Manual do Pequeno Investidor em Ações
5. Buy and Hold: investindo para o longo prazo
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 4 partes.
Se seu obj etivo é form ar patrim ônio para o longo prazo, não se desespere. A hum anidade sem pre resolveu suas crises de um a m aneira ou de outra. Mas as pessoas sem pre continuaram a usar produtos de beleza, energia elétrica, com er , beber, se vestir e a construir casas. Com toda a crise ocorrida desde 2008 você não deixou de fazer nada do que fazia antes: a econom ia vai crescer novam ente. Não sei quando, e ninguém sabe, e pode dem orar. Mas pode ser que, com eventuais quedas pelos eventos cataclísm icos, o período com preendido entre 2008 e os anos de crescim ento pífio gerado pelo déficit público sej am grandes anos para se com prar ações de boas em presas. Quando tudo voltar à norm alidade, quem confiou no futuro deverá ser bem recom pensado.
Ganhando dinheiro com o desespero alheio
Mom entos de pânico norm alm ente trazem m uitas oportunidades para ganhar dinheiro na bolsa de valores. É verdade que alguém pode fazer fortunas sendo sócio de excelentes em presas e, ao longo dos anos, lucrando com o aum ento de rentabilidade delas. Mas m om entos de crise trazem grandes oportunidades porque você pode ganhar dinheiro com o desespero alheio.
Sei que, à prim eira vista, essa afirm ação pode parecer pouco ética ou coisa de gente sacana, que não está nem aí para os outros, não é? Mas não é verdade. Pense por esse lado: a única coisa que você pode controlar na sua vida é a sua resposta frente ao que as outras pessoas fazem . Você não pode controlar o que os outros vão fazer. Pense em quantos conselhos sensatos você j á deu para seus parentes e am igos e no efeito do conselho sobre o que eles fizeram na prática. Tenho certeza que, m uitas vezes, eles continuaram a fazer o que teriam feito se você não tivesse falado nada para eles.
Da m esm a form a, você tam bém não pode controlar o m ercado de ações. Esqueça a ideia, dissem inada por todo canto, de que alguém pode prever o com portam ento do m ercado. Ninguém pode fazer qualquer tipo de previsão porque o m ercado, ao contrário do que m uitos econom istas acham , é absolutam ente irracional. Às vezes, o lucro de um a em presa dobra e as ações dela caem porque os analistas de m ercado esperavam que o lucro subisse 102,5%, apenas 2,5% a m ais do que o que ocorreu de fato. Ao invés de pensar que a em presa é fantástica, por ter conseguido dobrar o seu lucro, m uitos especuladores tem em que a em presa não sej a tão eficiente assim : afinal, subiu 2,5% a m enos do que todo m undo esperava!!! Outras vezes, o m ercado com eça a desabar sem m otivo algum : um país sem qualquer relevância econôm ica declara a m oratória e todo m undo com eça a achar que o m undo inteiro está falido e desandam a vender ações, resultando num a queda absurda nos preços. Às vezes, acontece o contrário. Um a notícia positiva, m as sem qualquer relevância prática, faz com que o bom hum or do m ercado leve o preço das ações às alturas.
Enfim , esqueça a ideia de prever o m ercado de ações. O m áxim o que você pode conseguir tentando fazer isso é um transtorno bipolar. O que você pode fazer, então? Reagir ao que está acontecendo no m ercado. Se o m ercado está desesperado, com pre o desespero dele. Às vezes, os preços de ações de um a em presa fantástica vão ao chão por causa de boatos sem fundam ento algum , gerando um a oportunidade im ensa de com prar o ativo. O que os analistas técnicos dizem ? “Não se m eta com esse ativo, porque ele acabou de rom per um suporte im portante e a tendência agora é de queda!”. O que eles estão tentando fazer é prever o com portam ento futuro do m ercado, e esquecem de que a queda no preço pode ter sido absolutam ente irracional, quando avaliam os o valor intrínseco da em presa. Se, ao invés de tentar prever o que o m ercado vai fazer nos próxim os dias ou sem anas, você se concentrasse no fato de que a queda foi irracional e de que o preço das ações está abaixo do valor efetivo da em presa, teria aproveitado a oportunidade para com prar as ações!
Exem plo disso aconteceu no m eio da crise de 2008. As ações da Am bev chegaram a ser negociadas por preços irrisórios, tendo despencado sem m otivo, j á que a lucratividade da em presa não foi nem um pouco abalada pela crise. Pelo contrário, o lucro da em presa j á é bem superior, hoj e, ao de 2007 assim tam bém com várias outras em presas, cuj as cotações despencaram sem qualquer razão a não ser o desespero dos outros.
Por outro lado, tam bém é im portante reconhecer quando o m ercado está eufórico. Em alguns m om entos, as ações sobem sem qualquer m otivo aparente que não o próprio otim ism o das pessoas. A cotação da ação alcança um índice P/L superior a 30 sem que haj a perspectivas de crescim ento do lucro da em presa forte o suficiente para j ustificar os preços. Aqui, tam bém , você não pode prever o futuro. Os analistas passam a prever um futuro dourado para a em presa, sem qualquer problem a, e dizem que o único rum o das ações é para cim a. O ideal, nesse caso, é vender o otim ism o alheio, e em bolsar os lucros.
Um dos fatores que m ais afasta o investidor iniciante do m ercado de ações é o m edo de que, assim que ele investir parte de suas econom ias, ocorrerá um crash na bola com o o de 1929. Às vezes, ele com pra um as açõezinhas ou um as quotas de um fundo de ações, m as na prim eira queda, desesperado, desfaz suas posições e sai do m ercado na prim eira oportunidade (com prej uízo). O m edo de que o crash aconteça tão logo o dinheiro sej a investido cega e paralisa. Mas quais são as chances reais disso acontecer?
Vam os pensar na situação dos EUA, sobre as quais tem os dados concretos m ais firm es. O últim o crash com o o de 1929 foi o de... 1929!! Tá certo que foi O crash, tanto que até hoj e o utilizam os com o parâm etro de com paração. Sem pre que há um a crise nova, os econom istas e analistas tem em que sej a A crise que vai abalar o m undo e vai nos levar de volta para a Idade Média por causa da quebradeira geral. A crise de 1929 dem andou longos 15 anos para que a bolsa de Nova Iorque retornasse aos patam ares anteriores. E m uita gente perdeu dinheiro com a bolsa, m as a m aioria dos am ericanos nem investia nesse m ercado. O prej uízo que eles tiveram foi na vida real, com o desem prego e a m iséria que a econom ia real sofreu. Ao contrário do que as pessoas pensam , não foi o crash que causou a depressão nos anos seguintes. A depressão foi causada por um a retração econôm ica que ocorreu no m undo inteiro e por políticas equivocadas do governo am ericano.
Em 1950, vinte anos depois da crise, boa parte dos am ericanos ainda tinha m edo do m ercado de ações. Justam ente pelo m edo de que algo tão ruim quanto o crash de 29 viesse a ocorrer novam ente, eles perderam lucros excelentes dos anos seguintes. Depois de 1929, a econom ia am ericana passou por várias crises, com o a de 73-74 (crise do Petróleo), a de 81-82, a de 1987, a de 2000 (bolha das em presas pontocom ) e a de 2009, da qual não nos recuperam os integralm ente.
Um a crise a cada dez ou quinze anos, acom panhada de recessões ou de períodos de baixo crescim ento, m as que são norm ais na econom ia. E o que aprendem os com isso? Que cada um a dessas crises foi um m om ento espetacular para investir em ações. O m undo não acabou, nem voltam os à Idade Média. Se isso não aconteceu em 1929, por que deveria acontecer agora? Vam os ver o que aconteceu nesses m om entos no seguinte gráfico, que retrata o m ovim ento da bolsa de Nova Iorque nesses períodos:
Com o você pode observar no gráfico, m al dá pra perceber o im pacto da crise de 1929 sobre os rendim entos da bolsa am ericana, m as seus efeitos podem ser vistos nos anos seguintes: até 1945, o Dow Jones perm aneceu bem próxim o aos patam ares da década anterior. E dali por diante, vem os a crise de 73 com o outro pontinho, m as que teve reflexos na m anutenção de um a certa estabilidade até 82 e, a partir daí, só alegria. A crise de 87 tam bém aparece com o um a retração pontual no m ercado. Proporcionalm ente, as crises de 2000 e de 2008 foram m uito piores, com o o gráfico indica. Por que, então, tem os a noção de que a crise de 1929 foi tão ruim ?
Cada um a dessas crises foi histórica a seu tem po. Mas o crescim ento da econom ia tem sido tão grande que, passadas algum as décadas, m al podem os percebê-los nos nossos gráficos atuais. Daqui a 20 ou 30 anos, olharem os a queda de 2009 e m al a perceberem os, senão com o um a contração pontual. Mas, quando vem os um gráfico do período, podem os perceber com o o im pacto delas foi grande. Vam os ver um gráfico alusivo à crise de 1929, por exem plo:
Com o você pode observar, a queda foi feia, chegando a 89% de declínio desde a m áxim a. Mas quem aproveitou aquele m om ento para com prar ações teve bons lucros j á nos anos seguintes, quando, apesar de o índice não ter se recuperado integralm ente, houve crescim ento substantivo desde o fundo do poço. Quem com prou ações próxim o ao fundo do poço, em 1932, teve m ais de 1000% de lucro quando o m ercado se recuperou por com pleto, treze anos depois. Um rendim ento com posto de 19% ao ano.
O m esm o padrão pode ser observado no Brasil. Já tivem os quedas feias e longos períodos de recessão e de estabilidade na bolsa, m as a tendência tam bém é “para cim a”. A casa cai, m as nossa econom ia se recupera, m ais ou m enos rápido do que nos ciclos anteriores. Nosso pior m om ento da década de 1960 pra cá ocorreu na década de 1970, quando dem oram os longos quinze anos para recuperar o topo histórico de 1971. Mas quem teve sangue frio e paciência para com prar ações nesses anos ruins foi bem recom pensado nas décadas seguintes. Tivem os outro período com plicado entre 1986 e 1992, e m ais um entre 2000 e 2003.
O que podem os aprender com tudo isso? Em prim eiro lugar, que o crash de 1929 foi um evento único até aqui. As chances de que ele se repita são m uito, m uito baixas. Pode acontecer? Claro, m as é im provável. Além disso, tam bém é possível perceber que os m om entos de crise norm alm ente são excelentes para com prar ações. Com prar ações de boas em presas quando elas estão subvalorizadas é a m elhor m edida que o investidor poderia tom ar. Pode dem orar, m as quem faz o dever de casa e com pra ações nesses períodos provavelm ente será m uito beneficiado nos anos subsequentes. Ficar paralisado, com m edo do crash, é contraproducente e só pode levar a um resultado: im pedir que o investidor se aproveite das benesses do investim ento em ações.
O que é uma bolha?
Assim com o os investidores iniciantes têm m edo de enfrentar um crash na bolsa tão logo com ecem a investir, outro fator que atem oriza m uitos é a possibilidade de ver o desinflar de um a bolha no m ercado de ações. Mas o que é um a bolha?
Um a definição sim ples, rápida e direta: um a bolha é a situação concreta em que ocorre um descolam ento dos preços de um ativo (im óvel, ações, fundos im obiliários, tulipas) com relação aos seus fundam entos. Ou sej a, bolhas são o sim ples descolam ento dos preços de um ativo com relação a seus fundam entos. E com o avaliam os se está ocorrendo esse descolam ento dos preços?
A principal m aneira de fazer isso é avaliar o retorno do ativo para seu proprietário. O valor de um título do tesouro direto é calculado pelos j uros que ele paga; o de um a ação, pelo seu retorno (em term os de lucro por ação ou de dividendos e j uros sobre o capital); e os im óveis, pelo seu aluguel. Não é possível avaliar se um ativo está caro ou barato, ou descolado de seus fundam entos ou não, apenas pela tendência de preços. Se o preço de um a ação sobe em harm onia com o crescim ento do seu lucro, está tudo certo. Mas, às vezes, o preço da ação sobe de m aneira descolada do crescim ento dos seus lucros, pelo sim ples fato de que os investidores aceitam pagar m ais por ela do que seu valor intrínseco. Se isso ocorre, um a bolha está criada.
Norm alm ente, esse descolam ento dos fundam entos ocorre porque os investidores ficam encantados com um "novo" paradigm a. Foi o que aconteceu em 2000, com a bolha das em presas da Internet. Fascinados pela rede m undial e suas possibilidades, investidores negociavam a preços absurdos ações de em presas que j am ais haviam sido lucrativas. Deu no que deu. No Brasil, vim os um arrem edo disso com a descoberta do pré-sal. A Petrobras disparou por algum tem po, m as suas ações j am ais voltaram aos patam ares de m aio de 2008 porque seus fundam entos nunca acom panharam , no período, o increm ento nos preços.
É para avaliar se os preços das ações estão descolados de seus fundam entos que os investidores utilizam indicadores com o o Preço por Lucro (P/L). Um a em presa que traga para seu acionista um lucro por ação de R$ 2,00 e estej a avaliada a R$ 10,00 apresenta um indicador P/L igual a 5. No caso dos im óveis, um a casa que sej a alugada por 3% do valor do im óvel apresenta um índice P/L equivalente a 33,33. Núm eros, por si sós, não dizem nada. Mas um P/L m uito superior a 20 por um ativo que não produz nada é, no m ínim o, tem erário nas condições atuais.
Uma bolha não é definida pela queda brusca no preço do ativo
Muitas pessoas acreditam que um a bolha é definida pela queda brusca no preço do ativo que se está exam inando. Isso, contudo, não é necessário. A bolha é o descolam ento dos fundam entos; a queda brusca nos preços pode ser apenas a consequência disso. Às vezes, a bolha pode ser esvaziada pela sim ples passagem do tem po. Acredito que é o que está ocorrendo, em parte, no m ercado de ações. Entre 2003 e 2008, o m ercado subiu dem ais - acim a do que os fundam entos recom endavam . Não é à toa, portanto, que m uitos dos preços praticados em 2007 ou 2008 só agora estej am se tornando razoáveis.
Dê um a olhada na seguinte tabela:
Com o você pode observar, a tabela se refere à com paração dos preços e do índice P/L de algum as em presas brasileiras entre os anos de 2007 e 2011 (últim a cotação de 2007 e a cotação de algum as em presas no dia 2/12/2011). Destaquei em negrito, para cada em presa, o m aior P/L entre os dois e o m aior preço entre os dois destacados. Com o você pode ver, em 6 de 7 casos o índice P/L era m aior em 2007 do que os praticados agora, em 2011. E em 4 de 7 casos os preços praticados naquela época eram m aiores do que os praticados em 2011.
O fato de as ações, em 2007, estarem sendo negociadas a m últiplos m uito m aiores do que hoj e, em m édia (a exceção na tabela é a Natura), significa que um a parte da queda se deveu j ustam ente ao fato de que, naquela época, os preços estavam acim a do j ustificado pelos seus fundam entos. Mas, apesar disso, hoj e há em presas com m últiplos extrem am ente m ais baixos - as ações de Banco do Brasil, Vale e Petrobras, por exem plo, estão sendo negociadas a um P/L entre 5 e 8, ao passo que, durante a crise, estavam com m últiplos acim a de 12 (no caso da Petrobras, acim a de 17). Evidentem ente, isso não significa dizer que m últiplos altos, por si só, indicam queda futura. Às vezes, os fundam entos de um a em presa j ustificam m últiplos m ais altos, com o é o caso da Am bev, cuj as ações AMBV4 eram negociadas a R$ 25,62 e hoj e são negociadas a R$ 61,80 (preço aj ustado). Em 2007, o P/L da Am bev estava na casa dos 28,4, e hoj e, está na casa dos 23,51- plenam ente j ustificado pelo forte crescim ento da em presa.
Mas, se você olhar bem na tabela, é perfeitam ente possível divisar que um a parte das "bolhas" foi esvaziada pelo tem po, sem queda brusca. É o caso do Bradesco, por exem plo. Se considerarm os apenas os anos de 2007 e de 2011 (desconsiderando as fortes quedas de 2008), verificarem os que, em bora sua cotação tenha ficado aproxim adam ente nos m esm os patam ares (em torno de R$ 30,00), seu P/L caiu de 13,37 para 10,4. Isso aconteceu porque, ao longo dos últim os 4 anos, o Bradesco apresentou crescim ento nos seus lucros. Com o o preço perm aneceu no m esm o patam ar, a relação entre o Preço e o Lucro perm aneceu relativam ente estável.
Isso tam bém pode acontecer com os im óveis. Os preços podem ficar estáveis por m uito tem po, fazendo com que o sim ples reaj uste do aluguel ao longo dos anos torne a relação entre o preço do im óvel e o valor de seu aluguel m ais razoáveis. Se isso acontecer, m uitas pessoas dirão que não houve bolha, m as apenas um "aj uste" nos preços. Sim , cam arada... m as esse AJUSTE, m esm o que dure m uitos anos, desinflará a bolha. Não tenho a m enor dúvida de que isso acontecerá m ais cedo ou m ais tarde, sej a na form a de um aj uste decorrente da estabilização dos preços por alguns anos (e isso tam bém significa prej uízo para m uita gente), sej a na form a de um estouro m ais agudo. De qualquer form a, há m uitos a perder com isso, e poucos a ganhar.
12. Vantagens tributárias da estratégia Buy and Hold
A carga tributária no país é m uito alta. Cerca de 35% de tudo o que é produzido no país é pago ao governo na form a de im postos e contribuições, com o o FGTS ou a contribuição previdenciária. A vida tam bém não é fácil para os investidores, j á que tam bém é necessário pagar im posto de renda sobre a rentabilidade das aplicações financeiras.
Quem investe em renda fixa, paga entre 15% e 22,5% dos rendim entos de im posto de renda, dependendo do prazo do investim ento (quanto m aior o prazo, m enor a alíquota). Quem investe em ações tam bém paga 15% sobre o lucro obtido, no m ercado à vista (ou 20% em operações de day trade, quando o investidor com pra e vende ações no m esm o dia).
Mas, se você investe em ações no m ercado à vista e não opera em day trade, pode ter um a vantagem tributária que, se bem utilizada, im pedirá que boa parte de sua rentabilidade vá parar nas garras do Leão. Calm a, leitor: não se trata de nenhum a fraude ou evasão fiscal, m as de um benefício que a lei confere ao pequeno investidor que aplica recursos no m ercado de ações.
Muitos investidores não sabem , m as os ganhos decorrentes do m ercado à vista de ações, em que o valor total das alienações sej a igual ou inferior a R$ 20.000,00, são isentos de im posto de renda. Se você duvida, dê um a lida na pergunta nº 614 do site da Secretaria da Fazenda:
614 — Todas as operações em bolsas estão sujeitas ao IR?
Não. Estão isentos do imposto de renda os ganhos líquidos auferidos por pessoa física em operações no mercado à vista de ações negociadas em bolsas de valores e em operações com ouro, ativo financeiro, cujo valor das alienações realizadas em cada mês seja igual ou inferior a R$ 20.000,00, para o conjunto de ações e para o ouro, ativo financeiro, individualmente.
Atenção: Ocorrendo alienação no mesmo mês de ações e de ouro, ativo financeiro, o limite de isenção aplica-se separadamente a cada modalidade de ativo. (Lei nº 8.981, de 1995, art. 72, § 8º; IN SRF nº 25, de 2001, art. 26)
Com plicado dem ais? Vam os trocar em m iúdos então: o que a Secretaria de Fazenda quer dizer é que, se você vender até R$ 20.000,00 em ações, não paga NADA de im posto de renda.
Mas lem bre-se de que o lim ite se aplica ao conj unto das ações que você vender em um único m ês, e não sobre o lucro. Se você vendeu R$ 15.000,00 de ações da Am bev e R$ 8.000,00 em ações da Gerdau, totalizando R$ 23.000,00, ultrapassou o lim ite. E aí vai ter que pagar im posto sobre todo o lucro que obteve com a venda das ações. Digam os que o custo total da com pra das ações da Am bev foi R$ 10.000,00, e o da com pra das ações da Gerdau, R$ 4.000,00. Você teve um lucro de R$ 5.000,00 com a Am bev, e R$ 4.000,00 com a Gerdau, totalizando R$ 9.000,00 de lucro. Sobre esse valor, você deve aplicar a alíquota de 15% para saber quanto deve pagar de im posto de renda: daria R$ 1.350,00. Ou sej a, m esm o tendo o lucro sido inferior a R$ 20.000,00, seria devido im posto, porque o lim ite se aplica ao valor total das vendas.
Mas você é esperto e sabe do lim ite de isenção. Então, ao invés de vender as ações da Am bev e as da Gerdau de um a vez, você decide dividir as vendas em dois m eses seguintes, respeitando o lim ite de venda de R$ 20.000,00. Você poderia, por exem plo, vender todas as ações da Gerdau (R$ 8.000,00) e apenas um a parte das ações da Am bev (R$ 12.000,00), totalizando R$ 20.000,00. Sobrariam ainda R$ 3.000,00 em ações da Am bev para você vender no m ês seguinte. Ou então, você poderia vender m etade das ações da Gerdau (R$ 4.000,00) e m etade das ações da Am bev (R$ 7.500,00), totalizando um a venda de R$ 11.500,00, deixando para vender a outra m etade das ações no m ês seguinte.
Não interessa a estratégia adotada: se você vender um total de ações inferior a R$ 20.000,00 por m ês, você não vai pagar um único centavo de im posto.
Mas essa vantagem tributária é m elhor do que parece. Você pode usar o lim ite de isenção para, gradativam ente, elevar o preço m édio de sua carteira de ações a fim de que, no futuro, se você quiser vender todas elas, pague m uito pouco im posto.
Vou ilustrar esse ponto com um exem plo. Digam os que você tenha ações da Gerdau, totalizando aproxim adam ente R$ 80.000,00. Com o a carteira é de longo prazo, você com prou essas ações há alguns anos, tendo form ado um preço m édio m uito baixo. Digam os que sua situação sej a a seguinte:
Ou sej a, se você vendesse todas as suas ações no m esm o m ês, pagaria R$ 8.115,72 de im posto de renda.
Mas, se você utilizar a isenção a seu favor, você pode elevar o preço m édio de suas ações, com prando-as e vendendo ao longo do ano, e respeitando sem pre o lim ite de vendas de R$ 20.000,00. Por exem plo, digam os que um m ês depois que você com prou as ações da Gerdau por R$ 8,00 elas estivessem cotadas a R$ 9,00. Você poderia vender um a parte delas por esse preço, e com prá-las de volta no dia seguinte. Se você vendesse 2.222 ações por R$ 9,00, a venda totalizaria R$ 19.998,00 - abaixo do lim ite de isenção, portanto. Na sem ana seguinte, você poderia com prar as ações de volta, para não caracterizar um a operação de day trade (que não tem isenção de im posto de renda). Para a finalidade do exem plo, vou supor que você conseguiu com prá-las de volta por R$ 9,00.
Apesar de você ter o m esm o núm ero de ações do início, o fato de você ter vendido e recom prado um a parte das ações elevou o preço m édio de aquisição delas. Agora, você tem 2.222 ações com pradas por R$ 9,00 e 1012 por R$ 8,00. O preço m édio de suas ações agora é de R$ 8,68.
Se você repetir esse procedim ento ao longo dos m eses, você terá um preço m édio cada vez m ais alto, m as a sua rentabilidade total será sem pre a inicial, descontado o custo de corretagem das operações (que, norm alm ente, serão bem inferiores ao total pago de im posto de renda). Digam os que você repita o procedim ento quando as ações da Gerdau estiverem cotadas a R$ 15,00 e a R$ 20,00, por exem plo.
Na prim eira operação, você venderia 1333 por R$ 15,00 e perm aneceria com 1901 ações com pradas por um preço m édio de R$ 8,68. Se readquirisse as ações vendidas no dia seguinte pelo m esm o preço, o preço m édio das ações se elevaria para R$ 11,28. Na segunda operação, você venderia 1.000 ações por R$ 20,00 e, após recom prá-las pelo m esm o preço no dia seguinte, teria 1.000 ações a esse preço m édio, e 2234 a um preço m édio de R$ 11,28. O preço m édio da carteira, contudo, seria elevado para R$ 13,97.
Digam os que você queira se desfazer das ações com base na cotação de hoj e (R$ 24,73), totalizando R$ 79.976,82. O valor de venda é o m esm o do prim eiro exem plo, m as com o o preço m édio de aquisição é m aior, o im posto a ser pago será m enor. Com o o novo preço m édio de cada ação é de R$ 13,97, isso significa dizer que o custo de aquisição m édio da carteira é de R$ 45.178,98 (= R$ 13,97 x 3.234), e o lucro na venda é de R$ 34.797,84. E o im posto a ser pago é de R$ 5.219,67, 35% abaixo dos R$ 8.115,72 do prim eiro exem plo.
Ou sej a, ao vender e com prar as ações ao longo dos m eses, o preço m édio da carteira aum ento, dim inuindo o lucro tributável, que é a diferença entre o preço de aquisição e o preço de venda das ações. Note que no exem plo foram realizadas apenas 3 operações, para sim plificar as contas, e o resultado foi fabuloso, com a redução de 35% do im posto devido: se o procedim ento for repetido ao longo dos anos, os resultados podem ser ainda m elhores!
Isso significa que com prar e m anter ações em sua carteira de investim entos pode dar a você grandes vantagens tributárias - o que m ostra o quanto a estratégia Buy and Hold pode ser valiosa para seu patrim ônio. Se você não vende as suas ações, ou as vende de m aneira planej ada, pode j am ais ter que pagar im posto de renda, caso sej am m antidas as atuais regras.
13. Estratégias para aumentar a rentabilidade
A estratégia Buy and Hold tam bém pode ser “apim entada” com base em alguns outros instrum entos do m ercado. Existem várias possibilidades, m as acredito que as m ais seguras, que arriscarão m enos o capital do investidor, são duas: o aluguel de ações e o lançam ento coberto de opções. Observe apenas que elas não podem ser usadas em conj unto com as m esm as ações, certo? Vam os a elas.
Rentabilizando a carteira de ações com aluguel
Um a boa m aneira de tornar a carteira de ações m ais rentável, m as que ainda não tem sido m uito utilizada pelos investidores brasileiros, é o aluguel das ações. Assim com o um a casa pode ser alugada para que seu proprietário ganhe dinheiro com o seu aluguel, essa alternativa tam bém pode ser utilizada pelo investidor de longo prazo, que pretende perm anecer com suas ações por m uito tem po.
As vantagens para o proprietário (cham ado "doador") e para o tom ador das ações são bastante interessantes, j á que o proprietário continua a receber os proventos relativos a aquelas ações e o tom ador pode utilizá-las para venda no m ercado à vista e outras operações, tais com o liquidação de operações j á realizadas no m ercado à vista; garantia de operações em m ercados de liquidação futura; e cobertura no lançam ento de opções de com pra.
O doador das ações recebe um a taxa pelo aluguel das ações, que é determ inada por am bas as partes no m om ento da contratação (que é feita em m esa de operação). Com o regra geral, apesar de livre, para garantir que a contratação ocorra logo o doador deve buscar um a taxa pouco abaixo da taxa m édia do m ercado, que é disponibilizada pela CBLC. As ações m ais negociadas no m ercado norm alm ente têm um a taxa de aluguel inferior (às vezes, nem chegando a 1% ao ano), m as ações m enos líquidas, de em presas m enos negociadas, têm um a taxa de aluguel anual bastante superior, representando um a grande fonte de com plem entação dos dividendos pagos pela em presa.
Apesar de a taxa ser definida para o prazo de um ano, os contratos são norm alm ente fixados por um prazo m enor, de 30 ou 60 dias. Por isso, apesar de as taxas serem anuais, dificilm ente o doador obterá aquela taxa no período de um ano: pode conseguir m ais (se as taxas de determ inada ação subir ao longo do ano) ou m enos (se ocorrer o inverso).
Buy and Hold e lançamento coberto de opções
Outra m aneira de auferir um a receita extra investindo em ações é por m eio do lançam ento coberto de opções. Antes de prosseguir, atenção: é preciso ter muito cuidado ao operar com opções. São m uitos os casos de gente que perdeu m uito, m uito dinheiro operando opções e, por essa razão, é im portante ter cuidado e estudar o assunto antes de optar por utilizá-las para garantir um a rentabilidade extra com elas. A estratégia a que irei m e referir aqui é relativam ente segura, m as apresenta algum a possibilidade de perdas - portanto, cuidado ao utilizá-la.
O obj etivo é com entar um a estratégia específica de operação com opções que pode ser utilizada por alguém que use a estratégia Buy and Hold a fim de garantir um a rem uneração a m ais em sua carteira de investim entos: o lançam ento coberto de opções.
Vam os com eçar do com eço. O que é um a opção? É um derivativo de um a ação que serve, basicam ente, para garantir um determ inado preço para um investidor que desej a com prar ou vender o ativo. Existem , portanto, dois tipos de opção: as calls (opção de com pra) e as puts (opção de venda) - m as, com o tratarem os apenas das calls, quando eu m encionar opção, entenda “opção de com pra”. A rigor, a opção não é um derivativo exclusivo do m ercado de ações, j á que tam bém é utilizada da m esm a m aneira em outros m ercados. Mas com o ela funciona?
Vam os entender o conceito a partir de um exem plo agropecuário. Im agine que um agricultor pretende vender dez toneladas de laranj a e saiba que terá um lucro razoável, suficiente para pagar todas as suas despesas de produção e ainda ter um retorno adequado, se conseguir vender cada tonelada por R$ 900,00. O que ele faz, então? Ele vende para um a indústria de suco a opção de com prar suas laranj as por R$ 900,00 dali a três m eses.
Mas, para fazer a operação, ele recebe um prêm io, que é pago pela indústria, de, hipoteticam ente, R$ 15,00 por tonelada. Por que ele recebe esse prêm io? Porque ele vai correr um risco: o de vender suas laranj as por R$ 900,00 e, no m om ento da venda, ela estar custando R$ 1.000,00. Mas por que ele faria um a "tolice" dessas? Por um a sim ples razão: ele não sabe qual será a cotação da tonelada de laranj a daqui a 3 m eses. Mas ele sabe que pode obter um lucro adequado se vender as laranj as por R$ 900,00 a tonelada. E por que o com prador faria um negócio desses? Porque ele tam bém está suj eito às incertezas do m ercado: se ele considerar que o preço de R$ 915,00 (o preço da laranj a m ais o prêm io pago pela opção de com pra) é adequado para sua atividade em presarial, tam bém protege seu negócio de ter que pagar um preço m aior do que aquele.
Se os preços subirem , ele exerce a opção e o agricultor vende suas laranj as para ele; se os preços caírem , ele não exerce a opção e com pra as laranj as m ais baratas no m ercado, enquanto o agricultor perm anece com suas laranj as e ganha R$ 15,00 do prêm io pago pelo industrial. Ele continua suj eito ao risco da queda no preço da laranj a, j á que o industrial pode não exercer a opção - ou sej a, ele pode decidir não com prar as laranj as -, m as m esm o em caso de queda ele estará em m elhor situação, j á que poderá abater do prej uízo os R$ 15,00 que recebeu ao vender a opção para o industrial. Ou sej a, se daqui a três m eses o preço da laranj a for de R$ 850,00, ele terá um a receita de R$ 865,00 por tonelada, contra os R$ 850,00 que receberia caso não tivesse lançado as opções.
Essa é a essência do que se cham a de lançam ento coberto de opções. Diz-se que o lançam ento é coberto porque o investidor, ao vender as opções, tinha exatam ente o ativo do qual elas derivam , na quantidade exata para cum prir o acerto. Por exem plo, se você tem 1.000 ações preferenciais da Vale (VALE5), e decide vender 1.000 opções de com pra da VALE5, estará vendendo o direito de alguém com prar, pelo preço aj ustado (o strike da ação), suas ações. Digam os que você decida vender 1.000 opções VALEJ44 por R$ 0,70 - o "J" indica o m ês de vencim ento da opção, na 3ª segunda-feira de outubro (os outros vencim entos são indicados, m ensalm ente, a partir das letras do alfabeto, a partir do "A").
Isso significa dizer que, se alguém as com prar, estará adquirindo, por R$ 700,00 (R$ 0,70 de cada opção m ultiplicado por R$ 1.000), o direito de com prar as suas 1.000 ações da Vale por um valor próxim o a R$ 44,00 na 3ª sem ana de outubro (digo que o valor é próxim o porque o strike é calculado abatendo-se do preço os valores a serem recebidos a título de dividendos no período. Por exem plo, se a Vale for pagar R$ 0,30 por ação em dividendos no período, isso significa que o strike da opção VALEJ44 é R$ 43,70 - m as, para sim plificar o exem plo, vam os supor que o strike é R$ 44,00 m esm o). Nesse caso, caso a com pra sej a efetuada (ou sej a, caso a opção sej a exercida), você ganharia R$ 44.000,00 + R$ 700,00 (o valor pago pelas opções) na operação.
Mas com o alguém pode ganhar dinheiro com isso? Digam os que as ações preferenciais da Vale estej am sendo negociadas por R$ 41,50 no dia que você decidiu lançar (=vender) as opções. Existem três situações possíveis:
1. No dia do exercício (ou durante o período entre o lançamento da opção e o exercício) o preço da ação é superior ao valor do strike
Esse é o m aior risco que você pode correr na operação: isso significa que você será obrigado a vender suas ações por um preço abaixo do m ercado. Mas note que m esm o essa hipótese não é tão ruim : afinal, você terá vendido a ação por um preço superior ao que ela vale hoj e. Se você tem 1.000 ações VALE5 a R$ 41,50, seu patrim ônio é de R$ 41.500,00. Se vendê-las por R$ 44.000,00, terá tido um lucro (com relação ao preço do dia que decidiu lançar as opções) de 6%. Mas a esse lucro você deve adicionar os R$ 700,00 que recebeu a título de prêm io pela opção que vendeu - e, nesse caso, o seu lucro na operação seria de 7,7%. Ou sej a, o fato de ter lançado as opções aum entou seu lucro em 1,7% (ou 28% a m ais do que a venda sem o uso das opções).
Por que esse é o m aior risco? Porque, nessa hipótese, você foi exercido: ou sej a, o com prador de suas opções entendeu que era m ais negócio exercer as opções do que com prar as m esm as ações ao preço do m ercado - e isso só acontece, evidentem ente, se o strike da opção for inferior ao preço da ação no m ercado. Voltando ao nosso exem plo: digam os que no dia do exercício as ações da Vale estej am custando R$ 46,00. Com o suas ações foram vendidas a R$ 44,00, você deixou de ganhar R$ 2,00 por ação - ou R$ 2.000,00. Mas eu quero que você perceba que, m esm o nesse caso você apenas deixaria de ganhar - e perderia algum as ações, j á que o dinheiro recebido seria insuficiente para com prar as m esm as ações que você tinha antes.
Atenção: nesse caso, você está lim itando o potencial de alta da ação!
2. No dia do exercício o preço da ação é igual ao valor do strike
Nesse caso, não fará sentido que o com prador exerça a opção - afinal, ele pode com prar as ações pelo m esm o preço no m ercado. Nessa hipótese, você receberá os R$ 700,00 e continuará com suas ações. Ou sej a, se você tem 1.000 ações da Vale a R$ 44,00 cada, você tem um patrim ônio de R$ 44.000,00. Com os R$ 700,00 que recebeu, o prêm io das opções rendeu 1,68% para você, considerando o preço da ação no dia do lançam ento das opções (rentabilidade bruta - é preciso abater o im posto de renda para saber o valor líquido). Nada m al, não é?
3. No dia do exercício o preço da ação é inferior ao valor do strike
Nessa hipótese, você tam bém continua com a m esm a quantidade de ações, um a vez que o com prador da opção não teria m otivo para exercê-la, dado que o preço da ação no m ercado seria m ais barato do que o preço de exercício da opção. Digam os que o preço do m ercado sej a de R$ 40,00. Nom inalm ente, você teve um prej uízo de 3,61%. Mas com o você recebeu R$ 700,00 em prêm io pelas opções, o prej uízo é m enor do que se você não utilizasse a estratégia: nesse caso, seu prej uízo seria de 1,92% (e não de 3,61%).
O segredo do lançam ento coberto de opções: se você adota o Buy and Hold com o estratégia, não se preocupe com o prej uízo nom inal - concentre-se na REMUNERAÇÃO de sua carteira
Muitos investidores consideram que o risco dessa estratégia, na queda, é ilim itado. Não é: é o m esm o risco que você correria em sua carteira Buy and Hold. Afinal, se seu obj etivo é m anter as ações da Vale indefinidam ente em sua carteira, você não deve se im portar com as flutuações do m ercado. E você ainda vai ganhar o prêm io, todo m ês que lançar opções. Na prática, você deve tratar o prêm io com o se fossem dividendos adicionais de sua carteira, que a rem uneram pelo tem po que você tiver ações da Vale. E, se é assim , você deve sem pre reinvestir o prêm io com prando novas ações, que aos poucos darão um im pulso m aior em sua carteira.
Para que você note o potencial efeito do lançam ento coberto de opções em sua carteira: digam os que você consiga obter em torno de 1% ao m ês com constância, com essa estratégia, e a Vale pague algo em torno de 5% em dividendos (aos preços atuais). Isso significa que, ao longo de um ano, só entre dividendos e prêm ios das opções, você teria cerca de 17% de rentabilidade com essas ações. Bem m elhor que a renda fixa, não é?
Aproveito para registrar alguns aspectos. O prim eiro é o seguinte: se você não desej a ser exercido, tenha sem pre em m ente a possibilidade de rolar a opção, recom prando-a e lançando um a nova opção com vencim ento m ais alongado.