Cinquenta Tons de Liberdade
Capítulo X
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.
Christian Grey CEO
&
Marido
Super
Protetor, Grey
Participações e
Empreendimentos Inc.
Sua resposta me faz sorrir. Meu maníaco por controle.
83
Por que quero ir às compras? Eu odeio fazer compras. Mas no fundo sei o porquê, e ando com determinação, passando Chanel, Gucci, Dior, e as boutiques de outros designers e, de repente, encontro o antídoto para o que me aflige em uma pequena loja, que vende coisas para turistas. É uma tornozeleira de prata, com alguns pequenos corações e sininhos. Eles têm um som doce e custam cinco euros.
Assim que comprei, coloquei-o. Esta sou eu, é isso que eu gosto. Imediatamente me sinto mais confortável. Não quero perder o contato com a menina que gostava disso, nunca.
No fundo sei que não estou só oprimida por Christian, mas também por sua riqueza. Será que vou me acostumar com isso?
Taylor e Gastón, seguem respeitosamente atrás de mim, através da multidão do final da tarde, e até esqueço que eles estão lá. Quero comprar algo para Christian, algo para desviar sua mente do que está acontecendo em Seattle.
Mas o que posso comprar para um homem que tem tudo?
Faço uma pausa em uma pequena praça moderna, cercada por lojas e olho para uma de cada vez. Quando vejo uma loja de eletrônicos, me lembro da nossa visita à galeria mais cedo hoje e o dia da nossa visita ao Louvre. Nós estávamos olhando para a Vênus de Milo no momento... As palavras de Christian ecoam na minha cabeça: — Todos nós gostamos de apreciar a forma feminina. Gostamos de olhar em mármore, óleo, cetim ou filme.
Isso me dá uma ideia, uma ideia ousada. Só preciso de uma ajuda para escolher o caminho certo, e só há uma pessoa que pode me ajudar.
Pego o meu BlackBerry na minha bolsa e ligo para José.
— Alô? — ele murmura sonolento.
— José, é Ana.
— Ana, oi! Onde você está? Você está bem? — Ele parece mais alerta agora.
— Estou em Cannes, no sul da França e estou bem.
— Sul da França, hein? Você está em algum hotel de luxo?
— Hum... não. Estamos hospedados em um barco.
— Um barco?
— Um grande... e luxuoso — Esclareço, suspirando.
84
— Imagino. — Seu tom é frio... Merda, eu não deveria ter ligado para ele. Não preciso disso agora.
— José, preciso de seu conselho.
— Meu conselho? — Ele parece atordoado. — Claro, — ele diz, e desta vez é muito mais amigável. Digo-lhe meu plano.
Duas horas mais tarde, Taylor me ajuda a sair da lancha a motor para as escadas até o convés. Gaston está ajudando o marinheiro com o Jet Ski. Christian está longe de ser visto, e eu corro até a nossa cabine para embrulhar o seu presente, com uma sensação infantil de prazer.
— Você demorou. — Christian surpreende-me, quando estou aplicando o último pedaço de fita. Viro-me para encontrá-lo em pé na porta de entrada da cabine, me observando atentamente. Puta merda! Eu ainda estou com problemas sobre o Jet Ski? Ou é o fogo em seu escritório?
— Tudo sob controle em seu escritório? — eu pergunto.
— Mais ou menos, — ele diz, uma carranca surge irritada em seu rosto.
— Eu fiz algumas compras, — murmuro na esperança de aliviar seu humor, e rezando para o seu aborrecimento não ser dirigido a mim. Ele sorri calorosamente, e eu sei que estamos bem.
— O que você comprou?
— Isso, — eu coloquei meu pé na cama e lhe mostrei a minha corrente de tornozelo.
— Muito bom, — ele diz. Ele se aproxima de mim e acaricia os pequenos sinos para que eles tilintam docemente em volta do meu tornozelo.
Franze a testa de novo e passa os dedos levemente ao longo da marca, enviando um formigamento até minha perna.
— E isso. — Eu estendo a caixa, esperando distraí-lo.
85
— Para mim? — ele pergunta, surpreso. Concordo com a cabeça timidamente. Ele pega a caixa e balança suavemente. Ele sorri seu sorriso de menino, deslumbrante e se senta ao meu lado na cama. Debruçando-se, ele agarra meu queixo e me beija.
— Obrigado, — ele diz com prazer tímido.
— Você não abriu ainda.
— Eu vou amá-lo, seja o que for. — Ele olha para mim, seus olhos brilham. — Não recebo muitos presentes.
— É difícil comprar-lhe coisas. Você tem tudo.
— Eu tenho você.
— Você tem. — Sorrio para ele. Oh, como você tem, Christian.
Ele facilita o trabalho, rasgando o papel de embrulho.
— Uma Nikon? — Ele olha para mim, perplexo.
— Eu sei que você tem sua câmera digital compacta, mas isto é para... hum... retratos e afins. Ele vem com duas lentes.
Ele pisca para mim, ainda sem entender.
— Hoje, na galeria, você gostou das fotos de Florence D'elle. E eu me lembro do que você disse no Louvre. E, claro, havia aquelas outras fotografias. — Engoli, tentando o meu melhor para não recordar as imagens que encontrei em seu armário.
Ele para de respirar, arregalando os olhos quando, finalmente, entende, e continuo falando de forma atropelada antes que eu perca minha coragem.
— Achei que você poderia, hum... gostar de tirar fotos de... de mim.
— Fotos. De você? — Ele me olha de boca aberta, ignorando a caixa que tem no colo.
Concordei com a cabeça, tentando desesperadamente avaliar a sua reação. Finalmente, ele olha de volta para a
caixa, com os dedos acariciando a ilustração da câmera na frente, com reverência fascinada.
O que ele está pensando? Ah, essa não é a reação que eu estava esperando, e meu subconsciente me olha como se eu fosse um animal de fazenda domesticado. Christian nunca reage da maneira que espero. Ele olha para cima, seus olhos se encheram com o que, dor?
86
— Por que você acha que eu quero isso? — ele pergunta, confuso.
Não, não, não! Você disse que iria amá-lo...
— Não gostou? — Pergunto, me recusando a reconhecer o meu subconsciente que está questionando por que alguém iria querer fotografias eróticas de mim. Christian traga saliva e passa a mão pelos cabelos. Parece tão perdido, tão confuso. Inspira profundamente.
— Para mim, fotos como aquelas eram como uma apólice de seguro, Ana. Eu coverti as mulheres em objetos durante muito tempo. — Faz uma pausa incômoda.
— E você acha que tirar fotos de mim é... converter-me em um objeto também? — Todo o ar saiu do meu corpo, e o sangue desaparece de meu rosto.
Ele aperta os olhos.
— Estou tão confuso, — ele sussurra. Quando abre os olhos novamente, eles estão arregalados e desconfiados, cheios de alguma emoção crua.
Merda. Isso é por minha culpa? Minhas perguntas sobre sua mãe, antes do nascimento? O incêndio no seu escritório?
— Por que você diz isso? — Sussurro, com o pânico crescendo na minha garganta. Eu pensei que ele estava feliz. Pensei que nós éramos felizes. Pensei que o faria feliz.
Não quero confundi-lo. Ou sim? Minha mente começa a funcionar a toda velocidade. Ele não viu Flynn em quase três semanas. É isso? É essa a razão que ele esteja assim?
Merda, deveria chamar Flynn? E em um momento, possivelmente único, de extraordinária profundidade e clareza, consigo lhe entender: o fogo, Charlie Tango, o Jet Ski... Ele está com medo, ele está com medo por mim, e vendo essas marcas na minha pele só piorou. Ficou todo o dia olhando para elas, sentindo-se mal, e não está acostumado a se sentir incomodado sobre sua forma de infligir dor. Só de pensar nisso me provoca um calafrio.
Ele encolhe os ombros e uma vez mais os seus olhos se movem para baixo para o meu pulso, onde a pulseira que me comprou esta tarde costumava estar. Bingo!
87
— Christian, elas não importam. — Levantei o meu pulso, revelando a equimose desaparecendo. — Você me deu uma palavra segura. Merda, ontem foi divertido. Eu gostei. Pare de meditar sobre isso, gosto de sexo violento, já lhe disse isso antes. — Fico corada e tento sufocar o pânico que começo a sentir.
Ele olha para mim atentamente, e não tenho ideia do que está pensando. Talvez esteja medindo minhas palavras.
Continuo tateando um pouco.
— É sobre o fogo? Você acha que está ligado de alguma forma ao Charlie Tango? É por isso que você está preocupado? Fale comigo, Christian, por favor.
Ele olha para mim sem dizer nada, o silêncio se expande entre nós novamente, como aconteceu nesta tarde. Puta merda, droga! Ele não vai falar comigo, eu sei.
— Não pense demais nisso, Christian, — ralho suavemente, e as palavras ecoam, perturbando a memória de um passado recente, de suas palavras para mim, sobre o seu estúpido contrato. Chego mais perto, pego a caixa de seu colo e abro. Ele me observa passivamente, como se eu fosse uma criatura alienígena fascinante. Sabendo que a câmera estava preparada pelo vendedor da loja, pronta para usar, eu a tirei da caixa e retirei a tampa da lente.
Apontei a câmera para ele, seu belo rosto ansioso preencheu o quadro. Aperto o botão e mantenho-o pressionado, e dez imagens da expressão alarmada de Christian são capturadas digitalmente para a posteridade.
— Pois eu acabo de converter você em um objeto — eu murmuro, pressionando o botão do obturador novamente.
No final, seus lábios ainda se contraem quase imperceptivelmente. Pressiono novamente, e desta vez ele sorri... um pequeno sorriso, mas um sorriso, no entanto.
Mantenho o botão pressionado mais uma vez e vejo que ele relaxa fisicamente na minha frente e faz careta, completamente falsa, uma ridícula careta “Aço Azul” e isso me faz rir. Oh, graças a Deus. O Sr. Temperamental está de volta… e eu nunca estive tão contente de vê-lo.
88
— Eu pensei que fosse o meu presente, — ele resmunga, amuado, mas acho que ele está me provocando.
— Bem, supostamente deveria ser divertido, mas aparentemente é um símbolo da opressão das mulheres. —
respondo-lhe tirando mais fotos dele, e assistindo a diversão crescer em seu rosto, com um super sorriso.
Então seus olhos escurecem, e sua expressão se altera, fica predatória.
— Você quer ser oprimida? — ele murmura suavemente.
— Não oprimida. Não, — eu murmuro, fotografando novamente.
— Eu poderia oprimir você muito bem, Sra. Grey, — ele ameaça com voz rouca.
— Eu sei que você pode, Sr. Grey. E você faz, com frequência.
Seu rosto cai. Merda. Eu abaixo a câmera e olho para ele.
— O que há de errado, Christian? — Minha voz exala frustração.
Diga-me!
Ele não diz nada. Gah! Ele é tão irritante. Levanto a câmera para o meu olho de novo.
— Diga-me — Eu insisto.
— Nada, — ele diz e, de repente, desaparece do visor. Em um movimento rápido e suave, ele derruba a caixa da câmera no chão da cabine, me agarra e me empurra para baixo, na cama. Ele senta montado em mim.
— Ei! — Exclamo e tiro mais fotografias dele, sorrindo para mim com uma intenção escura. Ele pega a câmera pela lente, a fotógrafa se torna a musa quando ele aponta a Nikon para mim e pressiona o obturador.
— Então, você quer que eu tire fotos de você, Sra. Grey?
— ele diz, divertido. Tudo o que posso ver do seu rosto é o seu cabelo rebelde e um largo sorriso na boca esculpida. —
Bem, para começar, acho que você deve estar rindo, — diz ele, e ele me faz cócegas impiedosamente, em minhas costelas, fazendo-me guinchar, rir e me contorcer embaixo dele, até eu estender o pulso em uma vã tentativa de fazê-lo parar. Seu sorriso se alarga, e ele renova seus esforços, enquanto tira fotos.
— Não! Pare! — Grito.
— Você está brincando? — ele rosna e coloca a câmera para baixo, ao nosso lado, para que ele possa me torturar com as duas mãos.
89
— Christian! — protesto sem deixar de rir e de soprar. Ele nunca me fez cócegas antes. Porra, pare! Balanço a minha cabeça de um lado para o outro, tentando sair debaixo dele, rindo e empurrando com ambas as mãos, mas ele é implacável, sorrindo para mim, curtindo o meu tormento.
— Christian, pare! — Peço e ele para de repente.
Agarrando as minhas duas mãos, ele segura-as para baixo em ambos os lados da minha cabeça, enquanto paira sobre mim. Estou sem fôlego de tanto rir. Sua respiração espelha a minha, e ele olha para mim com... o quê? Meus pulmões
param de funcionar. Maravilha? Amor? Reverência?
Caramba. Que olhar!
— Você... É... Tão... Bonita, — Ele deixa escapar.
Olho para cima, para o seu querido, querido rosto banhado na intensidade do seu olhar, e é como se ele estivesse me vendo pela primeira vez. Inclinando-se, ele fecha os olhos e beija-me, extasiado. Sua resposta é desperta minha libido... vê-lo assim, desfeito, por mim. Oh meu Deus. Ele libera minhas mãos e enrosca os dedos no meu cabelo, mantendo-me no lugar sem fazer força. Meu corpo se eleva e se enche de excitação, respondendo ao seu beijo. E, de repente, a natureza do seu beijo se altera, não é mais doce, de reverência e de admiração, é mas carnal, profundo e devorador, sua língua invadindo minha boca, não dando, mas tomando, o seu beijo possuindo uma borda desesperada, necessitada. Enquanto o desejo atravessa o meu sangue, despertando todos os músculos e tendões no seu rastro, sinto um frisson de alarme.
Oh, Cinquenta, o que está errado?
Ele inala acentuadamente e geme — Oh, o que você faz comigo, — murmura, perdido e cru. Ele se move de repente, deitando em cima de mim, me pressionando no colchão, uma mão segurando meu queixo, a outra deslizando sobre o meu corpo, meu peito, minha cintura, meu quadril e em torno da minha bunda. Ele beija-me outra vez, empurrando a perna entre as minhas, levantando o joelho, e esfregando contra mim a sua ereção, lutando contra nossas roupas e meu sexo. Eu suspiro e gemo contra os seus lábios, perdendo-me na sua paixão ardente. Afasto os sinos de alarme no fundo da minha mente, sabendo que 90
ele me quer, que ele precisa de mim e que, quando se trata de se comunicar comigo, essa é a sua forma preferida de auto-expressão. Beijo-o com abandono renovado, correndo os dedos pelos seus cabelos, fecho as minhas
mãos, segurando firme. Ele tem um gosto tão bom e cheira a Christian, meu Christian.
De repente, ele para, levanta-se e me puxa para fora da cama, então eu estou em pé na frente dele, confusa. Ele desfaz o botão do meu shorts e ajoelha-se rapidamente, puxando-as e a minha calcinha para baixo, e antes que eu possa respirar de novo, estou de volta na cama embaixo dele, ele já desabotoou a braguilha. Caramba, ele não vai tirar a roupa nem a minha camiseta. Ele segura minha cabeça e sem qualquer preâmbulo empurra-se dentro de mim, me fazendo gritar mais pela surpresa, mais do que qualquer outra coisa, mas ainda posso ouvir o chiado de sua respiração forçada através dos dentes cerrados.
— Simmm, — ele sibila perto da minha orelha.
Ele acalma, em seguida, gira os quadris uma vez, empurrando mais fundo, fazendo-me gemer.
— Preciso de você, — ele rosna, sua voz é baixa e rouca.
Ele corre os dentes ao longo da minha mandíbula, belisca e chupa, e então me beija novamente, duro. Envolvo as minhas pernas e braços em torno dele, segurando-o com força contra mim, determinada a acabar com o que é preocupante.
Ele começa a se mover... mover como se estivesse tentando escalar dentro de mim. Mais e mais, frenético, selvagem, desesperado, e antes que eu me perca no ritmo insano que ele estabeleceu, me pergunto, mais uma vez, o que está levando-o a isto, o que o preocupa. Mas meu corpo assume o controle e afoga o pensamento, acelerando e aumentando as sensações até que me inundam e vou ao encontro de cada investida. Ouço sua respiração difícil, trabalhosa e feroz no meu ouvido. Sei que ele está perdido em mim.
Gemo alto e ofegante. É tão erótica essa sua necessidade de mim. Estou alcançando... alcançando... e ele está me levando mais até lá, inundando-me, levando-me com ele.
Isto é o que quero. Amo-o tanto… por ele e por mim.
91
— Goza comigo, — ele suspira e se ergue um pouco de forma que tenho que soltá-lo. — Abra os olhos, — ele ordena. — Eu preciso te ver. — Sua voz é urgente, implacável. Meus olhos piscam momentaneamente e ao vê-lo em cima de mim, com o rosto tenso pelo ardor, com os olhos crus e brilhantes. Sua paixão e seu amor é a minha perdição, e na hora que eu gozo, jogando minha cabeça para trás, o meu corpo pulsa ao redor do dele.
— Oh, Ana, — ele grita e se junta ao meu clímax, empurrando dentro de mim, então acalma e colapsa sobre mim. Rola para um lado de modo que fico em cima dele. Ele continua dentro de mim. A medida que os efeitos do orgasmo desaparecem e meu corpo se acalma, quero fazer algum comentário brincalhão sobre ser convertida em objeto e oprimida, mas mordo a língua porque não estou segura de qual é seu estado de ânimo. Olho-o para examinar seu rosto. Seus olhos estão fechados e os braços estão ao meu redor, agarrando-me firmemente. Eu beijo seu peito através do tecido fino de sua camisa de linho.
— Diga-me, Christian, o que há de errado? — Peço suavemente e espero ansiosamente para ver se, mesmo agora, saciado por sexo, ele vai me dizer. Sinto seus braços me apertar ainda mais, mas é a sua única resposta.
Ele não vai falar.
A inspiração me bate de repente.
— Eu lhe dei o meu voto solene de ser sua parceira fiel na doença e na saúde, para ficar ao seu lado nos momentos bons e nos maus, para partilhar a sua alegria bem como a sua tristeza, — murmuro.
Ele congela. Seu movimento é apenas arregalar os olhos insondáveis, olhar para mim, enquanto eu continuo a recitar meus votos de casamento.
— Eu prometi te amar incondicionalmente, apoiá-lo em seus objetivos e sonhos, honrar e respeitar você, rir com
você e chorar com você, partilhar as minhas esperanças e sonhos com você, e lhe trazer conforto em momentos de necessidade. — Faço uma pausa, desejando que ele fale comigo. Ele me olha, seus lábios se separaram, mas não diz nada.
— E amar você enquanto nós dois vivermos. — Eu suspiro.
— Oh, Ana, — ele sussurra e se move de novo, quebrando nosso contato precioso, para ficarmos deitados lado a lado.
Acaricia meu rosto com 92
as costas de seus dedos. — Eu solenemente juro que vou protegê-la e guardá-la no fundo do meu coração, a nossa união e você, — ele sussurra, com sua voz rouca. — Eu prometo te amar fielmente, abandonando todas as outras, nos bons e nos maus momentos, na saúde e na doença, independentemente de para onde a vida nos leve. Vou protegê-la, confiar em você e respeitá-la. Vou compartilhar suas alegrias, tristezas e lhe dar conforto nos momentos de necessidade. Prometo amar você e manter suas esperanças e sonhos, mantendo-a segura ao meu lado. Tudo o que é meu agora é seu. Eu te dou minha mão, meu coração e meu amor a partir deste momento e até que a morte nos separe.
Lágrimas explodiram dos meus olhos. Seu rosto suaviza, enquanto ele olha para mim.
— Não chore, — ele murmura, seu polegar captura uma lágrima perdida.
— Por que você não fala comigo? Por favor, Christian.
Ele fecha os olhos como se tivesse dor.
— Eu jurei que iria trazer-lhe consolo em tempos de necessidade. Por favor, não me faça quebrar os meus votos.
Ele suspira e abre os olhos, sua expressão é desolada.
— Foi incêndio criminoso, — ele diz, simplesmente, e olha de repente, tão jovem e vulnerável.
Oh foda.
— E a minha maior preocupação é que eles estão atrás de mim. E se eles estão atrás de mim... — Ele para, incapaz de
continuar.
— ...eles podem me pegar, — eu sussurro. Ele empalidece, e sei que, finalmente, descobri a raiz de sua ansiedade. Acaricio seu rosto.
— Obrigada,— murmuro.
Ele franze a testa.
— Pelo quê?
— Por me dizer.
Ele balança a cabeça e um fantasma de um sorriso toca seus lábios.
— Você pode ser muito persuasiva, Sra. Grey.
93
— E você pode estar ruminando e interiorizando todos os seus sentimentos e preocupações até que rebente. Você provavelmente vai morrer de um ataque cardíaco antes dos quarenta, e eu quero você por perto por muito mais tempo do que isso.
— Sra. Grey, você será a minha morte. Vendo você sobre o Jet Ski, quase me fez ter um enfarte. — Ele cai outra vez na cama e coloca a mão sobre os olhos, e eu o senti tremer.
— Christian, é um Jet Ski. Mesmo as crianças andam de Jet Skis.
Você pode imaginar o que vai sentir quando nós visitarmos a sua casa em Aspen, quando eu esquiei pela primeira vez?
Ele suspira e se vira para mim, e eu quero rir com o horror em seu rosto.
— É nossa casa, — ele diz, eventualmente.
Eu o ignoro.
— Eu sou uma adulta, Christian, e muito mais resistente do que pareço. Quando você vai entender isso?
Ele encolhe os ombros e aperta a sua boca. Decido mudar de assunto.
— Então, o fogo. A polícia sabe tudo sobre o incêndio?
— Sim. — Sua expressão é grave.
— Bom.
— A segurança será reforçada, — ele diz, com naturalidade.
— Eu entendo. — Olho para baixo, para o seu corpo. Ele ainda está vestindo o calção e a camisa, e eu ainda tenho a minha camiseta. Caramba, falar sobre bam, bam, obrigado senhora. O pensamento me faz rir.
— O quê foi? — Christian pergunta, confuso.
— Você.
— Eu?
— Sim. Você. Ainda vestido.
— Oh. — Ele olha para si mesmo, depois para mim, e seu rosto se abre com um enorme sorriso.
— Bem, você sabe como é difícil para mim manter as mãos longe de você, Sra. Grey, especialmente quando você está rindo como uma colegial.
94
Oh sim, as cócegas. Gah! As cócegas. Eu me movo rapidamente, de modo que possa montá-lo, mas imediatamente ele compreende a minha má intenção e agarra meus dois pulsos.
— Não, — ele diz e disse a sério.
Eu faço um cara de raiva, mas entendo que ele não está pronto para isso.
— Por favor, não, — ele sussurra. — Não poderia suportar.
Nunca me fizeram cócegas quando criança — Ele fica calado e eu descanso minhas mãos, para que ele não tente que me conter.
— Eu costumava assistir Carrick com Elliot e Mia, fazendo cócegas, e parecia divertido, mas eu... eu...
Eu coloco o meu dedo indicador nos seus lábios.
— Calma, eu sei, — eu murmuro e dou um beijo suave nos seus lábios, onde o meu dedo estava, em seguida, aconchego-me em seu peito. A dor familiar cresce dentro de mim, e a profunda tristeza que guardo em meu coração por Christian como um garotinho, se apodera de mim, mais uma vez. Eu sei que faria qualquer coisa por esse homem porque eu o amo tanto.
Ele coloca os braços em volta de mim e aperta o nariz no meu cabelo, inalando profundamente enquanto gentilmente acaricia minhas costas. Não sei quanto tempo ficamos lá, mas eu quebro o silêncio confortável entre nós.
— Qual foi o tempo mais longo que você já ficou sem ver o Dr. Flynn?
— Duas semanas. Por quê? Você tem um desejo incontrolável de me fazer cócegas?
— Não. — Eu rio. — Acho que ele ajuda você.
Christian bufa.
— É melhor que sim. Pago-lhe uma boa soma de dinheiro para que faça isso. — Ele puxa meu cabelo suavemente, virando meu rosto para olhar para ele. Ergo minha cabeça e encontro o seu olhar.
— Você está preocupada com o meu bem-estar, Sra.
Grey? — ele pergunta baixinho.
— Toda boa esposa está preocupada com o bem-estar de seu amado marido, Sr. Grey, — Eu o censuro e provoco.
95
— Amado? — ele sussurra, e a comovedora pergunta fica no ar entre nós.
— Muito, muito amado. — Aproximo-me para beijá-lo e ele me dedica um sorriso tímido.
— Você quer ir a terra para comer, Sra. Grey?
— Eu quero comer onde você quiser.
— Bom. — Ele sorri. — A bordo é onde eu posso mantê-la segura.
Obrigado pelo meu presente. — Estende a mão e pega a câmera. Estica o braço com ela na mão e tira uma foto de nós dois abraçados depois das cócegas, do sexo e da confissão.
— O prazer é todo meu, — eu sorrio e seus olhos se iluminam.
Passeamos pelo esplendor opulento e dourado do Palácio de Versailles do século XVIII. O que foi uma vez um modesto alojamento de caça, o Rei Sol transformou num magnífico e pródigo símbolo do poder, que, paradoxalmente, antes de
acabar o século XVIII presenciou a queda do último monarca absolutista.
A sala mais impressionante, de longe, é o Salão dos Espelhos. É cheia de luz no início da tarde, vindo através de janelas para o oeste, iluminando os espelhos que revestem a parede leste e iluminando a decoração de folhas de ouro e os lustres de cristal enormes. É de tirar o fôlego.
— É interessante ver o que acontece com um déspota megalomaníaco que gostava de se isolar em tal esplendor.
— murmuro para Christian, que está ao meu lado. Ele olha e inclina a cabeça para um lado, me observando com humor.
— É o seu ponto de vista, Sra. Grey?
— Oh, apenas uma observação, Sr. Grey. — Sinalizo com minha mão o que nos rodeia. Sorrindo, ele me segue até o centro da sala, onde me detenho e admiro a vista: os jardins espetaculares que refletem nos espelhos 96
e no não menos espetacular Christian Grey, meu marido, cujo reflexo me olha com olhos brilhantes e atrevidos.
— Gostaria de construir isso para você, — ele sussurra. —
Basta ver a forma como a luz ilumina o seu cabelo, bem aqui, agora. — Ele enfia um fio de cabelo atrás da minha orelha. — Você parece um anjo. — Ele me beija logo abaixo da minha orelha, pega a minha mão na sua, e murmura: —
Nós, os déspotas, fazemos isso para as mulheres que amamos.
Coro com o seu elogio, sorrindo timidamente, e sigo-o através da vasta sala.
— O que você está pensando? — Christian pergunta baixinho, tomando um gole de seu café depois do jantar.
— Versailles.
— Ostentação, não foi? — Ele sorri. Olho em torno da grandeza mais discreta da sala de jantar do Fair Lady e aperto os meus lábios.
— Isto não é ostensivo, — Christian diz, um pouco defensivamente.
— Eu sei. É lindo. A melhor lua de mel que uma garota poderia querer.
— Sério? — ele diz, genuinamente surpreso. E ele sorri seu sorriso tímido.
— Claro que é.
— Nós só temos mais dois dias. Há algo que você gostaria de ver ou fazer?
— Basta ser com você, — eu murmuro. Ele levanta da mesa, vem até a mim e me beija na testa.
— Bem, você pode ficar sem mim por cerca de uma hora?
Preciso verificar meus e-mails, descobrir o que está acontecendo em casa.
— Claro, — eu digo brilhantemente, tentando esconder a minha decepção, por eu ter que ficar sem ele por uma hora.
É estranho que eu 97
queira estar com ele o tempo todo? Meu subconsciente aperta os lábios em uma linha dura e pouco atraente, acenando vigorosamente.
— Obrigado pela câmera, — ele murmura e se dirige para o estúdio.
De volta a nossa cabine, eu decidi ver meus e-mails e abri meu laptop. Há e-mails de minha mãe e de Kate dando-me as últimas fofocas de casa e perguntando como a lua de mel está indo. Bem, ótimo, até que alguém decidiu queimar a GEH Inc... Quando termino a resposta para a minha mãe, um e-mail de Kate aparece na minha caixa de entrada.
De: Katherine L. Kavanagh Data: 17 agosto, 2011 11:45
PST
Para: Anastásia Grey Assunto: OMG!!
Ana, acabei de ouvir sobre o incêndio no escritório de Christian.
Você acha que o incêndio foi criminoso?
K xox
Kate está online! Eu salto no meu recém descoberto brinquedo, Skype e vejo que ela está disponível.
Rapidamente digito uma mensagem.
Ana: Ei você está aí?
Kate: Sim, Ana! Como você está? Como está a lua de mel?
Você viu o meu e-mail? O Christian sabe sobre o incêndio.
Ana: Eu estou bem. A Lua de Mel é maravilhosa. Sim, eu vi o seu e-mail. Sim, Christian sabe.
Kate: Achava que ele saberia. Noticiaram o que aconteceu. E
Elliot não me diz nada.
Ana: Você está pescando uma história?
Kate: Você me conhece muito bem.
Ana: Christian não me disse muito.
98
Kate: Elliot ouviu de Grace!
Ah, não, tenho certeza que Christian não gostaria que isso seja contado por toda Seattle. Tento a minha técnica patenteada para distrair a tenaz Kavanagh.
Ana: Como estão Elliot e Ethan?
Kate: Ethan foi aceito no curso psicologia em Seattle, para o seu mestrado. Elliot é adorável.
Ana: Ethan tem um caminho a percorrer.
Kate: Como está o nosso favorito ex-dom?
Ana: Kate!
Kate: O quê?
Ana: VOCÊ SABE O QUE!
Kate: Desculpe.
Ana: Ele está bem. Mais do que bem.
Kate: Bem, desde que você esteja feliz, eu estou feliz.
Ana: Eu estou muito feliz.
Kate: Tenho que correr. Podemos conversar mais tarde?
Ana: Não tenho certeza. Veja se estou on-line. Fusos horários são um saco!
Kate: Eles são. Amo você, Ana.
Ana: Eu te amo, também. Até logo. X
Kate: Até logo.
Acredito que Kate está na trilha dessa história. Reviro os olhos e fecho o Skype antes que Christian veja o bate-papo.
Ele não gostaria de saber do comentário sobre ex-Dom, e eu não tenho certeza se ele é inteiramente ex...
Suspiro alto. Kate sabe de tudo, desde a nossa noite nos embriagando, três semanas antes do casamento, quando eu, finalmente, sucumbi à inquisição de Kavanagh. Foi um alívio, finalmente, falar com alguém.
99
Olho para meu relógio. Já passou cerca de uma hora desde o jantar, e estou com saudade do meu marido. Volto ao convés para ver se ele terminou o seu trabalho.
Estou no Salão dos Espelhos e Christian está de pé ao meu lado, sorrindo para mim com amor e carinho. Você parece um anjo. Sorrio, mas quando olho para o espelho, estou em pé sozinha, e o sala é cinza e sem graça. Não!
Giro minha cabeça para voltar a ver seu rosto, mas agora seu sorriso é triste e nostálgica. Enfia uma mecha de cabelo atrás da minha orelha. Depois vira sem dizer uma palavra e se afasta lentamente. Seus passos ecoam nos espelhos
enquanto atravessa a sala enorme até as portas duplas ornamentadas no final... um homem sozinho, um homem sem reflexo...
— Ei, — ele sussurra ao meu lado, na escuridão, com a voz cheia de preocupação.
Oh, ele está aqui. Ele está seguro. O alivio corre através de mim.
— Oh, Christian, — eu murmuro, tentando manter o meu forte batimento cardíaco sob controle. Ele me envolve em seus braços, e é só então que percebo que tenho lágrimas escorrendo pelo meu rosto.
— Ana, o que foi? — Ele acaricia o meu rosto, enxugando minhas lágrimas, e posso ouvir a sua angústia.
— Nada. Um pesadelo bobo.
Ele beija a minha testa e minha bochecha coram, confortando-me.
— Apenas um sonho mau, bebê. Estou aqui. Eu vou te proteger. Absorvo o seu cheiro, envolvo-me ao redor dele, tentando ignorar a perda e a devastação que senti no meu sonho, e nesse momento sei que o meu medo mais profundo e mais escuro seria perdê-lo.
100
Capítulo 05
Eu me mexo, instintivamente procurando Christian, só para sentir a sua ausência. Merda! Eu acordo e imediatamente, o procuro pela cabine ansiosamente.
Christian está me olhando da pequena e acolchoada poltrona, perto da cama. Abaixando-se, ele deixa alguma coisa no chão, então se levanta e deita na cama ao meu lado. Ele está usando sua camiseta regata cinza.
— Ei, não entre em pânico. Está tudo bem, — ele diz, sua voz é suave e moderada, como se estivesse falando com
um animal encurralado e selvagem. Carinhosamente, ele coloca meu cabelo para trás do meu rosto e eu me acalmo imediatamente. Eu o vejo tentando e falhando em esconder sua preocupação.
— Você tem estado tão agitada nos últimos dois dias, —
ele murmura, com olhos arregalados e sérios.
— Eu estou bem, Christian. — Dou a ele o meu sorriso mais brilhante, porque não quero que ele saiba o quanto estou preocupada com o incidente criminoso. A lembrança dolorosa do que senti, quando Charlie Tango foi sabotado e Christian desapareceu, aquele vazio oco, e a indescritível sensação dor, continuam reaparecendo em minha memória, me aborrecendo e arrebatando meu coração. Mantenho o sorriso fixo no rosto, tentando reprimir essa lembrança.
— Você estava me assistindo dormir?
— Sim, — ele diz olhando para mim de forma constante, me observando. — Você estava falando.
— Ah?
Merda! O que eu estava dizendo?
— Você está preocupada, — ele acrescenta, seus olhos se encheram de preocupação. Não há nada que eu possa esconder deste homem? Ele se inclina e beija entre as minhas sobrancelhas.
101
— Quando você franze o cenho, um pequeno V se forma bem aqui. É
suave para beijar. Não se preocupe bebê, eu vou cuidar de você.
— Eu não estou preocupada comigo, mas com você, — eu resmungo.
— Quem está atrás de você?
Ele sorri indulgentemente ante o meu tom.
— Eu sou grande e feio o suficiente para cuidar de mim mesmo. Vem.
Levante-se. Há uma coisa que eu gostaria de fazer antes de ir para casa. — Ele sorri para mim, como um grande menino, de vinte e oito anos, e aperta o meu traseiro. Eu grito assustada, me dou conta de que hoje nós estamos voltando para Seattle e minha melancólica floresce. Eu não quero ir embora.
Eu apreciei estar com ele vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, e eu não estou pronta para compartilhá-lo com sua empresa e sua família.
Nós tivemos uma lua de mel bem-aventurada. Com alguns altos e baixos, eu admito, mas isso é normal para um casal recém-casado, certo?
Mas Christian não pode conter sua empolgação de menino, e apesar dos meus pensamentos sombrios, ele me contagia. Quando ele se ergue graciosamente para fora da cama, eu lhe sigo intrigada. O que ele tem em mente?
Christian prende a chave em meu pulso.
— Você quer que eu dirija?
— Sim. — Christian sorri. — Isso não está muito apertado?
— Está bom. É por isso que você está vestindo um colete salva-vidas?
— Eu levanto a minha sobrancelha.
— Sim.
Eu não posso deixar de dar uma risada. — Essa é a sua confiança em minha capacidade de conduzir, Sr. Grey.
— Como sempre, Sra. Grey.
— Bem, não me repreenda.
102
Christian tem as mãos em um gesto defensivo, mas ele está sorrindo.
— Será que eu ousaria?
— Sim, você faria, e sim, você faz, e não podemos parar e discutir aqui na calçada.
— Ponto para você, Sra. Grey. Será que vamos ficar nesta plataforma durante todo o dia, debatendo suas habilidades como condutora ou vamos nos divertir?
— Ponto para você, Sr. Grey. — Eu agarro o guidão do Jet Ski e subo.
Christian sobe atrás de mim e nos chuta para longe do iate. Taylor e dois dos marinheiros nos observam com ar de diversão. Deslizando para frente, Christian envolve seus braços a minha volta e aconchega as coxas contra as minhas. Sim, é isso que eu gosto neste tipo de transporte.
Eu insiro a chave na ignição, pressiono o botão de partida e o motor ganha vida.
— Pronto? — Eu grito para Christian sobre o ruído.
— Como sempre estarei, — ele diz, com a boca perto do meu ouvido.
Gentilmente, puxo a alavanca e o Jet Ski se afasta do Fair Lady, sereno demais para o meu gosto. Christian aperta seu abraço. Eu acelero mais um pouco, disparamos para frente e eu fico satisfeita por não pararmos.
— Uau! — Christian grita atrás, e a alegria em sua voz é palpável. Eu acelero, passando o Fair Lady, em direção ao mar aberto. Estamos ancorados no Port de Plaisance de Saint Claude Du Var, e o Aeroporto de Nice, Côte d'Azur, está situado distante, voltado para o Mediterrâneo, ou assim parece. Eu ouvi um estranho avião aterrissar ontem à noite.
Eu decido que precisamos dar uma olhada por lá.
Nós nos atiramos em direção a ele, pulando rapidamente sobre as ondas. Eu amo isso, e estou muito feliz por Christian me deixar conduzir.
Toda a preocupação que senti nos últimos dois dias se dissipa, enquanto vamos em direção ao aeroporto.
— Da próxima vez que fizermos isso, teremos dois Jet Skis, — Christian grita. Eu sorrio com o pensamento de uma corrida com ele, é emocionante.
103
Enquanto nos aproximamos sobre o refrescante mar azul, para onde parece ser o fim da pista, o barulho estrondoso da turbina de um jato no momento do pouso, de repente me assusta. Eu entro em pânico, desviando e apertando o acelerador ao mesmo tempo, confundindo-o com um freio.
— Ana! — Christian grita, mas é tarde demais. Sou catapultada para fora do Jet Ski, agitando braços e pernas, levando Christian comigo em uma espetacular queda na água.
Gritando, eu mergulho no mar azul cristalino e engulo um bocado desagradável do Mediterrâneo. A água é fria distante da costa, mas eu venho à superfície em uma fração de segundo, por cortesia do meu colete salva-vidas. Tusso e cuspo, eu limpo a água do mar dos meus olhos e olho ao redor procurando por Christian. Ele já está nadando em minha direção. O
Jet Ski flutua inofensivamente a poucos metros de distância de nós, e seu motor está silencioso.
— Você está bem? — Seus olhos estão cheios de pânico, quando ele chega até a mim.
— Sim, — eu coaxo, mas eu não consigo conter a minha alegria. Viu, Christian? Isso é o pior que pode acontecer em um Jet Ski! Ele me puxa para o seu abraço, e então pega a minha cabeça entre as mãos, examinando meu rosto de perto.
— Veja, isso não foi tão ruim! — Eu sorrio, enquanto nós flutuamos na água.
Eventualmente, ele sorri para mim, obviamente aliviado.
— Não, eu acho que não foi. Só que eu estou todo molhado, — ele resmunga, mas seu tom é brincalhão.
— Eu também estou molhada.
— Eu gosto de você molhada. — Ele dá um olhar malicioso.
— Christian! — Eu ralho, tentando afirmar uma falsa indignação. Ele sorri, parecendo lindo, então se inclina e me beija com força. Quando ele se afasta, eu estou sem fôlego.
Seus olhos estão mais escuros, semicerrados e aquecidos, e eu fico quente, apesar da água fria.
— Venha. Vamos voltar. Agora temos que tomar um banho. Eu dirijo.
104
Nós descansamos na sala de espera da primeira classe da British Airways, em Heathrow, Londres, aguardando o nosso vôo de conexão para Seattle. Christian está absorto no Financial Times. Eu pego a câmera, para tirar algumas fotos dele. Ele parece tão sexy em sua marca registrada, uma camisa de linho branca e jeans, e os seus óculos de aviador enfiado no V de sua camisa aberta. O flash o perturba. Ele pisca para mim e sorri timidamente.
— Como vai, Sra. Grey? — ele pergunta.
— Triste por voltar para casa, — eu murmuro. — Eu gosto de ter você só para mim.
Ele aperta a minha mão e levando-a até seus lábios, roça meus dedos com um beijo doce.
— Eu também.
— Mas? — Eu pergunto, ouvindo essa pequena palavra subentendida no final da sua declaração simples.
Ele franze a testa.
— Mas? — ele repete sem ingenuidade. Eu inclino minha cabeça, olhando para ele com a expressão me diga, que eu fui aperfeiçoando ao longo dos últimos dois dias. Ele suspira, colocando o jornal para baixo. — Eu quero esse incendiário apanhado e fora de nossas vidas.
— Oh. — Isso parece bastante justo, mas eu estou surpresa com sua franqueza.
— Eu vou ter bolas de Welch em um prato, se ele permitir que algo assim aconteça novamente. — Um arrepio percorre minha espinha com o seu tom ameaçador. Ele olha para mim, impassível, e eu não sei se ele está sendo presunçoso, irreverente, ou o quê. Eu faço a única coisa que posso pensar para aliviar a tensão repentina que se fez entre nós, levanto a câmera e tiro outra fotografia.
105
— Ei, dorminhoca, estamos em casa, — Christian murmura.
— Hmm, — murmuro, relutante em largar aquele tentador sonho, com Christian e eu, numa toalha de piquenique em Kew Gardens. Estou tão cansada. Viajar é cansativo, mesmo na primeira classe. Nós estivemos viajando por mais de dezoito horas seguidas, acredito eu, e meu cansaço me faz perder a noção. Ouvi minha porta ser aberta e Christian está se debruçando sobre mim. Ele desafivelou meu cinto e agora me levanta em seus braços, me acordando.
— Ei, eu posso andar, — eu protesto sonolenta.
Ele bufa.
— Eu tenho que carregá-la no colo.
Coloquei os braços em volta do seu pescoço.
— Pelos trinta andares? — Eu lhe dou um sorriso desafiador.
— Sra. Grey, estou muito satisfeito em lhe dizer que você ganhou algum peso.
— O quê?
Ele sorri.
— Então, se você não se importar, vamos usar o elevador.
— Ele aperta os olhos para mim, embora eu saiba que ele está me provocando.
Taylor abre as portas para o lobby de entrada e sorri.
— Sejam bem-vindos Sr. Grey, Sra. Grey.
— Obrigado, Taylor, — Christian diz.
Eu dou a Taylor o mais breve dos sorrisos e vejo-o voltar para o Audi, onde Sawyer o espera ao volante.
— O que quer dizer com ganho de peso? — Eu encaro Christian. Seu sorriso se alarga e ele me aperta mais perto de seu peito, enquanto ele me leva pelo lobby.
— Não muito, — ele assegura-me, mas seu rosto escurece, de repente.
106
— O quanto? — Eu tento manter o alarme em minha voz sob controle.
— Você ganhou o peso, que perdeu quando me deixou, —
ele diz calmamente, enquanto chama o elevador. Uma expressão sombria atravessa seu rosto.
Sua súbita e surpreendente angústia esmaga meu coração.
— Ei. — Eu passo os meus dedos em torno de seu rosto e em seus cabelos, puxando-o para mim. — Se eu não tivesse ido, você estaria aqui de pé, como está agora?
Seus olhos se derretem em uma cor de nuvem em tempestade, e ele sorri timidamente, meu sorriso favorito.
— Não, — ele fala enquanto caminha para o elevador, ainda me carregando. Ele se inclina e me beija suavemente.
— Não, Sra. Grey, eu não estaria. Mas eu sei que poderia mantê-la segura, porque você não iria me desafiar.
Ele soa vagamente arrependido... Merda.
— Eu gosto de desafiar você. — Eu falo, testando as águas.
— Eu sei. E me faz tão... feliz. — Ele sorri para mim, através de sua estupefação.
Oh, graças a Deus.
— Mesmo que eu esteja gorda? — Eu sussurro.
Ele ri.
— Mesmo que você esteja gorda. — Ele me beija outra vez, mas desta vez aquecido, e eu ponho meus dedos em seus cabelos, segurando-o contra mim, e nossas línguas se contorcem em uma dança lenta e sensual, um com o outro.
Quando o elevador sinaliza sua chegada ao apartamento, estamos ambos sem fôlego.
— Muito feliz, — ele murmura. Seu sorriso é mais escuro agora, seus olhos estão semicerrados e cheios de promessas lascivas. Ele balança a cabeça como se quisesse se recuperar e me leva pelo corredor.
— Bem vinda ao lar, Sra. Grey. — Ele me beija outra vez, mais castamente agora, e me dá o patenteado super-gigawatt sorriso Christian Grey, enquanto seus olhos dançam com alegria.
107
— Bem vindo ao lar, Sr. Grey. — Eu digo, com o meu coração respondendo à sua chamada, repleto de minha própria alegria.
Penso que Christian vai me colocar no chão, mas ele não faz. Ele me leva através do hall de entrada, ao longo do corredor, pela sala grande, e me deposita na ilha da cozinha, onde eu me sento com as pernas balançando.
Ele pega duas taças de champanhe do armário da cozinha e uma garrafa de champanhe gelada da geladeira, nossa Bollinger favorita. Ele habilmente abre a garrafa, não derrama uma gota, enche as taças de champanhe rosa pálido, e entrega uma para mim. Pegando a outra, ele gentilmente afasta as minhas pernas e se move para frente, para ficar entre elas.
— Aqui, para nós, Sra. Grey.
— Para nós, Sr. Grey, — eu sussurro consciente do meu sorriso tímido. Nós tocamos as taças e tomamos um gole.
— Eu sei que você está cansada, — ele sussurra, esfregando o nariz contra o meu. — Mas eu realmente gostaria de ir para a cama... e não dormir. — Ele beija o canto da minha boca. — É nossa primeira noite em casa e agora você é realmente minha. — Sua voz flutua, enquanto planta leves beijos em minha garganta. É começo de noite em Seattle, e eu sou um cachorro cansado, mas o desejo floresce no fundo da minha barriga e minha deusa interior ronrona.
Christian está dormindo pacificamente ao meu lado, quando eu encaro as listras cor de rosa e dourado da nova aurora através das grandes janelas. Seu braço está enrolando sobre meus seios, e eu tento acalmar a respiração em um esforço para voltar a dormir, mas não há esperança. Eu estou bem acordada, meu relógio biológico está no horário de Greenwich, minha mente corre.
Tanta coisa aconteceu nas últimas três semanas, melhor dizendo, nos últimos três meses, que eu sinto que meus pés ainda não tocaram o chão. E
agora aqui estou eu, a Sra. Anastásia Grey, casada com o mais delicioso e 108
sexy magnata filantropo, absurdamente rico que uma mulher poderia encontrar. Como tudo isso aconteceu tão rápido?
Eu viro de lado para olhar para ele, admirando sua beleza.
Eu sei que ele me observa enquanto durmo, mas raramente tenho a oportunidade de retribuir o elogio. Ele parece tão jovem e despreocupado em seu sono, seus longos cílios se espalham próximos às bochechas, um punhado de barba cobre seu queixo e seus lábios esculpidos, entreabertos, permanecem relaxados enquanto ele respira profundamente. Eu quero beijá-lo, empurrar a minha língua entre seus lábios e passar os dedos sobre a barba suave e espinhosa. Eu realmente tenho que lutar contra o desejo de
tocá-lo, para não perturbá-lo. Hmm... Eu poderia simplesmente provocar o lóbulo da sua orelha com os dentes e chupar. Meu subconsciente olha para mim sobre seus óculos de meia-lua, distraído da leitura do segundo volume das Obras Completas de Charles Dickens, e mentalmente me castiga. Deixe o pobre homem quieto, Ana.
Estarei de volta ao trabalho na segunda-feira. Temos somente hoje para reaclimatar, então, estaremos de volta a nossa rotina. Vai ser estranho não ver Christian o dia inteiro, depois de passar quase cada minuto juntos nas últimas três semanas. Eu deito e olho para o teto. Alguém poderia pensar que passar tanto tempo junto seria sufocante, mas esse não é o caso.
Eu amei cada minuto que passamos juntos, até mesmo nossas brigas. Cada minuto... exceto a notícia do incêndio no escritório de Grey.
Meu sangue gelou. Quem poderia querer prejudicar Christian? Minha mente se retorce neste mistério novamente. Alguém do seu meio de negócios? Uma ex? Um funcionário descontente? Eu não tenho a mínima ideia, e Christian continua de boca fechada sobre esse assunto, alimentando-me com informações pingadas, mínimas, pensando que pode se safar na tentativa de me proteger. Eu suspiro. Meu brilhante cavaleiro branco e escuro, sempre tentando me proteger. Como fazer com que ele se abra mais?
Ele se mexe e eu fico parada, não querendo acordá-lo, mas isso provoca o efeito oposto. Porra! Dois olhos brilhantes olham para mim.
— O que há de errado?
109
— Nada. Volte a dormir. — Eu dou o meu sorriso tranquilizador. Ele se estende, esfrega o seu rosto, e então sorri para mim.
— Fuso horário trocado? — ele pergunta.
— Será que é isso? Eu não consigo dormir.
— Tenho o remédio perfeito aqui, só para você, bebê. —
Ele sorri como um menino, fazendo-me revirar os olhos e rir ao mesmo tempo. E
desta forma, os meus pensamentos escuros são deixados de lado e meus dentes encontram o lóbulo da sua orelha.
Christian e eu, cruzamos para o norte na I-5 em direção à ponte 520
no Audi R8. Vamos almoçar com seus pais, um almoço de boas vindas de domingo. Toda a família vai estar lá, além de Kate e Ethan. Vai ser estranho ter companhia, quando nós estivemos em nossa própria companhia todo este tempo. Eu quase não tive a oportunidade de conversar com Christian esta manhã. Ele estava fechado em seu escritório, enquanto eu desfazia as malas. Ele disse que não era preciso, já que a Sra. Jones poderia fazê-lo.
Mas isso é outra coisa que eu ainda preciso me acostumar: ter ajuda doméstica. Eu corro meus dedos distraidamente sobre o estofamento de couro da porta, distraindo meus pensamentos. Sinto-me incomodada. É o fuso horário? O incêndio?
— Quer me deixar dirigir isso? — Eu pergunto, surpresa por dizer aquilo em voz alta.
— Claro, — Christian responde, sorrindo. — O que é meu é seu. Mas se você bater, eu vou levá-la para o Quarto Vermelho da Dor. — Ele olha rapidamente para mim, com um sorriso malicioso.
Merda! Eu olho de boca aberta para ele. Isso é uma piada?
— Você está brincando. Você poderia me punir por amassar o seu carro? Você ama o seu carro mais do que me
ama? — Eu o provoco.
— Quase isso, — ele diz apertando o meu joelho. — Mas ele não me mantém aquecido à noite.
110
— Tenho certeza de que isto poderia ser arranjado. Você poderia dormir nele, — eu disparo.
Christian ri.
— Nós não estamos nem um dia em casa e você já está me mandando embora? — Ele parece feliz. Eu olho para ele e ganho um sorriso de arrepiar, e embora eu preferisse estar brava com ele, é impossível quando ele está com esse tipo humor. Agora que penso sobre isso, reparo que ele melhorou seu estado de espírito desde que deixou seu escritório esta manhã. E percebo que eu estou sendo petulante, porque temos de voltar à realidade, e eu não sei se ele vai se transformar novamente no Christian mais fechado pré-lua de mel, ou se eu vou ficar com a nova versão melhorada.