Crianças, adolescentes e crack
5. O paradoxo na atenção ao crack em Salvador: entre a referência técnica e a fragilidade da articulação na rede
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.
As famílias das crianças e adolescentes usuários
de crack
Estudos revelam que o tipo de relacionamento e as práticas
culturais familiares muitas vezes podem servir de estímulo para a experimentação e a continuidade do uso de drogas por crianças e adolescentes, pois a família, como geradora de cultura, transmite hábitos e costumes, crenças e expectativas sobre os papéis sociais, sobre o modo de vida de homens e mulheres, sobre as relações interpessoais e também sobre o uso de drogas. O papel da família é de proteção – promovendo e desenvolvendo a saúde de seus membros –; mas, paradoxalmente, pode ser também de risco – destruindo e desintegrando (Seleghim et al., 2011; Schenker, 2008).
A maior parte do grupo de 54 crianças e adolescentes usuários de
crack pesquisados ou com responsáveis usuários tem família morando na cidade de Salvador (92,3%). A manutenção do vínculo familiar durante o período de acolhimento é relatada em 42,6% dos casos; 37% das crianças/adolescentes não têm mais vínculo com seus familiares; 11,1% têm família desaparecida; 5,6% têm impedimento judicial de contato; e em dois casos não há mais familiares. Com relação a esse quadro, tem-se que 55,6% ainda recebe visitas na instituição, especialmente da mãe (53,3% dos que recebem visitas), avós (26,7%) e irmãos (20%). Apenas dois acolhidos recebem visita do pai (6,7%). Outros parentes (3,3%) e pessoas (10%) também são apontados como visitadores.
Entre as informações dos seis adolescentes usuários que
estavam acolhidos no SAI sobre a estrutura de suas famílias, há registros de que todos têm irmãos, e a maioria deles (cinco) continua vivendo com a família de origem. Há um adolescente com irmãos que já foram adotados, e outro que menciona irmãos em situação de rua.
Nas entrevistas qualitativas com os seis adolescentes/famílias
usuários de crack do SAI ou inseridos nos serviços de saúde, constata-se que a convivência com a família é entremeada com a vivência na rua. A maioria deles tem família numerosa, com muitos irmãos, mas quase todos não vivem mais em casa. A existência de padrasto é mencionada por alguns adolescentes, e praticamente não há relato de convivência com o pai. Também é mencionada a convivência com novos parceiros dos pais ou do próprio adolescente. Um dos adolescentes em tratamento no serviço de saúde conta que na época do consumo de crack morava sozinho, mas depois do tratamento voltou a viver com a família de origem.
O vínculo familiar desses adolescentes é bem frágil e prevalecem
histórias de abandono, violência, conflitos, doenças, mortes e problemas de familiares com o álcool e outras drogas. Apenas os dois jovens em tratamento no serviço de saúde especializado relatam que têm bom relacionamento familiar e que não estão mais dependentes da droga. Uma adolescente do SAI, abandonada pela mãe nos primeiros dias de vida, narra o que sente por seus pais: “Com quinze dias de nascida, minha mãe me abandonou. Para mim eles [pais] não significam nada. Eles não são nada”. A avó da adolescente comenta o abandono da neta: “Ela nasceu de 7 meses. A mãe abandonou ela com broncopneumonia, e botando secreções pelos ouvidos, uma infecção intestinal quando ela fazia o cocô: (...), parecia peixe podre. Eu corri e hoje ela está com 17 anos”.
Outra fala de um familiar de adolescente usuário de crack
exemplifica a complexidade dos problemas vividos:
Hoje, minha família sou eu e minha mãe. Ela é doente mental, hipertensa e
diabética. Tem 93 anos de idade. Eu tinha sete filhos, faleceram dois. A
menina, em 2009, com câncer no fígado, e o menino faleceu agora em junho,
no dia 6 de junho, com enfisema pulmonar (...). Porque ela [mãe – bisavó da
adolescente] morava na casa dela com meu irmão, mas diante da situação
dela, que era muito agressiva, findou meu irmão sofrendo do coração e veio a
falecer. Minha irmã, por uma vez que ela ficou sozinha, minha irmã casada
veio morar na casa dela, para tomar conta dela. Não aguentou também o
sofrimento, faleceu de derrame cerebral. Deixando quatro filhos.
Entre os problemas vivenciados, vale ressaltar o histórico de
abuso de álcool e outras drogas pelos familiares. Tanto nos registros dos seis adolescentes usuários e acolhidos no SAI quanto nas entrevistas qualitativas com os adolescentes e familiares, constata-se o uso frequente de substâncias psicoativas (maconha, cocaína e crack) por pais e irmãos. O álcool é ainda mais consumido. Os adolescentes apresentam reações antagônicas em relação ao consumo intenso de drogas pelos familiares. Alguns banalizam e apoiam a prática, enquanto outros demonstram grande insatisfação. Uma adolescente do SAI diz chorar quando vê a mãe bebendo, já que não pode fazer nada:
Eu não quero que minha mãe use droga nenhuma. Não use droga, nem
cachaça nenhuma (...). Porque minha mãe, eu amo. Se eu ver minha mãe
nesse lugar, eu parto com o cara no chão, (...). Porque eu sei que acaba, que
mata! Ver minha mãe se matar, não, você é doido!
Também é grande a fragilidade da situação de saúde desses
responsáveis usuários, comprovada pela morte de um deles por cirrose e de outro por tuberculose.
O que pode levar ao consumo de crack por
crianças e adolescentes?
O uso de crack e outras drogas está relacionado a um conjunto de
fatores culturais, históricos, econômicos e sociais. Sexo, idade, classe social e fatores psicossociais, como a influência de amigos e as relações interpessoais na família, são fatores associados ao uso e ao tratamento desse problema de saúde (Baus, Kupes & Pires, 2002). Um gestor de um serviço de saúde especializado ressalta o impacto da degradação social no uso e no cuidado dos usuários:
O crack é uma excelente arma de extermínio de uma população que não
interessa ao sistema, que não interessa a esse modelo econômico de
produção. Não interessa! E a gente tem visto esse fenômeno ocorrer da
forma que tem acontecido porque essas pessoas são privadas de muitas
outras coisas. Eu tenho tido a oportunidade de atender usuários graves de
crack no meu consultório privado, em que é possível você fazer muita coisa,
muita coisa. Essas pessoas têm acesso ao melhor tratamento psiquiátrico, ao
melhor tratamento psicoterápico, a ambientes protegidos de excelente
qualidade. (...) Sendo que, no serviço público, a gente não tem nada disso.
Essas pessoas que eu diria de um poder aquisitivo maior, mesmo que elas
tenham um prejuízo muito grande pelo efeito da droga e pelo consumo
compulsivo da droga, quando elas se recuperam, elas têm outras fontes de
estímulo, outros pontos de ligação. (...) E na maioria da população menos
favorecida, (...) quando a gente consegue tirar o crack, não existe
ancoradouro algum! [breve pausa] (...) Então isso me assusta.
Os profissionais dos serviços pesquisados identificam alguns
aspectos que podem levar crianças e adolescentes a usar crack, entre os quais se destaca a situação de grande vulnerabilidade social em que esses jovens estão inseridos. Um gestor do serviço de saúde ressalta que o uso de crack não é uma opção por “prazer, bandidagem, marginalidade”. Comparando os fatores causais do consumo de crack com os relacionados a outras drogas, um gestor entrevistado comenta a relevância da fragilidade social e econômica desses usuários e suas famílias:
Falta de trabalho, falta de escola boa, falta de alimentação, estar em situação
de rua. (...) Acho que a questão do crack está numa relação intrínseca com
problemas estruturais que foram relegados durante anos e anos. (...) As
pessoas buscam crack como um paliativo para algumas situações (...). Por
exemplo, muitas pessoas que trabalham como catadores de lata, usam crack,
por quê? Porque o crack tira a fome e dá a ele uma energia para sair
correndo para lá e para cá, catando lata, tira o sono dele. Para quem dorme
na rua, tem que estar em estado de alerta. Então assim o próprio efeito do
crack (...), ele traz características importantes para pessoas que estão,
geralmente, em situações sociais enfraquecidas. Porque existe uso de crack
na classe alta e média, não posso dizer que não existe, mas é muito, muito,
muito menor efetivamente que na classe baixa. (gestor de Caps ad III)
A fragilidade da família, a privação social e financeira, a
precariedade da escola e o poder do tráfico de drogas são os fatores principalmente apontados pelos profissionais entrevistados como desencadeadores do problema.
A mulher que, a cada um, dois anos, tem um parceiro diferente e que tem
filhos com parceiros diferentes. Essa mulher que também é a provedora da
casa (...) e que tem que sair, e esses filhos têm que ficar sendo cuidados
pelos outros, e que vai ter acesso à rua mesmo. A falta de uma escola que
seja interessante, para esse adolescente, para essa criança. Você não tem
uma atividade no contraturno da escola, na própria escola ou na comunidade.
Então assim, falta isso, e o que sobra? O que sobra é a droga muito fácil que
está dentro dos bairros. (...). Ele atrai esse jovem com coisas que nós não
conseguimos atrair, porque ele chega para um jovem de 14 anos e oferece
um salário só para ficar na esquina avisar se vem alguém. E ele passa fome
dentro de casa. Ele não tem acesso a um sapato que ele quer e aquilo dá
acesso a um mundo que ele não tem. (gestora da Secretaria de
Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza)
Na fala de alguns gestores, nota-se uma visão preconceituosa e
estigmatizadora das famílias pobres, reproduzindo o senso comum, o que não contribui para fortalecê-las, tampouco para superar o problema. Outros fatores causais menos lembrados pelos gestores dos serviços são o consumismo e a influência da mídia.
Interessante perceber que os adolescentes e os familiares
entrevistados ressaltam outras causas para o consumo de crack, enfatizando as características individuais do adolescente (impulsividade e curiosidade), a influência dos amigos, a violência física familiar, o abandono e a rejeição dos pais, e o histórico familiar de uso de drogas.
No começo eu usava muita droga mesmo por ver aquela coisa [mãe usando
álcool]. Assim, se ela morrer... Eu tenho que morrer antes dela. Porque eu
não vou aguentar ver minha mãe morta. Eu acho assim que, se a minha mãe
morrer, o mundo acabou. Então eu tenho que morrer primeiro que ela. Por
isso estou nas drogas, no crack mesmo. Por isso eu uso crack. (adolescente
em SAI)
Já apanhei muito. Já trabalhei muito, para poder ter dinheiro. Enjoei. De
pagar pau para os outros. Meus irmãos tudinho me bateram, meu padrasto
me bateu. Aí eu fiquei aloprada e fui para a droga. Dormi na rua. Me
torturavam. Meu padrasto. Minha mãe não. Minha mãe quase não me batia.
Meu padrasto me batia. Meu padrasto pipocou este ouvido meu. Com uma
tapa. Aí eu não escuto muito direito. Ele me colocava meu pé na corrente, no
portão. Deixava sentada. Só levantava para mijar, para comer, para ir no
banheiro. Na corrente, no cadeado. Meus irmãos me batiam. Esse menino
[irmão] que vende droga, quando a droga dele sumia lá em casa, geralmente
eu pegava uma pedra, duas pedras de crack, mas no pó, não mexo no pó,
nem na maconha. Mas aí sumia; ele me pegava e me batia. Minha mãe ia
para cima dele, ia com faca. Ia para cima dele com pau. (adolescente em
SAI)
Um adolescente menciona outros dois fatores importantes que
podem levar ao consumo de crack: a crença de que o usuário é capaz de parar de usá-lo a qualquer momento e o consumo de outras drogas, como a cocaína, que passam a ser consideradas fracas.
Apenas uma mãe, que teve papel importante no tratamento do
filho, comenta a influência dos pais na entrada dos filhos no uso da droga:
O que nós precisamos hoje, os nossos meninos, é apoio, mas não só apoio
dos governantes, e do Ministério Público, do Cetad. Apoio também dos pais.
Eu sei que tem muitos pais que trabalham, eu também trabalhei. E quando
ele fugia de casa, também eu trabalhava na época. Ninguém tomava conta
dele, ninguém suportava tomar conta dele, porque ele era muito danado. (...)
Porque hoje a criação desses meninos é totalmente diferente da que a gente
tinha. Hoje o filho olha para a cara de uma mãe e faz o que quiser e acabou.
(familiar de adolescente em serviço de saúde)
A vivência de rua, a forma de ganhar dinheiro e o
uso de preservativos por adolescentes usuários
de crack
Sinto vontade de parar e não consigo. Só isso. Não consigo mesmo. Acho
que se eu sair daqui [SAI] agora, eu vou arrumar um dinheiro para usar. Não
sei o que é. Essa droga é um diabo. Não tem remédio para essa droga!
(adolescente em SAI)
É praticamente consensual que o uso múltiplo de substâncias
psicoativas é uma característica marcante no padrão compulsivo de utilização, substituindo paulatinamente o consumo exclusivo de uma só droga. Nas entrevistas com os adolescentes/família usuários do SAI e do serviço de saúde, relatos apontam o uso de crack há vários anos. Outro ponto mencionado pelos familiares é o perfil mais problemático desses jovens desde pequenos.
Nos registros de todos os seis adolescentes identificados como
usuários pelo SAI, verificou-se o consumo de álcool, tabaco, maconha, cocaína e crack ao longo da vida, indicando a conjunção do uso de várias drogas. Quatro relatam o uso de mesclado (especialmente maconha e crack) e produtos para sentirem um “barato”; três consumiram oxi; dois usaram LSD ou outro produto que provoque alucinações. Heroína, morfina ou ópio também foram relatados (um adolescente), bem como tranquilizante, ansiolítico ou calmante (quatro), remédio ou xarope (três) e haxixe (um). Muitos se referem à hierarquização do consumo de drogas, que pode começar por uma droga mais leve passando às mais pesadas ou vice-versa, das mais pesadas às mais leves.
Similarmente, estudo realizado por Oliveira e Nappo (2008) com
usuários de crack da cidade de São Paulo demonstra que o uso múltiplo de drogas é uma forma de tentar manipular a intensidade ou a duração dos efeitos de crack, seja como paliativo aos efeitos negativos, seja para intensificar ou prolongar os efeitos positivos.
O uso de drogas no mês anterior ao acolhimento das crianças e
adolescentes pesquisados foi confirmado para as seguintes substâncias: metade utilizou álcool (até oito dias no mês), maconha (variando de uma vez por semana até todos os dias) e cocaína, usada mais na forma nasal do que na fumada, (diariamente); cinco consumiram tabaco e crack quase todos os dias; dois utilizaram outras substâncias para sentir “barato” via oral e nasal (um deles usou uma única vez no período e outro diariamente); um consumiu oxi todos os dias. Um dos adolescentes já utilizou drogas injetáveis, e a overdose de crack foi mencionada por três deles.
Constata-se que o gasto médio dos seis adolescentes com drogas
no último mês varia de acordo com a substância utilizada, com destaque para o elevado gasto com crack, que equivale a um pouco mais de três salários mínimos (SM) e pode chegar a quase dez SM. Em ordem decrescente, tem-se o gasto médio mensal com maconha (quase um SM e meio), cocaína (um pouco mais de meio SM), tabaco (cerca de 30% do SM), oxi (13% do SM) e álcool a (10% do SM).
Quatro adolescentes indicam variados números de pedras de
crack consumidas em um dia comum: três, dez, vinte e duzentas pedras. Comentam também as diversas formas de consumo: dois deles o fazem em formato de cigarro (misturando tabaco e crack); três usam como baseado (misturando maconha e crack); três utilizam latas de refrigerante ou cerveja e copos plásticos; e cinco usam crack em cachimbo. Apenas um deles afirma reutilizar copo/cachimbo de outro usuário para fumar crack. Quatro informam consumir crack em conjunto com outras drogas, destacando-se a cocaína e a maconha.
A rua é mencionada como local de maior consumo de crack e
outras drogas. Quatro adolescentes obtêm a droga com traficantes, amigos ou moradores de rua. Os conflitos familiares em decorrência dessa prática e a dívida com o tráfico na comunidade onde vivem, além do próprio consumo de crack, são os fatores que os levaram à rua. Os entrevistados relatam a sedução da vivência na rua, ao mesmo tempo que são expostos a situações muito críticas:
A vivência na rua é como você está vendo, você não tem dinheiro para
comer, mas você acha crack, você acha cachaça, você acha cocaína,
maconha, você acha isso a todo instante. Por mais que você tenta se liberar,
se livrar, aí que mais tem. Parece que é uma coisa satânica. Quanto mais
você tenta se afastar, aí que você é possuído mesmo e, quando você vai ver,
você já está entregue; e se vacilar você se adapta a morar na rua. Você faz
da rua já um hotel cinco estrelas. (adolescente em SAI)
Foi estuprada. Quando ela apareceu [em casa], foi botando sangue por tudo
quanto foi canto, e disse que tinha sido estuprada por três, por três moleques.
Bateram muito nela, deram de fio, cortaram a perna dela de fio, fizeram vazar
os olhos dela. Quando ela chegou, o olho direito era uma bola de sangue. Eu
saí às pressas, levei para a clínica pública. Chegou lá, a médica passou um
colírio para ir limpando. E depois ela se sentiu mal, vomitando muito, com
diarreia. Eu levei ela para um PAM, para o Hospital São Jorge, onde eu
passei a noite toda com ela. E por conta do estupro, que ela está com
problema de estômago, ela está com problema de fígado, com problema de
tudo. Porque bateram muito, deram muito chute nela, queriam matar. (familiar
de adolescente em SAI)
Um adolescente comenta que o sentimento que tem pela mãe e a
consciência do sofrimento causado a ela o levou a sair da rua:
Creio que foi o afeto que minha mãe tem por mim, a preocupação em saber
que tinha um filho morando embaixo das marquises e que minha criação
nunca foi essa. Tem pessoas que já são acostumadas a morar na rua, já eu
nunca tive essa experiência. (adolescente em serviço de saúde)
Raupp e Adorno (2011), em estudo etnográfico realizado na
cidade de São Paulo, relatam que aproximadamente 90% dos usuários são “pessoas em trânsito pela rua”. As trajetórias dos usuários revelam que a passagem para a situação de morador de rua é, na maioria das vezes, precedida de um período de transição entre sua comunidade e a rua, com a tendência a permanecer períodos cada vez maiores na rua à medida que aprofundam a relação com a droga. Nessa condição de vida na rua, os seis adolescentes em SAIs pesquisados relatam que ganhavam dinheiro entregando água e catando objetos como latas e garrafas PET do lixo, além de realizar atividades ilegais, como roubos, tráfico de drogas, assaltos e prostituição (R$ 20 a R$ 30 por prática sexual). Três adolescentes comenta fazer sexo sem camisinha; porém, todos negam prática de sexo com portador de hepatite B, C ou HIV.
Consequências do uso de crack
O crack é uma substância psicoativa, que tem uma força muito grande, que
tem um potencial muito grande para determinar quadros de dependência. (...)
Por si só é capaz de fazer quadros graves de toxicomania. A intensidade, o
efeito psíquico do crack, a intensidade que ele produz em termos de
modificação da vida psíquica desses indivíduos, isso me chama a atenção. O prazer descrito por todos os usuários a partir da experiência que eles tiveram
com essa droga, isso sempre me chamou a atenção. (gestor do serviço
especializado de saúde)
Eu me sinto totalmente destruída. Eu me sinto acabada. Destruída. Acabada.
Eu me sinto derrotada. (adolescente em SAI)
Os sistemas cardíaco e respiratório de usuários de crack
fragilizam-se, o que pode causar-lhes uma morte prematura. Estão também propícios a outros problemas, como doenças sexualmente transmissíveis, violências, situações de perigo constantes e envolvimento em atos infracionais, que em muitos casos pode levá-los à morte. Inquietude, ansiedade, irritação, agressividade e paranoia são alguns sinais clínicos dos efeitos do crack, que incluem, sobretudo, consequências negativas nas relações sociais (Santos, 2011).
O gestor de um serviço de saúde especializado de Salvador
comenta a rápida evolução do quadro de dependência do usuário de crack, pelo reforço da experiência, ocasionando muita desorganização e prejuízos em vários aspectos:
Como o crack produz esse efeito muito intenso e assim, é impressionante até
porque, em pessoas de excelente poder aquisitivo, a evolução também é
muito rápida. A vontade que eles sentem de repetir a experiência, de repetir a
experiência, de repetir a experiência. É tão significativo que, num curtíssimo
período de tempo, eles têm a vida subjetiva, a vida familiar, a vida social
completamente detonada (...) Nos quatro primeiros anos, a dependência ao
crack produz um efeito extremamente nefasto. Muito nocivo.
A fissura e a apatia geradas pelo crack causam muito sofrimento
à família do usuário, aspecto destacado na fala de todos os entrevistados – profissionais, adolescentes e familiares.
Antigamente eu pensava primeiro a droga, segundo a droga, terceiro a droga,
para depois vir eu. E eu estava me acabando, definhando na droga.
(adolescente em SAI)
Porque ele [usuário] sob o efeito da droga, dificilmente é capaz de fazer
qualquer coisa. Sob o efeito da droga não faz nada. Ele começa a fazer
alguma coisa na fissura. O grande problema da dependência do crack se
chama fissura. A vontade irrefreável, incoercível de continuar usando a droga.
Então quando ele termina a quantidade de droga que tem, ele começa a ter
uma prática delituosa para a aquisição da droga. E aí sim, a gente observa
uma violência, que fica circunscrita dentro do próprio ambiente familiar. Quem
mais é penalizada por essa violência oriunda da fissura é a própria família.
Porque o usuário, ele quer subtrair pertences, objetos de pai, de mãe,
dinheiro, ele rouba dinheiro para poder adquirir a própria droga. (gestor de
serviço de saúde especializado)
Nos depoimentos é possível constatar a tristeza, a impotência e a
fragilidade das famílias, o que as levam a abandonar os filhos e a provocar muita violência em casa:
Vejo também esse sentimento nas mães quando veem um, dois filhos. Eu
atendi um senhor ontem me pedindo para ir morar num abrigo porque os
filhos dele estavam envolvidos com drogas, e que já tinham ameaçado ele,
que já tinham batido nele. E que vizinhos, amigos, diziam: “vai receber teu
dinheiro, vai embora, larga eles aí, antes que eles te matem”. A tristeza com
que esse homem falava que o filho dele tinha envolvimento e que estava
lesando ele, que era o pai, que era o provedor. Estas famílias também
adoecem. (gestora da Secretaria da Justiça, Direitos Humanos e
Desenvolvimento Social)
Foi então um dia, ele [adolescente usuário] me enfrentou e eu chamei a
polícia. A polícia disse que não ia porque ele era de menor. “Então está certo.
Então prefere que eu mate ele ou ele me mate?” Aí depois ele fugia. O pai
botou ele para fora. Só que eu ficava tão doente por isso, porque eu que
gerei (...). Por quê? Me perguntava várias vezes. E não tinha resposta. E
quando eu conversava com um amigo, “que nada, deixa ele que o mundo
ensina”. Mas eu me perguntava: “Meu Deus, o que o mundo vai ensinar? Eu
tenho que fazer alguma coisa”. O pai botou ele para fora, aí eu fiquei do lado
de fora, mas quando o pai dormiu, eu fui buscar ele. (...) Ele continuava com
pessoas da pesada mesmo, e eu ia lá, enfrentava, buscava, dizia a eles que
eu não tinha nada a ver com a vida deles, mas eu queria o meu filho. Eu
queria que ele estudasse. (...) E aí eu fui à luta, fui. (...) Às vezes ficava com
vontade de desistir, não vou dizer que não dava, porque dava. Aí depois eu
me sentia mal, “eu vou desistir, eu não vou suportar tudo isso. Eu não vou
suportar ele assaltar um pai de família. Eu não vou aceitar ele matar alguém”.
(mãe de adolescente em serviço de saúde)
De forma geral, os entrevistados comentam os seguintes efeitos
do crack: a magreza, a quebra dos laços com a família e os amigos, a saída da escola e o desinteresse pelos estudos, a dificuldade de orientação, a perda do trabalho – ou o envolvimento em funções que exijam menos qualificação e atenção –, a perda dos sonhos e das perspectivas de vida, a baixa autoestima e a desmotivação, o envolvimento em atos infracionais (furtos em casa ou fora e roubos), a vivência de rua e a morte. As situações de violência do tráfico e da polícia são também muito citadas e associadas à vivência dos usuários de drogas.
Três adolescentes em SAI já tinham sido detidos pela polícia após
começarem a consumir crack, em decorrência de roubos, vivência na rua, ausência de documentos e de estarem pedindo dinheiro nas ruas. Importante também é o efeito do crack em bebês gerados por adolescentes usuárias da droga.
Além disso, os problemas de saúde são bastante comentados
pelos entrevistados, entre os quais estão: tuberculose, desnutrição, desidratação, HIV/Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis. É grande o prejuízo do crack na saúde dos usuários: 60% dos adolescentes usuários e acolhidos no SAI consideram sua saúde ruim, os demais se alternam entre saúde boa ou muito boa. Três adolescentes relatam: hepatite B, problemas respiratórios, cansaço e dor no peito, problemas que perduravam entre um mês e um ano. Todos os três buscaram atendimento em saúde para essas dificuldades.
Os gestores dos serviços de saúde discordam da noção comum
na sociedade de que é inevitável sucumbir ao crack: alguns usuários conseguem manter controle sobre o consumo a partir de determinado momento, sendo capazes de manter vínculos. Há também usuários de outras substâncias psicoativas que consomem o crack, sem fazer vínculo com a droga e, portanto, não repetem a experiência. Encontram-se ainda aqueles que conseguem usar uma ou duas pedras por dia, sem causar maior desorganização familiar e social.
Funcionamento dos serviços de
assistência social, de saúde mental e
da justiça
Não consigo pensar em clínica despolitizada. Não acredito em clínica sem as
condições mínimas estruturais. A gente não deixa de trabalhar por conta
disso, mas há um impacto enorme no serviço.
(gestor de Caps ad III)
O papel dos serviços relaciona-se com a sua função na rede, em
geral, a de proteção ou atenção. Contudo, uns desconhecem o seu potencial de atuação, outros não depositam confiança no trabalho. Há ainda aqueles, especialmente os ligados à saúde, que se destacam pela criatividade e competência técnica na atenção aos usuários.
Em relação ao Conselho Tutelar, observamos que os profissionais
têm uma consciência limitada da função, desconhecendo o seu potencial. Consideram a si mesmos, bem como toda a rede de serviços, ineficientes no enfrentamento do uso de crack pela criança/adolescente. Um conselheiro tutelar informa que o papel do seu serviço é exclusivamente “conversar” com os usuários e indicar-lhes as unidades da rede, especialmente o Caps e o Cras, para que possam ter um acompanhamento psicológico.
O Conselho Tutelar não tem uma forma de atuar no combate a isso. Que
forma seria essa se não da gente trazer, levar; e traz aqui e aconselha e tenta
conversar. É o que gente faz muito. Eu sento aqui e converso, converso,
converso. Mas se ele não está a fim... Eu já atendi dois casos em que uma
mãe pegou o filho de 14 anos, usuário, e o que ela fez foi amarrar ele. Ela me
disse. Ele vai voltar. Ela não queria a rede que nós temos. Essa rede
municipal que nós temos que é uma rede fragilizada, ela não queria. Não
tinha como bancar um centro de recuperação particular. E a solução (...), foi
assim que a mãe me disse: “então eu vou continuar mantendo ele na corrente
e no cadeado”.
A visão distorcida de que o usuário é o único responsável pela
sua saída das drogas permeia a atuação relatada pelo conselheiro, depositando na criança ou no adolescente o sucesso ou o fracasso do tratamento:
A gente sabe muito bem que vai depender da vontade do jovem, da criança
de querer ou não deixar. (...) A saída do jovem das drogas não tem a ver com
a rede, nem com a gente. Tem muito a ver com essa demanda do jovem.
Com essa decisão dele.
Na 2ª Vara da Infância e Juventude, quando o adolescente se
declara usuário de qualquer substância psicoativa, especialmente crack, é aplicada de imediato uma remissão acumulada com alguma medida socioeducativa e protetiva, no caso para o Caps ad ou Caps ad III, Cras ou Cetad. Depois a própria unidade de execução da medida faz o acompanhamento. Mas, se o processo ainda está tramitando, o encaminhamento é feito para a equipe técnica interprofissional.
Na assistência social, a abordagem social é a principal atuação,
acompanhando especialmente os casos mais crônicos, buscando a resolução de necessidades imediatas de pessoas em vulnerabilidade social e promovendo a sua inserção na rede de serviços socioassistenciais e nas demais políticas públicas na perspectiva da garantia dos direitos.
Em relação aos SAIs, toda a atenção ao uso de droga é feita fora
da unidade, especialmente pelo Caps ad, parecendo não haver um preparo da equipe do SAI para lidar com esta questão. Os gestores relatam o despreparo das unidades e das equipes destes serviços para receber adolescentes usuários. Comentam haver uma alta taxa de evasão dos serviços ou recusa dos mesmos para acolher adolescentes com esse perfil. Muitas vezes os adolescentes em SAI fazem uso de drogas nos passeios que realizam, deixando a equipe insegura e sem saber como agir. Nesses serviços todo trabalho é feito com a criança ou o adolescente, e não com a família.
Já em relação aos dois serviços de saúde visitados, há um rico
detalhamento técnico na atenção à população em foco. O papel do atendimento propriamente dito é ligeiramente semelhante nas duas instituições, com atendimentos ambulatoriais, estratégias grupais e realização de oficinas terapêuticas (cinema, fotografia, música, teatro e a da palavra). A divergência da atuação decorre principalmente da inserção de cada serviço na rede assistencial municipal e estadual.
O gestor do Caps ad III descreve o papel do seu serviço em duas
linhas de atuação: 1) visita domiciliar; prevenção e atuação no território, feito em escolas; matriciamento das equipes de Saúde da Família; trabalho junto ao Núcleos de Apoio à Saúde das Famílias (Nasf); contato com lideranças comunitárias; articulações com dispositivos comunitários de geração de renda; núcleos esportivos e culturais; 2) trabalho intramuros; atenção biopsicossocial em saúde, por meio de atendimentos psicológicos, médicos e de desenvolvimento de oficinas variadas. Na segunda linha de atuação, deve haver leitos de acolhimento noturno, onde as pessoas em situação de crise, ou com necessidade de repouso e observação, tenham a possibilidade de permanecer por um período de dez dias corridos, ou 15 dias intercalados no período de um mês.
O mesmo profissional afirma que o Caps ad III, sobretudo por
atender a faixa etária da adolescência, tem como característica ser um espaço de convivência, “uma espécie de redução de danos sociais, de saúde. Eles estão aqui, eles têm um lugar para comer, têm um lugar para tomar banho. Têm um local em que, de alguma forma, fazem menos uso [da droga]”.
Contudo, a tônica da fala desse gestor é a falta de estrutura para
o funcionamento do seu serviço. Primeiramente, ressalta que, seguindo a lógica de território, não há como atender todo o município de Salvador, com quase três milhões de habitantes, mas apenas o distrito sanitário onde está localizado. Destaca também que a falta de estrutura, assim como o excesso de demanda durante o dia – e a pouca à noite –, impossibilitou o funcionamento 24 horas da unidade, razão pela qual optou por encerrar o serviço às 18 horas, recompondo a carga horária da equipe para o turno diurno:
A gente até hoje não tem um local para lavar roupa de cama, o serviço não
dispõe de telefone fixo para fazer ligação, o serviço tem um carro, o carro só
fica disponível de oito da manhã até quatro e meia da tarde, de segunda a
sexta. É um serviço que tem que funcionar 24 horas, todos os dias da
semana, sábados, domingos e feriados. A gente passou por situações aqui
do usuário impregnar no sábado, não ter como socorrer e a gente ter que
levar o usuário em carro próprio. Uma série de situações que não favorecem
esse pleno funcionamento. (gestor de Caps ad III)
Profissional de outro serviço de saúde especializado visitado
informa que a atenção ao adolescente usuário de crack e outras drogas é realizada principalmente por um grupo de trabalho específico, que, além de ser dirigido para o estudo, é voltado para a criação de serviços e estratégias de intervenção que atinjam a população de adolescentes usuários de substâncias psicoativas em geral. Tem como importante papel articular a rede para a atenção desses pacientes. Entre os serviços integrantes da rede estão o Conselho Tutelar, as associações de bairro, a Fundação da Criança e do Adolescente (Fundac) – atendimento socioeducativo – e organizações não governamentais. Há ainda o núcleo de clínica desse serviço que presta assistência propriamente dita, ou seja, tem um serviço aberto à comunidade.
No que se refere à composição das equipes de saúde mental e da
área de alta complexidade da Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza, quase todos os entrevistados mencionam número insuficiente de profissionais, principalmente em relação à grande demanda para o atendimento, o que se deve não apenas ao número significativo de usuários na cidade, mas sobretudo à escassez de serviços especializados. O resultado, segundo um gestor do serviço de saúde especializado, é a redução no número de atendimentos: “A Prefeitura da cidade de Salvador não conseguiu estruturar os serviços e distribuir serviços de assistência na cidade. O serviço fica com sobrecarga de trabalho, limitando o número de atendimentos”.
No serviço de saúde especializado visitado, a equipe é formada
por psicólogos, em sua maioria, com especialização em psicanálise, e médicos psiquiatras. Pedagogos, sociólogos, profissionais de teatro e enfermeiros participam de outras estratégias que não clínicas, como o Consultório de Rua e as oficinas terapêuticas.
O Caps ad III iniciou o serviço com 67 profissionais e no momento
da entrevista contava com 57. A intenção do gestor naquele momento era de retirar do centro mais 30% dos profissionais, seguindo a ideia de readequá-lo ao modelo de Caps ad II. A falta de estrutura do serviço foi o principal motivo para a saída dos dez primeiros profissionais. A equipe desse Caps é muita diversa, com músico, teatróloga, artista plástico, terapeuta holística, educador físico, neurologista, clínico geral, dois psiquiatras, cinco psicólogos, três assistentes sociais, dois terapeutas ocupacionais, uma oficineira, um antropólogo, técnicos de enfermagem e cinco enfermeiras.
A responsável pela área de alta complexidade da Secretaria de
Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza informa que não conta com equipe específica para a atenção ao usuário de crack e outras drogas. Apenas 17 profissionais (psicólogos e educadores) são responsáveis pela abordagem social a todas as demandas do município.
A fiscalização dos serviços foi um outro aspecto investigado,
observando-se a fragilidade e a inexistência dessa ação. Em geral, os serviços informam que a fiscalização ocorre apenas quando há queixa ou denúncia. A principal justificativa para tal é a falta de recursos humanos e a sobrecarga de trabalho. O SAI informa que a fiscalização cabe à Secretaria da Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social, além do Ministério Público, do Juizado da Infância e Juventude e do Conselho Tutelar. Contudo, o último explica que essa ação ocorre apenas quando há necessidade, e o Juizado afirma que o acompanhamento dos serviços não é sistemático.
Modalidades de atendimento nos
serviços de saúde mental
A rotatividade é muito complicada, muito difícil, até pela própria história de
uso de crack, pela inconstância, pela instabilidade. sses pacientes vêm,
desaparecem, voltam.
(gestor de serviço de saúde especializado)
O atendimento nos serviços de saúde mental começa no
acolhimento, quando se buscam informações sobre a demanda do paciente. Nesse momento inicia-se a construção do projeto terapêutico, elaborado com base nas necessidades de saúde de cada usuário, sem excluir suas opiniões, seus sonhos, seu projeto de vida. É singular e caracteriza-se por uma interação democrática e horizontal entre profissional, usuário e família. Tem como único propósito o bem-estar dos usuários mediante a reabilitação psicossocial (Benevides et al., 2010).
No Caps ad III o gestor exige que o acolhimento seja feito por um
profissional de nível superior, especificamente, psicólogo, assistente social ou terapeuta ocupacional, considerados mais habilitados no manejo da situação.
O mau acolhimento pode resultar num péssimo tratamento. Você pode dar
vários tiros no pé, em sequência. Então no entendimento de saúde mental,
qualquer pessoa poderia fazer o acolhimento. Aqui eu brigo para que não
seja assim. Eu não acho que qualquer profissional está preparado para isso.
Tem que ser alguém que tenha uma escuta. (gestor de Caps ad III)
O gestor do outro serviço de saúde tece críticas quanto ao modelo
de agendamento de consulta realizado na sua unidade no momento do acolhimento, feito de uma semana para a outra. Para ele, há necessidade do acolhimento diário de pacientes, com equipes organizadas nos diversos turnos, recebendo pacientes que chegam ao serviço sem agendamento prévio, e com equipes que prestem atendimento emergencial:
Para o tratamento do crack, para o acolhimento do usuário de crack, nós
temos avaliado criticamente que esse modelo de acolhimento, esse modelo
de admissão no serviço, dificulta sobremaneira o acesso da população ao
serviço. Nós teríamos que ter um serviço porta aberta, em que, no momento
em que uma família ou um usuário chegasse, ele tivesse a possibilidade de
um atendimento e encaminhamento imediato. (gestor de serviço de saúde
especializado)
Após o acolhimento, o Caps ad III agenda um outro momento,