A Bomba de Hiroxima

Gordon Thomas · Capítulo 3 de 10

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A Bomba de Hiroxima

Prologo

 

A 2 de agosto de 1939, um mês antes de a II Guerra Mundial começar na Europa, Albert Einstein enviou uma carta ao Presidente Franklin Delano Roosevelt. Em termos cuidadosos, a mensagem dizia que a pesquisa nuclear recente indicava que, em breve, seria possível fabricar “bombas extremamente poderosas, de um novo tipo”, baseadas no urânio. Einstein alertava para o fato de que se estava trabalhando em segredo com urânio na Alemanha Nazista. E recomendava que as pesquisas americanas fossem aceleradas.

Alexandre Sachs, economista e amigo de Roosevelt, concordou em entregar a carta ao Presidente. Mas a guerra irrompeu na Europa antes que pudesse fazê-lo, e Roosevelt só foi recebê-lo em meados de outubro. Depois de muita persuasão de Sachs, Roosevelt acabou resolvendo que fossem tomadas providências concretas a partir da carta de Einstein.

O primeiro resultado da decisão presidencial foi um investimento de apenas seis mil dólares. Serviu para comprar grafita, essencial às experiências iniciais que levariam mais tarde à bomba atômica. Recursos substanciais com a finalidade específica de fabricar tal arma foram autorizados pelo Presidente a 6 de dezembro de 1941.

No dia seguinte, aconteceu Pearl Harbor. Roosevelt jurou vingança. “Lembrem-se de Pearl Harbor” tornou-se o grito de guerra em torno do qual se uniu a nação americana.

No verão de 1942, já era patente que seriam necessários muito dinheiro e esforço para se construir uma bomba atômica. Gigantescas usinas de fabricação e processamento teriam que ser montadas em áreas remotas, para produzir os materiais necessários, alguns altamente perigosos. Era preciso iniciar imediatamente o trabalho de pesquisa em laboratórios de universidades c comerciais, bastante dispersos, imprimindo-lhe um ritmo de esforço de guerra. Novos laboratórios teriam que ser criados. E tudo devia ser feito no mais absoluto segredo. 

Foi inventado um nome de cobertura para o projeto: Distrito de Engenharia Manhattan, mais tarde simplificado para Projeto Manhattan.

Em outubro de 1942, foi escolhido o Local Y, em Los Alamos, no deserto do Novo México, pelo físico J. Robert Oppenheimer, antigo aluno da Escola-Rancho para Meninos de Los Alamos, para a instalação do principal laboratório de pesquisa. As antigas salas de aulas que ele frequentara passariam a ser usadas por eminentes cientistas, como Enrico Fermi, Edward Teller e aquele outro gigante da física na Europa, Niels Bohr.

Foi Fermi quem dirigiu a experiência crucial, a 2 de dezembro de 1942, quando se produziu a reação em cadeia necessária para fabricar uma bomba atômica. Foi realizada num dia de frio intenso, numa quadra de squash não utilizada da Universidade de Chicago. Temia-se que toda a cidade pudesse ficar ameaçada pela energia nuclear liberada. Mas a reação foi controlada. Os cientistas haviam demonstrado que um átomo de urânio fragmentado libera nêutrons, que podem, por sua vez, fragmentar mais átomos de urânio, criando assim a reação em cadeia. Batizaram formalmente o processo de “O Fator K”. Mas, entre eles, deram-lhe o nome de “O Grande Deus K”.

Durante os meses seguintes, imprimiu-se uma pressão de urgência nas fábricas secretas do esforço de guerra onde se desdobravam os complexos processos para a produção de quantidades relativamente pequenas de urânio 235, necessário para se produzirem bombas atômicas. E fabricava-se também plutônio, outro elemento que servia para a criação de armas atômicas.

Roosevelt apoiou o projeto sem conhecimento do Congresso e da opinião pública. Os recursos para o empreendimento foram ocultos no Orçamento Federal. Chegou um ponto em que dois bilhões de dólares foram investidos para financiar o projeto.

Por volta de 1944, havia surgido uma profunda divergência entre os cientistas. Dentre os que agora se opunham à utilização militar da pesquisa estava Niels Bohr, que em fins de agosto de 1944 pediu a Roosevelt que autorizasse a divulgação dos segredos atômicos dos Estados Unidos para a comunidade científica internacional. Ele achava que a ciência pertencia ao mundo como um todo.

Na mesma ocasião, durante o verão de 1944, estava-se começando a produzir urânio 235 nas quantidades exigidas para a fabricação da arma. O sucesso parecia iminente. O problema de encerrar “O Grande Deus K” numa bomba estava sendo resolvido. Se os trabalhos deveriam prosseguir como fora inicialmente planejado, apesar dos escrúpulos dos cientistas, chegara o momento de escolher o homem que iria treinar e comandar os homens que lançariam a bomba.