Livro de Sóror Saudade

Florbela Espanca · Capítulo 33 de 35

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Livro de Sóror Saudade

Da Minha Janela

Vejo-me triste, abandonada e só

Bem como um cão sem dôno e que o

procura,

Mais pobre e despresada do que Job

A caminhar na via da amargura!

Judeu Errante que a ninguem faz dó!

Minh'alma triste, dolorida e escura,

Minh'alma sem amôr é cinza e pó,

Vaga roubada ao Mar da Desventura!

Que tragédia tão funda no meu peito!...

Quanta ilusão morrendo que esvoaça!

Quanto sonho a nascer e já desfeito!

Deus! Como é triste a hora quando morre... O instante que foge, vôa, e passa...

Fiosinho d'agua triste... a vida corre...

 

DA MINHA JANELA