Animais de laboratório: criação e experimentação
28. Anestesia em animais de experimentação
28. Anestesia em animais de
experimentação
Ekaterina Akimovna B. Rivera
Introdução
A principal razão para o uso de anestésicos é a de prover a contenção humanitária do animal, visando, também, a atingir um grau razoável de relaxamento muscular para facilitar a cirurgia e, principalmente, produzir analgesia suficiente a fim de que o animal não sofra.
O sucesso da anestesia não depende somente do tipo de droga, das doses ou das vias de administração utilizadas. Para que a anestesia se realize de maneira satisfatória, é necessário ter um bom nível de zelo com o animal, tanto no pré quanto no pós-operatório, cuidando, inclusive, da redução do estresse e do controle da dor.
Os efeitos de um anestésico devem ser consistentes e passíveis de serem repetidos. Além disso, o anestésico deve oferecer grande margem de segurança tanto para o animal quanto para o operador.
Uma anestesia bem conduzida é de fundamental importância para a validade científica de qualquer estudo que utilize animais. No caso de um estudo em que o animal tenha de se recuperar da anestesia, este deve retornar a sua normalidade fisiológica tão rapidamente quanto possível. Não poderemos ter, por exemplo, um animal sofrendo de dor, medo, inapetência, desconforto, hipotermia, hipóxia ou acidose respiratória, pois todos estes itens são indicativos de uma anestesia mal conduzida.
A anestesia deve interferir o menos possível com o experimento que está sendo realizado, e não deve alterar os dados que estiverem sendo registrados. Porém, caso haja qualquer alteração, esta deve ser avaliada.
Os equipamentos empregados para a anestesia deverão ser sempre os mais adequados para a espécie animal a ser tratada.
Cuidados pré-operatórios
Os animais deverão ser submetidos a exame clínico meticuloso antes de serem anestesiados. Um animal saudável e livre de infecções (clínicas ou subclínicas), sobretudo aquelas do trato respiratório, terá menos problemas durante a anestesia.
É importante lembrar da sensibilidade individual do animal e de que alguns reagem melhor do que outros à anestesia.
Não é necessário o jejum prévio em coelhos e roedores antes da anestesia, pois esses animais não vomitam; além disso, os roedores se tornam hipoglicêmicos muito rapidamente quando em jejum. É necessário o jejum quando da cirurgia gastrointestinal superior, mas o estômago só ficará completamente vazio se conseguirmos evitar a coprofagia.
É importante o manuseio cuidadoso do animal, e deve ser feito por pessoa treinada para que o mesmo não sinta medo ou estresse ao ser levado de sua sala para o local de cirurgia.
Medicação pré-anestésica
As finalidades da pré-medicação são:
reduzir o medo e a apreensão e, com isto, obter uma indução livre de estresse;
reduzir as quantidades de outros anestésicos necessários para induzir a anestesia geral, diminuindo, assim, os efeitos
colaterais indesejáveis;
facilitar a recuperação da anestesia;
reduzir a salivação e as secreções brônquicas e bloquear o reflexo vaso vagal, onde ocorre a bradicardia devido à intubação endotraqueal e ao manejo das vísceras; reduzir a dor pós-operatória.
As drogas utilizadas na pré-anestesia são as anticolinérgicas, os tranqüilizantes e os sedativos.
Os anticolinérgicos bloqueiam o estímulo parassimpático e diminuem a salivação e as secreções brônquicas; também protegem o coração da inibição vagal que ocorre quando as vísceras são manuseadas. A droga de escolha é o sulfato de atropina na concentração de 600 mg por ml.
Os tranqüilizantes e sedativos produzem efeito calmante sem causar sedação, e não possuem ação analgésica. Há grande variação entre as espécies quanto ao efeito dessas drogas. Dentre as mais usadas, temos:
FENOTIAZINAS, por exemplo, acepromazina e cloropromazina – podem causar hipotensão e queda da temperatura corporal; BUTIROFENONAS, por exemplo, fluanisona – mais potentes que as fenotiazinas e menos hipotensoras; BENZODIAZEPINAS, por exemplo, diazepam, midazolam – excelente sedação, bom relaxamento muscular e potentes anticonvulsivantes;
METEDOMIDINA – droga relativamente nova. Sua maior vantagem é ser rapidamente reversível, fazendo com que o animal retorne à normalidade muito mais rapidamente.
Anestesia geral
A anestesia é uma combinação de narcose, relaxamento e analgesia; sua escolha depende de vários fatores. Qualquer que seja a droga utilizada, esta afetará a fisiologia do animal de alguma maneira. Em uma anestesia bem balanceada, as drogas são administradas em combinação, incluindo a pré-medicação, os anestésicos e os analgésicos, para poder se chegar a uma melhor estabilidade fisiológica do animal e, assim, reduzir os efeitos colaterais indesejáveis.
Diferentes drogas induzem a diferentes estágios em diferentes graus.
Deve-se tirar vantagem da grande variedade de drogas anestésicas e das combinações disponíveis, e não se limitar a um ou outro método que pode não ser o melhor para todos os tipos de protocolo experimental, já que diferentes procedimentos exigem diferentes tipos de profundidade e de duração de anestesia. A anestesia deverá ser escolhida somente quando todos os fatores que potencialmente podem influenciar o protocolo forem considerados.
Em geral, o primeiro passo a ser dado por um anestesiologista é saber se o anestésico a ser utilizado deverá ser inalável ou injetável. Há a possibilidade de se usar os dois métodos: os agentes injetados são usados para a indução e os inalados para a manutenção da anestesia.
Quando os agentes são inalados, a anestesia é maior. Os agentes inalados são eliminados, principalmente, pelos pulmões, ao passo que os injetados precisam ser metabolizados pelo fígado e excretados pelos rins. Esse processo é mais demorado, portanto, é mais lenta a volta à fisiologia normal, ao controle da hipotermia e ao equilíbrio eletrolítico. Porém, as novas drogas injetáveis têm agentes reversores específicos que apressam a recuperação.
É melhor se ter uma recuperação rápida e prover analgesia pós-operatória adequada do que se ter uma anestesia prolongada.
Outros fatores que influem na escolha do anestésico incluem a espécie utilizada, a duração do procedimento, a profundidade da anestesia exigida e a natureza do procedimento.
Anestésicos inalatórios
A técnica mais utilizada para anestesiar um pequeno roedor é a de colocá-lo em um recipiente contendo algodão embebido no anestésico. Nada menos indicado. Além do contato direto com o anestésico ser altamente irritante para as mucosas do animal, a concentração da droga não pode ser medida. Esse modo de conduzir uma anestesia é perigoso para o anestesiologista e para as outras pessoas, pois há probabilidade não só de que estes inalem grandes quantidades da droga, mas também de perigos de explosão e de fogo, principalmente com o éter.
Os agentes voláteis devem ser administrados para os animais por meio de um aparelho para anestesia, usando oxigênio e óxido de nitrogênio como transportadores.
O laboratório deverá dispor de máquina para anestesia com os seguintes componentes básicos: cilindros de gás, válvula de redução, medidor de fluxo, vaporizador. Essas máquinas podem ser feitas no próprio laboratório, caso as comerciais sejam muito caras.
OBS.: a concentração do agente volátil não depende do peso do animal, mas do próprio agente. Assim, animais maiores não necessitam de concentrações maiores de anestésico.
Há vários agentes voláteis disponíveis. Dentre esses, os mais comuns são:
METOXIFLURANO – produz indução e recuperação lentas. Isso significa grande segurança com boa atividade analgésica, que se prolonga pelo período pós-operatório; HALOTANO – largamente empregado. É um líquido não-inflamável, muito potente, com alto índice terapêutico, sendo, portanto, muito seguro. Não irritante para as membranas, é o mais barato. Podem ser notados tremores durante a recuperação. Isso se deve a seu efeito depressor cardíaco, que
reduz a pressão sangüínea, sensibilizando o coração para os efeitos arrítmicos das catecolaminas;
ISOFLURANO – mais seguro que o halotano, com pouco efeito nas enzimas hepáticas, porém, bem mais caro.
Outros agentes semelhantes ao isoflurano são o enflurano, desflurano e sevoflurano.
Qualquer que seja o agente escolhido, este deverá ser usado juntamente com o óxido nitroso.
Como o óxido nitroso possui efeitos cardiovasculares e respiratórios mínimos, é usado com o agente volátil para reduzir as concentrações dos agentes, diminuindo assim seus efeitos colaterais. É comum utilizá-lo nas concentrações de 60:40 ou de 50:50 com o oxigênio para liberar o agente volátil. Após uma anestesia prolongada, deverá ser dado oxigênio puro por 5 a 10 minutos, caso contrário o oxigênio poderá ser deslocado dos pulmões pelo óxido, causando hipóxia, abrindo a possibilidade de desencadear um colapso respiratório.
Devemos mencionar o éter, que foi muito utilizado, mas que possui muitos problemas associados ao seu uso: muito irritante para as membranas mucosas, pode exacerbar doenças respiratórias preexistentes, causar períodos de excitação involuntária antes da anestesia, aumentar os níveis de catecolaminas, causando hiperglicemia, e afetar as enzimas hepáticas; é extremamente explosivo, o que faz com que seja proibido por medidas de segurança.
Agentes injetáveis
Considerações Gerais
Os agentes injetáveis são administrados ou por via endovenosa ou outra via parenteral. Em animais de experimentação, o tamanho ou a difícil contenção de alguns faz com que as vias mais utilizadas sejam a intramuscular e a intraperitoneal. Essas vias exigem doses mais altas da droga. É necessário pesar o animal, pois a estimativa de peso é em geral pouco precisa. Também é importante que as drogas usadas em animais de experimentação tenham ampla margem de segurança, não sejam irritantes e possam ser administradas em pequeno volume por meio de seringa com agulha fina (25-27). Em virtude da grande variação na resposta às drogas entre as espécies, linhagens, sexos e indivíduos, é melhor usar uma droga, ou combinação de drogas, que forneça ampla margem de segurança.
A maioria dos agentes injetáveis produz pobre analgesia e são insuficientes para cirurgias maiores. A absorção pelas vias intraperitoneal, subcutânea e intramuscular pode ser lenta. Também a recuperação é lenta e, portanto, os efeitos residuais da droga podem persistir por longos períodos. Há também um lapso de tempo entre a injeção da droga e a profundidade da anestesia. É necessário, portanto, uma boa avaliação da profundidade desta.
Para facilitar a aplicação da injeção em animais mais nervosos, pode ser usado um creme anestésico local (Eutectic Mixture of Local Anesthetics – Emla – ou Astra), que deve ser aplicado 30-60 minutos antes para dessensibilizar a pele.
Dentre os anestésicos injetáveis, os barbitúricos foram largamente usados, e dentre estes citamos o pentobarbital, tiopental, methohexitono, thiamylal e inactin.
Os barbitúricos produzem depressão do sistema Nervoso central (SNC) e depressão cardiovascular e respiratória acentuadas. O efeito analgésico é fraco, exigindo grandes doses. Em geral, a dose letal é ligeiramente maior do que a dose clínica. A recuperação também é lenta e pode estar associada a movimentos convulsivos. São mais usados em concentrações altas para eutanásia.
Agentes não barbitúricos foram desenvolvidos como o propofol, que é administrado endovenosamente, age rapidamente, induzindo à anestesia suavemente, sem efeitos colaterais e com recuperação rápida; pode ser usado em infusão continuada para cirurgias de longa duração. Pode, ainda, ser empregado com segurança em ratos, gatos, cães, primatas, porcos e coelhos e há possibilidade de ser combinado com uma grande variedade de pré-medicamentos, analgésicos e agentes inaláveis.
Outro agente injetável dessa mesma classe que é bastante popular é o saffan, uma mistura de alfaxalona, esteróides e alfadolona. É usado em quase todas as espécies animais, menos no cão, porque há um componente nessa mistura que causa liberação de histamina e conseqüente anafilaxia. É o anestésico de eleição para primatas.
Dentre os agentes dissociativos, citamos a ketamina, que pode ser administrada em injeção intramuscular ou endovenosa. Em geral, é usada em combinação com outros agentes, como a xilazina ou o diazepam, para evitar os efeitos colaterais como tremores musculares.
Os analgésicos narcóticos são muito potentes, mas podem provocar depressão respiratória. O fentanil tem efeito sedativo em ratos, cães e primatas, mas em camundongos, gatos e cavalos causa excitação.
Os analgésicos neurolépticos são combinados com um neuroléptico (tranqüilizante) ou com um analgésico narcótico. Se utilizados sozinhos, produzem depressão respiratória e pouco relaxamento muscular. Porém, se combinados com os benzodiazepínicos, esses efeitos colaterais diminuem sensivelmente. Uma excelente opção de anestesia para roedores e coelhos é a combinação de fentanil/fluanisona com midazolam ou diazepam. Os efeitos dos neurolépticos podem ser revertidos por meio de antagonistas como naloxona ou agonistas parciais, como buprenorfina.
Anestesia não reversível
Os animais que serão submetidos a procedimentos terminais deverão ter os mesmos cuidados que os animais que recebem anestesia para procedimentos cirúrgicos com recuperação. Muitas vezes, os procedimentos terminais são mais invasivos e o animal necessita de maiores cuidados. Alguns anestésicos, como o pentobarbital e o hidrato de cloral, somente deveriam ser usados para procedimentos terminais.
Anestesia de longa duração
Quando for necessária uma anestesia prolongada, temos quatro opções:
dose única, com um anestésico de longa duração, como alfa-clorosa;
injeções intermitentes – é essencial um bom monitoramento; infusão continuada, via endovenosa, como o fentanil/midazolam;
agentes inalatórios com indução anterior.
Técnicas combinadas
A finalidade do equilíbrio anestésico é o de minimizar a interferência causada pelas drogas com a fisiologia animal e de prover uma recuperação suave, rápida e livre de dor. Isso é possível combinando vários anestésicos como, por exemplo, administrando sedativos antes da indução com um agente inalável.
Anestesia local
Esta é uma outra opção de anestesia, muito utilizada em animais de fazenda. Pode ser feita por meio de infiltração ao redor da área da cirurgia proposta ou por meio de bloqueio dos nervos específicos do campo cirúrgico. Se for feita injeção epidural ou subdural, a área de anestesia pode ser bastante extensa.
Qualquer que seja o método de anestesia escolhido, é essencial manter um alto padrão de cuidado com os animais, se quisermos obter dados de pesquisa significativos.
Manejo anestésico
Quando administradas doses elevadas de anestesia, ocorre a morte do animal. Contudo, se as doses forem insuficientes, o animal sofrerá dor. Para evitar que esses dois extremos ocorram, deve-se monitorar as funções respiratória e circulatória, a temperatura corporal e a profundidade da anestesia.
Profundidade da Anestesia
O animal anestesiado não está simplesmente dormindo ou morto. Portanto, os animais devem ser monitorados freqüentemente, pelo menos a cada 5 minutos ou mais, até que seja atingida a profundidade certa da anestesia. Não se pode monitorar somente um sinal isoladamente do resto do animal. O reflexo podal é o mais comumente usado, além do da cauda ou da orelha. Essas respostas podem ocorrer se tivermos atingido a anestesia, porém, não indicam a profundidade da mesma. Nesse estado, o animal poderá estar em perigo e morrer de colapso respiratório ou cardiovascular. O monitoramento dos sinais vitais indicará essas alterações logo de início, e ações preventivas poderão ser tomadas.
Respiração
Devem ser monitorados o padrão, a profundidade e o ritmo. O movimento do peito é um bom indicador. A cor das membranas mucosas mostra a efetividade das trocas de gases pulmonares. Virtualmente, todo anestésico causa alguma depressão respiratória, que leva à hipóxia e hipercapnia. É possível haver depressão do ritmo e isso não significa que o animal esteja profundamente anestesiado, mas sim prendendo a respiração. Deve-se verificar sempre se não há obstrução do esôfago devido ao acúmulo de secreções ou sangue.
Sintomas Cardiovasculares O método mais simples de monitoramento é a qualidade e o ritmo do pulso. Um bom teste é apertar um pouco a membrana mucosa até que fique pálida e verificar o tempo necessário para voltar ao normal. Se o animal estiver bem, a volta da tonalidade natural da mucosa deve acontecer em 2 a 3 segundos. O colapso cardíaco pode ocorrer subitamente, mas em geral ele é gradual, devido à hipotensão. A perda de sangue e de líquidos pode causar choque hipovolêmico e parada cardíaca. Em pequenos roedores, a perda de sangue em geral leva à morte, já que representa alta proporção em relação à quantidade total de sangue do animal. Poderá ser feita transfusão sangüínea, pois reações à transfusão são raras na primeira vez, e nunca ocorrerão se os animais doadores e receptores forem da mesma linhagem endogâmica.
Temperatura Corporal
Toda anestesia afeta a termorregulação em pequenos animais. Com isso, a temperatura corporal sofre redução, a menos que sejam tomadas medidas preventivas. A queda é exacerbada pelo fluxo de ar frio da máquina de anestesia, pela depilação do animal, pelo uso de preparados frios na pele, pela mesa operatória fria, pela exposição das vísceras durante a cirurgia e pela administração de fluidos frios. Animais menores têm uma superfície maior em relação ao volume, e são, portanto, muito susceptíveis ao frio. Essa perda de calor pode ser minimizada por meio de insulação com algodão ou lã, cama aquecida como vetbed, ou qualquer outro artefato para reter calor. Lâmpadas de calor ou cobertores aquecidos são boas fontes de calor, mas deve-se tomar cuidado para não queimar o animal. É importante garantir a manutenção das medidas para prevenir a hipotermia durante todo o período de recuperação. Podem ser usadas incubadoras e uma boa cama também ajuda; por exemplo, uma feita de papel toalha, Vetbed etc. Não deve ser usada serragem de madeira, pois esta pode aderir ao nariz e à boca dos animais ou às feridas.
A hipotermia é a causa mais comum de mortalidade em pequenos roedores, por isso, monitorar a temperatura corporal e tomar as medidas necessárias para prevenir a hipotermia são de vital importância.
Os reflexos oculares são maus indicadores da profundidade da anestesia. Muitas vezes, dependendo da espécie, o reflexo palpebral é inexistente – em roedores, é difícil avaliar, e, em coelhos, ele pode existir até quando a anestesia já está demasiadamente profunda.
Emergências na Anestesia
Medidas a serem tomadas em caso de colapso cardiorrespiratório:
PASSAGENS AÉRIAS – limpá-las e mantê-las livres; RESPIRAÇÃO – ventilar com oxigênio 20 vezes por minuto. Se necessário, usar doxapram;
CIRCULAÇÃO – massagem cardíaca.
Em seguida:
administre fluidos para recuperar a circulação (líquidos mornos); restaure o ritmo cardíaco:
para assístole, administre adrenalina, solução de 1 ml/kg de 1:10000 endovenosa iv;
repita aos 10 minutos se necessário;
para fibrilação, administre lignocaina, 1-2 mg/kg, injeção intracardíaca.
quando o animal estiver estabilizado, continue a ventilação e mantenha a circulação (fluidos e adrenalina).
Cuidado com a Hipotermia
Trate a acidose ou o edema cerebral, se necessário. Para a acidose, bicarbonato a 1.5 ml/kg de solução a 5 por cento, lentamente, por via endovenosa.
Para reduzir o edema, utilize corticosteróides ou diuréticos.
Cuidados Pós-Operatórios
Todos os parâmetros monitorados durante a cirurgia devem continuar a ser monitorados no período pós-operatório. O ideal é ter uma área específica para a recuperação, onde possa ser feito acompanhamento individual. Na área de recuperação, drogas e equipamentos de emergência devem estar disponíveis.
Verificar periodicamente:
calor e conforto;
depressão respiratória;
equilíbrio de fluidos;
perda sangüínea – cuidado com perdas internas, podem passar despercebidas;
perda plasmática – principalmente quando de cirurgias abdominais;
diminuição dos fluidos extracelulares por evaporação; urina – redução do volume da urina pode ser causado por desidratação, lesão do trato urinário, ou dor; fezes – se o animal não defecar, pode ser devido à ausência de fezes, ou paralisia do íleo (hidrato de cloral no rato); peso corporal – excelente indicador da recuperação da cirurgia, bem como o consumo de água e alimento.
A atenção individual que deve ser dispensada a cada animal depende da espécie. Animais de estimação reagem bem ao contato pessoal, ao passo que ratos e coelhos podem ficar estressados com o contato.
A área de recuperação deve levar em consideração a espécie animal. Luz, temperatura, ruído devem ser adequados. Gaiolas e camas devem prover conforto e manter o animal limpo e seco. Quando o procedimento exigir a imobilização do animal, ele deverá ser mudado de posição periodicamente para evitar a formação de úlceras de decúbito.
Todos os dados deverão ser registrados, bem como as drogas que serão administradas. Esses registros devem estar disponíveis e são de grande importância.
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