Livro de Sóror Saudade

Florbela Espanca · Capítulo 34 de 35

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Livro de Sóror Saudade

Sol Poente

Mar alto! Ondas quebradas e vencidas

Num soluçar aflito e murmurado...

Vôo de gaivotas, leve, imaculado,

Como neves nos píncaros nascidas!

Sol! Ave a tombar, azas já feridas,

Batendo ainda num arfar pausado...

Ó meu dôce poente torturado

Rezo-te em mim, chorando, mãos

erguidas!

Meu verso de Samain cheio de graça,

'Inda não és clarão já és luar

Como um branco lilaz que se desfaça!

Amôr! Teu coração trago-o no peito...

Pulsa dentro de mim como este mar

Num beijo eterno, assim, nunca desfeito!...

 

SOL POENTE