Improvisos de Bocage

Manuel Maria Barbosa du Bocage · Capítulo 4 de 18

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Improvisos de Bocage

+Soneto Iv.+

 

Caro a Fébo, a Filinto, a Lysia, á Fama,

Na Lácia Fonte, e Argiva immerso Alfeno [15], Pelas Deosas Irmãas fadado Ismeno [16],

Em que he Numen Razão, Verdade he flamma:

 

Canóro Melibêo [17], por quem derrama

Invéja, e Glória o néctar, e o veneno;

Filósofo Cantor, meu doce Oleno [18],

Doce ao Sócio infeliz, que em ais te chama!

 

Elmiro [19], que de Sóphia o grão Thesoiro

Revolves, possessôr, com mão suprema; E outros, que o Téjo honrais, o Vouga, o Doiro [20];

 

Dai-me que o Léthes sorvedor não tema:

Por vós comprado ao Tempo em versos de oiro, Cysne talvez que sôe á hora extrema.

 

[15] O Bacharel Domingos Maximiano Torres.

 

[16] João Vicente Pimentel Maldonado.

[17] Miguel Antonio de Barros.

 

[18] Nuno Alvares Pereira Moniz.

 

[19] José Agostinho de Macedo.

 

[20] Hum dos que honrão o Doiro he Bento Henriques Soares,

amigo do chorado João Baptista Junior (Author da nova Castro) amigo, como eu, daquelle, cuja memoria deve saudosamente viver

em quanto o Engenho, e a Moral forem dotes de preço. O glorioso ao Vouga he Francisco Joaquim Ringre, que pelo sabor da

Antiguidade, que ha nas suas Poesias, e pelo estro que as levanta, merece esta nota.