O Bem e o Mal

Camilo Castelo Branco · Capítulo 22 de 22

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O Bem e o Mal

Moralidade

 

Occorre d’esta historia, natural e concludentemente que o coração do homem, formado na sciencia e nos costumes antigos, encerra a urna dos balsamos para as chagas dos corações formados á moderna. Exemplos tres vezes bemditos: o vigario de S. Julião da Serra, Ladislau Tiberio, Peregrina e Casimiro Bettancourt.

Excellente seria que tivessemos muitas d’aquellas reliquias dos tempos obscuros, as quaes nos servissem como de quebra-luz, a fim de que a brilhante claridade dos mil lampadarios da civilisação nos não ceguem de todo.

Aqui está, muito á flor da terra, a moralidade da historia, em que tentamos esboçar uma face do bem e outra do mal d’esta vida, tão infamada por uns como glorificada por outros.

Senhor dos mundos! vós, quando creastes a brasa da sêde que requeima os labios do caminheiro do nosso deserto, mandastes ás areias que se desentranhassem em fontes! As fontes correm. E o impio sequioso bebe, consola-se e... injuria-vos.

 

FIM

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Camilo Castelo Branco

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