A Escola de Minas de Ouro Preto: o peso da glória

José Murilo de Carvalho · Capítulo 3 de 18

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A Escola de Minas de Ouro Preto: o peso da glória

Prefácio à Segunda Edição

 

Esgotada há muito tempo a primeira edição deste livro, surgiu a

possibilidade de reedição pela Editora UFMG. Como sempre

acontece nesses casos, o Autor se perguntou se devia ou não

atualizar o texto. A favor da atualização, pesava o fato de já se

terem passado 22 anos. Nesse intervalo, tanto a Escola de Minas de

Ouro Preto, objeto direto do estudo, como a Fundação Oswaldo

Cruz, utilizada como marco comparativo, passaram por mudanças

que convinha incorporar na análise. Contra a atualização, militava o

fato de que ela haveria seguramente de requerer pesquisa nova de

não pequena monta. Para tanto, faltava-me tempo e faltava-me,

sobretudo, a segurança de que, caso voltasse ao tema, adotaria o

mesmo esquema de análise. Mudado este, mudaria o livro e não

haveria reedição. Decidi manter o texto original. A solução pode ser

criticada por ser fácil. Mas isso não impede que seja correta.

 

Mantido o conteúdo, não me pareceu aceitável a forma. Ao reler o

texto, achei-o tosco e pedregoso. Por ocasião da primeira edição,

Francisco Iglésias já chamara a atenção para as deficiências do

estilo. Ele próprio fizera uma primeira limpeza, eliminando

repetições, demonstrativos, artigos indefinidos, impropriedades,

deselegâncias. Mas restou muita ganga a ser separada do ouro,

muita escória a ser eliminada do ferro. Transformado em mineiro da

palavra e metalurgista da frase, voltei à bateia e ao forno, na

expectativa de conseguir produto mais refinado. Ainda restará o que

purificar, mas acredito que Francisco Iglésias, onde estiver, se

sentirá menos desconfortável com o novo texto. Tornei também mais

precisas as indicações de fontes. Nessa tarefa contei com a

colaboração de Maria de Fátima Moraes Argon para a

documentação existente no Arquivo Histórico do Museu Imperial, e

de Marcello Basile para a parte guardada no Arquivo Nacional. A

ambos meus agradecimentos. A Iglésias, que me honrou com a

apresentação da primeira edição, dedico esta segunda, em

homenagem não menos comovida por ser póstuma.