Náufragos, Traficantes e Degredados
Bibliografia Comentada
Embora de fato sejam as décadas menos documentadas e mais desconhecidas da história do Brasil, existem centenas de livros e inúmeras fontes primárias relativas ao período que se estende de 1500 a 1531. Cerca de 200 títulos e 80 documentos foram consultados para a elaboração de Náufragos, Traficantes e Degredados. A fonte mais utilizada ao longo de todo o livro foram os três volumes da monumental História da Colonização Portuguesa do Brasil, editada por Carlos Malheiro Dias (Litografia Nacional, Porto, 1926). As demais fontes serão citadas por capítulos.
As principais fontes para a redação do capítulo “Os Espanhóis Descobrem o Brasil” foram o extraordinário artigo de Max Justo Guedes “As Primeiras Expedições de Reconhecimento da Costa Brasileira”, capítulo 4 do vol. I da História Naval Brasileira, editada pelo próprio Justo Guedes (Ministério da Marinha, Rio, 1975) e o artigo “Os Falsos Precursores de Cabral”, do prof. Duarte Leite, publicado no vol. I da citada História da Colonização Portuguesa do Brasil. O livro de Pietro Martir de Anghiera foi consultado apenas a partir das amplas citações feitas no artigo do prof. Duarte Leite. A principal fonte para a viagem de Alonso de Hojeda foi o saboroso The European Discovery of America - The Southern Voyages, de Samuel Eliot Morison (Oxford University Press, NY, 1974). Do mesmo autor, foi consultada a melhor biografia de Cristóvão Colombo, Admiral of the Ocean Sea (Oxford Univ. Press, 1976). Outra boa biografia de Colombo, menos exata mas bem escrita, é Vida del Almirante D. Cristobal Colón, de Washington Irving (Ediciones Istmo, Madri, 1992). Sobre Vasco da Gama, a principal fonte foi o diário de Álvaro Velho, A Descoberta da Índia (Objetiva, Rio, 1998). A bibliografia sobre o descobrimento do Brasil pode ser consultada em A viagem do descobrimento, de Eduardo Bueno, primeiro volume da Coleção Brasilis (Estação Brasil, Rio, 2016).
Existem inúmeros títulos sobre Américo Vespúcio e suas viagens ao Novo Mundo. As principais fontes utilizadas no capítulo “Vespúcio e o Batismo da América” foram: Amerigo Vespucci e suas Viagens, de Thomaz Oscar Marcondes de Souza (Universidade de São Paulo, 1949), que reproduz a íntegra de todas as cartas do florentino, O Brasil de Américo Vespúcio, de Riccardo Fontana (Editora UnB, Brasília, 1994), e A Navegação de 1501 ao Brasil e Américo Vespúcio, de Moacyr Soares Pereira (Asa, Rio, 1984). A melhor biografia de Vespúcio continua sendo Amerigo Vespucci, obra em dois volumes, fartamente ilustrados, de Alberto Magnaghi (Roma, 1924). Sobre a questão do batismo da América, a fonte mais bem documentada é America la bien llamada, de Roberto Levillier (Prensa Nacional, Buenos Aires, 1948). Southern Voyages, de Morison, traz ampla bibliografia sobre Vespúcio.
Sobre o pau-brasil, tema do capítulo “A Terra do Brasil”, os melhores livros são: O Pau-brasil na História Nacional, de Bernardino José de Sousa, volume 162 da coleção Brasiliana (Cia. Edit. Nacional, SP, 1978), e Terra da Ibirapitanga, de A. L. Pereira Ferraz (Imprensa Nacional, Rio, 1939). A essas fontes básicas é preciso somar o artigo “O Comércio do Pau-brasil”, de Antônio Baião, publicado no vol. II da História da Colonização Portuguesa do Brasil, e o capítulo “A Segunda Leva de Invasores Humanos”, do livro A Ferro e Fogo - A História e a Devastação da Mata Atlântica Brasileira, de Warren Dean (Cia. das Letras, SP, 1997). Também foi consultado aquele que, embora se atenha a aspectos econômicos, talvez seja o melhor livro já escrito sobre o período que vai de 1500 a 1531, Do Escambo à Escravidão, do brasilianista Alexander Marchand (Cia. Editora Nacional, SP, 1980). Outra fonte foi o capítulo “Aproveitamento Econômico das Terras de Santa Cruz”, do livro História Econômica do Brasil, de Roberto Simonsen (Cia. Editora Nacional, SP, 1978). Sobre a questão do nome do Brasil, ver nota 12 da parte III.
As principais fontes para a redação do capítulo “La Terre du Brésil” foram o livro clássico de Jean de Léry Viagem à Terra do Brasil, na tradução de Sérgio Milliet (Biblioteca do Exército Editora, Rio, 1961) e o controverso D. João III e os Franceses, de J. Gomes de Carvalho (Lisboa, 1919), com muitos equívocos mas com transcrição de inúmeras fontes documentais. A melhor análise da viagem de Gonneville foi feita por Leila Perroni Moisés em Vinte Luas (Cia. das Letras, 1992). Também foi consultada a edição do texto original de Gonneville que a mesma autora preparou para a editora francesa Chandeigne (Paris, 1995). Sobre os primórdios da navegação na Normandia e Bretanha, a principal fonte foi o livro de Samuel E. Morison, já citado, utilizado também para reconstituir as viagens dos irmãos Verrazzano ao Brasil, tema virtualmente ignorado pela historiografia nacional. A melhor biografia de Jean Ango é Ango et ses pilotes, de Eugène Guérin (Gallimard, Paris, 1900). Outras fontes sobre o papel de Ango e sua relação com o Brasil são São Vicente e as Capitanias do Sul do Brasil, de J. F. de Almeida Prado (col. Brasiliana, vol. 314, Cia. Editora Nacional), que tem cinco capítulos dedicados ao tema, e o encantador O Índio Brasileiro e a Revolução Francesa, de Afonso Arinos de Mello Franco (José Olympio, Rio, 1937), também utilizado para a redação de vários outros trechos deste capítulo. Para os conflitos diplomáticos entre Portugal e França durante os reinados de D. João III e Francisco I, as duas melhores fontes são “A Expedição de Cristóvão Jaques”; artigo de Antônio Baião e Carlos Malheiro Dias publicado no vol. III da História da Colonização Portuguesa do Brasil, e o artigo “Cristóvão Jaques e as Armadas Guarda-costas”, de Rolando Laguarda Trias, no vol. I da História Naval Brasileira. Por fim, foi consultado também The Struggle for Brazil: Portugal and the “French Interlopers”, de Regina Johnson Tomlinson (MacMillan, NY, 1970).
Para a elaboração do capítulo “O Rio das Grandes Riquezas”, as fontes primordiais foram o artigo “O Descobrimento do Rio da Prata”, de F. M. Esteves Pereira, publicado no vol. II da História da Colonização Portuguesa do Brasil, e o capítulo “Cristóvão Jaques e as Armadas Guarda-costas”, de Rolando Laguarda Trias, no vol. I da História Naval Brasileira. Sobre a viagem de Fernão de Magalhães, a principal fonte foi The European Discovery of America - The Southern Voyages, de Samuel Eliot Morison. O diário de Francisco de Pigafetta foi publicado no Brasil pela editora L&PM (Porto Alegre, 1985) com o título de Primeira Viagem ao Redor do Mundo.
O capítulo “Fabulosa Jornada à Serra da Prata” não poderia ter sido escrito sem a consulta aos livros A Fundação de São Paulo - Capital Geográfica do Brasil, do historiador português Jaime Cortesão (Livros de Portugal, Rio, 1955), Visão do Paraíso, de Sérgio Buarque de Holanda (col. Brasiliana, vol. 333, Cia. Editora Nacional, 1969), e Primeiros Povoadores do Brasil, de J. F. de Almeida Prado (col. Brasiliana, vol. 37, Cia. Editora Nacional, 1966). Sobre o Peabiru e a jornada de Aleixo Garcia, as principais fontes estão citadas na nota 3 do capítulo VI. Para as viagens de Sebastião Caboto e Diego Garcia, as fontes essenciais foram The Southern Voyages, de Samuel E. Morison, o artigo “A Expedição de Sebastião Caboto”, de Rolando Laguarda Trias, no vol. I da História Naval Brasileira, e El Veneziano Sebastion Caboto, de Toríbio Medina (Chile, 1897). Sobre o Bacharel de Cananeia, as melhores fontes são História de Iguape, de Ernest Young (s.e., SP, 1954), Capitanias Paulistas, de Benedito Calixto (Duprat, SP, 1927), e as notas de pé de página feitas pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro para a História do Brasil, de Henrich Handelmann (Rio, 1931).
O capítulo “A Expedição de Martim Afonso” foi redigido com base no Diário da Navegação de Pero Lopes de Sousa (cuja melhor edição foi feita pelo comandante Eugênio de Castro em 1940) e com o apoio dos artigos de Justo Guedes em História Naval Brasileira e de Jordão de Freitas em História da Colonização Portuguesa do Brasil. Outra fonte fundamental foi Notas de Revisão para a História de São Paulo, de Mário Neme (Anhembi, SP, 1959). Sobre Caramuru, a principal fonte consultada foi Primeiros Povoadores do Brasil, de J. F. de Almeida Prado, além do confuso artigo de F. A. Varnhagen “O Caramuru Perante a História Nacional” (Revista do Inst. Hist. e Geog. Bras., tomo X, 1866). O relato definitivo da jornada de Pero Lobo foi feito por Sérgio Buarque de Holanda em Visão do Paraíso. A análise mais completa sobre João Ramalho é a de Afonso Taunay em João Ramalho e Santo André da Borda do Campo (Comisão do IV Centenário de São Paulo, SP, 1953). O Dicionário de Bandeirantes e Sertanistas do Brasil, de Francisco Carvalho Franco (SP, 1954), foi consultado nos verbetes sobre Aleixo Garcia, Bacharel de Cananeia e João Ramalho. As Memórias de Martim Afonso de Sousa, que têm apenas dez páginas, foram publicadas pela Editora Obelisco (SP, 1964).
Algumas fontes gerais, de grande valia, também foram consultadas. O Descobrimento do Brasil, de Capistrano de Abreu (MEC/Civilização Brasileira, Rio, 1976 – reedição da obra originalmente publicada em 1900), é sempre uma leitura apaixonante e foi fundamental para a redação de “Interlúdio em Bezeguiche”, incluído no capítulo II. A vetusta e por vezes árdua História Geral do Brasil, de Francisco Adolfo de Varnhagen (Melhoramentos, SP, 1978 – reedição da obra publicada originalmente em 1854), continua sendo a fonte mais documentada para o estudo do período colonial. Muitos dos documentos originais citados nesse livro foram descobertos por Varnhagen nos arquivos portugueses. A História do Brasil, de frei Vicente do Salvador (Itatiaia, BH, 1972 – reedição da obra originalmente publicada em 1627), também é livro saborosíssimo e uma das melhores fontes para a reconstituição da vida de Caramuru, cuja mulher, Paraguaçu, frei Vicente conheceu pessoalmente. Outra antiga e esplêndida história geral do Brasil foi escrita pelo inglês Robert Southey em 1810. O livro foi reeditado em 1973 (Itatiaia, BH). Trata-se de uma das únicas fontes que vincula a história das expedições ao Brasil com as descobertas e explorações feitas pelos espanhóis em outras partes da América Latina.
Fontes mais modernas e igualmente importantes são História Geral da Civilização Brasileira (Difel, SP, 1960), obra monumental editada sob a coordenação de Sérgio Buarque de Holanda; O Império Luso-Brasileiro, coordenação de Harold Johnson e Maria Beatriz Nizza da Silva, volume VI da Nova História da Expansão Portuguesa (Estampa, Lisboa, 1992); Colonial Brazil, editado por Leslie Bethell (parte da Cambridge History of Latin America, Cambridge University Press, NY, 1987), e a bela e eficiente síntese do período colonial feita por Arno Wehling e Maria José Wehling em Formação do Brasil Colonial (Nova Fronteira, Rio, 1994). Também foram consultadas as obras de referência Dicionário da História da Colonização Portuguesa do Brasil, coordenado por M. B. Nizza da Silva (Verbo, Lisboa, 1994), e Dicionário de História do Brasil, de Moacyr Flores (PUC/RS, 1996).
Por fim, para a redação da nota relativa aos valores das moedas portuguesas e de outros países durante o século XVI, as principais fontes consultadas foram a obra clássica de Frédéric Mauro, Portugal, o Brasil e o Atlântico (Estampa, Lisboa 1989), e História Econômica do Brasil, de Roberto Simonsen, já citada, além de Terra da Ibirapitanga, de A. L. Pereira Ferraz, também já citada.