Covid-19: Guia Prático de Infectologia
05. Tratamento e cuidados intensivos
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Tratamento e cuidados intensivos
Alberto dos Santos de Lemos
Isabel Cristina Melo Mendes
► ABORDAGEM INICIAL E MANEJO DE CASOS LEVES
É importante compreender que a abordagem clínica dos pacientes pode
ser diferenciada a depender da fase da epidemia, de novas descobertas
científicas, dos recursos disponíveis, de particularidades institucionais e
das orientações das autoridades. Este capítulo apresenta uma proposta
que pretende auxiliar o clínico em sua prática, não uma diretriz rígida
aplicável em qualquer contexto. Reforça-se, contudo, que o manejo
inicial de sintomáticos respiratórios deve sempre seguir as normas de
biossegurança preconizadas para proteção dos profissionais. O capítulo 6
traz mais detalhes a respeito.
Diante de um paciente com suspeita clínica de COVID-19, é
fundamental determinar a presença de critérios de gravidade que
justifiquem a internação. A correta identificação dos casos de menor
risco permite que parte dos pacientes seja tratada em sua própria casa, o
que é fundamental em um momento de sobrecarga da rede hospitalar.
Apesar de a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendar que
todos os casos confirmados sejam avaliados em unidades de saúde, o
órgão reconhece que essa conduta é impraticável na maioria dos países e
faz recomendações específicas sobre o tema, nas quais as propostas são
baseadas.
Caso o médico avalie que o paciente apresenta um quadro de infecção
de vias aéreas superiores sem sinais de gravidade, e não apresente
características associadas a mau prognóstico, sugere-se a seguinte
conduta1:
Notificação de caso suspeito de acordo com as determinações das autoridades sanitárias locais.
É possível realizar a notificação on-line no endereço: https://notifica.saude.gov.br/onboard,
após a criação de conta pelo profissional de saúde (necessário número do CNES).
Realizar testes diagnósticos para a detecção de SARS-CoV-2 e outros patógenos das vias
respiratórios sempre que os exames estiverem disponíveis (ver Capítulo 4 para mais detalhes).
Prescrição de repouso, atestado para afastamento do trabalho por 14 dias se sintomáticos. Anti-
inflamatórios não hormonais devem ser evitados.
Os medicamentos de uso contínuo ambulatorial devem ser mantidos, se possível. Não há
evidência do benefício da suspensão de medicamentos como inibidores da enzima conversora
de angiotensina (ECA), bloqueadores de receptores da angiotensina e estatinas, e sua retirada
pode descompensar as doenças de base.
O paciente deve manter contato remoto com o sistema de saúde diariamente e informar seu
estado. Caso confirme piora do estado clínico, deve ser orientado a procurar uma unidade de
saúde ou ser avaliado na própria casa. Existem iniciativas já em andamento que buscam fazer a
gestão inteligente desse fluxo a distância pelos órgãos de vigilância. Caso essa conduta não
seja possível, o paciente deve ser instruído a reconhecer sinais de piora e retornar à unidade de
saúde quando os identificar.
Durante o isolamento social e a recuperação em casa, o paciente deve
se manter em ambiente bem ventilado. Caso não seja possível
permanecer sozinho, as demais pessoas da casa também devem ser
orientadas em relação a sintomas e cuidados de isolamento a serem
tomados. A limpeza do ambiente em que o paciente estiver isolado deve
ser feita diariamente, assim como a lavagem das roupas. A abordagem é
detalhada no Capítulo 7.
Cabe recordar que o quadro clínico da COVID-19 é, na maioria das
vezes, idêntico ao de outras viroses respiratórias. Entre essas doenças, a
influenza é a única que conta com tratamento medicamentoso específico.
O oseltamivir e o zanamivir são inibidores da neuraminidase com ação
antiviral direta contra o vírus influenza, e o primeiro é fornecido pelo
SUS. O Ministério da Saúde recomenda o uso do oseltamivir para o
tratamento empírico de influenza em quadros de SRAG ou de síndrome
gripal com fatores de risco para a complicação da doença em até 72
horas de início dos sintomas2. Apesar de a maioria ter indicação de
internação, o médico pode se deparar com casos mais leves, que podem
ser manejados remotamente. A dosagem de oseltamivir em diferentes
situações é apresentada no Quadro 1. As situações de risco de progressão
para complicações da influenza são listadas no Quadro 2.
▷ Quadro 1 2 Dosagem de oseltamivir para o tratamento empírico de influenza
Adultos
Dose-padrão (clearance de creatinina > 60 mL/min) 75 mg,12/12 h, por 5 dias
Clearance de creatinina > 30-60 mL/min 30 mg, 12/12 h, por 5 dias
Clearance de creatinina >10-30 mL/min 30 mg, 1 x/dia, por 5 dias
Clearance de creatinina ≤ 10 mL/min em hemodiálise 30 mg após cada sessão por 3 sessões
Clearance de creatinina ≤ 10 mL/min em diálise peritoneal Dose única de 30 mg imediatamente após a
contínua ambulatorial troca da diálise
Crianças a partir de 1 ano de idade
> 40 kg 75 mg, 12/12 h, por 5 dias
> 23-40 kg 60 mg, 12/12 h, por 5 dias
> 15-23 kg 45 mg, 12/12 h, por 5 dias
≤ 15 kg 30 mg, 12/12 h, por 5 dias
Crianças abaixo de 1 ano de idade
9 a 11 meses 3,5 mg/kg/dose, 12/12 h, por 5 dias
0 a 8 meses 3 mg/kg/dose, 12/12 h, por 5 dias
RN > 40 semanas de idade gestacional 3 mg/kg/dose, 12/12 h, por 5 dias
RN de 38 a 40 semanas de idade gestacional 1,5 mg/kg/dose, 12/12 h, por 5 dias
RN até 37 semanas de idade gestacional 1 mg/kg/dose, 12/12 h, por 5 dias
Observação: o oseltamivir está disponível no SUS em cápsulas de 30 mg, 45 mg e 75 mg, que podem ser
abertas e o conteúdo diluído em água para formar solução de 10 mg/mL.
▷ Quadro 2 Indivíduos considerados com condições de risco para complicações da
influenza 2
Gestantes em qualquer período
Puérperas até duas semanas depois do parto (incluindo as que tiveram aborto ou perda fetal)
Crianças menores de 5 anos (especialmente se menor de 6 meses)
População indígena aldeada
Uso prolongado de ácido acetilsalicílico (risco de síndrome de Reye)
Cardiopatas (excluindo hipertensão arterial sistêmica não complicada)
Pneumopatas (incluindo asma)
Nefropatas
Hepatopatas
Pessoas com doenças hematológicas (incluindo anemia falciforme)
Pessoas com doenças metabólicas, incluindo diabetes
IMC ≥ 40 kg/m2
Pessoas que vivem com HIV com CD4 < 200 células/ mm3
Transplantados
Pessoas com neoplasias, especialmente se estiverem em quimioterapia
Usuários de drogas imunossupressoras (incluindo prednisona > 20 mg/dia por mais de 14 dias)
Pessoas com transtornos neurológicos e do desenvolvimento que possam comprometer a função respiratória ou aumentar o risco de aspiração (disfunção cognitiva, lesão medular, epilepsia não controlada, paralisia cerebral, síndrome de Down, acidente vascular encefálico ou doenças neuromusculares)
HIV: vírus da imunodeficiência humana; IMC: índice de massa corporal.
► INTERNAÇÃO
Devem ser hospitalizados todos os casos suspeitos de COVID-19 que
apresentem3:
Pneumonia com sinais de gravidade.
SRAG, independentemente da história epidemiológica.
Sepse.
Descompensação de doenças de base.
Devem-se identificar prontamente os sinais de gravidade dos casos de
pneumonia, como cianose, sinais de esforço respiratório (batimento da
asa do nariz, uso de musculatura intercostal, respiração subcostal),
saturação periférica de O inferior a 95% em ar ambiente, hipotensão, 2
alteração do estado mental e taquipneia (> 24 irpm em adultos). Em
crianças, outros sinais devem ser considerados de alerta, como a
incapacidade de ingerir leite materno ou outros alimentos, e deve-se
considerar a taquipneia compatível com a idade (até 2 meses: ≥ 60 irpm;
2 a 11 meses: ≥ 50 irpm; 1 a 5 anos: ≥ 40 irpm; 5 a 12 anos: ≥ 30 irpm)3.
É importante lembrar que pacientes imunossuprimidos e pessoas que
fazem uso continuado de drogas antitérmicas podem não apresentar
febre. Comunicantes de casos confirmados podem apresentar-se em fase
muito inicial da doença, também ainda sem febre3. A Figura 1 apresenta
um fluxograma de guia para internação.
Identificada a necessidade de internação, deve-se proceder à
notificação do caso. O setor que irá receber o paciente deve ser
comunicado e todas as medidas de biossegurança devem ser
implementadas, conforme apresentado no Capítulo 6. O cuidado do paciente deve ser integral e envolver toda a equipe de saúde. A
propedêutica para diagnóstico etiológico foi descrita no Capítulo 4.
▷Figura 1 Proposta de fluxograma para indicação de hospitalização dos casos
suspeitos de COVID-19.
À admissão, recomenda-se avaliação laboratorial, além dos exames
para diagnóstico específico, para verificação de parâmetros
hematológicos e bioquímicos, assim como a realização de ECG, que
devem ser repetidos conforme indicação clínica para avaliação de complicações, como desenvolvimento de disfunção hepática e renal,
lesão miocárdica ou choque, com detalhes apresentados no Quadro 34.
Cuidados de suporte intensivos devem ser iniciados precocemente,
assim que sua necessidade for identificada. Tem-se notado que pacientes
com COVID-19 podem apresentar rápida deterioração clínica e evoluir
para necessidade de suporte invasivo de oxigênio e internação em
unidade de terapia intensiva, como exemplificado na Figura 2. Por esse
motivo, recomenda-se monitorização regular de sinais vitais, com o
objetivo de identificar precocemente o desenvolvimento de insuficiência
respiratória, sepse ou outras complicações.
▷Quadro 3 Avaliação laboratorial dos casos suspeitos de COVID-19 na admissão
Exames recomendados na admissão para avaliação do estado clínico
Gasometria arterial
Lactato
Hemograma
Glicose, ureia, creatinina
Sódio, potássio, magnésio, cálcio
Hepatograma
LDH
CPK
Troponina
TAP e PTT
D-dímero
Proteína C-reativa
Ferritina
Eletrocardiograma com medição do intervalo QTc*
Tomografia de tórax ou outro exame de imagem disponível
Exames recomendados para diagnóstico diferencial ou avaliação de comorbidades específicas
Fibrinogênio
NT-proBNP
Sorologia para hepatites A, B e C
Sorologia para HIV
Hemocultura para bactérias comuns
ß-HCG
PCR multiplex para patógenos respiratórios
* Caso sejam utilizadas medicações que alarguem o intervalo QTc ou na presença de evidências clínicas de
disfunção cardíaca.
CPK: creatinofosfoquinase; HCG: gonadotrofina coriônica humana; HIV: vírus da imunodeficiência humana;
LDH: lactato desidrogenase.
Caso o paciente tenha sinais clínicos e radiológicos de pneumonia ou
evolua para SRAG nos primeiros 3 dias de doença, é recomendado o uso
de oseltamivir para tratamento empírico de influenza, nas doses
demonstradas no Quadro 1. A duração do tratamento é de 5 dias, e este
poderá ser suspenso caso o teste molecular para o diagnóstico de
influenza em amostra respiratória esteja disponível a tempo e seja
negativo.
▷Figura 2 Proposta de fluxograma para indicação de internação em unidade de terapia
intensiva (UTI).
O tratamento para pneumonia bacteriana deve ser instituído de acordo
com o protocolo local, caso o paciente apresente sinais de sepse, SRAG
ou não seja possível excluir pneumonia bacteriana com exames
complementares. O Quadro 4 apresenta propostas de tratamento para
pneumonia bacteriana, baseadas no que é mais comumente realizado
como rotina no Brasil. A rotina de suspensão de antibióticos ou transição
para via oral não difere das boas práticas de uso racional de
antimicrobianos já consagradas5.
Pessoas que vivem com HIV/aids sem o controle adequado,
particularmente se CD4 < 200 células/mm3, podem apresentar um
quadro indistinguível clinicamente da pneumocistose. Nessa situação, a
doença deve ser tratada empiricamente. A droga de escolha é
sulfametoxazol-trimetoprim na dose apresentada no Quadro 5. Outros
estados de imunossupressão, como transplantados e pessoas com câncer,
devem ser avaliados criteriosamente a respeito do tratamento empírico
da pneumocistose, preferencialmente com auxílio de um infectologista
consultor.
Recomenda-se evitar, sempre que possível, estratégias geradoras de
aerossol – nebulizações e ventilação não invasiva4, por exemplo –,
devido ao risco de disseminação da doença com esse tipo de
procedimento. A administração de broncodilatadores ou corticoides
inalatórios para pacientes usuários crônicos deve ser mantida.
▷ Quadro 4 Esquemas de tratamento de pneumonia bacteriana em pacientes
internados no contexto da pandemia de COVID-195
Sem uso recente de antibióticos, sem fator de risco para resistência
Betalactâmico
Amoxicilina/clavulanato 500 mg/125 mg, 8/8 h, ou
Ampicilina/sulbactam 1,5-3 g, 6/6 h, ou
Ceftriaxona 1 a 2 g, 1 x/dia
+ Macrolídeo
Azitromicina 500 mg, 1 x/dia
Alergia a betalactâmicos ou macrolídeos
Levofloxacina 750 mg, 1 x/dia, ou
Moxifloxacina 400 mg, 1 x/dia
Com fatores de risco para MRSA
Associar vancomicina 15 mg/kg, 12/12 h, ou linezolida 600 mg, 12/12 h, aos esquemas anteriores ou substituir
o betalactâmico-padrão por ceftarolina fosamil 600 mg, 12/12 h
Com fatores de risco para Pseudomonas aeruginosa
Betalactâmico
Piperacilina/tazobactam 4,5 g, 6/6 h, ou
Cefepima 2 g, 8/8 h, ou
Ceftazidima 2 g, 8/8 h, ou
Meropenem 1 g, 8/8 h
+ Macrolídeo
Azitromicina 500 mg, 1 x/dia
Na suspeita de pneumocistose
Sulfametoxazol-trimetoprim com 5 mg/kg de trimetoprim a cada 6 ou 8 horas
Oservação: as doses apresentadas são aplicadas para adultos com função renal normal. Sempre verificar a
necessidade de ajuste pelo clearance de creatinina. Consulte sempre um infectologista para otimização de
doses e adequação da terapia antimicrobiana para pacientes internados com pneumonia ou SRAG.
▷ Quadro 5 8 Escore NEWS2 (RCPL)
Variável/pontuação 3 2 1 0 1 2 3
Frequência respiratória ≤ 8 9-11 12-20 21-24 ≥ 25
sO 2 (se o paciente está em ar ambiente ≤ 91 92- 94- ≥ 96
ou com O 93 95 2 suplementar) (%)
sO 2 (se o paciente tem insuficiência ≤ 83 84- 86- 88-92 ou ≥ 93 93-94 95-96 ≥ 97
respiratória com hipercapnia) (%) 85 87 em ar ambiente com com com
O2 O2 O2
Necessidade de O2 suplementar? Sim Não
Pressão arterial sistólica (mmHg) ≤ 90 91- 101- 111-219 ≥ 220
100 110
Frequência cardíaca (bpm) ≤ 40 41- 51-90 91-110 111- ≥ 131
50 130
Nível de consciência Rebaixado Alerta
Temperatura (°C) ≤ 35,0 35,1-36,1-38,0 38,1- ≥ 39,1
36,0 39,0
0-4: risco baixo; monitorização no mínimo a cada 12 h, se escore = 0, e no mínimo a cada 4-6 h, se entre 1-4.
3 em qualquer parâmetro individual: risco baixo/médio; monitorização no mínimo a cada hora; recomenda-se
reavaliação médica para determinar necessidade de mudança de frequência na monitorização.
5-6: risco médio; monitorização no mínimo a cada hora; recomenda-se reavaliação médica para determinar
necessidade de mudança de frequência na monitorização ou de transferência para unidade de cuidados
intensivos.
≥ 7: risco alto; monitorização contínua; avaliação de transferência para unidade de cuidados intensivos.
► SUPORTE VENTILATÓRIO
Para todos os pacientes com hipoxemia deve ser iniciada
oxigenoterapia suplementar com cateter nasal de 3 a 5 L/min de O 3,6,7. A 2
umidificação do oxigênio deve ser evitada. A SpO deve ser mantida 2
entre 93% e 96%. O paciente idealmente deve ser submetido a
monitorização contínua, ou pelo menos ser reavaliado a cada 2 horas.
A FiO (fração inspirada de oxigênio) de pessoas ventilando com 2
cateter nasal de baixo fluxo não deve superar 50%, e pode ser calculada
em pacientes com suplementação de O por cateter utilizando a seguinte 2
fórmula:
FiO2 (%) = 20 + 4xV, em que V é a velocidade do fluxo do cateter
Em casos de dessaturação, apesar do uso de cateter nasal (5 L/min),
pode-se optar por máscara com reservatório de oxigênio para obter a
melhor oxigenação antes da intubação, a qual pode atingir FiO de 90-2
100%7. O paciente deverá ser mantido com fluxo de oxigênio o mais
baixo possível para preservar a SpO maior que 93%. 2
O uso de escores clínicos, como o NEWS2 exposto no Quadro 5, é
recomendado por organizações como a OMS para auxiliar na
monitorização e no acompanhamento de pacientes com COVID-193,8.
Contudo, se em algum momento ocorrer o aumento das necessidades de
suplementação de O , independentemente do NEWS2, os critérios para 2
intubação devem ser seguidos.
Caso a unidade disponha de equipe multidisciplinar (médicos,
fisioterapeutas e enfermeiros) com experiência em ventilação não
invasiva (VNI) e o paciente esteja internado em quarto individual com
pressão negativa, pode-se tentar ventilação com máscara conectada a
dispositivo HME e circuito duplo do ventilador mecânico da UTI com
software de ventilação não invasiva e com filtro HEPA no ramo
expiratório7. Ajustar parâmetros pressóricos baixos: até 10 cmH 0 de 2
EPAP e no máximo 10 cmH 0 de delta de IPAP para manter SpO acima 2 2
de 93% e abaixo de 96% com FiO ≤ 50% e frequência respiratória < 24 2
irpm7. Os parâmetros devem ser mantidos por, no máximo, uma hora, e,
caso não haja melhora (ou haja piora), a VNI deve ser interrompida e o
paciente prontamente intubado e ventilado mecanicamente7. O uso de
aparelhos de VNI do tipo CPAP ou BIPAP com circuito único, com
máscaras com orifícios para vazamento, é contraindicado devido à alta
aerossolização gerada no ambiente.
A ventilação com cateter nasal de alto fluxo (CNAF) pode ser tentada
caso estejam disponíveis equipe capacitada e condições de
biossegurança, com o paciente internado em quarto individual com
pressão negativa. A CNAF deve ser iniciada com fluxo de 40 L/min e
titulada ao valor máximo tolerado para manter frequência respiratória <
25 irpm, avaliando o conforto respiratório e o alívio da dispneia7. O
paciente deve ser orientado a manter a boca fechada o máximo de tempo
possível. A seguir, a FiO deve ser titulada (iniciar com 60%) para 2
manter uma SpO de 93 a 97%. A resposta deve ser verificada em 1 hora 2
por parâmetros objetivos: SpO2: > 92%, FR < 30 irpm, FC = 70 a 100
bpm, PA ≥ 120 mmHg sistólica/ 80 mmHg diastólica), o que permite
diminuir gradativamente FiO até 30%, mantendo SpO entre 93 a 97% 2 2
por pelo menos 24 horas. A não melhora após 1 hora é indicação de
intubação, que deverá ser realizada com sequência rápida7.
Na maioria dos casos, não é a falha das medidas de VNI que indica a
intubação, pois se espera que esses procedimentos sejam realizados
apenas em uma minoria selecionada de casos. Está indicada a intubação
orotraqueal precoce nos pacientes que desenvolvem insuficiência
respiratória apesar da suplementação de oxigênio (cateter nasal com
fluxo de até 5 L/min), na presença de um dos sinais a seguir3:
SpO < 93%. 2
Frequência respiratória > 28 irpm.
PaCO > 50 mmHg. 2
pH < 7,25.
Para a realização da intubação orotraqueal, os profissionais que
participarão diretamente do procedimento devem estar adequadamente
paramentados, com EPI indicados para precaução por aerossóis e
contato. A intubação deve ser realizada pelo profissional mais
experiente, dando-se preferência à videolaringoscopia (se disponível),
com o objetivo de proteger os profissionais de saúde e aumentar as
chances de sucesso de intubação na primeira tentativa3,6. Se não houver disponibilidade desse recurso, deve-se realizar o procedimento com
laringoscópio convencional, com uso de EPI conforme apresentado no
Capítulo 6.
Na sedação para o procedimento, recomenda-se utilizar sequência
rápida, com uso de bloqueadores neuromusculares para evitar tosse3,9.
Deve-se evitar a ventilação assistida com bolsa-válvula-máscara
(AMBU) ou o uso de dispositivos supraglóticos, pelo risco de
aerossolização3,9. Uma estratégia para pré-oxigenação é o uso de máscara
com reservatório de oxigênio com o menor fluxo necessário para manter
oxigenação efetiva (sO > 93%). O Quadro 6 apresenta as medicações 2
sugeridas para indução, sedação e bloqueio neuromuscular pela
Associação de Medicina Intensiva Brasileira7. Durante o procedimento, é
importante ter vasopressores e cristaloides à disposição, pelo risco de
hipotensão após a intubação. Todos os materiais relacionados às punções
venosa e arterial deverão ser preparados antes do início da intubação
traqueal7.
▷Quadro 6 Drogas utilizadas para sequência rápida de intubação e doses sugeridas
pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB)7
Etapa Opção de droga
Pré-medicação Lidocaína 1,5 mg/kg
Indução Cetamina 1,5-2 mg/kg
Fentanil 1-2 mcg/kg
+
Etomidato 0,3 mg/kg em 30-60
segundos e 3 minutos após infusão do fentanil
Bloqueio neuromuscular Rocurônio 1,2 mg/kg
Succinilcolina 1 mg/kg
Sedação pós-intubação Midazolam e fentanil em dose titulada
Após intubação, o paciente deve ser conectado ao ventilador,
preferencialmente dotado de filtro apropriado na saída do circuito
expiratório para o ambiente. Sempre que possível, deve-se utilizar
sistema de aspiração fechado, o qual deve ser conectado imediatamente
após a intubação, no momento de conexão do paciente ao ventilador.
Caso haja capnografia na unidade, deve-se conectar o paciente ao
ventilador imediatamente após a insuflação do balonete7. A pressão do
cuff deve permanecer entre 20-30 cmH O ou 25-35 mmHg para que não 2
ocorra vazamentos e disseminação de aerossóis.
Em relação à estratégia de ventilação mecânica, preconiza-se
ventilação protetora com uso de modos controlados a pressão ou a
volume (PCV ou VCV), objetivando7,10:
Volume corrente de 6 mL/kg de peso.
Pressão de platô < 30 cmH O. 2
Pressão de distensão (= pressão de platô menos a PEEP) < 15 cmH O. 2
Frequência respiratória entre 20 e 35 irpm.
Alvo de manter pCO entre 35 e 50 mmHg. 2
A pressão expiratória final positiva (PEEP) ideal ainda não está
definida. Recomenda-se ajustar para o menor valor possível capaz de
manter uma sO entre 90 e 95%, com FiO < 60%6,7. Se houver 2 2
necessidade de FiO > 60%, é necessário utilizar a tabela PEEP/FiO 22
preconizada por The Acute Respiratory Distress Network (ARDSNet)
para PEEP baixa, de acordo com o Quadro 76,7. Não se recomenda mais
o uso de PEEP elevada, pois a experiência adquirida até o momento
demonstra hiperinsuflação pulmonar e pior evolução clínica com essa
estratégia7.
▷Quadro 7 PEEP versus FiO para encontro da melhor PEEP 2
FiO2 0,3 0,4 0,4 0,5 0,5 0,6 0,7 0,7 0,7 0,8 0,9 0,9 0,9 1,0
PEEP 5 5 8 8 10 10 10 12 14 14 14 16 18 18-24
Adaptado de: Ventilation with lower tidal volumes as compared with traditionaltidal volumes for acute lung injury
and the acute respiratory distress syndrome. The Acute Respiratory Distress Syndrome Network. N Engl J Med.
2000;342(18):1301-8.
FiO2: fração inspirada de oxigênio; PEEP: pressão expiratória final positiva.
Nos casos em que todos os parâmetros estiverem de acordo com o
preconizado e houver manutenção da relação PaO /FiO < 150, sugere-se 2 2
uso de ventilação em posição prona por período de no mínimo 16
horas3,6,7. Para realização do procedimento, o paciente deve estar
adequadamente sedado e, se necessário, curarizado. Se o paciente não
permanecer com relação PaO /FiO > 150 após ser retornado para 2 2
posição supina, pode-se colocá-lo novamente em posição prona6,7. Recomenda-se que esse procedimento seja realizado por equipe
especializada.
Em adultos com COVID-19 ventilados mecanicamente não há
evidências que justifiquem o uso rotineiro de óxido nítrico inalado, mas
algumas diretrizes consideram seu uso a 5-20 ppm6,9.
Caso ocorra piora da oxigenação, a hipótese de tromboembolismo
pulmonar deve ser considerada e investigada de acordo com os
protocolos consagrados7.
Para casos de hipoxemia refratária com PaO /FiO < 80 por 3 horas ou 2 2
< 100 por 6 horas, indica-se, sempre que disponível, a oxigenação por
membrana extracorpórea (ECMO)6,7,9.
O processo de retirada da ventilação invasiva segue os mesmos passos
e critérios dos pacientes com insuficiência respiratória grave7. Havendo
melhora clínica que permita uma superficialização da sedação, deve-se
realizar um Teste de Respiração Espontânea (TRE) se7:
Oxigenação e ventilação satisfatórias com FIO < 40% e PaO > 70-80 mmHg com PEEP < 8 2 2
cmH O. 2
pH > 7,34.
Capacidade de disparar o ventilador em modo de ventilação com pressão de suporte, de
preferência, sem sedação IV contínua.
Estabilidade hemodinâmica.
Escala de coma de Glasgow > 8.
Caso o paciente tenha sucesso no TRE, deverá ser extubado ou
desconectado do ventilador e colocado em oxigenoterapia com cateter
nasal de O a no máximo 5 L/min até não ser mais necessário7. 2
► SUPORTE HEMODINÂMICO
Todos os pacientes devem receber hidratação venosa na admissão.
Esta, porém, deve ser parcimoniosa. Não há consenso na literatura a
respeito de volumes ideais de reposição. Recomenda-se que seja seguida
a avaliação clínica, evitando a hiper-hidratação. O balanço hídrico deve
ser mantido negativo (-0,5 a -1,0 L/dia) na ausência de choque6.
A prevalência de choque em pacientes adultos com COVID-19 é
altamente variável (de 1% a 35%), dependendo da série estudada6. Em
adultos com COVID-19 e choque, a Sociedade Europeia de Medicina Intensiva recomenda o uso de parâmetros dinâmicos de temperatura da
pele, tempo de reabastecimento capilar e medição de lactato sérico na
avaliação da resposta à reposição volêmica6.
A mesma sociedade recomenda as seguintes medidas em caso de
necessidade de ressuscitação volêmica6:
Assumir estratégia conservadora de hidratação em detrimento de uma estratégia liberal.
A pressão arterial média deve atingir um alvo de 60 a 65 mmHg, em vez de alvos mais altos.
Preferir o uso de cristaloides ao de coloides, gelatinas e outros expansores plasmáticos.
Não utilizar albumina para a ressuscitação inicial rotineira.
Utilizar noradrenalina como agente vasoativo de primeira linha, em detrimento de outros
agentes.
Se a noradrenalina não estiver disponível, utilizar vasopressina ou adrenalina como agente
vasoativo.
Não utilizar dopamina se a noradrenalina estiver disponível.
Adicionar vasopressina como agente de segunda linha se a pressão arterial média-alvo (PAM)
não puder ser alcançada apenas com noradrenalina.
Se houver evidência de disfunção cardíaca apesar da ressuscitação hídrica e da noradrenalina,
adicionar dobutamina, aumentando a dose de noradrenalina.
Caso ocorra choque refratário, utilizar corticoterapia em baixa dose, como hidrocortisona
intravenosa 200 mg por dia.
► TERAPIA FARMACOLÓGICA ESPECÍFICA
Ainda não há terapia medicamentosa específica para SARS-CoV-2.
Tratamento empírico para pneumonia bacteriana e influenza deve ser
considerado em pacientes graves com SRAG e/ou sepse, conforme
descrito previamente. Diversas medicações vêm sendo estudadas como
possíveis terapias, mas, até o momento, nenhuma mostrou benefício
comprovado, e seu uso só está recomendado no contexto de ensaios
clínicos.
Até maio de 2020, mais de 600 ensaios clínicos testando medicações
para ação direta contra o SARS-CoV-2 estavam registrados na
plataforma da OMS, o que denota esforço formidável da comunidade
científica.
A posição da Sociedade Brasileira de Infectologia é de que é
compreensível que pacientes com formas graves da doença, incluindo
aqueles em ventilação mecânica, recebam tratamento compassivo de
medicamentos ainda em fase de pesquisa, preferencialmente com
avaliação dos infectologistas e intensivistas envolvidos nessa
assistência11. Tal uso deve ser feito de acordo com protocolo da
instituição e devidamente discutido com o paciente, sua família e/ou seu
representante legal, e aplicando o Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido (TCLE).
O Apêndice I deste capítulo apresenta uma lista de medicamentos de
maior destaque que vêm sendo testados para o tratamento da COVID-19.
► CUIDADOS COM A HEMOSTASIA
O tratamento de fenômenos tromboembólicos venosos não difere dos
protocolos consagrados. Todavia, dado o risco aumentado de fenômenos
trombóticos, todos os pacientes com COVID-19 confirmados ou
suspeitos admitidos no hospital devem ser tratados com profilaxia
farmacológica de tromboembolismo venoso (PFTV), a menos que haja
contraindicações12. No entanto, é importante sinalizar que os protocolos
utilizados variam muito de centro para centro e que há poucos estudos
publicados que tratam de avaliar diferentes estratégias de PFTV.
Muitos centros aumentaram a dose de anticoagulação para profilaxia
para doses intermediárias empíricas, como 0,5 mg/kg duas vezes ao dia
de enoxaparina, usando uma estratégia adaptada ao risco com doses
aumentadas com base nos níveis de D-dímero ou outros fatores
associados ao aumento do risco. Em pacientes obesos, admite-se o uso
de doses até 40 mg, 12/12 horas, de enoxaparina ou 7.500 unidades de
heparina não fracionada três vezes ao dia12,13. A enoxaparina necessita de
ajuste pela função renal.
Tem sido consenso de que o uso de enoxaparina ou heparina não
fracionada profilática em pacientes com dosagem plasmática de D-
dímero acima de 6 vezes o limite superior da normalidade resulta em
menor mortalidade12. Ainda há dados escassos a respeito do uso de
técnicas tromboelastográficas ou tromboelastométricas no manejo da
coagulopatias associada à COVID-19.
No caso da ocorrência de plaquetopenia durante PFTV, ela deverá ser
suspensa4. Não há evidências de que a troca de medicamentos
anticoagulantes de uso crônico para outras indicações por heparina
oferece algum benefício. Considera-se prudente manter essas medicações e não associar heparina não fracionada ou de baixo peso
molecular.
Após a alta hospitalar, parece razoável empregar estratificação de risco
individualizada para estimativa de risco trombótico e hemorrágico e
considerar o emprego da PFTV por até 45 dias para pacientes com risco
elevado de trombose.
Sangramentos clinicamente evidentes são considerados incomuns em
pacientes com COVID-19. Os principais pilares da transfusão de
produtos sanguíneos são os seguintes: concentrado de plaquetas para
manter a contagem de plaquetas superior a 50.000/µL em pacientes com
sangramento ativo ou superior a 20.000/µL naqueles com alto risco de
sangramento ou exigindo procedimentos invasivos. O uso de outros
hemoderivados, como plasma fresco e crioprecipitado, deve ser discutido
com cautela e, na maioria dos centros, não difere dos protocolos normais
para pacientes com sepse e coagulação intravascular disseminada14.
► OUTRAS MEDIDAS
Não há indicação de dieta específica3. Ela deve ser avaliada por médico
e nutricionista. Não há recomendação de controle diferenciado da
glicemia3.
Sugere-se avaliar de acordo com a aceitação da dieta e eventual
necessidade de terapia hipoglicemiante decorrente de diabetes pré-
existente.
A prescrição de inibidores de bomba de prótons como profilaxia de
úlcera de mucosa deve seguir as indicações usuais.
As comorbidades do paciente devem ser reavaliadas e seu tratamento
reconciliado de acordo com a evolução do quadro clínico. Não há
suporte na literatura para que sejam suspensas medicações como
inibidores da ECA e bloqueadores de receptores da angiotensina pela
simples hipótese de COVID-19, sem outra condição clínica que
justifique a medida3,4.
A prescrição de AINE deve ser evitada e o controle da febre deve ser
realizado com antipiréticos comuns3.
A higiene oral deve seguir os protocolos institucionais, com
preferência por escovação com sucção.
Complicações como arritmias, injúria aguda do miocárdio,
insuficiência renal aguda, insuficiência hepática e tromboembolismo
pulmonar vêm sendo descritas no contexto de pacientes críticos. O
paciente deve, portanto, permanecer em monitorização contínua e
avaliação regular para o desenvolvimento dessas complicações, com
tratamento precoce quando identificadas.
Não há evidências na literatura que indiquem que, em caso de
necessidade de hemodiálise, procedimentos diferenciados devam ser
adotados. Os cuidados de biossegurança são expostos no Capítulo 6.
Terapias de purificação sanguínea extracorpórea para a diminuição da
circulação de citocinas ainda são consideradas condutas experimentais.
O suporte psicológico é um desafio no contexto da pandemia de‐
COVID-19. São necessárias diretrizes específicas sobre a humanização
do cuidado. As incertezas, o isolamento e as restrições impostas
fomentam a urgência do desenvolvimento de estratégias para aliviar o
sofrimento de pacientes, familiares e da própria equipe de saúde.
Por se tratar de uma doença emergente cujos casos graves permanecem
internados por longo tempo, dados consistentes sobre reabilitação e
manejo de sequelas crônicas são esperados num futuro próximo a esta
publicação. Aguardam-se evidências que mostrem alteração do curso da
doença com a fisioterapia respiratória convencional e motora.
► PROFILAXIA
As medidas profiláticas comprovadas contra a COVID-19 são todas
não farmacológicas (ver aprofundamento do assunto nos Capítulos 6 e
7).
A Sociedade Brasileira de Infectologia desaconselha, até o momento
em que este texto foi concebido, o uso de medicamentos profiláticos e a
realização de pesquisas clínicas nesse sentido11. O elevadíssimo número
de pessoas a serem incluídas para avaliação de qualquer benefício nesse
cenário poderia levar ao desabastecimento de medicamentos, como a
hidroxicloroquina para pacientes em tratamento para artrite reumatoide e
lúpus eritematoso sistêmico11. O uso profilático da azitromicina, por sua
vez, poderia levar ao aumento da resistência bacteriana relacionada a
esse antimicrobiano11.
A busca por uma vacina contra o SARS-CoV-2 é motivo de trabalho
intenso de vários grupos de pesquisa. Até 11 de maio de 2020, havia
mais de 70 vacinas sendo testadas, segundo a OMS15. Dessas, havia
cinco já em fase de avaliação clínica. Essas iniciativas mais avançadas
são expostas no Apêndice II do presente capítulo.
► REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. World Health Organization. Home care for patients with COVID-19 presenting with mild symptoms and management of
their contacts. Disponível em: https://www.who.int/publications-detail/home-care-for-patients-with-suspected-novel-
coronavirus-(ncov)-infection-presenting-with-mild-symptoms-and-management-of-contacts. 2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis.
Protocolo de tratamento de influenza [Internet]. Brasília/DF: Ministério da Saúde. Disponível em:
<http://bvsms.saude.gov.br/publicacoes/protocolo_tratamento_influen-za_2017. 3. World Health Organization. Clinical management of severe acute respiratory infection when COVID-19 is suspected
[Internet]. Disponível em: https://www.who.int/publications-detail/clinical--management-of-severe-acute-respiratory-
infection-when-novel-coronavirus-(ncov)-infection--is-suspected. 4. Massachusetts General Hospital. Massachusetts General Hospital COVID-19 Treatment Guidance [Internet]. 2020.
Disponível em: https://www.massgeneral.org/news/coronavirus/treatment-guidance/inpatient-care-recommendations. 5. Metlay JP, Waterer GW, Long AC, Anzueto A, Brozek J, Crothers K, et al. Diagnosis and treatment of adults with
community-acquired pneumonia. An official clinical practice guideline of the American Thoracic Society and Infectious
Diseases Society of America. Am J Respir Crit Care Med. 2019;200(7):e45-67. 6. Alhazzani W, Møller MH, Arabi YM, Loeb M, Gong MN, Fan E, et al. Surviving sepsis campaign: guidelines on the
management of critically ill adults with Coronavirus Disease 2019 (COVID-19). Intensive Care Med. 2020;46(5):854-87. 7. Associação de Medicina Intensiva Brasileira. Recomendações da Associação de Medicina Intensiva Brasileira para a
abordagem do COVID-19 em medicina intensiva. Disponível em:
https://www.amib.org.br/fileadmin/user_upload/amib/2020/abril/13/Recomendaco__es_AMIB-atual.-16.04.pdf. 8. Royal College of Physicians. National Early Warning Score (NEWS) 2: Standardising the assessment of acute-illness
severity in the NHS. [Internet.] London; 2017. Disponível em: https://www.rcplondon.ac.uk/projects/outputs/national-
early-warning-score-news-2.
9. Matthay MA, Aldrich JM, Gotts JE. Treatment for severe acute respiratory distress syndrome from COVID-19. Lancet
Respir Med. 2020;8(5):433-4.
10. The Acute Respiratory Distress Syndrome Network. Ventilation with lower tidal volumes as compared with traditional
tidal volumes for acute lung injury and the acute respiratory distress syndrome. N Engl J Med. 2000;342(18):1301-8. 11. Sociedade Brasileira de Infectologia. Informe da Sociedade Brasileira de Infectologia sobre o novo coronavírus n. 12:
recomendações sobre tratamento farmacológico para COVID-19. 2020. Disponível em:
https://www.infectologia.org.br/admin/zcloud/125/2020/04/fdd6cc0cc5dbc295ee596649b21793e2ee30c2ecb3c0a8798f69
34b93e2a9568.pdf.
12. Connors JM, Levy JH. COVID-19 and its implications for thrombosis and anticoagulation. Blood.
2020;pii:blood.2020006000.
13. Baron DM, Franchini M, Goobie SM, Javidroozi M, Klein AA, Lasocki S, et al. Patient blood management during the
COVID-19 pandemic: a narrative review. Anaesthesia. 2020.
14. Bikdeli B, Madhavan MV, Jimenez D, Chuich T, Dreyfus I, Driggin E, et al. COVID-19 and Thrombotic or
Thromboembolic Disease: Implications for Prevention, Antithrombotic Therapy, and Follow-up. J Am Coll Cardiol.
2020;pii: S0735-1097(20)35008-7.
► APÊNDICE
▷ Apêndice I Terapias avaliadas em estudos clínicos para tratamento da COVID-19
em maio de 2020
Estratégias com mais Mecanismo proposto
evidências
Anticoagulação plena Redução ou reversão do estado de hipercoagulabilidade
(diversos agentes)
Arbidol (umifenovir) Bloqueio da fusão de diversos vírus com a membrana celular
Azitromicina Imunomodulação inibição da replicação de outros vírus
Baricitinibe Inibição da JAK
Cloroquina e hidroxicloroquina Citotoxicidade; inibição da replicação viral por interferência na entrada viral
mediada por endossomas
Corticosteroides Diminuição da inflamação
Favipiravir Diminuição da replicação viral de outros coronavírus
Interferon-alfa ou beta Diminuição da replicação viral de outros coronavírus
Ivermectina Inibição da replicação do SARS-CoV-2 in vitro
Lopinavir/ritonavir Diminuição da replicação viral de outros coronavírus
Nitazoxanida Atividade in vitro contra outros coronavírus
Plasma convalescente Transferência de anticorpos neutralizantes de um doador recuperado da
doença
Remdesivir Diminuição da replicação viral do SARS-CoV-2
Ribavirina Inibição da síntese de RNA de diversos vírus
Tocilizumabe Ligação aos receptores da IL-6, diminuindo a resposta inflamatória
Outras estratégias com menor número de estudos em andamento, em ordem alfabética
Acetilcisteína; ácido acetilsalicílico; ácido alfalipoico; ácido eicosapentaenoico; ácido gamalinolênico; ácido
tranexâmico; adsorção de citocinas; almitrina; amiodarona; amoxicilina/clavulanato; anakinra; ASC09; aviptadil;
AVM0703; azoximer; bactek-R; baloxavir; bemcentinibe; bevacizumabe; BHV-3500; bloqueadores dos
receptores de angiotensina; bromexina; camostate; canakinumabe; carrimicina; CD24Fc; cefarantina;
clorpromazina; colchicina; dalargina; danoprevir/ritonavir; dapagliflozina; darunavir/cobicistate; DAS181;
deferoxamina; dieta cetogênica; diltiazem; dornase-alfa; doxiciclina; ECA2 recombinante; EIDD-2801;
emapalumabe; escina; espironolactona; estatinas; extrato de Nigella sativa; fedratinibe; fingolimode; fluoxetina;
formoterol/budesonida; FT516; gamaglobulina hiperimune; goma arábica; hidroclorotiazida; ibuprofeno;
ifenprodil; IFX-1; imatinibe; IMU-838; indometacina; inibidores da ECA; inosina-pranobex; isotretinoína;
leflunomida; lenalidomida; lenzilumabe; leronlimabe; levamisole; linagliptina; medicina tradicional chinesa;
medicina ayurvédica; mefloquina; mel de abelhas; melatonina; meplazumabe; metencefalina/tridecactide;
metotrexato; N-803; nafamostate; naproxeno; nelfinavir; niclosamida; NT-17; olokizumabe; oseltamivir;
oxigenoterapia hiperbárica; ozonioterapia endovenosa; piridostigmina; probióticos diversos; progesterona;
protoporfirina; quercetina; radioterapia; ravulizumabe; remestemcel-L; ruxolitinibe; sargramostima; sarilumab;
selamectina; selênio; sevoflurano; sildenafila; siltuximabe; sirolimo; sitagliptina; sulfonatoporfirina; suspensão
de Mycobaterium w inativados; tacrolimo; trans-crocetina; talidomida; tenofovir/entricitabina; terapia com células-
tronco mesenquimais; tetrandrina; timosina-alfa; vacina BCG; verapamil; vitamina C; vitamina D; vitamina E;
zanubrutinibe; zinco.
Fonte: National Institutes of Health, disponível em: www.nih.gov/coronavirus.
Obs.: Nenhuma droga já foi aprovada para o tratamento da COVID-19, portanto nenhuma das drogas listadas
deve ser usada fora do contexto de pesquisa ou uso compassivo.
▷Apêndice II Vacinas candidatas contra a COVID-19 em fase clínica de investigação
em 11 de maio de 2020
Plataforma Desenvolvedor Estágio Registro
regulatório
Vetor viral não replicativo CanSino Biological Inc./Beijing Institute of Fase 2 ChiCTR2000031781
(adenovírus tipo 5) Biotechnology
Fase 1 ChiCTR2000030906
Vetor viral não replicativo University of Oxford Fase 1/2 NCT04324606
(ChAdOx1)
Inativada Wuhan Institute of Biological Fase 1/2 ChiCTR2000031809
Products/Sinopharm
Inativada Beijing Institute of Biological Products/Wuhan Fase 1/2 ChiCTR2000032459
Institute of Biological Products
Inativada adjuvantada Sinovac Fase 1/2 NCT04352608
RNAm Moderna/NIAID Fase 1/2 NCT04283461
RNAm BioNTech/Fosun Pharma/Pfizer Fase 1/2 2020-001038-
36NCT04368728
DNA Inovio Pharmaceuticals Fase 1 NCT04336410
Em fase pré-clínica, havia registro de mais 102 vacinas candidatas.
Fonte: OMS.
OceanofPDF.com