Cinquenta Tons de Liberdade

E.L. James · Capítulo 2 de 8 · parte 3/3

Páginas do PDF

Cinquenta Tons de Liberdade

Keep

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.

Por que você sempre trança o meu cabelo? — Pergunto a Christian, por curiosidade.

Estamos sentados, um ao lado do outro na mesa, a minha perna enrolada em torno dele. Ele faz uma pausa como se estivesse prestes a pegar sua colher de sobremesa e franze a testa.

— Não quero que seu cabelo se agarre em qualquer coisa,

— ele diz calmamente e por um momento está perdido em pensamentos. — É um hábito, suponho, — acrescenta como se estivesse pensando em voz alta. De repente, ele franze a testa e seus olhos se arregalam, com as pupilas dilatando em alarme.

Puta merda! O que ele está lembrado? É algo doloroso, alguma lembrança da primeira infância, eu acho. Não quero lembrá-lo disso.

Debruçando-se, coloquei o meu dedo indicador sobre os seus lábios.

— Não, isso não importa. Eu não preciso saber. Estava apenas curiosa. — Dei-lhe um sorriso quente e reconfortante. Continua com o olhar perdido, mas depois de um momento em que ele relaxa visivelmente, seu 58

alívio é evidente. Inclino-me para beijar o canto da sua boca. — Eu te amo, — sussurro. Ele sorri, um sorriso dolorosamente tímido, e eu derreto. — Sempre amarei você, Christian.

— E eu a você, — ele diz baixinho.

— Apesar da minha desobediência? — Levanto a minha sobrancelha.

— Por causa de sua desobediência, Anastásia. — Ele sorri.

Introduzo minha colher na crosta de açúcar queimado da minha sobremesa e nego com a cabeça. Será que eu vou entender esse homem?

Hmm, este creme brûlée é delicioso.

Quando o mordomo retirou nossos pratos de sobremesa, Christian pega a garrafa de vinho rosé e enche meu copo outra vez. Certifico-me de que estamos sozinhos e pergunto.

— Que história é essa coisa de não ir ao banheiro?

— Você realmente quer saber? — Ele dá um meio sorriso e seus olhos estão iluminados com um brilho lascivo.

— Quero? — Eu olho para ele sob os cílios enquanto tomo um gole de meu vinho.

— Quanto mais cheia a sua bexiga estiver, mais intenso é o seu orgasmo, Ana.

Fico vermelha.

— Oh, já vejo. — Caramba… isso explica muita coisa.

Ele sorri, parecendo saber muito mais do que disse. Vou estar sempre com o pé atrás com o Sr. Perito em Sexo?

— Sim. Bem... — Procuro desesperadamente ao redor algo que permita-me mudar de tema. Ele tem pena de mim.

— O que você quer fazer para o resto da noite? — Ele inclina sua cabeça para um lado e me dá seu sorriso torcido.

O que você quiser, Christian. Provar essa teoria outra vez, quem sabe?

Dou os ombros.

— Sei o que quero fazer, — ele murmura. Agarrando seu copo de vinho, ele se levanta e estende a mão para mim. —

Venha.

Tomo a sua mão e ele me leva para o salão principal.

59

Seu iPod está no som do alto-falante sobre a cômoda. Ele interrompe e seleciona uma música.

— Dança comigo. — Ele puxa-me em seus braços.

— Se você insiste.

— Eu insisto, Sra. Grey.

Uma melodia suave começa. Isto é um ritmo latino?

Christian sorri para mim e começa a se mover, me arrastando com seu ritmo e me levando por todo o salão.

Um homem com uma voz suave e quente como caramelo derretido cantava. É uma canção que eu conheço, mas não sei o nome. Christian me inclina para trás e solto um grito pela surpresa e rio. Ele sorri e seus olhos se encheram de humor. Então, ele me levanta e me gira por baixo do seu braço.

— Você dança tão bem, — eu digo. — É como se eu pudesse dançar.

Ele me dá um sorriso de esfinge, mas não diz nada, e me pergunto se é porque está pensando nela... Sra. Robinson, a mulher que lhe ensinou a dançar e como foder. Ela não passava pela minha cabeça, já fazia um tempo.

Christian não falou dela desde o seu aniversário, e, tanto quanto sei, a sua relação de negócios acabou. Relutante, porém, eu tenho que admitir, ela era uma professora.

Ele me inclina novamente e planta um beijo suave nos meus lábios.

 

— Sinto falta do seu amor, — eu murmuro, repetindo a letra da canção.

— Sinto mais do que falta do seu amor, — ele diz e gira-me mais uma vez. Então, ele canta baixinho no meu ouvido e me derrete por dentro.

A faixa termina e Christian olha para mim com olhos escuros e ardentes, já sem humor. Fico sem fôlego.

— Venha para a cama comigo? — Ele sussurra e é um apelo sincero que abranda o meu coração.

Christian, já te disse “sim” há duas semanas e meia.. .

Mas eu sei que esta é sua maneira de pedir desculpas e ter certeza que tudo está bem entre nós, depois da nossa briga.

60

Quando eu acordo, o sol está brilhando através das vigias e a água reflete os padrões brilhantes no teto da cabine.

Christian não está à vista.

Eu me estico e sorrio. Hmm... Vou anotar na minha agenda, uma foda de castigo seguida por sexo de reconciliação qualquer dia. Admira-me ir para a cama com dois homens diferentes, Christian com raiva e o doce Christian ‘deixe-me fazer isso para você, do jeito que você quiser’. É complicado decidir qual deles que eu gosto mais.

Levanto e vou para o banheiro. Abrindo a porta, encontro Christian dentro se barbeando, nu, exceto por uma toalha enrolada na cintura. Ele se vira e sorri, não se perturbando por eu estar interrompendo-o. Eu descobri que Christian nunca tranca a porta se ele for a única pessoa no local; não tenho a menor ideia do por quê ele faz isso e nem quero saber.

— Bom dia, senhora Grey, — ele diz, irradiando seu bom humor.

— Bom dia mesmo. — Eu sorrio de volta, enquanto o vejo se barbear.

Amo vê-lo se barbeando. Levanta o queixo e corta por baixo, com passagens rápidas e deliberadas. Sem perceber começo a imitar seus movimentos.

Puxando meu lábio superior para baixo, assim como ele faz, para raspar o bigode. Ele se vira e sorri para mim, metade de seu rosto ainda está coberto de creme barbear.

— Aproveitando o show? — Ele pergunta.

Oh, Christian, eu poderia olhar para você por horas.

— É um dos meus favoritos de todos os tempos, —

murmuro, e ele se inclina e beija-me depressa, o seu creme de barbear, suja o meu rosto.

— Devo fazer isso para você novamente? — Ele sussurra maldosamente e segura a navalha.

Franzo meus lábios.

— Não, — eu resmungo, fingindo estar de mau humor. —

Vou depilar com cera, na próxima vez.

61

Lembro-me da alegria de Christian, em Londres, quando ele descobriu que, durante uma reunião dele lá, eu me entretive raspando todo o meu pêlo púbico por curiosidade.

Claro que minha forma de depilar não cumpria os rigorosos padrões do Sr. Exigente...

— O que diabos você fez? — Christian exclama. Ele não pode disfarçar sua diversão, horrorizado consigo mesmo. Ele se senta na cama na nossa suíte no Hotel Browns, perto de Piccadilly, acende a luz de cabeceira e olha para mim, sua boca faz um O. Devia ser mais de meia-noite. Eu coro, fico da cor dos lençóis na sala de jogos e tento puxar para baixo

a minha camisola de cetim, para que ele não possa ver. Ele agarra a minha mão para me impedir.

— Ana!

— Eu me… eh... depilei.

— Posso ver isso. Por quê? — Ele está sorrindo de orelha a orelha.

Eu cubro meu rosto com as mãos. Por que estou tão envergonhada?

— Ei, — ele diz baixinho e puxa minha mão. — Não se esconda. — Ele está mordendo o lábio para não rir. — Diga-me. Por quê? — Seus olhos dançam com alegria. Por que ele acha isso tão engraçado?

— Pare de rir de mim.

— Não estou rindo de você. Sinto muito. Eu estou...

encantado, — ele diz.

— Oh...

— Diga-me. Por quê?

Respiro fundo.

— Esta manhã, depois que você saiu para a reunião, tomei um banho e estava me lembrando de todas as regras.

Ele pisca. O humor na sua expressão desapareceu, e ele me olha com cautela.

62

— E estava analisando-as uma por uma e como eu me sentia sobre elas, e me lembrei do salão de beleza, e pensei... isto é o que você gostaria.

Mas eu não fui corajosa o suficiente para depilar com cera. — Minha voz desaparece em um sussurro.

Ele olha para mim, seus olhos brilham, desta vez não com alegria pela minha loucura, mas com amor.

— Oh, Ana, — ele respira. Ele se inclina e beija-me com ternura. — Você me seduz, — ele sussurra contra os meus lábios e me beija mais uma vez, apertando o meu rosto com ambas as mãos.

Depois de um momento ele se afasta e se apoia num cotovelo. O

humor está de volta.

— Acho que deveria fazer uma inspeção completa de sua obra, Sra.

Grey.

— O quê? Não. — Ele deve estar brincando! Eu me cubro para proteger essa área recentemente desmatada.

— Oh, não, você não vai fazer isso, Anastásia. — Ele agarra minhas mãos e, movendo-se agilmente, fica entre as minhas pernas, prendendo as minhas mãos para os meus lados. Ele me dá um olhar ardente que poderia incendiar palha seca, mas antes que eu entre em combustão, ele dobra e passa seus lábios para baixo, pela minha barriga nua, diretamente para o meu sexo. Eu me contorço embaixo dele, relutantemente me resigno ao meu destino.

— Bem, o que temos aqui? — Christian planta um beijo onde, até esta manhã, tinha pelo pubiano, então raspa o queixo eriçado em mim.

— Ah! — Eu exclamo. Uau... está sensível.

Os olhos de Christian me observam com intensidade, cheios de desejo lascivo.

— Acho que faltou um pouco, — disse e puxa suavemente um pelo que está num ponto bastante inacessível.

— Oh... Droga, — eu murmuro, esperando que isso vá pôr fim ao seu escrutínio, francamente intrusivo.

— Tenho uma ideia.— Ele pula nu para fora da cama e vai para o banheiro.

63

Que diabos ele está fazendo? Ele retorna momentos depois, carregando um copo de água, uma caneca, minha navalha, o seu pincel de barba, creme de barbear e uma toalha. Ele coloca a água, escova, sabonete e navalha na mesa de cabeceira e olha para baixo para mim, segurando a toalha.

Oh não! Meu subconsciente joga no chão suas Obras Completas de Charles Dickens, salta da poltrona, e coloca as mãos nos quadris.

— Não. Não. Não, — eu chio.

— Sra. Grey, se há um trabalho a fazer, vale a pena fazer bem.

Levante os quadris. — Seus olhos brilham uma como uma tempestade cinza de verão.

— Christian! Você não vai me depilar.

Ele inclina a cabeça para um lado.

— Por que não?

Eu ruborizo... não é óbvio?

— Por causa... É muito...

— Íntimo? — Ele sussurra. —Ana, eu quero ter intimidade com você, você sabe disso. Além disso, depois de algumas das coisas que fizemos, não pode ter escrúpulos comigo, agora. E eu conheço esta parte do seu corpo melhor do que você.

Olho para ele boquiaberta. Que arrogante. É verdade que conhece bem, mas mesmo assim...

— Está errado! — Minha voz é empertigada e impertinente.

— Claro que não é errado… e é sexy.

Sexy? Sério?

— Isso excita você? — Eu não posso manter o espanto da minha voz.

Ele bufa.

— Você não pode ver? — pergunta sinalizando sua ereção com a cabeça. — Eu quero depilar você, — ele sussurra.

Oh, que inferno. Eu me deito e tapo o rosto com um braço, para que não tenha que assistir.

64

— Se isso te faz feliz, Christian, vá em frente. Você é tão estranho, — eu murmuro, enquanto levanto meus quadris, e ele desliza a toalha debaixo de mim. Ele beija minha coxa.

— Oh, bebê, como você está certa.

Eu ouço o chapinhar da água quando ele mergulha o pincel no copo, então o redemoinho macio do pincel na caneca. Ele agarra meu tornozelo esquerdo e puxa minhas pernas, elas caem da cama, enquanto ele se senta entre elas.

— Gostaria muito de amarrá-la agora, — ele murmura.

— Prometo ficar quieta.

— Ótimo.

Suspiro enquanto ele corre o pincel cheio de espuma sobre o meu púbis. Esta morno. A água no copo deve estar quente. Eu me contorço um pouco. Ele faz cócegas... mas eu gosto.

— Não se mova, — Christian adverte e aplica o pincel novamente. — Ou eu vou amarrar você, — ele acrescenta sombriamente, e um arrepio delicioso corre pela minha espinha.

— Você já fez isso antes? — Pergunto timidamente quando ele pega a navalha.

— Não.

— Oh. Bom. — Sorrio.

— Outra novidade, Sra. Grey.

— Hmm. Gosto de primeiras.

— Eu também. Aqui vai. — E com uma suavidade que me surpreendeu, ele corre a navalha sobre a minha carne sensível. — Fique quieta, — ele diz, distraidamente, e eu sei que ele está muito concentrado.

Leva apenas uma questão de minutos, antes que ele pegue a toalha e limpe todo o excesso de espuma de cima de mim.

— Pronto, isso está muito bom, — ele brinca, e eu finalmente levanto o braço para olhar para ele, enquanto ele se senta para trás para admirar sua obra.

— Feliz? — Eu pergunto, minha voz está rouca.

65

 

— Muito. — Ele sorri maldosamente e lentamente empurra um dedo dentro de mim.

— Mas foi divertido, — ele diz, com seus olhos suavemente zombando.

— Para você, talvez. — Tento fazer uma careta, mas tenho que reconhecer que tem razão. Foi... excitante.

— Se bem me lembro, o que veio depois foi muito gratificante.

Christian retorna para seu barbeado. Olho rapidamente para baixo, para os meus dedos. Sim, foi. Eu não tinha ideia de que a ausência de pelos pubianos pode fazer tanta diferença.

— Ei, eu só estou brincando. Não é isso que os maridos que estão perdidamente apaixonados por suas esposas fazem? — Christian levanta meu queixo e olha para mim.

Seus olhos estão cheios de apreensão enquanto se esforça para ler minha expressão.

Hmm... hora da vingança.

— Sente-se, — eu murmuro.

Ele me encara, sem entender. Empurro-o suavemente em direção ao solitário banquinho branco no banheiro. Perplexo, ele se senta, e eu tomo a navalha dele.

— Ana, — adverte ele, quando percebe a minha intenção.

Eu me inclino para baixo e beijo-o.

— Cabeça para trás, — eu sussurro.

Ele hesita.

— Olho por olho, Sr. Grey.

Ele me olha com descrença, cauteloso e divertido.

— Você sabe que você está fazendo? — Ele pergunta, em voz baixa.

Sacudo a cabeça lentamente, deliberadamente, tentando parecer tão séria 66

quanto possível. Ele fecha os olhos e balança a cabeça, em seguida, inclina a cabeça para trás, em sinal de rendição.

Puta merda, ele vai me deixar fazer a barba dele. Minha deusa interior flexiona e estende seus braços para fora, com os dedos entrelaçados, palmas para fora, aquecendo-se.

Timidamente eu deslizo minha mão no cabelo úmido em sua testa, segurando firmemente. Ele fecha os olhos e aperta seus lábios, enquanto ele inala. Muito delicadamente, eu passo a navalha no seu rosto, começando pelo seu pescoço para o queixo, revelando um caminho de pele abaixo da espuma. Christian exala.

— Você achou que eu ia te machucar?

— Eu nunca sei o que você vai fazer, Ana, mas não, não intencionalmente.

Eu corro a navalha no seu pescoço de novo, abrindo um caminho mais amplo na espuma.

— Nunca iria machucá-lo intencionalmente, Christian.

Ele abre os olhos e os braços fecham em volta de mim, enquanto eu gentilmente arrasto a navalha pelo seu rosto, do fundo até a sua costeleta.

— Eu sei, — ele diz, inclinando o rosto para que eu possa raspar o resto de sua bochecha. Duas passadas mais e eu terminei.

— Tudo feito, e nem uma gota de sangue derramado. —

Sorrio orgulhosamente.

Ele passa a mão pela minha perna, sob a minha camisola, para a minha coxa e me puxa para o seu colo, para que eu monte nele. Eu me firmo com as mãos em seus braços. Ele é realmente muito musculoso.

— Posso levá-la a algum lugar hoje?

— Tomar banho de sol, não. Verdade? — Digo-lhe mordaz, levantando uma sobrancelha.

Ele umedece os lábios num gesto nervoso.

 

— Não. Sem banho de sol hoje. Pensei que você pudesse preferir outra coisa.

— Bem, desde que você me cobriu de chupões, o que efetivamente me impede de tomar sol, com certeza, por que não?

Sabiamente, ele opta por ignorar o meu tom.

67

— É um lugar pequeno, mas vale a pena uma visita pelo que tenho lido. Meu pai recomendou-nos visitar. É uma aldeia no alto da colina, chamada Saint Paul de Vence.

Existem algumas galerias lá. Pensei que poderíamos escolher algumas pinturas ou esculturas para a nova casa, se encontrar alguma coisa que nós gostamos.

Caramba. Eu me inclino para trás e olho para ele. Arte...

ele quer comprar arte. Como posso comprar arte?

— O quê acha? — Ele pergunta.

— Não sei nada sobre arte, Christian.

Ele encolhe os ombros e sorri para mim com indulgência.

— Nós vamos comprar apenas o que gostamos. Não se trata de investimento.

Investimento? Caramba.

— O quê acha? — Ele diz novamente.

Sacudo a cabeça.

— Olha, eu sei que só viu os desenhos da arquiteta no outro dia, mas não há mal nenhum em olhar, e a cidade é um lugar antigo, medieval.

Oh, a arquiteta. Ele tinha que me lembrar dela... Gia Matteo, uma amiga de Elliot, que trabalhara na casa de Christian, em Aspen. Durante os nossos encontros para revisar os planos de reforma ela tinha se grudado em Christian como uma cola.

— O que foi agora? — Christian quer saber. Nego com a cabeça. — Diga-me, — ele insiste.

Como posso dizer-lhe que não gosto de Gia? Minha antipatia é irracional. Eu não quero ser a típica esposa ciumenta.

— Você ainda está zangada pelo que fiz ontem? — Ele suspira e fuça o rosto entre meus seios.

— Não. Estou com fome, — eu murmuro, sabendo muito bem que isso irá distraí-lo dessa linha de questionamento.

— Por que você não disse? — Ele me tira de seu colo e levanta.

68

Saint Paul de Vence é um vilarejo medieval fortificada situada no alto de uma colina, um dos lugares mais pitorescos que já vi. Passeio com Christian através das estreitas ruas de paralelepípedos com a minha mão no bolso traseiro de sua bermuda. Taylor e Gaston ou Philippe, não posso dizer a diferença entre eles, andam atrás de nós.

Passamos por uma praça arborizada onde três homens velhos, um deles com uma boina tradicional, apesar do calor, estão jogando bocha. É bastante cheia de turistas, mas sinto-me confortável debaixo do braço de Christian. Há tanto para ver, pequenas vielas e passagens que levam a pátios com fontes de pedra, esculturas antigas intrincadas e modernas e fascinantes pequenas boutiques e lojas.

Na primeira galeria, Christian olha distraidamente para as fotografias eróticas na nossa frente, sugando suavemente a alça de seus óculos de aviador. Elas são obras de Florence D'elle; mulheres nuas em várias poses.

— Não é bem o que tinha em mente, — murmuro em desaprovação.

Elas me fazem lembrar da caixa de fotografias que encontrei no seu armário, o nosso armário. Pergunto-me se ele alguma vez iria destruí-las.

— Nem eu, — Christian diz, sorrindo para mim. Ele pega a minha mão e vamos até o próximo artista. Com braços cruzados, eu me pergunto se deveria deixá-lo tirar fotos de mim. Minha deusa interior acena freneticamente em aprovação.

A tela seguinte é de uma pintora que se especializou em arte figurativa de frutas e legumes em super close-up e em cores ricas e gloriosas.

— Gosto delas. — Apontei para três pinturas de pimentas.

— Elas me lembram de você cortando legumes no meu apartamento. — Dou uma risadinha. A boca de Christian se torce, enquanto tenta e não consegue esconder sua diversão.

— Pensei que tinha conseguido ser bastante competente,

— ele resmunga. — Estava um pouco lento, e de qualquer maneira, — ele me puxa para um abraço, — você estava me distraindo. Onde você iria colocá-los?

— O quê?

Christian acaricia o meu ouvido com o nariz 69

— As pinturas, onde você iria colocá-las? — Ele morde o lóbulo da minha orelha e a sensação atinge a minha virilha.

— Na cozinha, — murmuro.

— Hmm. Boa ideia, Sra. Grey.

Fico escandalizada com o preço. Cinco mil euros cada.

Puta merda!

— Elas são muito caras! — Eu engasgo.

— Mesmo? — Ele me fuça novamente. — Acostume-se, Ana. — Ele me libera e se aproxima da exposição, onde uma mulher jovem vestida completamente de branco olha para ele de boca aberta. Estou a ponto de revirar os olhos, mas prefiro centrar minha atenção nos quadros. Cinco mil euros, caramba…

Terminamos o almoço e estamos relaxando no café do Hotel Le Saint Paul. A vista da paisagem é envolvente e deslumbrante. Vinhas e campos de girassóis formam uma

colcha de retalhos através da planície, intercaladas aqui e ali, com puras casas de fazenda francesas. É um dia claro e bonito, podemos ver todo o caminho até o mar, brilhando fracamente no horizonte.

Christian interrompe meu devaneio.

— Você me perguntou por que eu tranço o seu cabelo, —

ele murmura. Seu tom me alarma. Ele me parece... culpado.

— Sim. — Oh, merda.

— A prostituta drogada me deixava brincar com seu cabelo, eu acho.

Não sei se é uma memória ou um sonho.

Uau! Sua mãe biológica.

Ele olha para mim, sua expressão ilegível. Meu coração salta para minha boca. O que posso dizer quando ele diz coisas como esta?

— Gosto quando você brinca com o meu cabelo. — Minha voz é hesitante.

Ele considera-me com incerteza.

— Você gosta?

— Sim. — É verdade. Agarro a sua mão. — Acho que você amava sua mãe biológica, Christian. — Seus olhos se arregalaram e ele olha para mim, impassível, sem dizer nada.

70

Puta merda. Fui longe demais? Diga alguma coisa, Cinqüenta, por favor. Mas ele permanece resolutamente mudo, olhando para mim com seus insondáveis olhos cinza, enquanto o silêncio se estende entre nós. Ele parece perdido.

Ele olha para baixo, para a minha mão, que está na dele e franze a testa.

— Diga alguma coisa, — sussurro, porque não posso suportar o silêncio por mais tempo.

Ele balança a cabeça, expirando profundamente.

— Vamos.

 

Ele solta minha mão e levanta. Sua expressão é insondável. Já ultrapassei a marca? Eu não tenho ideia. Meu coração afunda e não sei se devo dizer alguma coisa ou apenas deixá-lo pensar. Decido-me pelo último e o sigo obediente para fora do restaurante.

Na encantadora rua estreita, ele pega a minha mão.

— Onde você quer ir?

Ele fala! E ele não está com raiva de mim, graças a Deus.

Exalo aliviada e encolho os ombros.

— Estou feliz por você ainda estar falando comigo.

— Você sabe que não gosto de falar sobre toda essa merda. Isso é passado. Terminado — ele diz calmamente.

Não, Christian, não está terminado. O pensamento me entristece, e pela primeira vez eu me pergunto se nunca vai ser terminar. Ele sempre será o Cinquenta Tons... meu Cinquenta Tons. Não quero que ele mude? Não, não realmente, somente na medida em que eu quero que ele se sinta amado.

Observando-o, admiro sua beleza cativante… e ele é meu.

E não é apenas atração pelo seu belo rosto e corpo; é o que está por baixo da sua perfeição, sua alma frágil e ferida, o que mais me atrai, o que mais me aproxima dele.

Ele me dá esse olhar meio divertido meio precavido e absolutamente sexy e envolve meus ombros com o braço.

Depois caminhamos pelos turistas até o lugar onde Philippe ou Gastón estacionou o Mercedes espaçoso. Coloco outra vez minha mão no bolso de trás das bermudas de Christian, grata por ele não estar zangado. Mas, honestamente, que criança de quatro anos de 71

idade não ama sua mãe, por pior mãe que ela seja?

Suspiro profundamente e o abraço mais forte. Eu sei que

 

atrás de nós segue a equipe de segurança e pergunto-me distraidamente se eles comeram.

Christian para do lado de fora de uma pequena loja que vende joias finas e olha pela janela, então para mim. Ele agarra a minha mão livre e passa o seu polegar sobre a marca vermelha das algemas, que está desaparecendo, e olha-a fixamente.

— Não está dolorido. — Tranquilizo-o. Ele se retorce para tirar a outra mão do bolso e gira-a para examinar minha mão. O relógio Omega de platina que me deu de presente no café da manhã da nossa primeira manhã em Londres esconde a marca. A inscrição do relógio entretanto emociona-me.

Anastásia Você é o meu Mais Meu Amor, Minha Vida Christian

Apesar de tudo, de todos os seus cinquenta tons, meu marido é um romântico. Observo as leves marcas dos meus pulsos. Mas também pode ser um pouco selvagem às vezes.

Solta a minha mão esquerda e segura meu queixo para levantá-lo e analisar minha expressão com olhos preocupados.

— Elas não doem, — eu repito. Ele puxa a minha mão para os lábios e planta um beijo suave e apologético no interior do meu pulso.

— Venha, — ele diz e me leva para a loja.

— Aqui, — Christian mantém aberta a pulseira de platina que ele acabou de comprar. É requintada, tão delicadamente trabalhada, a filigrana em forma de pequenas flores abstratas, com pequenos diamantes em seu coração. Prende-a ao redor do meu pulso. É larga e como braçadeira, e 72

esconde as marcas vermelhas. Também custou cerca de trinta mil euros, penso eu, embora eu realmente não pudesse acompanhar a conversa em francês com o assistente de vendas. Nunca usei nada de tão caro.

— Aqui, assim está melhor, — ele murmura.

— Melhor? — Eu sussurro, olhando para os luminosos olhos cinza, consciente de que a magricela assistente de vendas está olhando para nós com um olhar ciumento e de desaprovação.

— Você sabe por que, — Christian diz com incerteza.

— Eu não preciso disso. — Agito o meu pulso e a pulseira se move.

Um raio de luz da tarde que entra pela janela da joalheria faz reflexo nos diamantes, formando um brilhante arco-íris e enchendo de cor as paredes da loja.

— Eu preciso, — ele diz com absoluta sinceridade.

Por quê? Por que ele precisa disso? Será que ele se sente culpado?

Sobre o quê? As marcas? Sua mãe biológica? Não confiar em mim? Oh, Cinqüenta.

— Não, Christian, você não precisa. Você já me deu tanta coisa. A lua de mel mágica, Londres, Paris, Cote D'Azur... e você. Eu sou uma menina muito sortuda, — sussurro e seus olhos amolecem.

— Não, Anastásia, eu sou um homem de muita sorte.

— Obrigada. — Fico na ponta dos pés, abraço o seu pescoço com meus braços e lhe dou um beijo, não por me dar a pulseira, mas sim por ser meu.

De volta ao carro, ele está introspectivo, olhando para os campos de brilhantes girassóis, seguindo as suas cabeças e desfrutando do sol da tarde.

Um dos gêmeos, eu acho que é Gastón, está dirigindo e Taylor está ao lado dele, na frente. Christian está pensando sobre alguma coisa. Seguro a sua mão, dando-lhe um

apertão tranquilizador. Ele olha para mim antes de liberar a minha mão e acariciar o meu joelho. Estou vestindo uma saia 73

curta, ampla, azul e branca, e uma camisa azul com mangas. Christian hesita, e eu não sei se a mão vai viajar até minha coxa ou para baixo, na minha perna. Estou tensa com a antecipação que me provoca o suave toque dos seus dedos e prendo a minha respiração. O que ele vai fazer?

Escolhe ir para baixo e, de repente, agarra meu tornozelo e puxa meu pé para o seu colo. Gira sobre o meu traseiro para ficar de cara com ele no banco de trás do carro.

— Eu quero o outro também.

Olho nervosamente para Taylor e Gaston, cujos olhos estão, decididamente, focados na estrada à frente, e coloco o meu outro pé em seu colo. Com olhos frios, ele estende o braço e aperta um botão localizado em sua porta. Na nossa frente, uma tela de privacidade ligeiramente colorida desliza para fora de um painel, e dez segundos depois, estamos efetivamente por nossa conta. Uau... não admira que a parte de trás deste carro tenha espaço para as pernas.

— Quero olhar os seus tornozelos, — Christian oferece uma explicação calma. Seu olhar está ansioso. As marcas da algema? Caramba...

Pensei que tinha lidado com isso. Se houver marcas, elas estão escondidas pelas tiras da sandália. Não me lembro de ver nenhuma esta manhã.

Gentilmente, ele acaricia seu polegar para cima do peito do meu pé direito, fazendo-me contorcer. Um sorriso dança em seus lábios e habilmente ele desfaz uma alça e desbota o seu sorriso quando é confrontado com as marcas de coloração mais escura.

— Não dói, — murmuro.

Ele olha para mim e sua expressão é triste, a boca é uma linha fina.

Acena com a cabeça uma vez, como se não acreditasse na minha palavra, quando eu sacudo a minha sandália para que ela caia no chão, mas sei que já o perdi. Ele está distraído, pensativo de novo, acariciando meu pé mecanicamente enquanto olha pela janela do carro.

— Ei. O que você esperava? — Pergunto baixinho. Ele olha para mim e encolhe os ombros.

— Eu não esperava me sentir como me sinto ao olhar para essas marcas, — ele diz.

74

Oh… Reticente num momento e comunicativo noutro.

Cinquenta…

Como vou ser capaz de acompanhá-lo?

— Como você se sente?

Olhos tristes olham para mim.

— Desconfortável, — murmura.

Oh, não. Desato meu cinto de segurança e chego mais perto dele, deixando meus pés no seu colo. Quero sentar-me no seu colo e abraçá-lo, e só faria isso se fosse apenas Taylor na frente. Mas saber que Gaston também está corta o meu barato, apesar do vidro. Se fosse mais escuro. Aperto suas mãos.

— São dos chupões que eu não gosto, — sussurro. Todo o resto... o que você fez, — abaixo a minha voz ainda mais, —

com as algemas, eu gostei disso. Bem, foi mais do que gostar. Foi alucinante. Você pode fazer isso comigo de novo a qualquer momento.

Ele se mexe em seu assento.

— Alucinante? — Minha deusa interior olha assustada para a sua Jackie Collins.

— Sim. — Sorrio. Se pênis está justo abaixo dos meus pés e noto que começa a ficar duro. Flexiono os dedos do pé e vejo mais que ouço sua repentina inalação e como se separam seus lábios.

— Deveria colocar o cinto de segurança, Sra. Grey. — Sua voz é rouca e eu repito a flexão dos meus dedos. Volta a inalar e seus olhos vão escurecendo até que agarra o meu tornozelo como advertência. Será que ele quer que eu pare?

Continue? Ele faz uma pausa, franze a testa e busca seu BlackBerry, sempre presente, do bolso para atender uma ligação. Olha o relógio e franze a testa um pouco mais.

— Barney, — responde.

Droga. O trabalho nos interrompe novamente. Tento remover os meus pés, mas ele aperta os dedos em volta do meu tornozelo.

— Na sala do servidor? — Ele diz, incrédulo. — Será que ele ativou o sistema de supressão de fogo?

Fogo! Eu retiro os meus pés e desta vez ele me permite.

Sento no meu lugar, afivelo meu cinto de segurança, e mexo nervosamente na pulseira de 75

30 mil euros. Christian pressiona o botão em sua porta e o vidro de privacidade desliza para baixo.

— Alguém ferido? Danos? Já vejo... Quando? — Christian olha o seu relógio de novo, em seguida, passa a mão pelos cabelos. — Não. Nem os bombeiros ou a polícia. Pelo menos por enquanto.

Puta merda! Um incêndio? No escritório de Christian? Olho para ele, minha mente dispara. Taylor vira-se para poder ouvir a conversa.

— O que fez? Bom... Ok. Eu quero um relatório de danos detalhados.

E uma listagem completa de todos os que tiveram acesso nos últimos cinco dias, incluindo o pessoal de limpeza...

Entregue para Andrea e diga para ela me ligar... Sim, parece que o argônio foi eficaz, vale seu peso em ouro.

Relatório de danos? Argônio? Lembro-me de uma aula de química há muito tempo. Parece que é um elemento da tabela periódica.

— Percebo que é cedo... me mande um e-mail em duas horas... Não, eu preciso saber. Obrigado por me ligar.

Christian desliga, logo em seguida tecla um número no BlackBerry.

— Welch... Bom... Quando? — Christian olha para o seu relógio novamente. — Uma hora depois... Sim... Vinte-quatro-sete no armazenamento de dados fora do local...

bom. — Ele desliga.

— Philippe, eu preciso estar a bordo em uma hora.

— Monsieur.

Merda, é Philippe e não Gaston. O carro dispara para frente.

Christian olha para mim, sua expressão é ilegível.

— Algum ferido? — Pergunto baixinho.

Christian balança a cabeça.

— Muito pouco dano. — Ele estende o braço e aperta a minha mão, me tranquilizando. — Não se preocupe com isso. Minha equipe está agindo.

E lá está ele, o CEO, no comando, no controle e não atrapalhado em tudo.

— Onde foi o fogo?

— Na sala do servidor.

— No edifício das empresas Grey?

— Sim.

76

Suas respostas são cortadas, então eu sei que ele não quer falar sobre isso.

— Por que tão pequenos danos?

— O servidor está equipado com um sistema de supressão de fogo.

Claro que está.

— Ana, por favor... não se preocupe.

— Eu não estou preocupada, — minto.

— Nós não sabemos, com certeza, se foi fogo criminoso,

— ele diz, afrontando diretamente a razão da minha

ansiedade.

Boto minha mão na garganta com medo. Primeiro o Charlie Tango e agora isso?

O que será depois?

77

Capítulo 04

Estou inquieta. Christian está enfurnado no estúdio a bordo, por mais de uma hora. Eu tentei ler, assistir TV, tomar sol, banho de sol completamente vestida, mas não consigo relaxar, e eu não posso me livrar deste sentimento de aflição. Depois de me trocar, com calções e uma camiseta, removo o bracelete absurdamente caro e vou encontrar Taylor.

— Sra. Grey, — ele diz, assustado, deixando seu livro de Anthony Burgess. Ele está sentado no pequeno salão fora do estúdio de Christian.

— Gostaria de ir às compras.

— Sim, senhora. — Ele está de pé.

— Gostaria de levar o Jet Ski.

Sua boca cai.

— Eh... — Ele franze a testa, sem palavras.

— Não quero incomodar Christian com isso.

Ele reprime um suspiro.

— Sra. Grey... um... Eu não acho que o Sr. Grey ficaria muito satisfeito com isso, e eu gostaria de manter meu emprego.

Oh, pelo amor de Deus! Tenho vontade de revirar meus olhos, mas em vez disso, me contenho e suspiro profundamente para expressar, espero, a quantidade adequada de indignação frustrada por não ser a dona do meu próprio destino. Mas não quero que Christian se zangue com Taylor (nem comigo, na verdade). Passo na frente dele caminhando confiante, bato na porta do escritório e entro.

Christian está no seu BlackBerry, encostado na escrivaninha de mogno. Ele olha para cima.

— Andrea, só um instante, por favor, — ele resmunga ao telefone e sua expressão é séria. Seu olhar é polido, aguardando alguma coisa. Merda.

Por que me sinto como se tivesse entrado no escritório do diretor? Este 78

homem tinha me algemado ontem. Recuso-me a ser intimidada por ele. Ele é meu marido, caramba. Levanto os meus ombros e dou-lhe um largo sorriso.

— Vou fazer compras. Vou levar comigo a segurança.

— Claro, leve um dos gêmeos e Taylor, também, — ele diz, e eu sei que o que aconteceu é grave, porque ele não me questionou mais. Fico olhando para ele, me perguntando se eu posso ajudar.

— Mais alguma coisa? — Pergunta ele. Ele quer que eu saia. Droga.

— Posso te ajudar em alguma coisa? — Eu pergunto. Ele sorri o seu doce sorriso tímido.

— Não, bebê, eu estou bem, — diz ele. — A tripulação vai cuidar de mim.

— Ok. — Quero beijá-lo. Inferno, eu posso… Ele é meu marido!

Aproximo-me decidida e lhe dou um beijo nos lábios, o que o surpreende.

— Andrea, ligo mais tarde, — ele diz pelo telefone. Desliga o BlackBerry e bota sobre a mesa atrás dele, puxa-me para seus braços e me beija apaixonadamente. Estou sem fôlego quando ele me libera. Seus olhos estão escuros e cheios de desejo. — Você está me distraindo. Preciso resolver isso para que eu possa voltar para minha lua de mel. — Ele corre o dedo indicador pelo meu rosto e acaricia meu queixo, fazendo com que eu levante a cabeça.

— Ok. Sinto muito.

 

— Por favor, não peça desculpas, Sra. Grey. Eu amo suas distrações.

— Ele beija o canto da minha boca.

— Vá gastar algum dinheiro. — Ele me libera.

— Eu vou. — Sorrio para ele, enquanto saio do seu escritório. Meu subconsciente sacode a cabeça e franze os lábios. Você não lhe disse que estava indo no Jet Ski, ele me castiga na sua voz melodiosa. Eu o ignoro...

Harpia.

Taylor está esperando pacientemente.

— Está tudo esclarecido com o alto comando... podemos ir? — Sorrio, tentando manter o sarcasmo na minha voz.

Taylor não esconde o seu sorriso de admiração.

Sra. Grey, depois de você.

79

Taylor pacientemente explica para mim como funciona os controles do Jet Ski e como montá-lo. Ele tem uma autoridade calma, gentil e é um bom professor. Estamos na lancha, balançando nas águas calmas do porto ao lado do Fair Lady. Gaston olha, sua expressão está camuflada sob seus óculos escuros, e um dos tripulantes do Fair Lady está no controle da lancha. Caramba, três pessoas estão comigo, só porque eu quero ir às compras. Isso é ridículo.

Fechando o meu colete salva vida, dou um sorriso radiante para Taylor. Ele estende a mão para me ajudar a subir no Jet Ski.

— Aperte a correia da chave de ignição em torno de seu pulso, Sra.

Grey. Se você cair, o motor será cortado automaticamente, — ele explica.

— Ok.

— Pronta?

Concordo com entusiasmo.

— Pressione o botão de ignição quando você estiver a cerca de quatro metros de distância do barco. Vamos segui-la.

— Ok.

Empurra o Jet Ski para longe, e ele flutua suavemente para o porto principal. Quando ele me dá o sinal de ok, pressiono o botão de ignição e o motor ruge dando sinal de vida.

— Ok, Sra. Grey, é fácil fazer isso! — Taylor grita. Aperto o acelerador. O Jet Ski balança para frente, em seguida pára.

Droga! Como o Christian faz parecer tão fácil? Tento de novo, e mais uma vez, ele para.

Duas vezes, merda!

— Tem que manter a potência, Sra. Grey, — Taylor fala.

— Sim, sim, sim, — Murmuro entre dentes. Tento mais uma vez apertando a alavanca muito suavemente e o Jet Ski volta a se lançar para frente, mas desta vez segue sem se deter. Sim! E avança um pouco mais. Já!

Segue avançando! Tenho vontade de gritar de emoção, mas me controlo. Vou me afastando do iate até o porto.

Atrás de mim ouço o ruído do ronco da 80

lancha. Aperto o acelerador um pouco mais e a mota ganha velocidade, deslizando pela água. Sinto a brisa cálida na pele e o fino salpicar da água do mar e me sinto livre.

Isto é genial! Não estranho que Christian nunca me deixe conduzi-la. Em vez de me dirigir para a costa e acabar com a diversão, viro para rodear o majestoso Fair Lady. Uau…

Isto é divertidíssimo. Ignoro Taylor e o resto do pessoal que me segue e aumento a velocidade uma vez mais enquanto rodeio o barco. Quando completo o círculo, vejo Christian no convés. Acho que me olha de boca aberta, mas desta distância é difícil dizer.

Valentemente solto uma mão da manípulo e o saúdo com entusiasmo.

Parece petrificado, mas no final levanta a mão de uma forma um pouco rígida. Nâo posso distinguir sua expressão, mas algo me diz que é melhor assim. Terminada a volta, decido me dirigir para o porto desportivo acelerando pela água azul do Mediterrâneo, que brilha sob o sol da última hora da tarde.

No cais, eu espero e deixo Taylor chegar antes de mim.

Sua expressão é triste, e meu coração afunda, embora Gaston pareça vagamente divertido.

Pergunto-me, brevemente, se aconteceu alguma coisa para relaxar as relações gaulesa-americanas, mas no fundo eu suspeito que o problema é, provavelmente, eu. Gaston pula para fora da lancha e puxa as amarras, enquanto Taylor faz sinal para que me posicione ao lado da embarcação.

Muito delicadamente aproximo o Jet Ski da lancha, e fico a sua altura. Sua expressão suaviza um pouco.

— Basta desligar a ignição, Sra. Grey, — ele diz calmamente, alcançando o guidão e estendendo a mão para me ajudar a subir na lancha.

Agilmente subo a bordo, impressionada por não ter caído.

— Sra. Grey, — Taylor pisca nervosamente, seu rosto está cor de rosa, mais uma vez. — O Sr. Grey não está totalmente confortável com você andando no Jet Ski. — Ele praticamente se contorce de vergonha, e eu percebo que ele tinha recebido uma chamada irada de Christian. Oh, meu pobre, patologicamente super protetor marido, o que vou fazer com você?

Sorrio serenamente para Taylor.

81

— Bom, Taylor, o Sr. Grey não está aqui, e se ele não está totalmente confortável, tenho certeza que ele vai me dar a gentileza de me dizer ele mesmo quando eu estiver de volta a bordo.

Taylor estremece.

— Muito bem, Sra. Grey, — ele diz calmamente, entregando-me a minha bolsa.

Quando saio do barco, tenho um vislumbre do seu sorriso relutante e isso me faz querer sorrir também. Não posso acreditar quanto afeto tenho por Taylor, mas realmente não gosto de ser repreendida por ele, ele não é meu pai ou meu marido.

Porcaria, Christian está zangado, e ele tem o suficiente para se preocupar no momento. O que eu estava pensando?

Enquanto estou no cais à espera de Taylor, sinto o meu BlackBerry vibrar na minha bolsa e pego-o.

Sade, Your Love is King, é o meu tom de toque para Christian, só para Christian.

— Oi, — eu murmuro.

— Oi, — ele diz.

— Eu vou voltar na lancha. Não fique zangado.

Ouço seu suspiro pequeno de surpresa.

— Um...

— Embora tenha sido divertido, — murmuro.

Ele suspira.

— Bem, longe de mim cortar a sua diversão, Sra. Grey.

Basta ter cuidado. Por favor.

Oh, meu Deus! Tenho permissão para me divertir!

— Eu terei. Você quer alguma coisa da cidade?

— Só você, de volta, inteira.

— Vou fazer o meu melhor sobre isso, Sr. Grey.

— Estou feliz em ouvir, Sra. Grey.

— Nosso objetivo é agradar, — respondo com uma risadinha.

Ouço seu sorriso em sua voz.

— Tenho outra chamada. Até logo, bebê.

— Até logo, Christian.

82

Ele desliga o telefone. A crise do Jet Ski foi evitada, eu acho. O carro está esperando, e Taylor tem a porta aberta

para mim. Pisco para ele enquanto subo e ele balança a cabeça, divertido.

No carro, eu digito um e-mail no meu BlackBerry.

De: Anastásia Grey Assunto: Obrigada Data: 17 agosto, 2011 16:55

Para: Christian Grey

Por não ser muito ranzinza.

Sua esposa amorosa Xxx

De: Christian Grey Assunto: Tentando manter a calma Data: 17 agosto, 2011 16:59

Para: Anastásia Grey

De nada.

Volte inteira.

Isto não é um pedido.