Introdução à Arqueologia da Península Ibérica

Augusto Filipe Simões · Capítulo 20 de 34

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Introdução à Arqueologia da Península Ibérica

Notas de Rodapé:

Os povos da Peninsula, pelo menos os das regiões meridionaes e orientaes, acompanharam de certo os seus visinhos das ilhas do Mediterraneo e do norte da Africa nos estadios da civilisação que successivamente percorreram. Por aquellas mesmas regiões se encontram vestigios das construcções cyclopeas dos povos pelasgicos. Nas ilhas Baleares abundam os talayots analogos ás nuraghas da Sardenha. A par com estas construcções de fórma pyramidal vêem-se outras á maneira de barcos com as quilhas voltadas para cima, e que não são senão as mapalia ou magalia, que os getulos ou numidas do tempo de Sallustio construiam no seu paiz: «ædificia oblonga incurvis lateribus tecta quasi navium carinœ

sunt [194] ». Os sardos e os iberos usavam a longa tunica negra e roçagante á moda dos médas, que, por este costume, se differençavam dos outros povos nomadas, celtas, scythas e germanos, cujos vestidos se lhes cingiam aos corpos e apenas lhes cobriam as pernas. Finalmente o cetra ou escudo pequeno redondo

era usado pelos libycos, iberos e bretões[195].

De quanto deixamos ponderado parece-nos concluir-se com grande probabilidade: 1.º Que na epoca da pedra polida a Peninsula sería habitada pela raça de Cro-Magnon, pelo mesmo tempo existente na parte meridional da França e na septemtrional da Africa; 2.º Que esta raça é ainda hoje representada pelos beréberes; 3.º Que ha tres mil e mais annos os povos libycos e pelasgicos estavam já tão civilisados que podiam invadir o Egypto e medir-se com os exercitos dos pharaós; 4.º Que os habitantes da peninsula Iberica, pelo menos os de certas regiões, deveriam estar tambem similhantemente civilisados, e ter portanto ultrapassado a idade da pedra.

 

NOTAS DE RODAPÉ:

[165] Dictionaire universel du siècle par P. Larousse, verb.

B .

[166] Ethnologische Schriften.

Dolichocephalo, de dolichos, longo, e kephalê, cabeça.

Brachycephalo, de brachus, curto, e kephalê, cabeça. Orthognata, de ortho, direito, e gnathos, maxilla. Prognatha, de pro, para diante, e de gnathos, maxilla.

[167] Thucydides, , 2.

[168] Virchow. Les peuples primitifs de l’Europe. La revue

scientifique de la France et de l’étranger, 2.ᵉ série, 4.ᵉ année, n.º 1, juillet 1874, pag. 12. Vej. tambem Steur, Ethnographie des peuples de l’Europe, verb. L .

[169] La vie du langage. Pariz, 1875, pag. 213.

[170] La linguistique. Pariz, 1876, pag. 87 a 106.

[171] Dictionnaire universel du siècle, verb. L .

[172] Bulletins de la Société d’Anthropologie de Paris, tom. ,

pag. 314 a 323.

[173] Crania ethnica, pag. 7.

[174] Crania ethnica, pag. 21 e 22.

[175] Pereira da Costa, Noticia sobre os esqueletos

descobertos no Cabeço da Arruda, Lisboa, 1865.

[176] Delgado, Noticia ácerca das grutas de Cesareda. Lisboa

1869.

[177] Mac-Pherson, La Cueva de la Mujer, 1.ª e 2.ª parte,

Cadiz, 1870-1871.

[178] Bulletins de la Société d’Anthropologie de Paris, tom. ,

pag. 62.

[179] Antigüedades prehistoricas de Andalucia.

[180] Les peuples primitifs de l’Europe. La revue scientifique de

la France et de l’étranger, 2.ᵉ série, 4.ᵉ année, n.º 1, juillet, 1874, pag. 12.

[181] Crania ethnica. L’espèce humaine. Pariz, 1877, pag. 248.

[182] Vej. cap. , pag. 61. O femur de Alhama parece ser um

femur de pilastra como os dos esqueletos dos guanchos e dos outros da raça de Cro-Magnon. As tibias achatadas ou platycnemicas, os peroneos clausteados e os cubitos arqueados caracterisam tambem a raça do Cro-Magnon.

[183] F. M. Tubino, Los monumentos megaliticos de Andalucia,

Extremadura y Portugal, Museo español de antigüedades, tom.

, pag. 353. Esta Memoria sahiu depois na Revista de

Anthropologia de Madrid com o titulo; Los aborigenes ibericos ó los beréberes en la Peninsula.

[184] L’anthropologie. Pariz, 1876, pag. 486.

[185] Bulletins de la Société d’Anthropologie de Paris, tom. ,

pag. 38 a 62.

[186] Congrès internacional d’Anthropologie et d’Archeologie

prehistoriques, 2.ᵉ session, 1867.

[187] L’espèce humaine. Pariz, 1877, pag. 240. Depois dos

tempos geologicos, mas ainda nos prehistoricos, a passagem dos beréberes da Africa para a Europa não era impossivel pelas aguas do Estreito, pelo Mediterraneo ou pelo Atlantico. Entre as conchas fosseis, achadas em França na estação de Laugerie-Basse, algumas ha que não poderiam ter sido trazidas senão da ilha Wight. Ora durante a epoca do rangifer não havia communicação por terra entre a França e a Inglaterra. Idem, pag. 242.

[188] Topinard, L’anthropol., 451.

[189] Anatole Roujou, Recherches sur les races humaines de

la France. Pariz, 1874, pag. 86.

[190] Tubino, Mem. cit.

[191] Steur, Ethnographie des peuples de l’Europe avant

Jesus-Christ. Bruxelles, 1873, tom. , pag. 193.

[192] Tubino, Mem. cit.

[193] Tubino, Mem. cit.

[194] Sallust. Bell. Jugurth. in princip. Ácerca dos talayots e das

navêtas ou casas com a fórma de barcos ás avessas, da ilha de Menorca, veja-se o artigo do sr. Fernandez Duro, no jornal La Academia, n.º 12, que deu motivo a uma carta do auctor, publicada no mesmo jornal, tom. , n.º 10.

[195] Steur, op. cit., tom. , pag. 118. Rougemont, L’âge de

bronze, pag. 286.