Bontrager Manual Prático de Técnicas e Posicionamento Radiográfico

Apêndice A: Redução da Dose para o Paciente

A P Ê N D I C E A

 

Redução da Dose para o Paciente

 

Existem sete práticas comuns que visam reduzir a dose de radiação para

o paciente durante procedimentos radiográficos. Estas práticas são:

1. Minimizar a repetição de radiografias: A principal causa de

repetição das radiografias é a má comunicação entre o técnico e o paciente. O técnico deve explicar claramente o procedimento ao paciente. A falta de cuidado no posicionamento e a escolha de fatores técnicos errados também são causas comuns de repetições e devem ser evitadas. Recomenda-se a revisão dos erros técnicos e de posicionamento com outros profissionais, determinando as correções necessárias antes da repetição das exposições.

2. Filtragem correta: A filtragem do feixe primário de raios X reduz

a exposição do paciente à absorção dos raios X de baixa energia “inúteis” que expõem principalmente a pele e os tecidos superficiais do paciente, mas que não contribuem para a formação da imagem.

3. Colimação precisa: A prática da colimação restrita apenas à área

de interesse reduz a dose de radiação para o paciente ao diminuir o volume de tecido diretamente irradiado e a quantidade de radiação “espalhada”. O técnico não deve confiar nos colimadores de limite de feixe positivo (LFP). Esses equipamentos colimam apenas o tamanho do receptor de imagem. A colimação adicional é necessária para a redução da exposição dos tecidos adjacentes que não são importantes para o estudo.

4. Proteção radiológica: Todos os tecidos radiossensíveis fora da

região de interesse devem ser protegidos.

5. Proteção radiológica em áreas específicas (proteção radiológica

das gônadas e da mama feminina): A proteção radiológica em

áreas específicas é essencial quando órgãos radiossensíveis como a tireoide, as mamas e as gônadas estão na direção do feixe útil e nas suas adjacências e o uso da proteção radiológica não interfere nos objetivos do exame. A área de proteção radiológica mais comum e importante é a região das gônadas, que reduz significativamente a dose para os órgãos reprodutivos. As proteções para as gônadas, se colocadas da maneira correta, reduzem a dose local em 50% a 90% caso estes órgãos estejam no campo primário dos raios X. A proteção radiológica gonadal é necessária quando a região de estudo está no feixe primário ou na área adjacente (5 cm).

6. Proteção do feto: Todas as mulheres em idade fértil devem ser

submetidas a exames para detecção de uma possível gravidez antes do exame radiológico.

7. Escolha das incidências e dos fatores de exposição adequados

para o exame: Deve-se realizar as incidências (conforme aprovação do departamento de imagem) que minimizam a dose para os tecidos radiossensíveis, como as mamas e os olhos. A incidência em PA reduz significativamente a dose de radiação para esses tecidos quando comparada com a incidência em AP. Recomenda-se a escolha de fatores de exposição que utilizem o maior kV e o menor mAs possíveis para reduzir ao máximo a dose de exposição à radiação para o paciente.

Ética nas Imagens Digitais

A ampla faixa dinâmica das técnicas digitais permite a obtenção de uma imagem adequada com diversos fatores de exposição. Durante a avaliação da qualidade de uma imagem, o técnico deve se certificar de que o indicador de exposição está dentro da faixa recomendada. Nenhuma tentativa de processamento de imagem com algoritmo diferente para correção da exposição excessiva é aceitável; é vital que a dose para o paciente seja minimizada desde o início e que seja respeitado o princípio ALARA (As Low As Reasonably Achievable, o mais baixo quanto razoavelmente possível).

As seguintes práticas são recomendadas para manter a dose em nível

razoável e consistente:

• Usar valores de kV e mAs específicos para o protocolo em todos os

procedimentos. Usar o maior valor de kV possível.

• Monitorar a dose, revendo todas as imagens.

• Se o indicador de exposição para um determinado procedimento

estiver fora da faixa aceitável, recomenda-se a revisão de todos os fatores, inclusive kV, mAs, posicionamento, colimação e anatomia, com um supervisor ou o responsável pela segurança radiológica (RSO).

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