Livro de Sóror Saudade
Odio?
Teus olhos, borboletas de oiro, ardentes
Borboletas de sol, de azas maguadas,
Poisam nos meus, suaves e cançadas,
Como em dois lirios rôxos e dolentes...
E os lirios fecham... Meu amôr não sentes? Minha bôca tem rosas desmaiadas,
E as minhas pobres mãos são maceradas Como vagas saudades de doentes...
O Silencio abre as mãos... entorna rosas... Andam no ar caricias vaporosas
Como pálidas sedas, arrastando...
E a tua boca rubra ao pé da minha
É na suavidade da tardinha
Um coração ardente, palpitando...
ODIO?
Á Aurora Aboim