Introdução à Arqueologia da Península Ibérica
3.ª Ácerca da Palavra Anta
Começa hoje a ser estudada a civilisação gallaica. Os castros da Galiza, explorados pelo sr. Villa-amil, deram já alguns subsidios. Mas os mais importantes, pela qualidade, numero e variedade, são incontestavelmente as ruinas da Citania de Briteiros.
3.ª
ÁCERCA DA PALAVRA ANTA
Em Portugal chamam antas aos dolmens. Para a etymologia da palavra anta convirá notar que, segundo affirma Mendonça e Pina, os godos chamaram antas aos seus heroes. Os povos de Saxe attribuem a construcção dos dolmens, aos gigantes; ora entre esses povos, bem como no antigo anglo-saxonio, enta significa gigante. É tambem para notar-se a similhança da palavra anta com o nome de Anteu. Na lingua portugueza e n’outras linguas anta significa o contraforte do edificio, a parte saliente que se eleva desde o alicerce até ao cimo, ou até parte da altura. A este elemento architectonico chamamos nós egualmente gigante, de sorte que n’este sentido anta e gigante são synonimos. Finalmente, não falta quem derive a palavra anta do celtico hana e hanouth que significam, assentar-se acampar, armar a tenda; e tenda, acampamento, morada. Na Argelia dão o nome de hanouth ou hanouïta a cavernas que a mão do homem abriu em epocas tão remotas que não constam das tradições. Vej. L. de Maule—Pl. Nouveaux documents
archéologigues. Pariz, 1874.
4.ª
DISTRIBUIÇÃO GEOGRAPHICA DOS DOLMENS NA EUROPA
«Ao oeste de São Petersburgo, na parte septemtrional da Russia occidental, na Curlandia, começam a apparecer os dolmens, mencionados pelos viajantes e pelos antiquarios com os nomes de tumulos de pagãos ou de camas de gigantes. Todavia são ali raros. Mas o numero d’elles augmenta cada vez mais para a parte do poente, ao longo do Baltico. Ao oeste do Vistula são já muito frequentes. Contam-se aos centos nas provincias de Dantzig e de Stettin, na Pomerania, ao longo do Oder, desde a foz até Francfort sobre o Oder, e mais em particular em roda da pequena cidade de Dressen. Keferstein, auctor de um livro respectivo ao assumpto, encontra-os depois no Elba, na foz primeiramente ao longo do mar, depois até Magdeburg, rio acima. Não descem além d’aqui para o sul. Abundam no Mecklenburg, em Schwerin e Strelitz. No Hanover subsistem ainda de pé uns duzentos, apesar de terem sido muitos destruidos em tempos de que se não perdeu ainda a memoria. Contém tambem muitos o ducado de Oldenburg e principalmente a parte contigua ao Weser.
«Diminuem para a parte de oeste. Ha, é verdade, cincoenta e quatro na provincia de Over-Yssel na Hollanda, mas a Belgica, onde a pedra é tão rara, contém apenas um. Para se não perderem os vestigios dos dolmens ha de voltar-se ao norte, pela Dinamarca. N’esta direcção encontram-se em tal numero que não tem conto.
«Os dolmens, diz M. Worsaæ, competentissimo no assumpto, abundam no Schleswig e no Holstein, nas costas occidentaes e septemtrionaes de Seeland, em todo o Jutland maritimo, porém particularmente no Limfjord, no dominio de Thisted. São raros nas costas occidentaes da Dinamarca inferior, e ainda mais no interior das terras. Estes dolmens, accrescenta M. Worsaæ, são absolutamente similhantes aos da Pomerania, Brandeburg, Mecklenburg e Hanover.
«Na Scandinavia estes monumentos sómente se encontram no velho paiz dinamarquez da Scania, no Halland, no Gothland occidental e no paiz de Bahus, isto é, exactamente ao longo das costas occidentaes da Suecia até Gotheburg. Não apparecem nem ao leste, nem ao norte. Tambem não os ha na Norwega.
«Para seguil-os, será mister que nos embarquemos agora, inclinando ao noroeste. Nas Orcadas e nas Hébridas já se nos deparam alguns, mas para chegar ao meio de grupos importantes convirá aportar ás ilhas d’Iona, d’Arran e de Bute, na costa occidental da Escocia, e sobre tudo avançar algum tanto mais pelo canal de S. Jorge e desembarcar em Anglesey. Aqui, bem como na peninsula visinha denominada de Caernarvon, parece haverem-se assenhoreado do terreno.
«Eis-nos porém chegados ao paiz de Galles. Aqui poderei sem duvida appellar para as recordações de muitos de entre vós. Sabeis que thesouros d’este genero se encontram nos arredores de Pembroke e de Caermarthen; conheceis tambem a riqueza do Cornwall, onde os dolmens, diz M. Akerman, são mais numerosos que em qualquer outra parte da Europa.
Nas dunas do Dorsetshire, nas margens do Avon e na parte septemtrional do Berkshire deparam-se-nos ainda alguns.
Faltam pelo contrario nas costas orientaes da Grã-Bretanha, porque os monumentos do Yorkshire não nos parecem senão menhires.
Sabeis, tão bem como eu, dos bellos dolmens das ilhas da Mancha, Jersey e Guernesey. D’elles deu a Archæologia Britannica magnificas estampas.
Em Jersey estamos quasi a tocar a França. Eis aqui a estatistica dos dolmens francezes nos districtos em que se encontram:
Lot, 500.—Finistère, 500.—Morbihan, 250.—Ardèche, 155.— Dordogne, 100.—Vienne, 70.—Côtes-du-Nord, 56.—Maine-et-Loire, 53.—Eure-et-Loire, 28.—Carente, 26.—Creuse, 26.—Charente-Inférieure, 24.—Lozère, 19.—Vendée, 17.—Loire-Inférieure, 16.— Sarthe, 15.—Deux-Sèvres, 15.—Orne, 14.—Indre, 13.—Manche, 13. —Pyrénées Orientales, 12.—Haute-Vienne, 12.—Puy-de-Dôme, 10. —Oise, 9.—Nièvre, 8.—Tarn-et-Garonne, 7.—Ariège, 6.—Cher, 6.— Loir-et-Cher, 6.—Aisne, 5.—Ille-et-Villaine, 5.—Gironde, 5.—Hérault, 4.—Pas-de-Calais, 4.—Tarn, 4.—Loiret, 3.—Basses-Pyrénées, 3.— Calvados, 2.—Eure, 2.—Isére, 2.—Loire, 2.—Marne, 2.—Seine-et-Oise, 2.—Seine-et-Marne, 2.—Somme, 2.—Var, 2.—Aude, 1.— Côte-d’Or, 1.—Corrèze, 1.—Landes, 1.—Mayenne, 1.—Nord, 1.— Rhin (Bas), 1.—Yonne, 1.
Bertrand, Sur les origines Indo-européennes—Bulletins de la
Société d’Anthropologie de Paris. Tom. 5.º