Improvisos de Bocage

Manuel Maria Barbosa du Bocage · Capítulo 15 de 18

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Improvisos de Bocage

+Soneto Xvii.+

De Homens, e Numes suspirado Encanto,

Lilia, innocente como virgem Rósa,

Lilia, mais branda, Lilia, mais formósa

Que a Nynfa ethérea, de puníceo manto:

 

Eu, e os Amores (que perdêrão tanto)

Damos-te ás cinzas oblação mimósa:

Curva goteje minha Dor saudósa

Na molle offrenda, que requer meu pranto.

 

Em teu sagrado, perennal Retiro

Disponho, ao som de lânguidas querélas, A rosa, o cravo, a túlipa, o suspiro.

 

Medrai no chão de Amor, florinhas béllas…

Ah Lilia! Eu gózo o Ceo!… Lilia! Eu respiro Tua alma pura na fragrancia déllas!

 

Pedio-mo Pessôa, que virtuosamente a amava; e a mágoa do assumpto, apurada na tristeza da minha situação, deo hum Soneto,

que talvez penhore os corações ternos.

 

Na gravissima enfermidade do Senhor Manoel Maria de Barbosa

du Bocage.

 

+SONETO XVII.+