Dispersão

Mário de Sá-Carneiro · Capítulo 6 de 12

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Dispersão

Estátua Falsa

 

Só de ouro falso os meus olhos se douram;

Sou esfinge sem misterio no poente.

A tristeza das coisas que não foram

Na minha'alma desceu veladamente.

 

Na minha dôr quebram-se espadas de ansia, Gomos de luz em treva se misturam.

As sombras que eu dimano não perduram, Como Ontem, para mim, Hoje é distancia.

 

Já não estremeço em face do segredo;

Nada me aloira já, nada me aterra:

A vida corre sobre mim em guerra,

E nem sequer um arrepio de medo!

 

Sou estrela ébria que perdeu os ceus,

Sereia louca que deixou o mar;

Sou templo prestes a ruir sem deus,

Estátua falsa ainda erguida ao ar…

 

Paris 1913—Maio 5.

VIII—Quasi