Manual do Pequeno Investidor em Ações
5. Buy and Hold: investindo para o longo prazo
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 4 partes.
Claro, essa estratégia poderia ser ainda m ais otim izada, se o investidor estivesse atento aos m ovim entos de m ercado e com prasse nos períodos do ano em que as ações estão m ais desvalorizadas. O problem a é que é m uito difícil saber esse período de antem ão. Para evitar isso, um a estratégia im portante é a de estabelecer, im preterivelm ente, um a data específica para investir, com prando todo dia "x" de cada m ês as ações definidas. Isso evita a tentação de procurar o "dia perfeito para com prar" - algo que, sem um a bola de cristal, é m uito difícil de ser previsto, além de ser ineficiente.
Cuidados com o preço médio
Apesar de a form ação de preço m édio ser excelente para a form ação de patrim ônio no longo prazo, é im portante observar que nem sem pre ela funciona; o seu sucesso depende da satisfação de algum as condições.
Im agine que alguém com pre R$ 1.000,00 em ações de um a em presa hipotética (que vam os cham ar de OPX3) aos seguintes preços, ao longo dos anos:
Nessas condições, o patrim ônio acum ulado seria de R$ 12.919,91 - m as o investim ento seria de R$ 25.000,00. Ou sej a, apesar de o investim ento ter sido feito gradualm ente, ao longo prazo (20 anos), houve prej uízo. Por que isso aconteceu, se a form ação de preço m édio ao longo do tem po é um a ótim a estratégia de investim ento?
O gráfico do exem plo seria o seguinte:
Com o o leitor pode observar, o padrão dos preços é o seguinte: há um prazo gradual de avanço das cotações (até R$ 35,00), quando então o preço das ações com eça a declinar de m aneira irreversível. No caso do exem plo da OPX3, o preço m édio é de R$ 19,24, m as a cotação final no período é de R$ 10,00. Esse é um risco que se corre quando a estratégia de preço m édio é adotado: a estratégia é excelente para preços crescentes ou para preços decrescentes no curto e m édio prazo, m as que no longo prazo recuperam -se e tendem a crescer bastante.
Vam os ver um segundo exem plo hipotético, a UPX5: o investidor adquire as ações a um preço m édio de R$ 47,08, m as com um padrão de crescim ento diferente do observado no prim eiro exem plo. Os preços de aquisição são os seguintes:
E o gráfico associado às cotações seria o seguinte. Vej a a diferença:
Nessa situação, o investidor aplicou R$ 23.000,00 e obteve, ao final dos 25 anos, R$ 80.190,00. Isso aconteceu porque o preço final do período (R$ 110,00) é superior ao preço m édio do investim ento (R$ 47,08).
Essa é a única condição estritam ente m atem ática para que a estratégia do preço m édio funcione: o preço final do período do investim ento deve ser superior ao preço m édio de aquisição das ações. O leitor poderia perguntar, então: "Tá bom , Fábio: m as não há com o garantir que o preço m édio das ações que eu adquiro hoj e serão inferiores à cotação da ação daqui a 20, 30 anos, certo?"
Certo. Não há garantias. Mas tam bém não há garantias de que você não vai ser atropelado quando sair de casa ou perder seu em prego nos próxim os dias. Não há garantias de que o governo vá sacar da cartola algum plano m irabolante para confiscar o dinheirinho da poupança ou da renda fixa, nem que o Brasil não se tornará um a ditadura islâm ica nos próxim os 20 anos.
A única coisa que você pode fazer é controlar os riscos de que o preço m édio de seu investim ento sej a m enor do que a cotação das ações no período final do investim ento. Com o é possível fazer isso?
Um a coisa a observar é o lucro por ação (LPA) da em presa. Um a em presa com lucro por ação crescente ao longo dos anos dificilm ente verá sua cotação cair abruptam ente (salvo um a eventual crise, quando todas as em presas têm suas cotações reduzidas). Vej am os o caso de algum as em presas brasileiras, a Vale e a Am bev:
Com o o leitor pode observar, o crescim ento da cotação das ações (m edida pela últim a cotação do ano) acom panhou, entre 2001 e 2008, o crescim ento do lucro por ação das em presas citadas (Vale e Am bev).
Essa correlação tam bém acontece com em presas que não apresentam crescim ento em seus lucros: as cotações tam bém não apresentam crescim ento, ou quando apresentam , este é pífio.
Vej am os o caso da Bom bril, no m esm o período:
Com o você pode observar, as cotações acom panharam a direção decrescente dos lucros. Não tem j eito: lucros constantem ente crescentes levam ao crescim ento constante dos lucros – e vice-versa. Obviam ente, pode acontecer de um ano ou outro apresentar discrepâncias e o lucro crescer, m as a cotação cair (ou o contrário); m as, no longo prazo, os dois andam j untos.
Assim , verificar o crescim ento do LPA ao longo do tem po é im portantíssim o para que o investidor possa acom panhar se o seu investim ento tende a ter sua cotação aum entada ou não. Outros indicadores im portantes a serem acom panhados são o ROE (que deve perm anecer com m édia superior a 15%), o índice de endividam ento e o crescim ento das vendas da em presa.
Em outras palavras, acom panhe com o anda a sua em presa. Se as coisas com eçarem a andar de m aneira diversa do esperado, é possível vender as ações antes de ter algum prej uízo com a eventual queda nas cotações. Note apenas que pode ocorrer de os preços da em presa retrocederem m esm o com o aum ento no lucro por ação. Isso pode acontecer por diversos m otivos, com o um a crise generalizada. Se isso acontecer, não se preocupe: no longo prazo, a cotação tenderá a acom panhar o crescim ento do LPA.
Tom ados esses cuidados, dificilm ente o investidor será surpreendido com um a "pirâm ide invertida" que lhe dará prej uízo.
8. Blue chips e small caps: o tamanho da empresa importa
Um a distinção com um adotada no m ercado diz respeito ao tam anho da em presa em que alguém pode investir. De um lado, existem as blue chips, as grandes em presas que com põem , sozinhas, um grande percentual do Ibovespa. É o caso, por exem plo, de Petrobras, Vale, Am bev, Itaú, entre tantas outras em presas. De outro lado, existem as small caps, em presas m enores que equivalem a m enos de 1% do índice - ou nem estão nele, com o é o caso da m aioria.
Muitos acreditam que a m elhor form a de fazer dinheiro na bolsa é investindo nas blue chips. Com o elas são relativam ente estáveis e norm alm ente apresentam um longo histórico de investim ento, elas seriam um porto m ais seguro do que o investim ento em em presas m enores. Já outros acreditam que o m elhor m esm o é investir em small caps, j á que, por se tratar de em presas pequenas, o potencial de crescim ento (e de retorno) é m uito m aior.
De m inha parte, prefiro adotar um a abordagem m ista. Existem excelentes em presas nos dois espectros do m ercado, com bom potencial de retorno. O ideal, portanto, é aprender m ais sobre cada um a delas e retirar o que há de m elhor dos dois m undos.
Blue chips: as grandes empresas da bolsa podem trazer bons retornos
Blue Chips, apesar de grandes, podem trazer excelentes retornos no longo prazo. Muitos duvidavam do potencial de crescim ento da Coca Cola na década de 1980, e até hoj e a com panhia apresenta um histórico de crescim ento fantástico, graças à força de sua m arca e a com petência de sua adm inistração.
Por outro lado, tam bém existem exem plos de em presas que, por serem gigantes, esgotaram sua capacidade de crescim ento consistente, o que as transform a em investim entos m enos rentáveis. Com o separar o j oio do trigo? Além dos critérios fundam entalistas que tenho buscado explicar até aqui, os fundadores do site The Motley Fool apresentam , no livro “The Motley Fool Investm ent Guide”, alguns critérios interessantes que aj udam o investidor de longo prazo a escolher ótim as blue chips para com por suas carteiras de investim ento.
O prim eiro critério para investir em um a blue chip sugere que o investidor deva procurar investir em em presas que "façam " as regras de seu setor de atuação (os autores a cham am de Rule Makers). São em presas que constituem quase um m onopólio, tam anho a sua influência no m ercado. É o caso, por exem plo, da Apple, que estabelece o padrão de m ercado da m aioria dos produtos que vende - tanto que seus concorrentes são obrigados a copiá-la ou a tentar superá-la, m as sem pre a tendo com o padrão de com petidora. Tam bém é o caso da Coca Cola, a m aior das gigantes no m undo das bebidas. Nesse m ercado, há um a brasileira, a Am bev, que dom ina seu m ercado no país e em boa parte das Am éricas. Tam bém não poderíam os deixar de m encionar Petrobras e Vale, em seus respectivos setores de atuação.
David e Tom Gardner apresentam critérios quantitativos e qualitativos para identificar blue chips que se qualifiquem com o rule makers em seus setores de atuação. Os critérios qualitativos são os seguintes:
1. Marca dominante
O prim eiro passo para identificar blue chips que estabeleçam as regras no seu setor de atuação diz respeito à força de sua m arca. Um a m arca lem brada instantaneam ente por seus consum idores com o de qualidade é um passo im portantíssim o para que a em presa possa cobrar m ais por seus produtos e ainda assim vendê-los m uito bem . É o caso, novam ente, dos produtos da Apple ou da Coca Cola, m arcas lem bradas sem m uito esforço. Brahm a e Antarctica têm força sem elhante no m ercado interno, assim com o a Quilm es na Argentina (m arcas da Am bev). A Hy perm arcas tam bém tem m arcas fantásticas, com o finn, etti, zero-cal, entre outras.
2. Negócio baseado na compra repetitiva dos produtos
É m elhor investir em blue chips cuj os produtos são adquiridos constantem ente, com o refrigerante, cervej a, produtos de beleza (Natura) ou lâm inas de barbear (pense na Gillette), um a vez que, a cada com pra, o consum idor relem bra o poder da m arca. Além disso, a necessidade de com pra constante de produtos indica um fluxo de caixa m ais previsível, j á que sem pre há a expectativa de vendas futuras. A situação é m ais segura, por exem plo, do que a de um a em presa que produz aviões (pense na Em braer), com pouquíssim os e concentrados clientes que com pram , por um preço caríssim o, poucas aeronaves.
3. Conveniência
Os produtos precisam ser convenientem ente acessíveis para seus consum idores. Sej a com prando as prateleiras m ais acessíveis no superm ercado (é, essa é um a estratégia bastante utilizada), possibilitando a com pra do produto e m sites de e-commerce, afinando aj ustes de exclusividade com em presas de setores com plem entares, as blue chips equity bonds colocam seu produto à disposição da m aneira m ais acessível possível.
4. Possibilidades de expansão
É im portante avaliar se as blue chips que estam os exam inando têm possibilidades concretas de expansão de seu negócio. A Am bev pode aum entar se u market share ou criar novos produtos? A Coca Cola pode aum entar ainda m ais sua influência? Em casos com o esses, m uitas vezes com etem os o erro de subestim ar o potencial do negócio. Muita gente não investe na Am bev por acreditar que ela j á é grande dem ais e não tem com o se expandir ainda m ais. Mas este pode ser um erro; j á tenho ouvido esse discurso há algum tem po e, de lá pra cá, a em presa m ais do que dobrou o seu lucro. É claro que pode acontecer de a expansão se estabilizar, m as ser pessim ista sem ter inform ações concretas sobre a possibilidade de expansão do negócio é um cam inho de sucesso duvidoso.
5. Sua familiaridade e interesse
Esse critério se aplica ao próprio investidor. É im portante escolher em presas cuj os negócios atraem seu interesse - e que tornará m ais provável que você procure fontes adicionais de notícias que indiquem as perspectivas futuras do negócio.
Além dos critérios qualitativos, os autores de “The Motley Fool Investm ent Guide” indicam ainda critérios quantitativos para identificar blue chips atraentes. É preciso ler esses critérios ressalvando que a realidade brasileira é diferente da am ericana e, por isso, alguns núm eros não precisam ser exatam ente os m esm os:
6. Crescimento anual nas vendas de pelo menos 10%
O crescim ento das vendas é um indicador que atesta indiscutivelm ente se o negócio tem se expandido ou não. A taxa de 10% indica se o ritm o de crescim ento é m inim am ente interessante.
7. Margem de lucro bruta superior a 50%
A m argem de lucro bruta indica o percentual de cada real recebido pela em presa que é convertido em lucro, depois de abater os custos de produção. Um a m argem bruta de lucro de 50% indica que a cada real recebido, a em presa tem um lucro bruto de R$ 0,50. No caso brasileiro, tem os algum as em presas que passam com louvor por esse filtro, com o Vale (61,8%), Am bev (67,9%), Cielo (67%) e Natura (70,2%) - e essa lista é apenas exem plificativa, não exaustiva.
8. Margem de lucro líquida superior a 10%
A m argem líquida de lucro indica o percentual das receitas da em presa que é efetivam ente convertida em lucro líquido. Tem os em presas fantásticas nesse quesito, com o Randon (10,11%), Localiza (10,90%), Eternit (11,58%), Natura (13,93%), além de blue chips com o Petrobras (18,79%), Vale (42,17%) e Cielo (44,39%), entre tantas outras!
9. Caixa superior a 1,5 vezes o valor da dívida
É im portante que a em presa tenha dinheiro em caixa suficiente para pagar todas as dívidas e dar a volta por cim a, caso sej a necessário. Por isso, há a recom endação de que o caixa sej a superior a 1,5 vezes o valor total da dívida, de curto e longo prazo - situação em que a em presa terá dinheiro para pagar as dívidas e ainda sobrará um pouco para investir.
10. Foolish flow ratio abaixo de 1,25
Os autores ainda utilizam um indicador criado por eles m esm os: o foolish flow ratio, que indica o uso eficiente do dinheiro em caixa da em presa. A ideia por trás desse indicador é que é m elhor que a em presa sej a capaz de trazer dinheiro o m ais rápido possível e que as dívidas sej am pagas o m ais devagar possível. Para calcular isso, sugerem o seguinte cálculo: (Ativos circulantes -caixa)/(passivo circulante - dívida de curto prazo). O ideal é que o resultado sej a inferior a 1,25, o que indica que a em presa é capaz de alongar o prazo de pagam ento de suas dívidas e de receber dinheiro m ais rápido.
11. Margem de Cash king de pelo menos 10%
Esse é outro indicador im portante criado pelos autores de The Motley Fool Investm ent Guide, e busca avaliar de m aneira m ais realista a m argem líquida de lucro da em presa, evitando m aquiagens no balanço da com panhia. Para isso, eles partem do pressuposto de que, m ais do que o lucro, é im portante analisar o fluxo de caixa da em presa, porque m uitas vezes os contadores da com panhia m aquiam os resultados dos lucros, incluindo nele elem entos que não poderiam ser qualificados com o tal. A fórm ula encontrada por eles é a seguinte: (caixa operacional - despesas de capital)/receita de vendas. O ideal é que esse cálculo sej a superior a 10%.
Obviam ente, haverá em presas fantásticas que não satisfarão a todos os critérios elencados, e em presas ruins que apresentarão alguns indicadores dentre os elencados. O im portante, portanto, é ter um a série de ferram entas a sua disposição e tentar utilizá-las para separar o j oio do trigo.
Small caps: retornos e riscos elevados
As cham adas blue chips - literalm ente, fichas azuis, em inglês, em rem issão às fichas m ais valiosas do pôquer - são as em presas m ais negociadas na bolsa de valores e que têm o m aior valor de m ercado. Norm alm ente, são m enos voláteis (suas cotações variam m enos ao longo do ano) e, por isso, m uitos a associam a um a rentabilidade m ais segura. Todavia, com o tam anho delas, vem tam bém um problem a que pode prej udicar bastante a rentabilidade do seu patrim ônio: a dificuldade do crescim ento da em presa. Im agine a dificuldade de um a em presa com o a Petrobras, que lucra R$ 30 bilhões por ano, de duplicar seu lucro líquido. Extrair m ais R$ 30 bilhões adicionais de um a em presa desse porte, cuj o valor de m ercado é superior a R$ 300 bilhões, é m uito com plicado!
Investir em small caps é algo que tem sido negligenciado por m uitos investidores, que buscam form ar sua carteira de ações investindo unicam ente em ações de blue chips. Todavia, esses investidores podem estar abrindo m ão de ter excelente rentabilidade em sua carteira de investim entos, pois estão abrindo m ão de investir em em presas que, apesar de serem m ais voláteis, podem trazer rentabilidade m aior.
O principal m otivo pelo qual as small caps podem render m ais, no longo prazo, do que as cham adas blue chips se deve ao fato de que em presas m enores têm m aior potencial de crescim ento do que em presas que j á são m uito grandes. Já um a em presa m enor, tem espaço para crescer consistentem ente por m uitos e m uitos anos sem que seu tam anho sej a um problem a.
Traçar um histórico das small caps no Brasil não é fácil, j á que, ao contrário de outros países, não tem os um banco de dados que utilize o histórico de décadas em um índice small caps. No nosso caso, o índice small cap, fornecido pela Bovespa, som ente dispõe de dados a partir do dia 1/9/2005, quando o índice foi lançado. Naquela oportunidade, o índice acusava um a pontuação de 515,43 pontos. Hoj e, está na casa dos 1.209 pontos - um a alta, em 6 anos, de 134,56%. No m esm o período, o Ibovespa apresenta um a alta de 95,12%.
Acom panhe o desem penho com parativo dos dois índices desde 2006:
Com o você pode ver, entre 2006 (prim eiro ano que tem os um ano inteiro de rentabilidade com pleta para os 3 índices) e 2011 (ano incom pleto), o índice m ais rentável foi j ustam ente o das small caps, em segundo lugar, o índice Ibovespa e, por últim o, o índice de mid caps. O Ibovespa foi o pior e o m elhor dos três em dois anos (2008 e 2011). O índice Small Caps foi o m elhor em três oportunidades (e o pior em duas). E, por fim , o índice Mid-large caps foi o m elhor em um a oportunidade, e o pior em duas. Mas é im portante observar que, no pior dos períodos (2008), o índice Small Caps, em bora tenha sido o pior dos três (queda de 53,15%), teve rendim ento apenas m arginalm ente inferior aos outros dois índices, que apresentaram queda bastante superior. E, no m elhor ano da série (2009), seu rendim ento foi m uito superior ao dos outros dois.
9. O que fazer quando a ação “anda de lado” por muito tempo?
Às vezes, o preço da ação de um a em presa fica “andando” de lado por um bom tem po. Aliás, depois da grande valorização ocorrida em 2009, após o ápice da crise de 2008, o próprio índice Ibovespa tem andado de lado - ou sej a, m antendo-se razoavelm ente no m esm o patam ar. Às vezes, ocorre um a queda m ais brusca, seguida de um aum ento rápido no preço da ação, m as no geral as coisas ficam “na m esm a”. Com o o investidor deve se com portar nessa situação?
A prim eira coisa a ser verificada é o que está acontecendo com os fundam entos da em presa. Eles evoluíram ou pioraram ao longo do tem po?
Vej am os o caso, por exem plo, do Banco Itaú Unibanco. Em 2007, suas ações (ITUB4) chegaram a ser negociadas por pouco m ais de R$ 35,00. Hoj e, em 2012, o preço de cada ação está na casa dos R$ 32,00. Mas o Itaú de hoj e é o m esm o Itaú de 2007? Obviam ente, não. Em 2007, o Itaú era só Itaú - o banco ainda não havia se fundido com o Unibanco.
Em 2007, o patrim ônio líquido do banco valia algo em torno de R$ 28.969 m ilhões, quase a m etade do valor do final de 2009, na casa dos R$ 50.683 m ilhões. O Lucro por Ação do banco, em 2007, era de R$ 1,71; em 2009, de R$ 2,20 (hoj e, contando com os dados do 3o trim estre de 2010, j á é de R$ 2,77). Em 2009, o banco pagou um a bonificação de 10% para seus acionistas - ou sej a, para cada 10 ações, o banco deu 1 para cada acionista. De 2007 até 2009, o Itaú Unibanco pagou proventos (dividendos e j uros sobre o capital) - R$ 0,62 em 2006, R$ 0,63 em 2007, R$ 0,86 em 2009 (dados da plataform a Valoriza, do INI).
Som ente com a bonificação e os dividendos, o investidor j á teria um a rentabilidade de 16% sobre a cotação de R$ 35,00. É pouco, m as é algo que o sim ples olhar sobre a cotação não m ostra.
Além disso, o Itaú, hoj e, é um a em presa m elhor do que era em 2007. Em 2007, na cotação base de R$ 35,00, o P/L do banco era de 18,91; hoj e, a um a cotação base de R$ 38,04, o P/L é de 13,73. Ou sej a, as ações do banco estão m ais baratas hoj e do que em 2007, m esm o a um preço um pouquinho m aior. Se o m ercado vier a avaliar o banco, hoj e, com base no m esm o índice P/L de 2007, teríam os um a cotação de R$ 52,38 - e o investidor teria um a rentabilidade de 37%. Som ados aos 16% com os proventos, seria um lucro de 53% em apenas 3 anos...
Vej am os o caso de outra em presa fantástica, a Vale. Em 2007, as ações VALE5 chegaram a ser cotadas a R$ 50,29 - valor bastante próxim o do atual, R$ 50,24. Mas em 2007, o valor patrim onial por ação era de R$ 10,63; hoj e, é de R$ 21,29 (o dobro!!). Em 2007, o lucro por ação era de R$ 3,73; hoj e, em 2012, está na casa dos R$ 4,42. A cotação de R$ 50,29 equivalia a um P/L de 13,48. O P/L atual da em presa é de 9,16 - m ais barato, portanto. Sem contar que a em presa tam bém pagou dividendos ao longo desses anos!
E poderíam os prosseguir assim , tam bém , com outras em presas cuj as cotações “andaram ” de lado, m as que, na verdade, são hoj e em presas m elhores do que eram há 3, 4, 5, 10 anos.
O investidor de longo prazo deveria ficar feliz por isso acontecer. É um sinal de que seus investim entos de 3 ou 4 anos atrás estão ainda m ais atrativos hoj e do que eram naquela época - e se fazia sentido com prar suas ações naquele tem po, talvez faça m ais sentido ainda com prá-las hoj e (a não ser, é claro, que o investidor encontre investim entos com potencial m aior). Com um portfólio diversificado, é bem provável que em algum m om ento o m ercado identifique essas discrepâncias e as corrij a.
A grande questão é que o m ercado não é racional ao estabelecer as cotações das em presas. As pessoas acreditavam que fazia sentido com prar ações a preços m uito m ais inflados no m ercado de 2007, porque confiavam que os preços continuariam a subir dem ais nos anos vindouros. Em 2007, antes da crise do setor im obiliário am ericano, as pessoas estavam iludidas com o m ercado de ações: o céu era o lim ite.
Por essas razões, os preços subiram m ais do que estava j ustificado pelos fundam entos das em presas. Talvez apenas hoj e os fundam entos de algum as em presas tenham se aj ustado às cotações que eram com uns em 2007 - e, por isso, as cotações “andaram de lado” por tanto tem po. Claro, cada caso é um caso: existem ações que estão m ais caras hoj e do que eram em 2007, sem que os fundam entos tenham acom panhado, e tam bém pode ter ocorrido o contrário.
O fato é que, no cenário m acroeconôm ico dos dias atuais, o m ercado está preocupado e, por conta disso, tem se recusado a avaliar as ações com o desleixo dos anos anteriores a 2008. Isso se reflete diretam ente na relação entre o Preço e o Lucro das ações de cada em presa: em tem pos de bonança, o m ercado tende a j ogar o P/L das em presas nas alturas, com a confiança de que o futuro será m agnífico; em épocas de preocupação, o m ercado considera que o futuro é incerto e tende a m anter o P/L m ais baixo. Cabe ao investidor diligente saber identificar esses m om entos e utilizá-los em seu proveito, adquirindo por um bom preço aquela ação que tanto desej a.
10. Razões para vender uma ação
Você com prou ações de um a boa em presa, tem recebidos bons dividendos todos os anos, os reinveste em novas ações, e j á m antém a ação em sua carteira por um bom tem po. Já teve lucros fantásticos com a valorização da ação, e você com eça a pensar em quando deveria vender as ações.
Um a resposta possível é... nunca! Se a em presa continua lucrativa, seus lucros continuam crescentes e ainda há m argem para que os lucros continuem a crescer, não há m otivo para vender a ação. Um a boa m aneira de verificar se esse é o caso é analisar se as taxas de crescim ento do lucro por ação (LPA) dos últim os 10 anos m antém -se nos últim os 5 anos. Se a taxa de crescim ento do LPA dos últim os 5 anos for igual ou superior à dos últim os 10 anos, não houve um aum ento excepcional da dívida da em presa, e os preços das ações não estão excessivam ente sobrevalorizados, um a resposta para a questão pode ser essa m esm o: nunca. Mas podem ocorrer situações em que vender a ação sej a um a boa alternativa.
Um a dessas situações é o caso em que o índice Preço por Lucro (P/L) da em presa está m uito alto, sem razões aparentes. Um a em presa que nos últim os 10 anos teve um índice P/L m édio igual a 10 e está sendo negociada a um índice P/L m édio de 50 indica que os preços podem estar inflados. Mas não utilize apenas esse indicador para avaliar se os preços estão altos dem ais: com o j á salientei, um índice P/L alto pode ocorrer logo após um a crise, quando os lucros das em presas caíram bastante e ainda não tiveram o tem po necessário para se recom por. É o caso da Gerdau (GGBR4), por exem plo, que está negociada hoj e a um índice P/L altíssim o, de quase 80. Quando os lucros norm alizarem -se novam ente, é possível que esse índice retorne a um padrão m ais baixo.
A situação a que o investidor deve estar atento é aquela na qual ocorre valorização extrem a do ativo, sem razão aparente. Norm alm ente, isso acontece em m om entos de euforia no m ercado, quando quase todos os ativos têm suas cotações elevadas artificialm ente. Foi pensando nisso que Warren Buffett vendeu algum as de suas ações em 1998, pouco antes da bolha da internet estourar: boa parte das ações do portfólio da Berkshire Hathaway estavam com um P/L de 50 (só a Coca Cola estava com um índice P/L de 62), o que é altíssim o com o P/L m édio de um a carteira de ações. Para que o leitor tenha um a ideia, a rentabilidade esperada de ações com o essas é de m eros 2% ao ano. Preços m uito altos só têm um rum o a seguir: ladeira abaixo. E foi j ustam ente por isso que Buffett vendeu algum as de suas ações: logo depois, quando estourou a bolha da internet, os preços dos ativos caiu ladeira abaixo.
Com o saber se o índice P/L está alto dem ais? Um a m aneira de fazer isso é com parar os P/L atuais com os índices P/L m édios das ações nos últim os dez anos. Se a ação foi negociada nesse período à base de um P/L de 8, e não há nenhum fator que explique ela estar negociada a um P/L de 60, há um a boa razão para suspeitar que ela estej a supervalorizada.
Outro bom m otivo para vender as ações ocorre quando surge um a oportunidade m elhor de investim ento. Digam os que você espere obter um a rentabilidade de 16% ao ano com um a ação (digam os, FAL3), e depois do aum ento de seu preço, a rentabilidade esperada sej a de apenas 4%. Por outro lado, você garim pa o m ercado financeiro e descobre um a ação (UP4) que tem um a rentabilidade esperada de 14% ao ano. Com o você não é bobo e sabe que 14% é m elhor do que 4%, o ideal a fazer nessas circunstâncias é vender a ação FAL3 e com prar UP4, porque a rentabilidade esperada nela é m elhor do que na prim eira.
Philip Fisher tam bém apresenta algum as razões interessantes para que o investidor venda um a ação. Um a delas (talvez a m ais óbvia) sej a a circunstância de a em presa não apresentar a rentabilidade originalm ente esperada. Vej a bem : estou falando da hipótese em que a em presa não tem a rentabilidade esperada, e não do caso de suas cotações com eçarem a cair. O sim ples fato de a cotação cair não é m otivo para vender um a ação; m as se os lucros da com panhia com eçarem a derrapar e saírem pior do que o esperado por algum período, sem explicação aparente, pode-se form ar um cenário em que vender as ações da em presa é um a opção racional.
Mas Fisher tam bém faz um alerta sobre o quando vender um a ação, se há suspeita de sobrevalorização do ativo: no caso do exem plo fictício da FAL3, havia um a nítida sobrevalorização. Os preços dela subiram tanto que não seria razoável esperar que o ativo alcançasse um a boa rentabilidade nos próxim os anos. Mas pode ocorrer de o ativo subir um pouco e aparentem ente estar sobrevalorizado (digam os, o P/L subiu de 5 para 12), m as as expectativas de lucro são tão superiores a isso em um prazo de 8 ou 10 anos que essa aparente sobrevalorização não terá praticam ente qualquer efeito real na rentabilidade esperada. Se um a ação subiu 40%, m as você espera um a rentabilidade em 10 anos de 500%, pode valer a pena segurar o ativo.
Lições da bolha da Internet
A m encionada bolha da Internet é um im portante estudo de caso que ilustra um m om ento em que os investidores tinham bons m otivos para vender suas ações. O ápice da bolha das em presas "ponto com " ocorreu em 10 de m arço de 2000, quando o índice Nasdaq alcançou a m arca de 5.048 pontos. De quando a bolha estourou, no início da década, o índice j am ais voltou a ficar sequer próxim o do topo histórico. Para que o leitor tenha um a ideia, hoj e o índice está com um a pontuação em torno de 3000 pontos. Na época da bolha, m uitas pessoas im portantes no m eio econôm ico diziam que as regras que funcionavam no passado não operavam m ais. As cotações das em presas ponto subiriam indefinidam ente, porque os lucros delas seriam inim agináveis no futuro. As ações não seguiriam m ais a econom ia real. O problem a é que o m ercado não respeita quem desobedece suas leis: em pouco m ais de dois m eses após o ápice da bolha, o índice Nasdaq recuou para a casa dos 2000 pontos. Mas que lições podem os tirar daquela crise?
A prim eira lição é: o preço pago pelas ações da em presa não pode ser deixado de lado no m om ento de investir. Um a em presa fantástica e lucrativa pode ser um péssim o investim ento, se estiver m uito cara. Vej am os o caso da Oracle: de 2000 até m eados de 2010, seu lucro por ação (LPA) cresceu a um a m édia de 16,9% por ano. A em presa é bastante lucrativa, portanto. Mas... quem investiu nela em 2000, estaria com um prej uízo de 4.8% sobre o investim ento inicial (sem contar a depreciação do valor, por conta da inflação). A Microsoft, outra gigante do setor de tecnologia, teve um crescim ento anual em seus lucros de 8.7% no m esm o período, m as quem investiu nela em 2000, no ápice da crise, ainda estaria am argando prej uízo.
O que aconteceu? Se as em presas m encionadas são tão fantásticas e lucrativas, por que quem investiu nelas teve prej uízo, e não lucro? Porque elas estavam m uito caras no início da década, com o podem os verificar analisando o índice Preço/Lucro (P/L). Relem brando, o índice P/L m ede a relação entre o preço de um a ação e o lucro por ação da em presa. Um índice m ais baixo indica que a ação está "m ais barata", e um índice m ais alto indica que a ação está "m ais cara". Pois bem : a Oracle tinha, em 10 de m arço de 2000, um P/L de 169.3 - ou sej a, a cotação era quase 170 vezes superior ao lucro auferido pela em presa em 2000. Para j ustificar um P/L com o esse, o crescim ento esperado nos lucros da em presa teria que ser fantástico - m uito superior ao crescim ento de 16.9% anual que a em presa conseguiu na década, e que j á é extraordinário. Hoj e em dia, o índice P/L da Oracle está em torno de 20, bem abaixo dos patam ares de 2000. Ou sej a, o preço da ação se aj ustou, ao longo da década, para se acom odar aos lucros produzidos pela em presa. Não está tão barata, m as está m uito m enos cara do que em 2000. Com a Microsoft, aconteceu algo parecido: em 2000, seu P/L era de 64.1, e hoj e é de aproxim adam ente 16. Ou sej a, ao longo da década os preços caíram e o lucro subiu, aj ustando o P/L a um a realidade m ais plausível.
O que vou dizer é óbvio: só duas variáveis podem afetar o índice P/L. Se o preço sobe e o lucro perm anece estável, o índice sobe. Se o lucro fica estável e o preço sobe, o índice cai. Se o lucro sobe e o preço perm anece estável, o índice cai. E se o lucro cai e o preço perm anece estável, o índice sobe. Se o preço está m uito alto para o patam ar do lucro, a tendência é que o m ercado, no longo prazo, aj uste as coisas, aj ustando os preços para baixo. O inverso tam bém acontece (com o vim os na recente crise, quando os preços estão m uito baixo perante o lucro das em presas, a tendência é que aj a um aj uste, beneficiando o investidor diligente).
Peguem os um exem plo: digam os que a em presa fictícia INTX estej a cotada no ano 1 a R$ 100,00, com um lucro por ação de R$ 0,50. Seu P/L é 200 (100/0,5). Digam os que ela tenha, no ano 2, um crescim ento no seu lucro de 20%, passando para R$ 0,60 de lucro por ação. O crescim ento foi fantástico, m as o P/L perm anece nas alturas: 166,67. Para que o P/L volte a um patam ar m ais norm al (digam os, 20), apenas com o crescim ento dos lucros, a em presa teria que ter um lucro por ação de R$ 5,00, o que é dez vezes superior ao lucro do ano 1. Para que isso aconteça, com um crescim ento anual no lucro de 20%, o investidor teria que esperar 12 anos e m eio. Em outras palavras, com o histórico do lucro da em presa, o investidor teria que esperar 12 anos e m eio para que os lucros da com panhia j ustificassem o pagam ento de um preço de R$ 100,00 por ação.
E é im portante que o leitor perceba que um P/L = 20 não é baixo. Se considerarm os um P/L = 10 com o m ais razoável, o investidor teria que esperar o dobro do tem po (25 anos!) para que fosse razoável pagar R$ 100,00 por um a ação da INT3. E isso contando que a em presa continuaria a m anter a m arca incrível de crescim ento nos lucros de 20% ao ano durante todo o período!
Outra lição im portante: o lucro da em presa conta! No início da década, havia a percepção de que qualquer em presa "ponto com " teria crescim ento em suas cotações. Qualquer m oleque com um com putador na garagem de casa criava u m site e abria o capital de sua "com panhia" para venda de ações na bolsa. Alguns desses m oleques até enriqueceram com esse tipo de transação: vendiam as ações e abandonavam a em presa. Mas a m aioria realm ente acreditava em seu "negócio": em itiam as ações, m as continuaram na adm inistração da em presa até ela falir, porque não tinha um m odelo sustentável de adm inistração ou m esm o um produto plausível. A Am azon é um exem plo clássico do período: desde o início era um a em presa adm irada, m as não teve lucros até bem pouco tem po atrás.
O site The Motley Fool traz algum as outras lições im portantes da bolha das em presas “ponto com ”:
Não será diferente "desta vez"
Muitos investidores insistem em aplicar suas econom ias na com pra de ações em m om entos de euforia, achando que as coisas serão diferentes do que aconteceu no passado. Mas a questão é que as leis da econom ia são tão aplicáveis hoj e quanto eram no passado. Se você pagar m ais do que o ativo vale, provavelm ente terá prej uízo.
Investidores proprietários ganham mais que especuladores (flippers)
Essa é outra lição. Quem investe em ações com o obj etivo de se tornar um "proprietário" da em presa tem ganhos m uito m ais substantivos do que quem troca constantem ente de ações, buscando "bater o m ercado". Claro, não adianta ser proprietário de em presas ruins: é preciso fazer o dever de casa antes de com prar ações. O "The Motley Fool" desafia: se você não acredita, dê um a olhadinha na lista dos m aiores bilionários do m undo.
Não há substituto para vantagem competitiva
Invista em com panhias que tenham boa (e constante) dem anda, m argem de lucro e fluxo de caixa: serão elas as que sobreviverão no longo prazo, e não em presas que são m eras apostas - com o eram boa parte das com panhias que com punham o índice Nasdaq no início da década.
11. Crise e oportunidade
O que deve fazer o investidor em m om entos de crise? Tudo depende do horizonte de tem po que ele pretende m anter seus investim entos em ações: se ele pretende m anter seu dinheiro investido por 10 ou 15 anos, no longo prazo há um a grande probabilidade de um a crise não ter grandes consequências em sua rentabilidade.
Melhor ainda, um a crise que leve a um a queda brusca no preço das ações pode se revelar um a grande oportunidade para que o investidor tenha bons lucros. Ao contrário do que a m aioria das pessoas pensa, o lucro não acontece no m om ento da venda de um a ação, m as no m om ento de sua com pra. Quem com pra barato, tem m aiores lucros; quem com pra caro, tem m aior chance de vir a ter um prej uízo.
Por isso, é im portante a elaboração de um a estratégia de form ação de preço m édio: as crises criam excelentes oportunidades para o investidor. Se ela term inar agora e a bolsa com eçar a subir am anhã, o investidor pode ter aproveitado um a grande oportunidade de com prar ações; e se ela continuar a cair novam ente, sem pre será possível com prar m ais ações a preços m ais baixos.
Desespero? Pânico? Ou oportunidade?
Em períodos de crise, é com um ver, nos noticiários, quedas de 5% ou 10% em um único dia, o que leva m uitos investidores ao desespero. Afinal, 10% é m ais do que a rentabilidade anual de um título público que vai em bora em um único dia.
Mas estes m om entos são a ocasião perfeita para não entrar em pânico e ter m uita, m uita calm a. Não adianta ficar assustado e com eter um erro m uito com um : vender as ações por causa do desespero. Se você ficar assustado nesses m om entos e decidir, por causa disso, vender suas ações, pare, respire fundo e pense: se você com prou ações de em presas ridículas, venda m esm o. Mas não venda porque a crise chegou. Adm ita que você só queria especular e faturar uns trocados com day trade e se deu m al. Agora, se você com prou ações de em presas sólidas, fique calm o e reflita nos seus obj etivos ao com prar a ação: se você as com prou para se tornar sócio do negócio delas e lucrar com isso ao longo de sua vida, anim e-se! Pode estar surgindo um a oportunidade de com prar m ais ações de sua em presa, a preços m ais baixos.