Improvisos de Bocage

Manuel Maria Barbosa du Bocage · Capítulo 3 de 18

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Improvisos de Bocage

+Soneto Iii.+

 

Pela voz do Trovão Corisco intenso

Clama, que á Natureza impéra hum Ente, Que cinge do áureo Dia o véo ridente,

Que véste d'atra Noite o manto denso.

 

Pasmar na Immensidade he crer o Immenso: Tudo em nós o requer, o adora, o sente.

Próvão-te olhos, ouvidos, peito, e mente? Numen! Eu oiço, eu olho, eu sinto, eu penso.

 

Tua Idéa, ó Grão Ser, ó Ser Divino,

Me he vida, se me dão mortal desmaio

Males que soffro, e males que imagino.

 

Nunca Impiedade em mim fez bruto ensaio:

Sempre (até das Paixões no desatino)

Tua Clemencia amei, temi teu Raio.