Adolpho Lutz: Dermatologia e Micologia

Adolpho Lutz · Capítulo 10 de 32

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Adolpho Lutz: Dermatologia e Micologia

Über einen sprosspilzartigen Epiphyten der menschlichen Haut (Mikrosporon anomoeon Vidal)

Sobre um epífito esquizomiceto da

pele humana (Mikrosporon anomoeon

Vidal) *

 

Dr. Adolpho Lutz, atualmente em Hamburgo

Durante os estudos sobre os fungos das afecções de pele realizados pelo Dr. Unna e por mim em sua clínica, isolamos das escamas de um eczema, semelhante à psoríase, uma forma de esquizomiceto, não havendo praticamente dúvida sobre a identidade deste com a forma maior descrita pelo Prof. P. Ferrari em seu

trabalho sobre pitiríase1 (Mikrosporon anomoeon Vidal e Saccharomyces Bizzozero esférico). O fungo é formado por células redondas, duplamente contornadas, de tamanho variável, achatadas em poliedros quando associadas, ovaladas algumas vezes (diâmetro médio = 5:), observando-se, com freqüência, em seu interior uma a duas manchas grandes, claras, semelhantes a um núcleo. Quando isoladas, tais células assemelham-se muito a

esporos de herpes tonsurans,2 embora possam ser bem diferenciadas graças à acentuada facilidade com que se deixam tingir com as mais diversas cores de anilina, o que condiz com uma célula viva.

Sobre soro sangüíneo, o fungo formava superfícies elevadas e alvacentas, semelhantes à cera; à temperatura do sangue, em 24 horas ficavam quase do tamanho de uma lentilha. A gelatina nutritiva provou ser pouco adequada à cultura, e em temperatura ambiente o crescimento foi muito lento. Em solução de açúcar de cana e, melhor ainda, em infusão de malte, à temperatura do sangue, o esquizomiceto desenvolveu-se como um precipitado pulverulento. Entretanto, em ambos os casos, o crescimento foi muito mais lento que o das formas comuns de fermento, e não se observaram fenômenos nítidos de fermentação.

O fungo, quando misturado com um pouco de saliva, examinado em gota suspensa e submetido a aquecimento moderado, teve sua proliferação facilmente observável. Em um ponto, formou uma protuberância esférica com uma abertura bastante larga que servia de conexão através da qual o protoplasma da célula-mãe parecia passar para a célula-filha. Antes de esta atingir seu tamanho pleno, ocorria o estrangulamento da conexão, muitas vezes seguido por violenta repulsão.

Duas tentativas de vacinação, cada uma com múltiplas inoculações na pele do braço anterior e por entre os dedos do pé, realizadas em mim mesmo, apesar de todas as cautelas e de demoradas observações, proporcionaram resultados totalmente negativos. Este fato torna ainda duvidoso que o fungo, encontrado por mim também na pitiríase versicolor, sem complicações, tenha realmente significado patológico.

* Traduzido de "Über einen sprosspilzartigen Epiphyten der menschlichen Haut (Mikrosporon anomoeon Vidal) ", Monatshefte für Praktische Dermatologie, v. 5, n. 2, p.72-3, 1886. Trabalho produzido e publicado em Hamburgo. Em artigo de 1886, que consta deste volume, "Über die Ätiologie der Pityriasis" (Etiologia da pitiríase), o micrósporo de Vidal está grafado como anomaeon. [N.E.]

1 Veja a comunicação desta no presente número, p.84. [Nota do original].

2 Conhecida hoje também como tinha tonsurante. [N.E.]