Cinquenta Tons de Liberdade

E.L. James · Capítulo 2 de 8 · parte 1/3

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Cinquenta Tons de Liberdade

Keep

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.

2

KEEP

CALM

AND

Let’s get

 

Married.

3

A PARCERIA Cinquenta Grupos de Cinza

Apresenta: 4

5

EQUIPE DA PARCERIA

PEGASUS LANÇAMENTOS

TRADUÇÃO

Ady Miranda, Marcia Oliveira, Carla Andressa, Nani Fonseca Gina Lowe, Jubis, Sofia campos, Acácia REVISÃO INICIAL

Soryu

PRT

TRADUÇÃO

Miriam e Dani C.

TAD

TRADUÇÃO

Serena, Pâmela, Gaby, Juju, Li Hunter

REVISÃO FINAL

Elena Somerhalder

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Sinopse

Quando a ingênua Anastasia Steele conheceu o jovem empresário Christian Grey, teve início um sensual caso de amor que mudou a vida dos dois irrevogavelmente.

Chocada, intrigada e, por fim, repelida pelas estranhas exigências sexuais de Christian, Ana exige um comprometimento mais profundo. Determinado a não perdê-la, ele concorda. Agora, Ana e Christian têm tudo: amor, paixão, intimidade, riqueza e um mundo de possibilidades a sua frente. Mas Ana sabe que o relacionamento não será fácil, e a vida a dois reserva desafios que nenhum deles seria capaz de imaginar. Ana precisa se ajustar ao mundo de opulência de Grey sem sacrificar sua identidade. E ele precisa aprender a dominar seu impulso controlador e se livrar do que o atormentava no passado. Quando parece que a força dessa união vai vencer qualquer obstáculo, a malícia, o infortúnio e o destino conspiram para transformar os piores medos de Ana em realidade.

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Prólogo

Mamãe! Mamãe! Mamãe está dormindo no chão. Já está há muito tempo dormindo. Escovo o cabelo dela porque sei que ela gosta. Ela não acorda. Eu a sacudo. Mamãe! Minha barriga está doendo. Estou com fome.

Ele não está aqui. E também tenho sede. Na cozinha, puxo uma cadeira para a pia e bebo. A água salpicou sobre meu suéter azul. Mamãe ainda está dormindo. Mamãe acorda! Está muito quieta. E fria. Vou buscar o meu cobertorzinho e cubro-a. Eu me deito no tapete verde pegajoso ao lado dela.

Mamãe ainda está dormindo. Tenho dois carros de brinquedo e faço corridas com eles pelo chão onde a mamãe está dormindo. Acho que mamãe está doente.

Procuro algo para comer. Encontro ervilhas no freezer. Estão frias.

Eu como-as lentamente. Elas fazem a minha barriga doer.

Vou dormir ao lado de mamãe. As ervilhas acabaram. No freezer tem mais alguma coisa.

Cheira engraçado. Eu provo com a língua e ela fica grudada. Eu como lentamente. Tem um sabor ruim. Bebo água. Brinco com meus carrinhos e durmo ao lado de mamãe. Mamãe está tão fria e não acorda. A porta abre com um estrondo. Cubro a mamãe com meu cobertorzinho.

Ele está aqui.

Foda-se. Que caralho aconteceu aqui? Puta imbecil...

Merda. Foda-se. Sai do meu caminho, garoto de merda. Me dá um chute e eu bato com a minha cabeça no chão. Minha cabeça dói. Chama alguém e vai embora. Fecha a porta com a chave. Deito-me ao lado de mamãe. Minha cabeça dói. A policial está aqui. Não. Não. Não. Não me toque. Não me toque. Não me toque. Quero ficar com a mamãe. Não. Fica longe de mim. A policial apanha o meu cobertorzinho e me leva. Grito. Mamãe! Mamãe! Quero a mamãe. As palavras sumiram. Não posso dizê-las. Mamãe não pode me ouvir.

Não tenho palavras.

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— Christian! Christian! — A voz dela é urgente e o arranca das profundezas de seu pesadelo, do seu desespero. —

Estou aqui. Estou aqui.

Ele acorda e ela está inclinada sobre ele, agarrando seus ombros e sacudindo-o, com o rosto angustiado, os olhos azuis arregalados e cheios de lágrimas.

— Ana, — sua voz é apenas um sussurro entrecortado. O

sabor do medo preenche sua boca. — Você está aqui.

— Claro que eu estou aqui.

— Eu tive um sonho...

— Eu sei. Estou aqui, estou aqui.

— Ana. — Ele disse seu nome num suspiro e é como um talismã contra o pânico negro e sufocante que percorre o seu corpo.

— Chiu, estou aqui. — Se aconchega ao seu lado, envolvendo-o, transmitindo seu calor para que as sombras

 

se afastem e o medo desapareça. Ela é o sol, a luz... e é sua.

— Não quero que voltemos a brigar, por favor. — Tem a voz rouca quando a envolve com seus braços.

— Está bem.

— Os votos. Sem obediência. Posso fazer isso.

Encontraremos uma maneira. — As palavras saem apressadamente de sua boca numa mescla de emoção, confusão e ansiedade.

— Sim, encontraremos. Sempre encontraremos uma maneira, — sussurra ela e cobre-lhe os lábios com os seus, silenciando-o e devolvendo-o ao presente.

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Capítulo 01

Levanto a vista para olhar através das fendas do guarda-sol, admiro o mais azul dos céus, um azul veraneio, mediterrâneo. Suspiro satisfeita.

Christian está ao meu lado, estendido em uma espreguiçadeira. Meu marido, meu sexy e lindíssimo marido, sem camisa, com um jeans cortado, está lendo um livro que prevê o colapso do sistema bancário ocidental. Sem dúvida se trata de uma leitura absorvente porque jamais o vi tão quieto.

Agora mesmo parece mais um estudante do que o CEO de uma das principais empresas privadas dos Estados Unidos.

São os últimos dias de nossa lua de mel e estamos descansando sob o sol da tarde na praia do hotel Beach Plaza Monte Carlo, em Mônaco, embora na realidade nós não tenhamos nos hospedado nele. Abro os olhos para procurar o Fair Lady, que está ancorado no porto. Nós

estamos em um iate de luxo, claro. Construído em 1928, que flutua majestosamente sobre as águas, reinando sobre todos os iates no porto. Parece de brinquedo.

Encantou Christian e suspeito que tem a intentação de comprá-lo. Os meninos e seus brinquedos…

Acomodo-me na espreguiçadeira e começo a escutar a seleção de música que Christian colocou no meu iPod novo e cochilo sob o sol da última hora da tarde recordando seu pedido de casamento. Oh, esse maravilhoso pedido que ele me fez na casa de barcos... Quase posso sentir o aroma das flores do prado...

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— Podemos casar amanha? — Christian sussurra no meu ouvido.

Estou deitada sobre seu peito sob o florido quarto privado da casa de barcos, mais do que satisfeita após ter feito amor apaixonadamente.

— Humm.

— Isso é um sim? — Reconheço em sua voz uma certa surpresa e esperança.

— Humm.

— Ou é um não?

— Humm.

Sinto que sorri.

— Srta. Steele, você está sendo incoerente?

Eu também sorrio.

— Humm.

Ele ri e me abraça com força, beijando meu cabelo.

— Em Las Vegas. Amanhã. Está decidido.

Sonolenta, levanto a cabeça.

— Não acho que meus pais vão gostar muito disso.

Percorre com as pontas dos dedos minhas costas nuas, para cima e para baixo, acariciando-me suavemente.

— O que é que você quer, Anastásia? Las Vegas? Um casamento em grande estilo? Será o que você me disser.

— Um grande casamento não… Apenas os amigos e a familia. — Levanto a vista para olhá-lo, emocionada pela súplica silenciosa que vejo em seus brilhantes olhos cinzentos. E o que é que ele quer?

— Muito bem — Acena com a cabeça. — Onde?

Eu encolho os ombros.

— Por quê não aqui? — Pergunta vacilante.

— Na casa dos seus pais? Eles não se importarão?

Ele sorri.

— Minha mãe ficaria felicíssima.

— Bem, então aqui. Tenho certeza que meus pais também iriam preferir isso.

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Christian acaricia o meu cabelo. É possível ser mais feliz do que sou agora?

— Bem, já temos onde, agora falta saber quando.

— Você deveria perguntar à sua mãe.

— Humm. — O sorriso de Christian desaparece. — Darei-lhe um mês no máximo. Te desejo demasiado para esperar um segundo a mais.

— Christian, você já me tem. Já me tem há algum tempo.

Mas tudo bem, um mês.

Dou um beijo no peito dele, um beijo suave e inocente, e olho-o sorrindo.

— Você vai se queimar. — Christian sussurra no meu ouvido, me despertando bruscamente do meu cochilo.

— Só de desejo por você. — Dedico-lhe o mais doce dos sorrisos.

O sol vespertino mudou e agora estou totalmente exposta aos seus raios. Ele me responde com um sorrizinho e puxa a minha espreguiçadera com um movimento rápido para me colocar debaixo da sombra.

— Melhor ficar longe deste sol do Mediterrâneo, Sra. Grey.

— Obrigado por seu altruísmo, Sr. Grey.

— O prazer é meu, Sra. Grey, mas não estou sendo altruísta em tudo.

Se você se queimar, não vou poder te tocar. — Levanta uma sobrancelha e seus olhos brilham divertidos. Meu coração se derrete. — Mas suspeito que você já sabe disso e está rindo de mim.

— Você acha? — Pergunto fingindo inocência.

— Sim, acho. Você faz isso frequentemente. É uma das muitas coisas que eu adoro em você. — Se inclina e me dá um beijo, mordendo todo brincalhão o meu lábio inferior.

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— Tinha a esperança de que você quisesse passar mais filtro solar em mim. — Digo fazendo um beicinho muito perto de seus lábios.

— Sra. Grey, você está me propondo algo sujo... porém não posso me negar. Se prepare — me ordena com uma voz rouca.

Faço o que ele me pede e com movimentos lentos e meticulosos de seus dedos fortes e flexíveis, ele cobre o meu corpo com filtro solar.

— Você é muito bonita. Sou um homem de sorte —

murmura enquanto seus dedos passam roçando pelos meus seios para espalhar a filtro.

— Sim, é verdade. Você é um homem de sorte Sr. Grey —

Olho-o através dos cílios com tímida modéstia.

— A modéstia fica-lhe bem, Sra. Grey. Vire. Vou passar nas suas costas.

Sorrindo, dou a volta e ele desata a alça de trás do meu biquíni obscenamente caro.

 

— O que você acharia se eu fizesse topless como as outras mulheres na praia? — Pergunto-lhe.

— Não gostaria nada — ele diz sem hesitação. — Nem sequer gosto que você esteja usando tão pouca coisa como agora. — Chega mais perto de mim se inclinando e sussurra em meu ouvido. — Não abuse da sorte.

— Está me desafiando, Sr. Grey?

— Não. Estou afirmando um fato, Sra. Grey.

Suspiro e sacudo a cabeça. Oh, Christian... meu possessivo e ciumento maníaco por controle….

Quando termina me dá um tapa no traseiro.

— Já está feito, senhorita.

Seu BlackBerry, sempre presente e sempre ligado, começa a vibrar.

Franzo o cenho e ele sorri.

— Só para meus olhos, Sra. Grey. — Levanta a sobrancelha numa advertência brincalhona, me dá outro tapa e volta para sua espreguiçadeira para atender a chamada.

Minha deusa interior ronrona. Talvez esta noite possamos fazer algum tipo de show só para seus olhos. Ela sorri cúmplice arqueando uma 14

sobrancelha. Eu também sorrio por causa do que estou pensando e volto a me entregar ao meu chochilo.

— Mam’selle? Un Perrier pour moi, un Coca-Cola light pour ma femme, s’il vous plait. Et qualque chose à manger…

laissez-moi voir la carte.1

Humm... O francês fluente de Christian me desperta. Meus cílios vibram no brilho do sol, e eu vejo Christian me olhando, enquanto uma jovem mulher vai embora,

segurando sua bandeja, seu rabo de cavalo loiro balançando provocativamente.

— Está com sede? — me pergunta.

— Sim — murmuro ainda meio sonolenta.

— Poderia passar todo o dia te observando. Está cansada?

Eu coro.

— É que na noite passada não dormi muito.

— Eu tampouco. — Sorri, deixa seu BlackBerry e se levanta. A bermuda curta cai um pouco, da forma sugestiva que tanto gosto, deixando visível a sunga que leva por baixo. Depois tira a bermuda e o chinelo e eu perco o fio de meus pensamentos. — Vem nadar comigo. — Estende a mão e eu olho para ele um pouco aturdida. — Nadar? —

Repete inclinando um pouco a cabeça e com uma expressão divertida. Como não respondo, balança negativamente a cabeça — Acho que você precisa de algo para despertar. —

De repente se lança sobre mim e levanta-me em seus braços.

Eu grito, mais de surpresa do que de medo.

— Christian! Ponha-me no chão! — Grito.

Ele ri.

— Só quando chegarmos no mar, bebê.

1Tradução: - Senhorita? Uma Perrier para mim, uma Coca-Cola light para minha mulher, por favor. E qualquer coisa para comer… deixe-me ver o cardápio.

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Várias pessoas que tomam sol na praia olham para nós com esse desinteresse divertido tão típico dos franceses, que eu acabo de descobrir, enquanto Christian me leva até o mar rindo e começa a contornar as ondas.

Fecho os meus braços em volta de seu pescoço.

— Não se atreva — Eu digo sem fôlego enquanto tento sufocar meus risos.

Ele sorri.

— Oh, Ana, bebê, você não aprendeu nada no pouco tempo que me conhece?

Beija-me e eu aproveito a oportunidade para deslizar os dedos pelo seu cabelo, agarrando-o com as duas mãos, e lhe devolver o beijo invadindo sua boca com minha língua.

Ele inspira bruscamente e se afasta com o olhar ardente, mas cauteloso.

— Já conheço seu jogo — ele sussurra e vai afundando lentamente na água fresca e clara comigo nos braços, enquanto seus lábios encontram os meus mais uma vez. O

frescor do Mediterrâneo é logo esquecido quando envolvo meu marido com o corpo.

— Pensei que você queria nadar — digo perto da sua boca.

— Você me distraiu… — Christian roça meu lábio inferior com os dentes. — Mas eu não tenho certeza se quero que o bom povo de Monte Carlo veja como a minha esposa se abandona na paixão.

Movo meus dentos ao longo de sua mandíbula, sua barba faz cócegas na minha língua, não dou a mínima ao bom povo de Monte Carlo.

— Ana — geme. Ele envolve o meu rabo de cavalo no pulso e puxa suavemente para me obrigar a inclinar a cabeça para trás e ter melhor acesso para a minha garganta. Depois beija a minha orelha e vai baixando lentamente.

— Quer que eu a tomea aqui no mar? — pergunta ofegante.

— Sim — sussurro.

Christian se afasta e me olha com olhos ardentes, cheios de desejo, divertidos.

— Sra. Grey, você é uma mulher insaciável e uma descarada. Que tipo de monstro eu criei?

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— Um monstro feito à sua medida. Ia me querer de alguma outra forma?

— Ia querer você de qualquer forma que pudesse lhe ter, já sabe disso. Mas agora mesmo não. Não com público. —

disse indicando para a costa com a cabeça.

O quê?

É certo que várias pessoas na praia abandonaram sua indiferença e agora nos olham com verdadeiro interesse. De repente, Christian me agarra pela cintura e me lança para o ar, me deixando cair na água e afundar sob as ondas até tocar a suave areia que está no fundo. Subo para superfície tossindo, cuspindo e rindo.

— Christian! — repreendo-lhe olhando-o fixamente. Pensei que íamos fazer amor na água... mas ele quis fazer outra coisa. Ele morde o lábio inferior para evitar rir. Eu salpico água nele e ele me responde salpicando também.

— Temos a noite toda — me disse sorrindo como um idiota. — Até logo, bebê. — Ele mergulha sob a água e volta à superfície a um metro e meio de onde estou. Depois, com um estilo crawl perfeito e gracioso, nada afastando-se da costa e de mim.

Oh, Cinquenta! Sempre tão sedutor e brincalhão… Protejo meus olhos do sol com a mão enquanto vejo-o afastar-se.

Como ele gosta de me provocar... O que posso fazer para que retorne? Enquanto nado e retorno a costa, penso em minhas opições. Na área das espreguiçadeiras já havia chegado nossas bebidas. Dou um gole rápido na minha Coca-Cola. Christian é um pontinho fraco na distância.

Humm... Deito de costas e, depois de brigar um pouco com as tiras, tiro a parte de cima do biquíni e deixo-a cair despreocupadamente sobre a espreguiçadeira de Christian.

Para que veja a descarada que posso ser, Sr.

Grey… Agora engole essa! Fecho os olhos e deixo que o sol aqueça a minha pele e os meus ossos… O calor me relaxa enquanto meus pensamentos voltam para o dia do meu casamento.

 

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— Já pode beijar a noiva, — anuncia o reverendo Walsh.

Sorrio para meu novo marido.

— Finalmente, você é minha — ele sussurra me puxando para me envolver com seus braços e me dar um beijo casto nos lábios.

Estou casada. Já sou a Sra. Christian Grey. Estou bêbada de felicidade.

— Você está linda, Ana, — ele murmura e sorri com os olhos brilhando de amor... e algo mais, algo sombrio e luxurioso. — Não deixe ninguém que não seja eu lhe tirar esse vestido, entendido? — Seu sorriso sobe minha temperatura enquanto com as pontas dos dedos acaricia minha bochecha, fazendo meu sangue ferver.

Caramba... Como consegue me fazer isso, inclusive aqui, com toda essa gente olhando?

Concordo em silêncio. Porra, espero que ninguém tenha nos ouvido.

Por sorte o reverendo Walsh se afastou discretamente.

Olho para a multidão ali reunida vestida com suas melhores roupas de gala… Minha mãe, Ray, Bob, e os Greys, todos aplaudindo. E também Kate, minha dama de honra, que está linda com um vestido rosa pálido e de pé junto com o padrinho de Christian: seu irmão Elliot. Quem teria imaginado que Elliot poderia ficar tão bem? Todos mostram uns sorrisos brilhantes de orelha a orelha… exceto Grace, que está chorando discretamente e cobrindo-se com um delicado lenço branco.

— Preparada para a festa, Sra. Grey? — Murmura Christian, com um sorriso tímido. Me derreto ao vê-lo. Está

fabuloso com um simples smoking preto com colete e gravata prateadas. Ele está... muito elegante.

— Preparadíssima. — Eu sorriso, um sorriso totalmente bobo aparece em meu rosto.

Um pouco mais tarde, a festa está no seu apogeu...

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Carrick e Grace se superaram. Montaram novamente uma tenda e decoraram com rosa pálido, prata e marfim, deixando os lados abertos com vista para a baía. Tivemos a sorte de o clima está maravilhoso, agora o sol de fim da tarde brilha sobre a água. Há uma pista de dança em uma extremidade da tenda e um buffet muito generoso na outra.

Ray e minha mãe estão dançando e rindo juntos. Tenho uma sensação amarga ao vê-los assim. Espero que Christian e eu duremos mais; não sei o que faria se ele me deixasse.

Casamento apressado, arrependimento assegurado. Esse ditado não deixa de se repetir na minha cabeça.

Kate está a meu lado, está lindíssima com um vestido longo de seda.

Me olha e franze a testa.

— Ei, suposto que hoje deva ser o dia mais feliz de sua vida, — me repreende.

— E é — digo-lhe em voz baixa.

— Oh, Ana, o que se passa? Está olhando sua mãe e Ray?

Concordo com ar triste.

— Estão felizes.

— Sim, felizes separados.

— Estão deixando você com dúvidas? — me pergunta Kate alarmada.

— Não, não, claro que não. É só que... amo-o muitíssimo.

— Eu fico petrificada, sem poder ou sem querer expressar meus medos.

— Ana, é óbvio que ele te adora. Sei que tiveram um começo muito pouco convencional em sua relação, porém eu vi o quão felizes vocês foram durante o último mês. —

Agarra e aperta minhas mãos — Além disso, já é demasiado tarde — acrescenta com um sorriso.

Sorrio. A confiança de Kate só diz o obvio. Ela me atrai para me dar o Abraço Especial de Katherine Kavanagh.

— Ana, você vai ficar bem. E se ele lhe machucar alguma vez, mesmo que só seja em um fio de cabelo, ele vai ter que responder perante mim. — me solta e sorri para alguém que está atrás de mim.

— Oi, bebê. — Christian me surpreende envolvendo-me com os braços e me dá um beijo na face. — Kate, —

cumprimenta. Continua mostrando-se frio com ela, mesmo já tendo passado seis semanas.

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— Olá outra vez, Christian. Voi buscar o padrinho, que é seu homem preferido e também o meu. — Com um sorriso para ambos, ela se afasta para se juntar a Elliot, que está bebendo com o irmão de Kate, Ethan, e nosso amigo José.

— É hora de ir — murmura Christian.

— Já? É a primeira festa que vou onde não me importa ser o centro das atenções. — Viro-me em seus braços para poder olhá-lo de frente.

— Merece ser. Você está impressionante, Anastásia.

— E você também.

Ele sorri e sua expressão cálida.

— Esse vestido tão bonito fica bem em você.

— Esse trapo velho? — Eu coro timidamente e puxo um pouco a guarnição de fina renda do vestido de noiva simples e enfeitado, que foi desenhado para mim pela mãe de Kate.

Eu adoro a renda caindo logo abaixo do ombro. É recatado, porém sedutor, espero.

Ele se inclina e me dá um beijo.

— Vamos. Não quero dividir você com todas estas pessoas nem um minuto mais.

— Podemos ir embora do nosso próprio casamento?

— Bebê, é a nossa festa e podemos fazer o que quisermos. Cortamos o bolo. E agora mesmo eu quero raptá-la para tê-la toda para mim.

Solto uma risada.

— Você me tem para toda vida, Sr. Grey.

— Estou muito feliz de ouvir isso, Sra. Grey.

— Oh, aqui estão vocês! Que dois pombinhos.

Eu rosno para mim mesma... A mãe de Grace encontrou-nos.

— Christian, querido, outra dança com a sua avó?

Christian franze os lábios.

— Claro, vovó.

— E você, linda Anastásia, venha e faça um velho feliz, dance com o Theo.

— Theo, é o Sr. Trevelyan?

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— É o avô Trevelyan. E acho que você já pode me chamar de vovó.

Agora, vocês dois necessitam seriamente começar a trabalhar em meus bisnetos. Não vou durar muito mais. —

Nos olha com um sorriso bobo.

Christian olha-a sem piscar, horrorizado.

— Vamos, vovó, — disse agarrando-a apressadamente pela mão e levando-a para a pista de dança. Me olha quase fazendo um beicinho e revira os olhos — . Mais tarde, bebê.

Quando eu vou na direção do vovô Trevelyan, José me aborda.

— Não vou lhe pedir outra dança. Acho que já monopolizei você demais na pista de dança... Alegro-me de vê-la feliz, mas falo sério, Ana.

Estarei aqui… se você precisar de mim.

— Obrigada, José. Você é um bom amigo.

— Estou falando sério. — Seus olhos escuros brilham pela sinceridade.

— Eu sei que sim. Obrigada de verdade, José. Mas se você me desculpa… Tenho um encontro com um idoso.

Enruga a testa, confuso.

— O avô de Christian — Esclareço.

Ele sorri para mim.

— Boa sorte com isso, Annie. E boa sorte com tudo.

— Obrigada, José.

Depois de minha dança com o sempre encantador avô de Christian, fico de pé junto das portas vendo como o sol afunda por trás de Seattle provocando sombras de cor laranja e água-marinha na baía.

— Vamos, — Christian insiste.

— Tenho que mudar de roupa. — Agarro a sua mão com a intenção de arrastá-lo até a porta e subir as escadas comigo. Franze o cenho sem compreender e puxa suavemente a minha mão para me deter. — Pensei que você queria ser o único a tirar esse vestido do meu corpo —

eu explico.

Seus olhos se iluminam.

— Certo. — Ele me olha com um sorriso lascivo. — Mas eu não vou despir você aqui. Nós não iríamos sair até... não sei... — disse agitando sua 21

mão com dedos longos. Deixa a frase inacabada, mas o significado está mais que claro.

Ruborizo e solto a sua mão.

— E não solte o cabelo — ele murmura misteriosamente.

— Mas...

— Sem “mas”, Anastásia. Você está linda. E quero despir você.

Franzo a testa.

— Arrume sua bolsa de viagem — ele ordena. — Você vai precisar delas. Taylor já tem sua mala principal.

— Está bem.

O que terá planejado? Ele não me disse aonde vamos. Na verdade, eu acho que ninguém sabe de nada. Nem Mia nem

Kate conseguiram obter a informação dele. Dirijo-me onde está minha mãe e Kate, conversando.

— Eu não vou mudar de roupa.

— O quê? — Minha mãe diz.

— Christian não quer que eu mude. — Eu dou de ombros como se isso explicasse tudo.

Ela enrruga a testa.

— Você não prometeu obedecer, — ela me lembra com muita diplomacia. Kate tenta fazer com que seu riso abafado pareça uma tosse.

Olho-a estreitando os olhos. Nem ela nem minha mãe têm ideia da luta que Christian e eu tivemos por causa disso.

Não quero ressuscitar essa discussão. Porra, meu Cinquenta Tons consegue ficar muito furioso às vezes... e depois ter pesadelos. A recordação me reafirma na minha decisão.

— Eu sei, mamãe, mas ele gosta do meu vestido e quero dar a ele esse prazer.

Sua expressão suaviza. Kate revira os olhos e com muita discrição se afasta para deixar-nos sozinhas.

— Você está muito bonita, filha. — Carla arruma suavemente uma das mechas que se soltou e acaricia meu queixo. — Estou tão orgulhosa de você, meu céu… Você vai fazer o Christian muito feliz. — Diz e me dá um abraço.

Oh, mamãe…

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— Não posso acreditar… Você parece tão adulta agora…

Vai começar uma nova vida; só tem que se lembrar de que os homens vêm de um planeta diferente. Assim tudo vai ficar bem.

Dou uma risada. Christian não é de outro planeta, é de outro universo. Se ela soubesse…

— Obrigada, mamãe.

Ray se une a nós, sorrindo para nós docemente.

— Você fez uma linda menina, Carla — disse com os olhos brilhando de orgulho. Está impecável com seu smoking

preto e colete rosa pálido. Eu me emociono e meus olhos se enchem de lágrimas. Ah, não... até agora havia conseguido não chorar…

— E você ajudou-a a crescer e ser o que é, Ray. — A voz de Carla soa nostálgica.

— E adorei cada momento do tempo que passei com ela.

Você é uma uma noiva sensacional, Annie. — Ray coloca atrás da orelha a mesma mecha solta antes.

— Oh, papai... — Tento conter um soluço e ele me abraça brevemente, um pouco incomodado.

— E você vai ser uma esposa sensacional também — ele sussurra com uma voz rouca.

Quando me libera, Christian está ao meu lado.

Ray lhe estende a mão afetuosamente.

— Cuide de minha menina, Christian.

— Isso é o que pretendo fazer, Ray. Carla. — Saúda o meu padastro com um movimento de cabeça e dá um beijo na minha mãe.

O resto dos convidados fizeram um corredor humano formando um arco com seus braços estendidos para que pudéssemos passar por ele até a saída da casa.

— Pronta? — Christian pergunta.

— Sim.

Segurando a minha mão, ele me guia sob esses braços estendidos enquanto os convidados nos gritam felicitações e desejos de boa sorte e atiram arroz em nós. No final do corredor esperam por nós Grace e Carrick 23

com largos sorrisos. Os dois nos abraçam e nos beijam cada um por sua vez.

Grace está emocionada de novo. Despedimo-nos rapidamente deles. Taylor espera por nós junto do SUV Audi. Christian está segurando a porta do carro para que eu entre, mas antes me viro e atiro a buquê de rosas de cor branca e rosa para o

grupo de jovens que reuniu-se. Mia agarra-o no ar e sorri de orelha a orelha.

Quando entro no SUV rindo por causa da forma audaz de Mia pegar o buquê, Christian se agacha para me ajudar com o vestido. Quando já estou bem acomodada dentro, vira para se despedir dos convidados.

Taylor mantém a porta aberta para ele.

— Parabéns, senhor.

— Obrigado, Taylor, — responde Christian enquanto se senta ao meu lado.

Quando Taylor entra no carro, os convidados começam a atirar arroz no carro. Christian segura a minha mão e beija os nós dos meus dedos.

— Tudo bem até o momento, Sra. Grey?

— Até o momento tudo fantástico, Sr. Grey. Para onde vamos?

— Para o aeroporto — diz com uma voz enigmática.

Humm... o que ele está planejando?

Taylor não se dirige para o terminal de embarque como eu esperava, mas sim cruza uma porta de segurança e vai diretamente para a pista. Que diabos…? E então vejo-o: o Jato de Christian com GREY ENTERPRISES

HOLDINGS, INC. inscrito na fuselagem com grandes letras azuis.

— Não me diga que vai voltar a fazer uso pessoal dos bens da empresa.

— Oh, assim espero, Anastásia. — Christian sorri para mim.

Taylor para o Audi ao pé da escada que leva ao avião e salta do carro para abrir a porta para Christian. Trocam umas palavras e depois Christian vem e abre a porta para mim. E em vez de se afastar para me dar espaço para sair, se inclina e me agarra nos braços.

— Ei! O que você está fazendo? — Reclamo.

— Carregando você, sobre a escada do avião — ele disse.

— Hã…

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Mas, isso não se faz apenas em casas?

Sobe comigo pela escada sem esforço aparente e Taylor segue-nos levando minha mala. Deixa-a na entrada do avião e retorna para o Audi.

Dentro da cabine reconheço Stephan, o piloto de Christian, com seu uniforme.

— Bem vindo a bordo, senhor. Sra. Grey. — Ele nos saúda com um sorriso.

Christian me coloca no chão e aperta a mão de Stephan.

De pé junto de Stephan estava uma mulher de cabelo escuro de uns… o quê? Trinta e poucos? Ela também estava de uniforme.

— Felicidades para os dois — Stephan continua.

— Obrigado, Stephan. Anastásia, você conhece Stephan.

Vai ser o nosso comandante hoje. E esta é a primeira oficial Beighley.

A mulher cora quando Christian apresenta-a e pisca muito rápido.

Tenho vontade de revirar os olhos. Outra mulher que está completamente cativada por meu marido, que é demasiado bonito mesmo para o seu próprio bem.

— Prazer em conhecê-la — disse efusivamente Beighley.

Sorrio para ela com amabilidade. Afinal de contas… ele é meu.

— Tudo preparado? – pergunta Christian a ambos enquanto eu examino a cabine. O interior é de madeira de acer2 clara e couro de uma suave cor creme. Há outra jovem mulher no outro extremo da cabine, também uniformizada; tem o cabelo castanho e é realmente bonita.

— Já nos deram todas as permissões. O tempo está bom daqui até Boston.

Boston?

— Turbulências?

— Antes de chagar a Boston não. Mas há uma frente sobre Shannon3

que pode nos dar algum sobressalto.

Shannon, Irlanda?

2 Madeira de acer é a madeira mais tradicional na fabricação de instrumentos musicais.

3 Aeroporto Internacional Shannon em Co. Clare, Irlanda 25

— Já vejo. Bom, espero dormir durante o trajeto - disse Christian sem dar à mínima.

Dormir?

— Bem, vamos nos preparar para decolar, senhor. –

anuncia Stephan.— Deixo-os nas mãos competentes de Natalia, nossa comissária de bordo. — Christian olha em sua direção e franze o cenho, mas depois volta para Stephan com um sorriso.

— Excelente. — Agarra minha mão e me leva para uma das luxuosas poltronas de couro. Deve haver umas doze no total. — Sente-se — disse enquanto tirava o paletó e se livrava do seu fino colete brocado. Sentamos em poltronas individuais situadas uma em frente a outra com uma mesinha reluzente entre ambos.

— Bem vindos a bordo, senhor, senhora. E felicidades. —

Natalia apareceu junto de nós para oferecer-nos uma taça de champanhe rosé.

— Obrigado — Christian disse.

Ela sorri para nós educadamente e se retira para a cozinha.

— A uma vida de casados feliz, Anastásia. — Christian levanta sua taça e brindamos. O champanhe está delicioso.

— Bollinger4? — pergunto.

— O mesmo.

— A primeira vez que provei bebi-o em canecas de chá. —

Sorrio.

— Lembro perfeitamente desse dia. Sua formatura.

— Aonde vamos? — Já não sou capaz de conter minha curiosidade nem mais um segundo.

— Vamos para Shannon — Christian diz com os olhos iluminados pelo entusiasmo. Parecia um garotinho.

— Irlanda? — Vamos para a Irlanda!

— Para reabastecer de combustível — acrescenta brincando.

— E depois? — Me animo.

Seu sorriso amplia-se mais e nega com a cabeça.

— Christian!

— Londres — disse me olhando fixamente para ver a minha reação.

4 Bollinger é uma bebida da região francesa de Champagne, cujas raízes datam de 1585.

26

Estremeço. Porra… Pensava que iríamos para algum lugar como Nova Iorque ou Aspen, ou inclusive o Caribe. Quase não posso acreditar. O sonho da minha vida sempre foi conhecer a Inglaterra. Sinto que uma luz se acende no meu íntimo: a luz incandescente da felicidade.

— Depois, Paris.

O quê?

— E finalmente o sul da França.

Uau!

— Sei que você sempre sonhou em conhecer a Europa —

disse em voz baixa. — Quero fazer todos o seus sonhos se tornarem realidade, Anastásia.

— Você é o meu sonho tornado realidade, Christian.

— Digo o mesmo, Sra. Grey — ele sussurra.

— Oh meu Deus...

— Aperte o cinto.

Eu sorrio e faço o que ele me disse.

Enquanto o avião vai para a pista, bebemos o champanhe sorrindo como dois babacas um para o outro. Não posso acreditar. Com vinte e dois anos finalmente vou sair dos Estados Unidos para ir para a Europa, Londres para ser mais exata.

Depois de decolar Natalia serve-nos mais champanhe e prepara-nos o banquete nupcial. E que banquete: salmão defumado seguido de perdiz assada com salada de vagens e batatas dauphinoise 5, tudo cozinhado e servido pela tremendamente eficiente Natalia.

— Deseja sobremesa, Sr. Grey? — pergunta-lhe.

Nega com a cabeça e passa um dedo pelo lábio inferior enquanto me olha inquisitivamente com uma expressão sombria e inescrutável.

— Não, obrigado — murmura sem romper o contato visual comigo.

Quando Natalia vai embora, seus lábios se curvam num sorrisinho secreto.

— A verdade — volta a murmurar — é que havia planejado que a sobremesa fosse você.

5 Batata dauphinoise- Batata gratinada da região francesa de Dauphiné, perto da fronteira italiana.

27

Merda… aqui?

— Vamos — me disse se levantando e estendendo a mão para mim. Me leva até o fundo da cabine.

— Há um banheiro ali — disse assinalando uma portinha, mas segue por um curto corredor até cruzar uma porta que há no final.

Porra… um quarto. Este local também é de madeira de arce e está decorado com cores creme. A cama de casal está coberta de almofadas de cores dourado e marrom.

Parece muito cômoda.

Christian se vira e me envolve com seus braços sem deixar de me olhar.

— Vamos passar nossa noite de núpcias a dez mil metros de altitude.

É algo que nunca fiz.

Caralho... Outra primeira vez. Fico observando-o de boca aberta e com o coração martelando no meu peito… o clube das alturas. Ouvi falar a respeito.

— Mas primeiro tenho que tirar esse seu vestido tão fabuloso.

Seus olhos brilham de amor e de algo mais sombrio, algo que me encanta e que desperta minha deusa interior.

Começo a ficar sem respiração.

— Vire-se. — Sua voz é baixa, autoritária e tremendamente sexy.

Como pode uma só palavra conter tantas promessas?

Obedeço de bom grado e suas mãos sobem até meu cabelo.

Vai tirando os meus grampos, um depois do outro. Seus dedos especialistas acabam com a tarefa em um instante.

Meu cabelo vai caindo sobre os ombros, mecha após mecha, cobrindo minhas costas e meus seios. Tento ficar muito quieta, mas desejo com todas as minhas forças seu contato.

Depois deste dia tão excitante, mesmo que extenso e esgotador, desejo-o, desejo todo o seu corpo.

— Você tem um cabelo maravilho, Ana. — Ele colocou a boca junto do meu ouvido e sinto sua respiração embora não me toque com seus lábios.

Quando já não havia grampos, me penteia um pouco com os dedos e massagea suavemente a minha cabeça.

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Oh, meu Deus… Fecho os olhos enquanto desfruto da sensação. Seus dedos continuam percorrendo meu cabelo e depois agarra-o e me puxa um pouco para me obrigar a inclinar a cabeça para trás e expor a garganta.

— Você é minha — suspira. Puxa o lóbulo da minha orelha com os dentes.

Deixo escapar um gemido.

— Silêncio — me ordena.

Afasta o meu cabelo e, passando o dedo pela borda de renda do vestido, percorre a parte superior da minha coluna de um ombro para outro.

Estremeço por antecipação. Dá um beijo terno nas minhas costas justo em cima do primeiro botão do vestido.

— Você é tão bonita… — disse enquanto desabotoa com destreza o primeiro botão. — Hoje você me fez o homem mais feliz do mundo. — Com uma infinita lentidão vai liberando os botões um por um, descendo por toda a coluna. — Te amo muitíssimo. — Vai me dando beijos desde a minha nuca até ao extremo do ombro. Depois de cada beijo murmura uma palavra: — Desejo. Muito. Você. Quero.

Estar. Dentro. De. Você. Você. É. Minha.

As palavras são inebriantes. Fecho os olhos e inclino o meu pescoço para lhe facilitar o acesso e vou caindo cada vez mais profundamente sob o feitiço de Christian Grey, meu marido.

— Minha — repete num sussurro. Vai deslizando o meu vestido pelos braços até que cai a meus pés em uma nuvem de seda marfim e renda. — Vire-se — pede de novo com voz rouca.

Viro e ele dá um suspiro.

Estou vestida com um espartilho ajustado de seda de um tom rosado com ligas, calcinha rendada combinando e meia de seda branca.

Os olhos de Christian percorrem o meu corpo avidamente, mas não diz nada. Limita-se a me olhar com olhos arregalados de desejo.

— Você gosta? — pergunto-lhe num sussurro, consciente do pequeno rubor que está aparecendo na minha bochecha.

— Mais que isso, querida. Você está sensacional. Vem. —

Segura a minha mão para me ajudar a sair do vestido. —

Fique quieta — murmura, e sem afastar seus olhos cada vez mais escuros dos meus, percorre com o seu 29

dedo médio a linha do espartilho sobre os meus seios.

Minha respiração acelera e ele repete o trajeto sobre os meus seios. Esse dedo travesso está provocando calafrios por toda a minha coluna. Ele pára e gira o dedo indicador no ar ordenando que eu dê a volta.

Agora mesmo faria qualquer coisa que ele me mandasse.

— Pare — disse. Estou de costas para ele, olhando a cama. Envolve a minha cintura com o braço, me apertando contra ele, e acaricia o meu pescoço. Muito suavemente cobre os meus seios com as mãos e brinca com eles enquanto faz círculos sobre os mamilos com os polegares, até que eles se excitam e pressionam o tecido do espartilho.

— Minha — sussurra.

— Sua — ofego.

Abandona meus seios e desliza as mãos pelo meu estômago, meu ventre e depois continua descendo pelas coxas e passa quase roçando pelo meu sexo. Abafo um gemido. Mete os dedos por baixo das tiras das ligas e, com sua destreza habitual, solta as duas meias uma de cada vez.

Agora suas mãos vão para a minha bunda.

— Minha — repete com as mãos estendidas sobre minhas nádegas e as pontas dos dedos roçando meu sexo.

— Ah.

— Chiu. — As mãos descem pela parte posterior de minhas coxas e soltam as presilhas das ligas.

Inclina-se e afasta a colcha da cama.

— Sente-se.

Sento-me totalmente hipnotizada pelas suas palavras.

Christian se ajoelha aos meus pés e tira com suavidade os meus sapatos de noiva de Jimmy Choo6. Agarra a parte superior da minha meia esquerda e vai deslizando-a pela minha perna lentamente, tocando a pele com o polegar.

Repete a sedução com a outra meia.

— Isto é como desembrulhar os presentes de Natal. — Ele sorri e me olha através das suas largas pestanas escuras.

— Um presente que você já tinha…

6 Jimmy Choo é um designer de sapatos feitos a mão que trabalha em Londres. Os desenhos que fez para a Princesa Diana à partir de 1990 impulsionaram ainda mais sua marca.

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Ele franze a testa contrariado.

— Oh não, querida. Agora você é minha de verdade.

— Christian, eu tenho sido sua desde o dia que lhe disse que sim. — Inclino-me para ele e envolvo com as mãos esse rosto que tanto amo. — Sou sua. Sempre serei sua, meu marido. Mas agora mesmo acho que você está vestindo muita roupa. — Inclino-me para beijá-lo e ele vem ao meu encontro, me beija nos lábios e segura meu rosto enquanto prende os dedos no meu cabelo.

— Ana — suspira. — Minha Ana. — Seus exigentes lábios se unem com os meus mais uma vez. Sua língua é invasivamente persuasiva.

— As roupas — sussurro.

Nossas respirações se mesclam enquanto eu liberto-o do colete. É

difícil para ele despi-lo, porque assim tem que me liberar um pouco. Ele para e me olha com olhos muito abertos, cheios de desejo.

— Permita-me por favor. — Minha voz soa suave e sensual. Quero despir meu marido, meu Cinquenta.

Ele senta sobre os calcanhares e eu me aproximo para agarrar sua gravata (a gravata cinza prateada, minha favorita), desfaço o nó lentamente e tiro-a. Levanta o queixo para me deixar desapertar o botão superior da camisa branca. Quando consigo, passo para as abotoaduras. Está usando abotoaduras de platina gravada com um A e um C

entrelaçados: meu presente de casamento. Quando removi-as, ele tira as abotoaduras da minha mão e envolve-as na sua. Beija essa mão e depois guarda-as no bolso da calça.

— Que romântico, Sr. Grey.

— Para você, Sra. Grey, só corações e flores. Sempre.

Agarro sua mão e olho através dos cílios enquanto dou um beijo na sua aliança simples de platina. Geme e fecha os olhos.

— Ana — sussurra, e meu nome é como uma oração.

Levanto as minhas mãos para me ocupar do segundo botão e, repetindo o que ele me fez há alguns minutos, dou um suave beijo no peito depois de desabotoar cada botão.

Entre os beijos vou intercalando palavras.

— Você... Me... Faz... Muito... Feliz... Eu... Te... Amo.

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Geme outra vez e num movimento rapidíssimo me agarra pela cintura e me deita na cama. Ele me acompanha um segundo depois. Seus lábios encontram os meus e envolve meu rosto com as mãos para me manter quieta enquanto nossas línguas transam. De repente Christian se afasta e cai de joelhos, me deixando sem ar e desejando mais.

— Você é tão linda… minha esposa. — Levanta minhas pernas com as mãos e agarra o meu pé esquerdo. — Você tem pernas espetaculares.

Quero beijar cada centímetro dela. Começando por aqui.

— Dá um beijo no meu dedão e depois arranha a gema desse dedo com os dentes.

Tudo o que existe abaixo da minha cintura estremece.

Desliza a língua pelo arco de pé. Depois começa a morder meu calcanhar e vai subindo até o tornozelo. Percorre o interior da minha panturrilha dando beijos, beijos suaves e úmidos. Eu me retorço sob seu corpo.

— Quieta, Sra. Grey — me adverte, e sem aviso prévio me coloca de barriga para baixo e continua sua viagem de

prazer percorrendo com a boca a parte posterior das pernas, das coxas, e bunda… e então para. Gemo.

— Por favor…

— Quero você nua — murmura, e vai soltando lentamente o corpete, abrindo os cochetes um por um. Quando a peça cai aberta na cama debaixo do meu corpo, ele desliza sua língua por toda a longitude da minha coluna.

— Christian, por favor.

— O que você quer, Sra. Grey? — Suas palavras são doces e ouço-as muito perto do meu ouvido. Posso sentir o sua ereção contra o meu traseiro.

— Você.

— E eu quero você, meu amor, minha vida… — sussurra, e antes de perceber voltou a me virar e a me colocar de barriga para cima.

Fica de pé rapidamente e num movimento mais que eficiente tira de uma vez a calça e o boxer e fica gloriosamente nu, pairando sobre mim, preparado para o que vinha a seguir. A pequena cabine fica eclipsada por sua beleza impressionante, seu desejo e sua necessidade de me possuir.

Inclina-se e tira minha calcinha. Depois me olha.

— Minha — pronuncia.

— Por favor — suplico.

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Ele sorri para mim; um sorriso lascivo, perverso e tentador. Um sorriso típico do meu Cinquenta Tons.

Continuar: parte 2 de 3