Cinquenta Tons de Liberdade

E.L. James · Capítulo 7 de 8 · parte 3/3

Páginas do PDF

Cinquenta Tons de Liberdade

Capítulo x

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.

— Mia — eu pergunto.

— Ela está segura. Graças a você.

— Eles a salvaram?

—Sim.

Toda a loucura aconteceu por uma razão. Um alívio se espalha pelo meu corpo.

Agradeço a Deus, graças a Deus, graças a Deus ela está bem. Eu franzo a testa.

— Como eles a sequestraram?

— Elizabeth Morgan, — ele diz simplesmente.

— Não!

Ele acena com a cabeça.

— Ela a capturou na academia de ginástica que Mia frequenta.

Eu franzo a testa, ainda sem entender.

— Ana, eu vou lhe contar os detalhes mais tarde. Mia está bem, depois de tudo. Ela foi drogada. Ela ainda está aturdida e ainda abalada, mas por um milagre eles não a machucaram. — Christian aperta a mandíbula. — O que

você fez, — ele passa a mão através de seu cabelo, — foi incrivelmente corajoso e incrivelmente estúpido. Você poderia ter sido morta. — Seus olhos resplandecem num cinza, sombrio e assustador, e eu sei que ele está reprimindo sua ira.

— Eu não sabia o que fazer, — eu sussurro.

— Você poderia ter me dito! — Ele diz com veemência, colocando minhas mãos em seu colo.

— Ele disse que ia matá-la se eu contasse a alguém. Eu não podia correr esse risco.

Christian fecha os olhos, o pavor percorre seu rosto.

— Morri cem vezes desde quinta-feira.

Quinta-feira?

539

— Que dia é hoje?

— É quase sábado, — ele diz, consultando o relógio. —

Você esteve inconsciente por quase vinte e quatro horas.

Oh.

— E Jack e Elizabeth?

— Estão em custódia. Embora Hyde esteja aqui embaixo sob guarda.

Eles tiveram que remover a bala que você deixou nele, —

Christian diz amargamente. —Eu não sei onde ele está neste hospital, felizmente, ou provavelmente iria matá-lo. —

seu rosto escurece.

Oh merda. Jack está aqui?

— Isso é pelo SIP, sua puta!

Eu empalideço. Meu estômago vazio se contrai.

Lágrimas inundam meus olhos, e um profundo arrepio percorre meu corpo.

— Hey. — Christian se move com pressa para frente, sua voz cheia de preocupação. Tomando o copo da minha mão, ele carinhosamente me leva aos seus braços.

— Você está segura agora, — murmura contra o meu cabelo, sua voz rouca.

— Christian, eu sinto muito. — Minhas lágrimas começam a cair.

— Calma, — Acaricia meu cabelo, e eu choro em seu pescoço.

— O que eu disse. Eu nunca ia deixar você.

— Fique tranquila, bebê, eu sei.

— Você sabe? — Sua admissão põe fim as minhas lágrimas.

— Eu averiguei. Eventualmente. Honestamente, Ana, o que você estava pensando? — Seu tom é tenso.

— Você me pegou de surpresa, — murmuro no colarinho da camisa.

—Quando falamos no banco, você acreditou que eu estava deixando você. Eu pensei que você me conhecesse melhor. Eu te disse uma vez, eu nunca vou te deixar.

— Mas depois da maneira terrível que eu havia me comportado, — Sua voz é quase inaudível, e seus braços apertados em torno de mim. — Eu pensei por um curto período de tempo que eu havia te perdido.

540

— Não, Christian. Nunca. Eu não queria que você interferisse, e colocasse a vida de Mia em perigo.

Ele suspira, e eu não sei se é de desespero, raiva ou mágoa.

— Como você decifrou tudo? — Pergunto rapidamente para distraí-lo de sua linha de pensamento.

Ele enfia meu cabelo atrás da minha orelha.

— Tinha acabado de aterrissar em Seattle quando recebi uma ligação.

Eu ouvi que estava doente e fui para casa.

— Então, você estava em Portland, quando Sawyer ligou para você no carro?

— Nós estávamos prestes a decolar. Eu estava preocupado com você, — ele diz em voz baixa.

 

— Você estava?

Ele franze a testa.

— É claro que eu estava. — Ele contorna o polegar sobre meu lábio inferior. — Eu vivo me preocupando com você.

Você sabe disso.

Oh, Christian!

— Jack me ligou no escritório, — murmuro. — Ele me deu duas horas para conseguir o dinheiro. — Eu dou os ombros.

— Eu tinha que agir, e me pareceu à melhor desculpa.

A boca de Christian se pressiona em uma linha dura. — E

você enrolou Sawyer. Ele está com raiva de você, também.

— Também?

— Eu também.

Eu timidamente toco seu rosto, correndo os dedos sobre a barba.

Ele fecha seus olhos, inclinando-se nos meus dedos.

— Não fique com raiva de mim. Por favor, — Eu sussurro.

— Eu estou tão bravo com você. O que você fez, foi algo monumentalmente estúpido. Totalmente insano.

— Eu te disse, eu não sabia o que fazer.

— Você parece não ter nenhuma consideração por sua segurança pessoal. E não é só você agora, — ele acrescenta, irritado.

541

Meu lábio treme. Ele está pensando sobre o nosso pequeno blip.

A porta se abre, assustando a nós dois, e uma jovem mulher Africano-Americana em um casaco branco avança sobre Christian cumprimentando-o.

— Boa noite, Sra. Grey. Eu sou a Dra. Bartley.

Ela começa a me examinar completamente, projeta uma luz nos meus olhos, fazendo-me tocar os dedos, depois

então meu nariz, fechar primeiro um olho e depois o outro, verificando todos os meus reflexos. Mas sua voz é suave e seu toque suave, ela tem uma maneira de cabeceira quente. A enfermeira Nora se junta a ela, e Christian vai para o canto da sala e faz algumas ligações enquanto as duas me examinam. É difícil concentrar-se na Dra. Bartley, em Nora e Christian, mas eu escuto Christian ligando para seu pai, minha mãe, e Kate para dizer que eu estou acordada.

Finalmente, ele deixa uma mensagem para Ray.

Ray. Oh merda. . . Lembro vagamente de sua voz. Ele estava aqui, sim, enquanto eu ainda estava inconsciente.

A Dra. Bartley verifica minhas costelas, seus dedos a tocam suavemente, mas com firmeza.

Eu estremeço.

— Estes ossos ainda estão machucados, mas não trincados ou quebrados. Você teve muita sorte, Sra. Grey.

Eu faço uma carranca. Sorte? Não é a palavra que eu teria escolhido.

Christian sorri para ela, também. Ele fala algo para mim.

Eu acho que é temerário, mas eu não tenho certeza.

— Eu vou prescrever alguns analgésicos. Você vai precisar deles para dor e este para a dor de cabeça caso você tenha.

De resto tudo está tranquilo, Sra. Grey. Eu sugiro que você durma um pouco. Dependendo de como você se sentir na parte da manhã, podemos deixá-la ir para casa. O

meu colega, o Dr. Singh vai atendê-la amanha.

542

— Obrigada.

Há uma batida na porta, e Taylor entra carregando uma caixa de papelão preto estampada em creme a palavra Fairmont ao lado de The Olímpics. Santo Deus!

— Comida? — Dra. Bartley diz surpresa.

— A Sra. Grey está com fome, — Christian diz. — É canja de galinha.

A Dra. Bartley sorri.

— Canja é bem, mas o caldo. Nada pesado. — Ela olha intencionalmente para nós dois, então, sai da sala com a enfermeira Nora.

Christian puxa a bandeja de rodas para mim, e Taylor coloca a caixa sobre ela.

— Bem-vinda Sra. Grey.

— Olá, Taylor. Obrigada.

— Você é muito bem-vinda, minha senhora. — Eu acho que ele quer dizer mais, mas ele se contém.

Christian está desembalando a caixa, abrindo uma placa lateral, contém uma garrafa térmica com a sopa, uma tigela, uma colher de sopa, guardanapos, uma pequena cesta de pães, sal e pimenta...

— Isso é ótimo, Taylor. — Meu estômago está roncando.

Eu estou morrendo de fome.

— Isso é tudo? — Ele pergunta.

—Sim, obrigado — Christian diz, liberando-o.

Taylor acena.

— Taylor, muito obrigada.

— Precisa de mais alguma coisa, Sra. Grey?

Eu olho para Christian.

— Apenas algumas roupas limpas para Christian.

Taylor sorri.

— Sim, senhora.

Christian olha sua camisa, desconcertado.

— Há quanto tempo você está vestindo essa camisa? —

Eu pergunto.

— Desde quinta-feira. — Ele me dá um sorriso torto.

Taylor sai.

543

— Taylor está chateado com você, também, — Christian acrescenta irritado, desapertando a tampa da garrafa

térmica e derramando sopa de frango cremoso na tigela.

Taylor, também! Mas eu não me preocupo com isso, olho minha sopa de galinha, que me distrai. O cheiro é delicioso, e inundando a superfície. Eu tomo um pouco e é tudo o que prometia ser.

— Está boa? — Christian pergunta, inclinando-se sobre a cama de novo.

Eu aceno com entusiasmo e não paro. Minha fome é primordial. Eu só paro para limpar a boca com o guardanapo de linho.

— Diga-me o que aconteceu, depois que percebeu o que estava acontecendo.

Christian passa a mão pelo cabelo e balança a cabeça.

— Oh, Ana, é bom ver que você comer.

— Eu estou com fome. Diga-me.

Ele franze a testa.

— Bem, depois que o banco me ligou e eu pensei que o meu mundo tinha acabado, - Ele não pode esconder a dor em sua voz.

Eu paro de comer. Oh merda.

— Não pare de comer, ou eu vou parar de falar, — ele sussurra, com sua voz totalmente inflexível, ele olha pra mim.

Eu continuo com a minha sopa. Ok, ok. . . Porra, que gosto bom.

O olhar de Christian se enternece e depois de uns segundos, ele recomeça.

— De qualquer forma, pouco tempo depois de termos terminado nossa conversa, Taylor me informou que Hyde tinha liberdade condicional através de um pedido de fiança.

Como? Eu não sei, eu pensei que eu tinha inibir qualquer tentativa de fiança. Mas isso me deu um momento para pensar sobre o que você disse. . . e eu sabia que algo estava seriamente errado.

— E nunca foi sobre o dinheiro, — eu digo, de repente, uma raiva inesperada queima na minha barriga. Minha voz

se eleva. — Como você pode 544

pensar isso? Nunca é sobre o seu dinheiro! — Minha cabeça começa a doer e eu estremeço.

Christian olha frio para mim por uma fração de segundo, surpreendido pela minha veemência. Ele restringe o seu olhar.

— Olhe a linguagem, — ele rosna. — Acalme-se e coma. —

Seu olhar rebelde. — Ana, — ele adverte.

— Isso me machucou demais, Christian, — eu sussurro. —

Quase tanto quanto ao você ver aquela mulher.

Ele inala bruscamente como se eu tivesse lhe dado um tapa e, de repente, ele me olha esgotado.

Fechando os olhos por um instante, ele balança a cabeça, resignado.

— Eu sei. — Ele suspira. — E eu sinto muito. Mais do que você sabe.

— Seus olhos estão tensos. — Por favor, coma. Enquanto a sopa ainda está quente. — Sua voz é suave e atraente, e eu faço o que ele pede. Ele dá um suspiro de alívio.

— Continue, — eu sussurro, entre as mordidas no pão fresco.

— Nós não sabíamos que Mia estava sumida. Pensei que ele estava chantageando você ou algo assim. Eu liguei de novo para você, mas você não respondeu. — Ele faz uma carranca. — Deixei uma mensagem para você. E

liguei para Sawyer. Taylor começou a acompanhar o seu celular. Eu sabia que você foi ao banco, assim fomos direto para lá.

— Eu não sei como Sawyer me encontrou. Ele rastreou meu celular, também?

— A Saab está equipada com um dispositivo de rastreamento. Todos os nossos carros estão. No momento em que chegou perto do banco, você já estava em movimento, e nós te seguimos. Por que você está sorrindo?

— Em algum nível, eu sabia que você estaria me perseguindo.

— E isso é divertido por que? — Ele pergunta.

— Jack tinha me instruído para se livrar do meu celular.

Então eu pedi o celular de Whelan emprestado, e foi isso que eu joguei fora. Eu coloquei o meu blackberry em um dos sacos de duffle assim você poderia acompanhar o seu dinheiro.

Christian suspira.

545

— Nosso dinheiro, Ana, — ele diz calmamente. — Coma.

Eu limpo o meu prato de sopa com o último pedaço do meu pão e coloco em minha boca. Pela primeira vez em muito tempo, eu me sinto saciada apesar de nossa conversa.

— Concluído.

— Boa menina.

Há uma batida na porta e a enfermeira Nora entra mais uma vez, carregando um copo de papel pequeno. Christian afasta meu prato, e começa a colocar todos os itens de volta para a caixa.

— Para aliviar a dor. — Nora sorri, mostrando-me a pílula branca no copo de papel.

— Existe algum problema para eu tomar? Você sabe, com o bebê?

— Não, Sra. Grey. É Lortab. Está tudo bem, não vai afetar o bebê.

Eu aceno, concordando com a cabeça, agradecida.

Minha cabeça está latejando. Eu engulo com um gole de água.

— Você deveria descansar, Sra. Grey. — A enfermeira Nora olha intencionalmente para Christian.

Ele acena com a cabeça.

Não!

— Você vai? — Eu exclamo com cara de pânico, não me deixe, antes de eu terminar Christian bufa.

— Se você pensar por um momento que eu vou deixar você fora da minha vista, Sra. Grey, você está muito enganada.

Nora suspira, mas paira sobre mim e arruma os travesseiros para que eu fique confortavelmente esticada.

— Boa noite, Sra. Grey, — ela diz, e com um último olhar de censura para Christian ela sai.

Ele levanta uma sobrancelha quando ela fecha a porta.

— Eu acho que a enfermeira Nora não gosta de mim.

Ele fica ao lado da cama parecendo cansado, e apesar do fato de que eu quero que ele fique, eu sei que eu deveria tentar convencê-lo a ir para casa.

546

— Você precisa descansar, também, Christian. Vá para casa. Você parece exausto.

— Eu não vou deixar você. Eu vou cochilar nessa poltrona.

Eu faço uma carranca para ele em seguida, e mostro o lado da cama.

— Durma comigo.

Ele franze a testa.

— Não... Eu não posso.

— Por que não?

— Eu não quero te machucar.

— Você não vai me machucar. Por favor, Christian.

— Você está usando uma intravenosa.

— Christian. Por favor.

Ele olha para mim, e eu posso dizer que ele está tentado.

— Por favor. — Eu levanto os cobertores, convidando-o para a cama.

— Porra. — Ele desliza os sapatos e as meias, e cautelosamente sobe ao meu lado.

Gentilmente, ele envolve seu braço em torno de mim, e eu coloco minha cabeça em seu peito. Ele beija meus cabelos.

— Eu não acho que a enfermeira Nora vai ficar muito feliz com este acordo, — ele sussurra conspiratório.

Eu rio, e sinto que uma faca atravessa meu peito.

— Não me faça rir. Dói.

— Ah, mas eu amo este som, — ele diz um pouco triste, em voz baixa.

— Eu sinto muito, bebê, por isso, sinto muito. — Ele beija meu cabelo de novo e inala profundamente, e eu não sei por que ele está pedindo desculpas por. . . me fazer rir? Ou a bagunça em que estamos fazendo? Eu descanso minha mão sobre seu coração, e ele gentilmente coloca a mão na minha.

Estamos em silêncio por um instante.

— Por que você foi ver aquela mulher?

— Oh, Ana. — Ele geme. — Você quer falar sobre isso agora? Podemos esquecer isto? Eu estou arrependido, ok?

— Eu preciso saber.

547

— Eu vou dizer a você amanhã, — ele resmunga irritado.

— Ah, o Detetive Clark quer falar com você. Apenas rotina.

Agora, vá dormir.

Ele beija meu cabelo. Eu suspiro pesadamente. Eu preciso saber o porquê. Pelo menos ele diz que lamenta. Isso é algo, meu subconsciente concorda. E ele fica satisfeito com isso.

Ugh, Detetive Clark. Tremo só de pensar em reviver os eventos de quinta-feira para ele.

— Não sabemos por que Jack estava fazendo tudo isso?

— Hmm, — Christian murmura. Estou aliviada pela lenta ascensão e queda de seu peito, balançando suavemente minha cabeça, embalando-me para dormir enquanto sua respiração diminui.

E enquanto eu vou à deriva tento dar sentido aos fragmentos de conversas que ouvi quando estava em coma.

Eles deslizam pela minha mente, que permanece

firmemente na esquiva, se escondendo de mim, nas bordas da minha memória. Ah, é frustrante e cansativo... e...

Os lábios da enfermeira Nora estão franzidos e os braços cruzados em hostilidade. Eu levo meu dedo até meus lábios.

— Por favor, deixe-o dormir, — digo em voz baixa, estranhando a luz da manhã.

— Esta é a sua cama. Não o seu quarto, — ela sussurra severamente.

— Eu durmo melhor, porque ele está aqui. — Eu insisto, correndo para defender meu marido. O que é verdade.

Christian se agita, eu e a enfermeira Nora congelamos.

Ele murmura em seu sono, - Não me toque. Nunca mais.

Apenas Ana.

Eu franzo o cenho. Eu raramente ouço Christian falar em seu sono. É

certo que poderia ser porque ele dorme menos do que eu.

Eu só ouvi seus pesadelos.

Seus braços apertado em torno de mim, me apertando, e eu estremeço.

— Sra. Grey — Enfermeira Nora reclama furiosa.

— Por favor, — Eu imploro.

548

Ela balança a cabeça, vira-me as costas e vai embora, e eu aconchego-me contra Christian novamente.

Quando eu acordo, procuro Christian pelo quarto, ele não está. O sol está brilhando através das janelas, e agora eu posso realmente apreciar o quarto. Eu tenho flores! Eu não percebi que elas estavam lá na noite anterior. Vários buquês. Pergunto-me quem as enviou.

Uma batida suave me distrai, e corro os olhos para Carrick na porta.

Ele resplandece quando ele vê que eu estou acordada.

— Posso entrar? — Ele pede.

— É claro.

Ele caminha dentro da habitação, para mim, seus doces olhos azuis me observam astutamente.

Ele está usando um terno escuro, ele deve estar trabalhando. Ele me surpreende inclinando-se para beijar minha testa.

— Posso me sentar?

Concordo com a cabeça, e ele pousa na beira da cama e pega a minha mão.

— Eu não sei como lhe agradecer por minha filha, louca, valente e querida menina. O que você fez, provavelmente, salvou sua vida. Estarei eternamente em dívida com você.

— Sua voz vacila, seus olhos estão cheios de gratidão e compaixão.

Oh. . . Eu não sei o que dizer. Eu aperto a mão dele, mas permanecemos mudos.

— Como você está se sentindo?

— Melhor. Dolorida. — Eu digo, com honestidade.

— Eles já lhe deram remédios para a dor?

— Lor. . . alguma coisa.

— Ótimo. Onde está Christian?

— Eu não sei. Quando eu acordei ele, ele já tinha ido.

— Ele não está longe, eu tenho certeza. Ele não te deixou um minuto, enquanto você estava inconsciente.

— Eu sei.

— Ele está um pouco bravo com você, como ele deveria estar.

549

Carrick sorri. Ah, é ai, de onde vem o sorriso de Christian.

— Christian está sempre com raiva de mim.

— É mesmo? — Carrick sorri, satisfeito, como se isso fosse uma coisa boa. Seu sorriso é contagiante.

— Como está Mia?

Uma nuvem cruza seus olhos e seu sorriso desaparece.

— Ela está melhor. Louca como o inferno. Eu acho que a raiva é uma reação saudável por tudo o que aconteceu com

ela.

— Ela está aqui?

— Não, ela está em casa. Eu não acho que Grace vai deixar longe de sua vista.

— Eu sei como é isso.

— Você precisa ser observada, também, — ele adverte. —

Eu não quero que você corra mais riscos bobos com a sua vida ou a vida de meu neto.

Eu coro. Ele sabe!

— Grace leu seu prontuário. Ela me disse. Parabéns.

— Um. . . obrigada.

Ele olha para mim e seus olhos amolecem, embora ele franza o cenho com minha expressão.

— Christian logo estará por aqui, — ele diz suavemente.

— Esta será a melhor coisa para ele. . . só lhe dê um tempo.

Concordo com a cabeça. Oh. . . Eles se falaram.

— É melhor eu ir. Estou no tribunal. — Ele sorri e se levanta. — Eu vou ligar para saber de você mais tarde.

Grace fala muito com o Dr. Singh e a Dra. Bartley. Eles sabem o que estão fazendo.

Ele se inclina e me beija mais uma vez.

— Eu quero dizer, Ana. Eu nunca poderei pagar o que você fez por nós. Obrigado.

Eu olho para ele, piscando para conter as lágrimas, me sinto aflita, então ele acaricia o meu rosto carinhosamente.

Então ele se vira dando-me as costas e vai embora.

550

Oh. Estou recuperando sua gratidão. Talvez agora eu possa deixar o desastroso acordo pré-nupcial de lado. Meu subconsciente acena sabiamente de acordo comigo mais uma vez.

Eu agito minha cabeça e cautelosamente saio da cama.

Estou aliviada ao descobrir que eu estou muito mais forte do que ontem. Apesar de Christian compartilhar a cama, eu dormi bem e me sento revigorada. Minha cabeça ainda dói,

mas é uma dor mais suave, nada como a dor de ontem. Eu estou rígida e dolorida, mas eu só preciso de um banho. Eu me sinto suja.

Eu estou enjoada.

— Ana, — Christian grita.

— Estou no banheiro, — eu respondo quando termino de escovar os dentes. Sinto-me bem melhor. Eu ignoro meu reflexo no espelho. Caramba, estou em estado de calamidade.

Quando eu abro a porta, Christian está ao lado da cama, segurando uma bandeja de comida.

Ele está transformado. Vestido todo de preto, ele está barbeado, de banho tomado, e parece bem descansado.

— Bom dia, Sra Grey, — ele diz alegremente. — Eu trouxe o seu café da manhã. — Ele me olha com um olhar de menino, um olhar muito feliz.

Uau. Eu sorrio amplamente enquanto eu subo de volta para a cama.

Ele coloca minha bandeja em cima da cama, e levanta a tampa para revelar o meu café da manha: aveia com frutas secas, panquecas com calda, bacon, suco de laranja e chá.

Minha boca enche de água, eu estou realmente com fome. Eu tomo o suco de laranja em alguns goles e começo a comer a aveia.

Christian senta na beira da cama para assistir. Ele sorri.

— O que? — pergunto com a boca cheia.

— Eu gosto de ver você comer, — ele diz. Mas eu não acho que isso seja o motivo dele estar sorrindo.

Ele se aproxima e me pergunta.

— Como você está se sentindo?

— Melhor, — murmuro entre garfadas.

— Eu nunca vi você comer desse jeito.

551

Eu olho para ele, e meu coração afunda. Temos algo importante para conversar.

— É porque eu estou grávida, Christian.

Ele suspira, e sua boca se torce num sorriso irônico. — Se eu soubesse que você comeria desse jeito ao engravidar, eu poderia ter feito antes.

— Christian Grey, — Eu suspiro e coloco a aveia na bandeja.

— Não pare de comer, — ele adverte.

— Christian, nós precisamos conversar sobre isso.

Ele segue sem entender.

— O que vamos dizer? Nós vamos ser pais. — Ele dá os ombros, desesperadamente tentando parecer indiferente, mas tudo o que eu posso ver é o seu medo. Empurrando a bandeja de lado, eu me arrasto na cama até ele, colocando minhas mãos nas suas.

— Você está com medo, — eu sussurro. — Eu entendo.

Ele olha para mim impassível, e toda sua infantilidade anterior desaparece.

— Eu também estou. Isso é normal, — eu sussurro.

— Que tipo de pai eu poderia ser?— Sua voz é rouca quase inaudível.

— Oh, Christian. — Eu abafo um soluço. — Aquele que vai dar seu melhor. Isso é tudo que podemos fazer.

— Ana, eu não sei se eu posso. . .

— Claro que você pode. Você é carinhoso, divertido, forte, você pode definir limites. A nosso filho não faltará nada.

Ele está congelado, me observando fixamente, a dúvida em seu rosto bonito.

— Sim, teria sido melhor esperarmos um pouco mais. Para ter mais tempo, só nós dois. Mas vamos ser três, e vamos crescer juntos. Nós vamos ser uma família. Nossa própria família. E seu filho te amará incondicionalmente, como eu te amo. — Lágrimas brotam dos meus olhos.

— Oh, Ana, — sussurra Christian, sua voz aflita e angustiada. — Eu pensei que eu tinha perdido você. Então pensei que tinha te perdido de novo.

Ao vê-la deitada no chão, pálida, fria e inconsciente, eram todos os meus 552

piores pesadelos se tornando realidade. E você agora, tão corajosa e forte. . .

dando-me esperança. Amando-me depois de tudo que eu fiz.

— Sim, eu amo você, Christian desesperadamente. Eu sempre amarei.

Gentilmente ele toma minha cabeça entre as mãos, e enxuga minhas lágrimas com seus polegares. Ele me olha nos olhos, cinzas com azul, e tudo que eu vejo são o seu medo, admiração e amor.

— Eu também te amo, — ele respira. E ele me beija docemente, com ternura, como um homem que adora sua esposa. — Eu vou tentar ser um bom pai, — ele sussurra contra meus lábios.

— Você vai tentar, e você vai conseguir. E sejamos sinceros, você não tem muita escolha, porque Blip e eu não vamos a lugar nenhum.

— Blip?

— Blip.

Ele levanta as sobrancelhas.

— Eu tinha o nome de Júnior na minha cabeça.

— Junior, então.

— Mas eu gosto Blip. — Ele sorri seu sorriso tímido e me beija mais uma vez.

553

Capítulo 24

— Por mais que deseje beijá-la durante todo o dia, o seu café da manha está esfriando, — Christian murmura contra os meus lábios. Ele olha para mim, agora divertido, exceto

que seus olhos estão mais escuros, sensuais. Caramba, ele está excitado novamente. Meu Senhor Volátil.

— Coma, — ele ordena, sua voz suave. Eu engulo, uma reação ao seu olhar ardente e rastejo de volta para a cama, evitando prender a intravenosa.

Ele empurra a bandeja na minha frente. A aveia está fria, mas as panquecas debaixo da cobertura estão muito boas

— na verdade, elas estão de dar água na boca.

— Sabe, — eu murmuro entre garfadas, — O bebê pode ser uma menina.

Christian passa a mão pelos cabelos. — Duas mulheres, hein?

Flashes alarmantes aparecem no seu rosto e seu olhar escuro desaparece.

Oh Porcaria.

— Você tem uma preferência?

— Preferência?

— Menino ou menina.

Ele franze o cenho. — Sendo saudável está bom, — ele diz calmamente, claramente desconcertado pela pergunta. —

Coma, — ele se ajeita e sei que ele está tentando evitar o assunto.

— Eu estou comendo, eu estou comendo. . . Caramba, fique calmo, Grey. — Eu o olho com cuidado. Os cantos de seus olhos estão enrugados com preocupação. Ele disse que vai tentar, mas eu sei que ele ainda está assustado com o bebê. Oh, Christian, eu também estou. Ele se senta na poltrona ao meu lado, pegando o Seattle Times.

— Você está nas manchetes de novo, Sra. Grey. — Seu tom é amargo.

— De novo?

554

— Os jornalistas estão apenas reproduzindo a história de ontem, mas parecem de fato serem precisas. Você quer que eu leia?

Sacudo a cabeça.

— Leia para mim. Eu estou comendo.

Ele sorri e passa a ler o artigo em voz alta. É um relatório sobre Jack e Elizabeth, descrevendo-os como um moderno Bonnie e Clyde. Ele brevemente cobre o sequestro de Mia, o meu envolvimento em seu resgate o fato de que Jack e eu estamos no mesmo hospital. Como é que a imprensa consegue todas essas informações? Preciso perguntar a Kate.

Quando Christian termina, eu digo: — Por favor, leia outra coisa.

Gosto de ouvir você.

Ele concorda e começa a ler um reportagem sobre um negócio de rosquinhas em ascensão, e que a Boeing teve que cancelar o lançamento de algum avião. Christian fica sério quando lê. Mas ouvir a sua voz suave enquanto eu como, me dá a certeza de que eu estou bem, Mia está a salvo e meu pequeno Blip está seguro, sinto um momento precioso de paz apesar de tudo o que aconteceu ao longo dos últimos dias.

Eu entendo que Christian está com medo sobre o bebê, mas eu não entendo a profundidade do seu medo. Eu resolvo que devo falar com ele um pouco mais sobre isso.

Ver se eu posso colocá-lo à vontade. O que me intriga é que ele teve modelos exemplares de pais. Ambos, Grace e Carrick são pais exemplares, ou parecem ser. Talvez foi a Vadia-Troll que o desequilibrou tanto. Eu gostaria que fosse isso. Mas, na verdade, eu acho que isso tem haver com sua mãe biológica, embora eu tenha certeza que a Sra.

Robinson não contribuiu em nada. Eu paro meus pensamentos enquanto lembro-me de uma conversa sussurrada. Porra! Paira sobre a minha memória de quando eu estava inconsciente. Christian conversando com Grace.

Derrete-se nas sombras da minha mente. Oh, é tão frustrante.

 

Eu me pergunto se Christian irá voluntariamente contar a razão pela qual ele foi vê-la ou se eu vou ter que pressioná-lo. Estou prestes a perguntar, mas sou interrompida antes que conseguir falar, a porta se abre.

O Detetive Clark faz uma entrada apologética no quarto.

Ele tem razão de se desculpar - meu coração afunda quando o vejo.

555

— Sr. Grey, Sra. Grey. Estou interrompendo?

— Sim — Christian se ajeita.

Clark ignora-o.

— Fico feliz em ver que você está acordada, Sra. Grey. Eu preciso lhe fazer algumas perguntas sobre a tarde de quinta-feira. Apenas rotina. Agora é um momento conveniente?

— Claro — eu murmuro, mas eu não quero reviver os acontecimentos de quinta-feira.

— Minha esposa deveria estar descansando. — Christian corta.

— Eu vou ser breve, Sr. Grey. E isso significa que vou estar fora de seu caminho mais cedo ou mais tarde.

Christian se levanta e oferece a Clark a cadeira, depois se senta ao meu lado na cama, pega a minha mão e aperta-a de modo confortador.

Meia hora mais tarde, Clark termina. Eu não lhe contei nada revelador, mas falei dos acontecimentos de quinta-feira para ele com uma voz hesitante, quieta, observando Christian ficar pálido e fazer caretas em algumas partes.

— Eu gostaria que você tivesse mirado mais alto. —

murmura Christian.

 

— A Sra. Grey teria feito um favor a todas as mulheres, se o tivesse feito. — Clark concorda.

O quê?

— Obrigado, Sra. Grey. Isso é tudo por agora.

— Você não vai deixá-lo solto de novo, vai?

— Eu não acho que ele vai ter direito a fiança dessa vez, senhora.

— Sabem quem pagou sua fiança? — Christian pergunta.

— Não, senhor. Era confidencial.

556

Christian fica sério, mas eu acho que ele tem as suas suspeitas.

Clark se levanta para ir embora assim que Dr. Singh e dois estagiários entram na sala.

Após um exame minucioso, a Dra. Singh declara-me preparada para ir para casa. Christian cede com alívio.

— Sra. Grey, você terá que prestar atenção ao agravamento da dor de cabeça e visão embaçada. Se isso ocorrer você deve retornar ao hospital imediatamente.

Concordo com a cabeça, tentando conter a minha alegria em voltar para casa.

Enquanto a Dra. Singh se vai, Christian pede a ela uma palavra rápida no corredor. Ele mantém a porta entreaberta, enquanto ele pergunta alguma coisa. Ela sorri.

— Sim, Sr. Grey, não há problema.

Ele sorri e volta para a sala como o homem mais feliz.

— O que foi tudo isso?

— Sexo, — diz ele, exibindo um sorriso perverso.

Oh. Eu coro.

— E?

 

— Você está pronta. — Ele sorri.

Oh, Christian!

— Eu tenho dor de cabeça. — Eu sorrio de volta.

— Eu sei. Você vai estar fora dos limites por um tempo. Eu estava apenas checando.

Fora dos limites? Eu franzo o cenho com uma pontada momentânea de decepção. Não tenho certeza se quero estar fora dos limites.

557

A Enfermeira Nora se junta a nós para remover a minha intravenosa. Ela olha para Christian. Acho que ela é uma das poucas mulheres que eu conheci que está alheia aos seus encantos. Agradeço quando ela sai com a minha intravenosa no carrinho.

— Devo te levar pra casa? — Christian pergunta.

— Eu gostaria de ver Ray primeiro.

— Claro.

— Ele sabe sobre o bebê?

— Eu pensei que você gostaria de ser a primeira a dizer-lhe. Eu não disse a sua mãe também.

— Obrigada. — Eu sorrio, grata porque ele não estragou minha surpresa.

— Minha mãe sabe, — acrescenta Christian. — Ela seu relatório medico. Eu disse a meu pai, mas a ninguém mais.

Mamãe disse que casais normalmente esperam por doze semanas ou mais. . . para ter certeza. Ele encolhe os ombros.

— Eu não tenho certeza se estou pronta para dizer a Ray.

— Eu deveria avisá-la, que ele está muito bravo. Disse que eu deveria bater em você.

O quê? Christian ri da minha expressão horrorizada.

— Eu lhe disse que estaria muito disposto a fazê-lo.

— Você não disse! — Eu suspiro, embora um eco de uma conversa sussurrada atormenta minha memória. Sim, Ray estava aqui enquanto eu estava inconsciente. . .

Ele pisca para mim.

— Aqui, Taylor lhe trouxe algumas roupas limpas. Eu vou ajudá-la a se vestir.

558

Como Christian tinha previsto, Ray está furioso. Eu não me lembro de vê-lo tão bravo. Christian sabiamente decidiu nos deixar sozinhos. Para um homem tão taciturno, Ray enche meu quarto de hospital com ofensas, repreendendo-me por meu comportamento irresponsável. Tenho doze anos de idade novamente.

Oh, papai, por favor, acalme-se. Sua pressão arterial não está pronta para isso.

— E eu tive de lidar com a sua mãe, — ele resmunga, agitando as duas mãos em exaltação.

— Papai, me desculpe.

— E o pobre Christian! Eu nunca o vi assim. Ele está envelhecido.

Nós dois envelhecemos anos nos últimos dias.

— Ray, me desculpe.

— Sua mãe está esperando sua ligação, — ele diz em um tom mais comedido.

Eu beijo seu rosto, e, finalmente, ele cede.

— Vou ligar para ela. Eu realmente sinto muito. Mas obrigada por me ensinar a atirar.

Por um momento, ele me olha com seu orgulho paterno mal difarçado.

— Estou feliz que você pode atirar direito, — ele diz, sua voz rouca. — Agora vá para casa e descanse um pouco.

— Você parece bem, papai. — Eu tento mudar de assunto.

— Você está pálida. — Seu medo é de repente evidente.

Seu olhar reflete o de Christian de ontem à noite, e eu

 

agarro a sua mão.

— Eu estou bem. Eu prometo que não vou fazer nada como isso novamente.

Ele aperta a minha mão e me puxa para um abraço.

— Se alguma coisa tivesse acontecido com você, — ele sussurra, sua voz rouca e baixa. Lágrimas vêm aos meus olhos. Eu não estou acostumada a manifestações de emoção do meu padrasto.

— Pai, eu estou bem. Nada que um banho quente não cure.

559

Nós saímos pela saída dos fundos do hospital para evitar os paparazzi que se reuniram na entrada. Taylor nos leva a SUV que está à espera.

Christian está quieto enquanto Sawyer nos leva para casa.

Eu evito olhar para Sawyer no espelho retrovisor, envergonhada que a última vez que o vi foi no banco quando fugi dele. Eu ligo para a minha mãe, que soluça e suspira. Levo a maior parte do tempo de volta para casar para acalmá-la, mas fui bem sucedida, prometendo que vamos fazer uma visita em breve. Ao longo da minha conversa com ela, Christian segura minha mão, roçando o polegar em meus dedos. Ele está nervoso. . . alguma coisa aconteceu.

— O que há de errado? — Eu pergunto quando eu finalmente estou livre da minha mãe.

— Welch quer me ver.

— Welch? Por quê?

— Ele encontrou algo sobre o filho da puta do Hyde. — O

lábio de Christian enrola em um rosnado, e um frisson de medo passa por mim. — Ele não quis me dizer no telefone.

 

— Oh.

— Ele está hoje de tarde, direto de Detroit.

— Você acha que ele encontrou uma ligação?

Christian concorda.

— O que você acha que é?

—Eu não tenho ideia. — Christian enruga a sobrancelha, perplexo.

Taylor para na garagem no Escala perto do elevador para nos deixar sair antes de estacionar. Na garagem, podemos evitar a atenção dos fotógrafos que nos esperam. Christian me conduz para fora do carro.

Mantendo o braço em volta da minha cintura, ele me leva até o elevado.

— Feliz por estar em casa? — Ele pergunta.

560

— Sim, — eu sussurro. Mas, enquanto estou nos ambientes familiares do elevador, a enormidade do que eu passei cai sobre mim, e eu começo a tremer.

— Hey — Christian envolve seus braços em volta de mim e me puxa para perto. — Você está em casa. Você está segura, — ele diz, beijando o meu cabelo.

— Oh, Christian. — A barreira que eu nem sabia que estava lá queima, e eu começo a chorar.

— Calma — sussurra Christian, segurando minha cabeça contra seu peito.

Mas é tarde demais. Eu choro, oprimida, em sua camiseta, lembrando o ataque vicioso de Jack — “Isso é pela SIP, sua puta!”— Ter dito ao Christian que eu estava indo embora —

“Você está me deixando?” — E

meu medo, minha angústia por Mia, para mim, e pelo bebê.

Quando as portas do elevador se abrem, Christian me pega como uma criança e me leva para o hall de entrada.

Eu envolvo meus braços ao redor de seu pescoço e me agarro a ele, que me carrega calmamente.

Ele me leva até o nosso banheiro e suavemente me ajeita na cadeira.

— Banheira?— Ele pergunta.

Sacudo a cabeça. Não. . . não. . . não como Leila.

— Chuveiro? — Sua voz é sufocada com preocupação.

Através das minhas lágrimas, eu aceno. Quero lavar a sujeira dos últimos dias, lavar a memória do ataque de Jack.

— “Sua vaca interesseira.”

— Eu soluço com o som da cascata de água do chuveiro que ecoa nas paredes.

561

— Hey, — Christian diz. Ajoelhado na minha frente, ele puxa as minhas mãos longe das minhas bochechas manchadas de lágrimas e pega meu rosto em suas mãos.

Eu olho para ele, piscando.

— Você está segura. Vocês dois estão — ele sussurra.

Blip e eu. Meus olhos se enchem de lágrimas novamente.

— Pare, agora. Eu não posso suportar quando você chora.

— Sua voz é rouca. Seus polegares limpam meu rosto, mas as minhas lágrimas correm ainda.

— Sinto muito, Christian. Apenas sinto muito por tudo. Por fazer você se preocupar, por arriscar tudo, pelas coisas que eu disse.

— Silêncio, bebê, por favor. — Ele beija minha testa. —

Sinto muito.

É preciso dois para dançar um tango, Ana. — Ele me dá um sorriso torto. — Bem, isso é o que minha mãe sempre diz. Eu disse coisas e fiz coisas que eu não me orgulho. —

Seus olhos cinza são sombrios, mas penitentes. — Vou te despir. — Sua voz é suave. Eu limpo meu nariz com as costas da minha mão e ele beija minha testa mais uma vez.

Rapidamente ele me despe, tendo o cuidado especial quando ele puxa a camiseta sobre a minha cabeça. Mas ela não está muito dolorida. Levando-me para o chuveiro, ele tira a sua própria roupa em tempo recorde, antes de entrar na água quente bem-vinda comigo.

Ele me puxa em seus braços e me segura, me segura por mais tempo, enquanto a água jorra sobre nós, acalmando-nos.

Ele me deixa chorar em seu peito. Ocasionalmente, ele beija meu cabelo, mas não me solta, ele apenas me balança gentilmente sob a água morna. Para sentir a sua pele contra a minha, seu cabelo no peito contra o meu rosto. . . Este homem que eu amo, este belo homem desconfiado, o homem que eu poderia ter perdido por minha própria imprudência. Eu me sinto vazia e dolorida pelo pensamento, mas grata de que ele está aqui, ainda aqui, apesar de tudo o que aconteceu.

Ele tem algumas explicações a dar, mas agora eu quero me deleitar com a sensação de conforto de seus braços protetores em torno de mim. E

nesse momento eu percebo que quaisquer explicações têm que vir dele. Eu não posso forçá-lo, ele tem que querer me dizer. Eu não vou ser a mulher irritante, constantemente tentando tirar informações de meu marido. É

562

desgastante. Eu sei que ele me ama. Eu sei que ele me ama mais do que ele já amou alguém e por agora, isso é o suficiente. Essa descoberta é libertadora. Eu paro de chorar e dou um passo para trás.

— Melhor? — Ele pergunta.

Concordo com a cabeça.

— Ótimo. Deixe-me olhar para você — ele diz e, por um momento, eu não sei o que isso significa. Mas ele pega a minha mão e examina o braço que eu machuquei quando Jack me bateu. Há feridas no meu ombro e arranhões no

 

meu cotovelo e punho. Ele beija cada um deles. Ele pega um pano e gel de banho do rack e o doce aroma familiar de jasmins enche minhas narinas.

— Vire-se. — Gentilmente, ele passa a lavar meu braço machucado, então o meu pescoço, meus ombros, minhas costas, e meu outro braço. Ele me vira de lado e traça seus longos dedos pelo meu lado. Eu estremeço com o patinar sobre o grande hematoma no meu quadril. Os olhos de Christian endurecem e seus lábios diminuem. Sua raiva é palpável enquanto assobia através de seus dentes.

— Não dói, — murmuro para tranquilizá-lo.

Seus ardentes olhos cinza encontram os meus.

— Eu quero matá-lo. Eu quase o fiz, — ele sussurra misteriosamente.

Eu franzo as sobrancelhas e então tremo com sua expressão sombria. Ele esguicha mais gel na toalha e com suavidade, ele lava minhas costas e meu traseiro, então, de joelhos, se move para baixo as minhas pernas. Ele faz uma pausa para examinar o joelho. Seus lábios roçam sobre a contusão antes que ele retorne para lavar as minhas pernas e os pés. Descendo, eu acaricio sua cabeça, correndo os dedos pelo cabelo molhado. Ele se levanta, e seus dedos traçam o contorno da contusão nas costelas, onde Jack me chutou.

— Oh, bebê, — ele geme, sua voz cheia de angústia, seus olhos escuros com fúria.

— Eu estou bem. — Eu puxo a cabeça dele para a minha e beijo seus lábios. Ele hesita para retribuir, mas como a minha língua encontra a sua, seu corpo se agita contra mim.

563

— Não, — ele sussurra contra os meus lábios e ele se afasta.

— Vamos te deixar limpa.

Seu rosto está sério. Porra. . . Ele está falando sério. Eu faço careta e a atmosfera entre nós se ilumina em um instante. Ele sorri e beija-me brevemente.

— Limpa, — enfatiza. —Não sujo.

— Eu gosto de sujo.

— Eu também, Sra. Grey. Mas não agora, não aqui. — Ele pega o xampu e antes que eu possa persuadi-lo de outra forma, ele está lavando o meu cabelo.

Eu amo o limpo, também. Eu me sinto renovada e revigorada e eu não sei se é do chuveiro, do choro, ou a minha decisão de parar de brigar com Christian sobre tudo.

Ele me envolve em uma toalha grande e enrola uma em torno de seus quadris enquanto eu cuidadosamente seco meu cabelo. Minha cabeça dói, é uma dor persistente mas suportável. Eu tenho alguns analgésicos da Dra. Singh, mas ela me pediu para não usá-los a menos que eu precise.

Enquanto eu seco meu cabelo, penso em Elizabeth.

— Eu ainda não entendo porque Elizabeth estava envolvida com Jack.

— Eu entendo, — Christian murmura sombriamente.

Isso é uma novidade. Eu faço uma careta para ele, mas eu estou distraída. Ele está secando o cabelo com uma toalha e peito e ombros ainda estão molhados. As gotas de água brilham sob a luz das lâmpadas. Ele faz uma pausa e sorri.

— Apreciando a vista?

564

— Como você sabe? — Eu pergunto, tentando ignorar que fui pega olhando para meu próprio marido.

— Que você está apreciando a vista? — Ele brinca.

— Não, — eu ralho. — Sobre Elizabeth.

— O Detetive Clark fez insinuações sobre ela.

Faço minha expressão conte-me-mais e outra memória irritante de quando eu estava inconciente ressurge. Clark estava no meu quarto. Eu gostaria de lembrar o que ele disse.

— Hyde tinha vídeos. Vídeos de todas elas. Em vários pen-drives.

O quê? Eu olho séria, apertando minha testa.

— Vídeos dele fodendo ela e fodendo todas as suas assistentes pessoais.

Oh!

— Exatamente. Material de chantagem. Ele gosta de pegar pesado. — Christian fez uma careta e vejo confusão seguida de desgosto em seu rosto.

Ele empalidece quando seu desgosto se transforma em auto-aversão. Claro, Christian gosta de pegar pesado também.

— Não faça isso. — A frase sai de minha boca antes que eu possa pará-la.

Ele aprofunda a careta.

— Não faça o quê? — Ele se tranquiliza e olha com apreensão.

— Você não é igual a ele.

Os olhos de Christian endureceram, mas ele não disse nada, confirmando que é exatamente o que ele está pensando.

— Você não é. — Minha voz é inflexível.

— Somos feitos do mesmo material.

— Não, você não é, — eu o corto, mas eu entendo porque ele acha o contrário. —Seu pai morreu em uma briga em um bar. Sua mãe bebeu até o esquecimento. Ele estava dentro e fora dos lares adotivos quando criança, dentro e fora de problemas, também, principalmente roubos de carros.

Passou um tempo em um reformatório. — Me lembro da informação que Christian me revelou sobre Jack, no avião, quando fomos para Aspen.

565

— Vocês dois têm um passado com problemas e vocês nasceram em Detroit. É isso, Christian. —Eu coloco minhas mãos nos quadris.

— Ana, sua fé em mim é tocante, especialmente depois dos fatos que antecederam nossos últimos dias. Saberemos mais quando Welch chegar aqui. — Ele está investigando o assunto.

— Christian.

Ele me cala com um beijo.

—Basta, — ele respira e me lembro da promessa que fiz a mim mesma para não pressioná-lo para obter informações.

— E não faça beicinho, — acrescenta. — Venha. Deixe-me secar seu cabelo.

E eu sei que o assunto está encerrado.

Depois de me vestir com moletom e uma camiseta, sento-me entre as pernas de Christian enquanto ele seca o meu cabelo.

— Então Clark lhe disse alguma outra coisa enquanto eu estava inconsciente?

— Não que eu me lembre.

— Eu ouvi algumas de suas conversas.

A escova de cabelo para no meu cabelo.

— Você ouviu? — Ele pergunta, seu tom indiferente.

— Sim. Meu pai, seu pai, o detetive Clark. . . Sua mãe.

— E Kate?

— Kate estava lá?

— Em resumo, sim. Ela está brava com você, também.

Ajeito-me em seu colo.

— Pare com a porcaria de todo mundo está bravo com a Ana, ok?

566

— Só estou te dizendo à verdade, — Christian diz, confuso pela minha explosão.

— Sim, eu fui imprudente, mas você sabe, sua irmã estava em perigo.

Seu rosto se contrai.

— Sim. Ela estava. — Desligando o secador de cabelo, ele o coloca no chão, no lado dele da cama. Ele agarra meu queixo.

— Obrigado, — ele diz, surpreendendo-me. — Mas, sem mais temeridades. Porque da próxima vez, vou espancar você de uma forma tal, que você não irá se sentar por um mês.

Eu suspiro.

— Você não faria isso!

— Eu o faria. — Ele estava falando sério. Puta merda! —

Eu tenho a permissão do seu padrasto. — Ele sorri. Ele está me provocando! Ou? Eu me lanço para ele, e ele torce para que eu caia na cama e em seus braços.

Quando eu caio, dores atravessam minhas costelas e eu estremeço.

Christian empalidece.

— Comporte-se! — Ele me adverte e por um momento ele está com raiva.

— Desculpe— eu murmuro, acariciando seu rosto.

Ele fuça minha mão e a beija suavemente.

— Honestamente, Ana, você realmente não têm nenhuma consideração por sua própria segurança. — Ele puxa para cima a barra da minha camiseta e em seguida descansa seus dedos na minha barriga. Eu paro de respirar. — Não é mais apenas você — ele sussurra, arrastando a ponta dos dedos ao longo da minha cintura, acariciando a minha pele.

O

desejo explode inesperado, quente e pesado no meu sangue. Eu suspiro e Christian fica tenso, parando os dedos

e olhando para mim. Ele move sua mão para cima e coloca uma mecha de cabelo atrás da minha orelha.

— Não, — ele sussurra.

O quê?

— Não me olhe assim. Eu vi os hematomas. E a resposta é não. — Sua voz é firme e ele beija minha testa.

Eu me contorço.

567

— Christian, — eu imploro.

— Não. Vá para a cama. — Ele se senta.

— Cama?

— Você precisa descansar.

— Eu preciso de você.

Ele fecha os olhos e balança a cabeça como se fosse um grande gesto de vontade. Quando ele abre novamente, seus olhos estão brilhantes com a sua determinação.

— Faça o que eu digo Ana.

Estou tentada a tirar todas as minhas roupas, mas depois me lembro dos machucados e sei que não vou ganhar dessa vez.

Relutantemente, eu aceno.

— Ok. — Eu deliberadamente faço um beicinho exagerado Ele sorri, divertido.

— Eu vou te trazer o almoço.

— Você está indo para cozinhar? — Eu quase suspiro.

Ele tem a cara de pau de rir.

— Vou aquecer alguma coisa. A Sra. Jones tem estado ocupada.

— Christian, eu vou. Eu estou bem. Caramba, eu quero sexo. Então, certamente eu posso cozinhar. — Sento-me sem jeito, tentando esconder meu estremecimento diante da ardência das minhas costelas.

— Cama! — Os olhos de Christian brilham e ele aponta para o travesseiro.

 

— Vêm comigo! — eu suspiro, desejando que eu estivesse usando algo um pouco mais atraente do que calça de moletom e uma camiseta.

— Ana, vá para a cama. Agora.

Eu faço uma careta, levanto-me e deixo minhas calças caírem sem cerimônia no chão, olhando para ele o tempo todo. Sua boca se contorce com humor quando ele puxa o edredom.

— Você ouviu a Dra. Singh. Ela disse descanso. — Sua voz é mais suave. Eu deslizo na cama e cruzo os braços em frustração. — Quieta — diz ele claramente se divertindo.

Minha careta se aprofunda.

568

O guisado de frango da Sra. Jones é, sem dúvida, um dos meus pratos favoritos. Christian come comigo, sentado de pernas cruzadas no meio da cama.

— Isso foi muito bem aquecido. — Eu sorrio e ele sorri. Eu estou cheia e com sono. Era esse plano dele?

— Você parece cansada. — Ele pega minha bandeja.

— Eu estou.

— Ótimo. Durma. — Ele me beija. — Tenho alguns trabalhos que eu preciso fazer. Eu vou fazer isso aqui se está tudo bem com você.

Concordo com a cabeça. . . Lutando uma batalha perdida com as minhas pálpebras. Eu não tinha ideia de que um guisado de frango poderia ser tão cansativo.