Improvisos de Bocage

Manuel Maria Barbosa du Bocage · Capítulo 11 de 18

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Improvisos de Bocage

+Soneto Xi.+

 

Cantor, que a fronte erguia engrinaldada

Comvosco, Idálias crôas: myrto, e rósas, Que vio por mão das Tágides formósas

De aljôfares a Lyra, e de oiro ornada;

 

Mente, de ethéreos Dons abrilhantada,

Que, sôlta em producções louçãas, pompósas,

Surgio, voou com azas luminósas

Ante o Bando que vai de rôjo ao Nada;

 

Estro, opulento do Febêo Thesoiro,

(Já dos épicos Sons talvez no ensaio)

Ouvio sahir das trévas triste agoiro.

 

Seu Fado o fulminou, bateo-lhe o raio

Á Sombra tua… ai dor! Lá mesmo, ó Loiro: Chorai-o, Amores, Tágides, chorai-o.

 

De Author anónymo; porém que he facil conhecer pelo estilo.

 

Votos pelo restabelescimento da saude de Bocage.

 

+SONETO XII.+

 

Não mais, Nynfas gentis do Téjo undoso, Pungidas de alta dor, vagueis insanas:

Croai-vos de floridas espadanas,

Ou de grinaldas de coral ramoso.

 

Já não rechinão do arco sanguinoso

D'atroz Doença as séttas inhumanas

Contra o Cysne que as ondas Tagitanas Enfrêa com o Carmen portentoso.

 

Serpes da Inveja, Serpes agoireiras,

Emmudecei, que a válida Saude

Assoma, entre Esperanças lisonjeiras.

 

Vem, bella Deosa, ao Vate Elmano acude,

Que eu grato forjarei nestas Ribeiras

Hymnos, batidos na Thebana incude.

 

Pelo Bacharel Domingos Maximiano Torres.