Dispersão

Mário de Sá-Carneiro · Capítulo 1 de 12

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Dispersão

Escavação

 

 

Numa ansia de ter alguma cousa,

Divago por mim mesmo a procurar,

Desço-me todo, em vão, sem nada achar,

E a minh'alma perdida não repousa.

 

Nada tendo, decido-me a criar:

Brando a espada: sou luz harmoniosa

E chama genial que tudo ousa

Unicamente á força de sonhar…

 

Mas a vitória fulva esvai-se logo…

E cinzas, cinzas só, em vez do fogo…

—Onde existo que não existo em mim?

 

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

 

Um cemiterio falso sem ossadas,

Noites d'amor sem bôcas esmagadas—

Tudo outro espasmo que principio ou fim…

 

Paris 1913—maio 3.

III—Inter-sonho