A Morte de Ivan Ilitch, O Senhor dos Anéis: Expedições pelo Mundo da Cultura

Capítulo XII

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 4 partes.

E, ainda em 1967, publica Smith of Wootton Major. Em 1971 morre Edith aos 82 anos. Edith era dois anos mais velha do que ele. Ele se muda, então, para um apartamento na Universidade de Oxford. No dia 2 de setembro de 1973 morre numa viagem de recreio a Bournemouth. A seu pedido, na lápide do cemitério Wolvercote consta o cognome de Beren para si e de Luthien para Edith. Então, estão lá os nomes dos dois, e os cognomes, os apelidos, dessas duas personagens, a pedido dele. Porque esse foi um sujeito que teve um romance só na vida, um enorme romance, extremamente bonito. Um único grande romance na vida com Edith.

E assim, tendo feito este pequeno início - vocês certamente não se impressionaram com os aspectos biográficos porque, se eles estão presentes na obra, nada nos garante que estejam presentes totalmente. Não vamos cair nessa armadilha de imaginar que a obra é autobiográfica porque seria muito estranho se fosse, né? E vamos tentar entender agora a história. É

EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Senhor dos Anéis 131 uma história muito longa. Acho que a maioria das pessoas que estão aqui, no lugar de ler o livro viram os filmes. Os filmes são razoavelmente fiéis à obra original. Se você fizer um estudo, tem mais ou menos 20 coisas que foram mudadas pelo cinema. Vinte situações que não estão no livro, que foram inventadas no cinema ou modificadas, sempre por razões comerciais, para tornar o filme mais palatável para o público médio. Possivelmente Tolkien não teria concordado com elas se vivo fosse. Mas, depois de todos esses anos, você tem um menor policiamento sobre aquilo. Em todo o caso, o filme não é infiel. É um filme muito bonito. O que acontecerá com aqueles que viram o filme e não leram o livro, é que algumas passagens da história lhes parecerão um pouco diferentes.

A pessoa que fez esse resumo é o meu sobrinho Tomaz Nasser Appel, que não chegou ainda, mas deve vir daqui a pouquinho. Fez um grande esforço para resumir. Ele é um admirador desta obra em especial. Depois vocês o cumprimentam, quando ele chegar mais tarde.

Nós vamos ter aqui este ano a maior parte das vezes um leitor oficial. A nossa leitora oficial é a Clara, que não pôde vir hoje. Então, vamos fazer na sequência como sempre, pelo menos hoje de novo. Começando aqui pelo Jorge, por favor.

E vamos ler esta história até o ponto em que for possível, porque não vamos conseguir ler as 30 páginas. Terei que eventualmente explicar uma coisa ou outra. Faremos o máximo possível. Quando chegarmos num determinado momento, eu continuo e faço o resumo para vocês, e a gente então vai para o debate que, afinal de contas, é imprescindível.

 

132 Professor José Monir Nasser Tolkien criou uma mitologia. É claro que ele não criou uma mitologia do nada. Ele aproveitou elementos mitológicos nórdicos, do norte da Europa, ingleses, galeses... Era especialista em galês, o idioma celta que hoje ainda é falado, em termos, na Irlanda, por exemplo. Ele aproveitou todas aquelas mitologias existentes e a partir delas criou um vocabulário próprio. Fez um trabalho tão extenso que há quem fale élfico, por exemplo. Tem gente que estuda élfico. Tem gente que põe no seu anel de casamento uma inscrição na língua que está em O Senhor dos Anéis – nas diversas línguas daquele mundo que Tolkien inventou.

Vocês encontrarão as mesmas personagens em todas as outras histórias de outras fontes, exceto uma meia-dúzia. Os tróis são relativamente comuns, os elfos, os anões, esses existem, mas há muitas diferenças. É preciso entender que aqui há uma boa dose de imaginação do próprio Tolkien. Preparados, então? Vamos lá.

 

Resumo da Narrativa

 

Introdução

O Senhor dos Anéis está dividido em seis livros (cada um deles contendo cerca de dez capítulos) originalmente publicados em três volumes (cada um deles com dois livros): A Sociedade do Anel, As Duas Torres e O Retorno do Rei. A história passa-se no fim da Terceira Era da Terra-Média (ou Terra do Meio),

 

EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Senhor dos Anéis 133 PROF. MONIR: Pessoalmente acho equivocada a tradução como “Terra Média” – “Middle-earth”, no original. Porque aí o sentido de médio não é no sentido de average, mas de meio, mesmo. Agora talvez não fique muito fácil explicar porque é assim, mas depois a gente pode voltar neste ponto, se vocês quiserem. Eu teria traduzido como “Terra do Meio”, e não como “Terra Média”. Como está assim na única tradução brasileira que existe – aliás a tradução dos nomes todos foi feita pelo filho do meu otorrinolaringologista; esse de sobrenome Kisme é filho de um médico aqui de Curitiba, e é o tradutor da parte poética dos nomes, ou seja, o sujeito que adaptou aquelas línguas que são inventadas. Então Terra Média me parece um equívoco, mas não nos preocupemos com isso porque afinal é apenas um nome. Eu teria feito diferente. Continuamos.

um dos mais importantes continentes de Arda, o mundo mítico criado por Tolkien. O primeiro volume conta a história da descoberta do paradeiro de um artefato de grande poder, o chamado “Um Anel”, há muito perdido, e da batalha que se desenvolve em torno dele. Visando enfrentar o inimigo comum, Sauron ou o Senhor dos Anéis, representantes dos povos livres do Oeste da Terra-Média reúnem-se em um conselho no qual decidem destruir o Um Anel e confiam a tarefa a Frodo Bolseiro, o hobbit protagonista da história.

PROF. MONIR: Nessa terra aí existem determinados povos, basicamente os hobbits, que são pessoas pequenas e, no entanto, não são anões, são apenas pequenos. Há os anões propriamente ditos, há os elfos e os seres humanos. Todo esse mundo é dividido por um rio. Do lado direito do rio está o leste, onde estão os maus e, do lado esquerdo do rio, o oeste, onde há a concentração dos heróis da história. Então, todos os heróis moram do lado esquerdo, e não do lado direito. Quando se fala aqui em oeste e leste, está se falando deste contraste entre esses dois grupos aí. Continuamos. 134 Professor José Monir Nasser Para acompanhá-lo, é formada a Sociedade do Anel, cujo desmembramento marca o fim do primeiro volume. O segundo volume narra o destino de Frodo e dos demais membros da sociedade depois de separados, envolvidos em inúmeras batalhas contra o Senhor dos Anéis (que ocorrem ao redor das torres de Orthanc e Barad Dûr), no que veio a ser a chamado de a Guerra do Anel. O terceiro volume narra o fim da Guerra com a derrota do Senhor dos Anéis, marcando a restauração do maior reino dos homens do Oeste e o fim da chamada Terceira Era mítica na Terra-Média, com a partida dos elfos e a ascensão dos humanos.

PROF. MONIR: Que é quando termina a história. Acabou de chegar o Tomaz, depois vocês conversam com ele. Está ali o Tomaz, que é o nosso resumidor da história.

O Senhor dos Anéis ou Sauron (um antigo servidor de um deus maligno chamado Melkor, cuja derrota marcou o fim da chamada Primeira Era da Terra-Média) é assim chamado por ter, durante a Segunda Era, tentado conquistar o continente criando um anel mágico capaz de controlar outros anéis, forjados por poderosos ferreiros élficos, em parte por estímulo do próprio Sauron. Mas dentre os dezenove mais poderosos anéis (chamados de Grandes Anéis, distribuídos por Sauron para os representantes dos três principais povos habitantes da Terra Média), apenas nove (aqueles entregues aos homens) surtiram o efeito desejado e Sauron não se tornou poderoso suficiente para vencer os exércitos unidos do Oeste na grande batalha que marcou o fim da Segunda Era, com a morte dos principais líderes guerreiros dos elfos e dos homens. O Um Anel, todavia, não foi destruído, mas perdido.

 

EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Senhor dos Anéis 135 A Terceira Era é um tempo de tensão e de medo, no qual os povos do Oeste encontram-se em decadência e Sauron, embora também enfraquecido, tenta recuperar sua forças, precisando do Anel desaparecido para obter sucesso.

As transcrições da obra foram retiradas da edição em três volumes, donde a respectiva paginação.

PROF. MONIR: Toda a transcrição indica a página de onde veio só para quem tem os três volumes separados. Para quem tem um volume só, não bate essa numeração aqui. Então, se vocês compreenderam bem, Tolkien divide a vida dessa sociedade mítica que ele criou em quatro eras: a era que vai começar depois que o livro acaba; a era cujo final ele relata. E ele faz menções à primeira e segunda eras também. A ideia de dividir em quatro eras não é incomum. É assim que todas as grandes tradições místicas dividem o mundo. São os quatro yugas do hinduísmo, por exemplo. São as quatro eras – ouro, prata, bronze e ferro da religião greco-romana. Tolkien é um sujeito erudito. Não é um fulano que fez esse negócio num transe. Ele sabe tudo isso. Então ele irá, na medida do possível, utilizar a tradição que já existe. Não irá inventar a estruturação do assunto. O que há aí é o final da terceira era, e o início da quarta. Do ponto de vista comparativo com as tradições, estamos no final da quarta era. Todas as tradições nos dirão que a idade atual do mundo é o Kali Yuga ou a Era do Ferro. Estamos aqui hoje no final da quarta era. Portanto, o que estamos vivendo é o final daquilo que começaria quando acaba a história de O Senhor dos Anéis. O que ele vai nos contar é como é que a terceira era termina.

A personagem má é Sauron, que é uma entidade maligna e a personagem heroica da história chama-se Frodo Bolseiro, que é um hobbit. Vocês já

136 Professor José Monir Nasser devem ter percebido – fazendo aquela leitura de profundidade – que há um contraste entre um extraordinariamente poderoso feiticeiro, um ser de poderes muito grandes, e um pequeno hobbit, que é quase menos que um anão, um sujeito pequeno, sem poderes. Esses são os dois que estarão em luta durante todo o tempo: Frodo e Sauron.

E começa o primeiro comentário.

Prefácio

O livro não é nem alegórico nem se refere a fatos contemporâneos. (pág. 14)

PROF. MONIR: Porque ele não quer escrever um livro como C.S. Lewis escreveu. Ele não quer que vocês pensem, por exemplo, que Sauron é Hitler, que os hobbits são os ingleses. Um interpretação alegórica seria mais ou menos assim. Ou seja, seria disfarçar a história contemporânea com figuras ficcionais. Ele acha que esse é o defeito de C.S. Lewis e ele não iria fazer igual. Então nós não vamos nunca debater essa alegoria aqui porque logo no começo o próprio autor está dizendo que não está interessado em fazer alegoria nenhuma. Compreenderam o que é uma alegoria? Ele não faz isso. A obra não é alegórica. Ele está dizendo que não é. Então nós não vamos por este caminho, porque este caminho parece sem futuro.

Prólogo

O prólogo introduz a história, a geografia e os costumes dos hobbits e de sua terra, o Condado. O Livro Vermelho do Marco Ocidental é apresentado como fonte principal da história. O livro teria começado a ser escrito por Bilbo (o

EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Senhor dos Anéis 137 primeiro hobbit a ficar famoso e protagonista de O Hobbit, obra anterior de Tolkien) e terminado pelo próprio Frodo Bolseiro, o herói desta história.

PROF. MONIR: Esse Bilbo é parente do Frodo. É tio dele. Tem aqui uma coisa importante. De modo geral considera-se esta obra como continuação da obra O Hobbit, o que não é rigorosamente correto. Na verdade, O Hobbit é anterior a O Senhor dos Anéis, mas O Senhor dos Anéis tomou uma dimensão muito diferente de O Hobbit. Então não são obras sequenciais, rigorosamente falando. Embora dentro de O Hobbit exista muita coisa que explique um pouco melhor O Senhor dos Anéis, não são exatamente um continuação do outro. Isso é importante saber para quem pretende depois estudar melhor isso.

Os hobbits são um povo provinciano e tímido, sem grande interesse pelo mundo externo ao Condado. A maior contribuição dos hobbits à cultura, dizem, teria sido a criação da erva de cachimbo.

ALUNO: Cadê a erva? (Risos.)

PROF. MONIR: É por isso que o pessoal queria saber do Tolkien “cadê a erva”.

São pequeninos e gulosos, e nunca usam sapatos pois seus pés são peludos e possuem solas muito resistentes.

PROF. MONIR: No filme usam, mas não vamos ficar aqui fazendo menções comparativas, não é? Mas os hobbits, em princípio, não usam sapatos.

Aqui também é resumida a história das aventuras do hobbit Bilbo Bolseiro, de como ele encontrou um anel nas profundezas de uma montanha, tomando-o 138 Professor José Monir Nasser numa competição de charadas da criatura chamada Gollum e de como descobriu que com ele podia tornar-se invisível.

PROF. MONIR: Tudo acontece em torno desse tal de anel, um dos dezenove anéis que Sauron havia produzido junto com ferreiros élficos, sendo que esse é um anel de poder extraordinário. Havia sido retirado da mão de Sauron. Um sujeito chamado lsildur cortou a mão de Sauron e ficou com o anel. Isso tudo aconteceu 3.000 anos antes da história que estamos lendo aqui. Durante 2.500 anos este anel esteve perdido no fundo de um lago. Aí 500 anos [antes da história], essa criatura chamada Gollum, que não se chamava assim naquela época, [havia achado] o anel e muitos anos depois, 60 anos antes da história mais ou menos, esse Bilbo Bolseiro – que é o tio do herói da história – conseguiu tomar o anel para si. Não sabendo, nem ele Bilbo, e nem o Gollum, quanto poder tinha o tal do anel. Mas Sauron, que ficou adormecido durante quase 3.000 anos, está recuperando suas forças e quer novamente tomar conta do mundo, e para fazer isso ele precisa recuperar o anel. A história toda que vamos ler agora trata dessa polêmica em torno de Sauron tentando pegar e Frodo tentando não entregar. Sob o ponto de vista narrativo é uma história muito simples. Claro que ela tem muitas reentrâncias, mas no fundo esse é o coração da história. Muito bem!

Livro I

Capítulo 1: Uma Festa muito Esperada

Passados 60 anos desde sua grande aventura (contada em O Hobbit), Bilbo Bolseiro tornou-se famoso por sua riqueza, extravagância e longevidade, bem como pelo fato de receber visitas de anões e elfos, o que era incomum no

EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Senhor dos Anéis 139 Condado. Mas há muito que Bilbo deseja partir novamente, rever as montanhas “e encontrar algum lugar onde possa descansar. Em paz e silêncio, sem um monte de parentes se intrometendo e uma fila de malditos visitantes na porta. Preciso encontrar um lugar onde possa terminar meu livro. Pensei num bom final para ele: e ele viveu feliz para sempre.”

PROF. MONIR: O Bilbo quer ir embora. Ele está ficando muito velho e quer ir embora.

Para comemorar seu 111º aniversário, juntamente com o 33º aniversário de Frodo, seu sobrinho e herdeiro, o velho Bilbo decide dar uma grande festa, para a qual muitos são convidados, incluindo o mago Gandalf, o Cinzento, que “usava um chapéu azul, alto e pontudo, uma longa capa cinza e um cachecol prateado. Tinha uma longa barba branca e sobrancelhas densas que sobressaíam da borda de seu chapéu” e trouxe muitos fogos de artifício. Após seu discurso, em que anuncia sua intenção de partir do Condado, Bilbo coloca o Anel no dedo e desaparece, causando grande espanto.

Antes de partir, Bilbo questiona Gandalf sobre a invisibilidade e outros poderes proporcionados pelo Anel, e deixa claras as exatas circunstâncias em que o encontrara. Bilbo deixa tudo que possui para Frodo, mas hesita na hora de entregar-lhe o Anel, dizendo:

– Eu o achei. Ele veio até mim.

– Sim, sim - disse Gandalf – Mas você não precisa ficar

furioso.

– Se estou furioso, a culpa é sua - disse Bilbo. – Ele é meu,

estou dizendo. Meu. Meu precioso. Sim, meu precioso.

140 Professor José Monir Nasser

O rosto do mago permaneceu grave e atento, e apenas

uma faísca nos olhos profundos demonstrou que ele

estava assustado e na verdade alarmado.

– Ele já foi chamado assim antes – disse ele. – Mas não por

você. (pág. 25)

PROF. MONIR: Quem chamava o anel assim era o tal do Gollum, que dizia: “My precious”. O monstrinho do filme é que falava assim. Quer dizer, esse anel, nós ficamos sabendo pela primeira vez – é claro que vocês todos sabem isso – tem poderes extraordinários de atração para quem o mantém. Quer dizer, a pessoa que o mantém, muito embora não saiba para que ele serve, tem uma tendência a não querer cedê-lo para ninguém. É o que acontece com Bilbo, que está se despedindo do Condado, deu tudo o que tinha para o herdeiro, que é o Frodo, e não quer largar o anel. Porque o anel tem algum magnetismo especial. Muito bem!

Bilbo, alterado, acusa Gandalf de querer roubar o Anel, mas logo volta a si e acaba convencido por Gandalf a deixar o artefato com Frodo.

– Sinto muito! – disse ele – Mas me senti tão estranho. E

apesar disso seria de certo modo um alívio não ter mais de

me preocupar com ele. Ele cresceu na minha mente nos

últimos tempos. Às vezes eu sentia que ele era um olho

me vigiando. Estou sempre sentindo vontade de colocá-

lo e desaparecer, sabe... E me perguntando se ele está a

salvo, e tocando nele para ter certeza. Tentei trancá-lo, mas

descobri que não podia descansar sem ele no bolso. Não

sei por quê. Parece que não consigo me decidir. (pág. 26)

EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Senhor dos Anéis 141 PROF. MONIR: Vocês percebem o quanto esse anel é uma coisa poderosa, não?

Capítulo 2: A Sombra do Passado

Passa-se período de cerca de dezessete anos em que Frodo raramente encontra Gandalf e torna-se próximo de certos hobbits mais jovens que ele, como Peregrin Tük e Merry Brandebuque. Durante este tempo, adquire “o costume de vagar até mais longe, na maioria das vezes sozinho” e “frequentemente era visto andando e conversando com os estranhos andarilhos que tinham começado a aparecer no Condado nessa época. Havia rumores sobre coisas estranhas acontecendo no mundo lá fora”. Aos poucos se espalham histórias sobre forasteiros circulando as terras do Condado, e se diz que o poder do Senhor do Escuro, no leste, tem aumentado.

PROF. MONIR: O leste é do outro lado do rio.

Gandalf regressa e revela ter descoberto que o Anel deixado por Bilbo é, em verdade, muito mais poderoso do que ele imaginava. Para prová-lo, arremessa o artefato na lareira, onde o fogo revela uma inscrição na língua de Mordor:

Um Anel para a todos governar, Um Anel para encontrá-los,

Um Anel para a todos trazer e na escuridão aprisioná-los.

(pág. 53)

PROF. MONIR: Poderia haver promessa mais sinistra do que essa? É um anel maligno que tem como objetivo básico prender as outras pessoas. Língua de Mordor: Mordor é essa região dominada pelo Sauron, entidade maligna.

142 Professor José Monir Nasser Fica do lado leste, do lado direito do rio. Então o anel aqui revelou qual é o seu verdadeiro sentido e Frodo, que até então tinha apenas recebido um presente, não sabia do que se tratava, começa a ser informado da sua missão, daquilo que terá de fazer.

Frodo aprende com o Mago que se trata do “Um Anel que ele (o Senhor do Escuro) perdeu há muito tempo, o que causou um grande enfraquecimento de seu poder. Ele o deseja muito – mas não deve obtê-lo”. Gandalf conta a Frodo a história do Anel, feito para controlar os outros Grandes Anéis (três anéis haviam sido feitos para os elfos, sete para os anões e nove para os homens) e sobre como, em uma batalha acontecida três mil e sessenta anos antes, “lsildur, filho de Elendil, cortou o Anel da mão de Sauron e tomou-o para si. Dessa forma Sauron foi subjugado e seu espírito fugiu e ficou escondido por muitos anos”. Isildur havia perdido o Anel em uma emboscada em que foi assassinado por orcs, mas o artefato acabou sendo encontrado dois mil e quinhentos anos depois da morte de Isildur no fundo de um rio por um jovem chamado Déagol15, de quem o Anel foi tomado por Sméagol que, desejando imensamente possuí-lo, matou o amigo e foi aos poucos consumido pelo Anel até transformar-se completamente.

PROF. MONIR: Esse Déagol e o Sméagol são criaturas parecidas com os hobbits. Não são exatamente hobbits, mas pessoas pequenas, como se fossem hobbits.

Sméagol tornou-se a solitária e perturbada criatura chamada Gollum, o que havia perdido o Anel para Bilbo sessenta anos antes, no decorrer de uma viagem de aventuras que Bilbo havia feito com um grupo de anões.

15 Nota do resumidor – Déagol e Sméagol pertencem a uma raça semelhante aos hobbits. EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Senhor dos Anéis 143 Nos últimos anos, tanto Gandalf quanto Sauron buscaram capturar e interrogar Gollum porque ele havia estado preso em Mordor.

PROF. MONIR: Sauron, que soube que Gollum tinha o anel, o andou prendendo. Como ele escapou de lá, tanto Gandalf quanto Sauron queriam saber onde estava o anel.

Sobre os efeitos do Anel, Gandalf conta que “um mortal ..., que possuir um dos Grandes Anéis não morre, mas também não se desenvolve ou obtém mais vida; simplesmente continua, até que no final cada minuto é puro cansaço. E se usar o Anel com frequência para se tornar invisível, ele desaparece: torna-se no fim invisível permanentemente, e anda no crepúsculo sob o olhar do poder escuro que governa os Anéis. Sim, mais cedo ou mais tarde – mais tarde se essa pessoa for forte ou tiver boa índole no início; mas nem a força e nem bons propósitos durarão –, mais cedo ou mais tarde o poder escuro irá dominá-la”. Quanto a Gollum, é certo que “o odiava e o amava (o Anel), da mesma forma como odiava e amava a si mesmo. Não podia se livrar dele. Nessa questão, não tinha mais vontade própria”, explica o mago, fazendo notar o quanto é difícil para qualquer um desfazer-se do Anel: “Até onde sei somente Bilbo em toda a história foi além de brincar, e realmente o entregou. Precisou de toda a minha ajuda, também. E mesmo assim ele nunca teria simplesmente abandonado o Anel, ou colocado de lado. Não foi Gollum, Frodo, mas o próprio Anel que decidiu as coisas. O Anel o deixou”.

Após ouvir a história, Frodo, assustado, lamenta que Bilbo não tenha matado Gollum quando teve chance. Nisto, porém, é repreendido pelo Mago.

– Gandalf, meu melhor amigo, que devo fazer? Pois agora

estou realmente com medo. Que devo fazer? É uma 144 Professor José Monir Nasser

pena que Bilbo não tenha apunhalado aquela criatura vil,

quando teve a chance!

– Pena? Foi justamente Pena que ele teve. Pena e

Misericórdia: não atacar sem necessidade. E foi bem

recompensado, Frodo. Tenha certeza de que ele foi tão

pouco molestado pelo mal, e no final escapou, porque

começou a possuir o Anel desse modo. Com Pena.

– Sinto muito – disse Frodo. – Mas estou com medo; e não

sinto nenhuma pena de Gollum.

– Você não o viu – Gandalf interrompeu.

– Não vi e não quero ver – disse Frodo. Não consigo

entender você. Quer dizer que você e os elfos deixaram-no

viver depois de todas as coisas horríveis que fez? Agora,

de qualquer modo, ele é tão mau quanto um orc, e um

inimigo. Merece a morte.

– Merece! Ouso dizer que sim. Muitos que vivem merecem

a morte. E alguns que morrem merecem viver. Você pode

dar-lhes vida? Então não seja tão ávido para julgar e

condenar alguém à morte.

PROF. MONIR: Esse pedaço é bem importante. Gandalf, o mago que mais ou menos representa a sabedoria, está dizendo para Frodo, rebelado contra Gollum, que ele não pode dar a vida a ninguém – portanto não tem o direito de tirar a vida de ninguém. Muitas pessoas que morreram deveriam viver. Como ele não pode fazer isso, não tem o direito de matar quem merece morrer. É uma lição de sabedoria para o Frodo, que não é criança – ele tem 33 anos. Ele é pequenininho, mas é um sujeito jovem. Os hobbits ficam muito mais velhos. Ele é alguém entrando na vida adulta, para um hobbit.

EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Senhor dos Anéis 145

Pois mesmo os muito sábios não conseguem ver os dois

lados. Não tenho muita esperança de que Gollum possa

se curar antes de morrer, mas existe uma chance. E ele está

ligado ao destino do Anel. Meu coração me diz que ele

tem ainda algum tipo de função a desempenhar, para o

bem ou para o mal, antes do fim; e quando a hora chegar,

a pena de Bilbo pode governar o destino de muitos – e o

seu também. (pág. 62)

PROF. MONIR: O fato de que o Gollum não foi morto pode ser decisivo para que as coisas tomem determinado paradeiro. É isso que Gandalf está dizendo para ele. No fundo, para prestar atenção e não ser simplista.

Frodo oferece o Anel a Gandalf, mas o Mago recusa, argumentando que se ele o usasse, tornar-se-ia demasiadamente poderoso e acabaria corrompido por seu poder, ainda que o desejasse para o bem.

PROF. MONIR: Reparem que o mago não quer pegar o anel na mão. O mago não aceita o anel.

Alertado de que o Anel – que só pode ser destruído no local onde foi forjado – “está tentando voltar para seu Mestre” e que não é mais seguro mantê-lo no Condado, Frodo decide partir. Gandalf aprova a decisão e o aconselha a ir o quanto antes até a cidade élfica de Valfenda, o que anima o Hobbit, “tomado pelo desejo de ver a casa de Elrond Semi-elfo e respirar o ar daquele vale profundo, onde grande parte do Belo Povo ainda vivia em paz.”

 

146 Professor José Monir Nasser PROF. MONIR: Esses elfos são muito bonitos. São seres especialíssimos. Têm habilidades extraordinárias. São imortais. Elrond é o senhor da cidade élfica de Valfenda, para onde Frodo irá em primeiro lugar, a conselho do Gandalf, que é o mago.

O Mago lembra-o de que não precisa ir sozinho e parte para pedir conselhos a Saruman, o Branco, chefe de sua ordem de magos, pedindo a seu pequeno amigo que o esperasse até setembro daquele ano, o mês do aniversário de Bilbo.

– Gostaria que isso não tivesse acontecido na minha

época - disse Frodo.

– Eu também – disse Gandalf. – Como todos os que vivem

nestes tempos. Mas a decisão não é nossa. Tudo o que

temos de decidir é o que fazer com o tempo que nos é

dado. (pág.54)

PROF. MONIR: Quem fala exatamente a mesma coisa, com outras palavras, é Hamlet. Em Hamlet, quando a personagem central dá-se conta, quando o fantasma diz a ele que o pai dele tinha sido assassinado, ele diz assim: “Maldito o tempo em que eu nasci para consertar o mundo”. Mas alguém tinha que fazer. A mesma coisa acontece aqui. Há uma inspiração shakespeariana clara nesse trecho. Então Gandalf diz para Frodo ir com o anel para Valfenda e ele mesmo vai visitar Saruman – que não é a mesma coisa que Sauron, cuidado quem não leu o livro. Sauron é a entidade maligna que está se fortalecendo. Saruman é o mago chefe da ordem dos magos a qual pertence Gandalf. Então, não são a mesma pessoa.

 

EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Senhor dos Anéis 147 Capítulo 3: Três não é Demais

Frodo hesita em partir e antes vende suas terras no Bolsão (para uma parente desagradável chamada Lobélia) e compra uma casa nova em Cricôncavo, na Terra dos Buques, uma região mais afastada onde havia passado a infância. Na mudança, é acompanhado por seu amigo e jardineiro Samwise Gamgi (que havia sido flagrado por Gandalf enquanto escutava a conversa pela janela, e acabou obrigado a ajudar Frodo em sua missão) e seus amigos Peregrin (chamado de Pippin) e Meriadoc (a quem chamam de Merry), aos quais nada contou sobre o Anel.

Durante a viagem para a Terra dos Buques, nos limites do Condado, os hobbits percebem estar sendo seguidos por cavaleiros negros, mas, com cuidado, conseguem viajar sem serem vistos por eles.

PROF. MONIR: Todos entenderam que são quatro hobbits que estão agora em viagem: Frodo, Sam - que ficou lá espionando e foi obrigado a ir junto – e esses outros dois aí, cujos apelidos são Pippin e Merry. São quatro hobbits indo para Valfenda.

Na primeira noite encontram um grupo de altos-elfos com quem acampam e conversam. Seu líder, Gildor Inglorion, aconselha Frodo a alcançar Valfenda o quanto antes, apesar de Gandalf ainda não ter aparecido. No segundo dia de viagem por pouco escapam de um cavaleiro negro, cuja proximidade parece despertar em Frodo desejo súbito de colocar o Anel no dedo. Frodo começa a se preocupar com Gandalf, pois “setembro estava passando, e ainda nenhuma notícia dele. O Aniversário, e a mudança, se aproximavam, e mesmo assim ele não veio nem enviou recado”.

148 Professor José Monir Nasser No caminho, lembram-se das aventuras de Bilbo que “costumava sempre dizer que só havia uma Estrada, que se assemelhava a um grande rio: suas nascentes estavam em todas as portas, e todos os caminhos eram seus afluentes.”

PROF. MONIR: É necessário dizer o quão importante é este pedacinho aqui. Bilbo dizia que só há uma única estrada e as outras são todas afluentes desta única estrada. Isso a gente guarda para discutir no final. Mas é um momento importantíssimo da história.

– É perigoso sair porta afora, Frodo – ele costumava dizer – você pisa na Estrada, e, se não controlar seus pés, não há como saber até onde você pode ser levado. Você percebe que é exatamente esse o caminho que atravessa a Floresta das Trevas, e que, se você deixar, poderá levar você até a Montanha Solitária muito mais além, e para lugares piores?

Capítulo 4: Um Atalho para Cogumelos

Pegando um atalho para o rio Brandevin, Frodo e seus amigos passam primeiro pela propriedade do hobbit fazendeiro Magote que lhes conta ter sido questionado por um estranho cavaleiro negro a respeito de um certo Bolseiro. O fazendeiro, que aparenta ter habilidades especiais, lhes oferece cogumelos e os ajuda a seguir viagem, levando-os em sua carroça, mas os aconselha a não deixar o Condado.

Capítulo 5: Conspiração Desmascarada

Ao cruzar Brandevin e chegar à nova casa de Frodo no Cricôncavo, os hobbits percebem mais uma figura negra. Frodo conta a Merry e Pippin sobre o

EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Senhor dos Anéis 149 Anel e declara que pretende continuar viagem, mesmo sem Gandalf. Estes, surpreendentemente, parecem já saber tudo sobre a história e decidem acompanhá-lo, ajuda que Frodo aceita, apesar de estar receoso em submeter os amigos aos perigos que enfrentará. Merry e Pippin ficam muito animados com a ideia da viagem e cantam uma canção que compuseram:

Adeus vamos dar à casa e ao lar!

Pode chover e pode ventar,

Vamos embora antes da aurora,

Mata e montanha atrás vão ficar.

A Valfenda vamos onde elfos achamos

Em descampados e por entre ramos

Por trechos desertos seguimos espertos,

O que vem depois nós não divisamos.

Na frente o inimigo, atrás o perigo.

Dormindo ao relento, o céu por abrigo.

Até que por sina a dureza termina,

Finda a jornada, cumprido o castigo. (pág. 113)

Após celebrarem o aniversário de Frodo, decidem partir para Valfenda, mas, temendo os cavaleiros negros, entendem que “a única coisa a fazer é partir numa direção totalmente inesperada”, isto é, pela Velha Floresta “quase tão perigosa quanto os cavaleiros negros” e muitíssimo temida pela maior parte dos hobbits. Naquela noite, Frodo sonha estar em uma floresta escura (onde há animais procurando por ele), ouvindo o som do grande mar (que ele nunca viu). Sonha também com uma alta torre branca, que ele luta para escalar.

 

150 Professor José Monir Nasser PROF. MONIR: Quatro hobbits perseguidos por terríveis cavaleiros negros, levando o anel – que é o assunto do livro – para Valfenda. E agora decidem ir pelo caminho mais difícil, aquele que não se espera que eles tomem – até porque todos os caminhos são difíceis porque só há um, de acordo com Bilbo. Vão enfrentar agora a Floresta Velha.

Capítulo 6: A Floresta Velha

E as árvores não gostam de forasteiros.

Elas vigiam as pessoas. (pág. 117)

A atmosfera na floresta – que parece viva – é opressiva e as árvores parecem hostilizar os hobbits. Logo Frodo e seus companheiros perdem-se e, sempre que conseguem se reorientar, sentem as árvores alterando a direção da trilha. Atingindo o rio Voltavime, decidem descansar sob um velho e gigantesco salgueiro, mas estranhamente ficam muito sonolentos e todos adormecem encostados na árvore, exceto Sam, que havia ido verificar os pôneis. Ao retornar, encontrou seus amigos atacados pelo salgueiro, que arremessara Frodo no rio e capturara os outros com suas raízes. Não conseguindo soltar os companheiros, que vão sendo engolidos pela árvore, Sam e Frodo gritam por ajuda. Aparece um homem de casaco azul e botas amarelas que vem dançando e cantando pela estrada e que chama a si mesmo Tom Bombadil e ordena ao “salgueiro-homem” que solte os hobbits. A árvore obedece. Satisfeito, Tom convida os excursionistas para jantar com ele e sua esposa Fruta d’Ouro e, então, “com um aceno de mão foi pulando e dançando pela trilha em direção ao leste, ainda cantando alto uma canção que não fazia sentido”. Os hobbits o seguem.

 

EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Senhor dos Anéis 151 PROF. MONIR: Isso não está no filme. Suspeito que tenham tirado isso no filme porque não seria agradável para esta conversa ambientalista que tivesse uma árvore querendo comer os hobbits. Então, apenas para evitar alguma coisa politicamente incorreta. A natureza nem sempre é do jeito que os ambientalistas pensam que é. Às vezes a natureza é agressiva.

Capítulo 7: Na Casa de Tom Bombadil

“Mestre da madeira, da água e da colina” é a resposta de Fruta D’Ouro à pergunta de Frodo sobre a identidade de Tom. Durante a estadia na casa do casal, os hobbits participam de um grande jantar e, ao dormir, Frodo sonha com um homem sobre uma grande torre de pedra. Concordam em passar mais um dia na companhia de Tom, que lhes conta – de maneira poética, musical e enigmática – coisas sobre a floresta, sobre sua flora e fauna, bem como sobre a história da Terra-Média.

Contou-lhes histórias de abelhas e flores, do jeito de ser

das árvores e das estranhas criaturas da Floresta, sobre

coisas más e coisas boas, coisas amigas e hostis, coisas

cruéis e gentis, e sobre segredos escondidos sob os

arbustos espinhosos. Conforme escutavam, os hobbits

passaram a entender a vida da Floresta, separada deles;

na realidade, até começaram a se sentir estranhos, num

lugar onde todos os outros elementos estavam em casa.

Entrando e saindo da conversa, sempre estava o Velho

Salgueiro-homem, e Frodo pôde aprender o suficiente

para satisfazer sua curiosidade, na verdade mais que

suficiente, pois o assunto não era fácil. As palavras de Tom

152 Professor José Monir Nasser

desnudavam o coração e o pensamento das árvores, que

sempre eram obscuros e estranhos. (pág. 130)

PROF. MONIR: Então, a natureza é assim, não é? A natureza não é só boa. Essa história de que somos filhos da natureza... Nós não somos filhos da natureza! A natureza é nossa irmã, não somos filhos dela. Porque do mesmo modo que a natureza é nossa mãe, é também nossa madrasta, como dizia Chesterton. A natureza nos mata também. Então isso que está escrito aqui é a razão pela qual os produtores acharam imprudente colocar uma coisa dessas no filme, para não irritar o Greenpeace.

Bombadil alega ser o mais antigo de todos os habitantes daquela terra, dizendo dele mesmo que “já estava aqui antes do rio e das árvores; Tom se lembra da primeira gota de chuva e do primeiro broto de árvore. (...) Tom já estava, antes de os mares serem encurvados. Conheceu o escuro sob as estrelas quando não havia medo – antes de o Senhor do Escuro chegar de Fora.” Tendo perguntado a Frodo sobre o Anel, pediu para vê-lo e o colocou “na ponta de seu dedo mínimo, levando-o para perto da luz da vela. Por um momento, os hobbits não perceberam nada de estranho a respeito disso. Então ficaram pasmos. Nenhum sinal de Tom desaparecer.”

Após ouvir uma bela canção de Fruta D’Ouro, os hobbits partem, com o conselho de tomar muito cuidado na Colina dos Mortos. Tom ensina-lhes ainda uma rima para chamá-lo em caso de perigo.

Capítulo 8: Névoa nas Colinas dos Túmulos

Seguindo na direção norte, os hobbits não conseguem evitar passar pelos

EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Senhor dos Anéis 153 túmulos na colina. Ao meio-dia, param para descansar numa elevação com uma estranha e solitária pedra gelada em seu centro. Adormecem e, ao tentar seguir viagem, acabam se perdendo, como se as colinas os tivessem desorientado. Frodo pensa ver a saída, mas, ao dirigir-se para ela, percebe-se sozinho e acaba capturado por uma criatura tumular. Acorda dentro de uma cripta onde encontra seus companheiros inconscientes, adornados com ouro e joias e ameaçados por uma grande espada sobre seus pescoços. Frodo ouve uma estranha voz e vê uma grande mão movendo-se na direção de seus colegas. Embora tentado a usar o Anel (para ficar invisível e escapar), decide defender seus amigos com uma adaga que encontra por perto. Lembrando-se da rima, chama Tom que aparece e os salva, dissipando a criatura. Tom distribui o tesouro do espectro, dando uma adaga para cada hobbit e os conduz em segurança até o caminho para a cidade próxima de Bri, onde pretendem procurar por Gandalf. Na entrada da cidade, Frodo – seguindo um conselho do Mago – pede aos amigos que não mais se refiram a ele usando seu nome verdadeiro.

PROF. MONIR: Que é Frodo Bolseiro.

Capítulo 9: No Pônei Saltitante

Ao entrar no Pônei Saltitante, a principal hospedaria de Bri, encontram hobbits, anões e homens do sul que os recebem com curiosidade. Frodo anuncia sua chegada sob o nome falso de Monteiro. O estalajadeiro Carrapicho, ao ver os pequenos, parece lembrar-se de algo, embora não saiba dizer o que ao certo. Depois de se instalarem e jantarem, os quatro amigos juntam-se aos outros hóspedes no salão principal e rapidamente tornam-se o centro das atenções, já que em Bri são raros os visitantes vindos diretamente do Condado.

 

154 Professor José Monir Nasser Intrigado com certo cavaleiro, Frodo vai falar com Carrapicho que lhe revela tratar-se do viajante chamada Passolargo, “um dos errantes, os guardiões, como os chamamos” e que “suas pernas longas andam numa velocidade muito grande; mas ele não conta a ninguém o motivo de tanta pressa.” Enquanto isso, Pippin, embriagado, começa a falar mais do que devia no salão cheio de soturnos observadores. Frodo decide desviar a atenção dele, dançando e cantando em cima de uma mesa, mas acaba caindo e acidentalmente colocando o Anel (que entrou em seu dedo dentro do bolso), tornando-se invisível e assustando a todos. Frodo rapidamente reaparece de debaixo de uma mesa, mas os demais hóspedes passam a encará-lo com suspeita. O episódio atrai o guardião Passolargo, que se dirige ao portador do Anel, revelando saber o seu verdadeiro nome, bem como a causa do seu desaparecimento. Passolargo parece saber muito sobre os estranhos cavaleiros que vêm perseguindo os hobbits e os alerta a não confiarem nos outros hóspedes, pois havia visto alguns deles envolvidos com cavaleiros negros. Carrapicho pede uma conversa particular com Frodo.

PROF. MONIR: Nesse momento aparece uma personagem importantíssima na história, chamado Passolargo, que é um guardião, um sujeito solitário, muito habilidoso, com habilidades marciais muito grandes, muito corajoso e que sabe de toda a história. Esse Passolargo não irá mais largar os hobbits, daí para frente. E vamos ver como é que ele se apresenta de fato.

Capítulo 10: Passolargo

Carrapicho finalmente lembra de ter se esquecido de enviar uma carta que Gandalf havia deixado para certo hobbit chamado Frodo Bolseiro. Frodo rapidamente revela sua identidade e, ao ler a carta, descobre que Gandalf, tendo percebido o perigo que se aproximava, havia pedido a eles que saíssem

EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Senhor dos Anéis 155 do Condado com urgência (dois meses antes da data em que efetivamente saíram) e se dirigissem para Valfenda, prometendo juntar-se a eles assim que pudesse. Ironicamente, na mensagem, há advertência contra a falta de memória de Carrapicho. O Mago ainda relembra Frodo de não usar o Anel em hipótese alguma, e que um guardião chamado Passolargo, cujo verdadeiro nome é Aragorn, é amigo e pode ajudá-los. Mas “certifique-se de que se trata do verdadeiro Passolargo. Há muitos homens estranhos na estrada. Seu nome verdadeiro é Aragorn. Nem tudo que é ouro fulgura, Nem todo o vagante é vadio. O velho que é forte perdura, raiz funda não sofre o frio. Das cinzas um figo há de vir. Das sombras a luz vai jorrar; a espada há de, nova, luzir, o sem-coroa há de reinar.” Irritado com os problemas causados pelo desmemoriado Carrapicho, Frodo conversa com Passolargo que oferece seus serviços como guia. Embora ainda desconfiados, os hobbits aceitam a oferta e, aconselhados pelo Guardião do Norte (o Passolargo), passam a noite em outro local que não nos quartos designados a eles.

PROF. MONIR: Então esse Passolargo está sendo indicado pelo Gandalf como sendo alguém para ajudá-los, e diz a eles que não podem dormir nos quartos designados. Resolvem que os hobbits passarão a noite naquela estalagem, mas num quarto diferente. E à noite acontece o que se previa que fosse acontecer, ou seja, houve uma tentativa de atacá-los.

Continuar: parte 4 de 4