Industrialização do ensino e política de educação a distância
As regularidades discursivas da UAB
Analisando a sdr 1 do ponto de vista do par regularidade/descontinuidade do discurso, vamos perceber que o sujeito do discurso repete uma série de marcas ou propriedades textuais, ao longo de toda a seqüência. Esses elementos demarcam o texto não apenas de maneira formal, como também discursiva, ordenando o funcionamento do discurso a partir de um conjunto de fragmentos e enunciados que, basicamente, referem-se a cinco temas ou objetos: TICs/EAD, SEED/MEC, UAB, parceria e, por último, democratização e qualidade da educação. Sob o domínio de famílias parafrásticas, o discurso autoritário tenta produzir efeitos de sentido, ditando o que interessa e é prioritário saber a respeito da Universidade Aberta do Brasil.
Acompanhando a distribuição dos fragmentos e enunciados através dos parágrafos ou segmentos que compõem a sdr 1 (1, 2 e 3), podemos melhor observar como esse discurso se organiza. Importa entendermos antes de tudo, insistem os locutores, que a UAB reflete o primado da (1) utilização intensiva das tecnologias de informação e comunicação (TICs, nomenclatura usualmente adotada na literatura internacional) na sociedade contemporânea e, particularmente, no contexto da escola. Promover tais tecnologias implica nada mais do que fomentar (1) inovações tecnológicas e metodológicas, já experimentadas e aprovadas lá fora, imprescindíveis também à educação nacional. Sobretudo à (1) educação a distância – (2) educação a distância – (3) educação a distância (reiteração esta que reforça a nossa memorização e própria opção pela modalidade de EAD, como vai ser nomeada no restante do T1), onde as (1) tecnologias educacionais (denominação mais antiga) e os conteúdos multimídia (nome atualizado dos produtos tecnológicos, às vezes, usados como sinônimos de TICs) são empregados de modo especial.
Dessa forma, salientam aqueles locutores, a UAB não surge do acaso, mas inserida no bojo da política nacional de EAD, capitaneada de modo exemplar pela (1) Secretaria de Educação a Distância (SEED) do Ministério da Educação. Depois de vermos, durante dez anos, aquela Secretaria ter atuado transversalmente e em intensa articulação com as diversas instâncias governamentais e não governamentais, não há como não concordar com o (2) sucesso alcançado pela SEED. Estão a nos provar isso o seu caráter estratégico para a educação brasileira, principalmente, em tempos de globalização, e o incomensurável fato de que a SEED consolidou-se como referência internacional, justo num momento em que o Brasil desponta no cenário da geopolítica mundial. Sendo objeto de reiteração que também não é aleatória – (1) SEED – SEED – (2) SEED, a Secretaria não aparece no terceiro parágrafo da sdr 1, posto que é substituída aí pela própria UAB.
Em princípio, fazem questão de acentuar os locutores, devemos conceber a UAB como mais um dentre tantos (1) projetos e programas, programas e (2) projetos conduzidos pela SEED, o que, mais uma vez, reforça o seu trabalho amplo, sistemático e diligente. Com ênfase para os (1) programas TV Escola e Proinfo, cujos impactos junto ao ensino fundamental e médio são conhecidos, responsáveis por criar as linhas mestras de nossa atuação exitosa em nível nacional e mundial. Semelhantemente, precisamos vislumbrar que o (2) Projeto Universidade Aberta do Brasil (UAB) – (3) Projeto Universidade Aberta do Brasil (desta feita, é a UAB que deixa de ser reiterada no primeiro parágrafo, sendo ali representada mediante a SEED), também, tem pretensões ambiciosas. Além de tornar realidade nossa (3) rede nacional de educação a distância, capaz portanto de levar educação superior a todos os rincões do país, o Sistema Universidade Aberta do Brasil atualiza-nos em relação ao que há de mais avançado no mundo em termos de educação, a saber, a universidade virtual e global.
A idéia de rede e de Sistema, explicam aqueles locutores, pressupõe situarmos a UAB como resultante de uma parceria permanente e sistemática. Parceria esta que se apóia na experiência de uma década de (1) intensa articulação e (2) estratégia de trabalho colaborativo da SEED (o que reforça o seu papel estratégico em nível nacional e mundial) com os diversos parceiros de projetos, quer dizer, com membros de uma sociedade ou comunidade cujos interesses são comuns. Destacando-se entre eles as (1) demais secretarias e órgãos do MEC, os sistemas de ensino, o contexto escolar, (2) as instituições de educação superior, as Secretarias Estaduais de Educação e [para não esquecermos] as demais Secretarias do MEC.
Além de herdar essas antigas redes, acrescentam os locutores, a UAB vem mobilizar (2) novas redes de colaboração. Contribuirá nesse sentido, de forma também substancial, a (3) estreita relação (sinônimo de intensa articulação) e união de esforços (paráfrase de estratégia de trabalho colaborativo) que estabeleceremos com outras instâncias de cooperação. Entre os (2) novos e diferenciados partícipes – que, aí, substituem os parceiros de projetos, precisamos salientar o papel do (3) Fórum das Estatais pela Educação que, em parte, assume o lugar reservado às demais secretarias e órgãos do MEC; das instituições federais de educação superior que evocam as instituições de educação superior, com ênfase para aquelas vinculadas à esfera federal; dos Estados e Municípios, o que retoma, mas vai além das Secretarias Estaduais de Educação; das três esferas governamentais – SEED/MEC e, para não esquecermos, Estados e Municípios; enfim, da nossa educação superior pública como um todo.
Nesse sentido, completam aqueles locutores, a UAB objetiva garantir, acima de tudo, a democratização e a qualidade da educação. A (1) melhoria da qualidade da educação no país, uma
das metas essenciais do governo Lula14, confunde-se, obrigatoriamente, com a necessidade de adotarmos uma política de EAD que, assentada em importantes pilares (antes com os programas TV Escola e Proinfo, hoje com o Projeto Universidade Aberta do Brasil), consolide-se como referência internacional (assim como a SEED) e assuma caráter estratégico para a educação brasileira, acrescentando-se a este uma estratégia de trabalho colaborativo. Além de (2) inovar (o que evoca as inovações tecnológicas e metodológicas, ainda que não se reduza a estas) nossa educação como um todo, representa a UAB, especialmente, um marco histórico para a educação a distância no País, reforçando assim o sucesso alcançado pela SEED nesses dez anos de vida.
Sem precedentes em nossa história, não há como pensar em outro (2) modelo alternativo para a oferta e gestão de educação superior – alternativo ao modelo de educação presencial, inclusive, a partir da utilização intensiva das tecnologias de informação e comunicação que não na plena (3) consolidação da rede nacional de educação a distância que, por seu turno, logo remete a uma teia enredada de parceiros de projetos, em intensa articulação, trabalho colaborativo, estreita relação e união de esforços pelo bem comum. Não restando dúvida, portanto, de que o Sistema Universidade Aberta do Brasil, nome mais preciso para representar o processo de descentralização ensejado pelo Projeto UAB, em outras palavras, rede nacional de educação a distância, constitui um passo decisivo para a nossa tão sonhada democratização do acesso à educação superior pública, gratuita e de qualidade. O que reitera, enfim, a melhoria da qualidade da educação no país e o modelo alternativo para a oferta e gestão de educação superior.
Esse mapeamento do dizer que marca a regularidade discursiva, afetando, de maneira especial, o contexto imediato da sdr 1, é bastante revelador, porém não dá conta plenamente das condições de produção, difusão e circulação que engendram e transcendem tal seqüência. Sobretudo aquelas que permitem determinados enunciados reproduzirem-se ao longo e na plenitude do discurso que norteia a política nacional de educação a distância. As mesmas condições que apontam na direção de um sistema de enunciabilidade que, a um só tempo, preside e atravessa desde os discursos relativos à SEED até aqueles que dizem respeito diretamente à UAB.