Animais de laboratório: criação e experimentação

24. Principais zoonoses

 

Leda Maria Silva Kimura

 

Introdução

Zoonoses são enfermidades transmitidas naturalmente dos animais ao homem. Apesar dos avanços verificados no seu controle, a incidência de zoonoses permanece alta em todos os países em desenvolvimento. Zoonoses emergentes aparecem constantemente como resultado de troca de comportamento de algumas doenças e podem se transformar em ameaças, como a hantavirose.

Mais de 200 zoonoses são conhecidas, sendo causa de consideráveis morbidade e mortalidade em grupos demográficos vulneráveis, especialmente crianças, idosos e trabalhadores ligados às áreas da saúde pública e veterinária.

A saúde humana e a animal estão indissoluvelmente ligadas. Os seres humanos dependem dos animais para sua nutrição, companhia, desenvolvimento tecnológico, socioeconômico e científico.

Sendo os animais de laboratório essenciais para o desenvolvimento e testes de vacinas, controle da qualidade de inúmeros medicamentos, ensino e pesquisas de diferentes enfermidades, serão abordadas a seguir algumas zoonoses que podem representar perigo aos profissionais que lidam nessa área.

 

Coriomeningite linfocitária

ETIOLOGIA: vírus ARN, gênero Arenavirus; família

Arenaviridae.

TRANSMISSÃO: o reservatório principal, e provavelmente o

único, é o camundongo, fonte de infecção para as demais

espécies animais, incluindo o homem. Nesses animais, a

infecção é persistente, ao passo que para o homem e outros

animais apresenta duração limitada. Os camundongos eliminam

o vírus por secreções nasais, urina, sêmen, leite e fezes. A

infecção congênita e neonatal é muito importante para essa

espécie. O vírus se transmite tanto vertical como

horizontalmente. A infecção pode ser adquirida pelo homem

através de aerossóis, por via conjuntival, pela pele, ou

simplesmente ao se visitar uma colônia.

SINTOMAS NOS ANIMAIS: os camundongos infectados

naturalmente raramente apresentam sintomas clínicos. A

doença apresenta baixa mortalidade, porém os animais jovens

que se recuperam sofrem atrasos no desenvolvimento. Durante

a enfermidade, o animal apresenta um ataque convulsivo

característico e quase sempre fatal. A doença pode evoluir para

a morte ou apresenta completa recuperação com resposta

imune normal e eliminação do vírus. Os animais que se

contaminam por via uterina mantêm o vírus durante toda a vida.

SINTOMAS NO HOMEM: a infecção tem um curso variável,

desde clinicamente inaparente a mortal, em alguns casos raros.

Em geral, é uma enfermidade benigna, apresentando

sintomatologia similar à da influenza. O período de incubação

dura de 1 a 2 semanas. A forma clínica similar à influenza pode

ser resolvida em poucos dias ou o paciente pode sofrer uma

recaída com sintomas meníngeos. A meningite também pode

se apresentar desde o início sem estar antecedida por outros

sintomas, porém, nesse caso, a incubação é mais longa, de 2 a

3 semanas. Os sintomas consistem em rigidez da nuca, febre,

dores musculares. Em raras ocasiões pode haver

meningoencefalite, com alteração dos reflexos profundos,

paralisia, anestesia cutânea e sonolência, podendo levar à

morte. A infecção pode interferir na gestação causando danos

ao feto (encefalites, hidrocefalia, coriorretinites).

Diagnóstico:

provas sorológicas:

fixação de complemento;

soroneutralização;

imunofluorescência indireta.

isolamento do vírus:

inoculação de camundongos por via intracerebral (sangue e líquido cefalorraquidiano dos pacientes suspeitos).

Controle:

quarentena dos animais recém-adquiridos; em colônias de camundongos, deve-se efetuar vigilância periódica mediante provas sorológicas;

impedir a presença de roedores silvestres nos biotérios; evitar a presença de mulheres gestantes em biotérios sem a proteção adequada;

utilização, por parte dos funcionários, de proteção adequada (gorros, máscaras, luvas, macacões, botas etc.).

TRATAMENTO: sintomatológico.

ANIMAIS PARA EXPERIMENTAÇÃO AFETADOS: hamsters,

ratos, camundongos.

 

Hantavirose

ETIOLOGIA: vírus RNA; família Bunyaviridae.

TRANSMISSÃO: os ratos silvestres são os hospedeiros

naturais do Hantavírus. O homem é infectado ao inalar a poeira

formada a partir do ressecamento da urina e das fezes dos

roedores.

SINTOMAS NOS ANIMAIS: os ratos silvestres são portadores

assintomáticos, podendo apresentar perigo emergente caso

haja contaminação principalmente em colônias de ratos e

camundongos.

SINTOMAS NO HOMEM: os primeiros sintomas da infecção por

Hantavírus se assemelham aos da influenza: febre, dores

musculares, cefaléia, náuseas, vômitos, calafrios e tonturas.

Nos casos mais graves, o doente sofre hemorragia e

insuficiência renal ou pulmonar. Em cerca de 5 dias, mais de

50% das vítimas morrem.

DIAGNÓSTICO: isolamento do vírus.

CONTROLE:

impedir a presença de roedores silvestres nos biotérios; utilização, por parte dos funcionários, de proteção adequada (gorros, máscaras, luvas, macacões, botas etc.).

 

Herpesvirus Simiae

ETIOLOGIA: Herpesvirus simiae (herpesvirus B); vírus DNA;

família Herpesviridae; subfamília Alphaherpesvirinae.

TRANSMISSÃO: o principal reservatório natural é o macaco

rhesus (Macaca mulatta.) Outros primatas não-humanos podem

ser fontes de infecção para o homem. A infecção é transmitida

dentro de uma colônia de primatas por contato direto,

contaminação de alimentos e água com saliva, mordeduras,

arranhões e aerossóis. O homem contrai a infecção por

mordeduras ou lesões da pele contaminadas com saliva de

primatas e também por aerossóis através da conjuntiva, nariz e

faringe. Há descrito caso de infecção acidental em laboratório

por ruptura de frasco com cultivo de rim de macaco.

SINTOMA NOS ANIMAIS: nos primatas, as infecções são

subclínicas e resultam em infecções latentes que persistem por

toda a vida do animal. Ocasionalmente, os animais são

observados com ulcerações labiais ou linguais (semelhante às

lesões de Herpesvirus simplex no homem). Essas lesões orais

são fonte de grande quantidade de vírus e representam perigo

para as pessoas que trabalham com primatas, uma vez que o

vírus B causa encefalomielite fatal no homem.

SINTOMAS NO HOMEM: o homem é um hospedeiro acidental.

Herpesvirus simiae não se transmite de homem para homem. A

infecção humana depende sempre da fonte animal. O período

de incubação é estimado entre 1 a 5 semanas a partir da

exposição. Se a infecção é produzida por mordedura ou

arranhão, pode haver formação de vesícula no ponto da ferida,

seguida de linfangites e linfadenites. A enfermidade

generalizada se manifesta por febre, cefaléia, náuseas, dor

abdominal e diarréia, podendo apresentar faringite vesicular,

retenção urinária e pneumonia. Os sintomas neurológicos

apresentam, inicialmente, dores musculares, vertigens,

espasmos diafragmáticos, dificuldade de deglutição e dores

abdominais. Depois, há paralisia flácida das extremidades

inferiores que se estende às extremidades superiores e ao tórax

até terminar com colapso respiratório. As manifestações de

encefalite ou encefalomielite podem durar de 3 a 21 dias.

DIAGNÓSTICO: em humanos com sinais de encefalite e

histórico de contato com primatas, deve-se considerar a

possibilidade de infecção por Herpesvirus simiae. A maior parte

dos casos humanos se confirmou post mortem, por isolamento

do vírus do cérebro ou da medula. Quando a duração da

enfermidade permite a aparição de anticorpos, pode-se efetuar

o diagnóstico mediante a prova de soroneutralização, assim

como nos primatas não-humanos.

CONTROLE:

quarentena de 6 a 8 semanas para animais introduzidos na colônia;

sacrifício de animais com lesões orais sugestivas de vírus B ou sorologia positiva;

utilização, por parte dos funcionários, de proteção adequada (gorros, máscaras, luvas, macacões, botas etc.).

ANIMAIS PARA EXPERIMENTAÇÃO AFETADOS: primatas

não-humanos.

 

Raiva

ETIOLOGIA: vírus RNA; gênero Lyssavirus; família

Rhabdiviridae.

TRANSMISSÃO: os hospedeiros que mantêm o vírus rábico na

natureza são os carnívoros e os quirópteros. A transmissão se

dá através de soluções de continuidade.

SINTOMAS NOS ANIMAIS: nos cães, distinguem-se duas

formas, a raiva furiosa e a paralítica ou muda; segue a

sintomatologia nervosa predominante: o período de incubação

varia de 10 dias a 2 meses ou mais. Na fase prodrômica, os

cães manifestam mudança de conduta, escondem-se em

lugares escuros ou demonstram grande agitação. A

excitabilidade reflexa é exaltada e o animal se sobressalta ao

menor estímulo. Apresenta anorexia, irritação na região da

mordedura, estimulação das vias geniturinária e um ligeiro

aumento da temperatura corporal. Depois de 1 a 3 dias,

acentuam-se, de forma notória os sintomas de excitação e

agitação. O cão se torna perigosamente agressivo, com

tendência a morder objetos, animais e o homem, inclusive seu

próprio dono; muitas vezes morde a si mesmo, infligindo-se

graves feridas. A salivação é abundante, uma vez que o animal

não deglute a saliva em conseqüência da paralisia dos

músculos da deglutição. Há alterações no latido por causa da

paralisia parcial das cordas vocais. Na fase terminal da

enfermidade, pode-se observar convulsões generalizadas,

incoordenação muscular e paralisia dos músculos do tronco e

das extremidades.

A forma muda caracteriza-se pelo predomínio de sintomas

paralíticos, de maneira que a fase de excitação é muito curta ou

não está presente. A paralisia começa pelos músculos da

cabeça e do pescoço, o animal tem dificuldade na deglutição e

geralmente há suspeitas de que o cão esteja engasgado com

osso. O tratador, ao socorrê-lo, expõe-se à infecção. Logo,

sobrevém paralisia das extremidades, paralisia geral e morte. O

curso da enfermidade dura de 1 a 11 dias.

SINTOMAS NO HOMEM: a enfermidade começa com uma

sensação de angústia, cefaléia, elevação da temperatura

corporal, mal-estar, anorexia, náuseas, irritabilidade, alterações

sensoriais imprecisas, e o paciente se queixa de hiperestesia e

parestesia no local da inoculação. Na fase seguinte da

excitação, há hiperestesia e uma extrema sensibilidade à luz,

ao som e ao vento, além de midríase e aumento da salivação.

Com a evolução da doença, há espasmos nos músculos da

deglutição e os líquidos são vigorosamente recusados, embora

os pacientes sintam sede e até manifestem o desejo de beber.

Essa disfunção da deglutição é comum na maioria dos

enfermos. Muitos deles experimentam contrações

espasmódicas laringofaríngeas à simples visão de um líquido

(hidrofobia) e se recusam a engolir a sua própria saliva. Pode-

se também observar espasmos dos músculos respiratórios,

ansiedade, delírio e convulsões generalizadas. Os sintomas de

hiperatividade podem ser predominantes até a morte ou

substituídos por uma fase de paralisia generalizada. Em alguns

casos, a hiperatividade é muito curta e em quase todo o

decorrer da doença predomina a sintomatologia paralítica. A

enfermidade dura de 2 a 6 dias ou mais e, de modo invariável,

termina com a morte.

DIAGNÓSTICO: coleta de cérebro de animais suspeitos

imunofluorescência direta;

prova biológica (inoculação em camundongos); exame histopatológico.

CONTROLE:

vacinação dos animais;

vacinação preventiva dos funcionários envolvidos em experimentos que utilizem animais susceptíveis; utilização, por parte dos funcionários, de proteção adequada (gorros, máscaras, luvas, macacões, botas etc.).

TRATAMENTO: não há.

ANIMAIS PARA EXPERIMENTAÇÃO: cães e primatas não-

humanos.

 

Febre por mordedura de rato

ETIOLOGIA: Streptobacillus moniliformis e Spirillum minus.

Infecção por Streptobacillus moniliformis

TRANSMISSÃO: os reservatórios da infecção são os ratos que

albergam o agente etiológico na nasofaringe e são transmitidos,

por mordedura, ao homem. A infecção dos camundongos de

laboratório pode ser produzida por via aerógena quando são

alojados no mesmo ambiente com ratos.

SINTOMAS NOS ANIMAIS: os ratos são portadores sadios. Às

vezes, são observadas lesões purulentas nesses animais. S.

moneliformes é patogênico para camundongos e em algumas

epizootias se registrou alta morbidade e mortalidade com

sintomas como poliartrite, gangrena e amputação espontânea

dos membros. Em cobaias, pode produzir uma linfadenite

cervical com grandes abscessos nos gânglios linfáticos

regionais.

SINTOMAS NO HOMEM: o período de incubação dura de 2 a

14 dias. A enfermidade se inicia com uma sintomatologia similar

à da influenza. A ferida da mordedura é curada de modo

espontâneo e sem complicações. É comum o exantema, a

linfadenopatia regional, as artralgias migratórias e as mialgias.

Em alguns casos mais severos, observa-se poliartrite e

endocardite. Nos casos não tratados a mortalidade chega a

10%.

DIAGNÓSTICO: isolamento de S. moniliformes (em meios

enriquecidos com soro e sangue) de material proveniente das

lesões articulares ou de amostras de sangue.

Controle: os camundongos, ratos e cobaias de laboratório

devem se alojar em diferentes ambientes, e os funcionários do

biotério devem ser instruídos sobre o manejo apropriado.

TRATAMENTO: penicilina e estreptomicina de 7 a 10 dias.

Animais para experimentação afetados: ratos, camundongos.

Infecção por Spirillum minus

TRANSMISSÃO: o reservatório são os ratos e outros roedores.

A saliva é fonte de infecção para o homem e a transmissão é

por mordedura.

SINTOMAS NOS ANIMAIS: a infecção nos ratos é inaparente.

SINTOMAS NO HOMEM: o período de incubação é de 1

semana a 2 meses. A febre começa bruscamente e tarda a

desaparecer, porém recorre em várias ocasiões durante 1 a 3

meses. Observa-se uma erupção exantemática generalizada

que pode aparecer em cada ataque febril. A ferida apresenta

infiltração edematosa e ulceração, e gânglios linfáticos

hipertrofiados.

DIAGNÓSTICO: a bactéria não se desenvolve em meios de

cultivo de laboratório. O diagnóstico se realiza à base de exame

microscópio em campo escuro do infiltrado da ferida.

CONTROLE: igual infecção por S. moniliformes.

ANIMAIS PARA EXPERIMENTAÇÃO AFETADOS: ratos,

camundongos.

 

Leptospirose

ETIOLOGIA: Leptospira interrogans.

Quadro 1 – Principais sorogrupos de L. interrogans de interesse

veterinário

 

TRANSMISSÃO: o animal reservatório (roedores,

especialmente ratos) excreta leptospiras na urina. Nas colônias

de animais de laboratório, onde a infecção penetra, podem ser

afetados 80% de ratos e camundongos. A infecção do homem e

de outros animais se produz por via direta ou indireta através da

pele e das mucosas nasal, bucal e conjuntival. A via mais

comum é a indireta, através de águas, solo e alimentos

contaminados por urina de animais infectados. Grande

variedade de sorotipos foi isolada de camundongos de todo o

mundo, predominando, entretanto, L. ballum em colônias de

albinos suíços. Os camundongos infectados podem superar a

infecção aguda e se tornarem disseminadores crônicos.

Concentrações de leptospira podem ser demonstradas

agrupadas nos túbulos renais de camundongos assintomáticos,

tornando-os reservatórios permanentes. Alguns cães excretam

sorotipos na urina continuamente por meses e até anos após a

infecção.

SINTOMAS NOS ANIMAIS: em roedores, a doença dificilmente

apresenta sintomas. Em cães, a infecção pode variar de forma

assintomática a quadros clínicos graves. A forma mais grave é

a hemorrágica, que se instala repentinamente com febre por 3 a

4 dias, seguida por rigidez e mialgias nos membros posteriores,

hemorragias na cavidade bucal com tendência a necrose e

faringite. Em uma etapa posterior, pode haver gastroenterite

hemorrágica e nefrite aguda. Tanto na infecção por canicola

quanto por icterohaemorragiae pode haver icterícia e

principalmente na infecção por este último sorovar.

SINTOMAS NO HOMEM: o período de incubação da

enfermidade dura de 1 a 2 semanas. A sintomatologia humana

é muito variável, desde casos leves, praticamente

assintomáticos, até outros com cefaléia, febre, vômitos, mal-

estar geral, petéquias cutâneas, conjuntivite, às vezes icterícia,

meningite, encefalite e, em casos raros, até a morte se a

doença progredir sem diagnóstico.

DIAGNÓSTICO:

imunofluorescência;

Enzyme-Linked Immune Serum Asssay (Elisa).

CONTROLE:

quarentena dos animais recém-adquiridos; impedir o acesso de roedores silvestres aos biotérios e estoques de ração;

utilização, por parte dos funcionários, de proteção adequada (gorros, máscaras, luvas, macacões, botas etc.); em cães a imunização tem sido eficaz na redução da incidência e severidade da leptospirose canina, mas não previne o estado de portador, podendo levar a infecção ao homem.

ANIMAIS PARA EXPERIMENTAÇÃO AFETADOS: ratos,

camundongos, cobaias, gambás, cães, primatas não-humanos.

 

Listeriose

ETIOLOGIA: Listeria monocytogenes.

TRANSMISSÃO: a bactéria pode ser eliminada pelas fezes e se

encontra presente nos fetos abortados e na placenta; a infecção

se dá por contato. A doença pode ser observada sobretudo em

coelhos, cobaias, caninos e no homem.

SINTOMAS NOS ANIMAIS: a enfermidade afeta as fêmeas

gestantes. Os machos e as fêmeas não-prenhes oferecem

grande resistência. É produzida septicemia com lesões no útero

que conduzem ao aborto. Pode ser observado

meningoencefalite em láparos. Nos casos septicêmicos, são

encontrados focos de necrose no fígado e no baço, infiltrados

por células mononucleares. Em cães, a enfermidade pode se

confundida com a raiva por causa dos sintomas de encefalite.

Há casos de surtos em coelhos e cobaias.

SINTOMAS NO HOMEM: o aborto por listéria, na mulher, é

produzido na segunda metade da gestação. Os sintomas que

precedem alguns dias ou semanas do aborto consistem em

calafrios, febre, cefaléia e tonteira. Eles podem se repetir ou

não antes do aborto ou do feto a termo enfermo. Depois do

parto, a mãe não apresenta sintomas da enfermidade, porém a

bactéria pode ser isolada da vagina, do colo uterino e da urina

por períodos de alguns dias até várias semanas. Se a criança

nasce viva, morre pouco tempo depois de septicemia por essa

bactéria. Algumas crianças nascem aparentemente sãs e

apresentam meningite aproximadamente 3 semanas após o

parto. A hidrocefalia é uma seqüela comum da meningite

neonatal. Há descrições de veterinários com erupção cutânea

após manejo de fetos infectados.

DIAGNÓSTICO: o diagnóstico pode efetuar-se por isolamento

do agente. Em casos de septicemia, deve-se coletar sangue.

Nas fêmeas, deve-se cultivar secreções vaginais e fezes. Nos

fetos septicêmicos, a listéria pode ser isolada de qualquer

órgão, e nos casos de meningoencefalite ou meningite, do

líquido encéfalo-raquidiano.

CONTROLE:

quarentena dos animais recém-adquiridos; incineração das placentas e fetos abortados; em coelhos: sacrifício dos animais infectados; mulheres grávidas que trabalham em biotérios: exames periódicos principalmente após sintomatologia semelhante à da influenza;

utilização, por parte dos funcionários, de proteção adequada (gorros, máscaras, luvas, macacões, botas etc.).

ANIMAIS PARA EXPERIMENTAÇÃO AFETADOS: cobaias,

coelhos, cães.

 

Salmonelose

ETIOLOGIA: Salmonella enterica.

TRANSMISSÃO: os camundongos de laboratório podem

eliminar várias espécies de Salmonella simultaneamente, sem

mostrar nenhum sinal clínico da enfermidade. As formas de

transmissão geralmente são pela ingestão de água ou

alimentos contaminados com fezes de animais infectados ou

portadores. O cão pode contrair a infecção por coprofagia de

outros cães e de outros animais. Podem se infectar também por

alimentos contaminados.

SINTOMAS NOS ANIMAIS: apesar de os camundongos serem

portadores assintomáticos, podem apresentar sintomatologia

quando submetidos a estresse. Apresentam, então, postura

encurvada com distensão abdominal, lerdeza, pelagem áspera,

perda de peso, fezes brancas ou de coloração clara e diarréia.

Podem apresentar conjuntivite e respiração acelerada. A morte

pode sobrevir em 1 semana. Em cães, podemos observar

gastroenterite. Em serpentes, faz parte da flora intestinal,

podendo apresentar patogenicidade para o homem.

Sintomas no homem: todas as infecções por Salmonella,

excluindo S. tiphi (específica do homem), podem ser

consideradas zoonoses. A Salmonelose talvez seja a zoonose

mais difundida no mundo. Causa no homem uma infecção

intestinal que se caracteriza por um período de incubação de 6

a 72 horas após a contaminação. Caracteriza-se por sintomas

de gastroenterite grave: náuseas, vômitos, diarréia, dores

abdominais e febre.

DIAGNÓSTICO: isolamento do agente etiológico das fezes.

CONTROLE:

quarentena nos animais recém-adquiridos; utilização, por parte dos funcionários, de proteção adequada (gorros, máscaras, luvas, macacões, botas etc.); sacrifício dos animais portadores.

ANIMAIS PARA EXPERIMENTAÇÃO: camundongos, cobaias,

ratos, cães, serpentes, gambás, primatas não-humanos.

 

Dermatomicoses

ETIOLOGIA: diversas espécies de Microsporum e Trichophyton.

TRANSMISSÃO: os reservatórios naturais dos dermatófitos

zoófilos são os animais. A transmissão se faz por contato com o

animal infectado (enfermo ou portador) ou por esporos contidos

nos pêlos e escamas dérmicas desprendidos do animal. Os

dermatófitos permanecem viáveis no epitélio descamado por

muitos meses. A transmissão de animal a animal se produz

pelas mesmas vias.

SINTOMAS NOS ANIMAIS: nos camundongos e cobaias de

laboratório, a doença se manifesta geralmente sem lesões

aparentes; sua presença se detecta muitas vezes pelo contágio

humano. Nos cães, as lesões são freqüentes e aparentes e

podem se apresentar em qualquer parte do corpo em forma de

tinha arredondada.

SINTOMAS NO HOMEM: a dermatofitose é uma infecção

superficial da camada córnea da pele ou dos pêlos e unhas. As

espécies de Microsporum causam grande parte das

dermatofitoses da cabeça e do corpo, porém, raramente são

responsáveis pelas infecções das unhas. As espécies de

Trichophyton podem invadir a pele de qualquer parte do corpo.

DIAGNÓSTICO: isolamento do agente em meios de cultivo.

CONTROLE:

quarentena nos animais recém-adquiridos; utilização, por parte dos funcionários, de proteção adequada (gorros, máscaras, luvas, macacões, botas etc.).

TRATAMENTO: antimicóticos de aplicação local e/ou

griseofulvina por via oral.

ANIMAIS PARA EXPERIMENTAÇÃO AFETADOS:

camundongos, ratos, cobaias, cães.

 

Bibliografia

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CORRÊA, W. M. & CORRÊA, N. M. Doenças Infecciosas dos Mamíferos Domésticos. São Paulo: Médica e Científica Ltda., 1992.