Improvisos de Bocage

Manuel Maria Barbosa du Bocage · Capítulo 2 de 18

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Improvisos de Bocage

+Soneto Ii.+

De Elmano eis sobre o mármore sagrado

A Lyra, em que chorava, ou ria Amores. Ser delles, ser das Musas foi seu Fado:

Honrem-lhe a Lyra Vates, e Amadores.

 

Quod licet, inter vos nomen habete meum.

 

Ovidio.

+SONETO II.+

 

Se o Grande, o que nos Orbes diamantinos

Tem curvos a seus pés dos Reis os Fados, Novamente me dér ver amimados

De modésta Ventura os meus Destinos;

 

Se acordarem na Lyra os sons Divinos,

Que dórmem (já da Gloria não lembrados)

Ao Côro ethéreo, candidos, e alados,

Honrar com Elle hum Deos ireis, meus hynos.

 

Mas, da humana Carreira inda no meio,

Se a débil flor vital sentir murchada

Por Lei que envôlta na existencia veio;

 

Co'a mente pelos Ceos toda espraiada,

Direi, de Eternidade ufano, e cheio:

«A Deos, ó Mundo! ó Natureza! ó Nada!»