A Escola de Minas de Ouro Preto: o peso da glória
Prefácio à Segunda Edição
Esgotada há muito tempo a primeira edição deste livro, surgiu a
possibilidade de reedição pela Editora UFMG. Como sempre
acontece nesses casos, o Autor se perguntou se devia ou não
atualizar o texto. A favor da atualização, pesava o fato de já se
terem passado 22 anos. Nesse intervalo, tanto a Escola de Minas de
Ouro Preto, objeto direto do estudo, como a Fundação Oswaldo
Cruz, utilizada como marco comparativo, passaram por mudanças
que convinha incorporar na análise. Contra a atualização, militava o
fato de que ela haveria seguramente de requerer pesquisa nova de
não pequena monta. Para tanto, faltava-me tempo e faltava-me,
sobretudo, a segurança de que, caso voltasse ao tema, adotaria o
mesmo esquema de análise. Mudado este, mudaria o livro e não
haveria reedição. Decidi manter o texto original. A solução pode ser
criticada por ser fácil. Mas isso não impede que seja correta.
Mantido o conteúdo, não me pareceu aceitável a forma. Ao reler o
texto, achei-o tosco e pedregoso. Por ocasião da primeira edição,
Francisco Iglésias já chamara a atenção para as deficiências do
estilo. Ele próprio fizera uma primeira limpeza, eliminando
repetições, demonstrativos, artigos indefinidos, impropriedades,
deselegâncias. Mas restou muita ganga a ser separada do ouro,
muita escória a ser eliminada do ferro. Transformado em mineiro da
palavra e metalurgista da frase, voltei à bateia e ao forno, na
expectativa de conseguir produto mais refinado. Ainda restará o que
purificar, mas acredito que Francisco Iglésias, onde estiver, se
sentirá menos desconfortável com o novo texto. Tornei também mais
precisas as indicações de fontes. Nessa tarefa contei com a
colaboração de Maria de Fátima Moraes Argon para a
documentação existente no Arquivo Histórico do Museu Imperial, e
de Marcello Basile para a parte guardada no Arquivo Nacional. A
ambos meus agradecimentos. A Iglésias, que me honrou com a
apresentação da primeira edição, dedico esta segunda, em
homenagem não menos comovida por ser póstuma.