Da lavoura às biotecnologias: agricultura e indústria no sistema internacional
Notas
1 Compare, por exemplo, a transição ocorrida na produção de
têxteis, do sistema rural (“putting-out’) à produção fabril concentrada
e mecanizada. Neste caso, um único e unificado processo de
trabalho capitalista se estabeleceu num período de tempo
relativamente curto por meio da eliminação da antiga indústria
artesanal.
2 No Capítulo 3 examinamos possíveis tendências contrárias que se
originam dos avanços nas biotecnologias.
3 Dito isto, temos plena consciência de que o modo anárquico de
incorporação destas apropriações industriais parciais da produção
rural é a causa dos custos sociais incalculáveis da poluição
ambiental e da degradação ecológica das áreas rurais.
4 A respeito da queda de fertilidade das terras agrícolas pelo
“solapamento do solo” associado com a rápida mecanização da
produção de milho nos anos 1870-1937, ver Bray e Watkins (1964).
5 Parker e Klein (1966), que calculam que a produção por hora-
homem na produção de grãos nos Estados Unidos quadruplicou
entre 1840-60 e 1900-10, atribuem este crescimento à mecanização
e à incorporação de novas terras. Rasmussen (1962) dá mais
ênfase à mecanização do que à melhoria da qualidade da terra,
observando que a produção de trigo declinou no período de 1840-
80. Este período coincidiu com a redução mais marcante em horas-
homem necessárias para produzir cem busbels* de trigo -de 223
para 152 horas-homem. A partir de então os ganhos de
produtividade do trabalho se estabilizaram. Os incrementos nas
safras por acre** somente começaram a contribuir significativamente
para o crescimento da produção e da produtividade depois de 1930. * Medida de capacidade equivalente a 35,238 litros. (N. do T.).
** Unidade de área equivalente a 4047m’ (N. do T.).
6 A capitalização da atividade agrícola é claramente ilustrada pela
lista apresentada por Bogue (1968) dos implementos e máquinas
agrícolas em exibição na Feira do Estado de Iowa de 1857. Para
uma discussão mais detalhada, além de Bogue (1968), ver Danhof
(1969) e as contribuições à literatura sobre os custos da atividade
agrícola, recentemente resenhadas por Atack (1982).
7 As implicações da relação entre tecnologia e oferta de mão-de-
obra para o trabalho rural são discutidas no capítulo sobre as
estruturas rurais.
8 Nas palavras de um pioneiro do Estado de Iowa recordando seu
aprendizado com a relha de madeira e com os arados puxados por
bois, estes eram “…apenas um pouco melhores do que o
instrumento do antigo Egito obtido de um galho de árvore em forma
de garfo, com um pedaço grosseiro de ferro em um dos ramos e o
boi ou burro atado ao outro”. (Danhof, 1969: p. 184).
9 Sobre a persistência de métodos manuais de cultivo de cereais na
agricultura britânica até fins do século XIX, ver Collins (1969a e b;
1976). A possível influência das condições do terreno na
determinação da extensão e da configuração espacial da
mecanização agrícola na Inglaterra antes de 1870 é discutida por
David (1971).
10 Não nos ocupamos aqui do debate sobre os determinantes da
taxa de difusão dos implementos mecânicos da colheita no Meio-
Oeste. Os leitores interessados podem consultar David (1966),
Olmstead (1975, 1979), Ankli (1976) e Jones (1977).
11 Inicialmente se esperava que o motor a vapor se constituiria numa
importante fonte de economias de escala na agricultura no
monocultivo mecanizado de cereais. Os principais exemplos são as
fazendas bonanza do Vale do Rio Vermelho na Dakota do Norte e em Minnesota, inclusive a famosa fazenda Dalrymple que utilizava
tratores movidos a vapor na produção de trigo em larga escala.
Duas referências tradicionais a respeito desta experiência são
Drache (1964) e Murray (1967).
12 Sobre a apropriação da debulha manual por parte de máquinas
de tração animal e a difusão das debulhadoras a vapor nos Estados
Unidos, ver Bogue (1968) e Danhof (1969). No caso da agricultura
européia posterior a 1850, ver Dovring (1966).
13 Para uma discussão da literatura sobre a difusão dos tratores no
“Corn Belt”, onde as safras de fileiras cultivadas eram mais
importantes que nas regiões dos pequenos grãos, ver Bogue (1983).
14 Um possível desenvolvimento tecnológico futuro neste setor,
destinado a reduzir os altos custos de energia e os efeitos adversos
sobre a estrutura do solo provocados pelos pesados tratores de
grande potência, é sua substituição por um sistema automático de
plataformas elevadas cobrindo toda a extensão das safras por onde
guindastes correriam em trilhos permanentes. A respeito deste e de
outros avanços prováveis na mecanização da agricultura, ver
Matthews (1982). O papel da microeletrônica na agricultura
éconsiderado por Cox (1982).
15 Dovring (1966), que prefere distinguir entre mecanização e
motorização, sugere que antes da Segunda Guerra havia cerca de
200 mil tratores na Europa Ocidental. Este total cresceu de modo
espetacular no pós-guerra e havia ultrapassado a marca dos 2
milhões em meados da década de 1950.
16 Bogue (1983) estima que de 3 a 5 acres por cavalo adulto em
condições de trabalho foram liberados para uso como safras
alternativas e como pasto quando os cavalos foram substituídos
pelo trator.
17 Estes ritmos incluem a extensão do ciclo da planta e os períodos
da gestação animal, bem como as conseqüências para a produção e o tempo-trabalho advindas dos ciclos diurnos e sazonais.
18 Na produção de trigo, por exemplo, o número de horas-homem
por acre declinou de 35 em 1840 para 20 em 1880, e para 15 em
1900 (Rasmussen, 19(2).
19 Ao criticar o “descaso geral” por parte dos historiadores
econômicos com relação a “todo o problema da disponibilidade de
nutrientes”, Chorley (1981) destaca a “importância avassaladora”
para o crescimento da produtividade das culturas aráveis entre os
anos de 1750-1880 do “… incremento notável no cultivo de
leguminosas, a uma variável no lado da oferta na economia do
nitrogênio sujeita à manipulação humana naquele período de
tempo”. (ib.: p.71; grifo nosso).
20 “Alta agricultura” (high farming) também se refere às estratégias
para aumentar a produtividade e a lucratividade das operações
agrícolas por meio do incremento dos níveis de investimento fixo,
notadamente na drenagem dos campos e na construção de prédios
agrícolas para propósitos específicos.
21 Os principais fornecedores eram primeiramente a Prússia, em
seguida, a partir da década de 1830, a Rússia, a Índia, a partir de
década de 50, e o Egito, fornecedor de sementes de algodão, desde
1865” (Thompson,1968: p.67).
22 A data neste parágrafo está errada segundo Thompson (1968).
23 A famosa associação de Lawes com J.H. Gilbert também
começou em 1843 e seus subseqüentes experimentos de campo e
de laboratório em Rothamsted estabeleceram os princípios da
nutrição das plantas e demonstraram a importância dos fertilizantes
e dos adubos orgânicos no crescimento das culturas. Estas
descobertas, juntamente com sua rejeição da “teoria mineral” da
nutrição das plantas, de Liebig, levavam a debates vigorosos com o
celebrado químico alemão. Ver especialmente Russell (1966) e
Aulie (1974).
24 A demanda crescente por superfosfatos foi também um fator
determinante no crescimento inicial da indústria química pesada nos
Estados Unidos. Ver Haber (1958), para maiores detalhes.
25 Este papel-chave da indústria química no processo de
substitucionismo é examinado no Capítulo 2.
26 O carvão era a principal matéria-prima na produção de nitrogênio
anterior à década de 1940, quando foi superado pela nafta e pelo
querosene, destilados do petróleo, que, por sua vez, foram
deslocados pelo gás natural em fins da década de 50.
27 De certo modo esta luta parece agora ter completado todo um
círculo uma vez que as pesquisas correntes sobre a fixação
biológica do nitrogênio (BNF, biologica/ nitrogen fixation) voltam a
concentrar sua atenção nos legumes. As plantas da família
Leguminosae têm uma associação simbiótica com os
microorganismos fixadores de nitrogênio e uma das linhas de
pesquisa ocupa-se em descobrir meios de introduzir esta
associação nas principais espécies de culturas. Estes
desenvolvimentos recentes são considerados no Capítulo 3.
28 A produção barata das matérias-primas, nitrogênio e hidrogênio
sob a forma de gás, constituía-se como chave do sucesso comercial
do processo Haber. O problema da oferta e da purificação dos
gases foi resolvido pela introdução do processo Bosch-Wild em
1915 (Haber, 1971).
29 Estes recursos estavam além da capacidade de todas as firmas,
excetuando as gigantes como a IG Farben, Du Pont, Allied Chemical
e ICI. Haber (1971) sugere que os grandes custos de capital das
fábricas de amônia sintética incentivaram as fusões entre as
associadas, Hoechst-CasteIla e Agfa-Bayer-BASF, e diversas firmas
independentes, para formar a “primeira IG” em 1916. Esta
companhia, tendo oito firmas como membros, foi reorganizada em
1925. As fusões que levaram à criação da ICI em 1926 foram
também estimuladas “pela imposição do puro tamanho” exigido para assegurar participação nesta nova indústria de alcance mundial.
(Reader, 1970).
30 Por exemplo, as pesquisas sobre os efeitos da hibridização nos
rendimentos do milho já se realizavam no Meio-Oeste em fins da
década de 1870 (Bogue, 1983).
31 A mecanização da colheita do milho em seguida à introdução de
variedades híbridas é discutida separadamente mais abaixo.
32 Um levantamento sumário do desenvolvimento da indústria de
proteção de plantas está incluído em Braunholtz (1981). Embora
não dediquemos uma análise especial a esta indústria, ela tem sido
responsável por avanços importantes, que incluem como exemplo
os herbicidas sistêmicos. Os hormônios produzidos pelas plantas
para controlar o crescimento foram isolados nos anos 20, e na
década seguinte reguladores sintéticos de crescimento vegetal
foram desenvolvidos. Mais tarde, no final da década de 40, a
pesquisa, estimulada em parte pelo interesse do Governo
americano na guerra biológica, levou ao desenvolvimento de
reguladores sintéticos de crescimento como herbicidas sistêmicos,
incluindo o 2,4 ácido dicloro fenoxiacético (Peterson, 1967), que
ganhou fama durante a guerra do Vietnã como “agente laranja”.
33 Os exemplos de convergência tecnológica examinados antes
nesta discussão apontaram para a maneira em que as fronteiras de
apropriacionismo foram estendidas pelos avanços na biologia de
plantas.
34 Sobre estes desenvolvimentos nos Estados Unidos, veja AlIen
(1979).
35 Além de Rossiter (1979), o sistema americano é analisado
também por Rosenberg (1977), que destaca as dificuldades
experimentadas pelos cientistas dedicados à pesquisa pura. Russel
(1966) discute o desenvolvimento da ciência agrícola na Inglaterra. O sistema japonês, a mais bem-sucedida destas iniciativas
precoces, é examinado por Johnston e Kilby (1975).
36 Tanto Rosenberg (1977) quanto Rossiter (1979) sustentam que o
novo sistema não conseguiu produzir avanços significativos na
criação de plantas antes da década de 1930.
37 Ver Kimmelmann (1983), para uma interessante discussão do
contexto agrícola dos primórdios da pesquisa genética e eugênica.
Fontes adicionais são os trabalhos de Allen (1979), Kevles (1980),
Rosenberg (1976) e Rossiter (1975; 1979).
38 Para uma discussão mais geral a respeito do surgimento, entre
1910 e 1930, da “nova genética”, ver Allen (1979).
39 A realização do potencial mais alto de rendimento das sementes
híbridas dependia também de mudanças na administração das
unidades agrícolas e nas práticas de cultivo, assim como no uso
mais intensivo de fertilizantes, como notamos abaixo.
40 Mais recentemente, além das variedades de milho de polinização
aberta e de milho híbrido, “…um terceiro grupo de variedades
’sintéticas’ foi obtido através da combinação de linhas selecionadas
de plantas e de sua produção e multiplicação por quatro ou cinco
gerações através de polinização não submetida a controle. Os
rendimentos situam-se entre os das duas outras variedades
normalmente. Entretanto, as sementes só necessitam ser
substituídas a cada três ou quatro anos” (Pearse, 1980).
41 Há uma certa controvérsia a respeito da contribuição relativa das
variedades híbridas e dos inputs crescentes de fertilizantes na
obtenção destes rendimentos mais altos, e diversos estudos são
citados por Hayami e Ruttan (1971). Os inputs de fertilizantes por
hectare de terra cultivada nos Estados Unidos subiram de 11 para
25 quilos de nutrientes agrícolas entre 1940 e 1950, e chegaram a
49 quilos em 1960 Oohnston e Kilby, 1975).
42 As tecnologias intensivas em capital e energia associadas com as
sementes híbridas não apenas reverteram o longo declínio dos
rendimentos das safras mas também reduziram a demanda de terra.
Por exemplo, de acordo com Heady (1982: p. 31), “em 1979, a
produção de milho de 7,6 bilhões de bushels em cerca de 169,4
milhões de acres teria exigido 271,9 bilhões de acres nos níveis de
rendimento de 1910”.
43 Estas variedades foram introduzidas na década de 1920 e
amplamente difundidas na década de 30. A aplicação muito anterior
a isto de técnicas de hibridização no cultivo do arroz de clima
temperado, durante o século XIX no Japão, e sua posterior
transferência para a agricultura tropical em Taiwan, também é
discutida por Johnston e Kilby (1975).
44 Sobre a evolução das variedades de alto desenvolvimento (VAR)
* e o papel de destaque das fundações filantrópicas americanas na
criação de uma rede internacional de centros de pesquisa agrícola,
ver Hewitt de Alcântara (1976), Dahlberg (1979) e Pearse (1980).
Esta rede fornece a base institucional para a transferência de VAR s
e de técnicas de criação de plantas e é agora financiada por um
consórcio multinacional, o Grupo Consultivo para a Pesquisa
Agrícola internacional: * *apoiado por governos, agências
multilaterais e fundações do mundo ocidental.
* Em inglês, Consultative Group on International Agricultural
Research (CGIAR).
** Em inglês, HYV’s (High-Yelding Varieties).
45 Há atualmente uma enorme literatura dedicada aos efeitos
econômicos e sociais da “nova tecnologia” sobre a agricultura
camponesa, incluindo a série de estudos da UNRISD que fornecem
a base para Pearse (1980).
46 Byres (1981) revê, para o caso da Índia, a literatura sobre a
importância relativa dos fatores técnicos e econômicos para
determinar “se a ’nova tecnologia’ é portadora da mecanização”.
47 Muitos autores, incluindo Palmer (1972), deram destaque ao fato
de que, além dos fertilizantes químicos, as novas variedades são
muito mais dependentes que as variedades indígenas com relação
aos pesticidas, fungicidas e herbicidas para que as safras, sob o
manto de sua proteção, realizem seu potencial de rendimento.
48 Naturalmente, não se nega com isto que as inovações mecânicas
podem, independentemente, redefinir o processo rural de trabalho.
49 Palmer (1972) alerta quanto às graves conseqüências desta
intervenção e da correspondente erosão da diversidade genética
mundial de culturas alimentícias à medida em que as VARs criadas
pelo homem ocupam terras previamente dedicadas às variedades
indígenas e aos cultivares primitivos, descendentes das variedades
originais ou ecotipos. Ele frisa enfaticamente que “…a necessidade
vital de preservar o reservatório de diversidade genética
insubstituível que fornece ao moderno criador de plantas seus
’blocos de construção’ básicos deve ser preocupação de todos os
planejadores agrícolas” (ib.: p. 83). Para uma discussão mais
recente da erosão genética e da ameaça aos recursos genéticos
agrícolas mundiais, ver Money (1983).
50 Deveríamos observar, de passagem, que os compostos
forrageiros, que não possuem os valores culturais e os simbolismos
associados com o alimento humano, são talvez a manifestação mais
clara da tendência na direção dos produtos reconstituídos. A
forragem animal enfatiza, igualmente, o crescente domínio da
indústria química.
51 A atual crise no setor dos tratores e equipamentos agrícolas e as
dificuldades de grandes firmas como a International Harvester e a
Massey-Ferguson, confrontadas com mercados saturados e lentos,
são indicadores disto.
52 A expansão dos capitais mercantis com o surgimento do comércio
transoceânico de grãos é examinado por Morgan (1979), que apresenta um relato fascinante das origens das cinco companhias
que atualmente dominam este comércio.
53 Antes de 1870, a indústria de moagem se caracterizava pelo
grande número de moinhos rurais espalhados, usando o vento e a
água, e não o vapor, como força motriz.
54 Um biólogo americano, Clarence Birdseye, introduziu métodos
mecânicos de congelamento rápido em 1930 e, em seguida,
associou-se à General Foods Corporation, que consolidou um
empreendimento mundial sob a marca registrada Birds Eye. Os
direitos europeus ao uso da marca e da técnica de refrigeração
foram adquiridos pela Unilever, que continua a controlar a
subsidiária para o Reino Unido, agora denominada Birds Eye Wal/’s
(The Times, 9/2/1985).
55 As condições na indústria de processamento da carne são
descritas pelo famoso romance de Upton Sinclair, Thejungle.
Acirradas campanhas denunciando a corrupção eram dirigidas
contra as atividades do “maior trust do mundo”. Há uma extensa
literatura que trata do período anterior a 1920, muita da qual se
ocupa das origens da legislação antitrust e das políticas públicas de
regulamentação.
56 Usava-se gelo para transportar peixe e carne fresca, enquanto
que os métodos de salgadura, defumação e secagem ao sol são de
origem antiga. Em meados do século XIX, números consideráveis
de animais vivos eram transportados dos Estados Unidos para
abate na Inglaterra.
57 Sobre o mercado potencial para um substituto da manteiga na
classe trabalhadora em expansão nas novas cidades industriais da
Inglaterra e Alemanha, ver Wilson (1954).
58 A nova indústria da margarina foi estabelecida primeiro no
Holanda por capitalistas mercantes, como Jergens e Van der
Berghs, que finalmente se tornaram sócios na Unilever.
59 Esta mesma dinâmica e uma mudança semelhante na oferta de
matéria-prima que passou de óleos e gorduras animais para
vegetais são evidentes no crescimento da indústria de sabões, este
outro grande braço das operações da Unilever.
60 Estas tentativas foram intensificadas pelos preços crescentes e
inconstantes das gorduras animais, provocados pelo aumento
constante da demanda por parte dos fabricantes de margarina e
sabões, e pela formação em 1901 de um cartel pelos processadores
de carne americanos.
61 Inovações recentes nas técnicas de separação e fracionamento
usadas na indústria alimentícia têm efeitos semelhantes, liberando
os fabricantes das limitações impostas pelas cadeias
agroalimentícias, como destacamos abaixo.
62 Até a década de 1920, esta indústria era dominada por dois
grandes ramos -a indústria artificial de soda e tinturas orgânicas
sintéticas -cujos destinos estavam intimamente ligados às
demandas da produção têxtil.
63 Os azocorantes, ainda hoje amplamente utilizados na coloração
de alimentos, foram introduzidos nesse período.
64 Tinturas sintéticas também fornecem a base para a expansão de
diversas outras firmas de renome, incluindo a Hoechst, Bayer e
Agfa.
65 Esta expansão é atribuída por Haber (1971) a T.J. Kreps.
66 A celulose era tratada com soca cáustica aquosa e, em seguida,
com bisulfito de carbono para se obter uma forma solúvel de
celulose denominada viscose, produzida através de técnicas de
extrusão. O quarto método principal, o processo de acetato de
celulose, foi introduzido comercialmente na década de 20. Foram os
irmãos Dreyfus os responsáveis por este desenvolvimento que levou
à formação da Britisb Celanese Limited (Coleman, 1969).
67 A respeito da estrutura dos setores de fabricação e de distribuição
varejista de alimentos nos Estados Unidos, ver Parker (1976) e
Connor (1980). O caso britânico é examinado por Burns (1983) e
Burns et al. (1983). Os países membros da OECD (Organização
para a Cooperação Econômica e o Desenvolvimento) são
examinados em OECD (1979).
68 Isto é menos válido para os setores de processamento primário
que produzem ingredientes intermediários básicos para os
fabricantes dos produtos alimentícios finais. Esses setores operam
com baixas margens de lucro fabricando produtos relativamente
homogêneos e as economias de escala da produção em massa são,
conseqüentemente, mais importantes.
69 As implicações para a estrutura da indústria de produção de
alimentos advindas das novas formas de substitucionismo,
particularmente a crescente importância da microbiologia no
processamento alimentício, são examinadas abaixo em diversos
momentos e, principalmente, no Capítulo 3.
70 É significativo que os grandes processadores de alimentos na
Inglaterra, especialmente Booker McConnell, moveram-se
rapidamente para dominar a indústria de “alimentos naturais” e as
instalações de distribuição varejista.
71 Estas estimativas da proporção da produção realizada sob
contrato e da integração vertical em 1970 são tiradas de USDA-ERS
(1972), citadas por OECD (1979). Para as mudanças recentes nas
relações contratuais entre agricultores e processadores no Reino
Unido, ver Malcoln (1983).
72 As técnicas mais amplamente utilizadas atualmente são as de
propagação clonal e somaclonal. A primeira pode ser usada para a
produção em grande escala de “cópias-carbono genéticas” de
variedades híbridas superiores. A propagação somaclonal usa
métodos de cultura de tecidos para capturar a variabilidade genética
que pode, então, servir como base para o desenvolvimento de novas linhas de reprodução e de variedades aperfeiçoadas (Sharp
et al. 1984).
73 Sobre esta questão, ver OECD (1979) e Dunnill (1981).
74 Com exceção das firmas gigantes, os gastos com pesquisa e
desenvolvimento científico na indústria alimentícia são pequenos e
voltados principalmente para formas secundárias de inovação de
produtos, que exigem pouco, ou nenhum, aperfeiçoamento
tecnológico. Dunnill calcula que a maioria das firmas do Reino Unido
gastam menos de 1 % de suas rendas com as vendas, em
pesquisa, enquanto que as grandes firmas químicas e farmacêuticas
gastam entre 3 e 10%.
75 Citado em OECD (1979: p. 304).
76 De acordo com a OECD (1979: p.341), “O conceito de
fracionamento pode ser aplicado ao nível mais baixo, o da molécula
orgânica, onde já não é mais o caso de se separar dois
componentes identificáveis pré-existentes mas de partir um
componente em dois ou mais”. Por exemplo, o grupo de
carboidratos conhecidos como dissacarídeos, que inclui a sucrose, e
a lactose, podem ser hidrolizados em dois açúcares simples
(monossacarídeos), a glucose e a frutose.
77 A indústria alimentícia está, assim, apropriando-se de parte do
valor agregado na preparação dos alimentos anteriormente
representado pelo trabalho doméstico.
78 Numa investigação da indústria alimentícia entre 1935 e 1965,
citada pela OECD (1979), Buzzel e Nourse (1967) apontam dez
produtos como “verdadeiramente novos” em termos de forma,
tecnologia ou ingredientes, para distinguir dos aperfeiçoamentos de
produtos ou das ampliações das linhas de produtos existentes.
Estes dez são: misturas para bolos, vegetais congelados e café
instantâneo (que foram introduzidos antes da Segunda guerra),
batatas desidratadas, jantares congelados, concentrados de suco de frutas, alimentos dietéticos líquidos, leite em pó desnatado, arroz
empacotado, e “creme” em pó para café.
79 Como sugerimos abaixo, no Capítulo 3, estas mudanças
alcançarão um ímpeto muito mais acentuado à medida em que as
biotecnologias avançadas aumentarem o grau de deficiência com
que as plantas e as outras matérias vegetais puderem ser
convertidas em alimentos, rações, fibras, produtos químicos e
combustível. Do mesmo modo, as safras agrícolas tradicionais
enfrentarão uma concorrência crescente por parte de outros
materiais renováveis que poderão ser usados como substratos
desses produtos de consumo final.
80 Para uma maior discussão dos aditivos alimentares, ver Taylor
(1981), flightower (1976) e Millstone (198’5; 1986).
81 Estes produtos podem também ser derivados de outras fontes
menos convencionais de proteína, incluindo biomassa, resíduos de
safras, dejetos orgânicos, algas e hidrocarbonos. As tecnologias de
extrusão alimentar desempenharam um papel importante no rápido
crescimento da indústria de petiscos (snack products) desde 1950.
82 A proteína de soja foi aprovada como suplementador de carne no
programa de alimentação escolar norteamericano em 1970.
83 Inovações recentes nas técnicas de separação alimentar que
dependem muito da engenharia química incluem solventes de
extração, troca, intercâmbio de íons na purificação do açúcar, e
filtragem (de, por) membranas.
84 A Primavera Silenciosa, de RacheI Carson, publicado em 1962,
foi um dos primeiros trabalhos a alertar a consciência pública sobre
os efeitos perigosos e ecologicamente danosos dos agroquímicos.
85 O desmatamento das florestas tropicais para formar pastagem e
produzir carne para hambúrgueres e as políticas de subsídio à agricultura de exportação às expensas das culturas alimentares
constituem exemplos.
86 A extensão e os custos da erosão do solo nos EUA são
considerados por Crosson (1982).
87 O crescimento da produtividade das culturas diminuiu
significativamente desde 1972, dando origem à especulação de que
os limites da produtividade estão sendo alcançados. A evidência foi
revista por Heady (1982).
88 A abundância de relatórios originários de agências públicas,
instituições multilaterais e de encontros científicos constitui um sinal
óbvio sobre a “redescoberta” da biotecnologia e confiança em seu
futuro comercial. Uma lista de publicações pode ser encontrada em
BulI et al. (1982).
89 Dentre as mais importantes pesquisas recentes sobre
biotecnologia, ver BulI et al. (1982) e Ota (1981; 1984).
90 As origens históricas da biologia molecular nas antigas versões
da genética estruturalista, bioquímica e informacional são discutidas
por Allen (1978).
91 As inovações que constituem esse “ferramental” são discutidas
por Cherfas (1982).
92 Grupos de pesquisadores das Universidades de Ghent e Leiden
usaram o plasmídeo Ti, com sucesso, como o sistema vetorial em
trabalhos com duas plantas monocotiledôneas, o aspargo e o
narciso (The Economist, 6.4.1985).
93 O CRS (1984) sugere que aplicação mais ampla dos métodos de
cultura de tecidos é inibida pelas dificuldades em regenerar plantas
completas de células isoladas. Aplicações comerciais bem-
sucedidas incluem plantas ornamentais, hortícolas, frutas e as
palmáceas da tâmara, coco e dendê.
94 Para uma avaliação das possíveis aplicações de técnicas
microbiológicas ao aperfeiçoamento de plantas, veja Barton e Brill
(1983).
95 De acordo com estimativas de consultores, L. WiIliam Teweles &
Co., citadas por CRS (1984), prevê-se que o valor das sementes
incorporando as melhorias devido a novas biotecnologias vegetais
deverá aumentar de 8 milhões de dólares em 1985 para 6 bilhões
de dólares por volta do ano 2000.
96 Programas seletivos de melhoramentos podem produzir retornos
significativos. Assim, por concentrar em variedades de soja
relativamente mais eficientes em FBN ao invés de aumentar a
produtividade através de fertilizantes, produtores brasileiros têm
feito economias no consumo anual de fertilizantes nitrogenados da
ordem de 1 bilhão de dólares. Um programa semelhante está
atualmente em curso para a cana-de-açúcar, em seqüência à
identificação de uma variedade que fixa nitrogênio diretamente do ar
(FT70 The Economist, 2.11.1985).
97 O “estado da arte” em fixação biológica do nitrogênio foi revisto
por Brill (1981), Barton e Brill (1983) e vários articulistas de BOSTID
(1982).
98 De acordo com Brill (1982), os fazendeiros dos EUA dispendem
aproximadamente 1 bilhão de dólares em fertilizantes nitrogenados
apenas na cultura do milho. Isto ilustra o mercado potencial para
variedades capazes de fixar biologicamente o nitrogênio, bem como
para aquelas que fazem uso mais eficiente dos fertilizantes químicos
aplicados ao solo.
99 Essas aquisições são parte, freqüentemente, de estratégias
corporativas mais amplas em microbiologia e biociências, das quais
a biotecnologia vegetal representa apenas um elemento. Uma vez
que os avanços em biotecnologia possuem aplicações em diferentes
setores, as grandes corporações que dominam hoje as indústrias
químicas, farmacêuticas e alimentícias não podem ignorar o potencial dessas inovações na reestruturação industrial. A compra
recente de firmas de sementes e de pesquisas genéticas deve ser
colocada no contexto das bioindústrias emergentes.
100 A diversificação pode ser provocada também por considerações
defensivas e por prospectos de crescimento. Assim, Morehouse e
Dembo (1984) citam estimativas de vendas, para 1992, das novas
sementes “bioengenhadas” fertilizantes e defensivos agrícolas, e
também dos mercados perdidos à medida que esses produtos
deslocam os existentes.
101 De acordo com Morehouse and Dembo (1984), 78 firmas citadas
na Lista das 500 Maiores Corporações Industriais dos E UA de
1982, da revista Fortune, tinham interesses ativos em biotecnologia.
102 A vulnerabilidade financeira das novas firmas de pesquisas e
desenvolvimento em biotecnologia e a sua falta de instalações
industriais e de comercialização as têm tornado presas fáceis para
as grandes e ávidas corporações, ansiosas por garantirem um ponto
de apoio na nova indústria.
103 Estudos conduzidos em Iowa mostram que metade do aumento
total na produtividade do milho desde 1950 é devida à adaptação de
híbridos e ambientes férteis, e o restante ao aperfeiçoamento da
fertilização, controle de pestes e outras práticas culturais.
104 As vendas mundiais estimadas nesses mercados em 1981
somaram 7,5 bilhões de dólares, incluindo-se aí produtos
nutricionais (2,5 bilhões), antibacterianos (2 bilhões) e vacinas (1
bilhão).
105 Pesquisas estão também em andamento para a manufatura de
vacinas sintéticas para a febre aftosa com base em proteínas feitas
pelo homem. Isso teria a vantagem da velocidade, uma vez que à
medida que novos vírus aparecessem, novas vacinas poderiam ser
compostas a partir de “elementos químicos baratos, retirados da
prateleira” (Tbe Economist, 25.2.84).
106 Esta discussão está baseada no projeto de instalação para o
alface de uma pequena companhia de hidroponia, chamada Hanock
Farms, realizado por Whittaker Agri-Systems, Whittaker Corporation.
107 As enzimas, que são proteínas, catalisam todas as reações
químicas vivas, e “cada reação simples, ou cada passo em uma
reação complexa, é catalisado por uma enzima que existe
especificamente para aquele propósito, de forma que as células
vivas contêm milhares de enzimas diferentes” (Perutz, 1985). Os
genes determinam a estrutura e forma das enzimas.
108 No caso das enzimas, por exemplo, a sua capacidade de
sintetizar ou decompor compostos químicos, ou de convertê-los a
uma forma diferente, é utilizada na indústria alimentar nas atividades
de fracionamento e separação.
109 Esse mercado é dominado por duas firmas européias, a Novo
Industries da Dinamarca e a Gist Brocades NV da Holanda. As
enzimas usadas na indústria alimentar têm sido tradicionalmente
extraídas das células de plantas e animais. No entanto, desde o
advento da engenharia genética, a produção de enzimas microbiais
de bactérias, fermentos e fungos vem aumentando rapidamente. Por
exemplo, a renina obtida dos estômagos dos bezerros para uso na
fabricação do queijo agora pode ser produzida através da
engenharia genética.
110 Como amostras de solo de todas a mais importantes regiões
geográficas já foram cuidadosamente estudadas, atualmente a
busca por enzimas estende-se aos ambientes mais hostis.
111 Seria errado assumir, no entanto, que apenas dificuldades
menores estão no caminho de aplicações bemsucedidas da
engenharia genética a microorganismos úteis industrialmente. A
OTA (1981) identifica, assim, “diversas limitações técnicas dignas de
nota” que devem persistir ainda por algum tempo.
112 Ulmer refere-se aqui ao desenvolvimento das técnicas de
segunda geração do ADN-recombinante, conhecidas como
engenharia de proteínas. Isso “significa que os produtos protéicos
especificados pelos genes podem ser modificados estruturalmente”.
(Dunnill e Rudd, 1984: p. 13).
113 O processo desenvolvido pela ICI para a conversão microbiana
do metanol derivado do gás natural em proteína comestível,
conhecida como “Pruteen”, talvez seja a iniciativa comercial mais
famosa em produção de PCU. O mercado atual para esse produto
está restrito a aditivos alimentares de alta proteína para bezerros e
leitões. Outros programas lançados nos anos 60, como os da British
Petroleum e da Shell, foram abandonados.
114 A produção soviética de PCU é de cerca de 1 milhão de
toneladas, e uma produção anual de cerca de 3 milhões de
toneladas seria necessária para substituir a soja importada como
fonte de proteína para a alimentação animal. Aproximadamente
metade da produção soviética de PCU é derivada da celulose e o
resto do petróleo (OTA, 1984).
115 Financial Times, 11.9.1984. A micoproteína foi aprovada como
segura para consumo humano em 1980, após quase vinte anos de
trabalhos de P&D. A joint venture permitirá à RHM utilizar as
instalações de fermentação da ICI e os conhecimentos de
engenharia de processos desenvolvidos quando da produção da
ração animal feita com PCU, a “Pruteen”.
116 Outras aplicações incluem a produção de antibióticos de
penicilina, aminoácidos L e tratamento de dejetos. No entanto,
Cheetham (1983) enfatiza que essa tecnologia encontra problemas
difíceis de ampliação de escala em muitos casos.
117 Outras aplicações incluem a produção de antibióticos de
penicilina, aminoácidos L e tratamento de dejetos. No entanto,
Cheetham (1983) enfatiza que essa tecnologia encontra problemas
difíceis de ampliação de escala em muitos casos.
118 De acordo com Stewart (1983), a Standard Brands, Nabisco
Brands desde 1981, que foi pioneira do XMAF nos Estados Unidos,
usou a mutagênese para aumentar o ritmo de produção da
isomerase de glicose por um fator de 200 em relação ao organismo
original. A frutose é 1,7 vez mais doce que o açúcar de cana
(sacarose) em uma base de peso por peso. Os XMAF de segunda
geração, ou os xaropes “enriquecidos “, têm uma concentração de
frutose de 55% ou mais.
119 Crott (1982), por exemplo, estima que os adoçantes de milho e
outros substitutos responderão por 9% do mercado mundial de
açúcar em 1990.
120 No caso dos combustíveis e dos produtos químicos, é essencial
manter a mente aberta sobre a competitividade das matérias-primas
da biomassa em relação a fontes alternativas (petróleo, carvão, óleo
de xisto, areias betuminosas, energia nuclear), bem como sobre a
eficiência dos diferentes métodos de conversão da biomassa
(combustão, pirólise, hidrólise, gaseificação ou fermentação). Para
uma discussão adicional, veja Bull et al. (1982).
121 A expansão do cultivo da cana-de-açúcar deslocou culturas
alimentares básicas, gerando um quente debate sobre os méritos
das estratégias do “combustível versus alimentos” (Homem de Meio
e Fonseca, 1981; IBRD, 1981). Para uma recente avaliação
econômica do programa brasileiro do álcool, veja Seroa da Motta
(1985).
122 O etanol é menos versátil que o petróleo como matéria-prima
química, uma vez que os seus subprodutos não incluem os
aromáticos, como o benzeno.
123 Já em meados dos anos 70, 58 centavos de cada dólar gasto
pelos consumidores em alimentação e preços do varejo nos Estados
Unidos foram para os processadores de alimentos (Heady, 1976).
124 O programa americano do etanol foi, recentemente, reduzido
significativamente. Os mercados de exportação para o glúten de
milho, o co-produto-chave da indústria de XMAF, estão ameaçados
pelas políticas da CEE de promover a produção de rações animais
na Europa, bem como por mudanças possíveis na regulamentação
das importações.
125 Apesar de os interesses ligados ao milho terem sido bem-
sucedidos em solapar a proteína de célula única baseada no
petróleo no Ocidente, a produção continua a se expandir nos países
do Bloco do Leste. A queda no preço do petróleo também
provavelmente reviverá o desenvolvimento da PCU no Oriente
Médio.
126 A crescente preferência por baixa ingestão de colesterol resultou
em uma mudança pronunciada em direção a produtos lácteos mais
processados nos EUA. O consumo per capita de leite integral fresco
caiu 40% de 1955 a 1978, enquanto que o consumo de leite
desnatado ou semidesnatado subiu 390%. O consumo per capita de
manteiga caiu 45 % no mesmo período e alcança agora um nível de
4 libras, em comparação com 12 libras para a margarina (Forste e
Frick, 1979).
127 Citado em OTA (1981).
128 Entendemos que os benefícios da garantia de preços agrícolas
foram distribuídos desigualmente entre grandes e pequenas
fazendas e que esses efeitos distribucionais são, em si, uma
explicação importante para a crescente concentração da estrutura
rural no pós-guerra. Sobre o caso dos EUA, ver Lin et al. (1981).
129 Entre 1920, quando foi enumerada pela primeira vez, e 1979, a
população agrícola dos EUA caiu aproximadamente 80%; um
decréscimo absoluto de 24,25 milhões de pessoas (USDA, 1981).
130 No Reino Unido, a consolidação de fazendas tem sido um
processo muito mais lento e o tamanho médio das mesmas apenas dobrou desde o início do século.
131 De acordo com Clout (1984), o número de fazendas de tempo
parcial acima de um hectare na CEE, no início dos anos 70, foi
estimado, conservadoramente, em dois milhões, e a Alemanha
Ocidental e a Itália responderam, cada uma, por pouco mais de um
terço do total.
132 Assim, Buttel (1983) cita dados de 1973 que indicam que
aquelas grandes fazendas que possuíam trabalhadores de tempo
integral tinham oito trabalhadores, em média.
133 Não houve a intenção de fazê-los completamente abrangentes.
Por exemplo, embora não consideradas a seguir, as biotecnologias
provavelmente farão uma contribuição importante a qualquer
transição dos cultivos intensivos em combustível fóssil para formas
modernas de agricultura orgânica.
134 O melhor exemplo, no caso de culturas aráveis, é a proposta
atual da Confederação Européia das Indústrias Químicas para
pesquisa sobre a produção de óleos de sementes de “cadeias
curtas”. O mesmo princípio aplicase a criações, com pesquisas em
andamento para transformar a vaca leiteira em uma “fábrica de
proteína” capaz de competir com a própria indústria farmacêutica
(“La Vache Pharmacienne”, Science et Vie, março de 1986).