Livro de Sóror Saudade

Florbela Espanca · Capítulo 4 de 35

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Livro de Sóror Saudade

Alemtejano

Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida.

Meus olhos andam cegos de te vêr!

Não és sequer razão do meu viver,

Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...

Passo no mundo, meu Amôr, a lêr

No misterioso livro do teu sêr

A mesma história tantas vezes lida!

«Tudo no mundo é fragil, tudo passa...»

Quando me dizem isto, toda a graça

Duma bôca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:

«Ah! Podem voar mundos, morrer astros,

Que tu és como Deus: Principio e Fim!...»

 

ALEMTEJANO

Á Buja