Náufragos, Traficantes e Degredados

Eduardo Bueno · Capítulo 9 de 13

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Náufragos, Traficantes e Degredados

Notas

PARTE I

1 – Vários historiadores do século XVI se referem à viagem de Pinzón ao Brasil. O principal deles é Pietro Martir de Anghiera, autor da obra De Orbe Novo Decades Octo (As Oito Décadas do Novo Mundo). A I Década, que inclui o relato da viagem de Pinzón, foi escrita em 1501, publicada em 1511 e ampliada em 1516. Anghiera (1459-1526) era um sacerdote, militar e diplomata milanês, que desde 1488 vivia na Espanha e trabalhava para os Reis Católicos. Mais tarde, foi membro do Conselho das Índias. Seu relato sobre a viagem de Pinzón se baseou em uma entrevista feita com o próprio navegador, em outubro de 1500. Na segunda metade do século XVI, os historiadores padre Bartolomé de las Casas, Gonzalo Fernandez de Oviedo e Antonio de Herrera também descreveram a jornada de Vicente Pinzón, mas o fizeram baseados no depoimento de Anghiera.

2 – “mansos e pacíficos”: citação do Diário de Cristóvão Colombo. O Diário de Colombo foi escrito pelo frei Bartolomé de las Casas, baseado nas cartas e nas anotações do próprio navegador, com quem Las Casas conviveu pessoalmente. Existem muitas edições e traduções do Diário. A melhor foi feita pelo historiador espanhol Carlos Sanz e publicada pela Biblioteca Nacional de Madri em 1962. Existe uma edição em português, publicada pela L&PM (Porto Alegre, 1985).

3 – “turbilhões de vento”: citação da narrativa de Pietro Martir de Anghiera, cujo trecho relativo à viagem de Vicente Yáñez Pinzón foi parcialmente reproduzido pelo professor Duarte Leite em seu artigo “Os Falsos Precursores de Álvares Cabral” (citado na Bibliografia).

4 – “grande perigo”: mesma fonte citada na nota 3.

5 – “vara” ou “barra de dois palmos”: existem duas versões da narrativa de Pietro de Anghiera sobre a viagem de Pinzón. A primeira, escrita em 1501, foi feita pelo próprio Anghiera. A segunda, publicada em 1511, foi revisada e ampliada por Angelo Trevisan, chanceler da embaixada de Veneza na Espanha, a quem Anghiera confiou os originais. Na primeira versão, Anghiera descreve como “vara” o objeto dourado que os nativos teriam jogado à frente dos marinheiros de Pinzón. Na versão de Trevisan, esse objeto se transforma em “uma barra de dois palmos” (de comprimento). O prof. Duarte Leite publicou as duas versões na obra citada na nota 3.

6 – Pietro Martir nasceu em Anghiera, nos arredores de Milão, em 1459. Mudou-se em 1488 para a Espanha, onde se tornou protonotário apostólico e membro do Conselho das Índias. Em setembro de 1501, foi enviado para o Egito, como embaixador dos Reis Católicos junto ao sultão do Cairo. Retornou para a Europa em 1506. Morreu em Sevilha em 1526.

7 – Pelo menos três historiadores acham que os Potiguar jamais atacariam os europeus sem motivo. São eles: o inglês Robert Southey, em sua História do Brasil (publicada em 1810), Cândido Zeferino (no livro Brasil, Cia. Editora Nacional, 1900) e o prof. Duarte Leite, no artigo citado na nota 3.

8 – “vermelho bico de cisne mergulhando no oceano”: citação de Francisco de Varnhagen, que visitou Jericoacoara em 1861 e se encantou com a beleza do lugar, que identificou como o “Rostro Hermoso” de Pinzón.

9 a 14 – citações da narrativa de Pietro Martir de Anghiera.

15 – Frei Bartolomé de las Casas, principal cronista da viagem de Diego de Lepe, afirma que ele chegou ao cabo de Santo Agostinho. Samuel Morison e Max Justo Guedes acham que Lepe aportou no cabo de São Roque.

16 – “alto e atraente” e “extremamente cruel”: citações de Samuel Elliot Morison em The European Discovery of America - Southern Voyages.

17 – “aproximar-se da costa”: carta de Colombo aos Reis Católicos, trecho reproduzido por Max Justo Guedes no artigo “As Primeiras Expedições de Reconhecimento da Costa Brasileira”, publicado no vol. I da História Naval Brasileira (citado na Bibliografia).

18 – “vigílias que havia tido”: idem nota 17 acima.

19 – “mais brutais”: citação de Samuel E. Morison, idem nota 15.

20 – “como aves que iam para terra”: citação do Diário da Descoberta da Índia, narrativa da viagem de Vasco da Gama escrita pelo marinheiro Álvaro Velho (publicado pela Editora Objetiva, 1998).

21 – As Instruções de Vasco da Gama para a Viagem de Cabral foram vertidas em português atual por A. Fontoura da Costa e publicadas por T. O. Marcondes de Souza em O Descobrimento do Brasil (citado na Bibliografia).

22 – “novo indivíduo da geração humana”: citação de Simão de Vasconcelos em Notícias Curiosas e Necessárias das Coisas do Brasil, publicado originalmente em 1658.

23 – “grande caminho que tinha para andar”: citação da carta de D. Manoel aos Reis Católicos, reproduzida no vol. II da História da Colonização Portuguesa do Brasil.

PARTE II

1 – “fama após a morte”: citação da carta que Vespúcio enviou de Lisboa para Lourenço de Pierfrancesco de Médici em agosto de 1502. O original dessa carta, que deu origem ao panfleto Mundus Novus, está no chamado Códice Strozziano 318, da Biblioteca Nacional de Florença. A íntegra da carta foi publicada por T. O. Marcondes de Souza em Amerigo Vespucci e Suas Viagens (veja Bibliografia).

2 – Da carta que Vespúcio escreveu em Sevilha em 18 de junho de 1500 e enviou para Lourenço de Médici existe apenas a cópia arquivada no Códice Riccardiano 1910. Esse Códice está na Biblioteca Riccardiana de Florença, que pertenceu ao marquês Riccardi. O códice foi organizado em 1514 por Piero Vaglienti e reúne cópias de 33 cartas de viagem redigidas pelos próprios viajantes ou por seus financiadores. Além de três cartas de Vespúcio, o códice possui também cópias de cartas escritas por Bartolomeu Marchioni, Girolamo Sernige e Piero Rondinelli. A referida carta de Vespúcio foi publicada pela primeira vez em 1745, por Angelo Bandini.

3 – A cópia da carta que Vespúcio enviou de Cabo Verde para Lorenzo de Médici também está no Códice Riccardiano 1910. Foi publicada pela primeira vez pelo conde Baldelli Bonn, em 1827.

4 – “turbilhões e tempestades”: citação de uma carta sem data que Vespúcio também enviou para Lorenzo de Médici. A cópia dessa carta também está no Códice Strozziano 318, da Biblioteca Nacional de Florença.

5 – Max Justo Guedes é o principal defensor da tese de que a frota de Vespúcio ancorou na atual praia de Areias Alvas. Os argumentos de Justo Guedes – navegador experiente – são sólidos e respeitáveis. Vários outros historiadores, no entanto, acham que o desembarque de Vespúcio se deu na praia dos Marcos. O principal defensor dessa tese é Moacir Soares Pereira, autor de A Navegação de 1501 ao Brasil e Américo Vespúcio.

6 – “duvido que me deem crédito”: citação da carta Mundus Novus. Essa é apenas uma das várias insinuações de Vespúcio de que o Brasil era um local paradisíaco. Noutro trecho da mesma carta, Vespúcio afirma taxativamente: “Em verdade, se o paraíso terrestre está localizado em alguma parte da terra, julgo que não dista muito dessa região.”

7 – Conforme dito na nota 4, o Códice Strozziano 318 é um conjunto de documentos que pertence ao acervo da Biblioteca Nacional de Florença.

8 a 11 – citações de cartas de Vespúcio.

12 – “broncas tribos nômades”: citação de Capistrano de Abreu, no livro O Descobrimento do Brasil.

13 – “gente daquela terra”: citação da Lettera a Soderini.

14 – As informações sobre a vendagem das cartas de Vespúcio foram obtidas no livro Amerigo Vespucci e Suas Viagens, de Marcondes de Souza.

15 – Citações de A Utopia, de Thomas Morus, tradução de Paulo Neves, edição da L&PM (Porto Alegre, 1998).

16 – “desordens havidas entre eles”: citação de Islario General de Todas las Islas del Mundo, de Alonso de Santa Cruz. Santa Cruz foi o cosmógrafo da expedição de Sebastião Caboto que chegou ao Brasil em 1526. Seu livro, descoberto e publicado por Francisco de Varnhagen em 1865, foi escrito em 1527 e é o primeiro a fazer referência ao destino dos 24 homens deixados por Vespúcio em Cabo Frio. Santa Cruz não cita suas fontes.

PARTE III

1 – Uma cópia do original da carta de Pietro Rondinelli foi feita por Piero Vaglienti em 1514 e acrescentada ao Códice Riccardiano 1910, da Biblioteca Riccardiana de Florença. Desde fins do século XIX, quando foi encontrada a cópia feita por Vaglienti, a carta de Rondinelli tem sido reproduzida em muitos livros sobre a história do Brasil.

2 – Informações citadas por A. L. Pereira Ferraz em Terra da Ibirapitanga e por Bernardino José de Sousa em O Pau-brasil na História Nacional (veja Bibliografia).

3 – A Relazione di Lunardo da Cha Masser foi reproduzida pela primeira vez por Próspero Peragallo no livro Quarto Centenário da Descoberta da América, publicado em 1892 pela Academia de Ciências de Lisboa. Desde então, tem sido citada e reproduzida em vários outros livros.

4 – A “Confirmação a Fernão de Loronha do privilégio de cidadão de Lisboa” foi publicada no Livro 4, folha 58, da Chancelaria de D. Manoel e reproduzida por Antônio Baião no capítulo “O Comércio do Pau-brasil”, em História da Colonização Portuguesa do Brasil.

5 – Conforme Antônio Baião no artigo citado na nota 4. O texto original de Baião se refere “aos sucessos ferozes de abril de 1506, em que cerca de dois mil judeus foram trucidados pela plebe excitada pelos dominicanos”. O número de vítimas parece um tanto exagerado e, a rigor, desde 1497 não havia mais “judeus” em Portugal: todos os que ficaram no país passaram a ser “cristãos-novos”.

6 – A descoberta de que o “contrato de arrendamento” do pau-brasil foi parar nas mãos do “armador e capitão de navios” Lopes Bixorda foi quase casual. Bixorda aparece citado como arrendatário num texto do cronista real Damião de Góis, no qual o autor da Crônica do Sereníssimo Rei D. Manoel se refere aos três nativos que um dos navios de Bixorda levaram do Brasil a Portugal e “que causaram admiração a todos pela excelente pontaria de seus arcos”. No texto, Góis diz que os “arcos eram de pau-brasil e as flechas de canas empenadas com penas de papagaio, as pontas são de pau e de osso de pescado, tão fortes que passam com elas uma tábua”. De acordo com Góis, os “selvagens eram bem dispostos, estavam vestidos de penas e falaram com o rei, por intermédio de um intérprete”. Os nativos dispararam contra alvos móveis “que desciam o rio que por perto passava”.

7 – A informação de que em 1558 as melhores árvores de pau-brasil só podiam ser encontradas “a mais de 20 quilômetros da costa” é do pastor Jean de Lery e aparece no seu livro Viagem à Terra do Brasil.

8 – A regulamentação coibindo o corte de pau-brasil e criando o cargo de guarda-florestal foi assinada por Filipe III em 12 de dezembro de 1605. A decisão, portanto, se deu durante o período da União Ibérica e não foi iniciativa de portugueses, mas de espanhóis. A íntegra do documento é citada por A. L. Pereira Ferraz em Terra da Ibirapitanga e comentada por Warren Dean em A Ferro e Fogo.

9 – A origem e o significado das palavras “mair” e “peró” continuam controversos e ainda não foram claramente definidos. De acordo com Teodoro Sampaio, o mais emérito tupinólogo, “mair” provém do vocábulo “mbae-ira”, que significa “homem que mora longe, apartado, solitário”. Os Guarani do Paraguai chamavam os espanhóis de “mbaí”, apelido muito similar e com o mesmo significado de “mair”. Alguns indígenas do Brasil também chamavam os franceses de “ajurujuba”, que significaria “papagaio amarelo” – “por serem louros e estarem sempre a falar”, de acordo com Carlos Sarthou em Passado e Presente da Baía de Guanabara (Ed. Bastos, Rio, 1964). Com relação ao termo “peró” a polêmica é bem maior. O inglês Robert Southey afirmou, em 1789, que o termo provinha do espanhol “perro” (“cão”) e exprimia o ódio que os selvagens do Brasil sentiam dos portugueses. Sua explicação foi rejeitada por muitos historiadores brasileiros e portugueses. De acordo com Estevão Pinto, em Os Indígenas do Nordeste (Cia. Edit. Nacional, SP, 1935), o nome teria surgido porque “muitos nativos pensavam que todos os portugueses se chamavam Pedro, ou Pero”. Segundo Oswaldo Orico, em Mitos Ameríndios (São Paulo Editora, Rio, 1930), o termo seria originário da expressão “pero” (espanholismo que significa “mas”), palavra que os portugueses falariam constantemente. Por fim, Carlos Sarthou, no livro citado acima, diz que “pero” talvez fosse “uma deturpação da palavra feroz”.

10 – De acordo com o Regimento da Nau Bretoa, “a moça” que o capitão Cristóvão Pires levou para ser escrava de Francisco Gomes se chamava Bu-y-syde, nome que alguns autores já traduziram por “Brígida”. Nada se sabe sobre o destino dela nem dos demais escravos levados pela Bretoa.

11 – Segundo escreveu o brasilianista americano Warren Dean no livro A Ferro e Fogo, os escravos “eram vistos como curiosidades, exotismo, e serviam para exibição ou venda a nobres, como macacos ou papagaios, embora fossem apreciados também como objetos sexuais”. No livro O Índio Brasileiro e a Revolução Francesa, analisando especificamente o episódio da nau Bretoa, Afonso Arinos de Mello Franco afirmou: “Os serviços que poderiam prestar as jovens tamoias, tanto na travessia, como na terra, pareciam, decerto, aos navegantes, dados aos amores ancilares, mais proveitosos do que quaisquer outros.”

12 – As melhores análises sobre a origem e os múltiplos significados da palavra Brasil foram feitas por A. L. Pereira Ferraz no livro citado nas notas 2 e 8, e por Gustavo Barroso em O Brasil na Lenda e na Cartografia Antigas (Cia. Editora Nacional, SP, 1938). A melhor fonte sobre a mitológica viagem de São Brandão é The European Discovery of America - The Northern Voyages, de Samuel E. Morison.

PARTE IV

1 – “comer carne humana”: citação de Viagem à Terra do Brasil, de Jean de Léry (veja Bibliografia).

2 – Na verdade, não se pode afirmar com certeza qual a festa que Binot Paulmier presenciou em Lisboa: se aquela feita para saudar o retorno de Vasco da Gama a Portugal em agosto de 1499 ou se a celebração pela volta de Cabral da Índia, em julho de 1501. Paulmier parece ter vivido em Lisboa de 1498 a fins de 1501 e, portanto, poderia ter assistido às duas celebrações, cuja grandiosidade paralisou Lisboa.

3 – “semelhante ao Orne”: citação do relato original de Binot Paulmier de Gonneville (veja Bibliografia).

4 – O protesto que Binot de Gonneville fez na justiça contra os piratas foi descoberto em 1867 pelo historiador francês Pierre Margry. Margry foi o primeiro a sugerir que a “Terra de Gonneville” – que outros historiadores tinham, até então, identificado com as mais variadas partes do globo – era o Brasil. Atualmente, o assunto é tema pacífico.

5 – O livro do abade Jean Paulmier se chamava Mémoires touchant l’établissement d’une mission. A introdução, dedicada ao papa Alexandre VII, tinha 18 páginas.

6 – “um milhão de cruzados”: informação de Fernando Palha no livro A Carta de Marca de João Ango (Lisboa, 1883).

7 – “partilha do mundo”: a declaração de Francisco I sobre o Tratado de Tordesilhas foi citada pelo cardeal de Toledo em carta escrita em 27 de janeiro de 1541 e enviada ao imperador Carlos V. O original está no Arquivo de Simancas, em Sevilha, na Espanha.

8 – “tiros de espingarda”: o depoimento dos sobreviventes franceses aparece na carta que Francisco I escreveu em 6 de setembro de 1528 e enviou a seu embaixador em Portugal, Glyas Hellie. Uma cópia dessa carta está arquivada na torre do Tombo. O documento foi reproduzido na íntegra no volume III da Hist. da Col. Port. do Brasil.

9 – “agrícola e feitorial”: citação de Antônio Baião e C. Malheiro Dias em “A Expedição de Cristóvão Jaques”, em Hist. da Col. Port. do Brasil.

PARTE V

1 a 3 – citações da “Nova Gazeta da Terra do Brasil”, documento publicado na íntegra no vol. II da História da Colonização Portuguesa do Brasil.

4 – “que se fizera botocudo”: citação de Francisco Adolfo de Varnhagen em História Geral do Brasil. De acordo com o historiador, Pero Gallego seria o mesmo homem citado por Gabriel Soares em seu Tratado Descritivo do Brasil, escrito em 1570. Nesse livro, Soares diz: “Em 1504, neste rio Grande [do Norte] achou Diogo Paes de Pernambuco, língua do gentio, um castelhano entre os Potiguar, com os beiços furados como eles, entre os quais andava havia muito tempo.”

5 – “suplícios e tormentos”: citações da carta que Estevão Fróis escreveu para o rei D. Manoel da ilha de Santo Domingo em 30 de julho de 1514. O documento foi arquivado por Damião de Góis no chamado “Corpo Cronológico” da torre do Tombo, onde Varnhagen o encontrou em 1851.

6 – “pena de morte”: a carta de D. Manoel a D. Fernando, escrita em 20 de setembro de 1514, foi descoberta e publicada pelo historiador chileno José Toríbio Medina no livro Juan Díaz de Solís (2 vol., Santiago, 1908).

7 – “os cercaram e os mataram”: citação de Antonio de Herrera em Historia General de los Hechos de los Castellanos em las Islas y Tierra Firme del Mar Oceano, cuja primeira edição completa só foi publicada em Madri em 1726. O trecho citado foi publicado na II Década, livro I.

8 – “povoar o Brasil”: o alvará do rei D. Manoel foi citado por Varnhagen na pág. 95 do vol. I de sua História Geral do Brasil. Ele não indicou onde estava o original e tal alvará não foi encontrado por outros historiadores.

9 – “mantimentos da terra”: citação da carta que João Melo da Câmara escreveu para o rei D. João III em 1529 (sem data ou indicação da procedência). Essa carta foi descoberta por Sousa Viterbo no Arquivo Nacional de Cartas dos Governadores nos Lugares d’África e de outras pessoas para el Rei e publicada por ele em Trabalhos Náuticos dos Portugueses nos séculos XVI e XVII (Lisboa, 1898). Está reproduzida na íntegra no vol. III da História da Colonização Portuguesa do Brasil.

10 – “passagem grátis para a civilização”: citação de Rolando Laguarda Trías no artigo “Cristóvão Jaques e as Armadas Guarda-costas”, capítulo 5 do vol. I da História Naval Brasileira.

11 – “quentura do sol”: citação de Pero Magalhães Gandavo em Tratado da Terra do Brasil, livro escrito por volta de 1576.

12 – “era português”: citação de Samuel E. Morison em The European Discovery of America-The Southern Voyages.

13 – “de volta ao mar”: citação de Primeira Viagem ao Redor do Mundo, diário escrito por Francisco Pigafetta (L&PM, Porto Alegre, 1985).

14 a 16 – citações de Islario General de Todas las Islas del Mundo, de Alonso de Santa Cruz. Santa Cruz foi o cosmógrafo da expedição de Sebastião Caboto e se tornou o principal cronista da viagem.

17 – “rico em prata, ouro e cobre”: citação da carta que o embaixador castelhano Juan de Zuñiga escreveu, de Lisboa, em 24 de junho de 1524, e enviou para o imperador Carlos V. O original se encontra no Arquivo de Simancas, em Sevilha.

PARTE VI

1 – “por causa de suas malfeitorias”: citação de Rolando Laguarda Trias no artigo “Cristóvão Jaques e as Armadas Guarda-costas”, capítulo 5 do vol. I da História Naval Brasileira. Trias acrescenta: “[daí] se conclui que o termo ‘perdidos’ não significa, nesse caso, náufragos, mas sim perdulários e delinquentes, por oposição aos ‘inocentes’ do Rio de Janeiro”.

2 – A vida cotidiana dos náufragos pode ser razoavelmente reconstituída a partir das cartas de Luiz Ramirez e D. Rodrigo de Acuña, que serão citadas a seguir. Os historiadores Jaime Cortesão e Sérgio Buarque de Holanda também fornecem indícios para essa reconstituição, respectivamente nos livros A Fundação de São Paulo – Capital Geográfica do Brasil e Visão do Paraíso.

3 – A principal fonte para a reconstituição da jornada de Aleixo Garcia continua sendo o livro La Argentina, escrito por Rui Diaz de Guzmán. As outras fontes são: Historia de Santa Cruz de la Sierra, de Enrique Gandia, 1935, El Alma de la Raza, de Manuel Domingues (Assunção, 1908) e The Guarani Invasion of Inca Empire, de E. Nordenskjold, publicado pela The Geographical Review, vol. IV (Nova York, 1917).

4 – “aquela erva e do mesmo modo”: citação de Conquista Espiritual Feita pelos Religiosos da Companhia de Jesus nas Províncias do Paraguai, Paranea, Uruguai e Tape, do padre Antônio Ruiz de Montoya (Martins Livreiro, Porto Alegre, 1985).

5 – Huayna Capac era filho de um dos maiores imperadores incas de todos os tempos, Tupac Inca Yupanqui. Com a morte do pai, ele assumiu o trono no final do século XV. Honrando a herança do pai, se tornou um dos maiores soberanos incas, ampliando o império e a extraordinária rede viária que unia todo o seu território. Huayna Capac teve muitos filhos. Por direito, o herdeiro do trono seria Huascar, mas Manco Capac e Atahualpa, filhos de Huayna Capac com concubinas reais, também entraram na linha sucessória. Após a morte de Huayna Capac, ocorrida provavelmente nos últimos dias de 1525, houve uma guerra civil entre os três filhos do Inca. Atahualpa acabou assumindo o trono em 1532, quando os conquistadores espanhóis, liderados por Francisco Pizarro, já se aproximavam de Cuzco.

6 e 7 – citações da carta de Luis Ramirez, tripulante da nau de Caboto, escrita em 10 de julho de 1528 e publicada na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, vol. 10.

8 a 12 – citações extraídas de duas cartas de D. Rodrigo de Acuña, dirigidas, respectivamente, ao bispo de Osma, a 15 de junho de 1527, e a D. João III, a 20 de abril de 1528, as duas da feitoria de Pernambuco, publicadas, ambas, no vol. III de História da Colonização Portuguesa do Brasil.

13 – “desterrado”: embora o termo também possa ser usado para definir os homens condenados ao degredo, a palavra “desterrado”, no contexto do século XVI, se aplicava mais aos marinheiros forçados por seus superiores a desembarcar do navio e permanecer em terra, sem poderem seguir viagem.

14 – “cuidar do documento”: citação de J. F. de Almeida Prado em Primeiros Povoadores do Brasil.

15 – A carta do embaixador Lope Hurtado de Mendoza a Carlos V foi publicada por R. Gayangos em Calendar of Spanish States Paper e citada por Jaime Cortesão em A Fundação de São Paulo - Capital Geográfica do Brasil.

PARTE VII

1 – “aos ouvidos do rei”: citação de A Fundação de São Paulo - Capital Geográfica do Brasil, de Jaime Cortesão (veja Bibliografia).

2 a 4 – A carta da imperatriz D. Isabel ao embaixador Lope Hurtado de Mendoza foi descoberta e publicada pelo historiador chileno Jose Toríbio de Medina em seu livro El Veneziano Sebastión Caboto al servício de España (Santiago do Chile, 1908).

5 – O documento nomeando Henrique Montes “cavaleiro real” e “provedor da armada” foi publicado por Jordão de Freitas no artigo “A Expedição de Martim Afonso de Sousa”, em História da Colonização Portuguesa do Brasil.

6 – “de acordo com a lei natural”: expressão citada inúmeras vezes nas cartas escritas pelos primeiros jesuítas a chegar ao Brasil.

7 – “frutificamento da terra”: a carta de João Melo da Câmara foi descoberta e publicada pelo historiador português Sousa Viterbo em 1868, em Trabalhos Náuticos dos Portugueses, e reproduzida por Antônio Baião e Carlos Malheiros Dias no artigo “A Expedição de Cristóvão Jaques”, em História da Colonização Portuguesa do Brasil, conforme já dito na nota 9 da parte V.

8 – A tese de que a expedição de Martim Afonso de Sousa não pretendia colonizar o Brasil mas explorar e conquistar o rio da Prata, é do historiador paulista Mário Neme e foi brilhantemente defendida por ele em Notas de Revisão da História de São Paulo (veja Bibliografia).

9 – “vontade própria e sem salário”: citação de Mário Neme, em Notas de Revisão da História de São Paulo.

10 – Gaspar da Madre de Deus (1714-1800) era frade beneditino e publicou sua Memória para a História da Capitania de São Vicente em 1797.

11 e 12 – citações do Diário da Navegação de Pero Lopes de Sousa.

13 – História do Brasil, de frei Vicente do Salvador (1564-1636?).

14 – citação de Capistrano de Abreu, em O Descobrimento do Brasil.

15 – citação de Visão do Paraíso, de Sérgio Buarque de Holanda.

16 – citação da Rev. Inst. Geogr. Bras., vol. XXIV, pág. 66.

17 e 18 – citações do Diário da Navegação de Pero Lopes de Sousa.

19 – citação de Mário Neme, em Notas de Revisão da História de São Paulo, repetindo uma frase do padre José de Anchieta.

20 – citação do padre José de Anchieta, que aparece em Cartas, Informações, Fragmentos Históricos e Sermões (da Academia Brasileira de Letras, Rio, 1935).

21 – citação de Urich Schmedel em Viajes al Rio de la Plata y Paraguay (Emece, Buenos Aires, 1942).

22 – “fio branco na cabeça nem no rosto”: carta de Tomé de Sousa ao rei D. João III, citada por Jaime Cortesão em A Fundação de São Paulo.

23 – informações de Jordão de Freitas, no artigo “A Expedição de Martim Afonso de Sousa”, em História da Colonização Portuguesa do Brasil.

24 e 25 – citações de Visão do Paraíso, de Sérgio Buarque de Holanda.

26 – citação de Caio Prado Júnior, em Evolução Política do Brasil e Outros Estudos (SP, 1953).

27 – citação de Memórias de Martim Afonso de Sousa (veja Bibliografia).

28 – “para eles os reservou Deus”: citação de Diálogos das Grandezas do Brasil, obra atribuída a Ambrósio Fernandes Brandão.

29 – citado por Sérgio Buarque de Holanda em Visão do Paraíso.

30 – “para além do Brasil”: trecho da peça Farsa dos Almocreves, escrita por Gil Vicente em 1526 e citada por Sérgio Buarque de Holanda em Visão do Paraíso.

31 – “um outro Peru”: citação de Sérgio Buarque de Holanda em Visão do Paraíso.