Manual do Pequeno Investidor em Ações

Fábio Portela Lopes de Almeida · Capítulo 7 de 9 · parte 4/4

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Manual do Pequeno Investidor em Ações

5. Buy and Hold: investindo para o longo prazo

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 4 partes.

Além disso, tenha em m ente que a possibilidade de ter que vender as ações parece ser assustadora, m as é m enos tem erosa do que parece. Se você lançar opções OTM (out of the money - o que significa que o strike é superior ao preço da ação no dia do lançam ento das opções) com um a boa distância do preço de lançam ento, é possível obter um a rentabilidade razoável em prêm io (entre 0.6% e 2%) com um a boa distância para o preço de exercício (strike). Por exem plo, se a um m ês do exercício a VALE5 estiver a R$ 42,15 e você lançar opções VAJEJ46 (o "J" aqui é hipotético, apenas para exem plificar) a R$ 0,25, teria ganho 0,59% com pouco risco, pois o preço deveria subir aproxim adam ente 9,13% em um único m ês para que a opção fosse exercida. Não é im possível, m as é im provável que ocorra com m uita frequência.

Obviam ente, existem operações com opções que são bem m ais arriscadas do que esta - que, acredito, tem um perfil de risco adequado para o investidor de longo prazo.

14. G randes nomes da estratégia Buy and Hold

Aprender a investir com os grandes é essencial para obter sucesso. Por essa razão, dediquei esse espaço do livro para abordar um pouco dos principais pontos ensinados por alguns grandes investidores, com o Buffett, Benj am in Graham , Philip Fisher, Peter Ly nch e o brasileiro Décio Bazin, que têm m uito a ensinar ao pequeno investidor.

Aforismos de Warren Buffett

Transcrevo abaixo algum as das frases m ais fam osas de um dos investidores m ais brilhantes e conhecidos de todos os tem pos, Warren Buffett. Talvez ele sej a o Albert Einstein dos investim entos financeiros, pela sim plicidade de sua estratégia.

Assim com o Einstein viu o que ninguém m ais havia conseguido ver até então, com um a inversão fascinante do raciocínio na física de então, tam bém Buffett conseguiu revolucionar a visão no m undo dos investim entos. Pena que boa parte dos econom istas ainda não percebeu isso. E ele ainda foi aluno de um Isaac Newton dos investim entos, Benj am in Graham . Tam bém escrevo pequenos com entários, sem a m enor pretensão de acrescentar nada, j á que a genialidade dos aforism os fala por si só. Ei-los:

Não precisamos ser mais espertos que os outros; precisamos ser mais disciplinados do que os outros.

As escolas de negócio recompensam o comportamento complexo mais que o comportamento simples, mas o comportamento simples é mais efetivo.

Parece existir alguma característica humana que gosta de transformar coisas simples em difíceis.

Esses aforism os são centrais para o sucesso nos investim entos. Tentar form ular um a estratégia que busque as ações que subirão m ais no curto prazo é fatal: pode dar certo por um tem po, por alguns m eses, m as no longo prazo - que é o que conta para a acum ulação de um capital que realm ente faça a diferença na vida -essa estratégia irá sucum bir. A econom ia depende de tantos fatores que é quase inútil form ular um a estratégia de com pra e venda de ações que se fundam ente nas variáveis da econom ia. Melhor é destrinchar balanços das em presas para verificar as que se com portaram m elhor no passado e continuem com lucros crescentes e previsíveis, poucas dívidas e tenham vantagem com petitiva durável. E m anter a estratégia sim ples, sem rebuscá-la, é fundam ental, evitando o pensam ento de que o sim ples é ineficiente.

Tenha medo quando os outros são gananciosos e seja ganancioso enquanto os outros estão com medo.

Essa ideia institucionaliza o princípio m ais conhecido do m ercado de ações, e que é o m enos seguido. Não com pre ações quando elas estão em alta, sobrevalorizadas. Com pre quando elas estiverem em queda e todo m undo achar que elas não valem nada. Alguns analistas estão dizendo que a bolsa está saindo da crise, agora que ela j á subiu 50% em 2009. Mas quem com prou ações em outubro de 2008, no pico da crise, não viu a crise, paradoxalm ente. De lá pra cá o Ibovespa subiu de 29.500 pontos para 56.000 pontos, um a rentabilidade de quase 90%. E na época os analistas diziam para não investir em ações, vej a só!

Uma pesquisa de opinião pública não é substituto para o raciocínio.

Wall Street é o único lugar em que pessoas dirigem Rolls-Royce para serem aconselhadas por aqueles que pegam o metrô.

Você não está certo ou errado porque outras pessoas concordam com você. Você está certo porque seus fatos estão certos e seu raciocínio está certo. É a única coisa que torna você certo.

O risco vem de não saber o que se está fazendo.

Esses aforism os derivam de um a única ideia: para investir, é preciso ter conhecim ento. Não basta seguir o especialista. O segundo aforism o m ostra o paradoxo de m ilionários que querem conselho de analistas que vão para o trabalho de transporte público, ou sej a, de pessoas que não conseguiram , elas m esm as, sucesso financeiro.

É a m esm a coisa que querer aprender física relativística com um professor prim ário: pode até dar certo (o professor prim ário pode saber m uito sobre física), m as a regra geral é que isso não dá m uito certo. Não existem especialistas em finanças, e os que existem são apenas uns poucos, que têm conseguido ficar ricos fazendo seus fundos de investim entos terem boa rentabilidade ao longo de décadas - e Warren Buffett é um deles. Outros bem conhecidos são Peter Ly nch e George Soros. Mas dificilm ente o analista da sua corretora vai pro trabalho de Rolls-Roy ce.

Tam bém é im portante não seguir o cam inho das m ultidões. "A m assa é burra" é um pensam ento correto em se tratando de investim entos. Se a m assa soubesse o que fazer com dinheiro, as pessoas não estariam ainda hoj e dependendo de um sistem a previdenciário falido, que paga a elas m uito m enos do que elas pagam ao sistem a ao longo de sua vida produtiva.

O que fazer, então, se não seguir as m ultidões e os analistas? Sim ples! Estude m uito, leia bons livros. E o legal é que, pra investir, não é necessário conhecim ento avançado de m atem ática: basta saber as quatro operações essenciais, com o j á m ostrei em outros posts. Com poucas contas, é possível verificar se um a em presa é boa com o investim ento no longo prazo. Com o diz Buffett, o risco vem de não saber o que se está fazendo. Então, para saber o que se está fazendo, ESTUDE! Estude a em presa, estude a biografia de grandes investidores, estude livros sobre investim ento, estude os relatórios de analistas (é um fator entre outros, m as às vezes há bons relatórios - só não siga cegam ente a opinião deles), estude m atem ática.

Ah! Tam bém não siga cegam ente o conselho do seu gerente do banco: possivelm ente ele vai te em purrar o investim ento m ais rentável para o banco, e não pra você! Há gerentes que cham am títulos de capitalização de investim ento...

Se um negócio tem boa performance, as ações eventualmente também terão.

É muito melhor comprar uma companhia maravilhosa a um preço bom do que uma boa companhia a um preço alto.

Só compre algo que te deixará perfeitamente feliz em ter mesmo que o mercado feche por 10 anos.

A m eu ver, esses princípios resum em m uito do pensam ento de Buffett. O prim eiro aforism o é essencial no investim ento: as ações refletem a perform ance das em presas.

Nada m ais lógico: um a ação é um pedacinho de um a em presa. Se a em presa tem prej uízo todo ano e as suas ações sobem com o um raio (ou, com o alguns especuladores dizem , sobem com o um foguete), há algo estranho. Se a em presa tem lucro todo ano e suas ações estão bem baratas, caindo há alguns m eses ou anos, não se preocupe: o m ercado pode estar m uito errado sobre a em presa e pode ser um a oportunidade de ouro para com prar suas ações.

O segundo princípio m ostra a im portância do preço que se paga por um a ação. Não adianta ter ações da m elhor em presa do m undo se elas estão cotadas a valores estratosféricos: a probabilidade de ter prej uízos é enorm e! O que determ ina a rentabilidade de um investim ento é o preço que se paga por ele, e não o quanto se consegue na venda. Alguém que com pre um a ação por R$ 1,00 e a venda por R$ 10,00 obteve um a rentabilidade de 1000%. Outra pessoa que com prou a m esm a ação por R$ 12,00 teria, nessa condição, prej uízo de 20%. O que determ inou a diferença entre rentabilidade e prej uízo não foi a em presa, m as o preço que se pagou por ela.

E, por fim , o terceiro aforism o m ostra com o se deve pensar ao investir em ações: não devem os pensar no curto prazo. Devem os procurar em presas que nos deixem tranquilos m esm o que não possam os vender suas ações em 2 ou 3 anos (ou, no caso, por 10 anos). Em presas em que tem os confiança, por seu histórico, de que irão estar m elhores daqui a 10 ou 15 anos do que estão hoj e.

Benjamin Graham, o professor de Buffett

Warren Buffett é um a celebridade. Sim pático, obj eto de m uitos livros e um dos hom ens m ais ricos do planeta, ele é um m ito no m ercado financeiro. Mas Buffett não teria sido Buffett se seu destino não tivesse se cruzado com o de outro personagem m uito im portante no m undo dos investim entos, Benj am in Graham .

Apesar de ter nascido em Londres, em 1894, a fam ília Graham se m udou para Nova Iorque quando Benj am in tinha um ano de idade. Excelente aluno, se graduou na Universidade de Colum bia aos 20 anos, com distinção. Bastante erudito e com um raciocínio m atem ático im pecável, Benj am in Graham recebeu um convite para se tornar professor de Inglês, Matem ática e Filosofia, m as preferiu aceitar um em prego em Wall Street, onde fundou sua em presa, a Graham -Newm ann.

Em 1934, Graham publicou, em coautoria com David Dodd, o livro “Security Analy sis”, que é considerado por m uitos a Bíblia dos investidores fundam entalistas - na verdade, a obra é apontada com o a pioneira no cham ado investim ento em valor (value investing). Segundo alguns, esse livro foi fruto da experiência de Ben na grande depressão de 1929, na qual ele teria tido grandes perdas. Dez anos m ais tarde, Benj am in Graham publicou um a versão de seu prim eiro livro voltada para investidores individuais, “The Intelligent Investor”, que foi traduzido recentem ente para o português sob o título “O Investidor Inteligente”.

Benj am in Graham tam bém era um ativo defensor dos interesses dos acionistas, e por isso criticava a m aneira pela qual as em presas divulgavam seus balanços, utilizando term os obscuros e escondendo a inform ação que realm ente im portava.

Benj am in Graham foi responsável por vários conceitos im portantes para quem quer aprender a investir a partir dos princípios da análise fundam entalista. Vej am os alguns deles:

Uma empresa é um negócio!

Graham dizia que um investim ento é m ais inteligente quanto m ais parecido com um negócio. Ou sej a, procure identificar no investim ento características que você consideraria im portante em um negócio. Lem bre-se sem pre de que o investim ento em ações só faz sentido se você lem brar que, por trás daquele “papel”, existe um a em presa. Se você se lem brar sem pre disso, provavelm ente j á terá dado um grande passo para evitar com prar ações caras dem ais, ou ações de um a em presa que só dá prej uízo. Afinal, você nunca gostaria de ser o dono de um negócio quebrado, concorda?

A metáfora do Sr. Mercado

Um a das alegorias preferidas de Graham no livro “O investidor inteligente” descreve o m ercado com o um suj eito que bate à porta de todos os investidores do m ercado de ações oferecendo um a proposta de com pra ou venda de ações a preços diferentes. Às vezes, o preço oferecido é alto, às vezes baixo, e às vezes razoável. Mas nenhum investidor é obrigado a aceitar a proposta do Sr. Mercado, que não se im porta com a negativa de ninguém : no dia seguinte ele baterá à porta dos investidores de novo, e assim sucessivam ente. A m etáfora busca m ostrar para o investidor que ele não deveria se im portar com o hum or do m ercado para determ inar o valor de suas ações; ao invés de participar na loucura da volatilidade do m ercado no dia-a-dia, o bom investidor deve se aproveitar dela em seu próprio proveito. Nos dias de crise, quando o m ercado está deprim ido, ele deve aum entar sua participação nas ações de boas em presas; e quando o m ercado está eufórico, atribuindo um valor absolutam ente irreal para as ações, deve vendê-las.

Critérios de Benjamin Graham para selecionar ações.

Em 1970, Graham e seu am igo Jam es Rea definiram 10 critérios que estabeleceriam se um a determ inada ação poderia ser considerada um bom investim ento. São os seguintes:

Earning yield pelo menos duas vezes maior que o yield de um título público AAA

Trocando em m iúdos: o earning yield é a relação entre o lucro e ação. O cálculo é o contrário do P/L, ou sej a, você pode calcular o earning yield dividindo-se o lucro por ação pelo preço de cada ação. Se o P/L é de 5, isso significa que o earning yield (L/P) é de 20% (ou 1/5). No caso brasileiro, você poderia definir o yield de um título público AAA a partir de dois critérios: a taxa Selic ou a poupança. Se você utilizar a Selic, isso significa que o L/P m áxim o que seria considerado razoável seria o dobro da taxa Selic atual (que está na casa dos 7,25%), ou sej a, 14,50%.

P/L abaixo de 40% do maior P/L que a ação teve nos últimos 5 anos

A ideia desse indicador é com prar a ação sem pre que o P/L estiver bem abaixo da m édia que a ação apresentou nos últim os 5 anos. O obj etivo de Graham , aqui, é fazer com que o investidor som ente com pre a ação se houver m argem de segurança para adquiri-la. Com um P/L abaixo de 40% do m aior P/L que a ação teve no período, m esm o que as coisas não ocorram com o o esperado, dificilm ente o investidor não terá um retorno bom no longo prazo.

Dividend Yield de pelo menos 2/3 do yield do título público AAA

Graham procurava segurança nos seus investim entos. Ao exigir um dividend yield de pelo m enos 2/3 do yield de um título público, ele pretendia buscar um a rentabilidade m ínim a razoavelm ente com parável com a dos títulos públicos. Isso significa que, nas condições atuais, um a ação som ente seria um bom investim ento se rendesse, só com os dividendos, 2/3 da taxa Selic, ou algo em torno de 8,16%.

Preço da ação 2/3 abaixo do Valor Patrimonial por Ação

Buffett dizia que o m elhor negócio do m undo é com prar um a nota de US$ 1,00 por US$ 0,60. É esse raciocínio que está por trás desse critério. Se você conseguir com prar um a ação por 2/3 de seu patrim ônio líquido, isso significa que você está com prando a em presa por m enos do que seus ativos valem . Obviam ente, esse não pode ser o único critério a ser adotado, j á que a em presa pode ser tão perdulária que seu patrim ônio dim inuirá m uito no longo prazo.

Preço da ação 2/3 abaixo do Valor Patrimonial Tangível por Ação

Trata-se de um indicador parecido com o anterior. Para calculá-lo, apenas dim inua do valor patrim onial por ação o valor do patrim ônio intangível (bens intangíveis, sobre os quais é difícil avaliar com precisão o valor, com o o valor da m arca, por exem plo). O que sobra é o patrim ônio tangível, que envolve todos os bens e direitos da em presa, com o m áquinas, estoques de produtos e valores a receber.

Preço da ação 2/3 abaixo dos ativos circulantes líquidos por ação

Ativos circulantes são os bens e direitos conversíveis em dinheiro no curto prazo (1 ano). A ideia do indicador é que o preço da ação sej a 2/3 inferior ao total dos ativos circulantes divididos pelo total da ação. A m eu ver, é m uito, m uito difícil que esse critério sej a observado, a não ser que haj a um derretim ento próxim o ao de 2008 na econom ia.

Dívida total inferior ao patrimônio tangível da empresa

Liquidez corrente superior a 2

A liquidez corrente expressa a capacidade da em presa de pagar suas dívidas de curto prazo. Um indicador superior a 1 indica que a em presa é capaz de honrá-las, e um indicador superior a 2 indica solidez quase absoluta.

Dívida total inferior ao dobro dos valor do ativo circulante líquido

Crescimento do lucro ao longo dos últimos 10 anos de pelo menos 7% ao ano

Esse indicador é valiosíssim o, pois indica que a em presa tem um a excelente adm inistração, capaz de fazer os lucros crescerem com consistência e força.

Um máximo de 2 quedas anuais de 5% ou mais no lucro ao longo dos últimos 10 anos

Orientações de Philip Fisher para avaliar as vantagens competitivas de uma empresa

Na segunda parte do livro “Com m on Stocks, Uncom m on Profits", intitulada “investidores conservadores dorm em bem ”, Philip Fisher explica com o é possível fazer investim entos conservadores em ações - explorando alguns dos fatores que fazem um grande investim ento.

O interessante da abordagem é j ustam ente o aspecto “conservador” prescrito por Fisher. não se trata, evidentem ente, de um a aposta na renda fixa, m as sim de um a abordagem que favoreça, no longo prazo, a criação de valor para o acionista com o m enor risco possível.

Para que o investim ento em ações de um a em presa sej a considerado conservador, Fisher considera que o investidor deve analisar quatro dim ensões, nas quais a em presa deve ser aprovada:

1. Superioridade em capacidade produtiva, de marketing, de pesquisa e financeira

Para se qualificar com o investim ento conservador, a em presa deve ter baixo custo de produção, e ser capaz de financiar seu crescim ento com seus próprios lucros, recorrendo o m ínim o possível a em préstim os. Em outras palavras, sua m argem de lucros deve ser alta o suficiente para perm itir o financiam ento de seu crescim ento futuro.

Em presas com esse perfil são conservadoras, e a variação do lucro obtido por elas é m uito m enor do que em presas com m argem de lucro m enor. Fisher apresenta um exem plo interessantíssim o para m ostrar isso.

Im agine duas em presas, A e B, de tam anho aproxim adam ente igual, que vendem seus produtos a 10 centavos cada. A com panhia A tem um lucro de 4 centavos por venda, e a com panhia B, 1 centavo. Ou sej a, a m argem de lucro da em presa A é m aior do que a da em presa B. Im agine que os custos perm anecem os m esm os, m as ocorra um a dem anda tem porária extra pelos produtos das em presas, elevando os preços do produto para 12 centavos a unidade. A em presa A aum entou seus lucros de 4 centavos por produto para 6 centavos, um aum ento de 50%. Mas a em presa B aum entou seus lucros de 1 centavo para 3 centavos, um aum ento de 300%!

Segundo Fisher, é por isso que, no curto prazo, em presas com baixa m argem de lucro conseguem ter crescim entos fantásticos em seu lucro. Mas, na prim eira crise que surgir, essas em presas podem passar por dificuldades: se o preço dos produtos dim inuir para 8 centavos a unidade, elas terão prej uízo (-3 centavos por unidade), ao passo que a em presa A ainda teria lucro (1 centavo por unidade).

2. O fator pessoal - a qualidade das pessoas que dirigem, administram e trabalham na empresa

De acordo com Fisher, essa segunda dim ensão do investim ento conservador é crucial. É im portante que haj a não apenas pessoas capazes, inteligentes e com prom etidas com a em presa, m as que elas sej am capazes de trabalhar em harm onia entre si. Ou sej a, a em presa depende de um a equipe coesa de em pregados, e não apenas de um ou outro funcionário m ais "brilhante", que concentra tudo em suas m ãos.

Um a boa em presa deve saber extrair o m elhor de seus funcionários, e m otivar os em pregados m ais j ovens para que eles possam assum ir funções de m aior responsabilidade no futuro. Para Fisher, aproveitar bem os funcionários j á contratados antes de buscar gente de outras em presas é um fator fundam ental para o sucesso da em presa. Isso serve tanto para m otivar os em pregados, que sentem que a em presa os valoriza, quanto para m ostrar a confiança que a em presa tem em seus quadros. Esse fator é tão im portante que Fisher considera a contratação de um adm inistrador externo um sinal grave de que algo não vai bem na em presa.

3. A vantagem competitiva da empresa

Outro aspecto fundam ental para a escolha de em presas conservadoras é a verificação de sua vantagem com petitiva em relação a outras em presas. Já falei bastante sobre isso em outra seção, m as o ponto principal é que em presas com vantagens com parativas em relação a suas concorrentes fazem algum a coisa de diferente que traz um retorno m aior: pode ser seus custos de produção, um produto inigualável, um a m arca reconhecida facilm ente em todo o m undo, a qualidade superior dos produtos - enfim , algum elem ento capaz de trazer retornos consistentes no longo prazo.

4. O preço do investimento conservador

O últim o elem ento envolve a análise do P/L da em presa (preço por lucro), indicador que m ostra a relação entre a cotação da ação e o preço por ação daquela em presa. Um P/L m uito alto significa que a em presa está m ais cara; e um P/L m ais baixo significa que a ação está cotada a um preço m ais barato em relação aos lucros da em presa.

Mas isso não é tudo: é im portante verificar a constância de crescim ento de lucros, para saber se efetivam ente a ação está cara ou barata. Fisher traz um exem plo: im agine um a em presa que um lucro por ação (LPA) de $ 1,00 e cada ação está cotada a $ 10,00. Isso significa que seu P/L é 10. Digam os que no ano seguinte a em presa teve um aum ento fortíssim o em seu LPA, que passou para $1.4, e no ano posterior, para $ 1.82. Com esses aum entos fortíssim os nos lucros, o m ercado passou a considerar a em presa um a boa com panhia, elevando seus m últiplos - seu P/L, que antes era de 10, agora passou para 20. Com isso, a cotação da em presa passou para $ 36,40, um crescim ento de 264% na cotação. E o m elhor de tudo é que o crescim ento foi j ustificado, e não causado por um a bolha especulativa ou algo do tipo.

O que é im portante é verificar se o crescim ento na cotação de um a em presa foi j ustificado: às vezes o m ercado avalia equivocadam ente o ativo, e um a bolha é construída e pode explodir no m om ento exato em que um investidor desavisado adquire o ativo. Um investidor conservador, portanto, deveria adquirir em presas que satisfazem os critérios m encionados em m om entos de desespero do m ercado- quando a qualidade das em presas é sim plesm ente subavaliada, e a ação é negociada a m últiplos m uito baixos. Isso aconteceu recentem ente, em 2008, e nada im pede que aconteça novam ente no futuro.

Recom endo m uito a leitura com pleta do livro. Não é a toa que Warren Buffett, falando sobre ela, disse que "Um a com preensão profunda do negócio, obtida pelo uso das técnicas de Phil(ip Fisher) capacita qualquer pessoa a se com prom eter com investim entos inteligentes."

Aprendendo a investir com Peter Lynch

Peter Ly nch é outro investidor que deveria ser fonte de inspiração para qualquer um que pretenda aplicar suas econom ias no m ercado de ações. Ele conseguiu um a rentabilidade m édia de 29% em 13 anos, o que transform aria R$ 10.000,00 em R$ 273.946,80 no período. Parece bom dem ais pra ser verdade? Mas qual o segredo de Peter Ly nch para ser tão bem sucedido ao escolher as em presas em que investe? “Invista naquilo que você conhece”, ele diz. Sim ples, não é? Então aprenda m ais sobre a filosofia de investim ento de Peter Ly nch.

Pense na recom endação de Ly nch e reflita sobre o seu cotidiano. Você acorda e vai se barbear. Passa um crem e de barbear da Bozzano no rosto, m arca cuj a propriedade é da Hy perm arcas (em presa com ações listadas na bolsa sob o ticker HYPE3). Se é m ulher, pode passar um crem e da Natura (NATU3). Veste um a cam isa da Hering (HGTX3) e tom a um iogurte da Vigor (VGOR3) no café da m anhã. Tom a, tam bém , um a vitam ina C que você com prou na farm ácia Drogasil (DROG3), pra dar um a reforçada na im unidade. Usa um a palha de aço bom bril (BOBR4) para lavar a louça do café da m anhã e sai para o trabalho. No m eio do cam inho, percebe que seu carro, cuj a lataria foi fabricada com aço da Gerdau (GGBR4), está sem com bustível, razão pela qual você para rapidinho num posto de gasolina da Petrobras (PETR4) e o abastece. Você pagou a gasolina com o cartão de crédito, num a m aquininha da Cielo (CIEL3).

Ao seguir em frente, você dá um a olhada na lataria do ônibus que está atrapalhando o trânsito e lê Marcopolo (POMO4), a em presa que produziu sua lataria. Ao chegar do trabalho, você liga seu com putador Positivo (POSI3), com o qual, no m eio do expediente, você acessa sua conta bancária no Banco Itaú (ITUB4). Depois do trabalho, dá um a passada para um Happy Hour no barzinho com os colegas do trabalho e tom a um a cervej inha da Am bev (AMBV4). Ao retornar para casa, no fim do expediente, você acende a luz, que é fornecida pela CPFL Energia (CPFE3) - ou por outra em presa do setor, j á que há dezenas com ações negociadas em bolsa. Antes de dorm ir, dá um a conferida no canal de tevê a cabo da Net (NETC4) e, se a noite prom eter, pode usar um a cam isinha da Jontex (cuj a m arca tam bém é da Hy perm arcas - HYPE3).

Pouca gente se dá conta, m as utilizam os no nosso dia-a-dia dezenas de produtos fabricados por em presas cuj as ações estão listadas em bolsa. E acham os m uitos desses produtos fantásticos - tão espetaculares que, m uitas vezes, os recom endam os para nossos am igos e vizinhos, que passam a utilizá-los tam bém . Para Peter Ly nch, observar os produtos de que gostam os e tentar entender o porquê de gostarm os tanto deles é um passo im portantíssim o para que alguém se torne um bom investidor. Se gostam os tanto de um produto ou serviço e acreditam os que é o m elhor de seu setor, por que não aproveitar para tam bém lucrar j unto com a em presa que o produz?

Segundo Peter Ly nch, quanto m ais você estiver fam iliarizado com um a em presa, e o quanto m elhor você com preender seu negócio e o am biente com petitivo, m elhores as chances de encontrar um a com panhia lucrativa, capaz de levar a lucros fabulosos. Por esta razão, Peter Ly nch defende que o investidor aplique seus recursos em em presas cuj os produtos ele j á conhece e utiliza. Você trabalha com cosm éticos e acha os produtos da Natura fantásticos? Por que, ao invés de se tornar um distribuidor da em presa, você não se torna um acionista dela? Você é farm acêutico e, por sua experiência, acha a adm inistração da Drogasil espetacular e m elhor do que a das concorrentes? Por que não investir nelas? No m ercado, existem em presas de praticam ente todos os setores. Por que não investir em algum a cuj o m ercado você conhece e saberia avaliar com o ninguém ?

Em bora Peter Ly nch considere o conhecim ento que o investidor tem da com panhia (às vezes, com o consum idor dela!), im portante, este é apenas o ponto de partida. A análise da em presa com o investim ento tam bém depende de alguns outros indicadores e características essenciais, tanto qualitativos quanto quantitativos:

Aspectos qualitativos

1. O nome da empresa é entediante

É, isso m esm o! A expressão que ele usa é boring! Tam bém o serviço ou o produto prestado por ela devem ser entediantes. Ou então, a em presa faz algo desagradável, ou ainda há rum ores de que a em presa está passando por um m om ento ruim . Tudo isso se reflete no preço da ação, que despenca e abre um a boa oportunidade de com pra.

2. A empresa é uma subsidiária de uma empresa maior, ou surgiu a partir de um processo de cisão

Quanto a estas em presas, Ly nch sugere que o investidor verifique se funcionários e adm inistradores da em presa estão com prando suas ações.

3. A empresa está crescendo em um setor de baixo crescimento

Indústrias de crescim ento atraem m ais investidores naturalm ente, o que leva os preços de suas ações para cim a. Um a em presa que consiga crescer m ais que a m édia de seu setor indica algum a vantagem com petitiva.

4. A empresa está em um nicho de mercado em que é difícil o surgimento de novos competidores

Em certos setores, é m uito difícil surgirem novos com petidores. É o caso, por exem plo, dos setores de altíssim a tecnologia (com o biotecnologia, por exem plo), que exigem fortes investim entos para abrir um a em presa capaz de representar algum a am eaça às em presas estabelecidas no m ercado.

5. Os produtos ou serviços da empresa são consumidos em tempos de bonança e de crise econômica

Pense nos produtos da Am bev ou nas com panhias elétricas e de telefonia, por exem plo! Ninguém deixa de beber sua cervej inha ou de ligar a tevê m esm o nos piores m om entos.

6. Poucas das ações da empresa são propriedade de instituições

Essas ações são negligenciadas pelos grandes players do m ercado (fundos de previdência ou bancos de investim ento) e, por isso, é plausível encontrar m aiores pechinchas.

7. A empresa está recomprando suas ações

Isso significa que a em presa confia em seu potencial e que considera seus preços atuais baixos. Além disso, a recom pra de ações eleva o lucro por ação, gerando valor a seu acionista, que ganha um percentual m aior do patrim ônio da em presa.

Por outro lado, Peter Ly nch detesta em presas que tenham as seguintes características:

• Indústrias da m oda, cuj as m arcas fazem sucesso no presente m esm o que a com panhia não tenha apresentado bom histórico.

Em presas pequenas com grandes proj etos, cuj a com petência ainda não foi verificada.

• Com panhias lucrativas que diversificam dem ais suas atividades por m eio de aquisições. O foco em sua área de atuação é essencial.

• Em presas com poucos consum idores, com o fabricantes de aviões.

Aspectos quantitativos

1. Evolução do lucro

Ly nch valoriza em presas que têm um histórico crescente de lucros, j á que os preços das ações não podem ficar por m uito tem po descolados do lucro da em presa. Se o lucro sobe, o preço da ação tam bém sobe!

2. Índice Preço por Lucro (P/L)

O potencial de lucratividade de um a em presa determ ina seu valor, m as às vezes o m ercado antecipa esse crescim ento e supervaloriza um a ação. Esse índice aj uda a m anter um a perspectiva isenta quanto ao preço da com panhia.

3. O histórico do índice P/L

É im portante estudar a relação histórica entre o preço e o lucro da em presa. Às vezes, um índice alto pode parecer um sinal de que o m ercado está supervalorizando um a ação, m as na verdade o seu histórico é elevado m esm o.

4. O índice P/L médio do setor de atuação da empresa

Tam bém é im portante estudar o P/L m édio do setor da em presa. Ao com parar com outras em presas do setor, fica m ais fácil verificar se se trata de um a barganha ou se o setor tem um P/L m édio baixo de fato.

5. O índice P/L relativamente à taxa de crescimento dos lucros

É natural que em presas com m elhor perspectiva de crescim ento nos lucros tenham um índice P/L m aior, m as a razão entre o P/L e a taxa de crescim ento dos lucros indica se o P/L é j ustificado ou não. Para calcular essa razão, basta dividir o P/L pela taxa de crescim ento. Por exem plo, um a em presa cuj os lucros têm crescido consistentem ente a um a taxa de 25% e cuj o P/L está em 20, tem um a razão entre os dois indicadores de 0,8 (20 dividido por 25). Um a razão inferior a 1,0 indica que a em presa está subvalorizada (inferior a 0,5 seria excepcional!).

6. Razão da dívida em relação ao patrimônio

Quanto m enor o total da dívida em relação ao patrim ônio da em presa, m elhor. Significa que a em presa tem condição de pagar o que deve e ainda investir em sua expansão.

7. Estoques

Outro indicador im portante para Peter Ly nch é a tendência de evolução dos estoques. Se os estoques estão se acum ulando, é um sinal de que a em presa não está conseguindo vender seus produtos, o que se refletirá nos lucros. Por outro lado, se os estoques estão com eçando a dim inuir cada vez m ais rápido, pode ser um sinal de que a em presa está se recuperando.

Décio Bazin, um investidor brasileiro

A lista não seria com pleta sem um nom e brasileiro de destaque. Muitos conhecem Benj am in Graham , Buffett, Fisher e Ly nch, m as infelizm ente poucos conhecem Décio Bazin, um discípulo tupiniquim de Benj am in Graham que tam bém tem m uito a ensinar aos investidores brasileiros sobre investim ento em valor. Além de investidor, tam bém foi colunista da Gazeta Mercantil e escritor -e escrevo aqui sobre seu livro, "Faça fortuna com ações - antes que sej a tarde". Esse livro foi um m arco na m inha breve carreira de investidor: o li em m eados de 2007 e cada vez m ais percebo que sua sim plicidade aparentem ente conservadora revela im portantes lições para qualquer um que pretenda investir no m ercado de ações.

As frases elencadas com o "lem bretes" no início da obra j á m ostram o perfil do autor:

Preços não sobem nem descem na bolsa de valores.

Na bolsa, como no amor, é melhor esquecer os maus momentos.

Ter dinheiro e perdê-lo é pior do que nunca tê-lo tido.

Há duas coisas que incomodam na bolsa: os prejuízos da gente e os lucros dos outros.

O futuro recompensa os que têm paciência com ele.

Investidor de sucesso em tem pos de turbulência, quando a CVM era apenas um rascunho de instituição reguladora dos investim entos na bolsa de valores, a inflação era um grave problem a brasileiro e o Brasil ainda tinha bolsa no Rio e em São Paulo, decerto Bazin tem m uito a ensinar.

Para ele, o m ercado tem cinco personagens: a prim eira delas é a categoria dos m anipuladores, capazes de influenciar efetivam ente o preço das ações em seu favor. No livro Bazin transcreve um a entrevista im pagável com um m anipulador (cuj o nom e é devidam ente m antido em sigilo), que fala sobre suas estratégias para direcionar os preços.

A segunda personagem é o especulador, que só não é m anipulador por pura falta de capacidade financeira. Essa figura concentra suas atividades nos day trades (com pra e venda de ações no m esm o dia) e na negociação de opções. Mas, ao contrário do que se poderia im aginar, as negociações dos especuladores não representam m ais do que apenas 5% de todas as ações negociadas no m ercado.

Tam bém há os especuladores novatos (devidam ente alcunhados de figura lam entável). A descrição dessa categoria é sensacional e dem onstra o tom por vezes hum orístico da obra "Faça fortuna com ações - antes que sej a tarde":

Os novatos deslumbrados são figuras das mais lamentáveis. Mas felizmente para eles e para todos os participantes, têm curta permanência na Bolsa. Pululam aos magotes nas épocas de boom; são ruidosos e malcriados. Geralmente não têm muito caráter nem muito dinheiro. São pessoas sem idade, sem ideologia e sem profissão específica. Como sua vida é relativamente estável, sentem-se independentes por terem conseguido juntar algum patrimônio e procuram na bolsa o método mais fácil possível de multiplicá-lo. (...) Curiosidade, inveja, ambição e ganância constituem os primeiros atos da peça que está representando. O último ato é incógnita, mas pode resultar numa tragédia de triste final.

Os especuladores novatos e deslum brados "costum am (...) ficar aborrecidíssim os quando os preços continuam subindo depois que venderam seu papel com lucro; m ortificam -se fazendo cálculos de quanto deixaram de ganhar e sofrem quando olham para as cotações; confundem dinheiro não ganho com dinheiro perdido e choram por terem vendido sua posição prem aturam ente". Mas o fim dessa categoria de investidores pode ser realm ente trágico: "Depois que perdas irrecuperáveis o alij am do m ercado, o novato deslum brado passa a ser o m aior detrator da bolsa e dos seus personagens. (...) Outrora propagandista fervoroso do m ercado, é agora o seu difam ador m ais feroz."

Tam bém há os investidores institucionais - fundos de previdência com plem entar, bancos de investim ento e outras em presas, bem com o fundações-, que seguem princípios fundam entalistas: investem em em presas com baixo endividam ento, crescim ento firm e dos lucros, e com vantagem com petitiva. Com o os segurados dos fundos de previdência com plem entar só precisarão do dinheiro depois de 20 ou 30 anos, há tem po m ais do que suficiente para não errar no investim ento.

E tam bém há o Investidor pessoa física, que se contrapõe ao Especulador (distinção que ilustra bem com o Graham influenciou Bazin). Os Investidores se propõem a ser sócios de em presas sólidas e têm paciência, porque sabem que altas e quedas da bolsa são m eros acidentes de percurso em um a estrada cuj o fim se determ inou desde o início. Esses investidores são cham ados por Bazin de "olím picos", por se m anterem tranquilos e serenos m esm o em m om entos de crise, porque têm perspectiva de longo prazo.

O principal elem ento da estratégia de investim entos de Bazin é o dividend yield, ou o quanto um a em presa paga de proventos (dividendos e j uros sobre capital) a seus acionistas: para Bazin, só pode ser considerada digna de investim ento um a ação de em presa que rem unere seus acionistas com pelo m enos 6% de dividendos regularm ente. Para determ inar o "preço" j usto de aquisição de um a ação, basta m ultiplicar o dividendo pago anualm ente por 100 e dividir por 6 (ou m ultiplicar o dividendo por 16,67). O resultado da conta é o preço m áxim o a ser pago pela em presa. De acordo com Bazin, quando um a em presa custa m uito além do que isso, é sim plesm ente cara dem ais para ser j ustificada sua aquisição; e se estiver m ais barata do que isso, é um a oportunidade excelente de aquisição.

Há um a razão para os 6% de dividendos: de acordo com Bazin, baseado em padrões internacionais, som ente quando um ativo paga m ais de 6% ao ano, ele pode ser considerado lucrativo: m enos do que isso, provavelm ente apenas em patará com a inflação, ou perderá para ela. E a única razão para investir em um a em presa, segundo Bazin, seria obter esse retorno. Esperar m ais do que isso de rentabilidade é especular, não investir.

Já vim os que isso, contudo, não é necessariam ente verdadeiro. É possível que a em presa não pague tanto em dividendos a ponto de chegar a 6% de dividend-yield porque ela prefere reinvestir os dividendos na sua atividade produtiva, elevando seus lucros no futuro - e o acionista poderia ganhar com um a elevação no preço da ação. Se ela fizer isso com o dinheiro que seria gasto com dividendos (e não desperdiçá-lo apenas pagando bônus a seus executivos, por exem plo), pode ser um a ótim a escolha com o investim ento.

De qualquer form a, o critério de Bazin, por m ais conservador que pareça, é im portantíssim o para garantir a segurança do patrim ônio investido. E, com o ele m esm o diz, "ter dinheiro e perdê-lo é pior do que nunca tê-lo tido".