Improvisos de Bocage

Manuel Maria Barbosa du Bocage · Capítulo 10 de 18

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Improvisos de Bocage

+Soneto X.+

Ao Senhor Nuno Alvares Pereira Moniz.

 

+SONETO X.+

 

Co'a mente juvenil, sublime, alada

Sabes da térrea Mansão, Mansão profana;

Introduzes, Moniz, a idéa ufana

Lá na de Sóes sem conto Estancia ornada.

 

Já, de Lysia cantando a Historia honrada,

Sôas qual Grega Musa, ou qual Romana; Já, medrando nos Céos a força humana,

Teu Metro creador faz Ente o Nada.

 

Nove Deosas louçãas, tres Deosas nuas

Te abrem thesoiros: cada qual te admira

No verso graças mil, que fôrão suas.

 

Assás luzio teu Estro: a mais aspira;

E estranho não será que substituas

A tuba de Marão de Flacco á Lyra.

 

Quero (se meus dias findarem) deixar huma prova do muito em

que tive, do muito que merecem os talentos de hum dos meus mais caros Amigos.

 

Ao súbito desastre de hum Poeta amado da Nação.