Livro de Sóror Saudade

Florbela Espanca · Capítulo 23 de 35

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Livro de Sóror Saudade

Ruinas

Saudades! Sim... talvez... e porque não?... Se o nosso sonho foi tão alto e forte

Que bem pensára vê-lo até á morte

Deslumbrar-me de luz o coração!

Esquecer! Para quê?... Ah, como é vão!

Que tudo isso, Amôr, nos não importe.

Se ele deixou beleza que conforte

Deve-nos ser sagrado como o pão!

Quantas vezes, Amor, já te esqueci,

Para mais doidamente me lembrar,

Mais doidamente me lembrar de ti!

E quem déra que fosse sempre assim:

Quanto menos quizesse recordar

Mais a saudade andasse presa a mim!

 

RUINAS