A Morte de Ivan Ilitch, O Senhor dos Anéis: Expedições pelo Mundo da Cultura
Capítulo XII
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 4 partes.
Capítulo 11: Uma Faca no Escuro
Na manhã seguinte, os hobbits descobrem que seus quartos tinham sido invadidos e quase destruídos. (Os cavaleiros negros haviam arrombado a nova casa de Frodo em Cricôncavo e, não o encontrando, tinham seguido para Bri.) Felizmente, estavam seguros em outro local, mas todos os pôneis pareciam ter
156 Professor José Monir Nasser sido soltos à noite e fugido assustados, pelo que os pequenos acabam sendo obrigados a comprar de Bill Samambaia, tipo velhaco, um pônei magricela e faminto por preço exorbitante. Guiados por Aragorn e levando o máximo de mantimentos, seguem com pressa para Valfenda, sob os olhos curiosos da cidade inteira.
Buscando evitar os cavaleiros negros, Passolargo os leva por um caminho pantanoso no qual sofrem muito com insetos, mas chegam à colina Topo do Vento e deduzem que Gandalf havia acampado ali (havia uma runa élfica recentemente gravada em uma pedra). Na colina, onde uma vez houvera importante torre de vigia, restavam apenas ruínas.
Acampam ali para a noite e Aragorn conta-lhes muitas histórias e fala sobre os cavaleiros, explicando-lhes que “eles não conseguem enxergar o mundo da luz como nós, mas nossas formas lançam sombras em suas mentes, que apenas o sol do meio-dia pode destruir; e no escuro eles percebem muitos sinais e formas que ficam escondidos de nós: nessas ocasiões é que devemos receá-los mais. E a qualquer hora, sentem o cheiro do sangue de criaturas vivas, desejando-o e odiando-o. Sentidos também existem outros além da visão e do olfato. Podemos sentir a presença deles – preocupa nossos corações desde que chegamos aqui, e antes que os víssemos; eles sentem a nossa presença de forma mais aguda. Além disso – acrescentou ele, e nesse momento sua voz se reduziu a um sussurro, – o Anel os atrai.”
Naquela noite, são atacados por cinco cavaleiros negros. Passolargo e os hobbits resistem bravamente, mas
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a resistência se tornou insuportável, e finalmente (Frodo)
tirou a corrente devagar e colocou o Anel no dedo
indicador da mão esquerda. Imediatamente, embora tudo
continuasse como antes, escuro e sombrio, as figuras se
tornaram terrivelmente claras. Frodo podia ver através de
suas roupas pretas. Havia cinco figuras altas: duas em pé,
na saliência do valezinho, três avançando. Nos seus rostos
brancos brilhavam olhos agudos e impiedosos; sob as
capas havia grandes túnicas cinzentas; sobre os cabelos
cinzentos, elmos de prata; nas mãos magras, espadas de
aço. Seus olhos caíram sobre ele e o penetraram enquanto
corriam na sua direção. (pág. 209)
Frodo assusta os cavaleiros ao invocar nomes élficos (“O Elbereth! Gilthoniel!”) e atinge o pé do líder com sua adaga, mas acaba ferido por um golpe de espada e cai inconsciente, logo após remover o Anel.
PROF. MONIR: Então aí vocês ficam sabendo que há um ataque, o primeiro ataque verdadeiro dos cavaleiros contra a excursão. São cinco agora: quatro hobbits e mais Passolargo, que se chama na verdade Aragorn. Os cavaleiros os atacam e Frodo descobre que quando ele põe o anel no dedo é facilmente identificado pelos cavaleiros, que são espectros, não são pessoas reais e que, portanto, têm dificuldades em enxergar as coisas em volta deles. Frodo sai ferido dessa história, gravemente ferido, embora tenha também ferido um dos cavaleiros. E vamos ver agora se o nosso herói Frodo se salva para cumprir a missão que lhe será confiada.
158 Professor José Monir Nasser Capítulo 12: Fuga para o Vau
Frodo acorda enfraquecido e descobre que, graças à bravura de Passolargo, os cavaleiros haviam sido espantados. Com a ajuda de ervas colhidas por Sam, Aragorn prepara tratamento emergencial para os ferimentos de Frodo, mas adverte-o de que o veneno da lâmina de um cavaleiro negro é fatal e que uma cura verdadeira só poderia ser obtida em Valfenda.
Os dias que se seguem são cansativos. A saúde de Frodo deteriora-se progressivamente, mas cruzando o rio Fontegris e reconhecendo uma região descrita por Bilbo em sua primeira aventura (encontram dois tróis transformados em estátuas), alegram-se um pouco. Na estrada que conduz ao rio Bruinen (que passa por Valfenda) encontram o senhor élfico Glorfindel, enviado por Elrond, o Sábio, para auxiliá-los. Frodo, cada vez pior, é levado no cavalo do elfo. Tudo parece correr bem, mas, ao aproximar-se do vau do Bruinen – e da entrada para Valfenda – o grupo é atacado pelos nove cavaleiros negros reunidos. Graças ao veloz corcel branco de Glorfindel e a uma súbita inundação do Bruinen (provocada por Elrond com a ajuda de Gandalf ), os cavaleiros são arrastados rio abaixo. Frodo chega a salvo, mas muito doente, na fortaleza élfica.
Livro II
Capítulo 1: Muitos Encontros
Frodo desperta em Valfenda, quase inteiramente curado graças às habilidades medicinais do senhor da cidade, Elrond, que removeu um pedaço da lâmina negra alojada em seu ombro e que lentamente movia-se em direção do coração. Em celebração à vitória contra os cavaleiros negros, que ficariam um tempo
EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Senhor dos Anéis 159 desativados, os hobbits são convidados de honra em um banquete. Além de conhecer a belíssima filha de Elrond, Arwen Undómiel (Estrela Vespertina), bem como o anão Glóin, antigo companheiro de Bilbo, reencontram o próprio Bilbo, que havia passado ali os últimos anos.
PROF. MONIR: Lembram que Bilbo tinha saído, entregou tudo para o menino e foi embora? Bilbo foi parar em Valfenda, onde eles o encontram agora.
Gandalf conta aos hobbits sobre a verdadeira natureza dos cavaleiros negros, ensinando que são conhecidos, em élfico, como nazgûls ou espectros do Anel, e que são os nove reis dos homens que se tornaram mortos-vivos quando Sauron lhes deu os nove Grandes Anéis e passou a controlá-los.
Bilbo e Frodo conversam sobre suas aventuras e o velho hobbit pede para dar uma olhada em seu antigo Anel, estendendo a mão para tocá-lo, “mas Frodo rapidamente afastou o Anel. Para sua tristeza e espanto, viu que não olhava mais para Bilbo; uma sombra parecia ter caído entre os dois, e através dela Frodo passou a ver uma criatura pequena e enrugada, com um rosto faminto e mãos ossudas e ávidas. Sentiu um desejo de bater nela. A música e a cantoria ao redor pareceram sumir, e um silêncio caiu. Bilbo olhou rápido para o rosto de Frodo, e passou a mão sobre seus olhos.” Assustado com seu próprio comportamento, Bilbo desculpa-se e ambos vão dormir e descansar para o grande conselho que aconteceria no dia seguinte:
– Entendo agora – disse ele. – Guarde-o! Sinto muito: sinto
por você ter entrado nessa história para carregar um fardo
tão pesado: sinto por tudo. As aventuras nunca acabam?
Acho que não. Outra pessoa sempre tem de continuar a
história. (pág. 245)
160 Professor José Monir Nasser PROF. MONIR: Na hora em que Bilbo viu a perspectiva de recuperar o anel, ele tenta pegar de volta. Aí ele percebe que não podia fazê-lo. Então o anel de fato tem um poder hipnótico. É o poder de controlar quem quer que se aproxime dele. No dia seguinte à chegada em Valfenda, há um conselho com todos os grandes representantes das raças livres para saber o que vão fazer com este anel, afinal de contas. Estavam lá, então, os quatro hobbits com o anel, mais Gandalf e mais os outros representantes. Vamos ver então, como é que isso acontece. É claro que no filme existe um romance muito grande entre Aragorn e Arwen. Esse romance não está no livro. No livro há uma sugestão de simpatia mútua, mas pouquíssimo romance entre Arwen e Aragorn nesse momento aí. No filme isso foi completamente modificado.
ALUNA: (Faz comentário.)
PROF. MONIR: Pois é. Não há praticamente menções a um romance entre Arwen e Aragorn, embora no filme a cena dure cinco minutos. É claro que o cinema procura explorar os detalhes eróticos das coisas, mas aqui não seria o caso.
Capítulo 2: O Conselho de Elrond
PROF. MONIR: Elrond é uma espécie de sábio. Ele é um elfo antigo, velho, sábio, pai da moça. É ele que agora vai conduzir a conversa.
Pela manhã, os Bolseiros são convocados para o Conselho onde se reúnem representantes de todas as raças livres do Oeste (Sam vai sem ser convidado). Lá estão Elrond, Gandalf, Glóin, Glorfindel e Aragorn além dos recém-chegados Legolas, filho do rei dos elfos silvestres, e Boromir, filho do regente do reino de Gondor.
EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Senhor dos Anéis 161 PROF. MONIR: Reino de Gondor é um daqueles reinos ali, fica à esquerda de Mordor. Mordor é o reino que está dominado por Sauron. Gondor é um dos reinos livres – ainda livres – daquela época.
Muitas são as notícias de atividade guerreira crescente em Mordor. Glóin demonstra-se preocupado com o destino do rei-anão Balin, de quem não se tinha notícias desde que partira, anos antes, em missão para restabelecer o reinado dos anões nas minas de Moria, sob as Montanhas Sombrias. Glóin conta ainda que mensageiros de Mordor haviam vindo aos reinos dos anões oferecendo-lhes aliança (e até mesmo novos Grandes Anéis) e buscando informações sobre os hobbits e o Anel.
Elrond, o Sábio, que lutara na última grande guerra contra Sauron,
PROF. MONIR: 3.000 anos antes.
conta a história dos Grandes Anéis, desde sua criação na Segunda Era até a batalha em que Isildur cortara a mão de Sauron, tomando o Anel para si e subsequentemente perdendo-o, ao que se seguiu grande declínio das terras dos homens do Oeste, com o abandono de inúmeros reinos e o progressivo enfraquecimento de outros, como Gondor. Boromir informa que Gondor estava sofrendo muitas derrotas para orcs vindos de Mordor e pergunta pelo paradeiro dos restos da espada de Elendil, a arma usada por Isildur para cortar a mão de Sauron três mil anos antes. Neste momento, Aragorn revela a todos ser o herdeiro de Isildur e guardião dos restos da espada, que havia sido quebrada durante a Grande Batalha.
PROF. MONIR: Essa batalha em que um antepassado de Aragorn cortou a
162 Professor José Monir Nasser mão de Sauron, 3.000 anos antes, e pegou o anel. Aí ele é emboscado pelos orcs, uns sujeitos desagradáveis, e naquela briga ele acaba caindo no rio. Assim fica perdido o anel, até ser reencontrado e acabar na mão de Frodo, ali naquele momento.
Também Frodo e Bilbo relatam suas experiências com o Anel e Gandalf explica como descobrira que se tratava do Um Anel pesquisando nos arquivos da biblioteca de Minas Tirith, em Gondor.
PROF. MONIR: Capital de Gondor, Minas Tirith.
Narra também seu encontro com o chefe de sua ordem de magos, Saruman, o Branco. Gandalf conta ter descoberto que Saruman corrompera-se e se tornara aliado de Sauron. Tendo protestado contra a traição de Saruman, Gandalf foi derrotado por ele em um duelo e aprisionado na torre de Isengard (daí o seu atraso), mas havia sido salvo por Gwaihir, a grande águia, que o levara à terra dos cavaleiros de Rohan de onde regressara montado em Scadufax, o mais veloz dos cavalos.
Várias propostas são feitas sobre o que fazer com o Um Anel: Erestor, um senhor elfo, sugere que o Anel seja entregue a Tom Bombadil, enquanto Boromir sugere que o Anel seja usado para lutar contra Sauron. Todas as ideias são rejeitadas por Gandalf, que insiste em destruir o Anel nos fogos de Orodruin, na Montanha da Perdição, no coração de Mordor, onde havia sido forjado.
– Então voltamos novamente à destruição do Anel –
disse Erestor. – E mesmo assim, ainda estamos onde
começamos. Que força possuímos para encontrar o Fogo
EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Senhor dos Anéis 163
no qual foi feito? Esse é o caminho do desespero. Da tolice,
eu diria, se a longa sabedoria de Elrond não me proibisse.
PROF. MONIR: Este Erestor, que é um elfo, não acha boa ideia destruir o anel. Como se faz isso? É muito difícil. Como o anel tem poderes, a ideia mais comum é que se use os poderes para lutar contra o próprio Sauron. Mas essa é uma ideia contra a qual está Gandalf. Vamos ver como é que continua a conversa.
– Desespero, ou tolice? – disse Gandalf – Desespero não,
pois o desespero é para aqueles que enxergam o fim
como fato consumado. Não, não. É sábio reconhecer a
necessidade, quando todas as outras soluções já foram
ponderadas, embora possa parecer tolice para aqueles
que têm falsas esperanças. Bem, que a tolice seja nosso
disfarce, um véu diante dos olhos do Inimigo! Pois ele é
muito sábio, e pondera todas as coisas com exatidão nas
balanças de sua malícia. Mas a única medida que conhece
é o desejo, desejo de poder; e assim julga que são todos
os corações.
PROF. MONIR: Olha que coisa importante! Ele está dizendo assim: “Ora, Sauron julga que todo o mundo quer o poder do anel como ele quer; ele não é capaz de entender que alguém não o queira. Pois a nossa opção por destruir o anel e abandonar esse poder jamais será considerada por Sauron, que não acha que alguém nesse mundo com o mínimo de inteligência faria isso.” Entenderam o que o Gandalf está argumentando? Que a única coisa que o Sauron não acha que eles vão fazer é destruir o anel.
164 Professor José Monir Nasser
– Seu coração não cogita a possibilidade de qualquer um
recusá-lo; de que, tendo o Anel em mãos, vamos procurar
destruí-lo. Se tentarmos fazer isso, vamos despistá-lo.
– Pelo menos por um tempo – disse Elrond. – A estrada
deve ser percorrida, mas será muito difícil. E nem a força
nem a sabedoria nos levarão muito longe, caminhando
por ela. Essa busca deve ser empreendida pelos fracos
com a mesma esperança dos fortes. Mas é sempre assim
o curso dos fatos que movem as rodas do mundo: as
mãos pequenas os realizam porque precisam, enquanto
os olhos dos grandes estão voltados para outros lugares.
(pág. 285)
PROF. MONIR: É por isso que uma pessoa pequeníssima, um hobbit, é escolhido para tomar para si uma tarefa complicada como essa.
Elrond parece sugerir que esta tarefa compete a Bilbo, mas Frodo se apresenta como voluntário para levar o Anel, com o que Gandalf e Elrond concordam. Frodo declara:
– Levarei o Anel – disse ele, – embora não conheça o
caminho. Elrond levantou os olhos e olhou para ele, e
Frodo sentiu o coração devassado pela agudeza daquele
olhar.
– Se entendo bem tudo o que foi dito, – disse ele – penso
que essa tarefa é destinada a você, Frodo; e que, se você
não achar o caminho, ninguém saberá. É chegada a hora
do povo do Condado, quando deve se levantar de seus
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campos pacíficos para abalar as torres e as deliberações
dos Grandes. Quem, entre todos os Sábios, poderia prever
isto? Ou, se são mesmo sábios, por que deveriam esperar
sabê-lo, até que a hora chegasse?
– Mas o fardo é pesado. Tão pesado que ninguém poderia
impô-lo a outra pessoa. Não o imponho a você. Mas se
o toma livremente, direi que sua escolha foi acertada; e
se todos os poderosos amigos-dos-elfos de antigamente,
Hador, e Húrin, e Túrin, e o próprio Beren, estivessem
reunidos juntos, haveria um lugar para você entre eles.
(pág.287)
PROF. MONIR: Para você dominar todos estes nomes, teria que ler várias vezes o trabalho. Porque há um mundo enorme inventado por Tolkien que fica meio difícil de gravar para quem está apenas lendo um livro entre outros.
Capítulo 3: O Anel Vai para Sul
A Sociedade do Anel é assim formada por Frodo e mais oito companheiros: seus amigos hobbits Sam, Merry e Pippin, mais o guardião errante Aragorn, o mago Gandalf, o elfo Legolas, o anão Gimli e o humano Boromir. Reproduzindo velhos desentendimentos entre anões e elfos, Legolas e Gimli suspeitam um do outro. A inclusão dos hobbits no grupo não ocorreu sem polêmica. Gandalf acabou influenciando a decisão.
PROF. MONIR: Não era para os hobbits irem junto, a não o ser Frodo. Mas aí eles vão armar um escândalo e vão acabar indo junto também.
166 Professor José Monir Nasser
– A Comitiva do Anel deverá ser composta de Nove; e
os Nove Andantes devem ser colocados contra os Nove
Cavaleiros, que são maus.
PROF. MONIR: São nove cavaleiros negros e nove brancos, estes aqui.
Com você e seu fiel servidor, Gandalf deve partir, pois esta
será sua maior tarefa, e talvez o fim de seus trabalhos.
PROF. MONIR: Até o fim da sua vida.
– Quanto aos restantes, devem representar os Povos
Livres do Mundo: elfos, anões e homens. Legolas irá
representando os elfos, e Gimli, filho de Glóin, representará
os anões. Estão dispostos a ir no mínimo até as passagens
das Montanhas, e talvez mais além. Representando os
homens, você terá Aragorn, filho de Arathorn, pois o Anel
de Isildur é de grande interesse para ele.
– Passolargo! – disse Frodo.
PROF. MONIR: Porque para Frodo, Aragorn é Passolargo. Então aqui nesse momento a gente pode passar para a página seguinte. Está aqui, então, a despedida, Elrond dizendo que está estabelecida a sociedade do anel. E aí começa a discussão.
– Sim – disse ele com um sorriso. – Peço novamente
permissão para ser seu companheiro, Frodo.
– Eu teria implorado que viesse comigo – disse Frodo –,
EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Senhor dos Anéis 167
mas pensei que você iria para Minas Tirith com Boromir.
– E irei – disse Aragorn. – E a Espada-que-foi-Quebrada
deverá ser reforjada antes que eu parta para a guerra. Mas
sua estrada e a nossa serão a mesma por muitas centenas
de milhas. Portanto, Boromir também estará na Comitiva.
É um homem valoroso.
– Restam mais dois – disse Elrond. – Nesses ainda vou
pensar. Em minha própria casa poderei encontrar alguém
que me agrade.
– Mas assim não restará lugar para nós! – gritou Pippin
desanimado.
– Não queremos ficar para trás. Queremos ir com Frodo.
– Isso porque vocês não entendem e não imaginam o que
os espera pela frente – disse Elrond.
– Nem Frodo – disse Gandalf, inesperadamente apoiando
Pippin. – Nem qualquer um de nós pode enxergar
claramente. É verdade que se esses hobbits entendessem
o perigo não ousariam ir. Mas ainda assim desejariam ir,
ou desejariam ousar, ficando envergonhados e infelizes.
Eu acho, Elrond, que nessa questão seria bom confiar mais
na grande amizade deles do que na grande sabedoria.
Mesmo que escolha para nós um senhor élfico, como
Glorfindel, ele não poderia abalar a Torre Escura, nem abrir
a estrada que conduz ao Fogo, por meio dos poderes que
tem. (pág. 294)
168 Professor José Monir Nasser Comandos são enviados para investigar a movimentação das forças de Mordor. Bilbo presenteia Frodo com sua velha espada, Ferroada, capaz de anunciar a presença de orcs, e uma cota de malha de mithril16 confeccionada pelos anões.
PROF. MONIR: Todo mundo sabe o que é uma cota de malha? É uma roupa que os cavaleiros colocavam, feita de malha de ferro para não ser transpassada pela espada.
Aragorn reforja a espada de Elendil, que passa a se chamar Andúril. A sociedade parte ao som fenomenal da corneta de Boromir e tenta atravessar as Montanhas Sombrias por cima, isto é, pela chamada passagem de Caradhras, mas seu percurso é bloqueado por uma grande tempestade de neve e eles se veem forçados a escolher outro caminho.
PROF. MONIR: Então a sociedade sai com o objetivo de destruir o anel nas montanhas onde ele foi forjado pela primeira vez. Nove amigos. Nove sócios nessa empreitada, sendo que o mais importante deles é Gandalf, que é o mais experiente, e o central é Frodo, carregando o anel.
Capítulo 4: Uma Jornada no Escuro
A comitiva é assim obrigada a atravessar a montanha pelas minas de Moria, um antigo reino subterrâneo dos anões. Gandalf não deseja seguir por dentro da montanha – pois sabe que os anões, em sua ganância, haviam cavado muito fundo, despertando males muito antigos – e Aragorn prudentemente reforça sua preocupação.
16 Nota do resumidor: O mithril é o mais precioso dos metais encontrados na Terra-Média. É extremamente resistente e leve.
EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Senhor dos Anéis 169 No entanto, parece não haver opção. Gimli, ao contrário, fica animado, pois há muito desejava saber o que acontecera com a expedição do rei Balin que, trinta anos antes, para lá havia se dirigido com o propósito de reclamar para os anões a cidade subterrânea.
São atacados por lobos à noite, mas chegam na manhã do dia seguinte às margens de um lago onde está o portão selado de Moria, que só pode ser aberto pela resposta a um enigma gravado na própria porta. Quando Gandalf finalmente descobre a senha, são atacados por uma criatura tentacular que emerge do lago. Fogem para dentro, mas a entrada desmorona, impedindo o retorno. Estavam condenados a prosseguir pelas sombrias minas de Moria.
Vagam pelos corredores escuros, guiados por Gandalf, que lá já estivera. “As Minas de Moria eram vastas e intrincadas, mais do que podia conceber a imaginação de Gimli, filho de Glóin, embora fosse um anão da raça das montanhas. Para Gandalf, as lembranças de uma viagem realizada há muito tempo eram agora de pouca ajuda, mas mesmo na escuridão, e apesar de todas as curvas da estrada, ele sabia aonde desejava ir, e não vacilou, enquanto havia um caminho que conduzia na direção de seu objetivo.” Depois de algumas horas, o Mago – irritado com Pippin que derrubara uma pedra em um poço, fazendo muito barulho – decide parar para fumar cachimbo e refletir sobre qual caminho tomar. Prosseguem e acabam encontrando a tumba de Balin:
– Então ele está morto - disse Frodo. – Receava que fosse
verdade. Gimli cobriu o rosto com o capuz. (pág. 340)
PROF. MONIR: Esse Balin é o tal do rei anão que havia sumido lá nas minas. Então, neste ponto em que eles descobrem que Balin morreu, nós fazemos
170 Professor José Monir Nasser aqui um café em homenagem a este fato. Tomamos ali um café e voltamos daqui a 10 minutos. Vamos lá.
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PROF. MONIR: Quando paramos aqui no nosso assunto chamado O Senhor dos Anéis, a Sociedade do Anel – um grupo de nove excursionistas – está acompanhando Frodo para levar o anel para a destruição nas montanhas da perdição. Esse grupo está lá nas cavernas de Moria, tentando ver como é que faz para atravessar aquilo. E aí o líder espiritual do grupo, que é Gandalf, parou um pouquinho pra tomar um fôlego e pensar na vida. Voltamos ao capítulo 5. Vamos lá.
Capítulo 5: A Ponte de Khazad-dûm
Um velho diário encontrado na câmara do túmulo de Balin revela os acontecimentos nos últimos dias de Moria, antes de a fortaleza ser inteiramente tomada por hordas de orcs, e fala em misteriosa força maligna. Ao sair da câmara, a comitiva é atacada por orcs e por um grande trol das cavernas. Durante a batalha, Frodo é atingido no peito pelo trol, mas, para a surpresa de todos, não se fere graças à cota de malha de mithril. Gandalf fracassa em trancar a porta com um feitiço (graças a poderoso contra-feitiço vindo do outro lado), mas consegue bloquear o caminho, fazendo desmoronar parte da câmara. Assim a sociedade pôde escapar para o segundo salão, de onde já podiam ver a passagem para os portões, acessíveis apenas por estreita ponte de pedra. Correm para a saída, mas ao atravessar a ponte descobrem o mal de que falava o diário e aquilo que Gandalf mais temia: Balrog, um grande demônio das profundezas, cercado de fogo e sombra, que “na mão direita carregava uma espada como uma língua de
EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Senhor dos Anéis 171 fogo cortante; na mão esquerda trazia um chicote de muitas correias.” Enquanto os outros fogem, Gandaf enfrenta o inimigo sobre a ponte “e a sombra à sua volta se espalhou como duas grandes asas. Levantou o chicote, e as correias zuniram e estalaram. Saía fogo de suas narinas”. Gandalf ficou firme:
– Você não pode passar – disse ele. Os orcs estavam
quietos, e fez-se um silêncio mortal. – Sou um servidor do
Fogo Secreto, que controla a chama de Anor. Você não
pode passar. O fogo negro não vai lhe ajudar em nada,
chama de Udún. Volte para a Sombra! Não pode passar.
(pág. 352)
Gandalf destrói a ponte sob o monstro com um feitiço e, enquanto os outros fogem, o Balrog mergulha nas profundezas, arrastando com ele Gandalf, enroscado no chicote.
O resto da sociedade consegue sair a salvo de Moria, mas “a tristeza tomou conta deles, que choraram por muito tempo: alguns em pé e quietos, alguns atirados ao chão. Dum, dum, as batidas dos tambores foram ficando mais fracas, até que não se ouviu mais nada”.
PROF. MONIR: Houve a primeira baixa, não é? Gandalf luta com Balrog dentro das cavernas de Moria, e então é morto. O grupo agora é só composto de oito pessoas, oito indivíduos, já sem Gandalf. Foi um prejuízo muito grande, afinal tratava-se do mais importante de todos eles. Mas vamos ver como é que eles se saem.
172 Professor José Monir Nasser Capítulo 6: Lothlórien
Aragorn assume o comando da sociedade e cuida dos feridos. Após lamentar a perda de Gandalf, e temendo a retaliação dos orcs, a sociedade prossegue rapidamente em direção à floresta de Lórien, cruzando o rio Nimrodel, onde são abordados por elfos liderados por Haldir. Os elfos suspeitam dos estranhos viajantes, sobretudo do anão que os acompanha, mas, ao reconhecer Legolas e ler as mensagens enviadas por Elrond, concordam em levá-los vendados até a cidade secreta sobre as árvores de Lothlórien. O grupo percebe estar sendo seguido por Gollum.
Ao aproximar-se do centro da floresta de Lórien, cruzam a colina de Cerin Amroth, onde Aragorn parece ficar muito feliz, como se o local lhe despertasse belas recordações. “Despertando de seu devaneio, olhou para Frodo e sorriu. – Aqui está o coração do Reino Élfico na terra – disse ele – e aqui mora meu coração para sempre, a menos que haja luz além das estradas escuras que devemos percorrer, você e eu. Venha comigo!”
– E, segurando a mão de Frodo, deixou a colina de Cerin
Amroth, para a qual nunca mais retornou em vida. (pág.
375)
Capítulo 7: O Espelho de Galadriel
Na cidade élfica de Caras Galadhon, os viajantes conhecem, no grande salão construído sobre a mais alta árvore da floresta, o casal que a governa: Celeborn e Galadriel, senhor e senhora de Lórien, que lamentam a perda de Gandalf, de quem eram velhos amigos. Todos os membros da sociedade ficam
EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Senhor dos Anéis 173 com a sensação de terem suas mentes lidas por Galadriel, que parecia estar telepaticamente oferecendo a cada um aquilo que mais desejava.
Todos eles pareciam ter tido uma experiência semelhante:
cada um sentiu que se lhe oferecia uma escolha entre
uma sombra cheia de medo, que se encontrava lá na
frente, e alguma coisa profundamente desejada, que se
apresentava clara aos olhos do espírito, e que para tê-la
bastava desviar-se da estrada e deixar a Demanda e a
guerra contra Sauron para outros.
– Tive também a sensação – disse Gimli – de que minha
escolha permaneceria em segredo e seria apenas de meu
próprio conhecimento.
- Para mim pareceu muito estranho - disse Boromir. - Talvez
tenha sido apenas um teste, e ela pensou em ler nossos
pensamentos para seus próprios propósitos. Mas quase
poderia dizer que ela estava nos tentando, e oferecendo o
que ela fingia ter o poder de nos dar. (pág. 381)
Durante a estadia em Caras Galadhon, Legolas e Gimli começam a se aproximar. Numa determinada noite, Frodo e Sam são levados por Galadriel até uma fonte que reflete como um espelho capaz de mostrar imagens de lugares e tempos distantes, passados ou futuros. Galadriel permite que olhem “no espelho”, mas adverte para os perigos de interpretar ou deixar-se guiar pelas imagens por ele reveladas.
– Posso ordenar ao Espelho que revele muitas coisas -
respondeu ela. – E para algumas pessoas posso mostrar
174 Professor José Monir Nasser
o que desejam ver. Mas o Espelho também revelará
fatos que não foram ordenados, e estes são sempre
mais estranhos e compensadores do que as coisas que
desejamos ver. O que você verá, se permitir que o Espelho
trabalhe livremente, não posso dizer. Pois ele revela coisas
já passadas, coisas que estão acontecendo, e as que ainda
podem acontecer. Mas o que ele vê, nem mesmo o mais
sábio pode dizer. Você deseja olhar? (pág. 385)
Enquanto Sam vê o Condado sendo devastado, Frodo em princípio observa Gandalf usando uma roupa branca e Bilbo descansando em seu quarto “mas, de repente, o Espelho ficou totalmente escuro, como se um buraco se abrisse no mundo da visão, e Frodo olhasse no vazio. No abismo negro apareceu um único Olho que cresceu lentamente, até cobrir quase toda a extensão do Espelho. Tão terrível era aquela visão que Frodo ficou colado ao solo, sem poder gritar ou desviar o olhar. O Olho estava emoldurado por fogo, mas era ele mesmo que reluzia, amarelo como o de um gato, vigilante e atento, e a fenda negra de sua pupila era um abismo, uma janela que se abria para o nada. Então o Olho começou a se movimentar, procurando algo de um lado e de outro, e Frodo percebeu, com medo e certeza, que ele próprio era uma das muitas coisas que estavam sendo procuradas. Mas também percebeu que não podia ser visto – por enquanto, a não ser que o desejasse. O Anel que estava pendurado na corrente em seu pescoço ficou pesado, mais pesado que uma pedra, fazendo a cabeça pender para baixo.” (pág.388). Ao observar o anel no dedo de Galadriel e descobrir tratar-se de um dos três Grandes Anéis élficos, Frodo – impressionado com a beleza e esplendor da senhora de Lórien – oferece o Um Anel a ela, que o rejeita, temendo, como Gandalf, ser corrompida por seu poder.
EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Senhor dos Anéis 175 PROF. MONIR: Todos entenderam esse pedaço? Bom, encontraram mais uma cidade élfica no alto das árvores e lá há esta Galadriel, que é a rainha da cidade, e que mostra a eles um poço com efeito de espelho. Frodo vê, então, que o olho está olhando pra ele. O olho de Sauron o está procurando o tempo todo. Ele tem o anel que atrai Sauron. Continuamos.
Capítulo 8: Adeus a Lórien
Em três barcos cedidos pelos elfos, Frodo e seus amigos navegam o Rio Anduin mas, antes de deixar a terra de Lórien, são homenageados com um banquete de despedida a bordo do navio de Galadriel e Celeborn.
PROF. MONIR: Este rio Anduin é o rio central que divide o leste do oeste. É o rio mais importante de todos.
Além de receberem mantos élficos que os tornariam semi-invisíveis e um tipo especial de alimento chamado pão de lembas, ganham outros presentes: um frasco com a chamada Luz de Eärendil para Frodo (a luz da estrela de Eärendil, uma jóia engastada na fonte de Galadriel, uma luz brilhante, que “brilhará ainda mais quando a noite cair ao seu redor”), uma bainha e um broche prateado incrustado com uma pedra esverdeada para Aragorn, pequenos cintos de prata para Merry e Pippin, um arco para Legolas, e uma caixa de terra para Sam. Gimli, fascinado com a beleza de Galadriel, pede-lhe uma mecha de seu cabelo e ela lhe concede três fios dourados.
PROF. MONIR: Por que uma caixa de terra para Sam? Porque o Sam é jardineiro. Não esqueçamos isso.
176 Professor José Monir Nasser Capítulo 9: O Grande Rio
A viagem é longa, a sociedade é seguida de perto por Gollum (que desce o rio sobre um tronco de madeira) e há a suspeita de que orcs estejam nas imediações. De fato, quando passam pelas cataratas de Sarn Gebir, são atacados, mas os orcs se espantam quando uma criatura alada que os acompanha é alvejada por Legolas. Passam então por entre os grandes Pilares dos Reis, grandes estátuas de antigos reis de Gondor, e param perto das cataratas de Rauros para decidir se prosseguiriam para Mordor ou se desviariam o caminho para prestar auxílio à capital de Gondor, Minas Tirith, como preferiria Boromir, carregando sempre sua corneta.
Capítulo 10: O Rompimento da Sociedade
A decisão cabe ao portador do Anel. Quando se afasta para meditar sobre seu destino, Frodo é interpelado por Boromir que, sem ser notado, o havia seguido.
PROF. MONIR: Esse pedacinho eu vou explicar, para a gente ganhar tempo. A sociedade chegou num ponto que tinha que decidir se atravessava o rio e ia então para o lado leste, tentando destruir o anel, ou se ficava no lado direito do rio, ou seja, no lado oeste (para quem está olhando a fotografia), para ir ajudar Boromir lá em Minas Tirith. Boromir é filho do regente de Gondor, que morava em Minas Tirith. Como não sabiam o que fazer, porque havia esta dúvida, Frodo se afasta para pensar no assunto. Quando ele se distancia dos outros, Boromir o segue e diz a ele que era um absurdo tentar destruir o anel porque, afinal de contas, um anel como aquele certamente daria uma vantagem muito grande para quem quer que o tivesse. E Boromir, modificado, impressionado com a presença do anel, faz tudo o que pode
EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Senhor dos Anéis 177 para retirar o anel de Frodo, até tenta tirar à força. Quando Frodo percebe que vai ser roubado, torna-se invisível e se esconde de Boromir. É assim que ele não perde o anel nesse episódio.
Então Frodo decide que deve ir embora sozinho para entregar o anel, porque ele não tem o direito de pedir que os outros o acompanhem numa viagem como essa, cujo desfecho é completamente sem cabimento. Ele então, invisível, tenta pegar outro barco para continuar a viagem sozinho, atravessar o rio, ir para o outro lado do rio, para a direção de Mordor. Enquanto isso, Boromir sai daquele transe em que o anel o colocou, dá-se conta de que tinha exorbitado e volta para o convívio dos outros. É o que está na página seguinte. E nós continuamos a leitura.
– Acho que já sei que tipo de conselho você vai me
oferecer, Boromir – disse Frodo. – E eu poderia considerá-lo
um sábio conselho, se não fosse pela advertência do meu
coração.
– Advertência? Advertência contra quê? – disse Boromir
abruptamente.
– Contra a demora. Contra o caminho que parece mais
fácil. Contra a recusa do fardo que é colocado sobre meus
ombros. Contra.
– Bem, é melhor que eu diga, contra a confiança na força e
na sinceridade dos homens. (pág. 424)
(...)
– Não há esperança enquanto o Anel continuar existindo
– disse Frodo.
– Ah! O Anel – disse Boromir, com os olhos faiscando. –
178 Professor José Monir Nasser
O Anel! Não é um destino estranho nós sofrermos tanto
medo e dúvida por uma coisa tão pequena? Uma coisa
tão pequena! E eu o vi apenas por um instante na Casa
de Elrond. Poderia vê-lo um pouco outra vez? – Frodo
levantou os olhos. De repente, seu coração gelou. Captou
o brilho estranho no olhar de Boromir, apesar de seu rosto
ainda se manter gentil e amigável.
– É melhor que ele fique escondido – respondeu ele.
(...)
– Gandalf, Elrond... todos esses lhe ensinaram a falar desse
modo. Em relação a eles próprios, podem estar certos.
Esses elfos e meio-elfos e magos, eles talvez fracassassem.
Apesar disso, ainda tenho dúvidas se são sábios, e não
apenas tímidos. Mas cada um é do seu modo. Homens
de coração sincero, estes não serão corrompidos. Nós, de
Minas Tirith, temos permanecido firmes através de longos
anos de provações. Não desejamos o poder dos senhores
dos magos, só a força para nos defendermos, a força numa
causa justa. E veja! em nossa necessidade, o acaso traz à
luz o Anel de Poder. É uma dádiva, eu digo; uma dádiva
aos inimigos de Mordor. É loucura não fazer uso dela, não
usar o poder do Inimigo contra ele mesmo. Os corajosos,
os destemidos, só estes conseguirão a vitória. (pág. 425)
(...)
O único plano proposto é que um pequeno deva andar
cegamente para dentro de Mordor e oferecer ao Inimigo
todas as chances de recapturá-lo. Loucura. (pág. 426)
EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Senhor dos Anéis 179 Boromir exige que Frodo lhe dê o Anel. Mas como o hobbit mostra-se determinado em mantê-lo e seguir em direção à Mordor, Boromir ameaça tomar o Anel de Frodo, que se assusta, fica invisível e foge. Pela primeira vez Frodo permanece invisível por tempo mais longo e, subindo as colinas de Amon Hen, vê terras distantes, sobretudo Mordor.
Subiu e sentou-se na antiga cadeira, como uma criança
perdida que tivesse escalado o trono dos reis das
montanhas. (...) Em todo lugar que olhava, via sinais
de guerra. As Montanhas Sombrias se agitavam como
formigueiros: orcs saíam de mil tocas. (...) Todo o poder do
Senhor do Escuro estava em ação. Sentiu que seu olhar
se dirigia para o Leste, sendo atraído contra sua vontade.
Passou pelas pontes arruinadas de Osgiliath, pelos portões
escancarados de Minas Morgul e pelas Montanhas
assombradas, detendo-se sobre Gorgoroth, o vale do
terror na Terra de Mordor. Lá a escuridão jazia sob o sol. O
fogo reluzia em meio à fumaça. A Montanha da perdição
queimava e um cheiro insuportável empesteava o ar. Então,
finalmente, seu olhar foi detido: muralhas e mais muralhas,
parapeito sobre parapeito, negra, incomensuravelmente
forte, montanha de ferro, portão de aço, torre de diamante,
ele a viu: Barad-dûr, a Fortaleza de Sauron. Perdeu todas as
esperanças. E, de repente, sentiu o Olho. Havia um olho
na Torre Escura que nunca dormia. Frodo sabia que ele
tinha percebido seu olhar. Uma determinação feroz e
ávida estava nele. Saltou na direção de Frodo, que quase
como um dedo o sentiu, procurando-o. Muito em breve
180 Professor José Monir Nasser
iria tocá-lo e saber exatamente onde estava. Tocou Amon
Lhaw. Olhou sobre Tol Brandir –Frodo se jogou da cadeira,
agachado, cobrindo a cabeça com seu capuz cinzento.
Ouviu-se dizendo: ‘Nunca, nunca!’ Ou seria: ‘Sim, eu irei, irei
até você?’ Não saberia dizer. Então, como um relâmpago,
de algum outro ponto de poder veio à sua mente um
outro pensamento: Tire-o! Tire-o! Tolo, tire-o. Tire o Anel!
(pág. 428)
Preocupado com a atitude de Boromir e assumindo o fardo da missão exclusivamente para si, Frodo decide que é mais seguro ir sozinho até Mordor para que seus colegas não sejam corrompidos pelo artefato. Decide também que é melhor partir naquele instante e sem qualquer aviso. Enquanto isso, Boromir, arrependido, volta para junto dos outros. Todos começam a procurar por Frodo, mas somente Sam adivinha os seus planos e vai até o rio onde o encontra arrastando um barco para a água. Impõe sua companhia atirando-se na água e, assim, Sam e Frodo partem juntos para a Terra da Sombra.
PROF. MONIR: E acabou o primeiro livro. Tem mais dois. Este primeiro livro acaba, então, quando a sociedade está desfeita. Porque Gandalf morre. Sam e Frodo vão embora juntos para tentar entregar e destruir o anel sozinhos. E os outros ficam lá, sem que os dois tivessem se despedido deles.
FIM DO PRIMEIRO VOLUME
EXPEDIÇÕES PELO MUNDO DA CULTURA O Senhor dos Anéis 181 Livro III
Capítulo 1: A Partida de Boromir
O som da grande corneta de Boromir ecoa por Amon Hen e é ouvido por Aragorn que subira a colina para procurar Frodo. Passolargo corre em auxílio ao guerreiro, mas encontra Boromir, emboscado por orcs, agonizando. O guerreiro de Gondor morre nos braços de Aragorn, tendo tido tempo apenas para confessar, arrependido, a tentativa de tomar o Anel de Frodo e relatar a captura de Merry e Pippin por orcs. Gimli e Legolas também aparecem e, ao notarem um dos barcos e as bagagens de Frodo e Sam faltando, deduzem a partida destes. Por não terem condições ou tempo para realizar o funeral apropriado, entregam o corpo de Boromir ao rio, acomodando-o num dos barcos e o fazendo descer o rio no seu esquife improvisado até o grande mar.
Vamos deitá-lo num barco com suas armas, e com as
armas de seus inimigos derrotados – disse Aragorn. –
Vamos enviá-lo à Cachoeira de Rauros e oferecê-lo ao
Anduin. O Rio de Gondor cuidará para que pelo menos