Adolpho Lutz: Dermatologia e Micologia
Zur Behandlung der Atherome
Sobre o tratamento dos ateromas*
Dr. A. Lutz, em Honolulu
Atualmente, no tratamento cirúrgico dos ateromas, a extirpação e, em geral, considerada um procedimento normal. Mostra-se, também, adequada nos casos de quistos de paredes espessas, que são encontrados frequentemente no couro cabeludo, pois a enucleação e muito fácil quando não ha concrescências. Quando a primeira incisão atinge a derme e e acompanhada por uma pressão lateral apropriada, o pequeno tumor e rapidamente extirpado. Quando, entretanto, ocorrem largas concrescencias, então a pequena cirurgia podera exigir mais tempo e trabalho; a dificuldade aumentara ainda mais quando o quisto tiver paredes muito frageis, como foi observado numa serie de casos de ateromas de rosto, principalmente das bochechas. Assim, pode-se chegar a situação de se lamentar por haver subestimado a dificuldade do caso, e procedido sem o uso de anestesia. Entretanto, existem, justamente para esses pacientes, cirurgias que constituem procedimentos simples e seguros, e que muitas vezes não são insignificantes em razão do efeito cosmetico.
Em muitos lugares esse método e pouco praticado, apesar de ser conhecido há tempos, em virtude, principalmente, do fato de não se poder confiar muito em seus resultados. Parece, portanto, não ser ocioso apresentar algumas observações que depoem a seu favor -pelo menos nos casos citados.
O procedimento a ser comentado substitui a excisão pela incisão, com a consequente eliminação do ateroma, como e frequentemente praticada em outros lugares, segundo o mesmo princfpio. Estetratamento eo mais adequado para uma serie de casos, quando o ateroma ja esta inflamado. (A verdadeira natureza de tais abscessos cutaneos e reconhecida pelas massas neles contidas, do tipo queijo esfarelado, frequentemente malcheirosas.) Nesta condição recebi, para tratamento, por exemplo, um ateroma de ombro, do tamanho de um ovo, e uma erupção cutanea de nuca, do tamanho de uma noz. No ultimo caso, fiz ainda uma pequena curetagem com uma colher afiada, bem como uma pincelada com tintura de iodo, que e quase indolor;o resultado foi tão perfeito que poderia ser considerado, rigorosamente, uma obra-prima: 24 horas depois, a incisura ja estava fechada e curada, tendo ficado apenas uma fina cicatriz Iinear. Mesmo ap6s varios anos não foram constatadas recidiva nem depressão no respectivo local.
Pouco tempo depois, tive de operar dois ateromas de parede fina e fortemente aderentes a uma bochecha. Como achasse a curetagem difícil a ponto de não ter certeza de haver afastado toda a parede do quisto, pincelei bastante tintura de iodo e obtive uma cura perfeita.
Desde então, em casos semelhantes, passei a fazer incisões sempre diretamente pela parede do quisto e a eliminar seu conteúdo com uma pequena colher. Estando a pele solta, ela o acompanha ou se desprende com um leve puxão da pinça;em outro caso o quisto e eliminado pela tintura de iodo. Decididamente recomendo este procedimento para quistos pequenos e de paredes finas.
* Publicado originalmente como "Zur Behandlung der Atherome", Oermatologische Wochenschrift, p.SOS-6, 1891.