os ‘biscates’

surgiram muito antes como ocupações dos escravos ‘de ganho’ e de homens livres. Nesse aspecto, o que caracterizaria o período desenvolvimentista seria o fato de que os ‘camelôs e biscateiros’ deixaram de ser associados ao perigo e a ameaças de desordem social e passaram a representar uma pobreza ‘semi-inserida’ ou pacificada.

↩

10. Fassin remete & Bourdieu (1984): a sociologia se apresenta

como uma topologia social — o mundo social representado sob a forma de um espaço com múltiplas dimensões construído sobre a base de princípios de diferenciação e de distribuição.

↩

11. Caso o enterro fosse numérico, como ironiza Janice Perlman, o

jogo do bicho no Brasil seria considerado normal enquanto ir à ópera seria marginal.

↩

12. Entre 1900 e 1930 a cidade de Chicago conheceu uma

verdadeira explosão demográfica, passando no período de 2 para 3 milhões de habitantes, vinculada ao seu intenso desenvolvimento econômico, industrial e comercial. A localização da cidade no coração da rede ferroviária mais densa dos Estados Unidos atraiu um fluxo migratório cuja amplitude, ainda hoje, é considerável, e sem o qual um impulso econômico tão fulminante não seria possível (Schwartz, in Anderson, (1923), 1993).

↩

13. A extrema autoconsciência e capacidade crítica do ‘híbrido

cultural’ tal como analisado por Park guarda semelhanças com a abordagem de Hannah Arendt sobre o “ponto de vista do pária”, em que tampouco verifica-se uma associação pejorativa ou de inferioridade.

↩

14. Os estudos antropológicos de Oscar Lewis em Ciara Famílias

(1958) e Os Filhos de Sanchez (1963), cujas descrições acuradas e detalhistas permitiam ‘sentir’ a situação vivida pelos mexicanos pobres, suas generalizações de cunho teórico sobre as formas de reprodução dos modos de vida dos pobres, tiveram uma forte influência na maneira latino-americana de pensar a pessoa e a família pobre. Mesmo que o campo acadêmico tenha alertado sobre a armadilha da generalização da ‘cultura da pobreza’, os livros de Lewis e essa forma de analisar a pobreza continuaram sendo difundidos e utilizados como base de argumentação na formulação e gerência de programas sociais.

↩

15. A análise da categoria de marginalidade econômica

(ocupacional) encontra-se no capítulo 4.

↩

16. Referências do dossiê de George Russel, Time, 1977, feitas por

Fassin (1996).

↩

17. De fato, em termos absolutos a miséria mais tenaz não se

aninha no coração das metrópoles, mas sim nas reservas indígenas do centro-norte e nos condados rurais do delta do Mississípi (Wacquant, 1996).

↩

18. Tipologia elaborada pelo jornalista Ken Auletta (1982), The

Underclass, Vintage, New York, referida por Fassin (1996) e Wacquant (1996).

↩

19. As quatro posições criticadas por Wilson (1987) foram: 1.

considera que toda análise sobre os comportamentos dos negros dos guetos arrisca agravar o racismo, a estigmatização e a ideologia que “culpabiliza a vítima”; 2. rejeita totalmente o termo de underclass, pois ele não apresenta nem composição homogênea, nem fundamento teórico, e conseqüentemente não recobre uma realidade sociológica; 3. valoriza a imagem das populações negras substituindo a denúncia da deterioração de suas condições de vida pela valorização de suas capacidades de adaptação econômica e social num contexto hostil; 4. considera apenas o racismo a explicação da situação sofrida pelos habitantes dos guetos (Fassin, 1996).

↩

20. Wilson define o isolamento social como a “ausência de contatos

ou de interações repetidas com os indivíduos e instituições que encarnam a sociedade convencional” (Wacquant, 1996).

↩

21. Esse livro, no qual Wilson reafirma sua abordagem abrangente

dos guetos negros urbanos, é publicado numa conjuntura em que reaparece a discussão sobre a determinação do patrimônio genético nas experiências de vida (The Bell Curve, 1994). Para se opor a esta abordagem que considera a baixa inteligência, geneticamente determinada, como causa dos problemas sociais, que Wilson acentua as características sócio-espaciais, o papel poderoso da vizinhança, do ambiente, do bairro em relacionar e agregar os constrangimentos e oportunidades estruturais e culturais.

↩

22. ATD-Quart Monde (Aide à toute détresse): movimento fundado

em 1957 pelo Padre Joseph Wrésinski que denunciava situações de extrema miséria e a gravidade do problema de moradia, além de divulgar a expressão “quarto mundo” em referência ao subproletariado.

↩

23. O termo utilizado por Robert Castel vem sendo traduzido por

desafiliação. Entretanto, a filiação (a um partido, clube ou grupo) é a criação de um elo de ligação por escolha ou identificação em que está presente a autonomia do sujeito. Do meu ponto de vista, a melhor tradução do termo é desvinculação, por tratar-se de uma ação independente de uma vontade ou escolha pessoal e por estar referida à teoria sociológica de Durkheim na qual encontramos o conceito de “vínculo social”.

↩

24. Os que não conseguem inserir-se são considerados “inválidos

sociais” e são indenizados: “o cidadão perde neste caso moralmente o que ganha financeiramente o beneficiário do subsídio” (Rosanvallon, 1995).

↩

25. As ‘unidades de pertencimento’ são unidades sociais que

constituem os âmbitos de referências materiais e simbólicas dos indivíduos. Seriam constituídas por um grupo social no qual o indivíduo se percebe como integrante e identifica como sendo um lugar ‘seu’. Nas trocas materiais, simbólicas e afetivas que integram o tecido relacional do grupo são estabelecidos vínculos e referências identitárias, em contraposição ao isolamento. E é a partir dessa unidade de pertencimento, de um lugar social que o indivíduo considera como seu, que são percebidas e avaliadas as experiências sociais. As ‘unidades de pertencimento’ mais gerais da sociedade tendem a configurar-se nos âmbitos da família, do trabalho e/ ou da cidadania. Nas palavras de Telles, uma ‘unidade de pertencimento’ é “o espaço moral que constrói uma noção de ordem para suas vidas e que fornece as referências por onde a experiência na sociedade é avaliada e interpretada” (Telles, 1990).

↩

26. Essas mudanças seriam o redirecionamento do capitalismo

num crescimento restritivo, limitado, dirigido para grupos específicos de consumidores, ampliando a exclusão interna em escala planetária; o recuo do Estado e a perda de controle dos Estados nacionais sobre as redes financeiras internacionais; e, em certas regiões, como na África, o recuo dramático da participação do capital com desindustrialização e descapitalização acentuadas (Fontes, 1997).

↩

27. Desqualificação, desclassificação, deslocamento,

rebaixamento.

↩

28. A tipologia construída pelo autor em sua tese de doutoramento

foi utilizada em pesquisas posteriores mencionadas no prefácio à terceira edição (Paugam, 1994).

↩

29. Parece-me importante enfatizar a questão do tempo nas fases

do processo de desqualificação social. Na fragilidade, o tempo é sentido com premência, com urgência, com pressa para modificar a situação de vulnerabilidade. Essa sensação é acompanhada com a ação de busca de reversão da fragilização. Em fases posteriores, quando as perspectivas de re-inserção parecem praticamente nulas, o tempo será sentido como insidiosamente lento. Na medida em que as fragilidade se prolongam e se acumulam há uma acomodação a um dado modo de vida vulnerável e o sentimento é de lassidão e conformismo.

↩

30. Para Thomas Kuhn, um paradigma “é uma constelação de

crenças, valores, técnicas e outros elementos compartilhados pelos integrantes de uma determinada comunidade [que] especificam não somente que classes de entidade contêm o universo, mas também, por dedução, quais não contêm” (Kuhn, apud Silver, 1994).

↩

31. “Chamaríamos a essa disposição genérica, não quantificada, ou

mesmo quantificável, de uma ‘cultura da evitação’, a produzir freneticamente objetos, disposições e atitudes que afastem os personagens da rua, como indesejáveis, grosseiros e perigosos. Por outro lado, em seus contatos com a difusa sociedade dos aquinhoados, esses personagens marginalizados, subalternos, lúmpens, estão permanentemente a negacear, a se contradizer, a modular seu comportamento num sentido tático para auferir vantagens contingentes. E o que chamaríamos, por seu turno, de ‘cultura da evasiva’” (Silva & Milito, 1995:38).

↩

32. Anomia adquire na sociologia moderna um conteúdo diferente

do “vazio social” analisado por Durkheim; passa a ser considerada como fermento social, como potencial de recomposição (Xiberras, 1993).

↩

33. “Temos de articular políticas de igualdade com políticas de

identidade. Temos o direito de ser iguais sempre que as diferenças nos inferiorizam; temos o direito de ser diferentes sempre que a igualdade nos descaracteriza” (Santos, 1995).

↩

34. Axioma é uma proposição que não é demonstrável porque

constitui o fundamento de um raciocínio. E a fundação de um edifício. Pode ser aceito ou recusado segundo um dado critério mas não pode ser demonstrado (Didier, 1996).

↩

35. Ainda que a axiomática da exclusão tenha sentido para todos

os discursos sobre a exclusão, “ela não tem sentido senão a partir do contexto no qual nos encontramos; portanto, ela não é válida para sempre e para tudo, mas aqui e agora, e é bem possível que estes axiomas sejam mais tarde invalidados” (Didier, 1996).

↩

36. Ressalte-se que a autora não emprega o termo exclusão, mas

me forneceu os elementos nodais para construir a categoria e as dimensões da exclusão social.

↩

37. Os jovens brasileiros de 10 a 24 anos foram os mais afetados

pelo desemprego nos anos 90, aponta estudo desenvolvido pelo professor Márcio Pochmann, do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas, De 1980 a 1997 a taxa de desemprego juvenil cresceu de 4,5% para 13,9% mantendo-se uma vez e meia maior que a de desemprego total (Jornal do Brasil, 2 de setembro de 1998).

↩

38. O Horror Econômico foi publicado na França em 1996, com

grande sucesso e, no ano seguinte, no Brasil (Ed. Unesp). A melhor tradução do título talvez fosse o “terror” econômico, já que perspectivas de fenômenos totalitários estão presentes ao longo do livro.

↩

39. Droit en Quart Mande é uma publicação dos Juristes

Solidarités, Bélgica.

↩

40. Alencastro, Luís Felipe. Veja, 8 de janeiro de 1997.

↩

41. Apátridas e minorias viveram a experiência de “não ter direito

algum”. E por não terem direitos tinham de viver constantemente transgredindo a lei. “Só como transgressor da lei, como criminoso, esse excluído poderia voltar a ser um cidadão completo, ou seja, alguém protegido pela lei” (Arendt, 1989).

↩

42. “A humanidade não toma conhecimento dele, e ele vagueia e

perambula, despercebido. Em mero a uma multidão, na igreja, no mercado (…) ele está tão na obscuridade como se estivesse num sótão ou num porão. Ele não é desaprovado, nem censurado, nem acusado; ele simplesmente não é notado (…) Ser totalmente ignorado e ter consciência disso é algo intolerável”. Discurso de John Adams referido por Arendt (1990).

↩

↩

48. Participante da pesquisa sobre meninos e meninas de rua. Ver

Minayo (org.) (1993).

↩

49. Ver Martins, A. L. (1993).

↩

50. Relatos de alcoolismo; brigas e violências; prostituição; roubos;

ambiente geográfico com riscos e ocorrências de atropelamentos, quedas no valão e possibilidades de afogamento; ‘arquitetura da indigência’ — moradias pequenas feitas com ‘retalhos’ de materiais de construção, sem esgoto, água coletada em baldes do cano furado da Cedae; dificuldades das mulheres com filhos de saírem para trabalhar; contato e rejeição da escola pública próxima; pedidos — do chinelo à Viagem; mães adolescentes; demonstrações de alegria e de indiferença das crianças frente às atividades da ‘creche’; meus violentos discursos pacificistas; trabalho doméstico das crianças; crianças cansadas — ritmo de vida intenso e repouso improvável.

↩

51. Agradeço a Otávio Cruz, professor do Departamento de

Ciências Sociais (Ensp/Fiocruz), pelo contato realizado com a equipe da Comunidade Evangélica de Jesus.

↩

52. Fundação Leão XIII, vinculada à Secretaria Estadual de

Trabalho e Ação Social, e secretarias municipais de Desenvolvimento Social e de Habitação.

↩

53. Agradeço a Ernesto Aranha Andrade a companhia nos trajetos

e os estímulos para superar o ‘muro’ e conseguir passar da observação para a interação.

↩

54. Comparando minhas anotações com as de Ernesto, num

mesmo trajeto de observação em que não trocamos informações, elas coincidiram integralmente, ou seja, aqueles que ele considerou possíveis moradores de rua eu também

achei que eram As diferenças entre nossas observações eram sobre as idades presumidas das pessoas.

↩

55. Diário de campo, Centro, domingo, 20/11/94.

↩

56. Diário de campo, Botafogo, domingo, 12/1/ 97.

↩

57. Diário de campo, Botafogo, terça-feira, 25/2/97.

↩

58. Agradeço a orientação da professora Ana Quiroga Fausto Neto

e o ‘companheirismo temático’ de Rosângela Faria Rangel na construção desse mapa.

↩

59. “Os meninos a exibirem uma iconografia típica, primos não

muito distantes de Oliver Twist, Nicholas Nicleby, Tom Sawyer, Huckleberry Finn — os cobertores de lã e roupas compridas dos pequeninos; estilos que contrastam e se tornam tão específicos, até na indumentária, que permitem cingir áreas de pesquisas” (Silva & Milito, 1995).

↩

60. “O menino — esse singular paradoxo. Quem é, ele diz, quando

diz, a custa de muita atenção, de um se debruçar sobre ele, dias e dias de compromissos assumidos, Riscos do mergulho afetivo, apaixonado, sem mapa e sem bússola, do educador” (Silva & Milito, 1995).

↩

61. “Hoje, ao acordar, a vontade era de não ir a Copacabana para

continuar conversando com Vanda e Márcia. Fiquei muito sensibilizada com o depoimento de ontem, principalmente com Douglas (filho de Vanda, 5 anos). Sua infantilidade surpreendente frente ao corpo robusto e, principalmente, o fato de estar pedindo dinheiro aos transeuntes e motoristas enquanto a mãe estava sob os coqueiros, me levaram a uma

encontrar com Ernesto”. Diário de campo, Copacabana, domingo, 13/4/97.

↩

62. Os Pequeninos de Jesus são uma entidade assistencial com 15

anos de existência (em 1997), vinculada à Renovação Carismática Católica de Copacabana. Sediada em Botafogo, a entidade tradicionalmente distribui café da manhã durante a semana, exclusivamente para homens.

↩

63. “Alguns educadores chegam a falar correntemente o ‘meninês’.

O orgulho de partilhar do universo simbólico do menino às vezes infantiliza o educador. Rendido às exigências de seu universo, mimetiza e inviabiliza a possibilidade de diálogo, que não pode se fundar na simbiose, mas sempre na instauração da diferença” (Silva & Milito, 1995).

↩

64. Diário de campo, Comunidade Evangélica de Jesus, domingo,

5/11/95.

↩

65. Diário de campo, Comunidade Evangélica de Jesus, domingo,

12/11/95.

↩

66. Diário de campo, Botafogo, terça-feira, 4/3/97.

↩

67. Diário de campo, Copacabana, sábados, 12 e 19/4/97.

↩

68. Diário de campo, Botafogo, domingo, 9/3/97.

↩

69. Diário de campo, Botafogo, quarta-feira, 12/3/97.

↩

70. Diário de campo, Botafogo, Miguel, segunda-feira, 14/4/ 97.

↩

71. Diário de campo, Botafogo, domingo, 9/3/97.

↩

72. Pesquisas realizadas na cidade de São Paulo (Flora, 1987;

Sebes, 1992; Datafolha, 1995, 1997), Porto Alegre (PUC/RS, 1995; Magni, 1994, 1995, 1997), Brasília (Sdsac/DF, 1995;

Bursztyn & Araújo, 1997) e Rio de Janeiro (dados quantitativos: FLXIII, 1991 e levantamento em jornais; análises qualitativas: Neves, 1983, 1995; Martins, A. L., 1993; Minayo (org.), 1993; Rangel, 1996).

↩

73. Diário de campo, Botafogo, quinta-feira, 20/3/97.

↩

74. Diário de campo, Botafogo, quarta-feira, 16/4/97.

↩

75. Diário de campo, Botafogo, segunda-feira, 21/4/97.

↩

76. Diário de campo, Comunidade Evangélica de Jesus, domingo,

3/12/95.

↩

77. Diário de campo, Botafogo, domingo, 2/3/97.

↩

78. Diário de campo, Botafogo, domingo, 2/3/97.

↩

79. Diário de campo, Copacabana, sábado, 19/4/97.

↩

80. Diário de campo, Copacabana, sábado, 19/4/97.

↩

81. Ver Soares, Luiz Eduardo et al. Violência e política no Rio de

Janeiro. Rio de Janeiro, Iser/Relume Dumará, 1996; Gomes, Romeu. O corpo na rua e o corpo da rua. a prostituição infantil feminina em questão. São Paulo, Unimarco Ed., 1996.

↩

82. Diário de campo, Comunidade Evangélica de Jesus, domingo,

12/11/95.

↩

83. Diário de campo, Copacabana, sábado, 19/4/97.

↩

84. Diário de campo, Copacabana, quinta-feira, 17/4/97.

↩

85. Diário de campo, Botafogo, segunda-feira, 3/3/97.

↩

86. Diário de campo, Botafogo, quarta-feira, 9/4/97.

↩

87. Diário de campo, Botafogo, segunda-feira, 14/4/97.

↩

88. Diário de campo, Copacabana, segunda-feira, 17/2/97.

↩

89. Diário de campo, Botafogo, domingo, 2/3/97.

↩

90. Diário de campo, Botafogo, quarta-feira, 12/3/97.

↩

91. Diário de campo, Copacabana, sábado, 12/4/97.

↩

92. Diário de campo, Copacabana, sábado, 19/4/97.

↩

93. Diário de campo, Botafogo, domingo, 2/3/97.

↩

94. Diário de campo, Botafogo, quarta-feira, 12/3/97.

↩

95. Diário de campo, Copacabana, quinta-feira, 17/4/97.

↩

96. Diário de campo, Copacabana, sábado, 12/4/97 e sábado,

19/4/97.

↩

97. Diário de campo, Copacabana, terça-feira, 4/3/97.

↩

98. Diário de campo, Botafogo, quinta-feira 20/3/97 e 3/4/97.

↩

99. Jornal do Brasil, 19/out./91.

↩

100. A primeira edição de A Máquina e a Revolta: as organizações

populares e o significado da pobreza é de 1985. Foi consultada a 2ª edição, de 1994. E importante observar que a pesquisa foi realizada antes da crise econômica de 1983, mas a escalada inflacionária tinha começado e o poder aquisitivo já era baixo.

↩

101. As faixas etárias consideradas no documento da Fundação

Leão XIII (1991) não são iguais às divulgadas pela imprensa no mesmo ano, daí & discrepância destes percentuais com os assinalados anteriormente, sem alterar a característica de constituírem homens em plena idade produtiva.

↩

102. A ‘avenida’ e um termo usado de maneira genérica para

designar qualquer beco, travessa, vila e viela que sai de uma rua asfaltada (…) termo que designa, por si mesmo, um status de pobreza, e assim identifica aqueles que moram nesses espaços. Em certos casos, as avenidas de Salvador são comparáveis aos ‘cortiços’ de São Paulo e Rio (Agier, 1990).

↩

103. Ocupações pauperizadas, pessoas em ocupações

pauperizadas, trabalhadores pauperizados constituem formas de expressar a distribuição das “baixas rendas” na estrutura das ocupações profissionais. Figueiredo, Schiray e Lustosa (1990) estudaram a distribuição das remunerações de 108 categorias de ocupação na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, em 1987, distinguindo três grupos de ocupações pauperizadas em função do grau de pobreza. As empregadas domésticas integravam o grupo de ocupações pauperizadas com grau de pobreza extremo (mais de 2/3 de pobres).

↩

104. Ressaltando o apadrinhamento como estratégia de

sobrevivência não se quer de forma alguma adscrever (e correlacionar) a pobreza no clientelismo. A estratégia de sobrevivência envolve resultados práticos em situações concretas pautada por uma relação de troca diferente do clientelismo que constitui “um componente secular das relações entre o Estado brasileiro e todas as classes sociais, especialmente as abastadas, que sempre tiveram padrinhos e amigos influentes” como assinala Zaluar em seu artigo “Pobre, logo clientelista” (1994c).

↩

105. “Seu” Paulo, coordenador da distribuição de comida e auxílios

diversos na praça Serzedelo Corrêa, em Copacabana,

identificando nos ‘desarranjos’ familiares a experiência em comum entre todos os homens que moram nas ruas. Diário de campo, Copacabana, segunda-feira, 17/2/97.

↩

106. Diário de campo, Botafogo, domingo, 16/2/97.

↩

107. Diário de campo, Botafogo, terça-feira, 25/2/97.

↩

108. Os domicílios plurifamiliares são formas tradicionais ou de

estratégia deliberada para enfrentar fases da vida ou momentos de especial dificuldade econômica. Numa grande proporção de casos, os chefes das famílias secundárias tem relação de parentesco com o chefe do domicílio — são filhos(as) ou país (Lopes, 1992).

↩

109. Foi utilizado o recurso de agrupar as regiões Norte, Centro-

Oeste e Nordeste como a Grande Região Centro-Norte, e as regiões Sul e Sudeste como Grande Região Sul (Lopes, 1992).

↩

110. Proporção das famílias monoparentais próxima à referida para

a França, em 1985 — 12,5% das famílias e cerca de 1 milhão de pessoas (Castel, 1991).

↩

111. “Mais de 140 famílias vivem hoje nas ruas do Rio — (…)

exatamente 555 pessoas, entre adultos e crianças, que têm como endereço as esquinas e calçadas da cidade. A principal fonte de renda destas famílias, de uma maneira geral, são as crianças de até seis anos, cujos país as obrigam a pedir esmola nos sinais de trânsito”, declarações da Secretária Municipal de Desenvolvimento Social por ocasião da divulgação do mapeamento da população de rua carioca. Jornal do Brasil 9/ago./95.

↩

112. Foi interessante observar um certo padrão estético dessas

“mães”, “padrão” este caracterizado por Alba Zaluar nas famílias abrigadas em Cidade de Deus: “observei inúmeros casos de obesidade entre eles, especialmente nas mulheres de

famílias matrifocais. Símbolo talvez de seu poder na família, a gordura não é vista negativamente” (…) “Ao lado de adultos gordos, viviam crianças muito magras, pequenas e baixas para a idade e com o corpo coberto de feridas infecciosas” (Zaluar, 1994a).

↩

113. Diário de campo, Copacabana, sábado, 19/4/97.

↩

114. O Povo, 12/jun./92.

↩

115. Zaluar, na mesma ocasião, exemplificou a especulação

imobiliária que ocorrera nas favelas apontando que na Rocinha um barraco estava custando entre 10 mi] e 20 mil dólares. Jornal do Brasil 10/out./93.

↩

116. Jornal do Brasil 28/fev./93.

↩

117. O Globo, 26/mai./96.

↩

118. O Globo, 22/0ut./93.

↩

119. Diário de campo, Copacabana, terça-feira, 4/3/97.

↩

120. Diário de campo, Botafogo, segunda-feira, 14/4/97.

↩

121. Diário de campo, Copacabana, sábado, 12/4/97.

↩

122. Depoimento de uma técnica da Surbes-Sé em Seminário sobre

Política Habitacional realizado no Pólis em agosto de 1991. In: Simões Jr., 1992.

↩

123. Depoimento extraído de Organização de Auxílio Fraterno —

OAF — “Somos um povo que quer viver”. São Paulo: Paulinas, 1982. In: Simões Jr., 1992.

↩

124. Milito & Silva. Homicídios dolosos praticados contra menores no

Estado do Rio de Janeiro — 1991 a julho de 1993. Rio de

Janeiro: Fase/Ibase/Idac/Iser, 1993 (apud Silva & Milito, 1995).

↩

125. O jornalista refere-se a João Yunes e Rodrigo Guerreiro, da

Organização Pan-Americana da Saúde (OPS) e a José Alexandre Sheikmann, diretor da Faculdade de Economia da Universidade de Chicago.

↩

126. Estudo de Vainsencher, Semira. O projeto de vida da menor

institucionalizado. Recife: Unicef, 1989 (apud Silva & Milito, 1995).

↩

127. Diário de campo, Copacabana, segunda-feira, 17/3/97;

Botafogo, quintas-feiras, 20/3 e 3/4/97.

↩

128. Diário de campo, Botafogo, segunda-feira, 3/3/97.

↩

129. Diário de campo, Botafogo, segunda-feira, 14/4/97.

↩

130. Diário de campo, Copacabana, quinta-feira, 17/4/97.

↩

131. A autonomia do sujeito no ato criminoso é apontada por Zaluar,

1994b: “O tratamento da pessoa como objeto é subjacente às visões que associam a pobreza ao crime, seja por uma carência de moralidade básica que apela para a repressão, seja por ausência de justiça social que apela para as políticas sociais; ambas se sustentam na idéia do perigo aliado à pobreza”.

↩

132. Dados da RMRJ, 1987 (Figueiredo et al., 1990) e estimativa da

Prefeitura publicada na *Gazeta Mercantil, 9/dez,/91.

↩

133. Jornal da Brasil e O Globo, 8/jul./95.

↩

134. O Globo, 8/jul./95. Ressalte-se a enorme influência que o

instrumento de coleta pode ter sobre esse agrupamento de responsabilização.

↩

135. Através da fixação do salário mínimo, determinante do consumo

das classes populares, para a classe dos trabalhadores pobres o governo é responsável pela carestia (baixos rendimentos e altos preços de viveres). Ver Zaluar (1994a). ↩

136. A pesquisa coordenada pelo autor observou

contemporaneamente uma explicação social para a desigualdade entre a opinião pública de Recife e Brasília. ↩

137. Observe-se que essa mesma argumentação sobre o (frágil)

caráter moral do trabalhador está presente desde o princípio da formação da classe operária (ver Paoli, 1992).

↩

138. Ou submetidos à violência física — até assassinato! — como

ocorreu em Diadema (SP) e em Cidade de Deus, no Rio de Janeiro.

↩

139. O Estado de S. Paulo, 7/fev./93.

↩

140. Diário de campo, Comunidade Evangélica de Jesus, domingos,

5/11, 12/11 e 26/11/95.

↩

141. Diário de campo, Comunidade Evangélica de Jesus, quarta-

feira, 6/12/95 e Botafogo, domingo, 2/3/97; quarta-feira, 5/3/97; domingo, 9/3/97.

↩

142. Diário de campo, Botafogo, terça-feira, 4/3/97; quartas-feiras, 5

e 12/ 3 / 97.

↩

143. Diário de campo, Botafogo, segunda-feira, 21/4/97.

↩

144. O Dia, 19/out./91.

↩

145. O Globo, 20/abr./95

↩

146. Martins sinaliza a diferença entre as unidades familiares sob

viadutos e a família patriarcal extensa. As primeiras “são o que

↩

170. Diário de campo, Copacabana, sábados, 12 e 19/4/97.

↩

171. Diário de campo, Copacabana, quinta-feira, 17/4/97.

↩

172. Diário de campo, Comunidade Evangélica de Jesus, quinta-

feira, 16/11/95.

↩

173. Diário de campo, Botafogo, segunda-feira, 3/3/97.

↩

174. Diário de campo, Copacabana, sábado, 12/4/97.

↩

175. Diário de campo, Botafogo, quinta-feira, 3/4/97.

↩

176. Diário de campo, Botafogo, quarta-feira, 9/4/97.

↩

177. Diário de campo, Copacabana, quinta-feira, 17/4/97.

↩

178. Diário de campo, Botafogo, segunda-feira, 14/4/97.

↩

179. Diário de campo, Botafogo, segunda-feira, 14/4/97.

↩

180. Diário de campo, Botafogo, segunda-feira, 21/4/97.

↩

181. Durante o trabalho de campo presenciei a resolução de um

conflito a facadas na praça Serzedelo Corrêa. Diário de campo, Copacabana, terça-feira, 4/3/97.

↩

182. Diário de campo, Botafogo, segunda-feira, 14/4/97.

↩

183. Jornal do Brasil, 27/abr./97.

↩

184. Declarações do delegado de Itaguaí, que considerou que

“publicidade em demasia nesses casos atrapalha”. Jornal do Brasil, 21/jun./97.

↩

185. Segundo testemunha do assassinato de Carioquinha. Jornal do

Brasil, 21/jun./97.

↩

186. Entrevista com Cristina Sá, Jornal do Brasil, 23/abr./95.

↩

187. Solange Amaral; Jornal do Brasil, 2/dez./90.

↩

188. Laura Carneiro; O Dia, 29/mai./93..

↩

189. Maior PM Heleno Barbosa; Jornal da Brasil, 27/mai./92.

↩

190. Folha de S. Paulo, 4/jun./92.

↩

191. Estado de S . Paulo, 29-30/mar/92, série de reportagens, Marco

Emílio Gomes.

↩

192. Homem de 29 anos, mora há seis meses com a mulher num

barraco de tábua embaixo do viaduto São Sebastião no Santo Cristo. fama! Jornal do Brasil 2/dez./90.

↩

193. Diário de campo, Botafogo, terça-feira, 4/3/97.

↩

194. Diário de campo, Botafogo, segunda-feira, 3/3/97.

↩

195. Diário de campo, Botafogo, quarta-feira, 5/3/97.

↩

196. Diário de campo, Botafogo, quarta-feira, 9/4/97.

↩

197. Diário de campo, Botafogo, quinta-feira, 3/4/97.

↩

198. Diário de campo, Copacabana, quarta-feira, 9/4/97.

↩

199. Diário de campo, Botafogo, quarta-feira, 2/4/97.

↩

200. Diário de campo, Botafogo, segunda-feira, 14/4/97.

↩

201. Diário de campo, Botafogo, segunda-feira, 14/4/97.

↩

202. Diário de campo, Botafogo, quarta-feira, 16/4/97.

↩

203. Isolamento e solidão integram o mesmo processo de

constituição de um “solo pré-totalitário” no interior da sociedade de massa. O termo massa só se aplica quando lidamos com pessoas que, simplesmente, devido ao seu número ou à sua indiferença, ou à mistura de ambos, não se podem integrar numa organização baseada no interesse comum, seja partido político, organização profissional ou sindicato dos trabalhadores. Potencialmente, as massas existem em qualquer país e constituem a maioria das pessoas neutras e politicamente indiferentes, que nunca se filiam a um partido e raramente exercem o poder do voto (Arendt, 1989).

↩

204. Arendt faz a distinção entre poder e força. Poder é a

capacidade humana de agir em comum acordo enquanto força é a energia liberada por movimentos físicos ou sociais (Arendt, Hannah. Da violência. In: Crises da república. São Paulo, Perspectiva, 1973, p. 91-169).

↩

205. Não se pode negligenciar a grande incidência de alcoolismo

entre trabalhadores pobres abrigados. Por ser o álcool uma droga socialmente aceita e extremamente barata (a garrafa de cachaça custa cerca de um real) o alcoolismo e uma das mais freqüentes enfermidades compulsivas. Entre os operários da construção civil, como observa Sousa, o ‘trago’ está institucionalizado como um ‘combustível’, como estimulante, para ‘animar o serviço’. A pinga faz parte da cultura da obra, o problema é a transformação do hábito cotidiano em vício (Sousa, 1994).

↩

206. “Sem mistificar o ponto de equilíbrio que atingiu a sociedade

salarial, há cerca de vinte anos começaram a ser constatadas as transformações do papel de ‘grande integrador’ desempenhado pelo trabalho. A verdadeira ‘decolagem’ do

desemprego data de 1976, ano em que o número de desempregados na França atingiu a casa do milhão” (Castel, 1995).

↩

207. Em 1981 (-4,5%), 1983 (-3,5%), 1988 (-0,1%), 1990 (-4,4%) e

1992 (-1,4%). Os dados são do IBGE apresentados em Fiori & Kornis (1994) e Tavares & Monteiro (1994).

↩

208. Ocupação no terciário tradicional: porcentagem de ocupados no

comércio sobre o total de ocupados.

↩

209. Trabalho precoce: porcentagem de crianças entre 10 e 14 anos

trabalhando em relação ao total de crianças nessa faixa etária.

↩

210. Posições na ocupação — assalariados com carteira de trabalho

(regulares, oficializados); assalariados sem carteira de trabalho (irregulares, não oficializados ou não declarados); trabalhadores por conta própria que contribuem para a previdência social (autônomos protegidos ou oficializados); trabalhadores por conta própria que não contribuem (autônomos não protegidos ou não oficializados). Trabalho informal ou informalidade foi considerado como o conjunto dos assalariados sem carteira de trabalho e dos trabalhadores por conta própria não contribuintes.

↩

211. Devido aos períodos de tempo apresentados pela pesquisa de

São Paulo foi necessário agrupar ‘recente’ e ‘recentíssimo’, assim como congregar em ‘prolongado’ referências de tempo entre 1 a 2 anos e entre 2 a 5 anos incorporando parte de outros segmentos (intermediário e crônico) considerados nas informações sobre Porto Alegre.

↩

212. Folha de S. Paulo, 3/set./95.

↩

213. Conflitos ou desavenças familiares foram assinalados 66 vezes,

sendo especificamente registradas a violência doméstica (9 vezes) e dificuldades com pais ou cônjuges alcoólatras ou

drogados (8 vezes). Outras situações que podem ser relacionadas com vulnerabilidades na dimensão sócio-familiar como histórias institucionais na infância foram assinaladas 15 vezes.

↩

214. Dentre as 244 fichas, nove não continham nenhuma informação

registrada nesse item, em seis delas estava assinalado “nenhum preparo profissional” e em uma delas estava escrito “faculdade da vida”. Portanto, as atividades mencionadas referem-se a um total de 228 fichas.

↩

215. O primeiro valor corresponde ao percentual de trabalhadores na

ocupação que recebem rendas miseráveis (<1 SM) e o segundo valor à proporção dos trabalhadores que recebem baixas rendas (<3 SM).

↩

216. Diário de campo, Copacabana, terça-feira, 4/3/97; Botafogo,

quinta-feira, 20/3/97; Botafogo, quinta-feira, 3/4/97 — entrevista.

↩

217. Diário de campo, Botafogo, segunda-feira, 21/4/97.

↩

218. Diário de campo, Copacabana, sábado, 19/4/97.

↩

219. Diário de campo, Botafogo, segunda-feira, 3/3/; terça-feira, 4/3

e quarta-feira, 12/3/97.

↩

220. Diário de campo, Botafogo, segunda-feira, 14/497;

Copacabana, quinta-feira, 17 /4/97.

↩

221. Diário de campo, Copacabana, quarta-feira, 9/4/97; Botafogo,

segunda-feira, 14/4/97.

↩

222. Diário de campo, Comunidade Evangélica de Jesus, quinta-

feira, 23/11/95.

↩

223. Diário de campo, Comunidade Evangélica de Jesus, domingo,

26/11/95.

↩

224. Como assinalado na abordagem metodológica os quadros

apenas esquematizam as informações disponíveis sobre moradores de rua em diversas cidades, sem nenhum intuito comparativo.

↩

225. Distribuição média dos níveis de escolaridade da população de

rua atendida em três modalidades de serviços: abrigos, casas de convivência e albergues.

↩

226. Agrega analfabetos e semi-analfabetos — apenas assinam o

nome.

↩

227. Levantamentos da SMDS/RJ e da FLXIII, em 1991,

apresentaram a mesma taxa de analfabetismo (20%) e discreta diferença entre os que tinham 1º grau incompleto: 43% (SMDS) e 47,8% (FLXIII).

↩

228. Pesquisa da ONG Ação Educativa indicou que a autonomia do

cidadão a respeito da escrita e da leitura é obtida a partir da 5ª série, Haddad, Sérgio. Jornal da Brasil, 19/abr./98. ↩

229. Diário de campo, Botafogo, domingo, 2/3/97.

↩

230. Diário de campo, Copacabana, quarta-feira, 5/3/97; Botafogo,

quinta-feira, 20/3/97.

↩

231. Diário de campo, Botafogo, segunda-feira, 3/3/97; quarta-feira,

12/3/97.

↩

232. Diário de campo, Botafogo, quarta-feira, 5/4/97.

↩

233. Diário de campo, Botafogo, segunda-feira, 14/4/97;

Copacabana, quinta-feira, 17/4/97.

↩

234. Diário de campo, Botafogo, segunda-feira, 21/4/97.

↩

235. Diário de campo, Botafogo, quarta-feira, 2/4/97.

↩

236. Diário de campo, Botafogo, quinta-feira, 20/3/97.

↩

237. Diário de campo, Botafogo, terça-feira, 4/3/97,

↩

238. Diário de campo, Copacabana, quinta-feira, 17/4/97.

↩

239. Diário de campo, Botafogo, segunda-feira, 21/4/97.

↩

240. Diário de campo, Copacabana, terça-feira, 4/3/97.

↩

241. O Sistema classificatório dos comportamentos dos que vivem

na rua inclui parasitas, criminosos e mendigos. ‘Parasitas’ seriam os que dispõem de recursos materiais para sobreviver (família com algum recurso financeiro, direito à previdência) mas se valem da caridade pública; ‘criminosos’ são aqueles com histórias explícitas ou supostas de infração que se valem da caridade e de pequenos furtos para sobreviver; ‘mendigos’ são os que por infortúnio estão desprovidos de família e trabalho ou estão impossibilitados de trabalhar por deficiência Física ou mental ou ainda por serem alcoólatras (‘biriteiros’) (Neves, 1983).

↩

242. Como o racismo que “é uma forma patológica de integração

democrática, uma conseqüêcia da necessidade de ver no colonizado ou no selvagem um igual. O racista, mediante a racialização do indivíduo, incorpora-o ao seu próprio mundo, reencontrando dessa maneira uma posição na sociedade” (Lapeyronnie, 1993 apud Peralva, 1994).

↩

243. “O mercado é uma forma que não comporta exterioridades;

mesmo sendo expulso do mercado, ainda é mantido em suas margens e suas margens estão sempre no seu interior” (Balibar, apud Fontes, 1997).

↩

244. O autor argumenta que a categoria classe, no sentido pleno da

palavra, não existe senão quando é constituída numa dinâmica social que a torna portadora de um projeto histórico que lhe é próprio (Castel, 1995).

↩

245. A autora exemplifica com a alta das bolsas de valores

provocada pela demissão em massa de funcionários da Xerox, e com a queda dos índices financeiros quando o Secretário do Trabalho norte-americano anunciou uma diminuição das taxas de desemprego — à custa de empregos precários e mal remunerados (Forrester, 1997).

↩

246. Nun (1969) diferencia a “superpopulação relativa”

(desempregados e subempregados) do “exército industrial de reserva” (trabalhadores com possibilidades de integrar a produção); sobra, portanto, uma fração que ele denomina “massa margina”, constituída por aqueles que não encontrarão jamais um lugar no mercado de trabalho. A existência de uma “massa marginal” seria característica da situação de dependência dos países do terceiro mundo (Fassin, 1996a).

↩

247. Grifos do original.

↩

248. Marx Cita a “escravidão da necessidade” para criticar as

posições de Le Chapelier contrárias às coligações e associações de trabalhadores.

↩

249. A referência clássica de Marx ao lumpemproletariado é

encontrada em O Dezoito Brumário de Luiz Bonaparte (1852), ainda que apareça também em Manifesto da Partido Comunista (1848), As Lutas de Classes na França de 1848 a 1850 (1850) e no prefácio de Engels a A Guerra Camponesa na Alemanha (1870). A situação de indigência da classe trabalhadora, particularmente do operariado industrial no sentido estrito do termo, é amplamente analisado em Engels, A Situação da Classe Trabalhada na Inglaterra (1845).

↩

250. Inclui vendedores ambulantes e artesãos.

↩

251. Inclui a alternativa ‘nenhuma das anteriores’.

↩

252. O Estado de S. Paulo, 7/fev./93.

↩

253. Observações feitas na defesa da tese, 16 de novembro de

1998.

↩

254. Levando em consideração que os custos de reprodução da

força de trabalho foram reduzidos ao mínimo possível, o que significa ‘bons’ rendimentos? Pesquisa da Datafolha de 1995 revela uma subdivisão da população de rua em três grupos de rendimentos: 35% ganhando até 5 reais por dia, 32% entre 6 e 15 reais por dia, e 27% ganhando entre 16 e 30 reais por dia (Folha de S. Paulo, 3/set./95). Nos depoimentos obtidos de Catadores de Lixo os rendimentos diários considerados ‘bons’ eram 20 reais por dia. Isso lhes permitiria ‘viver bem’ mas sequer cogitavam a possibilidade de uma poupança. Há que levar-se em consideração a apropriação municipal das atividades mais rentáveis — e com certa legitimidade social — dos moradores de rua como a coleta de lixo e a guarda de carros.

↩

255. O fundo de capital que assegura ao trabalhador as condições

de ir em busca do trabalho ou do salário (Neves, 1995b). Como o salário é pago ao final de um dado período de trabalho, o trabalhador adianta ao empregador o valor de uso, e para tanto deve contar com o apoio de outros membros da família, de modo a poder fazer esse empréstimo (Neves, 1983).

↩

256. Diário de campo, Botafogo, quarta-feira, 2/4/97.

↩

257. “Miseráveis criam arquitetura da indigência exercendo a

macabra criatividade a que a miséria obriga. Entre o conforto mínimo de um barraco de papelão e madeira e o mais absoluto desabrigo (…) esse povo inventou suas próprias alternativas”.

O Estado de S. Paulo, 30/mar./ 92, texto de Marcos Emílio Gomes.

↩

258. Diário de campo, Botafogo, segunda-feira, 3/3/97.

↩

259. Diário de campo, Comunidade Evangélica de Jesus, quinta-

feira, 16/11/95.

↩

260. Diário de campo, Botafogo, quarta-feira, 9/4/97.

↩

261. Diário de campo, Botafogo, quarta-feira, 2/4/97.

↩

262. Ver acesso à rede geral de água e de esgoto sanitário em 1990

na Região Metropolitana do Rio de Janeiro em Rocha, 1995.

↩

263. Diário de campo, Botafogo, Luiz Augusto, quinta-feira, 20/3/97.

↩

264. Diário de campo, Botafogo, quarta-feira, 9/4/97.

↩

265. Diário de campo, Copacabana, Cícero, quinta-feira, 17/4/97.

↩

266. A pequena disponibilidade de água potável, assim como as

dificuldades de obtenção de doações entre os transeuntes do Aterro do Flamengo, são explicações possíveis para a relativamente baixa densidade da população de rua nesse vasto espaço público carioca.

↩

267. Diário de campo, segunda-feira, 14/4/97.

↩

268. Nos Pequeninos de Jesus, em particular, existe a oferta

inovadora da atividade de arteterapia.

↩

269. Diário de campo, Botafogo, segunda-feira, 14/4/97.

↩

270. O trabalho com a população de rua foi iniciado com a

distribuição de refeições aos domingos à noite, e foi sendo paulatinamente ampliado com a distribuição de jantar às

quartas-feiras, às terças-feiras e, posteriormente, com a distribuição também de almoços às terças e quintas-feiras. Os pedintes eram recebidos no interior da igreja, tomavam banho, recebiam comida e ‘a palavra’. A demanda foi crescendo e, quando eram cerca de oitenta pessoas, começaram a ocorrer problemas de espaço físico, de algazarra e confusão. O local foi assaltado em duas ocasiões e, em função da grande quantidade de pessoas, de brigas, facadas e dos assaltos, decidiram interromper a atividade. Diário de campo, Copacabana, quinta-feira, 20/2/97.

↩

271. Diário de campo, Botafogo, segunda-feira, 14/4/97.

↩

272. Todas as referências são de Arendt (1991).

↩

273. “A riqueza, não importa quantas vidas individuais ela possa

suprir, não deixa de ser algo destinado ao uso e ao consumo”; (…) “a riqueza comum jamais pode tornar-se comum no sentido que atribuímos ao mundo comum, permanecendo estritamente privada” (Arendt, 1991).

↩

274. “O extraordinário senso político do povo romano (..) jamais

sacrificou o privado em benefício do público mas, ao contrário, compreendeu que estas duas esferas somente podiam subsistir sob a forma de coexistência” (Arendt, 1991).

↩

275. O texto básico do autor sobre o assunto é “Carnavais,

malandros e heróis: para uma sociologia do dilema brasileiro” (edição consultada, 1990) complementado por outros trabalhos (1991;1993).

↩

276. “O fato de uma atividade ocorrer em particular ou em público

não é, de modo algum, indiferente. Obviamente o caráter da esfera pública muda segundo as atividades que nelas são admitidas, mas, em grande parte, a natureza da própria atividade também muda” (Arendt, 1991).

↩

277. Nas observações de Luiz Antônio Machado da Silva algo

semelhante teria acontecido com o jogo do bicho, que foi criminalizado ‘por acaso’, por meio de uma legislação que pretendia atingir os cassinos.

↩

278. Para que um dado ato desviante seja considerado como

questão social’, é preciso antes de tudo divulgá-lo como tal, publicizá-lo como assunto de preocupação da sociedade. Para isso, Becker considera que devem existir “empreendedores da moral” cujo protótipo seria aquele que “empreende uma Cruzada para a reforma dos costumes e se sente portador de uma missão sagrada” (Becker, 1985).

↩

279. Simmel denomina ‘reserva’ a esse aspecto subjetivo das

relações sociais que envolve “não apenas a indiferença mas também uma ligeira aversão, um estranhamento e uma repulsão mútua que de repente se transforma em ódio e pavor quando de um contato mais estreito, qualquer que seja a causa” (Becker, 1985).

↩

280. A reação de tolerância, ainda que encerre uma certa

solidariedade, envolve também uma atitude de auto-isenção de responsabilidades, o que integra a naturalização da pobreza.

↩

281. A carreira designa os fatores dos quais depende a mobilidade

de uma posição a outra, tanto os fatos objetivos surgidos da estrutura social quanto as mudanças de perspectiva, as motivações e os desejos do indivíduo (Becker, 1985).

↩

282. A trajetória de Luiz Augusto entre a primeira e última vez que o

encontrei — 4 de março e 23 de abril de 1997, ficou evidenciada nas anotações do diário de campo: “Luiz Augusto é negro e mineiro, tem um sorriso bonito e simpático, parece mais velho que Roni, talvez cerca de 35-40 anos. É quase careca, mas parece como se tivesse raspado o cabelo. Está arrumado e limpo” (Copacabana, terça-feira, 4/3/97). “Luiz Augusto está vestido de calça comprida, camisa de abotoar, tem uma mochila

jeans atravessada no peito e uma pochette de onde tira para me mostrar os documentos”(Copacabana, segunda-feira, 17/3/97). “Luís Augusto está bem diferente, sujo, com roupas que parecem ter sido ganhas, de chinelo e cheirando mal. Impressionou-me a diferença de sua aparência desde a primeira vez que o vi. Perguntei-lhe como andavam as coisas e ele me disse que nada bem, que tinha sido roubado perto da Catedral quando estava dormindo, que levaram a mochila com suas roupas e seus tênis” (Botafogo, Pequeninos de Jesus, quarta-feira, 23/4/97).

↩

283. Becker, citando artigo sobre delinqüência de Sykes & Matza,

apresenta algumas técnicas destinadas a neutralizar a influência do respeito às leis, isto é, ‘justificativas’ do desvio (Sykes & Matza, apud Becker, 1985).

↩

284. Manuel, homem branco, alto, sem os dentes superiores da

frente, vestido com calça, camisa de manga curta e tênis, limpo e arrumado, que encontrei tanto na Praça Serzedelo Corrêa quanto no café da manhã dos Pequeninos de Jesus, estava muito aflito com sua condição recente de morador de rua. Em nossas conversas ele levantou uma série de possibilidades para conseguir ganhar dinheiro e poder pagar um quarto. Manuel tinha noção dos preços e das possibilidades de lucro e apresentava um projeto viável apesar de que tudo teria que dar certo: depois de conseguir o dinheiro para comprar mercadorias no centro da cidade, ele deveria vender todas na Zona Sul para conseguir o lucro que lhe permitisse alugar um quarto e continuar comprando mercadorias (Copacabana, quarta-feira, 19/3/97).

↩

285. Além dessas modalidades, Sykes & Matza, no texto

reproduzido por Becker, mencionam também: a técnica de priorizar a lealdade às normas do grupo social mais restrito ao qual pertence, em detrimento das normas mais gerais; e, nos atos de vandalismo e perseguição de minorias, a técnica de considerar que o preconceito, nas circunstâncias da ação, não

é injusto, ao contrário, é uma forma justa de represália ou de castigos contra aqueles que “não ficaram no seu devido lugar” ou contra instituições escolares ou professores que não foram “corretos” (Becker, 1985).

↩

286. Diário de campo, Botafogo, segunda-feira, 3/3/97.

↩

287. Diário de campo, Copacabana, quinta-feira, 6/2/97.

↩

288. Diário de campo, Botafogo, segunda-feira, 21/4/97.

↩

289. Diário de campo, Botafogo, segunda-feira, 3/3/97.

↩

290. Diário de campo, Botafogo, segunda-feira, 3/3/97.

↩

291. Diário de campo, Copacabana, sábado, 19/4/97.

↩

292. Vide o glossário de três páginas publicado em Sebes/SP, 1992.

↩

293. “Considerando como crimes policiais a prática da vadiagem e

da mendicância, a polícia usava e abusava do livre-arbítrio, prendendo freqüentemente aqueles que perambulavam pelos espaços públicos. Eram considerados vadios todos aqueles que não possuíam ocupação honesta e útil de que pudessem subsistir. A persistência em tal estado, após a advertência pelo juiz de Paz, implicava pena de prisão com trabalho por oito a vinte e quatro dias. Quanto aos mendigos, o fato de mendigar tendo supostamente condições para trabalhar implicava a prisão, simples ou com trabalho” (Valladares, 1991).

↩

294. Na praça Serzedelo Correia ha placas com as regras de

utilização: horário 6h às 19h; cachorro com coleira, somente travessia; proibido andar de bicicleta, exceto menores de 10 anos; proibida a passagem de carrinhos com latas e garrafas; proibida a passagem e a permanência de vendedores e ambulantes.

↩

295. Os casos podem tornar-se ‘suspeitos’ de várias formas:

comportamento inadequado, locais freqüenta dos ou possibilidade de envolvimento com tráfico de drogas. Na entrevista, Miguel declarou: “policial, se tu tiver aqui na rua, aí ele te der geral, ele abriu a bolsa vai saber na hora que tu mora na rua, cobertor, colher, pasta de dente, sabonete, essas coisas, ele vai saber, e eles não faz nada, não mexem, só se tiver fazendo coisa errada”. Diário de campo, Botafogo, segunda-feira, 14/4/97.

↩

296. Diário de campo, Botafogo, segunda-feira, 14/4/97.

↩

297. Diário de campo, Botafogo, segunda-feira, 14/4/97.

↩

298. Diário de campo, Copacabana, sábado, 12/4/97.

↩

299. Diário de campo, Copacabana, quinta-feira, 6/2/97.

↩

300. Diário de campo, Botafogo, quarta-feira, 9/4/97.

↩

301. Diário de campo, Botafogo, quinta-feira, 3/4/97.

↩

302. Diário de campo, Botafogo, domingo, 2/3/97.

↩

303. Diário de campo, Botafogo, domingo, 9/3/97.

↩

304. Diário de campo, Copacabana, quinta-feira, 17/4/97.

↩

305. “A partir da 1ª Guerra Mundial surgiram compactos grupos

humanos que não eram bem-vindos e não podiam ser assimilados em parte alguma. Uma vez fora do país de origem, permaneciam sem lar; quando deixavam o seu Estado, tornavam-se apátridas; quando perdiam os seus direitos humanos, perdiam todos os direitos: eram o refugo da terra” (Arendt, 1989).

↩

306. ‘Desenraizamento’ significa não ter raízes, não ter mais um

lugar no mundo reconhecido e garantido pelos outros. ‘Superfluidade’ significa não pertencer ao mundo de forma alguma. Portanto, a condição de isolamento significa não estar incluído nas ‘regras de equivalência’ mas superfluidade significa estar só, não estar incluído em regra alguma (Arendt, 1989).

↩

307. “A ação de exclusão reveste um caráter estrutural quando é

repetidamente confirmada mediante relações e práticas sociais; a rotatividade entre os indivíduos que são objeto de exclusão não altera a existência estrutural do limite social” (Silver, 1994).

↩

308. Delimitar a ‘positividade’ do fenômeno não significa concordar

com a existência do fenômeno ou nele reconhecer valores (morais) positivos e sim identificá-lo por aquilo que é (Indicações metodológicas realizadas por Luís Antônio Machado em Anpocs, 1995).

↩

309. “Antes como depois da industrialização a questão social se

coloca a partir de situações de populações aparentemente marginais. Ela não concerne a sociedade como um todo”. “O processo através do qual uma sociedade expulsa alguns de seus membros obriga a que seja interrogado sobre aquilo que, em seu centro, impulsiona a sua dinâmica. É essa relação escondida do centro para a periferia que deve ser desvendada: O coração da problemática da exclusão não está lá onde encontramos os excluídos” (Castel, 1995).

↩

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Sarah Escorel

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