Improvisos de Bocage
+Soneto Ii.+
De Elmano eis sobre o mármore sagrado
A Lyra, em que chorava, ou ria Amores. Ser delles, ser das Musas foi seu Fado:
Honrem-lhe a Lyra Vates, e Amadores.
Quod licet, inter vos nomen habete meum.
Ovidio.
+SONETO II.+
Se o Grande, o que nos Orbes diamantinos
Tem curvos a seus pés dos Reis os Fados, Novamente me dér ver amimados
De modésta Ventura os meus Destinos;
Se acordarem na Lyra os sons Divinos,
Que dórmem (já da Gloria não lembrados)
Ao Côro ethéreo, candidos, e alados,
Honrar com Elle hum Deos ireis, meus hynos.
Mas, da humana Carreira inda no meio,
Se a débil flor vital sentir murchada
Por Lei que envôlta na existencia veio;
Co'a mente pelos Ceos toda espraiada,
Direi, de Eternidade ufano, e cheio:
«A Deos, ó Mundo! ó Natureza! ó Nada!»