Animais de laboratório: criação e experimentação
2. Modelo animal
Belmira Ferreira dos Santos
Definição
Em primeiro lugar, definiríamos modelo como algo que permite imitação ou reprodução. O próximo passo é associar animal e modelo. O que seria um modelo animal?
Histórico
Desde a mais remota Antigüidade, o homem, levado pela curiosidade, tem tentado desvendar os mistérios do ambiente que o cerca. Nas ciências biológicas o mesmo aconteceu. Os precursores da medicina adquiriram a maioria dos seus conhecimentos por meio da observação e utilização de animais como ‘cobaias’. Por considerá-los seres inferiores, o homem os utilizava para ampliar os seus conhecimentos e realizar ‘experiências’ que de outra forma não seriam possíveis.
Com a expansão da espécie humana e de suas culturas pela Terra, o conhecimento científico se ampliou, passou a ser divulgado e ‘escolas’ começaram a surgir. Tais ‘escolas’ aceitavam alunos de outras partes do mundo, que depois retornavam a seus países de origem e lá continuavam a desenvolver e a disseminar os ensinamentos recebidos. É exatamente nesse ponto que a noção de modelo animal começou a tomar forma. Para que os experimentos pudessem ser reproduzidos e o trabalho continuasse, havia a necessidade de se utilizar o mesmo animal. Eis então que o conceito de modelo animal surgiu: era aquele animal que melhor respondia ao experimento e possibilitava a sua reprodução, de maneira que qualquer pesquisador pudesse ter acesso aos mesmos resultados. Em virtude desse novo conceito, cada vez mais espécies foram trazidas para os laboratórios, pois havia aquelas que forneciam respostas satisfatórias, as que não eram modelos tão bons e as que não sobreviviam ao cativeiro.
A pesquisa cresceu e se refinou. Com isso, os modelos usados tomaram o mesmo caminho. No princípio, bastava capturar animais ou consegui-los de criadores; quando esses morriam, era só repor o número perdido. Com o curso da experimentação, conhecimentos sobre os animais utilizados começaram a se fazer necessários e estes passaram a ser criados nos próprios laboratórios. O estudo de sua biologia e de seu comportamento corria paralelo ao experimento realizado.
Os biotérios nasceram da necessidade de se ter os animais em número, idade e sexos adequados ao estudo em andamento, além de facilitarem o alojamento, a manutenção e o transporte dos mesmos,já que, na maioria dos casos, a criação se dava no próprio laboratório de experimentação. Conforme a necessidade de aumentar a quantidade ou de diversificar as espécies de animais, houve a urgência de se separar os biotérios dos laboratórios de experimentação para que cada atividade pudesse ser realizada de maneira mais adequada.
Com o estudo das diferentes espécies, o conhecimento sobre a sua biologia se expandiu e algumas começaram a ser mais utilizadas do que outras. Isso ocorreu graças a uma série de características inerentes aos animais usados tais como: tamanho reduzido, ciclo reprodutivo curto, prole numerosa, precocidade, nutrição variada e adaptação ao cativeiro. Essas, entre outras, foram as características determinantes para a maior utilização de algumas espécies.
No início do século XX, a ciência tomou grande impulso e, com ela, a ciência de animais de laboratório começou a progredir.
Os roedores conquistaram um lugar de destaque, sendo os mais utilizados até hoje, pois atendem às características mencionadas antes e ainda apresentam outras, tais como: docilidade, fácil domesticação (= fácil manuseio), adaptação a ambientes variados e sociabilidade. Além destas, algumas foram adquiridas ou fixadas, ao longo da sua utilização, como o albinismo, que possibilita a marcação e visualização de experimentos realizados na pele. É preciso que se esclareça que o albinismo existe na natureza, mas o indivíduo portador é mais facilmente localizado pelos predadores naturais e dificilmente chega à idade reprodutiva, de forma que a característica não é passada à geração seguinte.
Conclusão
Pelo grande conhecimento acumulado sobre os roedores, sua manipulação genética foi um passo natural, e hoje, obedecendo ainda ao conceito de modelo animal, podemos dispor de animais muito mais adequados, já que seu genoma é resultante de acasalamentos dirigidos, os quais realçam determinadas características. O grau de sofisticação é tanto que se pode afirmar existir, para cada experimento realizado, um modelo cuja resposta é a mais adequada, e que esses modelos são facilmente encontrados, fazendo com que a pesquisa seja universalizada.