Geografia e anarquismo

Amir El Hakim de Paula · Capítulo 9 de 9

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Geografia e anarquismo

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Notes

 

Introdução

 

1. Veja-se, por exemplo, o caso da revista Herodote, que

consagrou uma edição especial ao geógrafo francês com o título de Élisée Reclus, geógrafo libertário. No Brasil, temos a quinquagésima edição do Boletim Paulista de Geografia, na qual Aroldo de Azevedo, mesmo tecendo vários elogios ao trabalho do geógrafo francês, acentuou em diversos momentos a opção revolucionária e anarquista dele.

↵

2. Como demonstram Woodcock e Avakumovic (1978, p.79,

tradução nossa) “suas observações sobre a vida animal despertarão consideráveis dúvidas em Kropotkin como em Poliakov a respeito da insistência de Darwin na luta pela vida como um fator de evolução, proporcionando assim os primeiros dados sobre o que Kropotkin elaboraria mais tarde como sua própria teoria da evolução baseada no apoio mútuo”. [“sus observaciones sobre la vida animal despertaron considerables dudas tanto en Kropotkin como en Poliakov respecto a la insistencia de Darwin en la lucha por la vida como factor de evolución, proporcionando así los primeros datos sobre los que Kropotkin elaboraría más tarde como su propia teoría de la evolución basada en el apoyo mutuo”.]

↵

 

1 A influência de Robert Malthus e

 

William Godwin nos pensamentos de Charles Darwin e Piotr Kropotkin

 

respectivamente

 

1. A Enciclopédia Britânica surgiu em 1768 em Edimburgo e,

desde 1901, é publicada por uma empresa norte-americana.

↵

2. “It was Godwin, in his Enquiry Concerning Political Justice (2

vols., 1793), who was the first to formulate the political and economic conceptions of anarchism, even though he did not give that name to the ideas developed in his remarkable work.”

↵

3. “As to the state, Godwin frankly claimed its abolition. A society,

he wrote, can perfectly well exist without any government.”

↵

4. A biografia que fazemos de William Godwin baseia-se quase

que totalmente na versão espanhola de seu livro Enquiring Concerning Political Justice and Its Influence on General Virtue and Happiness, publicado em Gijon no ano de 1985.

↵

5. A biografia que destacaremos aqui baseia-se largamente na

edição da Nova Cultural dos economistas.

↵

6. Uma das principais obras de referência desse assunto é o livro

de Amélia Damiani, População e Geografia, que se encontra na nona edição.

↵

7. “John McCulloch wrote on December 25 to Ricardo: Have you

seen Godwin against Malthus? To me it appears below contempt. […] Malthus, in a letter to Francis Place on February 19 said: Mr. Godwin in his late work has proceeded to a discussion of the principle of population with a degree of ignorance of his subject, which is really quite inconceivable.”

↵

8. “This article examines some crucial nineteenth-century sources

of the idea of the ‘survival of the fittest’, which came to underpin

many of the social and political doctrines later associated with the theory of natural selection, and also what were regarded as some of the limits of this idea. It contends that there was in fact far more than mere coincidence in the obviously provocative role played by Malthus’s Essay for both Darwin and Wallace.”

↵

9. “In October 1838, that is, fifteen months after I had begun my

systematic enquiry. I happened to read for amusement Malthus On Population and being well prepared to appreciate the struggle for existence which everywhere goes on, from long-continued observation of the habits of animals and plants, it at once struck me that under these circumstances favourable variations would be the formation of new species. Here, then, I had at last got a theory by which work.”

↵

10. Malthus (1996, p.244), em várias passagens de seu livro,

destaca a presença desse pensamento utópico nas análises de Godwin: “uma teoria não verificada na prática não pode ser razoavelmente assegurada como provável, muito menos como correta, até que todos os argumentos contra ela tenham sido sabiamente confrontados e refutados clara e firmemente”.

↵

11. Entre outros trabalhos que influenciaram ou foram alvo de

críticas temos: A Vindication of Natural Society (1756) e Reflections on the French Revolution (1790), de Edmund Burke; The Rights of Man (1791), de Thomas Paine, entre outros.

↵

12. “Penso que posso elaborar adequadamente dois postulados.

Primeiro: que o alimento é necessário para a existência do homem. Segundo: que a paixão entre os sexos é necessária e que permanecerá aproximadamente em seu estágio atual. Essas duas leis, desde que nós tivemos qualquer conhecimento da humanidade, evidenciam ter sido leis fixas de nossa natureza…” (Malthus, 1996, p.246).

↵

13. “No curso de nossas considerações sobre a autoridade política,

demonstramos que todo indivíduo está obrigado a resistir a

qualquer ação injusta de parte da comunidade. Mas quem será juiz dessa injustiça? A questão se responde por si mesma: o critério pessoal de cada um.” [“En el curso de nuestras consideraciones acerca de la autoridad política, hemos demostrado que todo individuo está obligado a resistir cualquier acción injusta de parte de la comunidad. ¿Pero quien será juez de esa injusticia? La cuestión se contesta por sí misma: el criterio personal de cada uno.”] (Godwin, 1986, p.117, tradução nossa.)

↵

14. “[…] la desigualdad natural a que se hace referencia fue

originariamente mucho menos pronunciada de lo que es ahora. […] No hay en verdad tanta diferencia efectiva entre los individuos como para permitir a uno mantener subyugados a mucho otros, salvo sí estés consienten en ello.”

↵

15. “Somos participes de una naturaleza común. Las mismas

causas que contribuyen al bienestar de uno, contribuyen al bienestar de otro. Nuestros sentidos y nuestras facultades son de índole semejante, lo mismo que nuestros placeres y nuestras penas. No hallamos todos dotados de razón, es decir somos capaces de comparar, de inferir, de juzgar. Seremos previsores para nosotros mismos y útiles para los demás, en la medida que nos elevemos por encima de la atmosfera de prejuicios que nos rodea.”

↵

16. “I shall attempt to prove two things: first, that the actions and

dispositions of mankind are the offspring of circumstances and events, and not of any original determination that they bring into the world; and, secondly, that the great stream of our voluntary actions essentially depends, not upon the direct and immediate impulses of sense, but upon the decisions of the understanding.”

↵

17. “Before Malthus wrote his essay, eighteenth-century political

theorists regarded a large and thriving population as evidence of a prosperous and well-governed policy. David Hume expressed

this typical view when he wrote that “if everything else be equals, it seems natural to expect that, wherever there are most happiness and virtue, and the wisest of institutions, there will also be most people.”

↵

18. “If the principle of population had gone on unchecked for

eighteen hundred years, it would have produced men enough to fill the whole visible universe with human creatures as thick as they could stand: this is so many words the doctrine of our author.”

↵

 

2 As origens do conceito de apoio

 

mútuo

 

1. Para mais detalhes ver Todes (1989).

↵

2. Os principais debates apontados nessa parte terão como base

a pesquisa realizada por Todes (1989).

↵

3. O mir era uma divisão das terras aráveis entre os camponeses

russos. Essa típica organização levava-os a formação de grandes acordos entre os membros (geralmente camponeses livres), propiciando a construção de uma sociabilidade mais solidária. Ao Estado e aos donos de terras, a divisão das glebas era interessante no que tange ao pagamento de impostos.

↵

4. “The more intensely capitalists oppressed workers, the less

workers competed among themselves – and so the less they produced. If this oppression were eased, workers would compete more strenuously among themselves and this would lead to greater well-being. Similarly, if external factors inhibiting the accumulation of capital were relaxed – Bibikov listed ‘political institutions, luxuries, vanity, extravagance, ambition,

greediness’ – this would intensify the struggle among capitalists and so generate a more rapid accumulation of wealth.”

↵

5. Sobre a relação entre o marxismo e o darwinismo na Rússia

czarista ver também Rogers (1963). Neste artigo há, inclusive, algumas menções de Engels a teoria da evolução, criticando a forte presença das análises realizadas por Malthus e demonstrando a ineficácia científica em aproximar a luta pela sobrevivência presente nos textos de Darwin com o conceito de luta de classes proposto por Karl Marx.

↵

6. Para mais detalhes da visão de Plekhanov sobre a relação

entre Marx e Darwin ver Bassin (1992)

↵

7. “The character of the external natural environment determines

the character of man’s productive activity, the character of his means of production. The means of production determine (in turn) the mutual relation of people in the process of production….and it is the interrelationship of people in the social process of production which determines the entire structure of society. For this reason, the influence of the natural environment on this structure is undeniable.”

↵

8. Como afirma Todes (1989, p.35, tradução nossa): “Populists

commentators in Fatherland Notes observed that the social stratification of the peasantry was undermining the peasant commune, which they thought was the basis of Russian socialism”. [Comentadores populistas no Fatherland Notes observavam que a estratificação do campesinato estava destruindo a comuna camponesa, que acreditavam ser à base do socialismo russo.]

↵

9. “Darwinism, for example, is democratic precisely insofar as it

directly or indirectly undermines those feudal principles which still survive. But not only is it not ‘democratic in essence’, but in sharpest and most defined manner it places inequality and

struggle in society at the cornerstone of its moral-political doctrine.”

↵

10. Temos, por exemplo, o caso de V.A. Zaitsev, que declarava que

a separação da humanidade em raças demonstrava ineficiente qualquer ideia de um congraçamento entre os povos, visto que a separação entre “raças humanas” apontava para a supremacia de uma cor sobre a outra. Mais detalhes ver Rogers (1963).

↵

11. Esse pequeno esboço biográfico baseia-se largamente no

trabalho de Todes (1989).

↵

12. “(1) The aspect of the struggle for existence is the organism’s

struggle with physical circumstances (or, less frequently, with members of other species); (2) organisms join forces to wage this struggle more effectively, and such mutual aid is favored by natural selection; (3) since cooperation, not competition, dominates intraspecific relations, Darwin’s Malthusian characterization of those relations is false; and (4) mutual aid so vitiates intraspecific conflict that this cannot be the chief cause of the divergence of characters and origin of new species.”

↵

13. “[…] he recalled one instance in which a duck and its offspring

were threatened by hunters. The duck fled, seemingly abandoning its defenseless young, but soon returned with a drake. While the drake distracted the hunters, the duck removed its offspring to safety.”

↵

14. “I do not reject the struggle for existence, but only affirm that the

progressive development both of entire animal kingdom and, especially, of mankind is not facilitated by mutual struggle so much as by mutual aid.”

↵

15. “Recuerdo la impresión que me produjo la fauna siberiana

cuando exploré las regiones de Vitim en compañía de un zoólogo tan competente como mi amigo Poliakov. Ambos

estábamos impresionados por nuestra reciente lectura de Origen de las Especies, pero buscamos en vano la marcada competencia entre animales de la misma especie que la lectura de la obra de Darwin nos había predispuesto a encontrar… Vimos muchos casos de adaptación a la lucha, muy a menudo común, contra las circunstancias adversas del clima o contra diversos enemigos, y Poliakov escribió más de una buena página sobre la dependencia mutua.”

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16. Mais detalhes ver Gould (1988).

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17. Mais detalhes ver Kropotkin (1975)

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18. Vários experimentos anarquistas tiveram a influência das ideias

de Kropotkin. O caso mais conhecido é o da Colônia Cecília, comunidade autogestionária surgida no final do século XIX no Paraná.

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19. Essa discussão realizaremos no Capítulo 4.

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20. Sobre o darwinismo social ver Leonard (2009).

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3 Piotr Kropotkin versus Thomas

 

Huxley: a crítica anarcocomunista ao

 

pensamento único darwinista

 

1. “Darwin’s book is very important and serves me as a basis in

natural science for the class struggle.”

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2. Mais detalhes ver Colp Jr. (1974, p.330).

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3. Essa biografia está baseada no verbete da Britannica Online

Encyclopedia, acesso em 9 out. 2015.

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4. É importante frisar que, ao escolhermos compreender a

publicação desses trabalhos à luz do momento político, não estamos descartando, como formadoras de seu pensamento, as questões familiares (morte de uma filha doente um pouco antes da publicação do artigo) ou a constituição intelectual de Huxley, que, vivendo em uma Inglaterra vitoriana marcada pelo rápido processo de industrialização e êxodo rural, poderia ter sido induzido a acreditar piamente em uma visão pessimista sobre a influência dos fatores ambientais na evolução humana. Mais detalhes sobre essas influências na elaboração desse importante artigo ver Dugatkin (2006).

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5. “It may be quite true that some negroes are better than some

white men; but no rational man, cognizant of the facts, believes that the average negro is the equal, still less the superior, of the average white man.”

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6. Como aponta Dennis (1995, p.244), Herbert Spencer foi o

primeiro intelectual influenciado por Darwin a cunhar o termo “sobrevivência do mais capaz”, apontando que, da mesma forma que os seres vivos, os homens são governados pela seleção natural.

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7. Mais detalhes sobre esse massacre ver Adhikari (2008).

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8. Interessante perceber que Kropotkin, em sua autobiografia,

relaciona a tese da luta pela sobrevivência como uma possível justificativa para o ataque europeu aos outros continentes. Diz o geógrafo russo: “É sabido a que conclusões a forma de Darwin, ‘A luta pela existência’, arrastou a maioria dos darwinistas, mesmo os mais inteligentes, como Huxley. Hoje em dia não há infâmia cometida na sociedade civilizada ou nas relações dos brancos com as raças ditas inferiores, ou dos ‘fortes’ contra os ‘fracos’ que não encontre a sua justificativa nessa fórmula” (Kropotkin, 1946, p.468).

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9. “On the evolutionist side, on the other hand, we are told to take

comfort from the reflection that the terrible struggle for existence tends to final good, and that the suffering of the ancestor is paid for by the increased perfection of the progeny.”

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10. “Men with any manhood in them find life quite worth living under

worse conditions…”

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11. “In the more desirable, and even necessary, to make this

distinction since society differs from nature in having a definitive moral object; whence it comes about that the course shaped by the ethical man – the member of society or citizen – necessarily runs counter to that which the non-ethical man – the primitive savage, or man as mere member of the animal kingdom – tends to adopt.”

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12. “So long as unlimited multiplication goes on, no social

organization which has ever been devised, or is likely to be devised, no fiddle-faddling, with the distribution of wealth, will deliver society from the tendency to be destroyed by the reproduction within itself, in its in tensest form, of that struggle for existence the limitation of which is the object of society.”

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13. “Now this society is the direct product of an organic necessity,

impelling every member of it to a course of action which tends to the good of the whole. Each bee has its duty, and none has any right.”

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14. “Strictly observed, the ‘golden rule’ involves the negation of law

by the refusal to put it in motion against law-breakers; and, as regards the external relations of a polity, it is the refusal to continue the struggle for existence. It can be obeyed, even partially, only under the protection of a society which repudiates it. Without such shelter, the followers of the ‘golden rule’ may indulge in hopes of heaven, but they must reckon with the certainty that other people will be master of the earth.”

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15. “I have pointed out that human society took its rise in the

organic necessities expressed by imitation and by the sympathetic emotions; and that, in the struggle for existence with the state of nature and with other societies, as part of it, those in which men were thus led to close co-operation had a great advantage. But, since each man retained more or less of the faculties common to all the rest, and especially a full share of the desire for unlimited self-gratification, the struggle for existence within society could only be gradually eliminated.”

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16. Mais detalhes ver Jones, 2002.

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17. “El erro de Rousseau consiste en que perdió de vista, por

completo, la lucha sostenida con picos y garras, y Huxley es culpable del error de carácter opuesto; pero ni el optimismo de Rousseau ni el pesimismo de Huxley pueden ser aceptados como una interpretación desapasionada y científica de la naturaleza.”

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18. “La otra particularidad era que, aun en aquellos pocos puntos

aislados en donde la vida animal aparecía en abundancia, no encontré, a pesar de haber buscado empeñosamente sus rastros, aquella lucha cruel por los medios de subsistencia entre los animales pertenecientes a una misma especie.”

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19. “Lo primero que nos sorprende, cuando comenzamos a estudiar

la lucha por la existencia, tanto en sentido directo como en el figurado de la expresión, en las regiones aún escasamente habitadas por el hombre es la abundancia de casos de ayuda mutua practicada por los animales.”

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20. “Los kabilas no conocen autoridad alguna fuera de su djemaa o

asamblea de la comuna aldeana. […] Las decisiones de la djemaa, evidentemente, deben ser tomadas por unanimidad, es decir, el juicio se prolonga hasta que todos los presentes están de acuerdo en tomar una decisión determinada, o en someterse a ella.”

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21. Mais detalhes sobre os papéis das comunidades geográficas na

defesa de um ideário eurocêntrico ver Capel (2010).

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4 Natureza e sociedade no

 

pensamento kropotkiniano

 

1. Não podemos esquecer que, na década de 1890, com os

ataques a bomba impetrados por vários anarquistas (Ravachol, Emile Henry), a visão do anarquista sempre esteve ligada a um ser humano violento, sinistro e egoísta, como no caso da obra de Emile Zola, O Germinal.

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2. Ver, entre outros, “Wars and Capitalism”, de 1914, traduzido e

publicado na revista Geographia, v.16, n.32, 2014.

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3. Mais detalhes ver Andrade (2008, p.93).

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4. “These are, in brief, that man is a part of nature and so both

subject to, and a participant in, the same processes which are operative in the rest of nature.”

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5. “Thus, in Kropotkin’s view, Nature did not automatically offer

lessons in amoralism, rather it offered a much more precise notion of good and evil, clear reasoning on the supreme good that every code of Ethics have followed up.”

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6. “The forms of animals, their colour, their skin, their skeletons, all

their habits are easily modified as soon as the animal’s food and the general conditions of its existence and its biological surroundings are altered.”

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7. “Evitad la competencia! Siempre es dañina para la especie, y

vosotros tenéis abundancia de medios para evitarla. Tal es la

tendencia de la naturaleza, no siempre realizable por ella, pero siempre inherente a ella. […] He aquí lo que nos enseña la naturaleza; y esta voz suya la escucharon todos los animales que alcanzaron la más elevada posición en sus clases respectivas. A esta misma orden de la naturaleza obedeció el hombre – el más primitivo – y sólo debido a ello alcanzó la posición que ocupa ahora.”

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8. “Man did not create society; society existed before man.”

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9. Um dos autores que discutem o anarquismo tendo o

espontaneísmo como uma tática de ação é Norberto Bobbio. Mais detalhes ver Bobbio; Matteucci; Pasquino (2011).

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10. Para mais detalhes ver os debates entre Thomas Huxley e o

Arcebispo de Canterbury em Hesketh, 2009.

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11. “Primitive man saw, next, that even among the carnivores

beasts, which live by killing other animals, there is one general and invariable rule: They never kill each other. Some of them are very sociable – such are all the dog tribe: the jackals, the dholes or kholzun dogs, the hyenas.”

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12. “De ningún modo me guía el amor hacia el dueño de una

determinada casa – a quien muy a menudo ni siquiera conozco – cuando, viendo su casa presa de las llamas, tomo un cubo con agua y corro hacia ella, aunque no tema por la mía. Me guía un sentimiento mas amplio, aunque es más indefinido, un instinto, más exactamente dicho, de solidaridad humana; es decir, de caución solidaria entre todos los hombres y de sociabilidad. Lo mismo se observa también entre los animales. No es el amor, ni siquiera la simpatía (comprendidos en el sentido verdadero de estas palabras) lo que induce al rebaño de rumiantes o caballos a formar un circulo con el fin de defenderse de las agresiones de los lobos; de ningún modo es el amor el que hace que los lobos se reúnan en manadas para cazar; exactamente lo mismo que no es el amor que obliga a

los corderillos y los gatitos a entregarse a sus juegos, ni es el amor lo que junta las crías otoñales de las aves que pasan juntas días enteros durante casi todo el otoño. […] Aquí entra el instinto de sociabilidad, que se ha desarrollado lentamente entre los animales y entre los hombres en el transcurso de un periodo de evolución extremamente largo, desde los estadios mas elementares, y que enseño por igual a muchos animales y hombres a tener conciencia de esa fuerza que ellos adquieren practicando la ayuda y el apoyo mutuos, y también a tener consciencia del placer que se puede hallar en la vida social.”

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13. Como aponta Moreira (2000 p.54-55): “O fato é que o

surgimento da mediação do capital faz da relação ambiental uma relação técnica do trabalho, capitalizando-a. De imediato, o nascimento do valor separa homem e natureza”.

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5 Territórios de solidariedade: a

 

sociabilidade do apoio mútuo no

 

tempo e no espaço

 

1. “La sociabilidad y la necesidad de ayuda y apoyo mutuo son

cosas tan innatas de la naturaleza humana, que no encontramos en la historia épocas en que los hombres hayan vivido dispersos en pequeñas familias. […] Durante muchos milenios, la organización tribal sirvió, de tal modo, para unir a los hombres, a pesar de que no existía en ella decididamente ninguna autoridad para hacerla obligatoria.”

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2. É o que ocorre quando cita inúmeros bispos que foram

transformados em patronos de suas cidades de moradia na Idade Média, visto serem importantes defensores das liberdades urbanas contra os senhores feudais. Mais detalhes ver Kropotkin (1989, p.176).

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3. “[…] en el principio territorial […]. Esta institución, a su vez,

sirvió para unir a los hombres durante muchos siglos, dándoles la posibilidad de desarrollar más y más sus instituciones sociales, y junto con eso, ayudándolos a atravesar los periodos mas sombríos de la historia…”

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4. “En Italia, la comuna sobrevivió al dominio romano y renació

después de la caída del imperio romano. Fue regla general entre los escandinavos, eslavos, fineses, los cures y los lives. La comuna aldeana en la India es bien conocida gracias a los trabajos de sir Henry Maine […]. Las encontramos también en el ulus mongol, en la cabilla thaddari, en la dessa javanesa, en la kota o tofa malaia y, bajo diferentes designaciones, en Abissinia, Sudan, interior de África, en las tribus indígenas de ambas Américas, y en todas las tribus, pequeñas y grandes, de las islas de océano Pacífico.”

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5. Mais detalhes sobre a dissolução das cidades livres, ver

Kropotkin (1989, p.218-22).

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6. Como destaca o autor: “O território do Estado é uma totalidade

mas não é totalitário. […] O Estado e seu território são disputados pela instituições também por meio de seus territórios” (Fernandes, 2009, p.202).

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7. Conforme Costa (2004, p.40): “cultural (muitas vezes

culturalista) ou simbólico-cultural: prioriza a dimensão simbólica e mais subjetiva, em que o território é visto, sobretudo, como o produto da apropriação/valorização simbólica de um grupo em relação ao seu espaço vivido”.

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8. “[…] cada año, en Europa y América, se producen miles de

huelgas y despidos en masa, y las así llamadas huelgas, ‘por solidaridad’, provocadas por el deseo de los trabajadores de apoyar a los compañeros despedidos del trabajo o bien para

defender los derechos de sus uniones, son las que se destacan por su esencial duración y severidad.”

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9. Sobre a existência de uma federação de cidades medievais diz:

“En las ciudades medievales, fue llamada a vida la federación de las comunas aldeanas, cubiertas por una red de guildas, hermandades, con ayuda de esta nueva forma de doble unión se alcanzaron resultados inmensos en el bienestar común, en la industria, el arte, la ciencia, en el comercio” [Nas cidades medievais, foi chamada à vida a federação das comunas aldeãs, cobertas por uma rede de guildas, irmandades, com a ajuda desta nova forma de dupla união se alcançaram resultados imensos no bem estar comum, na indústria, na arte, a ciência, no comércio]” (ibidem, p.224, tradução nossa).

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10. “Semejantes asociaciones, naturalmente, no cambian la

estructura económica de la sociedad, pero especialmente en las ciudades pequeñas ayudan a nivelar las diferencias sociales, y puesto que ellas tienden a unirse en grandes federaciones nacionales e internacionales, ya por esto contribuyen al desenvolvimiento de las relaciones amistosas.”

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11. “Bajo el sistema moderno de vida social, todos los lazos de

unión entre los habitantes de una misma calle o ‘vecindad’ han desaparecido. En los barrios ricos de las grandes ciudades, los hombres viven juntos sin saber siquiera quién su vecino. Pero en las calles y callejones densamente poblados de esas mismas ciudades, todos se conocen bien y se encuentran en continuo contacto.”

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12. “Entre los pobres, lo mío y lo tuyo se distingue bastante menos

que entre los ricos.”

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13. “[…] también los ricos, dejando de lado por una parte la

mezquindad y los gastos irrazonables por otro, en el circulo de la familia y de los amigos se observa la misma práctica de ayuda y apoyo mutuos que entre los pobres.”

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6 Anarquismo e ciência nas críticas

 

às propostas kropotkinianas

 

1. “Naturalmente, lógicamente, si la voluntad no tiene ninguna

potencia, si no existe, si todo es necesario o puede ser de otra manera, las ideas de libertad, de justicia, de responsabilidad no tienen ninguna significación, no corresponden a nada real. […] Kropotkin, pues, que era muy severo con el fatalismo histórico de los marxistas, caía en el fatalismo mecánico que es mucho más paralizador.”

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2. “Después de haber dicho que ‘la anarquía es una concepción

del universo, basada sobre la interpretación mecánica de los fenómenos que abraza toda la naturaleza, comprendida la vida de las sociedades’ (confieso que no he acertado nunca comprehender lo que eso puede significar), Kropotkin olvidaba, como sí nada fuera, su concepción mecánica y se lanzaba a la lucha con el ánimo, el entusiasmo y la confianza de alguien que cree en la eficacia de su voluntad y espera poder, por su actividad, obtener o contribuir a obtener lo que desea.”

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3. “Kropotkin concebía a la Naturaleza, como una especie de

Providencia, gracias a la cual la armonía debía reinar en todo, comprendidas las sociedades humanas. […] Se podría preguntar, como la Naturaleza, si es verdad que su ley es la armonía, ha esperado que vinieran al mundo los anarquistas y espera aún que ellos triunfen para destruir las terribles y mortíferas inarmonías que los hombres siempre han padecido? No se estaría más cerca de la verdad diciendo que la anarquía es la lucha en las sociedades humanas contra las inarmonías de la Naturaleza?”

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4. “[…] nature (no matter how cruel in human terms) provides no

basis for our moral values. (Evolution might, at most, help to explain why we have moral feelings, but nature can never decide for us whether any particular action is right or wrong).”

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5. “I am especially wary of arguments that find kindness, mutuality,

synergism, harmony – the very elements that we strive mightly, and so often unsuccessfully, to put into our own lives – intrinsically in nature.”

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6. “He [Kropotkin] did commit a common conceptual error in failing

to recognize that natural selection is an argument about advantages to individual organisms, however they may struggle.”

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7. “The Russian economist Tuganbaranovski criticized Kropotkin’s

overall economic outlook and pointed to the lack of a theory on the mechanism of coordination and direction.”

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8. “His work [Kropotkin’s] will never have the same kind of

legislative importance for any movement as [the writing of] Marx and Engels had for Social Democracy. For that purpose, it lacks a measure of dogmatism and does not presume to establish a single truth for everyone.”

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Amir El Hakim de Paula

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