Cinquenta Tons de Liberdade

E.L. James · Capítulo 7 de 8 · parte 1/3

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Cinquenta Tons de Liberdade

Capítulo x

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.

Anastásia Grey Coordenadora editorial, SIP

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De: Christian Grey Assunto: Sentindo sua falta Data: 13 de setembro, 2011 14h14min Para: Anastásia Grey Você está bem?

Christian Grey

CEO, Grey Participações e Empreendimentos Inc.

Não Christian, não estou. Estou enlouquecendo sobre você entrar em pânico. Não sei o que fazer. Mas não vou contar a você via e-mail.

De: Anastásia Grey Assunto: Sentindo sua falta Data: 13

de setembro, 2011 14h17min Para: Christian Grey Bem.

Apenas ocupada.

Vejo você às seis.

x

Anastásia Grey Coordenadora editorial, SIP

Quando vou dizer-lhe? Hoje à noite? Talvez depois do sexo? Talvez durante o sexo. Não, isso pode ser perigoso para nós dois. Quando estiver dormindo? Coloco minha cabeça em minhas mãos. O que diabos vou fazer?

— Oi, — Christian diz cautelosamente quando entro no SUV.

— Oi, — murmuro.

— O que há de errado? — Ele franze a testa. Sacudo a cabeça, quando Taylor sai em direção ao hospital.

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— Nada. — Talvez agora? Eu poderia dizer-lhe agora, quando estamos num espaço contido e Taylor está conosco.

— Seu trabalho vai bem? — Christian continua a investigar.

— Sim. Bem. Obrigada.

— Ana, o que há de errado? — Seu tom é um pouco mais forte, e fico acovardada.

 

— Apenas saudades de você, isso é tudo. E estou preocupada com Ray.

Christian visivelmente relaxa.

— Ray está bem. Falei com mamãe esta tarde e ela está impressionada com seu progresso. — Christian agarra a minha mão. — Bebe, sua mão está fria. Você já comeu hoje?

Eu coro.

— Ana, — Christian repreende-me, irritado.

Bem, não comi porque sei que você vai enlouquecer, quando eu disser a você que estou grávida.

— Vou comer esta noite. Eu realmente não tive tempo.

Ele balança a cabeça em frustração.

— Você quer que adicione “alimentar minha esposa” na lista de detalhes de deveres dos seguranças?

— Sinto muito. Vou comer. Tem sido um dia estranho. Você sabe, transferindo meu pai e tudo mais.

Seus lábios pressionam em uma linha dura, mas ele não diz nada.

Olho pela janela. Diga-lhe! Meu subconsciente sibila. Não.

Sou uma covarde.

Christian interrompe meu devaneio.

— Talvez eu tenha que ir para Taiwan.

— Oh. Quando?

— No fim desta semana. Talvez na próxima semana.

— Ok.

— Quero que você venha comigo.

Eu engulo.

— Christian, por favor. Tenho meu trabalho. Não vamos refazer este discussão novamente.

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Ele suspira e se zanga como um adolescente mal-humorado.

— Pensei em perguntar, — ele resmunga com petulância.

— Quanto tempo você vai ficar fora?

— Não mais do que um par de dias. Gostaria que me dissesse o que está lhe incomodando.

Como posso contar-lhe?

— Bem, agora que meu amado marido está indo embora. .

.

Christian beija meus dedos.

— Não vou ficar longe por muito tempo.

— Ótimo. — Dou um pequeno sorriso para ele.

Ray está muito mais brilhante e muito menos mal-humorado, quando o vejo. Fico tocada pela sua gratidão tranquila com Christian, e por um momento esqueço minha notícia infame, quando me sento e o ouço falar de pesca e os Mariners. Mas ele se cansa facilmente.

— Papai, nós vamos deixá-lo dormir.

— Obrigado, Ana querida. Eu gosto que você venha. Vi sua mãe hoje, também, Christian. Ela é muito reconfortante.

E é uma fã dos Mariners.

— Ela não é louca por pesca, no entanto, — Christian diz ironicamente quando se ergue.

— Não conheço muitas mulheres que são, não é?— Ray sorri.

— Vejo você amanhã, ok? — Eu o beijo. Meu subconsciente enruga seus lábios. Isto proporciona a Christian não a mantenha distante. . . ou pior. Meu estado de espírito entra em queda livre.

— Vamos. — Christian estende a mão, franzindo a testa para mim.

Eu a seguro e deixamos o hospital.

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Eu escolho minha comida. Chasseur de frango da Sra.

Jones, mas apenas não estou com fome. Meu estômago está amarrado com uma bola de ansiedade.

— Inferno! Ana, você vai me dizer o que há de errado? —

Christian empurra o prato vazio distante, irritado. Olho para ele. — Por favor. Você está me deixando louco.

Engulo e tento dominar o pânico crescente em minha garganta.

Respiro fundo firme. É agora ou nunca.

— Estou grávida.

Ele engole e muito lentamente, toda a cor drena de seu rosto.

— O quê?— Ele sussurra pálido.

— Estou grávida.

Sua testa sulca com incompreensão.

— Como?

Como. . . como? Que tipo de pergunta ridícula é essa? Eu coro, e dou-lhe um enigmático “como você pensa que foi.”

Ele muda sua postura imediatamente, seus olhos endurecem obstinado.

— E sua injeção? — Ele rosna.

Oh merda.

— Você esqueceu sua injeção?

Apenas olho para ele sem conseguir falar. Caramba, ele está louco, realmente louco.

— Cristo, Ana! — Ele bate com o punho na mesa, fazendo-me saltar, e ergue-se tão abruptamente, que quase derruba a cadeira de jantar de novo.

— Você tem apenas uma coisa, uma coisa para lembrar.

Merda! Eu não acredito. Como você pode ser tão estúpida?

Estúpida! Suspiro. Merda. Eu quero lhe dizer que a injeção foi ineficaz, mas me faltam palavras. Olho para meus dedos.

— Sinto muito — sussurro.

— Sente? A merda! — Ele diz novamente.

— Eu sei que o momento não é muito bom.

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— Não é muito bom! — Ele grita. — Nós conhecemos um ao outro a cinco minutos de merda. Queria te mostrar o maldito mundo e agora. . .

Foda-se. Fraldas e vômito e merda! — Ele fecha os olhos.

Acho que ele está tentando conter seu temperamento e perdendo a batalha.

— Você esqueceu? Diga-me. Ou você fez isso de propósito? — Seus olhos flamejam e emana raiva fora dele como um campo de força.

— Não, — eu sussurro. Não posso dizer-lhe sobre Hannah, ele irá despedi-la. Eu sei.

— Pensei que tínhamos concordado sobre isso! — Ele grita.

— Eu sei. Nós tínhamos. Sinto muito.

Ele ignora-me.

— Este é o motivo. É por isso que gosto de controle. Assim este tipo de merda, não acontece, porra!

Não. . . meu Pequeno Blip.

— Christian, por favor, não grite comigo. — Lágrimas começam a cair pelo meu rosto.

— Não comece com a distribuição de água agora — ele estala. — Porra. — Ele passa a mão pelos cabelos, puxando-os enquanto faz isto. — Você acha que estou pronto para ser pai?— Sua voz aumenta, e é uma mistura de raiva e pânico.

E tudo se torna claro, o medo e a repugnância em larga escala em seus olhos, sua raiva é a de um adolescente impotente. Oh, Cinquenta, sinto muito. É um choque para mim, também.

— Eu sei que nenhum de nós está pronto para isso, mas acho que você vai ser um pai maravilhoso — eu falo abafado. — Nós vamos descobrir isso.

— Como diabos você sabe! — Ele grita, mais alto desta vez. — Diga-me como! — Seus olhos cinzentos queimam, e há tantas emoções cruzando seu rosto. É o medo que é mais proeminente.

 

— Oh foda-se isso! — Christian berra com desdém e ergue suas mãos num gesto de derrota. Ele vira-se e vai em direção ao hall de entrada, agarrando sua jaqueta, enquanto sai da grande sala. Seus passos ecoam no 483

chão de madeira, e desaparece pelas portas duplas para o hall de entrada, batendo a porta atrás dele e fazendo-me saltar mais uma vez.

Estou sozinha com o silêncio, imóvel, no silencioso vazio da grande sala. Tremo involuntariamente, quando encaro entorpecida as portas fechadas. Ele me abandonou. Merda!

Sua reação foi muito pior do que jamais poderia ter imaginado. Empurro meu prato longe e cruzo os braços sobre a mesa, deixando minha cabeça afundar, enquanto choro.

— Ana, querida. — A Sra. Jones está pairando ao meu lado.

Sento-me rapidamente, lágrimas correndo por meu rosto.

— Eu ouvi. Sinto muito, — ela diz suavemente. — Gostaria de um chá ou algo assim?

— Eu gostaria de um copo de vinho branco.

A Sra. Jones pausa por uma fração de segundo, e me lembro do Blip.

Agora não posso beber álcool. Posso? Devo estudar os prós e contras que a Dra. Greene me deu.

— Eu vou traze-lhe uma taça.

— Na verdade, vou tomar uma xícara de chá, por favor. —

Eu limpo meu nariz. Ela sorri gentilmente.

— Uma xícara de chá chegando. — Ela limpa os pratos e encabeça para a área da cozinha. Sigo-a e pouso em um banquinho, olhando para ela preparando o meu chá.

Ela coloca uma caneca fumegante na minha frente.

— Há algo que eu possa fazer por você, Ana?

— Não, isso está ótimo, obrigada.

— Você tem certeza? Você não comeu muito.

Eu olho para ela.

— Apenas não estou com fome.

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— Ana, você deve comer. Não é só você. Por favor, deixe-me preparar-lhe alguma coisa. O que você gostaria? — Ela parece tão esperançosa para mim. Mas, realmente não posso enfrentar nada.

Meu marido acabou de me abandonar porque estou grávida, meu pai esteve em um grave acidente de carro, e há o maluco do Jack Hyde tentando acusar-me de assediá-lo sexualmente. De repente tenho um desejo incontrolável de rir. Veja o que você fez comigo, Pequeno Blip! Eu acaricio minha barriga.

A Sra. Jones sorri com indulgência para mim.

— Você sabe de quanto você está? — Ela pergunta em voz baixa.

— Muito recentemente grávida. Quatro ou cinco semanas, a médica não tem certeza.

— Já que você mal comeu, você deveria pelo menos descansar.

Concordo, e pegando meu chá, dirijo-me para a biblioteca.

É o meu refúgio. Tiro meu BlackBerry para fora da minha bolsa e contemplo uma ligação para Christian. Eu sei que é um choque para ele, mas ele realmente exagerou. Quando é que ele não exagera? Meu subconsciente arqueia a fina sobrancelha depilada para mim. Suspiro. Cinquenta fodidos Tons.

— Sim, esse é o seu papai, Pequeno Blip. Esperemos que ele esfrie e volte. . . em breve.

Eu retiro o folheto de prós e contras e me sento para ler.

Não consigo me concentrar. Christian nunca me deixou antes. Ele tem sido tão atencioso e gentil ao longo dos

últimos dias, tão amoroso e agora. . . Suponha que ele nunca mais volte? Merda! Talvez deva chamar o Flynn. Não sei o que fazer. Estou perdida. Ele é tão frágil, de muitas formas, e eu sabia que iria reagir mal à notícia. Ele foi tão doce este fim de semana.

Todas aquelas circunstâncias fora de seu controle, mas ele conseguiu controlar bem. Mas essa notícia foi demais.

Desde que o conheci, minha vida tem sido complicada.

Isto é ele? Isso é nós dois juntos? Suponha que ele não consiga passar por isso? Suponha que queira o divórcio? A bile sobe na minha garganta. Não. Não posso pensar desta maneira. Ele estará de volta. Ele o fará. Sei que ele vai. Sei que 485

independente dos gritos e as palavras duras, ele me ama.

. . Sim. E ele ama você também, Pequeno Blip.

Recostando na cadeira, começo a cochilar.

Acordo fria e desorientada. Tremendo, verifico meu relógio; onze da noite. Ah, sim. . . Você. Afago minha barriga. Onde está Christian? Será que ele voltou?

Rigidamente alivio para fora da poltrona e vou em busca do meu marido.

Cinco minutos depois, percebo que ele não está em casa.

Espero que nada tenha acontecido com ele. Memórias da longa espera, quando Charlie Tango desapareceu, inundam de volta.

Não, não, não. Pare de pensar assim. Ele provavelmente foi. . . onde?

Quem ele veria e aonde? Elliot? Ou talvez ele esteja com Flynn. Espero que sim. Encontro meu BlackBerry de volta na biblioteca, e mando-lhe uma mensagem de texto.

* Onde você está? *

Dirijo-me para o banheiro e recorro a um banho. Estou tão fria.

Ele ainda não voltou, quando saio do banho. Mudo para uma de minhas camisolas de cetim estilo anos 1930 e meu roupão, e sigo para a grande sala. No caminho, estanco no quarto de hóspedes. Talvez isso possa ser o quarto do Pequeno Blip. Estou assustada com o pensamento e fico na porta, contemplando esta realidade. Será que vamos pintá-lo de azul ou rosa? O pensamento doce é azedado pelo fato de que meu marido errante está tão chateado com a ideia.

Agarrando o edredom da cama reserva, vou para a grande sala para manter a vigília.

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Algo me acorda. Um som.

— Merda!

É Christian no hall. Eu ouço a mesa raspar no chão novamente.

— Merda! — Ele repete, mais abafado desta vez.

Levanto-me a tempo de vê-lo cambalear pelas portas duplas. Ele está bêbado. Meu couro cabeludo se arrepia.

Merda, Christian bêbado? Sei o quanto ele odeia os bêbados. Salto e corro em direção a ele.

— Christian, você está bem?

Ele inclina-se contra o batente das portas do hall de entrada.

— Sra. Grey, — ele insulta.

Droga. Ele está muito bêbado. Não sei o que fazer.

— Oh. . . você parece muito bem, Anastásia.

— Onde você esteve?

Ele coloca seus dedos nos lábios e sorri torto para mim.

— Shih!

— Acho que é melhor você vir para a cama.

— Com você. . — Ele ri abafado.

Rindo! Com o cenho franzido, gentilmente coloco meu braço em volta de sua cintura, porque ele mal consegue aguentar-se, muito menos andar.

Onde ele esteve? Como é que ele chegou em casa?

— Deixe-me ajudá-lo a ir para cama. Apoie-se em mim.

— Você está muito bonita, Ana. — Ele se inclina sobre mim e cheira meu cabelo, quase derrubando nós dois no chão.

— Christian, ande. Vou colocar você na cama.

— Tudo bem, — ele diz como se estivesse tentando concentrar-se.

Tropeçamos no corredor e, finalmente chegamos no quarto.

— Cama, — ele diz, sorrindo.

— Sim, a cama. — Manobro-o até a borda, mas ele me segura.

— Junte-se a mim, — ele diz.

— Christian, acho que você precisa dormir um pouco.

— E assim que começa. Eu ouvi sobre isso.

Eu franzo a testa.

— Ouviu sobre o quê?

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— Os bebês significam nada de sexo.

— Tenho certeza de que não é verdade. Caso contrário, seríamos todos de uma família de filhos únicos.

Ele olha para mim.

— Você é engraçada.

— Você está bêbado.

— Sim.— Ele sorri, mas seu sorriso muda, quando ele pensa nisso, e uma expressão mal-assombrada cruza seu rosto, um olhar que me arrepia até os ossos.

— Vamos, Christian, — Digo suavemente. Odeio a expressão dele.

Isto fala de memórias horríveis, feias, que nenhuma criança deveria ver. — Vamos levá-lo para a cama. —

Empurro-o suavemente, e ele esparrama-se para baixo no colchão, espalhando-se em todas as direções e sorrindo para mim, sua expressão assombrada sumindo.

— Junte-se a mim, — ele insinua.

— Vamos tirar suas roupas em primeiro lugar.

Ele sorri amplamente, bêbado. — Agora você está falando.

Puta Merda. Christian bêbado é bonitinho e brincalhão.

Vou deixá-lo mais louco como infernos a qualquer momento.

— Sente-se. Deixe-me tirar seu casaco.

— O quarto está girando.

Merda. . . será que ele vai vomitar?

— Christian, sente-se!

Ele sorri para mim.

— Sra. Grey, você é uma coisinha muito mandona...

— Sim. Faça o que mandei e sente-se. — Eu coloco minhas mãos em meus quadris. Ele sorri de novo, se esforça para cima nos cotovelos, em seguida senta-se numa posição não parecendo mais Christian, de uma maneira desajeitada. Antes que possa fracassar de novo, o pego por sua gravata e luto para tirá-lo de seu paletó cinza, um braço de cada vez.

— Você cheira bem.

— Você tem cheiro de licor.

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— Sim. . . Bourbon. — Ele pronuncia as sílabas com exagero, de tal forma que tenho que abafar uma risadinha.

Descartando o casaco no chão ao meu lado, começo com sua gravata. Ele descansa suas mãos em meus quadris.

— Gosto da sensação deste tecido em você, Anastasia, —

ele diz, exagerando suas palavras. — Você deve estar sempre com cetim ou seda. — Ele corre as mãos para cima e para baixo em meus quadris, em seguida, empurra-me para frente, pressionando sua boca contra a minha barriga.

— E nós temos um invasor aqui.

Eu paro de respirar. Puta merda. Ele está falando com o Pequeno Blip.

— Você vai me manter acordado, não é? — Diz para minha barriga.

Oh meu Deus. Christian olha para mim através de seus escuros longos cílios, olhos cinza desfocados e nublados.

Meu coração se aperta.

— Logo você vai preferi-lo a mim, — ele diz infeliz.

— Christian, você não sabe o que você está falando. Não seja ridículo, não estou preferindo ninguém. E ele pode ser uma ela.

Ele franze a testa.

— Uma ela . . Oh, Deus. — Ele esparrama-se de volta na cama e cobre os olhos com o braço. Eu consigo afrouxar a gravata. Desfaço um cadarço e arranco fora o sapato e a meia, depois o outro. Quando me levanto, vejo porque não tive resistência, Christian desmaiou completamente. Ele está dormindo e roncando suavemente.

Fico olhando para ele. Ele é tão malditamente bonito, mesmo bêbado e roncando. Seus lábios esculpidos separados, um braço acima da cabeça, bagunçando seu cabelo despenteado, com o rosto relaxado. Ele parece jovem, mais do que ele é, meu jovem, estressado, bêbado e infeliz marido. O

pensamento repousa pesado em meu coração.

Bem, pelo menos ele está em casa. Pergunto-me onde ele foi. Não tenho certeza se tenho energia ou força para movê-lo ou despi-lo ainda mais.

Ele está em cima do edredom, também. Voltando para o salão, pego o edredom que estava usando e trago-o de volta para nosso quarto.

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Ele ainda está dormindo, ainda vestindo a gravata e o cinto. Subo na cama ao lado dele, tiro sua gravata, e

delicadamente desfaço o botão de cima de sua camisa. Ele murmura algo incoerente em seu sono, mas não acorda.

Cuidadosamente, desato o cinto e puxo-o através das presilhas e depois de alguma dificuldade ele sai. Sua camisa fica desalojada em suas calças, revelando um toque de sua trilha feliz. Não posso resistir. Me curvo e beijo-a.

Ele move-se, flexionando os quadris para frente, mas permanece dormindo.

Sento-me e olho para ele novamente. Oh, Cinquenta, Cinquenta, Cinquenta. . . o que vou fazer com você? Escovo meus dedos por seus cabelos. É tão macio e beijo sua têmpora.

— Eu te amo, Christian. Mesmo quando você está bêbado e esteve fora em Deus sabe onde, eu te amo. Sempre vou te amar.

— Hum, — ele murmura. Eu beijo sua têmpora, uma vez mais, em seguida, saio da cama e cubro-o com o edredom.

Posso dormir ao lado dele, de lado na cama. . . Sim, vou fazer isso.

Primeiro vou recolher suas roupas, no entanto. Sacudo a cabeça e pego suas meias e a gravata, e dobro seu casaco por cima do meu braço.

Quando faço isto, seu BlackBerry cai no chão. O pego e o desbloqueio inadvertidamente. Ele abre na tela textos.

Posso ver meu texto, e acima deste, outro.

Porra. Meu couro cabeludo se arrepia.

* Foi bom vê-lo. Eu entendo agora.

Não se preocupe. Você vai ser um pai maravilhoso.

*

Isto é dela. A Sra. Elena cadela Troll Robinson.

Merda. É onde ele foi. Ele foi vê-la.

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Capítulo 21

Fico boquiaberta para o texto, em seguida, olho para a forma adormecida do meu marido. Ele ficou fora até uma e meia da manhã bebendo com ela! Ele ronca suavemente, dormindo o sono de um aparente inocente bêbado, esquecido. Ele parece tão sereno.

Ah, não, não, não. Minhas pernas amolecem como geléia, e afundo lentamente na cadeira ao lado da cama em descrença. Crua, amarga, humilhantes lanças de traição atravessam-me. Como pôde? Como ele pôde ir vê-la?

Escaldantes lágrimas de raiva escorrem pelo meu rosto. Sua ira e medo, sua necessidade de atacar-me eu posso entender, perdoar...talvez.

Mas isto. . . esta traição é demais. Puxo meus joelhos contra meu peito e coloco meus braços ao redor deles, me protegendo e protegendo o meu Pequeno Blip. Balanço-me para lá e para cá, chorando baixinho.

O que eu esperava? Casei-me com este homem muito rapidamente.

Eu sabia, sabia que chegaria a isso. Por que. Por que. Por quê? Como pôde fazer isso comigo? Ele sabe como me sinto sobre aquela mulher. Como pôde procurá-la? Como? A faca torce lenta e dolorosamente no fundo do meu coração, me dilacerando. Será sempre assim?

Através das minhas lágrimas, sua figura prostrada desfoca e tremula.

Oh, Christian. Casei-me com ele porque o amo, e no fundo sei que ele me ama. Sei que me ama. Seu presente de aniversário dolorosamente doce vem à mente.

Para todos os nossos primeiros e em seu primeiro aniversário a minha querida esposa. Eu te amo. C x Não, não, não, eu não posso acreditar que vai ser sempre assim, dois passos à frente e três passos para trás. Mas é assim que ela sempre esteve com ele. Após cada revés que avançamos, centímetro por centímetro. Ele estará

rodeando. . . ele o fará. Mas eu o farei? Será que vou recuperar isso. .

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. após esta traição? Penso em como ele foi neste último horrível, fim de semana maravilhoso. Sua força silenciosa, enquanto meu padrasto estava machucado e em coma na UTI. . . minha festa surpresa, trazendo minha família e amigos juntos... puxando-me para seus braços, fora do Heathman e beija-me a vista de todos. Oh, Christian, você tenciona toda minha confiança, toda a minha fé. . . e eu te amo.

Mas, não estou só agora. Coloco minha mão sobre minha barriga.

Não, não vou deixá-lo fazer isso comigo e com nosso Blip.

O Dr. Flynn disse que eu deveria dar-lhe o benefício da dúvida, bem, não desta vez. Seco as lágrimas dos meus olhos e limpo meu nariz com as costas da minha mão.

Christian se mexe e rola, puxando as pernas para cima a partir do lado da cama, e se enrosca debaixo do edredom.

Ele estende a mão como se procurasse alguma coisa, então resmunga e franze a testa, mas resolve voltar a dormir, seu braço estendido.

Oh, Cinquenta. O que vou fazer com você? E o que diabos você estava fazendo com a vaca da Troll? Eu preciso saber.

Olho mais uma vez no texto ofensivo e rapidamente crio um plano.

Tomando uma respiração profunda, passo o texto para o meu BlackBerry.

Primeiro passo completo. Dou uma olhada rápida nas outras mensagens recentes, mas só consigo ler as mensagens de Elliot, Andrea, Taylor, Ros, e minha. Nenhuma de Elena. Bom, eu acho. Saio da tela de mensagens, aliviada de que ele não tenha nenhuma mensagem de texto dela, e meu coração da uma guinada em minha garganta.

Oh meu Deus. O papel de parede em seu telefone é uma

fotografia minha, uma colcha de retalhos de pequenas Anastásias em várias poses, nossa lua de mel, nosso recente fim de semana velejando e planando e algumas fotos que José tirou, também.

Quando ele fez isso? Deve ter sido recentemente.

Percebo o seu ícone de e-mail, e uma ideia desliza sedutoramente em minha mente. . . Eu podia ler os e-mails de Christian. Ver se ele está falando com ela. Devo fazer isso? Revestida de seda verde-jade, minha deusa interior concorda enfaticamente, sua boca enruga em uma careta.

Antes que eu possa parar, invado sua privacidade.

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Há centenas e centenas de e-mails. Giro através deles, e parece enfadonhos como água estagnada. . . a maioria de Ros, Andrea e meu, e vários executivos de sua empresa.

Nada da cadela Troll. Enquanto estou nisto, estou aliviada ao ver que não há nenhum de Leila também.

Um e-mail me chama a atenção. É de Barney Sullivan, O

IT30 de Christian, e a linha de assunto é: Jack Hyde. Olho culpada para Christian, mas ele ainda está roncando suavemente. Nunca o ouvi roncar. Abro o email.

De: Barney Sullivan Assunto: Jack Hyde Data: 13

setembros, 2011 14h09min Para: Christian Grey CCTV em torno de Seattle segue a van branca do Sul da Irving Street.

Antes que eu possa encontrar algum vestígio, assim Hyde deve estar baseado nessa área.

Como Welch contou-lhe o carro suspeito foi alugado com uma licença falsa por uma mulher desconhecida, embora nada que o vincule a área do Sul da Street Irving.

Detalhes conhecidos pelos funcionários do GEH e SIP que vivem na área estão no arquivo em anexo, que encaminhei para Welch também.

Não havia nada no SIP do computador de Hyde sobre as suas ex-PAs.

Como um lembrete, aqui está uma lista do que foi recuperado a partir do SIP do computador de Hyde.

Endereços Residenciais de Grey: Cinco imóveis em Seattle Dois imóveis em Detroit Currículos detalhados de: Carrick Grey Elliot Grey Christian Grey

30 Uma pessoa que é especializada na área de informática ou tecnologia da Internet.

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Dra. Grace Trevelyan Anastásia Steele Mia Grey Jornais e artigos on-line relativos a: Dra Grace Trevelyan Carrick Grey Christian Grey Elliot Grey Fotografias: Carrick Grey Dra. Grace Trevelyan Christian Grey Elliot Grey Mia Grey

Vou continuar a minha investigação, ver o que mais posso encontrar.

B Sullivan Chefe de TI, GEH

Este estranho e-mail momentaneamente desvia-me de minha noite de aflição. Clico no anexo para verificar através dos nomes na lista, mas é obviamente enorme, muito grande para abrir no BlackBerry.

O que estou fazendo? É tarde. Tive um dia cansativo. Não há e-mails da cadela Troll ou de Leila Williams, e tenho algum conforto frio disso. Olho rapidamente para o despertador: passa das duas da manhã. Hoje foi um dia de revelações. Vou ser mãe, e meu marido foi se confraternizar com o inimigo. Bem, vamos deixá-lo ansioso. Não irei dormir aqui com ele. Ele pode acordar sozinho amanhã. Depois de colocar seu BlackBerry na mesa de cabeceira, recupero minha bolsa do lado da cama e, depois de um último olhar para o meu angelical Judas dormindo, deixo o quarto.

A chave sobressalente da sala de jogos está em seu lugar habitual no armário da despensa. Agarro-a e corro para cima. Do armário de lençóis, 494

pego um travesseiro, edredom e lençol, em seguida, abro a porta da sala de jogos e entro, mudo as luzes para escurecer. Estranho que acho o cheiro e o ambiente desta sala tão confortável, considerando que me rendi à senha da última vez que estivemos aqui. Trancando a porta, deixo a chave na fechadura. Sei que amanhã de manhã Christian estará frenético para encontrar-me, e não acho que vá olhar aqui se a porta estiver trancada.

Bem, vai servir direitinho.

Enrolo-me no sofá Chesterfield, embrulhe-me no edredom e puxo meu BlackBerry da minha bolsa. Verificando minhas mensagens, acho uma da cadela Troll que enviei do telefone de Christian. Pressiono para frente e digito:

* VOCÊ GOSTARIA QUE A SRA. LINCOLN JUNTASSE-SE A NÓS

QUANDO DISCUTIRMOS ESTE TEXTO QUE ELA ENVIOU

PARA VOCÊ? VAI POUPÁ-LO DE CORRER PARA ELA DEPOIS.

SUA MULHER *

Aperto para enviar e mudo o volume para silencioso.

Amontôo-me debaixo do meu edredom. Apesar de toda minha bravata, estou esmagada pela enormidade da traição de Christian. Este deveria ser um momento feliz.

Caramba vamos ser pais. Resumidamente, relembro do momento que contei a Christian que estava grávida e fantasio que ele cai de joelhos com alegria na minha frente, puxando-me em seus braços e me dizendo o quanto me ama e ao nosso Pequeno Blip.

No entanto, aqui estou eu, sozinha e fria em uma sala de jogos de fantasia de BDSM. De repente me sinto velha, mais velha do que os meus anos. Assumir Christian vai ser sempre um desafio, mas ele realmente se superou desta vez. O que ele estava pensando? Bem, se quer uma briga, vou dar-lhe uma briga. De jeito nenhum vou deixá-lo escapar enquanto corre para ver aquela mulher

monstruosa, sempre que temos um problema. Ele vai ter que escolher, ela ou eu e nosso Pequeno Blip. Suspiro baixinho, mas porque estou tão exausta, logo adormeço.

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Acordo com um sobressalto, momentaneamente desorientada. . . Oh sim estou na sala de jogos. Como não há janelas, não tenho ideia que horas são. A maçaneta da porta chacoalha.

— Ana! — Christian grita de fora da porta. Eu congelo, mas ele não entra. Ouço vozes abafadas, mas elas se afastam. Expiro e verifico as horas no meu BlackBerry. São sete e cinquenta, e tenho quatro chamadas não atendidas e duas mensagens de voz. As ligações não atendidas são na maior parte de Christian, mas há também uma de Kate. Oh, não. Ele deve ter ligado para ela. Não tenho tempo para ouvi-las. Não quero me atrasar para o trabalho.

Envolvo o edredom a minha volta e pego minha bolsa antes de fazer meu caminho até a porta. Abrindo-a lentamente, espreito para fora. Nenhum sinal de alguém.

Oh merda. . . Talvez isto seja um pouco melodramático.

Reviro meus olhos, respiro fundo, e desço as escadas.

Taylor, Sawyer, Ryan, a Sra. Jones e Christian estão todos de pé na entrada da grande sala, e Christian está disparando instruções. Então todos se viram e olham embasbacados para mim. Christian ainda está usando as roupas com que dormiu a noite passada. Ele parece desgrenhado, pálido e estonteantemente lindo. Seus grandes olhos cinza estão arregalados, e não sei se ele está com medo ou raiva. É difícil de dizer.

— Sawyer, vou estar pronto para sair em cerca de vinte minutos—, resmungo, envolvendo o edredom mais apertado a minha volta para proteger-me.

Ele balança a cabeça, e todos os olhos se voltam para Christian, que ainda está olhando intensamente para mim.

— Você gostaria do café da manhã, Sra. Grey? — a Sra.

Jones pergunta. Sacudo a cabeça.

— Não estou com fome, obrigada. — Ela franze os lábios, mas não diz nada.

— Onde você estava? — Christian pergunta, em voz baixa e rouca. De repente, Sawyer, Taylor, Ryan e a Sra. Jones dispersam, correndo do escritório de Taylor, para o hall de entrada, e para a cozinha como ratos assustados de um navio afundando.

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Ignoro-o e marcho em direção ao nosso quarto.

— Ana, — ele chama atrás de mim, — responda-me. —

Ouço seus passos atrás de mim, quando entro no quarto e continuo para nosso banheiro. Rapidamente, tranco a porta.

— Ana! — Christian soca a porta. Ligo o chuveiro. A porta chacoalha.

— Ana, abra a maldita porta.

— Vá embora!

— Eu não vou a lugar nenhum.

— Faça como quiser.

— Ana, por favor.

Entro no chuveiro, bloqueando-o. Oh, está quente. A água curativa cascateia sobre mim, limpando o esgotamento da noite da minha pele. Oh meu Deus. Isto é tão bom. Por um momento, por um breve momento, posso fingir que tudo está bem. Lavo meu cabelo e quando termino me sinto melhor, mais forte, pronta para enfrentar o trem de carga que é Christian Grey. Envolvo o meu cabelo em uma toalha, rapidamente me seco com outra toalha, e envolvo-a em torno de mim.

Destranco a porta e abro-a, encontrando Christian encostado na parede oposta, com as mãos atrás das costas.

Sua expressão é cautelosa, a de um predador de caça.

Caminho passando por ele para no nosso closet.

— Você está me ignorando? — Christian pergunta descrente, enquanto pára no limiar do armário.

— Perceptivo, não é? — Murmuro distraída enquanto procuro algo para vestir. Ah, sim, meu vestido ameixa.

Deslizo-o para fora do cabide, escolho minhas botas pretas de salto alto, e sigo para o quarto. Faço uma pausa para Christian sair do meu caminho, o que ele o faz eventualmente, quando suas intrínsecas boas maneiras assumem. Sinto seus olhos furar-me enquanto ando até minha cômoda, e espreito-o no espelho, de pé imóvel na soleira da porta, me olhando. Em um ato digno de um vencedor do Oscar, deixo minha toalha cair ao chão e finjo que estou alheia ao meu corpo nu.

Ouço seu suspiro contido e ignoro-o.

— Por que você está fazendo isto? — ele pergunta. Sua voz é baixa.

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— Por que você acha? — Minha voz é de veludo macio, enquanto retiro um lindo par de calcinha de renda preta La Perla.

— Ana — Ele pára quando rebolo para entrar nela.

— Vá perguntar a sua Sra. Robinson. Tenho certeza de que ela vai ter uma explicação para você, — resmungo enquanto procuro o sutiã correspondente.

— Ana, eu já disse antes, ela não é minha.

— Eu não quero ouvir isso, Christian. — Aceno minha mão com desdém. — O tempo de conversar foi ontem, mas em vez disso você decidiu reclamar e ficar bêbado com a mulher que abusou de você durante anos.

Ligue para ela. Tenho certeza que ela vai estar mais do que disposta a ouvi-lo agora. — Acho o sutiã correspondente, puxo-o e prendo-o. Christian entra mais no quarto e coloca as mãos nos quadris.

— Por que você estava me bisbilhotando?— ele diz.

Apesar da minha decisaão eu coro.

— Esse não é o ponto, Christian — disparo. — O fato é que quando as coisas se tornam difíceis, você corre para ela.

Sua boca se estala em uma linha sombria.

— Não foi assim.

— Não estou interessada. — Escolho um par de meias pretas até a coxa, com rendas na ponta, recuo para a cama.

Sento-me, aponto meu dedo do pé, e gentilmente facilito o material deslizando até minha coxa.

— Onde você estava? — ele pergunta seus olhos seguindo minhas mãos para cima das minhas pernas, mas continuo a ignorá-lo, enquanto rolo lentamente a outra meia.

Levantando, dobro a toalha secando meu cabelo.

Através das minhas coxas separadas, posso ver seus pés descalços, e sinto seu olhar intenso. Quando termino, levanto-me e volto para a cômoda, onde pego meu secador de cabelo.

— Responda-me. — A voz de Christian é baixa e rouca.

Eu ligo o secador de cabelo para que não possa ouvi-lo mais e observo-o através de meus cílios no espelho, enquanto seco meus cabelos.

Ele olha para mim, olhos estreitos e frios, frios mesmo. Eu desvio o olhar, concentrando-me na tarefa em mãos e tentando suprimir o arrepio que corre 498

através de mim. Engulo em seco e me concentro em secar meu cabelo. Ele ainda está bravo. Ele sai com aquela maldita mulher, e está bravo comigo?

Como se atreve! Quando meu cabelo parece selvagem e indomado, paro. Sim.

. . Eu gosto disto. Desligo o secador de cabelo.

— Onde você estava? — Ele sussurra, seu tom ártico.

— O que te interessa?

— Ana, pare com isso. Agora.

Eu dou de ombros, e Christian se move rapidamente por todo a quarto em minha direção. Eu rodopio, recuando quando ele se aproxima.

— Não me toque, — eu silvo e ele congela.

— Onde você estava?— Ele exige. Suas mãos em punhos ao seu lado.

— Eu não estava me embebedando com meu ex, — Fervo.

— Você dormiu com ela?

Ele suspira.

— O quê? Não! — Ele fica de boca aberta para mim e tem a ousadia de olhar ferido e irritado ao mesmo tempo. Meu subconsciente dá um pequeno suspiro de boas-vindas aliviado.

— Você acha que eu trairia você? — Seu tom é de indignação moral. — Você traiu — Eu rosno. — Ao levar a nossa vida particular e derramar sua covardia para aquela mulher.

Sua boca cai aberta.

— Covardia. Isso é o que você acha? — Seus olhos flamejam.

— Christian, eu vi a mensagem. Isso é o que eu sei.

— Essa mensagem não era para você, — ele rosna.

— Bem, o fato é que eu vi, quando seu BlackBerry caiu do seu casaco, enquanto eu estava despindo você, porque estava bêbado demais para se despir. Você tem alguma ideia de quanto você me feriu por ir ver aquela mulher?

Ele empalidece momentaneamente, mas estou descompensada, minha cadela interna desencadeada.

— Você se lembra de ontem à noite quando chegou em casa? Lembra-se do que você disse?

Ele olha para mim fixamente, com o rosto congelado.

499

— Bem, você estava certo. Eu escolho este bebê indefeso a você. Isso é o que quaisquer pais amorosos fazem. Isso é o que sua mãe deveria ter feito com você. E lamento que ela não o fez, porque nós não estaríamos tendo essa conversa agora se ela o tivesse feito. Mas você é um adulto agora, você precisa crescer e abrir os olhos, e parar de se

comportar como um adolescente petulante. Você pode não estar feliz com este bebê. Eu não estou em êxtase, dado o tempo e sua recepção menos do que morna para esta nova vida, esta carne de sua carne. Mas você pode estar comigo, ou vou fazer isso sozinha. A decisão é sua.Enquanto você se afunda em seu poço de auto-piedade e auto-aversão, vou trabalhar. E quando voltar, vou mudar meus pertences para o quarto de cima.

Ele pisca para mim, chocado.

— Agora se você me der licença, gostaria de terminar de me vestir. — Estou respirando com dificuldade.

Lentamente, Christian recua um passo, sua postura endurecida.

— É isso que você quer? — Ele sussurra.

— Eu não sei o que quero mais. — Meu tom de voz espelha no dele, e é preciso um esforço monumental para fingir desinteresse, enquanto casualmente mergulho as pontas dos meus dedos no meu hidratante e aliso-o suavemente sobre meu rosto. Espio para mim mesma no espelho. Olhos azuis largos, rosto pálido, mas as bochechas coradas. Você está indo muito bem. Não recue agora. Não recue agora.

— Você não me quer? — Ele sussurra.

Oh - não. . . oh não, você não vai fazer isso, Grey.

— Eu ainda estou aqui não estou? — Disparo. Pegando meu rímel, aplico primeiro em meu olho direito.

— Você já pensou em partir? — Suas palavras são quase inaudíveis.

— Quando o marido prefere a companhia de sua ex-amante, geralmente não é um bom sinal. — Lanço o desdém para o nível certo, fugindo de sua pergunta. Brilho labial agora. Faço beicinho com meus lábios brilhantes para a imagem no espelho. Fique firme, Steele... hum-Grey. Puta merda, não consigo nem me lembrar do meu nome. Pego minhas botas, caminho a passos largos para a cama mais uma vez, e rapidamente coloco-500

as, puxando-as sobre os joelhos. Sim. Pareço excitante apenas de roupas intimas e botas. Eu sei. Em pé, olho sem paixão para ele. Ele pisca para mim e seus olhos viajam rapidamente e avidamente pelo meu corpo.

— Eu sei o que você está fazendo, — ele murmura, e sua voz adquiri um tom quente, beirando a sedução.

— Você sabe? — E minha voz estala . Não, Ana. . .

aguente firme.

Ele engole e dá um passo adiante. Eu retrocedo e levanto minhas mãos para cima.

— Nem pense nisso, Grey, — sussurro ameaçadora.

— Você é minha mulher, — ele diz em voz baixa, ameaçador.

— Eu sou uma mulher grávida, abandonada ontem, e se você me tocar, vou gritar até colocar este lugar abaixo.

Suas sobrancelhas sobem em descrença.

— Você vai gritar?

— Assassinato sangrento. — Eu estreito meus olhos.

— Ninguém irá ouvi-la, — ele murmura, seu olhar intenso, e brevemente lembro-me da nossa manhã em Aspen. Não.

Não. Não.

— Você está tentando me assustar? — Murmuro ofegante, deliberadamente tentando deviá-lo.

Isto funciona. Ele tranquiliza e engole seco.

— Esta não era minha intenção.— Ele franze a testa.

Mal consigo respirar. Se ele me tocar, vou sucumbir. Sei o poder que ele exerce sobre mim e sobre meu corpo traidor.

Eu sei. Seguro-me em minha raiva.

— Eu tomei uma bebida com alguém que costumava ser próxima.

Para clarear a mente. Não vou vê-la novamente.

— Você a procurou?

— No começo não. Tentei ver Flynn. Mas encontrei-a no bar.

— E você espera que eu acredite que você não vai vê-la novamente?

— Não posso conter a minha fúria quando silvo para ele.

— E sobre a próxima vez que eu cruzar alguma linha imaginária? Este é o mesmo 501

argumento que temos repetidas vezes. Tal como estamos sobre alguma roda de Ixion31. Se eu foder tudo de novo, você vai correr de volta para ela?

— Eu não vou vê-la novamente, — ele diz com uma indiferença fria. — Ela finalmente entendeu como me sinto.

Eu pisco para ele.

— O que significa isso?

Ele endireita-se e passa a mão pelos cabelos, exasperado, furioso e mudo. Eu tento uma abordagem diferente.

— Por que você pode conversar com ela e não comigo?

— Eu estava com raiva de você. Como estou agora.

— Não diga! — Eu disparo. — Bem, estou com raiva de você também.

Com raiva de você, por ter sido tão frio e insensível ontem, quando precisei de você. Brava com você por dizer que fiquei grávida de propósito, quando não foi assim. Com raiva por me trair. — Eu consigo reprimir um soluço.

Seu queixo cai em estado de choque, e ele fecha os olhos brevemente, como se eu tivesse lhe dado um tapa. Eu engulo. Fique calma, Anastásia.

— Eu deveria ter controlado melhor minhas injeções. Mas não fiz isso de propósito. Esta gravidez é um choque para mim, também. — Eu murmuro, tentando ter um mínimo de civilidade. — Pode ser que a injeção falhou.

Ele olha-me, em silêncio.

— Você realmente fodeu tudo ontem, — sussurro, minha raiva fervendo. — Eu tive um monte de coisa para lidar nas últimas semanas.

— Você realmente fodeu tudo a três ou quatro semanas atrás. Ou quando esqueceu de tomar sua injeção.

— Bem, Deus me livre de ser perfeita como você!

Oh pare, pare, pare. Estamos encarando um ao outro.

— Isto é um desempenho bastante notável, Sra. Grey, —

ele sussurra.

— Bem, estou contente que mesmo grávida sou divertida.

Ele olha para mim sem entender.

— Eu preciso de um banho, — murmura.

31 Deus da Mitologia Grega.

502

— E já forneci o suficiente para um show.

— Este foi um show extremamente bom, — ele sussurra.

Dando um passo a frente, e eu recuo novamente.

— Não.

— Eu odeio que você não me deixe tocá-la.

— Irônico, não?

Seus olhos estreitam mais uma vez.

— Nós não esclarecemos nada, não é?

— Eu acho que não. Só que estou saindo deste quarto.

Seus os olhos queimam e alargam brevemente.

— Ela não significa nada para mim.

— Exceto quando você precisa dela.

— Eu não preciso dela. Eu preciso de você.

— Você não precisou ontem. Essa mulher é um limite difícil para mim, Christian.

— Ela está fora da minha vida.

— Eu gostaria de poder acreditar em você.

— Pelo amor de Deus, Ana.

— Por favor, me deixe me vestir.

Ele suspira e passa a mão pelos cabelos, mais uma vez.

— Te vejo esta noite, — ele diz, com a voz sombria e desprovida de sentimentos. E por um breve momento quero pegá-lo em meus braços e acalmá-lo. . . mas resisto, porque estou muito brava. Ele se vira e vai para o banheiro. Fico congelada até que ouço a porta fechar.

Eu cambaleio para a cama e caio pesadamente sobre a mesma.

Minha deusa interior e meu subconsciente estão me dando uma grande ovação de pé. Não recorro às lágrimas, gritos, ou assassinato, nem sucumbo à sua sexpericia. Eu mereço uma medalha de Honra do Congresso, mas me sinto tão deprimida. Merda. Nós não resolvemos nada. Estamos à beira de um precipício. É o nosso casamento que está em jogo aqui? Por que ele não pode ver o completo idiota que ele foi, correndo para aquela mulher? E o que ele quis dizer quando disse que nunca mais vai vê-la novamente? Como na 503

terra vou acreditar nisso? Olho para o alarme do rádio relógio—oito e meia.

Merda! Eu não quero chegar atrasada. Respiro fundo.

— O segundo round foi um empate, Pequeno Blip, —

sussurro, acariciando minha barriga. — Papai pode ser uma causa perdida, mas espero que não. Por que, oh por que, você veio tão cedo Pequeno Blip? As coisas estavam apenas começando a ficar bem. — Meu lábio tremula, mas eu tomo uma profunda respiração purificante e trago minhas emoções desenfreadas sob controle.

— Vamos lá. Vamos arrasar no trabalho.

Não digo adeus a Christian. Ele ainda está no chuveiro, quando Sawyer e eu saímos. Quando olho para fora das janelas escurecidas do SUV, a compostura escorrega e meus olhos lacrimejam. Meu humor é refletido no céu cinza, triste e sinto uma estranha sensação de mau agouro. Nós realmente não discutimos sobre o bebê. Tive pelo menos vinte e quatro horas para assimilar a notícia do Pequeno Blip. Christian teve ainda menos tempo.

— Ele nem sequer sabe seu nome.— Eu acaricio minha barriga e enxugo as lágrimas do meu rosto.

— Sra. Grey. —Sawyer interrompe meu devaneio. — Nós chegamos.

 

— Oh. Obrigada, Sawyer.

— Eu vou fazer uma corrida na delicatessen, senhora.

Posso trazer-lhe alguma coisa?

— Não. Não, obrigada. Não estou com fome.

Hannah tem leite me esperando. Dou uma cheirada nele e meu estômago agita.

— Um. . . Posso tomar chá, por favor? — Murmuro, embaraçada. Eu sabia que havia uma razão para nunca gostar de café. Caramba, isto cheira desagradável.

— Você está bem, Ana?

Concordo com a cabeça e corro para a segurança do meu escritório.

Meu BlackBerry vibra. É Kate.

— Por que Christian estava procurando você? — Ela pergunta, sem preâmbulo.

— Bom dia, Kate. Como você está?

504

— Corte o papo furado, Steele. O que aconteceu? — A inquisição de Katherine Kavanagh começa.

— Christian e eu tivemos uma briga, isso é tudo.

— Ele machucou você?

Reviro os olhos.

— Sim, mas não do jeito que você está pensando. — Eu não posso lidar com Kate no momento. Sei que vou chorar, e no momento, estou tão orgulhosa de mim mesma por não desabar esta manhã. — Kate, tenho uma reunião. Eu ligo de volta.

— Ótimo. Você está bem?

— Sim. — Não. — Eu te ligo mais tarde, ok?

— Ok, Ana, faça do seu jeito. Eu estou aqui para você.

— Eu sei, — sussurro e luto contra a reação de emoção com suas palavras amáveis. Não vou chorar. Não vou

chorar.

— Ray está bem?

— Sim — sussurro a palavra.

— Oh, Ana, — ela sussurra.

— Não.

— Ok. Discutiremos mais tarde.

— Sim.

Durante o decorrer da manhã, esporadicamente checo meus e-mails, esperando por uma palavra de Christian. Mas não há nada. À medida que o dia passa, percebo que ele não vai entrar em contato comigo afinal, e que ele ainda está com raiva. Bem, eu ainda estou com raiva também.

Lanço-me em meu trabalho, parando apenas na hora do almoço para um queijo quente e rosquinha de salmão. É

extraordinário o quão melhor me sinto depois de ter comido alguma coisa.

505

Às cinco horas Sawyer e eu partimos para o hospital para ver Ray.

Sawyer está vigilante, e até mesmo solícito. É irritante.

Quando nos aproximamos do quarto de Ray, ele paira sobre mim.

— Devo pegar um chá enquanto você visita seu pai? —

Ele pergunta.

— Não, obrigada, Sawyer. Eu vou ficar bem.

— Eu vou esperar lá fora. — Ele abre a porta para mim, e sou grata por ficar longe dele por um momento. Ray está sentado na cama lendo uma revista. Ele está barbeado, vestindo uma blusa do pijama —ele se parece com seu antigo eu.

— Ei, Annie. — Ele sorri. E o seu rosto cai.

— Oh, papai. . . — Lanço-me ao seu lado, e em uma jogada muito incaracterística, ele abre os braços e me abraça.

 

— Annie? — Ele sussurra. — O que foi? — Ele me mantém apertada e beija meu cabelo. Quando estou em seus braços, percebo o quão raro esses momentos entre nós têm sido.

Por que isso? É por que gosto de rastejar no colo do Christian? Depois de um momento, me afasto dele e sento na cadeira ao lado da cama. A testa de Ray sulca de preocupação.

— Diga a seu velho.

Sacudo a cabeça. Ele não precisa de meus problemas agora.

— Não é nada papai. Você parece bem. — Eu aperto sua mão.

— Sinto-me mais como eu, embora essa perna engessada seja uma tralha.

— Tralha? — Sua palavra pede meu sorriso.

Ele sorri de volta. — Tralha soa melhor do que coçando.

— Oh, papai, estou tão feliz por você estar bem.

— Eu também, Annie. Gostaria de balançar alguns netos nesta tralha de joelho um dia. Não gostaria de perder isso por nada no mundo.

Eu pisco para ele . Merda. Será que ele sabe? E luto contra as lágrimas que picam os cantos dos meus olhos.

— Você e Christian estão se dando bem?

— Nós tivemos uma briga — sussurro, tentando falar, através do nó em minha garganta. — Nós vamos trabalhar isto.

Ele acena com a cabeça.

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— Ele é um bom homem, seu marido, — diz Ray tranquilizador.

— Ele tem os seus momentos. O que os médicos dizem?

— Eu não quero falar sobre meu marido agora. Ele é um tópico de conversa dolorosa.

De volta ao Escala, Christian não está em casa.

— Christian ligou e disse que estaria trabalhando até tarde, — A Sra.

Jones informa-me desculpando.

— Oh. Obrigada por me contar. — Por que ele não podia me dizer?

Puxa, ele realmente está levando seu mau humor para um nível totalmente novo. Lembro-me brevemente da briga sobre os nossos votos de casamento e a birra importante que ele tinha naquele tempo. Mas sou a única prejudicada aqui.

— O que você gostaria de comer? — A Sra. Jones tem um brilho determinado de aço nos olhos.

— Massa.

Ela sorri.

— Espaguete, penne, fusilli?

— Spaghetti, a bolonhêsa.

— É pra já. E Ana. . . você deve saber que o Sr. Grey estava frenético esta manhã, quando pensou que tinha partido. Ele estava fora de si. — Ela sorri com carinho.

Oh. . .

Ele ainda não está em casa às nove. Estou sentada em minha mesa na biblioteca, perguntando onde ele está. Eu ligo.

— Ana, — ele responde, sua voz fria.

— Oi.

Ele inala suavemente.

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— Oi — ele diz, sua voz mais baixa.

— Você está vindo para casa?

— Mais tarde.

— Você está no escritório?

 

— Sim. Onde você espera que eu esteja?

Com ela.

— Eu vou deixar você trabalhar.

Nós dois ficamos pendurados na linha, o silêncio alonga e aperta entre nós.

— Boa noite, Ana — ele diz eventualmente.

— Boa noite, Christian.

Continuar: parte 2 de 3