Improvisos de Bocage

Manuel Maria Barbosa du Bocage · Capítulo 7 de 18

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Improvisos de Bocage

+Soneto Vii.+

 

Agora que a seu lôbrego Retiro

Como que a baça Morte me encaminha, E o coração, que as ancias lhe adivinha,

Débil se ensaia no final suspiro:

 

Musa de Elmano, e Musa de Belmiro,

Una-se a gloria sua á gloria minha:

Meu nome aguarentou com voz mesquinha, Eu justo ao seu não fui, e a sê-lo aspiro.

 

Nem tu me esquecerás, Gastão cadente [22],

Lustroso apar do mim, quando de chófre Igneas canções brotei, c'um Deos na mente.

 

Abri, Verdade, abri teu áureo cófre:

Isto Elmano extrahio co'a mão tremente No sério ponto que illusões não sóffre.

 

[22] Se a locução, a fantasia, e o rhythmo caracterizão a mente Poética, aponto D. Gastão Coutinho como dorade com estes

thesoiros do Espirito. Não sôa, como devêra, (e altamente) o louvor de Thomas Antonio dos Santos, e Silva nos meus talvez ultimos

versos, porque em outros, de monção mais Febéa, e já divulgados, lhe teci elogios, em que a fraterna amizade, que de muito nos liga,

nada proferio avêsso á justiça, e ao tom circunspecto do Discernimento.