Introdução à Arqueologia da Península Ibérica

Augusto Filipe Simões · Capítulo 27 de 34

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Introdução à Arqueologia da Península Ibérica

6.ª Espadas de Cobre do Alemtejo

6.ª

ESPADAS DE COBRE DO ALEMTEJO

«Outras antiguidades tenho descoberto n’este territorio que mostram viverem aqui gentes da mais remota idade, quando as ideias das artes eram mui apoucadas. São estoques, ou espadas de quatro palmos de comprido e um dedo de largo, sem gume, e achadas em varios sitios d’esta diocese. Foram do tempo em que os nossos feriam sómente de ponta e não de córte. Os virotes são curtos, e são com orelhas, que separam da folha o maçote ou punho

onde a mão segura a arma, e vai cópia na lamina (fig. 8). Sobre isto póde lêr-se D. Joachim Marin, Historia de la Milicia Española, tom. , pag. 33. A materia é bronze ou de ferro. Não obstante haverem jazido debaixo da terra pelo espaço de seculos estão muito limpos, e bem conservados. Noto que os punhos em algumas são curtos para poder jogar com a espada mão pueril, outras são affeiçoadas para maiores pessoas: seriam as dos punhaes com que escreve Grapaldo, De partibus Aedium, pag. 248, dizer Vitruvio non cœsim sed punctim ferire docendos esse Tyrones. Dos Celtiberos escreve Diodoro Siculo que enterravam o ferro para se consumir pela humidade a parte d’elle fraca, e ficasse no vivo a de constante duração. Laminas autem ferri sub terra obsconditas tandiu jacere sinunt dum ferri parte debiliore ferrugine ambusta validior supersit. L. V, pag. 356. Ed. de Wesslingio; porém as de bronze não careciam de tanta cautella.»