Cavalo de Tróia 1: Jerusalém

J. J. Benítez · Capítulo 2 de 19

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Cavalo de Tróia 1: Jerusalém

Washington

 

Meu relógio marcava três da tarde. Faltavam duas horas para que o Cemitério

Nacional de Arlington fechasse. Eu havia passado quase toda aquela segunda-feira,

12 de outubro, diante dos três túmulos dos soldados desconhecidos e da minúscula

chama alaranjada que dá vida à rústica laje cinzenta sob a qual repousam os restos

do presidente John Fitzgerald Kennedy.

Ainda que de tanto lê-lo já o tivesse decorado, consultei uma vez mais o código

que o Major havia me dado. Pela enésima vez examinei o maciço sarcófago de

mármore branco erguido na face leste do Anfiteatro Comemorativo, monumento

inicial e mais destacado do túmulo do Soldado Desconhecido. Na face oeste,

haviam sido esculpidas as três figuras que simbolizam a Vitória alcançando a Paz

por meio da Coragem. Mas aquele painel não parecia guardar relação com meu

código...

Lentamente, como um turista a mais, contornei o cordão que circunda a

pequena esplanada retangular e fui sentar-me diante da parte de trás do túmulo

central, nos degraus de um pequeno anfiteatro. Exausto, repassei o que havia

anotado. À minha frente, a cinco metros dos túmulos, um soldado de infantaria do

Primeiro Batalhão da Velha Guarda, com sede em Fort Myer, marchava para cima e

para baixo, fuzil no ombro a luzir no escuro uniforme de gala.

Ainda que a corrente de segurança me mantivesse a uns dez metros dessa

parte do túmulo, a legenda gravada no mármore podia ser lida com facilidade:

“Aqui repousa gloriosamente um soldado dos Estados Unidos que só Deus

conhece”.

“Estará aí a chave?” – perguntei-me nervosamente.

A solitária sentinela, espigada e fria como a baioneta que rematava seu

brilhante mosquetão, havia parado. Depois de uma breve pausa, girou o corpo e

mudou a arma de ombro. Segundos depois, voltou sobre seus passos e deteve-se

diante do túmulo. Ali, repetiu a mudança de posição do fuzil, girou o corpo de novo

e reiniciou seu solene desfile.

Meu amigo, o Major norte-americano, fazia referência ao soldado que dia e

noite monta guarda no cemitério dos heróis, em Washington.

“A sentinela que vela diante do túmulo vai lhe revelar o ritual de Arlington”,

dizia a primeira frase de sua última carta...