A política no limite do pensar
Apêndice — Contra-dicção
Apêndice
Contra-dicção
Não seria a contradição inerente à política? Para defender essa tese, preciso de um conceito de
contradição mais amplo do que aquele configurado pela lógica formal. Todos conhecemos o princípio
da contradição, que diz ser impossível afirmar de uma proposição sua verdade e sua falsidade. O
cálculo proposicional formula essa impossibilidade como a negação de p e não p: ~(p e ~p) — desde
que as proposições simbolizadas pela variável p e por sua negação ~ p digam respeito ao que é ou ao
que foi. Desde o De Interpretatione de Aristóteles, a contradição envolve uma questão modal, a
diferença entre o possível e o impossível ligada à temporalidade: nesse caso, a contradição não pode
ser afirmada de algo ao mesmo tempo.
No cálculo proposicional, que combina as proposições unicamente segundo seus valores de verdade,
a contradição junta duas sentenças de tal modo que essa conjunção é sempre falsa para qualquer um
dos valores de p e ~ p. Por isso é desprovida de sentido, por não poder ser verdadeira ou falsa. Depois
que se desencantou do cálculo proposicional e abandonou a tese central do Tractatus, que considerava
a proposição como figuração (Bild) de um estado de coisa (a contradição estando, pois, impedida de
afigurar), Wittgenstein passa a atribuir à contradição novo papel. Desde logo porque uma proposição
somente tem sentido no contexto de um jogo de linguagem. Se várias palavras e até mesmo signos não
verbais se juntam para, reguladamente, apresentar certos estados de coisa, certos casos, de maneira
correta ou incorreta, isso apenas se efetua porque esses signos estão sendo usados em obediência a
determinadas regras, com vistas a obter certos resultados. Desse modo, a bipolaridade do falso e do
verdadeiro se diversifica conforme se arma a oposição entre seguir a regra de maneira adequada ou
não.
A linguagem é como uma caixa de ferramentas que servem a vários propósitos. Nessas condições, o
conceito de negação ganha sentido conforme funciona num determinado jogo: “A negação,
poderíamos dizer, é um gesto que exclui, que rejeita. Mas empregamos tal gesto em casos muito
diferentes”.1 Se a linguagem pode ser lida com símbolos não simplesmente formais, ligados e
separados entre si, a negação não se resume a uma substituição do sinal V por F ou vice-versa, apenas
invertendo o sentido da sentença, mas passa a ser uma forma de ação ligada a um modo de dizer.
Varia, pois, segundo a diversidade dessas ações sendo ditas, isto é, segundo práticas que se tramam
discursivamente. Está muito longe, portanto, de uma negatividade legada ao ser, que, ao se dar,
também se esconde, como pretende Heidegger, ou da negatividade hegeliana, que carrega uma
atividade própria e uma positividade. Já no início da Ciência da lógica ela aparece como
determinidade (Bestimmheit) mais simples do próprio ser, mas imediata, equivalente ao nada, e, por
isso mesmo, porque já é nadificando-se, carrega em si um devir que resulta em devir visando algo, por
conseguinte, uma determinação (Bestimmung) que afigura um destino.
No entanto, a análise gramatical de Wittgenstein configura os objetos ditos, em última instância,
como pertencendo ao mundo. O exercício negador se diferencia em cada jogo de linguagem, sem que
haja um jogo superior, um gênero supremo que compreenda os outros como se fossem suas espécies.
A unidade é formada pela trama dos próprios jogos ligados por semelhanças de família e das ações que os transformam em partidas. Essas junções diferenciadoras estão centrifugando situações lógicas
indubitáveis, que vêm a ser expressas por proposições monopolares. Não é nelas que o discurso vem a
se fundar? “Fundar” não no sentido tradicional de dar razões, mas simplesmente no de amparar,
deixar que o discurso caminhe adiante. A dúvida abre espaço para a negação, cujo sentido somente se
conforma se houver situações inquestionáveis que se expressam por sentenças indubitáveis. Cada jogo
é dominado por uma gramática, mais ou menos aberta, mais ou menos determinada, que regula as
diversificadas ações expressivas dos seres humanos em dados momentos de sua história. Na trama
dessas ações, o modo de ser dos objetos se articula e se apresenta: “Que espécie de objeto uma coisa é,
é dito pela gramática”.2 Se até mesmo a objetividade de Deus é dita por uma gramática, a teologia,
por que não esperarmos que a gramática da política venha nos dizer o que é uma ação política? Platão
nos ensinou que o sofista se apresenta como um camaleão ligado ao não ser. E se ele vier a ser numa
contradição? Não estaria se aproximando do político que tem no horizonte de sua ação a luta entres
amigos contra os inimigos?
Voltemos, entretanto, ao conceito de contradição reformulado por Wittgenstein. Num de seus
últimos escritos, ele anota: “A lógica aristotélica marca a contradição como uma não proposição, que
deve ser excluída da linguagem. Essa lógica, porém, trata apenas de uma pequena região da lógica de
nossa linguagem. (É como se o primeiro sistema da geometria tivesse sido uma trigonometria; e como
se acreditássemos agora que a trigonometria é a base fundamental, e até mesmo talvez toda a
geometria.)”.3
Para entender o alcance de toda essa crítica, convém, ainda que brevemente, situá-la no seu
contexto. Cabe lembrar que os conceitos da lógica formal nascem de um processo muito peculiar de
transformação. A lógica dos predicados costuma substituir qualquer sentença do tipo “Sócrates é
filósofo” por “f(a)”; “f” indicando o predicado e “a”, um indivíduo que pertence a um domínio
indicado pela variável “x” da função f(x). Embora no novo cálculo uma função possa ter diversas
variáveis, como no caso das relações, todas as sentenças verificacionais continuam a ter a mesma
forma lógica. A partir da função e de suas variáveis é possível quantificá-las, conforme o objeto
indicado acontece algumas vezes ou todas. Essa passagem sem fissuras do múltiplo particular para um
universal é herança da lógica aristotélica e, no fundo, baseia-se num pressuposto muito peculiar: “O
que acontece muitas vezes poderia acontecer sempre [E o filósofo Wittgenstein pergunta:] — Que
espécie de frase seria essa? Uma semelhante a esta: Se ‘F(a)’ tem sentido, então ‘(x)F(x)’ tem sentido”.4
A formalização por fim pressupõe essa continuidade entre a regra e o caso, entre a essência e o ente,
este sendo reduzido a seu fenômeno. Não é assim que se passa do mundo sublunar para o mundo das
ideias? Note-se que qualquer relação entre a regra e o caso, e vice-versa, que mobilizar apenas a
bipolaridade das proposições termina num universal abstraído do tempo. Esse vício atinge qualquer
processo reflexionante, inclusive o juízo reflexionante kantiano, que salta dos casos para a regra
mediante o papel unificador do eu transcendental, uma potência fora da linguagem.
Não há razão alguma para supor que esse processo de formalização sempre valha para a análise
lógica do discurso cotidiano. Se descartarmos qualquer intervenção divina na captura do sentido de
uma palavra, este somente pode ser configurado no modo pelo qual ela se junta com outras e se
distingue delas no seu uso. Nesse uso ela não pode funcionar sozinha, porquanto o uso há de ser
adequado ou inadequado ao que se está querendo dizer. Isso Platão e, particularmente, Aristóteles já o
sabiam. Para eles, cada palavra ganha sentido na proposição conforme se junta ou separa de outras
mediante a cópula “é”. Mas eles pressupuseram que a matriz de qualquer proposição fosse a
proposição asseverativa, apofântica, que, mediante sua verdade e/ou sua falsidade possíveis, apresenta
ou não algo como algo; na linguagem moderna, um estado de coisa.
Esse pressuposto é quebrado por Wittgenstein. Retirando a tralha ontológica da predicação, esta lhe
parece como um método projetando diferentes figuras de um plano A para outro plano B, mas de tal
modo que as diversas figuras de A passam a ser expressas unicamente por círculos. O método é correto,
mas pouco se sabe de A se examinarmos apenas B. Abandonando a predicação, Wittgenstein precisa
examinar como as palavras se juntam em situações muito simples de convivência humana. Por
exemplo, na intimidade de seu escritório um deputado trata de “banana” um colega de quem não
gosta. Ao perguntar a um de seus auxiliares “Como a banana está hoje?”, este não vai à copa examinar
as bananas a serem servidas no lanche. Formou-se um significado secundário da palavra, embora
apenas inteligível para um grupo de pessoas.
As palavras ganham, pois, sentido no entremear de jogos de linguagem, cada jogo sendo regulado
por regras que, por sua vez, se exprimem mediante a suposição da existência de termos, coisas e
situações indubitáveis. Não é tão só a bipolaridade do correto ou do incorreto, do adequado ou do
inadequado, em suma, do verdadeiro e do falso, que define a proposição. Na medida em que essas
regras de uso vêm a ser formuladas, elas precisam ser ditas de modo a não comportar, na situação do
jogo, nenhuma dúvida. As proposições ganham sentido conforme se tornam bipolares em vista de
certas situações discursivas sobre as quais não cabe duvidar — estas são ditas por sentenças
monopolares. O falar uma língua pode ser comparado ao ato de girar uma bola. Na rotação criam-se
dois polos imóveis e círculos em que um ponto determinado está sempre mudando de lugar. Contudo,
uma vez formados, esses polos permanecem como ações padronizadas a regular a vida em comum.
Uma expressão falada, além de estar regida pelas regras que a tornam correta do ponto de vista da
língua culta, obedece a outras regras que asseguram seu sentido em determinados esquemas de seu
uso. Cabe não confundir a gramática da língua portuguesa, por exemplo, com a gramática filosófica,
que considera a linguagem em geral. Esta formula certas regras que determinam frases como corretas
ou incorretas em certas situações. São regras aprendidas, como as de toda gramática, embora nunca se
possa ter a certeza de que o aprendiz vá cumpri-las do mesmo modo que os outros e para sempre. É
inevitável que seguir uma regra incorpore doses de indeterminação, cujas diferenças se revelam ou se
ocultam conforme as contingências de sua aplicação. Por isso, ao seguir uma regra, o agente não
chega ao caso mediante uma intuição, mas convém dizer que “é necessário em cada ponto como uma
nova decisão (Entscheidung)”.5 Um ato parecido à decisão, mas que não se confunde com ela, porque
toda linguagem depende de um acordo entre os falantes que julgam o caso, sem que este se realize de
fato. Quem segue uma regra está sempre cobrindo uma indeterminação.
Por sua vez, os falantes, cujos critérios de identificação são os mais diversos,6 são determinados pelo
uso dessa linguagem, cujos movimentos apresentam como pano de fundo situações lógicas
indubitáveis, condições para que todos possam agir de forma convergente. Seguir uma regra cristaliza
instituições que possuem no horizonte uma forma de vida. Algumas certezas “fundam” minhas ações.
Mas esse fundamento perde o sentido moderno de algo que se dá, se evidencia, por si mesmo. Se
duvidar de que agora estou sentado diante de meu computador, não há mais critério para separar
proposições dubitáveis de proposições indubitáveis. No cotidiano, se alguém diz “dói” dificilmente
vamos duvidar de que está sofrendo. E as crianças em geral apreendem a palavra “dói” quando lhes
ensinam que ela pode substituir um grito de dor. Nesse caso, primeiro vem a ação e depois a palavra,
que no fundo é uma exteriorização (Äusserung). No entanto, essa ação fundadora não aparece como
fundando a própria linguagem? A análise lógica dependeria do processo evolutivo do ser humano?
Pertence à lógica tudo o que descreve os jogos de linguagem. O modo pelo qual em geral se aprende
a palavra “dor”, e todas as expressões similares, responde pelo sentido da palavra “dor” cercado de
segura certeza. A ação primordial, no sentido de Goethe, que Wittgenstein atribui aos fundamentos da linguagem, ganha esse papel unicamente como o fator que confere indubitabilidade à frase, dá sentido
a essa indubitabilidade. Por isso é que a palavra “exteriorização” passa a ser empregada a casos que
nunca poderiam ser reportados a um comportamento espontâneo. Por exemplo, se disser:
“Naturalmente eu sei que isto é uma toalha”, estou exteriorizando-me diante de uma situação que não
carece de verificação. Externo uma situação. Logo adiante o texto explicita que esse agarrar imediato,
em vez de consistir num saber, corresponde a uma segurança (Sicherheit). A ação criadora está ligada
a um asseguramento, não ao modo pelo qual foi obtida. Não se aprende a dizer que se sabe que isso é
uma toalha substituindo o gesto de apanhá-la pelas palavras que a família ensina. Conforme se analise
a linguagem, ela tende a escapar dela mesma, mas não vai além dessa tendência, que é uma de suas
características.
Nisso ela desenha uma imagem do mundo (Weltbild) que toda comunidade linguística há de ter
como pano de fundo de suas ações. Não tem fissuras. Está aí como a vida. Mas a imagem do mundo
(Weltbild) pressuposta não se confunde com as formas de vida (Lebensformen), os modos vitais de agir
que asseguram o seguir de uma regra. Por isso Lebensform e Weltbild não devem ser confundidos com
o mundo da vida (Lebenswelt), conceito fenomenológico que designa um mundo em que as ações e o
falar se enraízam antes do próprio falar, tramados por relações antepredicativas, ainda consideradas
como a trama mais aparente da linguagem. A imagem do mundo e a forma de vida constituem um
conceito lógico necessário para que se compreenda como as regras de uma linguagem são seguidas,
panorama projetado pelo uso das palavras. A forma de vida transita nesse falar como um fio vermelho
ligando as decisões. Uma forma de vida não pode ser colonizada.
No seu funcionamento, um jogo de linguagem, ou uma trama deles, marca seus limites. Ao chegar
a um país cuja língua desconheço, procuro me comunicar com os nativos mediante gestos, apontando
para certos objetos de uso comum. Reporto-me a fatos muitos simples que em geral servem de base
para a vida coletiva. Porém, quando começam a servir ao diálogo, esses fatos passam a ser vistos a
partir da linguagem que estamos formando, cada pessoa privilegiando neles certos aspectos. Quando
fico doente, procuro um médico, meu vizinho procura um feiticeiro. Numa disputa com ele, posso
lhe dar toda sorte de razões para justificar minha conduta; ele se defenderá como puder. “Disse que
‘combateria’ o outro — mas não lhe daria razões (Gründe). Por certo que sim, mas até onde elas
alcançam? No fim das razões fica a persuasão (Überredung). (Pense no que acontece quando
missionários convertem nativos.)”.7 Aqui o sentido de “persuasão” invoca a composição da palavra
alemã: um discurso (Rede) que vai além (über). Quando não há mais razões que os interlocutores
podem trocar entre si, se quiserem continuar a conversa, tentam então persuadir, passar por cima do
discurso estabelecido. Mesmo quando aponto para fatos muito simples conhecidos por todos,
continuo a dar razões. E se pretendo continuar a me fazer entender, tento persuadir meu interlocutor
com gestos de simpatia, criando entre nós uma tonalidade afetiva que permita um novo
entendimento. No entanto isso pode falhar, quando, por exemplo, perdemos todos os pontos de
referência que possam nos valer. Suponhamos que alguém duvidasse até mesmo do nome com que
ele próprio se apresentara. Estaria sendo contradito por todos os lados e, nesse caso, faltam
fundamentos para meus juízos. Está se contradizendo, no seu sentido mais amplo.
Num sistema formal, uma contradição simplesmente enuncia uma proposição cuja estrutura é (p e
~ p). Nada significa, mas indica que o raciocínio não pode seguir adiante, visto que tudo pode ser
deduzido de uma contradição. Outros caminhos precisam ser encontrados. Numa linguagem
cotidiana, vista como trama de jogos de linguagem, ela impede a ação: “A contradição impede-me de
chegar a agir num jogo de linguagem”.8 A lógica formal clássica trata de evitar uma contradição,
contudo, se estivermos no plano dos jogos de linguagem, cabe perguntar: “O que devemos fazer se
chegamos a uma contradição?”.9 Cuidar para sair dela. Não cabe tratá-la como um fantasma
amedrontador. Pelo contrário, pode nos servir de alerta para prosseguir adiante: “A contradição
poderia ser apreendida como um sinal dos deuses para que eu devesse agir e não refletir
(überlegen)”.10 A contra-dicção, em determinadas circunstâncias de desajuste, barra o diálogo, mas
também pode nos incentivar a que passemos adiante e, sem mesmo refletir, tentar uma abertura para
a comunicação com os outros. Certas contra-dicções podem colocar em xeque nossas formas de vida.
Diante dessa ameaça que pode abrir a perspectiva da morte e da guerra, não é o caso de agir?
Simplesmente matando o contra-dictor? Seria essa a ação mais adequada? Ora, desde que se pergunte
pela adequação, já se está operando num jogo de linguagem em que há ações julgadas adequadas,
outras julgadas inadequadas e situações lógicas indubitáveis que, quando ditas, o são por proposições
monopolares. Noutras palavras, o novo jogo requer o aprendizado de novas técnicas e com elas novas
formas de julgar: “O que se apreende não é uma técnica, aprendem-se juízos corretos”.11
Por mais distante que o contra-dictor se situe, por mais inimigo que ele se mostre, o locutor e o
contraditor já estão se vendo como seres humanos, por mais que um considere o outro degenerado. E
por isso têm à disposição fatos comuns muito gerais e que podem ser mobilizados para entrarem
numa relação simbólica de persuasão ou de agressão. Por certo, a nova ação é uma decisão, uma
Entscheidung, a separação de dois domínios, no entanto, na medida em que ela já se move num plano
simbólico, articulando movimentos ditos bipolares ou monopolares, ela coloca a questão de como
lidar adequadamente, na situação dada, com o contra-dictor. Basta configurá-lo como inimigo? O que
fazer com ele? Em determinada situações, ele não se torna necessário?
1. Ludwig Wittgenstein, Philosophische Untersuchungen. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1960, p. 550.
2. Ibid., p. 373.
3. Id., Últimos escritos sobre a filosofia da psicologia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, p. 152. (Werkausgabe in 8 Bändes. B. 7, 525, pp. 414-5).
4. Ibid., p. 345.
5. Ibid., p. 186.
6. Ibid., p. 404.
7. Ibid., p. 612.
8. Id., Zettel: Schriften, Band 5. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1982, p. 685.
9. Ibid., p. 688.
10. Id., Bemerkungen über die Grundlagen der Mathematik: Werkausgabe, Band 6. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1974, p. 254.
11. Id., Philosophische Untersuchungen II, XI, op. cit., p. 345.
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