Cinquenta Tons de Liberdade

E.L. James · Capítulo 8 de 8 · parte 3/3

Páginas do PDF

Cinquenta Tons de Liberdade

É entardecer, quando eu acordo. Inundações de…

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.

que posso pôr em meus ouvidos e escutar meu coração. Ela é amável e sorri. Sorri o tempo todo.

Seus dentes são pequenos e brancos.

— Quer me ajudar a decorar a árvore, Christian?

Há uma grande árvore na sala ao lado dos grandes sofás.

Uma grande árvore. Vi estas antes. Mas nas lojas. Não dentro, onde estão os sofás. Minha nova casa tem muitos sofás. Não um só sofá. Não um só sofá marrom e pegajoso.

— Aqui, olhe.

Minha nova mamãe me mostra uma caixa e está cheia de bolas.

Muitas bonitas bolas brilhantes.

— Estes são adornos para a árvore.

A-dor-nos. A-dor-nos. Minha cabeça pronuncia as palavras.

Adornos.

— E estes... — Ela se detém e pega uma fita com florzinhas nela. — Estas são as luzes. As primeiras luzes, e logo podemos adornar a árvore. — estira-se e põe seus dedos em meu cabelo. Fico muito quieto. Mas eu gosto de seus dedos em meu cabelo. Eu gosto de estar perto de minha nova mamãe. Ela cheira bem. Um cheiro limpo. E só toca meu cabelo.

— Mamãe!

Ele está chamando. Elliot. Ele é grande e barulhento.

Muito barulhento. Ele fala o tempo todo. Eu não falo para nada. Não tenho palavras. Só tenho palavras em minha cabeça.

— Elliot querido, estamos na sala.

632

Ele chega correndo. Estava na escola. Tem um desenho.

Um desenho que pintou para minha nova mamãe. Ela também é a mamãe de Elliot. Ela se ajoelha, abraça-o e olha o desenho.

É uma casa com mamãe, papai, Elliot e Christian.

Christian é muito pequeno em seu desenho. Elliot é grande.

Ele tem um grande sorriso e Christian tem uma cara triste.

Papai também está aqui. Ele caminha para mamãe.

Sustento ainda mais forte meu cobertor. Ele beija a minha nova mamãe e ela não está assustada. Ela sorri. Devolve-lhe o beijo. Eu aperto meu cobertor.

— Olá, Christian. — Papai tem uma profunda voz suave.

Eu gosto de sua voz. Ele nunca fala duro. Não grita. Ele não grita como... ele me lê livros quando vou dormir. Lê-me sobre um gato e um chapéu, ovos verdes e presunto. Nunca vi ovos verdes. Papai se inclina, assim fica mais baixo.

— O que fez hoje?

Mostro-lhe a árvore.

— Comprou uma árvore? Uma árvore de Natal?

Digo que sim com minha cabeça.

— É uma formosa árvore. Você e sua mamãe escolheram muito bem.

É um trabalho importante escolher a árvore correta.

Bagunça meu cabelo, fico muito quieto e sustento com força meu cobertor. Papai não me machuca.

— Papai, olhe meu desenho. — Elliot se zanga quando papai fala comigo. Ele se zanga comigo. Dou-lhe um tapa.

Minha nova mamãe se irrita quando o faço. Elliot não me dá tapas. Ele tem medo de mim.

As luzes na árvore são bonitas.

— Aqui, me deixe te mostrar. O gancho vai através do pequeno furo, e logo pode pendurá-lo na árvore. — Mamãe põe um a-dor... a-dor-no vermelho na árvore. — Tente com este sino.

O sino soa. Balanço-o. O som é um som feliz. Balanço-o de novo. Mamãe sorri. Um grande sorriso. Um grande sorriso especial para mim.

—Você gosta do sino, Christian?

633

Digo que sim com minha cabeça e balanço-o uma vez mais, ele tilinta feliz.

— Tem um sorriso adorável, querido.

Mamãe pisca e enxuga os olhos com as mãos. Acaricia meu cabelo.

— Eu adoro ver seu sorriso.

Sua mão se move em meu ombro. Não. Retrocedo e aperto meu cobertor. Mamãe parece triste, e logo feliz.

Acaricia meu cabelo.

— Deveríamos pôr o sino na árvore?

Minha cabeça diz que sim.

— Christian, deve dizer quando tiver fome. Pode fazer isso. Pode pegar a mão da mamãe e conduzir-me à cozinha e assinalar. — Assinala com seu comprido dedo a mim. Sua unha é brilhante e rosa. É bonita. Mas não sei se minha nova mamãe está zangada ou não. Terminei todo o meu jantar.

Macarrão e queijo. Muito saboroso.

— Não quero que tenha fome, querido. De acordo? Agora, você gostaria de um pouco de sorvete?

Minha cabeça diz sim! Mamãe sorri para mim. Eu gosto de seus sorrisos. São melhores que o macarrão com queijo.

A árvore é bonita. Paro. Olho e abraço meu cobertor. As luzes cintilam e são todas de diferentes cores, e os a-dornos também são todos de diferentes cores. Eu gosto dos azuis. E no topo da árvore há uma grande estrela. Papai sustentou Elliot para que ele a colocasse na árvore. Ele gosta de pôr a estrela na árvore. Eu quero colocá-la... Mas não quero que papai me carregue. Não quero que me sustente. A estrela é muito brilhante.

Junto à árvore há um piano. Minha nova mamãe me deixa tocar o branco e o negro no piano. Branco e negro. Eu gosto dos sons brancos. O

som negro está mau. Mas eu gosto do som negro também. Vou do branco ao negro. Branco a negro. Negro a branco. Branco, branco, branco, branco.

Negro, negro, negro, negro. Eu gosto do som. Eu gosto muito do som.

— Quer que toque para ti, Christian?

Minha nova mamãe se senta. Toca o branco e o negro, e as canções chegam. Ela pressiona os pedais debaixo. Às vezes é ruidoso e às vezes é silencioso. A canção é alegre.

Elliot também gosta que mamãe cante. Ela 634

canta sobre um patinho feio e faz um divertido som de pato. Elliot imita o divertido som de pato e movimenta seus braços como se fossem asas, e os levanta acima e abaixo como uma ave. Ele é divertido.

Mamãe ri. Elliot ri. Eu rio.

— Você gosta desta canção, Christian? -E mamãe tem sua expressão triste-feliz.

Tenho uma meia que é vermelha, tem um desenho de um homem com um chapéu vermelho e uma grande barba branca. Ele é o papai Noel e traz presentes. Vi fotos dele.

Mas nunca antes me trouxe presentes. Eu era mau. Papai Noel não traz presentes para os meninos que são maus.

Agora sou bom. Minha nova mamãe diz que sou bom, muito bom. Ela não sabe.

Nunca devo lhe dizer... mas sou mau. Não quero que ela saiba.

Papai pendura a meia sobre a chaminé. Elliot também tem uma meia.

Ele diz que pode ler a palavra na meia. Há uma palavra em minha meia.

Christian. Minha nova mamãe a soletra. C-H-R-I-S-T-I-A-N.

Papai se senta em minha cama. Lê-me. Sustento meu cobertor.

Tenho um grande quarto. Às vezes ele é escuro e tenho sonhos maus.

Sonhos maus sobre antes. Minha nova mamãe vem para minha cama quando tenho sonhos maus. Ela se deita e canta canções suaves e eu durmo. Ela tem um cheiro suave,

novo e bonito. Minha nova mamãe não está fria. Não como... não como... e meus sonhos maus se vão quando ela está ali dormindo comigo.

Papai Noel esteve aqui. Ele não sabe que fui mau. Alegra-me que não saiba. Tenho um trem, um avião e um helicóptero. Meu helicóptero é azul e pode voar. Voa ao redor da árvore de Natal, sobre o piano e aterrissa no meio do branco. Voa sobre mamãe, sobre papai e sobre o Elliot, enquanto ele joga com o Lego. O helicóptero voa através da casa, da sala de jantar, da cozinha.

Ele voa pela porta do estudo de papai e acima em meu quarto, no quarto de Elliot, no de mamãe e papai. Ele voa através da casa, porque é minha casa.

Minha casa onde vivo.

635

Conhecendo cinquenta Sombras Segunda-feira, Maio 9, 2011

— Amanhã — murmuro, despacho Claude Bastille que está de pé na entrada de meu escritório.

— Golfe, esta semana Grey. — Sorri Bastille cheio de arrogância, sabendo que sua vitória no campo de golfe está assegurada.

Olho-o com o cenho franzido e ele se vira e sai. Suas palavras de despedida esfregam sal em minhas feridas, porque apesar de meus heróicos intentos esta manhã na academia, meu treinador pessoal chutou meu traseiro. Ele é o único que pode me derrotar, e agora quer outro pedaço de carne humana no campo de golfe. Detesto golfe, mas os negócios se dão melhor nos espaços abertos, tenho que suportar suas lições também aí... e embora odeio admiti-lo Bastille de algum jeito tem melhorado minhas habilidades no jogo.

Enquanto olho o céu de Seattle, a familiar sensação de aborrecimento se filtra em meu consciente. Meus dias estão mesclados sem distinção, e necessito alguma classe de diversão. Trabalhei todo o fim de semana até agora, nos constantes limites de meu escritório, estou inquieto. Não deveria me sentir desta maneira, não depois do severo treinamento com Bastille.

Mas o sinto.

Penso. A triste realidade é que a única coisa que tem meu interesse ultimamente foi à decisão de enviar dois navios de carga para o Sudão. O

que me recorda; não se supõe que Rose teria que retornar com os números e a logística. Que diabos a detém? Com a intenção de averiguar a que está acontecendo, dou uma olhada em minha agenda e alcanço o telefone.

OH Cristo! Tenho que aguentar uma entrevista com a persistente Senhorita Kavanagh da revista estudantil WSU.

Por que demônios aceitei?

Detesto entrevistas, perguntas atrás de perguntas, todas mal elaboradas, idiotas vazias. O telefone toca.

— Sim — ataco Andrea como se ela tivesse culpa. Ao menos posso me ocupar com esta pequena entrevista.

— A Srta. Steele está aqui para vê-lo, Sr. Grey.

636

— Steele? Estava esperando a Katherin Kavanagh.

— É a Srta. Steele que está aqui, senhor.

Franzo o cenho. Odeio o inesperado.

— Diga-lhe que entre — murmuro, sabendo que sôo como um adolescente mal-humorado, mas não me importo em nada.

Bom, bom... a senhorita Kavanagh não está disponível.

Conheço seu pai, o dono do Kavanagh medeia. Fizemos negócios, parece um empresário ardiloso e uma boa pessoa.

Esta entrevista é um favor para ele, um de que quero tirar proveito quando me convier. Tenho que admitir que esteja

vagamente curioso sobre sua filha, interessado em saber o quão longe ela foi.

Uma comoção na porta me põe de pé, enquanto um redemoinho de cabelo castanho comprido. Pele pálida e botas café entram de cabeça em meu escritório. Eu rolo meus olhos, e contenho meu aborrecimento natural para tal estupidez, enquanto me apresso até a garota que está caída no chão sobre suas mãos e seus joelhos. Pegando em seus magros ombros, ajudo-a a ficar de pé.

Claros, brilhantes e de causar pena, seus olhos azuis encontram os meus, pondo um fim as minhas preocupações. São olhos extraordinários de um inocente azul pálido, e por um breve momento, acredito que pode ver através de mim. Sinto-me... exposto. A ideia é desconcertante. É pequena.

Dona de um doce rosto que agora se ruboriza, em um leve rosa pálido.

Pergunto-me brevemente se toda sua pele é tão...

perfeita, e como se veria rosa e quente depois de uns açoites. Porra. Detenho meus pensamentos pecaminosos, alarmado com sua direção. Em que diabos está pensando Grey? Esta garota é muito jovem. Ela ofega e quase desvio meu olhar novamente. Sim, sim bebê, é apenas um rosto, e a beleza é apenas superficial. Minha hostilidade se dissipa, admirando o olhar desses grandes olhos azuis.

Hora do show Grey. Vamos nos divertir.

— Senhorita Kavanagh. — Ela estende uma mão com longos dedos para mim, uma vez que eu fico de pé. — Eu sou Christian Grey. Você está bem? Você gostaria de se sentar?

637

Aí está de novo o rubor. Surge novamente, analiso-a. É

muito atraente, de uma maneira desajeitada, pequena, pálida, com uma cabeleira cor mogno apenas uma borracha para segurar o rabo de cavalo. Uma morena. Sim, é atraente. Estendo minha mão, e ela gagueja o início de uma mortificada desculpa, enquanto põe sua pequena mão na minha. Sua pele está tão fria e suave, mas seu aperto de mãos é surpreendentemente firme.

— A senhorita Kavanagh está indisposta, assim me enviou. Espero que não se importe, Sr. Grey. — Sua voz é calma com uma vacilante musicalidade, seus olhos piscam de forma irregular, grandes cílios revoando ante esses grandes olhos azuis.

Incapaz de manter a diversão em minha voz, enquanto recordo sua menos que elegante entrada em meu escritório, pergunto-lhe quem é.

— Anastásia Steele. Eu estudo Literatura inglesa com Kate, hum…

Katherine… hum… Senhorita Kavanagh do Estado de Washington.

Nervosa, do tipo tímida, aficionada pelos livros? Parece-o.

Terrivelmente mal vestida, ocultando seu pequeno corpo debaixo de um suéter sem forma e uma saia reta cor café.

Cristo. Ela não deve ter senso de moda certamente? Olha nervosamente ao redor de meu escritório, em todas as partes menos em mim, noto-o com divertida ironia.

Como pode ser esta garota uma jornalista? Não tem sequer um osso firme em seu corpo. Está encantadoramente nervosa, mansa, suave...

submissa. Agito minha cabeça, assombrado pela direção que meus inapropriados pensamentos estão tomando.

Murmurando uma trivialidade, peço-lhe que se sente, logo noto sua perspicácia ao admirar as pinturas de meu escritório. Antes que possa me deter, encontro-me explicando.

— Um artista local. Trouton.

— Elas são adoráveis. Elevando o ordinário para o extraordinário, — diz sonhadoramente, perdida na deliciosa e fina arte de minhas pinturas.

Seu perfil é delicado, nariz arrebitado, lábios suaves e carnudos, e em suas palavras refletiu meus pensamentos. O

ordinário para o extraordinário. É

uma observação inteligente. A Srta. Steele é brilhante.

638

Murmuro minha concordância e vejo esse rubor aparecer lentamente de novo em sua pele. Enquanto me sento justo em frente dela, trato de reprimir meus pensamentos.

Recolhe uma enrugada folha de papel e uma gravadora em sua grande bolsa. Um gravador? Ainda existe fita cacete? Cristo... de forma desajeita, deixa cair a maldita coisa duas vezes, em minha mesa Bauhaus para café.

Obviamente nunca havia feito isto antes, mas por alguma razão que não posso compreender, acho divertido.

Normalmente esta classe de estupidez me irrita até a merda, mas agora escondo meu sorriso atrás de meu dedo indicador e resisto à necessidade de acomodar a coisa por ela.

Enquanto fica mais nervosa, me ocorre que poderia melhorar a velocidade de seus movimentos com a ajuda de um chicote. Habilmente utilizado pode fazer com que os mais assustadiços se ajoelhem. A errante ideia faz com que me mova em minha cadeira. Ela me olha de esguelha e morde seu lábio inferior. Mas que porra! Como não notei essa boca antes?

— Desculpe-me. Eu não estou acostumada a isto.

Estou certo disso bebê — meu pensamento é irônico. —

Mas neste momento pouco me importa, porque não posso afastar meus olhos de sua boca.

— Leve o tempo que precisar Senhorita Steele. — E

necessito de um momento para ordenar meus pecaminosos pensamentos. Grey... pare com isto agora.

— Você se importa se eu gravar suas respostas? —

pergunta, seu rosto está franco e ansioso.

Quero rir. OH obrigado Cristo.

— Depois que você teve tantas dificuldades para instalar o gravador, agora que você me pergunta? — Ela pisca seus olhos grandes e perdidos por um instante, e sinto uma desconhecida pontada de culpa. Deixe de ser babaca, Grey.

— Não, não me importo - murmuro, sem querer ser responsável por essa expressão.

— Será que Kate, eu quero dizer, a Senhorita Kavanagh, explicou para o que é a entrevista?

639

— Sim. Para aparecer na edição de graduação do jornal estudantil quando eu outorgar o diploma na cerimônia de graduação deste ano. — por que diabos aceitei fazer isso?

Não sei. Sam, de minhas relações públicas me disse que era uma honra, e o departamento de meio ambiente e ciência de Vancouver necessitava da publicidade para atrair financiamento adicional para igualar a concessão que lhes dei.

A senhorita Steele pisca, todos esses grandes olhos azuis uma vez mais, como se minhas palavras fossem uma surpresa e merda, parece não aprovar! Ela fez alguma pesquisa, para fazer esta entrevista? Ela deveria saber disso. A ideia esfria meu sangue. Não é agradável, não é o que esperava dela ou de qualquer um a quem lhe conferisse meu tempo.

—Bem. Tenho algumas pergunta Sr. Grey. — coloca uma mecha de cabelo detrás de sua orelha, distraindo meu aborrecimento.

— Eu achei que você teria — murmuro secamente. Vamos deixá-la retraída.

Amavelmente ela se contrai, mas logo se recompõe, endireita-se ao sentar elevando seus pequenos ombros.

Inclinando-se pressiona o botão da gravadora, e franze o cenho quando baixa seu olhar até suas enrugadas notas.

— Você é muito jovem para ter acumulado este império.

Há que se deve seu êxito?

OH, Cristo! Certamente ela pode fazer melhor que isto.

Que merda de pergunta tão aborrecida. Que saco, uso novamente a minha resposta habitual sobre ter pessoas excepcionais trabalhando comigo por todos os Estados Unidos. Gente em que confio, na medida em que não confio em ninguém, pago bem, bla, bla, bla... mas senhorita Steele, a verdade é que, sou um foda no que faço. Para mim, tudo é muito fácil. Compro empresas em crise e mal administradas e as arrumo, ou se estiverem a sério risco de quebrarem, despojo seus bens e vendo-as ao melhor comprador. É uma simples questão de saber a diferença entre esses dois, e sempre se reduz a escolher a pessoa certa para o cargo. Para triunfar nos negócios necessita-se de boas pessoas, e posso julgar a uma pessoa, melhor que a maioria.

640

— Talvez você seja apenas sortudo. Diz em voz baixa Sorte? Um arrepiou de irritação corre sobre mim. Sorte? Não há nenhuma merda de sorte envolvida nisto, Srta. Steele.

Mostra-se humilde e tranquila, mas esta pergunta? Nunca ninguém me perguntou se tive sorte.

Trabalho duro. Junto com meus funcionários, vigio-os de perto, trato de adivinhar o que falta; e se não estão à altura afasto-os sem piedade. Isso é o que faço, e o faço bem. Não tem nada que ver com a sorte! A merda que tem algo haver com isso. Faço alarde de meu conhecimento, cito-lhe as palavras de meu empresário americano favorito.

— Você soa como um maníaco por controle — diz, e ela está perfeitamente séria.

Que merda foi isso?

Possivelmente esses olhos tímidos possam ver através de mim.

Controle é meu segundo nome. Fulmino-a com o olhar.

— Oh, eu exerço controle em todas as coisas, Senhorita Steele. —E

eu gostaria de controlá-la, aqui e agora.

Seus olhos se abrem mais. Esse atrativo rubor se estende por seu rosto uma vez mais, e morde de novo seu lábio.

Divago tratando de afastar minha concentração de sua boca.

— Além disso, o imenso poder é adquirido assegurando-se em seus devaneios secretos, que você nasceu para controlar as coisas.

— Você sente que tem imenso poder? — pergunta em um tom suave, mas levanta uma delicada sobrancelha, revelando a censura de seus olhos.

Minha irritação cresce. Ela está deliberadamente tentando me provocar? São suas perguntas, sua atitude, ou o fato de que a considero atraente que me encabula?

— Eu emprego mais de quarenta mil pessoas, Senhorita Steele. Isso me dá certo sentido de responsabilidade....

poder, se assim prefere. Se decidisse que já não me interesso mais pelos negócios de telecomunicações e vendesse tudo, vinte mil pessoas teriam grandes dificuldades em pagar suas hipotecas no final do mês então.

Sua boca fica aberta. Isso eu gosto mais. Bem feito!

Senhorita Steele.

Sinto meu equilíbrio retornar.

641

— Você não tem um conselho ao qual responde?

— Eu possuo a minha empresa. Eu não tenho que responder para um conselho — respondo bruscamente.

Deveria sabê-lo. Elevo uma sobrancelha questionando.

— E você tem algum interesse fora de seu trabalho? —

continua rapidamente, corretamente medindo minha reação. Sabe que estou zangado, e por alguma inexplicável razão isto me agrada enormemente.

— Eu tenho interesses variados, Senhorita Steele. Muito variado. — sorrio.

Imagens dela em uma variedade de posições em meu quarto de jogos passam por minha mente: encadeada à cruz, braços e pernas estendidas no poste, estendida sobre o banco de açoites. Que porra! Para onde vai isto? E

eis aqui, o rubor de novo. É como um mecanismo de defesa. Acalme-te Grey.

— Mas se você trabalha tão duro, o que você faz para relaxar?

— Relaxar? — Sorrio, essas palavras saindo de sua boca inteligente soam estranhas. Além disso, quando tenho tempo para relaxar? Não tem alguma ideia do número de companhias que controlo? Mas me olha com esses ingênuos olhos azuis, e para minha surpresa encontro a mim mesmo considerando sua pergunta. O que faço para relaxar?

Navegar, voar, agarrar... provar os limites de pequenas garotas com o cabelo marrom como os dela, e lhes levá-las ao inferno... O pensamento me faz mover em meu assento, mas lhe respondo brandamente, omitindo minhas duas atividades favoritas.

— Você investe em fabricação. Por que, especificamente?

Sua pergunta me arrasta rudemente ao presente.

— Eu gosto de construir coisas. Eu gosto de saber como as coisas funcionam: o que torna as coisas marcantes, como construir e destruir. E eu tenho um amor por navios. O que eu posso dizer? — Eles distribuem comida ao redor do planeta... tomando bens de quem os tem para os que não, e assim outra vez. Quem não deveria gostar?

— Isso soa como seu coração falando, em lugar da lógica e fatos.

Coração? Eu? OH não, bebê. Meu coração foi devorado selvagemente, a muito tempo.

642

— Possivelmente. Embora existam pessoas que diriam que eu não tenho coração.

— Por que eles diriam isto?

—Porque me conhecem bem. — Dou-lhe um sorriso irônico. De fato, ninguém me conhece tão bem, talvez Elena. Pergunto-me o que faria a Srta.

Steele. A garota é uma massa de contradições: tímida, inquieta, obviamente brilhante e excitante como o inferno.

Sim, está bem, admito-o. Ela é uma pequena peça atrativa...

Faz a seguinte pergunta da memória.

— Seus amigos dizem que você é fácil de conhecer?

— Eu sou uma pessoa muito privada, Senhorita Steele. Eu percorro um caminho longo para proteger minha privacidade. Eu não costumo dar entrevistas — Fazendo o que faço, vivendo a vida que escolhi, necessito minha privacidade.

— Por que você concordou em fazer esta aqui?

— Porque eu sou um benfeitor da Universidade, e para todos os efeitos, eu não consegui tirar a Senhorita Kavanagh de minhas costas. Ela insistiu e insistiu com meu pessoal de Relações Públicas, e eu admiro esse tipo de tenacidade.

— Você também investe em tecnologias agrícolas. Por que você está interessado nesta área?

— Nós não podemos comer dinheiro, Senhorita Steele, e existem muitas pessoas neste planeta que não tem o suficiente para comer.

— Isso soa muito filantrópico. É algo que você sente apaixonadamente? Alimentar os pobres do mundo?

Considera-me com uma expressão excêntrica como se fora uma classe de quebra-cabeças para ela, mas de forma nenhuma vou querer esses grandes olhos azuis olhando dentro de minha alma escura. Isso não é uma área aberta à discussão. Nunca.

— São negócios astutos. —Encolho-me, fingindo aborrecimento, e imagino agarrar sua boca inteligente para me distrair de todos meus pensamentos sobre a fome. Sim, essa boca necessita de educação. Agora 643

esse pensamento está aparecendo e me deixo imaginá-la de joelhos ante mim.

— Você tem uma filosofia? Nesse caso, qual é?

— Eu não tenho uma filosofia como essa. Talvez um princípio do orientador Carnegie: “Um homem que adquire a habilidade de tomar posse completa de sua própria mente, pode tomar posse de qualquer outra coisa a que ele por justiça tem direito”. Eu sou muito peculiar, impulsivo. Eu gosto de controlar, a mim mesmo e aqueles ao meu redor.

— Então você quer possuir coisas? — Seus olhos se aumentam.

Sim, bebê. Você, em primeiro lugar.

— Quero merecer possuí-las, mas sim, no resultado final, eu quero.

— Você soa como o consumidor irrevogável. — Sua voz tem um matiz de desaprovação, me enfurecendo de novo.

Soa como uma garota rica que teve tudo o que queria, mas quando olho mais de perto a sua roupa, está vestida com vestuários do Walmart, ou possivelmente da Velha Marinha, sei que não o é. Não cresceu em uma casa próspera.

Realmente poderia cuidar de você.

Merda. De onde essa merda veio? Embora agora que o considere, necessito uma nova Sub. Passou o que, dois meses desde Susannah? E aqui estou. Salivando por uma garota de cabelo marrom. Eu tento um sorriso e concordo com ela. Nada mal com o consumo... depois de tudo, é disso que vive a economia americana.

— Você foi adotado. Até que ponto você acha que isto formou o que você é?

Que merda tem que ver isso com o preço do azeite?

Franzo-lhe o cenho. Que pergunta ridícula. Se tivesse estado

com a puta viciada em crack, provavelmente teria morrido.

Deixo-a plantada sem uma resposta, tratando manter o nível de minha voz, mas ela me empurra, exigindo saber quantos anos tinha quando fui adotado. Faça-a calar, Grey!

— Esse material é de registro público, Srta. Steele. —

Minha voz é fria como aço. Ela deveria saber esta merda.

Agora parece arrependida. Bem.

— Você teve que sacrificar uma vida familiar por seu trabalho.

— Isso não é uma pergunta —cuspo.

644

Ruboriza-se de novo e morde esse maldito lábio. Mas tem a graça de desculpar-se.

— Você teve que sacrificar uma vida em família por seu trabalho?

O que eu quero com uma família de merda?

— Eu tenho uma família. Eu tenho um irmão e uma irmã e pais amorosos. Eu não estou interessado em estender minha família, além disto.

— Você é gay, Sr. Grey?

Que merda! Não posso acreditar que ela disse isso em voz alta! A pergunta não pronunciada que minha própria família não se atreve a perguntar, para mim muito menos. Como ela se atreve! Tenho que lutar com o impulso de arrastá-la de seu assento, incliná-la sobre meu joelho e açoitá-la até tirar toda a merda dela; logo fodê-la sobre meu escritório com suas mãos atadas fortemente atrás de suas costas. Isso responderia sua pergunta. O quão frustrante é esta mulher? Tomo uma respiração profunda e tranquilizadora. Para meu prazer vingativo, ela parece extremamente envergonhada por sua própria pergunta.

— Não, Anastásia, não o sou. — Levanto minhas sobrancelhas, mas mantenho minha expressão impassível.

Anastásia. É um nome encantador.

Eu gosto da forma em que minha língua o envolve.

— Eu peço desculpas. Isto está hum… escrito aqui. —

nervosa, coloca seu cabelo atrás de sua orelha.

Não conhece suas próprias perguntas. Talvez não sejam dela.

Pergunto-lhe e fica pálida. Merda, ela é realmente atraente, em uma forma discreta. Inclusive chegaria a dizer que é formosa.

— Éee… não. Kate, a Srta. Kavanagh, ela compilou as perguntas.

— São colegas do jornal estudantil?

— Não, é minha companheira de quarto.

Não é assombroso que esteja em todas as partes. Arranho meu queixo, debatendo se lhe dou um mau momento.

— Você se voluntariou para fazer esta entrevista? —

pergunto e sou recompensado com seu olhar submisso: olhos grandes, nervosos por minha reação. Eu gosto do efeito que tenho nela.

— Eu fui sorteada. Ela não está bem. — diz brandamente.

645

— Isso explica muitas coisas.

Há uma batida na porta e aparece Andrea.

— Sr. Grey, perdoe-me por interromper, mas sua próxima reunião será em dois minutos.

— Nós não terminamos aqui, Andrea. Por favor, cancele minha próxima reunião.

Andrea assente, me olhando boquiaberta. Olho-a. Fora!

Agora! Estou ocupado com a pequena Senhorita Steele aqui. Andrea se ruboriza, mas se recupera logo.

— Muito bem, Sr. Grey — diz, e girando sobre seus pés, deixa-nos.

Volto minha atenção de novo para a intrigante e frustrante criatura em meu sofá.

— Onde estávamos Senhorita Steele?

— Por favor, não gostaria de atrapalhar suas obrigações.

OH não, bebê. É meu turno agora. Quero saber se há algum segredo que eu possa descobrir por trás desses olhos formosos.

— Quero saber sobre você. Eu acho que isto é justo. -

Enquanto me inclino para trás e pressiono meus dedos contra meus lábios, seus olhos se movem rápido para minha boca e traga. OH, sim... o efeito comum. E é tão gratificante saber que não é completamente inconsciente a meus encantos.

— Não há muito que saber — diz, retornando seu rubor.

Estou intimidando-a. Ótimo.

— Quais são seus planos depois que você se formar?

Ela se encolhe.

— Não fiz nenhum plano, Sr. Grey. Só preciso passar em meus exames finais.

— Nós temos um excelente programa de estágio aqui. —

Porra. Por que disse isso? Estou rompendo minha regra de ouro: jamais fazer sexo com minhas funcionárias. Mas Grey, não está fodendo essa garota. Ela parece surpreendida e seus dentes se afundam de novo em seu lábio. Por que isso é tão excitante?

— Oh. Eu vou pensar nisto — resmunga. Depois, em um último momento diz: — Ainda que eu não tenha certeza se me encaixaria aqui.

646

Por que diabos não? O que está mal com minha companhia?

— Por que diz isso? — pergunto.

— É óbvio, não é?

— Não para mim. — Sua resposta me confunde.

Ela está nervosa de novo quando se estira pelo mini gravador. Merda.

Está indo. Mentalmente, percorro meus horários para essa tarde... não há nada que me entretenha.

— Você gostaria que eu mostrasse ao redor?

— Eu estou certa que você está extremamente ocupado, Sr. Grey, e eu tenho uma longa viagem.

— Você vai dirigindo de volta para a WSU34 em Vancouver? — Olho através da janela. Esse tipo de viagem é um inferno e está chovendo, mas não posso proibi-la. O

pensamento me irrita.

— Bem, é melhor você dirigir com cuidado. — Minha voz é mais severa do que me proponho.

Ela guarda o mini gravador. Ela quer sair de meu escritório e, por alguma razão que não posso explicar, não quero que vá.

— Você conseguiu tudo o que precisa? — Adiciono em um claro intento de prolongar sua estadia.

— Sim, senhor — diz lentamente.

Sua resposta me deixa aniquilado, a forma em que soam essas palavras, saindo dessa boca inteligente, e brevemente imagino a essa boca a minha disposição e me chamando.

— Obrigada pela entrevista, Sr. Grey.

— O prazer foi meu — respondo sinceramente, faz muito tempo que não estou fascinado por alguém. O pensamento é inquietante.

Ela para e estendo minha mão, impaciente por tocá-la.

— Até a próxima, Senhorita Steele. —Minha voz é baixa e ela coloca sua pequena mão na minha. Sim, quero açoitar e foder a esta garota em meu quarto de jogos. Tê-la atada e esperando... necessitando-me, confiando em mim. Trago.

Isso não vai acontecer, Grey.

34 WSU – Washington State University – Universidade Estadual de Washington 647

— Sr. Grey. — Ela assente e retira sua mão, rápido... muito rápido.

Merda, não posso deixar que vá assim. É óbvio que está desesperada para sair daqui. A irritação e inspiração me

golpeiam simultaneamente quando a vejo fora.

— Só assegurando que você passe pela porta, Senhorita Steele Ela se ruboriza novamente, uma deliciosa sombra rosada.

—Isso é muito amável de sua parte, Sr. Grey — cospe.

A Senhorita Steele tem dentes! Sorrio atrás dela quando sai e a sigo em seu caminhar. Tanto Andrea como Olivia levantam o olhar com surpresa.

Sim, sim. Só estou vendo a garota sair.

— Você tem um casaco? —pergunto.

— Sim.

Franzo o cenho a Olivia, quem imediatamente salta para recuperar seu casaco. Pegando-o, a olho para que saia.

Jesus, Olivia é irritante...

girando ao meu redor todo o tempo. Hmm. O casaco é do Walmart. A Senhorita Anastásia Steele deveria estar melhor vestida.

Sustento-o para ela e o coloco sobre seus ombros magros, toco a pele da base de seu pescoço. Ela fica quieta ante o contato e empalidece. Sim! Ela está afetada por mim. Saber disso é imensamente prazeroso. Caminhando para o elevador, pressiono o botão para chamá-lo enquanto ela está parada inquieta ao meu lado.

OH, eu posso acalmar seus nervos, bebê.

A porta se abre e ela se escorre dentro, logo se vira para me enfrentar.

— Anastásia — murmuro, dizendo adeus.

— Christian — ela sussurra. E as portas do elevador se fecham, deixando meu nome pendurado no ar, soando estranho, desconhecido, mas atrativo como o inferno.

Porra. O que foi isso?

Preciso saber mais sobre esta garota.

— Andrea — cuspo quando caminho de volta a meu escritório—.

Ponha o Welch na linha, agora.

648

Enquanto me sento no escritório e espero a chamada, olho as pinturas na parede de meu escritório, e as palavras da Senhorita Steele retornam a mim: "Elevando o ordinário ao extraordinário". Facilmente ela poderia estar se descrevendo.

Meu telefone vibra.

— Welch está na linha para você.

— Passe a ligação.

— Sim, senhor.

— Welch, necessito uma investigação profunda.

Sábado, Maio 14, 2011

Anastasia Rose Steele FDN: 10 de Setembro de 1989, Montesano, WA Direção: 1114 SW Green Street, Apartamento 7, Haven Heights, Vacouver, WA 98888

N° do Móvel: 360 959 4352

N°. do Seguro Social: 987-65-4320

Detalhes Bancários: Banco Wells Fargo, Vancouver, WA 98888

Cta. N°.: 309361: $683.16 balanço Ocupação: Estudante de graduação da WSU Universidade de Artes Liberais de Vancouver -Estudante de Inglês Média de qualificações: 4.0

Pontos SAT: 2150

Emprego: Ferragista Clayton NW Vancouver Drive, Portland, OR (Meio tempo) Pai: Franklin A. Lambert FDN: 1

de Setembro de 1969, Falecido em 11 de Setembro de 1989

Mãe: Carla Mai Wilks Adams FDN: 18 de Julho de 1970

Marido: Frank Lambert -1 de Março de 1989, enviuvada em 11 de Setembro de 1989

Marido: Raymond Steele 649

-6 Junho de 1990, divorciada em 12 Julho de 2006

Marido: Stephen M. Morton - 16 de Agosto de 2006, divorciada em 31 de Janeiro de 2007

Marido: Robbin (Bob) Adams -6 de Abril de 2009

Filiações Políticas: Nenhuma Encontrada Filiações Religiosas: Nenhuma Encontrada Orientação Sexual: Desconhecida Relações: Nenhuma indicada até o presente.

Li atentamente o resumo da investigação pela centésima vez, desde que o recebi a dois dias, procurando compreender a enigmática Senhorita Anastásia Rose Steele.

Não consigo tirar da cabeça a maldita mulher, e de verdade está começando a me incomodar. Esta última semana, durante reuniões particularmente entediantes. Encontrei-me repetindo a entrevista em minha cabeça. Seus dedos trementes no gravador, a forma em que colocava o cabelo atrás da orelha, como mordia o lábio. Essa mordida no lábio me acompanhou todo o tempo.

E agora, aqui estou estacionado fora da Clayton, a modesta loja de ferragens nos subúrbios de Portland, onde ela trabalha.

É um idiota, Grey. Por que você está aqui?

Sabia que estaria. Toda a semana... soube que tinha que vê-la de novo. Soube-o desde que pronunciou meu nome no elevador e desapareceu nas profundidades de meu edifício.

Tentei resistir. Esperei cinco dias, cinco condenados dias para ver se poderia esquecê-la. E não sou dos que espera, odeio esperar... por algo. Nunca persegui ativamente a uma mulher antes. As mulheres que tive entendiam o que eu esperava delas. Meu medo agora é que a Senhorita Steele seja muito jovem e que não esteja interessada no que tenho para oferecer... ou sim? Será, inclusive, uma boa submissa?

Sacudo a cabeça. Só há uma maneira de averiguá-lo...

assim, estou aqui, como um maldito idiota, sentado em um estacionamento suburbano em uma deprimente parte de Portland.

650

A investigação sobre seus antecedentes não revelou nada extraordinário, exceto a última linha, que esteve na vanguarda de minha mente. É a razão pela que estou aqui.

Por que não tem namorado, Senhorita Steele? Orientação sexual desconhecida, talvez seja lésbica. Bufo, pensando que é pouco provável. Lembro a pergunta que fez durante a entrevista, sua verdadeira vergonha, a forma em que sua pele se ruborizou num pálido rosa...

Merda. Estive sofrendo com estes ridículos pensamentos desde que a vi.

É por isso que estou aqui.

Anseio vê-la de novo, aqueles olhos azuis que me perseguem, inclusive em meus sonhos. Não a mencionei ao Flynn, e me alegro, porque agora estou comportando-me como um perseguidor. Talvez devesse dizer-lhe, rolo meus olhos, não o quero me incomodando sobre essa situação. Só necessito de uma distração... e justo agora a única distração que quero está trabalhando como atendente em uma loja de ferragens.

Você veio até aqui. Vejamos se a pequena Senhorita Steele é tão atrativa como você se lembra.

Hora do espetáculo, Grey. Saio do carro e caminho através do estacionamento para a porta principal. O sino ressoa uma suave nota enquanto entro. A loja é muito maior do que parece do lado de fora, e embora seja quase na hora do almoço o lugar está tranquilo, para um sábado.

Há corredores e corredores do lixo usual que esperaria.

Tinha esquecido todas as possibilidades que uma loja de ferragens poderia apresentar a alguém como eu. Supro minhas necessidades comprando online, mas enquanto esteja aqui, possivelmente me farei com uns quantos itens...

velcro, aros metálicos... sim. Encontrarei à deliciosa Srta.

Steele e me divertirei um pouco.

Levo três segundos para localizá-la. Está encurvada sobre o mostrador, olhando fixamente a tela do computador e comendo seu almoço...

um bagel. Sem pensar, limpa um miolo da comissura de seus lábios e o mete em sua boca, lambendo seu dedo. Meu pau se retorce em resposta.

651

Porra! Quantos anos tenho, quatorze? Minha reação é condenadamente irritante. Possivelmente esta resposta adolescente se deterá se a encadeio, fodo e açoito... e não necessariamente nessa ordem. Sim. Isso é o que necessito.

Está completamente concentrada em sua tarefa, e isso me dá a oportunidade de estudá-la. Deixando de lado os pensamentos lascivos, ela é atraente, verdadeiramente atraente. Recordo-a bem.

Levanta o olhar e congela, imobilizando-me com uns inteligentes e exigentes olhos, os mais azuis de todos os azuis parecem ver através de mim.

É tão enervante como a primeira vez que a vi. Ela só olha surpreendida, acredito eu, e não sei se esta é uma boa ou uma má resposta.

— Senhorita Steele. Que surpresa tão agradável.

— Sr. Grey — sussurra, velada e nervosa. Ah... uma boa resposta.

— Estava pela área. Preciso comprar algumas coisas. É

um prazer verte de novo, Senhorita Steele. — Um verdadeiro prazer. Está vestida com uma camiseta apertada e jeans, não a merda sem forma que estava usando anteriormente esta semana. Tem largas pernas, cintura pequena e seios perfeitos. Continua boquiaberta, e tenho que resistir a urgência de me estirar para tomar sua boca.

Voei de Seattle só para te ver, e a forma em que te vejo agora mesmo, valeu a pena à viagem.

— Ana. Meu nome é Ana. No que posso ajudá-lo, Sr. Grey?

— Toma uma respiração profunda, endireita os ombros como o fez na entrevista, e me dá um falso sorriso que estou seguro se reserva só para os clientes.

Que comece o jogo, Senhorita Steele.

— Há alguns itens que eu preciso. Para começar, eu gostaria de algumas braçadeiras.

Seus lábios se separam enquanto inala bruscamente.

Estaria surpreendida do que posso fazer com umas quantas braçadeiras, Senhorita Steele.

— Nós temos de vários comprimentos. Eu devo mostrar a você?

— Por favor. Vá à frente, Senhorita Steele.

652

Sai de trás do mostrador e faz gestos para um dos corredores. Está usando tênis. Ociosamente me pergunto como ficaria com saltos super altos.

Laboutines... nada mais que Laboutines.

— Elas estão junto aos bens elétricos, no corredor oito. —

Sua voz fraqueja enquanto se ruboriza... de novo.

Está afetada por mim. A esperança floresce em meu peito.

Não é gay, então. Sorrio com suficiência.

— Depois de você — murmuro, assinalando com minha mão para que ela guie o caminho. Deixando-a caminhar adiante, tenho espaço e tempo para admirar seu fantástico traseiro. Realmente é o pacote completo: doce, cortês, e formosa com todos os atributos físicos que valoro em uma submissa. Mas a pergunta de um milhão de dólares é, ela poderia ser uma submissa? Provavelmente não sabe nada do estilo de vida, meu estilo de vida, mas quero bastante introduzi-la a ele. Está indo muito além de ti mesmo com isto, Grey.

— Você está em Portland a negócios? — pergunta, interrompendo meus pensamentos. Sua voz é alta, tentando fingir desinteresse. Aquilo me faz rir, o que é refrescante. As mulheres raramente me fazem rir.

— Eu estava visitando a divisão agrícola da universidade.

Que está localizada em Vancouver — minto. De fato, estou aqui para vê-la, Senhorita Steele. Ruboriza-se, e me sinto

como uma merda. — Eu estou atualmente financiando algumas pesquisas lá, sobre rotação de colheita e ciência do solo. — Isso, ao menos, é verdade.

— Tudo parte de seu plano de alimentar o mundo? — Seus lábios mudam com um meio sorriso.

— Algo assim — murmuro. Está rindo de mim? OH, eu adoraria deter isso, que estais fazendo. Mas, como começar? Possivelmente com um jantar, mais que a usual entrevista.... Agora, isso seria uma novidade; levar a um suposto para jantar.

Chegamos às braçadeiras, que estão organizadas por tamanhos e cores. Distraidamente meus dedos riscam os pacotes. Poderia simplesmente convidá-la para sair. Como em um encontro? Ela viria? Quando a olho, está examinando seus dedos nervosos. Não pode me olhar... isso é prometedor.

653

Seleciono as amarras mais largas. São mais flexíveis, depois de tudo, podem acomodar dois tornozelos e dois braços de uma vez.

— Estes servirão, — murmuro, e ela se ruboriza de novo.

— Gostaria de mais alguma coisa? — diz rapidamente. Ou está sendo super atenta ou quer me tirar da loja, não sei qual das duas.

— Eu gostaria de algumas fitas adesivas.

— Você está redecorando sua casa?

Reprimo meu sorriso — Não, não estou redecorando. —

Nunca segurei uma broca ou coisa do gênero. O

pensamento me faz sorrir, tenho gente que faz toda essa merda.

— Por aqui — murmura ela, parecendo infeliz. — A fita adesiva está no corredor de decoração.

Vamos, Grey. Não tem muito tempo. Envolva-a em uma conversa.

— Trabalha aqui há muito tempo? — É óbvio, já sei a resposta.

Diferente de algumas pessoas, eu faço minha investigação. Ela se ruboriza uma vez mais. Cristo, essa garota é tímida. Será que existe salvação?

Ela dá volta rapidamente e caminha pelo corredor para a seção etiquetada como DECORAÇÃO. Sigo-a ansiosamente.

O que sou, um condenado cachorrinho?

— Quatro anos — murmura quando alcançamos a fita adesiva. Inclina-se e agarra dois rolos, cada um de diferente largura.

— Eu vou levar essa — digo. A fita mais larga é muito mais eficiente como mordaça. Quando penso nisso, as pontas de nossos dedos se tocam, brevemente. Aquilo ressoa em minha virilha.

Porra!

Ela empalidece.

— Algo mais? — Sua voz é suave e rouca.

Cristo, estou tendo o mesmo efeito nela que o dela em mim.

Possivelmente...

— Algumas cordas, eu acho.

— Por aqui. — Rapidamente sai do corredor, dando-me outra oportunidade para apreciar seu precioso traseiro.

654

— Que tipo você está procurando? Nós temos corda de filamento sintético e natural… barbantes... fio de corda…

Merda. Detenha. Rosno internamente, tentando separar a imagem dela suspensa no teto de meu salão de jogos.

— Eu vou levar cinco metros de corda de filamentos naturais, por favor. — É mais espessa e esfrega mais quando se luta contra ela... minha corda preferida.

Um estremecimento se desliza por seus dedos, mas eficientemente mede os cinco metros. Tirando uma faca de

utilidade de seu bolso direito, corta a corda em um suave gesto, enrola-a cuidadosamente e a ata com um nó corrediço. Impressionante.

— Você era Escoteira?

— Só organizada, as atividades em grupo não são realmente minha praia, Sr. Grey.

— E qual é a tua praia, Anastásia? — Apanho seu olhar, e suas íris se dilatam enquanto olho-a fixamente. Sim!

— Livros — sussurra.

— Que tipo de livros?

— Oh, você sabe. O habitual. Os clássicos. Literatura britânica, principalmente.

Literatura britânica? Brontë e Austen, com certeza. Todas essas classes românticas de corações e flores.

Porra. Isso não é bom.

— Você precisa de alguma outra coisa?

— Eu não sei. O que mais me recomendaria?

Quero ver sua reação.

— Para um trabalho manual? — pergunta, surpreendida.

Quero rir, dar uma gargalhada. OH, bebê, HTM não é meu.

Aceno a cabeça, sufocando minha diversão. Seus olhos passam por meu corpo e fico tenso. Está me revisando!

Porra.

— Macacões — espeta.

655

É a coisa mais inesperada que ouvi sua doce e inteligente boca desde a pergunta de "é você gay".

— Você não quer estragar sua roupa.

Faz gestos para meus jeans, envergonhada uma vez mais.

Não posso resistir.

— Eu sempre posso lavá-las.

—Um. — ruboriza-se e olha para o piso.

— Eu vou levar alguns macacões. Deus me livre de arruinar qualquer roupa — murmuro para tirá-la de sua

miséria. Sem uma palavra, volta e anda com brio pelo corredor, e uma vez mais a sigo em seu tentador caminhar.

— Você precisa de mais alguma outra coisa? — diz sem fôlego, me passando um par de macacões azuis. Está mortificada, seus olhos ainda baixo, o rosto ruborizado.

Cristo, ela me faz coisas.

— Como está indo o artigo? — pergunto com a esperança de que relaxe um pouco.

Levanta o olhar e me dá um breve sorriso de alívio.

Finalmente.

— Eu não estou escrevendo-o, Katherine está. A Srta Kavanagh.

Minha companheira de quarto, ela é a escritora. Ela está muito feliz com isto. Ela é a editora da revista, e ficou devastada por não poder fazer a entrevista pessoalmente.

Foi a oração mais larga que me dirigiu desde que nos vimos a primeira vez, e está falando de alguém mais, não de si mesmo. Interessante.

Antes que possa comentar, ela acrescenta: — Sua única preocupação é que ela não tem nenhuma fotografia original sua.

A tenaz Senhorita Kavanagh quer fotografias. Coisas de publicidade, hein? Posso fazer isto. Permitiria-me passar mais tempo com a deliciosa Senhorita Steele.

— Que tipo de fotografia ela quer?

Ela me olhe por um momento, logo sacode a cabeça.

656

— Bem, estou por perto. Amanhã talvez... — Posso ficar no Portland.

Trabalhar de um hotel. Um quarto no Heathman, talvez.

Necessitarei que Taylor me traga o computador e um pouco de roupa. Ou Elliot... a menos que esteja viajando, que é seu MO usual no fim de semana.

— Você estaria disposto a participar de uma sessão de fotos?

Ela não pode conter sua surpresa.

Dou-lhe um breve assentimento. Estaria surpreendida do que faria para passar mais tempo contigo, Senhorita Steele... de fato, também o estou.

— Kate ficará encantada se nós pudermos achar um fotógrafo.

Sorri e seu rosto se ilumina como um amanhecer de verão. Cristo é impressionante.

— Avise-me sobre amanhã. -Tiro um cartão de minha carteira-. — Meu cartão. Tem meu número do celular nele.

Você precisa chamar antes das dez da manhã.

E se não o faz, dirigir-me-ei de volta a Seattle e esquecerei tudo sobre esta estúpida aventura. O

pensamento me deprime.

— Ok. — Continuo sorrindo.

— Ana! — Ambos damos a volta quando um jovem homem, casual, mas caramente vestido aparece ao final do corredor. Ele é todo sorrisos para a Senhorita Stelee. Quem demônios é este babaca?

— Ah, com licença por um momento, Sr. Grey.

Caminha para ele e o maldito a engole em um abraço de gorila. Meu sangue se esfria. É uma resposta primitiva. Tire suas malditas garras dela.

Empunho minhas mãos e sou ligeiramente acalmado, quando vejo que ela não faz nenhum movimento para lhe devolver o abraço.

Caem em uma conversação sussurrada. Merda, talvez os dados do Welch esteja errados. Talvez este tipo seja seu namorado. Parece da idade adequada, e não pode afastar seus ambiciosos olhos dela. Sustenta-a por um momento à altura do braço, examinando-a, logo separa com seu braço descansando tranquilamente sobre seu ombro. É um gesto aparentemente casual, mas sei que está tomando partido e me dizendo que retroceda. Ela parece envergonhada, movendo-se de um pé a outro.

657

Merda. Deveria ir. Logo lhe diz algo e se move para fora de seu alcance, tocando seu braço, não sua mão. Está claro que não são próximos.

Bem.

— Ah... Paul, este é Christian Grey. Sr. Grey, este é Paul Clayton. Seu irmão é o dono da loja.

Ela me dá um estranho olhar que não entendo e continua:

— Conheço Paul desde que trabalho aqui, embora não nos vemos com tanta frequência. Voltou de Princeton, onde estuda administração de empresas.

O irmão do chefe, não um namorado. A quantidade de alívio que sinto é inesperada, e isso me faz franzir o cenho.

Esta mulher de verdade se colocou sob minha pele.

— Sr. Clayton. — Meu tom é deliberadamente cortante.

— Sr. Grey. — Aperta minha mão ligeiramente. Condenado idiota—.

Espera... não é o Christian Grey? Da Grey Enterprises Holdings? — Em um batimento de coração o vejo trocar de territorial a servil.

Sim, esse sou eu, babaca.

— Uau... há algo que possa lhe oferecer?

— Anastásia está me ajudado, Sr. Clayton. Ela tem sido muito atenciosa. — Agora, foda-se.

— Legal — diz com fervuras respeitosa, seus olhos amplos. — Vejo-te logo, Ana.

— Certo, Paul — ela diz, e ele parte com pressa, graças a Deus.

Observo-o desaparecer pela parte traseira da loja. — Algo mais, Sr. Grey?

— Só estes itens — murmuro. Merda, não tenho tempo, e ainda não sei se vou vê-la de novo. Tenho que saber se há esperança no inferno de que ela considere o que eu tenho em mente.

Como lhe pergunto? Estou preparado para tomar uma nova submissa, uma que não sabe nada? Merda. Ela vai necessitar treinamento substancial. Rosno internamente ante todas as possibilidades interessantes que isto apresenta... que me fodam, chegar ali vai ser meio divertido. Estará inclusive interessada? Ou entendo tudo isto mau?

658

Dirige-se para o caixa e registra minhas compras, enquanto isso mantém seu olhar abaixo. Olhe-me, maldita seja! Quero ver seus formosos olhos azuis de novo e calcular o que está pensando.

Finalmente levanta a cabeça.

— Isso deu quarenta e três dólares, por favor.

Isso é tudo?

— Você gostaria de uma sacola? — pergunta, deslizando em um modo de despedida enquanto passo meu cartão.

— Por favor, Anastásia. — Seu nome, um formoso nome para uma formosa garota, desenrola-se em minha língua.

Ela empacota os artigos rápida e eficientemente na sacola. Isso é tudo. Tenho que ir.

— Você me liga se você quiser que eu faça a sessão de fotos?

Ela assente enquanto me devolve o cartão de crédito.

— Ótimo. Até amanhã talvez. — Não posso só ir. Tenho que lhe fazer saber que estou interessado. — Ah, e Anastásia, eu estou feliz que a Senhorita Kavanagh não pôde fazer a entrevista. — me deleitando em sua surpreendida expressão, penduro a sacola sobre meu ombro e caminho para fora da loja.

Sim, contra meu melhor julgamento, a desejo.

Agora tenho que esperar... maldita seja, esperar... de novo.

659

 

Agradecimento!

Nosso agradecimento a todas as tradutoras, revisoras e formatadoras que fizeram esse trabalho possível.

A nosso publico que nós acompanhou em todos os lançamentos A E.L James por essa historia maravilhosa, e ao nosso casal eternamente favorito!

E por fim, as moderadoras do grupo PL,PRT e TAD, por organizarem esse lançamento espetacular.

A parceria, momentaneamente se despede, aguardando um próximo trabalho.

 

Nos vemos por ai!

660

Série 50 tons de cinza:

661

Document Outline

OdinRights

Você terminou Cinquenta Tons de Liberdade

E.L. James

Livros como este